terça-feira, 9 de abril de 2013

Travessia Duas Pontes-Cabeça de Boi: Um trajeto diferente e diferenciado!


Trecho pouco antes da Casa dos Currais: visual zero
O Parque Nacional da Serra do Cipó é repleto em possibilidades ao montanhista. Vários são os seus atrativos para hiking ou trekking. Nas trilhas de longa duração, há opções como Alto Palácio a Serra dos Alves, Alto Palácio a Lagoa Dourada e Alto Palácio à Cabeça de Boi. Estas rotas de longo curso podem ter início também em Duas Pontes, um ponto improvisado às margens da rodovia MG 10, uma vez que neste caso o trecho inicial percorre áreas privadas, portanto, passível de mudanças. Dentre todas essas possibilidades, escolhemos realizar no feriado da Páscoa 2013 a Travessia para Cabeça de Boi, iniciando em Duas Pontes. Esta travessia não é complicada! Porém, para a incredulidade de todos acabamos por torná-la bem mais desafiadora, tendo a capacidade de chegar ao objetivo, porém desviando da rota, um exemplo de planejamento sofrível e confiança exclusiva em tecnologias. Foi uma lição, daquelas que qualquer montanhista de vez em quando tem que passar para lembrar das suas responsabilidades...

► Leia também nosso relato da Travessia Duas Pontes a Cabeça de Boi pela Rota Tradicional

A Travessia programada possui aproximadamente 30 km e cruza o Espinhaço no sentido oeste-sudeste passando pelo Cânion do Travessão; além de possibilitar a visita a várias cachoeiras em sua parte final, como a Intancado (ou Estancado, segundo a Carta Topográfica do IBGE); Maçãs e Chuvisco. O planejamento era caminhar em torno de 20 km no primeiro dia, da rodovia até a região das cachoeiras. No segundo dia completaríamos a área das cachoeiras e chegaríamos até o arraial de Cabeça de Boi, lá pernoitando. No domingo iríamos de táxi para Itambé do Mato Dentro, aproveitando outras cachoeiras nas proximidades da cidade; retornando à Belo Horizonte ao final da tarde. Na prática, pouca coisa programada foi efetivada. Fatores como condições climáticas; trilhas ou ausência delas; e tecnologia que nos deixou na mão se somaram e mudaram totalmente nossa travessia. De nível mediano, capaz de ser realizada em dois dias sem problemas, a caminhada tornou-se muito mais longa, repleta de desafios e consumiu três dias de sofrida caminhada!


1 Tranquilidade geral, porém mudanças no planejamento!

Depois de namorarmos a previsão do tempo na semana anterior e mesmo confirmando a possibilidade de chuva para o período da Travessia, decidimos mantê-la. Deixamos Belo Horizonte via ônibus na manhã de sexta feira em três horários diferentes: Eu às 06h00; Rodolfo às 06h15 e o restante do pessoal somente às 08h00 da manhã. Esse fato já nos vislumbraria uma mudança de planos, pois o início da nossa travessia começaria com pelo menos duas horas e meia de atraso; modos que dificilmente chegaríamos ao local previsto para aquele primeiro dia. Mas isto não era problema, pois teríamos três dias à nossa disposição!

Amigos da trip
Viajamos tranquilos no horário mais cedo e após a Serra do Cipó fiquei atento para não passar do ponto. E exagerei, pois acabei descendo quase 2 km antes do local desejado. Conseguimos uma carona com dois rapazes que iriam para Conceição do Mato Dentro e sem dar tempo de esquentar o banco desembarcamos em frente ao portão da Pousada Duas Pontes, no km 114; ponto de início da caminhada. Ao mesmo tempo desembarcavam de uma van um grupo do Centro Excursionista Mineiro que iria realizar a Travessia Duas Pontes a Serra dos Alves. Conversamos um pouco e logo eles partiram. Permanecemos no local à espera do restante do nosso grupo. Após um capuccino, uns biscoitos e muito papo, James, Dani, Sol e Igor desembarcaram no ponto combinado, próximo das 11h00 da manhã.

Início da pernada lá naqueles eucaliptos
Sem demora botamos as cargueiras nas costas, atravessamos a cerca de arame farpado ao lado direito da rodovia MG 10, ao contrário da Pousada Duas Pontes, próxima a uma porteira e iniciamos a caminhada. O tempo permanecia nublado e a chuva parecia iminente. Os topos da Serra do Palácio estavam encobertos. Também não era possível ver nada para os lados da Serra do Breu, que fica a Noroeste! A temperatura era agradável e ótima para caminhadas!

