terça-feira, 9 de outubro de 2012

Brasil: Precisa-se de montanhistas!

O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, com mais de 8,5 milhões de km, representando quase a metade do território sul americano. Possui mais de 190 milhões de habitantes, o que o torna o maior da América Latina e a quinta nação do mundo em população. O Brasil é também a maior economia do hemisfério Sul e a sexta economia do mundo. Possui um território livre de conflitos armados e é reconhecidamente um País pacífico em suas relações internacionais. Além desses números, o Brasil se destaca em diversas outras áreas, como a produção agropecuária, a mineração e o setor industrial em geral, inclusive com indústrias de ponta. Apresenta ainda um panorama natural impressionante. Biomas diversos, clima agradável praticamente o ano todo e em todas as regiões. Completa a lista a ausência de tormentas naturais; como grandes nevascas, terremotos, furações...

Apesar desse quadro natural favorável e de números impressionantes sob variados aspectos, o mercado outdoor brasileiro é ainda pequeno e incipiente. Somos um mercado menor que os da Argentina e Chile, países com população, área e economia algumas vezes menores que a brasileira. Sim, “eles tem alta montanha”, podem gritar alguns! Mas e daí, porventura seria o Brasil um imenso deserto plano?

Especula-se que o principal motivo da existência de um pequeno mercado outdoor no Brasil estaria ligado a questões culturais, e que seríamos caracterizados por uma sociedade ainda em formação. O outro motivo estaria ligado a fatores econômicos, com uma classe de trabalhadores ainda ávida por consumo de bens duráveis, por eles considerados de primeira necessidade. Há ainda aqueles que especulam baseados em fatores climáticos e geográficos para explicar esse quadro, baseando a justificativa em comparativos, inclusive com os nossos vizinhos sul americanos!

Não obstante às mudanças internas recentes, com o aumento da renda média do brasileiro e o seu acesso a vários mercados mundo afora; bem como a “nova descoberta” desse potencial mercado por parte de empresas estrangeiras, estes ajustes e adaptações ainda não foram capazes de promover mudanças significativas no mercado interno de outdoor. Quando se divide o mercado outdoor em diversas modalidades, a coisa se complica ainda mais. Por isso, é muito comum constatarmos no mercado nacional, marcas nacionais, bem como outras estrangeiras, diversificando suas áreas de atuação, através do avanço sobre outras fatias de mercados, como o escolar e o executivo por exemplo. Essa decisão seria inclusive responsável pela sobrevivência de algumas marcas no mercado!

Pois bem, e o que nós temos com isso? Por ventura esse não é um Blog de relatos e dicas de aventuras? Bem, é verdade, esse Blog não foca-se em análises econômicas e mercadológicas. Entretanto, mesmo que de uma forma bastante empírica, torna-se interessante verificar esses aspectos e suas implicações em nossas atividades. Por que? Ora bolas, porque somos consumidores! Sim, somos nós os responsáveis, motivadores e objetivos fim dos fabricantes de produtos para aventuras. Pelo menos é o que se espera! E o tamanho do mercado brasileiro nos atinge diretamente. Por exemplo, é inconcebível que um país tão grandioso sob vários aspectos, com vasto mercado, o consumidor tenha que viajar centenas de km atrás de um estabelecimento que comercialize produtos específicos para atividades de aventura. Mas existe a internet, diriam alguns. E eu retruco: Pessoal, o Brasil não se resume à cidades, muito menos às áreas desenvolvidas do Sul e Sudeste! Enfim, definitivamente, o mercado outdoor brasileiro não condiz com o tamanho desse País. Algo está errado!

Um mercado pequeno é ruim para nós consumidores; é péssimo para as empresas do ramo; é irrelevante para o governo, enfim, é trágico para todos! Do ponto de vista do consumidor, que é o que nos interessa no momento, é ruim porque faltam-nos variedades de produtos; faltam-nos concorrentes; faltam-nos produtos adequados aos padrões do físico do brasileiro... Quem de nós já não peregrinou longos períodos atrás de um produto, cujo tamanho ou padrão adequado nunca encontramos? Ou ainda, quantas vezes temos que pagar absurdos por um produto importado porque por aqui não tem mercado que justificaria a sua fabricação? (Sou daqueles que podem até não concordar com as alíquotas, mas que acham o pagamento de tributos justo e devido).