Serra do Palácio encoberta. À direita, a Pedra do Elefante
Trilha pelas samambaias:
esse tipo de vegetação é um grande obstáculo à caminhadas!
Cachoeira dos Espelhos logo adiante. As pinturas rupestres ficam
à esquerda, bem acima daquela matinha, após subir ao lado do paredão
Fomos caminhando tranquilamente, com várias paradas para fotos. A trilha que leva ao Travessão é muito bem marcada, não oferece dificuldades para navegação e o desnível é suave. Após 5 km mais ou menos chegamos ao córrego Capão da Mata, onde fizemos uma parada para lanche. O córrego é raso, com água cor de guarapan e estava repleto de lambaris!

Após descanso retomamos a caminhada, agora na Mata das Samambaias, que começa imediatamente após o córrego. Rapidamente atravessamos a matinha e já saímos no descampado. Avistamos adiante a bela Cachoeira dos Espelhos, que fica ao lado esquerdo da trilha, cujas águas se juntam a outros cursos menores e formam o Ribeirão Capão da Mata. Ao se aproximar da queda, paramos para algumas fotos; mas logo seguimos por uma curta subida, em direção a um belo paredão.

Cachoeira dos Espelhos vista da trilha
Eu e as pinturas rupestres
Viramos à esquerda pela trilha, passamos por um degrau em rocha e logo acima, também do lado esquerdo da trilha chegamos a uma pedra onde existem umas pinturas rupestres. Não sei se são originais, mas são bem interessantes. Paradinha rápida, pois o tempo estava se fechando ainda mais.

Retomada a caminhada, passamos em frente a duas barracas armadas ao lado da trilha. Mais alguns passos e a chuvinha chegou pra ficar. Iniciamos a descida mais íngreme por lajes de pedras agora molhadas e escorregadias. Nessa altura da trilha, vimos em um ponto mais alto, à esquerda, dois casais que tomavam banho no córrego. Uma das mulheres estava nua e levou um tremendo susto quando nos viu (rsrs).

Depois das risadas continuamos a descer e o Cânion do Travessão já estava à nossa frente. Vimos então lá do outro lado, no platô acima do Travessão o pessoal do CEM armando acampamento! Era por volta de 16h00.

Chegamos a um riacho e o Travessão, imponente, estava lá embaixo. Atravessamos o riacho e começamos a descer pela trilha óbvia ladeira abaixo, à direita do riacho. A trilha óbvia pós-córrego foi ficando cada vez mais íngreme, até que chegou a um ponto que constatei que teríamos dificuldades para descer. Decidimos voltar e ficamos examinando o terreno.

Do riacho já se via os paredões do Travessão com a touca de neblina
Foto que explica a chegada ao Travessão.
A trilha chega acima daquele filete branco (córrego). Cruza então o
córrego e desce pela sua margem esquerda
James retornou até o córrego e localizou a discreta saída da trilha no outro lado do córrego, ou seja, à sua esquerda. Também o pessoal do CEM que já estavam acima do Travessão, aos gritos nos alertou quanto ao lado certo! Sem dificuldades fizemos a descida pelo lado esquerdo do córrego e chegamos ao espetacular Mirante do Travessão.

Travessão
Paredões impressionantes
IMPACTANTE seria a melhor palavra para definir o Cânion do Travessão! Trata-se de um V que cruza de oeste para leste a Serra do Espinhaço, com paredões gigantescos, cujo vale é coberto por uma mata, com pedras e inúmeros degraus, por onde corre o Rio do Peixe, formando várias e interessantes quedas e poços. Há um mirante logo na subida pós Travessão em direção ao Sul, de onde se tem uma vista maravilhosa de todo o conjunto. 

Quedas no Rio do Peixe
Depois da pausa para inúmeras fotos e contemplação do Travessão, por volta de 16h50 decidimos retomar a caminhada, passando pelo acampamento do pessoal do CEM. Devido ao adiantado da hora não fomos ao Poço do Ofurô, nem nas quedas existentes no Rio do Peixe ao lado esquerdo da trilha. Esta trilha sobe ainda marcada morro acima, na margem esquerda do córrego e vai sumindo aos poucos. Beirando às 17h00, já ficamos de olho em um local para acampamento, pois a noite chegaria em breve. Além disso, ventava, chuviscava bastante e a neblina já tomava conta de tudo. Como estávamos atrasados quanto à execução do planejamento e havíamos caminhado pouco naquele dia, o meu desejo e do James era subir o máximo que pudéssemos para adiantar a caminhada.

Ao chegarmos defronte a um platô localizado na margem direita do Rio do Peixe; sob protestos do restante do pessoal que permaneceu por ali, eu o James decidimos subir mais um pouco na esperança de achar um lugar mais abrigado, pois a chuvinha já caía de modo consistente acompanhada de uma fria ventania. Subidinha em vão, o jeito foi voltar até o pessoal; quando atravessamos o córrego e fomos armar acampamento sob as inúmeras, variadas e insistentes críticas e reprimendas da galera. Passava das 17h30 e a noite prometia!

Armar as barracas não foi tarefa fácil. O problema é que o local era muito exposto e a ventania apertava. Tivemos que ancorar as barracas com pedras e ao término da montagem, nós e nossas tralhas estavam encharcadas! O único jeito foi mergulharmos barraca adentro, sem banho, cozinharmos nos avanços e deitarmos!

Logo no princípio da noite, já nas barracas, escutamos um estrondo muito forte e ficamos intrigados quanto aquilo, pois não existem moradores nem nenhuma atividade exploratória num raio de pelo menos 6 km em linha reta daquele lugar! O que teria sido aquilo??? A noite foi longa, mas eu dormi bem, pois estava cansado. Porém, em certos momentos que acordei, imaginei que as nossas barracas sairiam voando, tamanha era a ventania que trazia consigo fortes pancadas de chuva!

2 De fato começa a aventura! 

Cruzando o Rio do Peixe logo no início da pernada - Foto: Sol Matos
Aquele sábado amanheceu da mesmo maneira que a tarde anterior: chovia, ventava muito e havia neblina por todos os lados. Praticamente nada se via além de dez metros adiante! Por isso ficamos um pouco mais nas barracas! Abortar a Travessia? Nem pensar, por isso caímos fora das barracas, vestimos as roupas encharcadas, desarmamos acampamento e por volta de 09h30 cruzamos o Rio do Peixe, retomando a caminhada morro acima sob forte chuva. A trilha agora não passava de alguns sinais pelo capim, e por várias vezes sumia por completo! Como o visual estava comprometido totalmente devido a densa neblina, a única confiança de navegação desse ponto em diante foi depositada no GPS! 

A partir desse trecho e em grande parte no decorrer do dia, a neblina, não permitiu visual. A princípio fomos margeando pela esquerda o Rio do Peixe que corre morro abaixo em direção ao Travessão. Sempre subindo, atravessamos campos de altitude com capim bastante alto; afloramentos rochosos, vários regos d’água e brejinhos provisórios; até que chegando ao topo de um morro tivemos problemas com as rotas no GPS! Devido a neblina densa e constante não tínhamos nenhuma referência geográfica. Era impossível navegar manualmente de modo seguro por aquele terreno. Quem conhece o Espinhaço sabe que navegar manualmente nestas condições é extremamente complicado, pois obstáculos surgem a todo instante!

Bem, aqui vale uma explicação sobre a navegação. Nos preparativos para a Travessia, eu havia selecionado uma rota e enviado para nossos amigos navegadores. Infelizmente, por motivos particulares, o dono do GPS que utilizávamos não pode comparecer à travessia, mas gentilmente nos cedeu o aparelho, com o James nosso navegador. Quando deparamos com o problema das rotas, constatei que havia uma série de rotas no aparelho, quase todos incompletos. Havia porém uma rota que naquele momento não reconheci; mas àquela altura era a única opção que dispúnhamos... Mal sabíamos que doravante começariam nossas aventuras no mais genuíno sentido da palavra. 

Cachoeira nervosa
Localizamos a rota no vale pouco abaixo de onde estávamos. Descemos em direção ao vale varando mato por uma ladeira íngreme. Caminhamos por um trecho em campos e chegamos a uma cerca de arame, com entorno repleto por afloramentos rochosos. Abaixo da cerca havia uma matinha crescida, repleta de arbustos e mais afloramentos. Ouvíamos o som nervoso de cachoeiras. Estávamos confusos e por não haver visual, as anotações que possuía em mãos pouco adiantavam. Decidimos então parar, saciar a fome e analisar a situação.

Visual para o sul desde o morrote em rara abertura
Após conversas, inclusive sobre a possibilidade de abortar a travessia; o tempo ameaçou abrir e decidimos prosseguir. Retomamos a caminhada seguindo a rota e varando mato após a cerca de arame. A rota indicava a subida de modo disfarçado em um morrote adiante e à nossa esquerda. Cruzamos uma matinha, um córrego que corria para oeste em pequenas quedas e chegamos a uma parte de difícil caminhada, com muitos arbustos, um capim fedorento e muitas pedras. Novos vara-matos e avistamos uma bela cachoeira em um ribeirão lá embaixo; a mesma que espalhava um barulhão pelo vale tamanho era o seu volume de água. Continuamos a caminhar, subindo e contornado aquele morrote, até que atingimos o cume. Em instantes, a neblina voltou com força e pouca coisa se via adiante.