Além disso, os preços dos produtos para aventuras no mercado interno podem ser considerados elevados, bem acima do que a grande maioria dos brasileiros estariam dispostos a pagar ou teriam recursos para a sua aquisição. Desse quadro resulta-se um círculo vicioso: menos consumidores – menor variedade – menor produção – menor disponibilidade – maiores preços! Está enganado quem imagina que eu esteja me referindo a mercados restritos, como o de alta montanha; refiro-me a produtos básicos, como uma simples camiseta!

Para não alongar mais, até porque não sou economista, a mensagem que quero deixar nesse post é a seguinte: Precisamos de mais pessoas praticantes das atividades de aventura, sobretudo aqueles ligados ao montanhismo! Isto é possível? Claro que sim. Poderíamos começar, por exemplo, nas escolas. Ao invés de priorizar as atividades internas, como é muito comum atualmente, poderia-se fazer justamente o contrário! Vejam os exemplos dos escoteiros. São personagens fundamentais para o desenvolvimento do mercado de aventuras! Nossas escolas poderiam se espelhar nos Grupos de Escotismo! Essas ações poderiam influenciar o “modus vivendi” dos mais jovens, mudando a sua visão cultural a respeito da atividade!

Por outro lado, caberiam àqueles que já são praticantes de alguma atividade de aventura, cultivar o gosto pelo compartilhamento das experiências. Essas ações contribuiriam sensivelmente para o aumento dos praticantes de atividades outdoor, porque seriam baseadas em exemplos. Infelizmente, noto um sentimento contrário a uma possível expansão das atividades de aventuras para um maior número de pessoas. E sabem por quem? Curiosamente por grande parte dos praticantes do montanhismo. Alegam estes que eventual popularização da atividade acabaria por congestionar as trilhas e montanhas brasileiras, inclusive degradando-as.

Então, para esses reticentes eu pergunto: Ora, quantas montanhas existem Brasil afora? Não existem regiões pouco exploradas ou totalmente inexploradas nesse País? Por que não saímos dos roteiros considerados os ‘grand slam’ das montanhas brasileiras? E as regras existentes, a legislação ambiental para que servem? E o exemplo das boas práticas compartilhadas, para que servem? Bem, essas perguntas nos levariam a uma reflexão: vale mais o compartilhar das ações ou uma estrelinha a mais num currículo? Para que servem as experiências se estas vão conosco para o cemitério?

Por fim, caberia às empresas interessadas e ao governo nos seus diversos níveis incentivar ainda mais as atividades de aventura. Esse incentivo poderia vir através de patrocínios, incentivos fiscais variados, treinamento de pessoal, formação de brigadas etc etc. A cadeia envolvida no setor seria imensa. Regiões menos desenvolvidas certamente seriam as mais beneficiadas, pois como é do conhecimento da maioria, os lugares mais afastados são aqueles mais belos e desejados, sobretudo pelos montanhistas. Eu comungo da idéia de que o que é belo não pode ser restringido; no máximo regulamentado o acesso! Não tenho receios ao escrever isto!

Portanto, não tenho dúvidas que o aumento da prática de atividades de aventuras, sobretudo aquelas ligadas ao montanhismo resultaria em maiores benefícios para todos nós. Teríamos mais consumidores - mais fabricantes – maior produção – maior variedade – mais pontos de venda – menores preços! E para birra e espantos de muitos afirmo que teríamos maior e melhor preservação ambiental. Quem conhece, confia; quem conhece, respeita! Mas não existe mágica, existe realidade. E nós podemos contribuir para uma realidade melhor a bem de todos nós! Por favor, precisamos de mais praticantes das atividades de aventura, sobretudo montanhistas!
E isto é pra ontem!!!!

Bons ventos a todos!

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