O filete de mata vista desde o morrote em rara abertura da neblina
Foto: Sol Mattos
Descemos o morrote e chegamos até um filete de mata, cuja marcação mandava transpô-la. Enquanto o pessoal ficou aguardando, adentrei a matinha tentando achar caminho e constatei que ali no meio da mata havia um ribeirão com águas caudalosas. Peguei um pau e medi o nível da água e confirmei estar profundo. Voltei e disse do encontrado. Poderíamos ter cruzado o riacho a nado, pois não era largo. Mas essa decisão teria que ter a concordância de todos. Decidido não fazer isto, passamos a explorar as margens da mata buscando um melhor local para transposição. À medida que caminhávamos para leste, margeando a mata, esta ficava mais larga e distanciávamos da rota. 

Decidimos então seguir longe da rota marcada, à direita do ribeirão, margeando a mata pela parte mais rala, tentando achar um local acima mais propício para atravessar o riacho. Isto foi complicado, pois tivemos que distanciar ainda mais devido a um grande buraco às margens da mata. Novos vara-matos, com samambaias e alguns outros buracos profundos! Saindo em um lugar mais limpo, descemos novamente em direção à mata e chegamos às margens do ribeirão. Vimos uma pequena queda d’água e logo acima um ponto onde era possível se transpor. Formamos uma corrente de ajuda para passar as cargueiras e cruzamos o córrego. Essa operação desde a chegada a matinha até a transposição do córrego consumiu muito tempo e atrasou-nos consideravelmente.

Cachoeira sem nome
zoom da Cachoeira sem nome
Cruzado o riacho, localizei um ponto mais a esquerda e fui nessa direção protegendo o rosto e desviando das árvores, cipós e espinhos mil. Em poucos metros saímos no descampado avistado lá do morrote! Paramos apenas para tirar a água das botas e meias e logo retomamos a caminhada, buscando interceptar a rota que seguíamos. Beirava às 17 horas, o que nos obrigava a procurar lugar para acampamento. Em rápida abertura da neblina, avistamos do outro lado do córrego que atravessamos uma cachoeira volumosa, bem na encosta da serrinha à nossa esquerda no sentido Norte.

Voltamos a caminhar e desviamos de uma subida por pedras em um morro por onde indicava a rota, escolhendo um trajeto mais fácil à direita. Adiante, localizamos atrás de uma matinha rala um lugar razoável e abrigado do vento. Eu até queria caminhar mais, pois já desconfiava que o dia seguinte seria longo e que estávamos fora da rota pretendida. Mas fui voto vencido. De toda forma, revelou ser a melhor opção, pois estávamos exaustos, encharcados e imundos, apesar de termos caminhado curta distância!

Ajeitamos o local e armamos as barracas, ancorando-as preventivamente com pedras. Chuviscava, ventava levemente e não tivemos problemas dessa vez. Fizemos tudo lentamente, inclusive o jantar. Antes de dormir, fui até a barraca do James para verificar distâncias a percorrer no dia seguinte, pois continuava preocupado. Nos poucos relatos de amigos sobre a região, nenhum se referia a situações complicadas como as que tínhamos enfrentadas naquele dia. E o fato da impossibilidade de checar referências geográficas só servia para aumentar essa preocupação! Voltei mais tranquilo para a barraca e fui dormir. Acordei por volta de 2h30 da madrugada e saí da barraca. Chuviscava, mas não fazia frio. Vi até um bichinho se movendo pelo capim acima do nosso acampamento, assustado com minha presença. Fiquei contemplando aquele silêncio da noite por um longo período... 


3 Longo, muito longo dia!

Neblinão naquela manhã do terceiro dia
Acordei às 5h30 e o tempo continuava como antes: visual zero e chuviscos! Logo o pessoal foi acordando, porém somente deixamos o lugar beirando às 7h00 da manhã. Seguimos subindo um morrinho para interceptar a rota. Logo o terreno se aplainou e uns dois km adiante chegamos a uma matinha rala à nossa direita. Margeamos pela esquerda e começamos a identificar arremedos de trilha, com sinais de que há muito tempo não eram exploradas. Margeamos nova mata, agora à nossa esquerda. Pelo menos nada de vara mato. 

Córrego da Mutuca aos fundos da Casa dos Currais
Casa dos Currais
Chegamos a uma região de um pequeno brejo, cujo capim alto foi chato de transpor. Fomos caminhando no sentido sudeste, quando demos uma guinada no sentido Leste. Quase pisamos em uma cobra, que ficou lá quietinha, em posição de ataque. Atravessamos uma cerca de arame e chegamos a um ponto elevado, com trilha bem marcada. Aí foi só seguir essa trilha, beirando uma cerca de arame que logo começou a descer. Ouvimos sons de cachoeiras e chegamos a um córrego, com um casebre e curral abandonados um pouco acima. Já pensava: Estávamos totalmente fora da rota desejada!!!

Vista pros lados do Bongue
Registro com a região do Bongue ao fundo
A neblina deu uma dissipada, atravessamos o córrego sem dificuldades, fizemos uma paradinha rápida no casebre e seguimos subindo pela trilha margeando uma cerca de arame farpado. Chegando ao topo havia uma mata à esquerda. Caminhamos então no sentido sudeste e houve um momento de alegria! A neblina próxima se dissipou e avistamos lá longe, depois de um vale profundo os primeiros sinais de civilização em três dias. Várias casas, com estrada e uma serra acima e à esquerda. Um visual incrível, mesmo ainda com a presença de neblina nos topos.

Comecei então a reconhecer a região. O arraial avistado não era Cabeça de Boi, mas a região do Bongue. Paradinha para fotos e logo continuamos a caminhar por uma trilha pelo topo do espigão. Cruzamos uma porteira e logo demos uma guinada no sentido nordeste, descendo uma ladeira íngreme. Já no final da descida, havia muitas lajes, que estavam lisas feito sabão. Quedas foram inevitáveis!

Cânion
Queda no cânion: Cachoeira da Queixada?
Chegamos ao final daquela descida por volta das 13h30. Atravessamos um ribeirão pulando as pedras e logo depois uma porteira à esquerda. Demos de cara com um pequeno cânion mais abaixo, onde era possível ver duas cachoeiras. Uma bem grande e volumosa à esquerda, que caía de um enorme paredão; e a outra em formato de cascata à direita. Bem à nossa frente havia uma mata jovem, porém bem fechada. A rota nos indicava que o caminho era do outro lado, pela mata.

Pros lados de Cabeça de Boi: longe, muito longe!
Incrédulos fomos explorar o outro lado. Estávamos cansados de varar mato. Voltamos, cruzamos a porteira e o córrego novamente e subimos um morrinho ao lado direito. Enquanto uns ficaram aguardando, eu, James e Rodolfo fomos mais adiante tentar achar uma saída. Constatamos que por ali não seria possível, pois a descida seria muito íngreme e necessitaria um baita vara-mato. Suspeitamos que somente seria possível transpor aquele pequeno cânion pelo outro lado; justamente onde nos indicava a rota. Observei uma trilha à beira do precipício do cânion lá do outro lado. Nesse ponto, em um raro momento de abertura e sem neblina constatei e reconheci a Serra pros lados de Cabeça de Boi, bem distante, no sentido Nordeste de onde estávamos. Logo, havíamos mesmo desviado da rota pretendida... À essa altura, toda a dificuldade que tivemos se justificava...

Voltamos todos e atravessamos novamente o córrego. Enquanto o restante do pessoal sentou por ali para descansar, eu e o James fomos explorar a mata. Fui adiante abrindo mato morro acima e o James foi atrás ditando a direção; até que interceptamos uma trilha bastante fechada. Caminhamos por ela e chegamos até outra bem marcada e que estava escorregadia. Fomos descendo, cruzamos uma porteira e chegamos a um córrego, que era aquele que formava aquela belíssima queda no cânion. Pronto, havíamos encontrado a saída.

Voltamos em direção ao pessoal, agora explorando aquela trilha bem marcada. Seguimos um pouco acima de onde havíamos saído, na esperança de achar um caminho mais fácil, mas como esta distanciava ainda mais, resolvemos pegar a trilha fechada, que nos levou até onde estava o restante do pessoal. Então pé na trilha.

A felicidade durou pouco. Aquela trilha foi descendo morro abaixo do lado esquerdo do cânion. Havia sinais de gado pela trilha. A certa altura da descida, a rota mandava seguir para a esquerda. Mas era uma capoeira. Desistimos definitivamente da rota, ignoramos a marcação, continuamos a descer e fomos até o fundo do vale, onde atravessamos um rego d’água e subimos uma trilha pelo pasto, chegando ao topo de um morro. 

Serra dos Linhares - Foto: Sol Mattos
Nesse momento, a nossa visão à direita era do rio Tanque, que descia no fundo do vale. Mais acima, do outro lado do Rio, havia um morro secundário, onde existia uma trilha bem marcada que seguia em direção ao Bongue; além dos paredões da Serra dos Linhares acima, que brincava de esconde-esconde devido a neblina. Fomos caminhando pelo topo do morro por trilhas de gado, no sentido nordeste. Distanciávamos daquele amontoado de casas que víamos desde lá de cima. A certa altura, onde havia uns pés de mangueiras e uma casa abandonada pouco abaixo de nós, descemos pelo meio do pasto, mas indo em direção ao rio, onde do outro lado havia uma casinha abandonada.

Placa da RPPN dos Borges às margens do Rio Tanque
Chegamos no Rio Tanque e fizemos uma parada para descanso. Alguns tomaram banho. Àquela altura, já tínhamos a sensação de que não chegaríamos a Itambé do Mato Dentro naquele dia. Mesmo assim, pé na trilha, que seguimos à esquerda, passando por aquela casinha abandonada, tentando achar uma saída digna. Caminhamos um pouco e chegamos à entrada de uma nova casinha. Vimos que era abandonada, então nem prosseguimos. Retornamos e passamos a caminhar por pastos e trilhas de gado mais acima. Até que, vimos os fios de energia mais abaixo e tentamos ir nesta direção. Vimos então uma placa lá embaixo, próxima a uma trilha bem marcada, que margeava o rio que tínhamos atravessado no ponto mais anterior.

Borges com Pico ao fundo
Cachoeira dos Borges
Próximo à placa, vimos um cavaleiro passando por essa mesma trilha. Gritamos e ele desceu do cavalo e ficou na trilha lá embaixo nos aguardando, meio atordoado, próximo a uma porteira. Ao se aproximar fomos logo perguntando por Cabeça de Boi. Ele nos indicou a direção correta, que seria margeando e subindo o rio ao lado. Era só seguir aquela trilha onde estávamos que logo chegaríamos a uma estrada e assim seria até Cabeça de Boi. Infelizmente nosso amigo tinha tomado umas e não soube nos precisar a distância até Cabeça de Boi. Menos mal, do contrário estacionaríamos por ali mesmo!!! Cruzamos a porteira e constatamos que adentrávamos na RPPN Cachoeira dos Borges.

Borges ficando para trás: viemos lá daquele último morro, com neblina
A última foto: Cabeça de Boi
Estávamos margeando o Rio Tanque no fundo do vale. Á nossa esquerda, os limites leste do ParnaCipó, de onde despencavam várias cachoeiras em virtude da chuvarada daqueles dias. A maior e mais imponente era a Cachoeira dos Borges. Belíssima! Passamos por uma bela construção bem defronte a essa cachoeira (creio que seja a sede da RPPN) e aí entramos em uma estrada vicinal; onde só é possível transitar veículos 4x4.

Depois de um trecho plano, há uma subida íngreme em curvas, inclusive trechos com calçamento. Subir foi uma prova de resistência. Já no trecho final e plano chegamos à divisa da RPPN Cachoeira dos Borges, bem em frente ao Pico Cabeça de Boi, então à nossa esquerda. Algumas fotos (eu tirei a última da Travessia); cruzamos uma porteira e começamos a descer, passando por uma casinha à nossa esquerda/abaixo. Mais adiante, próximo a um grupo de casas também à esquerda, no início de mais outra subida da estradinha paramos para um descanso. Aproximava-se das 18h00. Isto significava que, chegar em BH naquele dia já não era mais possível!

Enquanto fazíamos esta pausa para descanso, anoiteceu e então fui até uma das casinhas à esquerda pedir informações. Abordei a primeira casa e fui muito bem recebido pelos moradores Sr. José André e Dona Almerinda; além de uma infinidade de cães. Sr. José André saiu da casa com um prato de janta na mão. Simpáticos e prestativos, confirmaram que aquele lugar chamava Posses e me mostrou a direção de Cabeça de Boi (Norte), indicando um atalho. Disseram-me que das  Posses até Cabeça de Boi eram 2h00 de caminhada.

Voltei até o grupo e dei a notícia. Nos reanimamos, botamos as cargueiras nas costas e doravante com lanternas passamos novamente pela casa dos nossos novos amigos. Reabastecemos de água, conversamos um pouquinho e o Sr. José André caminhou um trechinho conosco para nos indicar a direção correta do atalho em meio a escuridão. Há algumas casas na região, próximas umas das outras. Despedimos do Sr. José André, deixamos a trilha mais larga através de uma porteira à esquerda e caminhamos por uma trilha em direção a uma matinha, onde atravessamos um córrego através de uma pinguela. Daí em diante não houve erro: continuamos por aquela trilha no meio da matinha até que rapidamente interceptamos a estrada mais marcada, tomando o rumo da esquerda.

Caminhamos por um curto trecho e começamos a descer. Apesar da noite nublada, era possível ver o belo contorno da Serra da Cabeça de Boi à nossa esquerda em contraste com a luz, pois aqueles eram dias de lua cheia. Passamos por uma casa e logo depois chegamos a uma bifurcação em Y, onde havia uma porteira. Ficamos na dúvida e o Rodolfo voltou até a casa pouco antes e se informou que a direção correta seria pela esquerda. Aí foi ladeira abaixo: uma descida interminável. E estava lisa e com lama em vários pontos. Passamos por várias porteiras e alguns corguinhos que corriam sobre a estrada. A essa altura éramos apenas um bagaço. O James clamava pelo joelho; a Sol caminhava de chinelos desde os Borges... enfim, tudo estava difícil...

Depois de umas duas horas de caminhada, vimos as luzes de Cabeça de Boi. Era o combustível que faltava! Caminhamos ainda por mais ou menos 1h00, quando começamos a notar casas mais próximas. Aliás, no trajeto entre Posses e Cabeça de Boi há casas esparsas ao longo da estrada. Passamos então ao lado de um curral, com porteiras e logo adiante demos de cara com um ribeirão mais volumoso. Há um pontilhão para pedestres logo acima, que cruzamos. Depois desse pontilhão foram uns 300 metros de uma interminável subida. No final, seguindo uma curva para a direita botamos os pés no arraial de Cabeça de Boi. Era 21h00 e estávamos acabados: doloridos, encharcados, imundos e fedorentos!!! Começava aí nova saga atrás de transporte para Itambé do Mato Dentro.

Ao chegarmos em Cabeça de Boi a primeira coisa que queríamos era beber e comer algo. O comércio local estava todo fechado, exceto um pequeno bar, onde embocamos e comemos pão com mortadela e tomamos uns refrigerantes. Ficamos por lá, caçando alguém para nos transportar até Itambé do Mato Dentro. Em vão, o pessoal do Bar não tinha contatos de nenhum taxista. Antes da viagem, eu havia combinado o resgate com um rapaz de Itambé, mas como atrasamos, ao chegar ao arraial, mantive contato com o mesmo, mas naquele horário, ele declinou do transporte devido a outros compromissos.

Estávamos já conformando com a ideia de pernoite em Cabeça de Boi. Pensamos em ir para o camping, mas na verdade ninguém queria saber de armar barraca naquela hora. Foi aí que a moça do Bar nos indicou uma pousada e a Sol foi até lá investigar. Era a Pousada Recanto da Morena. E voltou com uma ótima notícia: a proprietária da Pousada se propôs a contatar alguém em Itambé para nos resgatar. Migramos todos do Bar para a Pousada. E fomos recebidos pela Marilene e pelo seu esposo Marcos. Além de contatar um taxista em Itambé do Mato Dentro e confirmar que o mesmo faria duas viagens Cabeça de Boi-Itambé nos resgatando, o simpático casal nos acolheu, permitiu-nos trocar de roupa e limpar as sujeiras. E ainda ofereceu-nos janta (isso mesmo, sem cobrar nada – o frango com ora-pro-nobis estava um espetáculo); contatou e reservou uma Pousada em Itambé do Mato Dentro para nos acolher naquela noite. Sem dúvidas foi um prêmio encontrá-los por lá...

Por volta de 22 horas o taxista chegou e levou o James, Dani e Sol para Itambé, fazendo a primeira viagem. Eu, Rodolfo e Igor ficamos para a segunda leva e somente deixamos Cabeça de Boi por volta de 23 horas.Chegamos à Pousada da Ruth em Itambé por volta de 23h30. Banho e depois cama! Acordei às 5h30 da manhã de segunda e fui correndo ao guichê da Saritur para revalidar minha passagem que era para a data anterior. No caminho tinha esperança de achar um comércio para tomar um café e quebrar o jejum. Em vão! Mais sorte teve o pessoal que ficou na Pousada, pois comprariam as passagens diretamente no ônibus! Cheguei ao guichê, revalidei a minha passagem e logo o ônibus encostou. Minutos depois eu embarquei. Em frente à Pousada (o ônibus passa na porta) o restante do pessoal fez o mesmo.

Deixamos Itambé às 6h30 da manhã. Em Ipoema o ônibus fez parada de dez minutos no terminal. Aproveitei para quebrar o meu jejum! Sol foi comprar um chinelo novo, pois o que ela usou na trilha era meu e estava com um araminho na correia (hahahaha). Reembarcados, o ônibus ainda passou por Bom Jesus do Amparo e logo depois entrou na BR 381. Ao chegar à altura de Ravena, município de Sabará, enfrentamos um congestionamento até a entrada do Anel Rodoviário; o que atrasou a viagem em torno de 1 hora. Passado mais esse imprevisto, desembarquei no viaduto São Francisco, já em Belo Horizonte. Rodolfo fez o mesmo. Tomamos o mesmo ônibus coletivo, chegando em casa por volta de 11h30 da manhã. E ainda fui trabalhar! O restante do pessoal desembarcou na rodoviária de BH, todos sãos e salvos, graças a Deus! Foi penoso, mas valeu a pena!

Identificando o nosso equívoco

Adaptação das Cartas de Baldim e Conceição do Mato Dentro (IBGE).
O traçado em verde é a rota tradicional. O vermelho foi a efetivada.
As condições foram complicadas, mas foi um erro inadmissível
Ao fim do dia em nossas casas, a primeira coisa que fizemos foi tentar identificar onde foi que mudamos o trajeto da Travessia. Aliado a conversas que tivemos com o Marcos ainda na Pousada Recanto da Morena em Cabeça de Boi; e de análise das cartas topográficas da região, concluímos que o nosso erro foi justamente acima do Travessão, quando perdemos as referências visuais e a rota no gps. Ao invés de tomar o rumo leste naquele momento, nós continuamos a caminhar no sentido sudeste/sul. Desse modo, apesar de diferenças significativas, percorremos parte da rota Alto Palácio a Serra dos Alves. Ademais, uma desatenção de minha parte foi decisiva para que não tivéssemos a certeza do erro com rapidez: para fazer a Travessia Duas Pontes-Cabeça de Boi pela Via Tradicional, jamais teríamos que cruzar córregos que correm para o oeste.


Serviço

Algo positivo dessa pernada é que sem planejar acabamos realizando o trajeto da Travessia Duas Pontes a Cabeça de Boi, via Queixada-Bongue, Borges e Posses. É um trajeto desafiador e pelo pouco que conseguimos visualizar nas raras aberturas da neblina é muito bonito. Poderia ser dividido em três partes:

A primeira parte vai do km 114 nas proximidades da Pousada Duas Pontes até o Travessão. É um trecho com trilha marcada e não apresenta dificuldade nenhuma. O desnível é suave, não há vara mato e a possibilidade de se perder é remotíssima. É o trecho mais fácil dessa Travessia.

A segunda parte inicia pouco acima do Travessão e segue até a região dos Borges. É a parte mais complicada da Travessia. Não existem trilhas definidas em grande parte do trajeto, apenas alguns sinais na parte final, já nas proximidades da Casa dos Currais. Há a necessidade de se varar matos, caminhar por terrenos repletos por afloramentos rochosos e atravessar alguns brejinhos e córregos, inclusive um de maior dificuldade. Caso o aventureiro não seja um exímio navegador; não conheça topografia; esteja sem guia e se o tempo não estiver limpo, a presença de um GPS é fundamental. Certamente esse trecho da Travessia é aquele que exigirá mais do aventureiro em todos os sentidos, além de ser aquele em que o rendimento será menor!

A terceira e última parte vai da Região dos Borges (referência RPPN Cachoeira dos Borges) até o arraial de Cabeça de Boi. E totalmente por uma estrada vicinal, exceto no atalho de Posses, quando se deixa a estrada para retomá-la um pouco mais adiante. Existe uma subida íngreme ainda dentro da RPPN Cachoeira dos Borges. Após Posses, a estrada segue em longa descida. Para percorrer essa estrada, se não for a pé, recomenda-se carro 4 x 4, pois há várias subidas longas e alguns córregos que passam por sobre a estrada, inclusive um maior já na chegada à Cabeça de Boi. De Posses a Cabeça de Boi são aproximadamente 15 km.

Pelo trajeto, apesar do pouco visual obtido, raros e apenas em alguns momentos, há várias cachoeiras. Muitas vezes escutávamos barulho de quedas d’água, porém não a víamos. Ainda na parte inicial da trilha, há a cachoeira dos Espelhos, próxima às pinturas rupestres. Na região do Travessão há as quedinhas no Rio do Peixe; além do famoso poço do Ofurô. Já no final da subida da Serra, há uma grande cascata no fundo do vale, localizada no Ribeirão Palmital. Uma outra, localiza-se também no Ribeirão Palmital, porém na encosta mais à Leste da primeira.

Já chegando à região de Queixada e Bongue, há duas cachoeiras muito belas. Uma despeja suas águas em um cânion; tendo outra em formato de cascata praticamente em frente. Já na região dos Borges, várias são aquelas que descem da Serra, cujas águas correm para o Rio Tanque. A maior delas, conhecida como Cachoeira dos Borges é extremamente bela, com uma queda única sensacional. Fica bem em frente a sede da RPPN; e poderia-se dizer, a grosso modo, que seria uma mini Tabuleiro!

Além das cachoeiras, destaque para os visuais da Pedra do Elefante e Serra do Palácio, logo no início da trilha. Adiante, claro, destaque maior para o Cânion do Travessão, um lugar realmente monumental. Já na região de Queixada/Borges, o visual da Serra dos Linhares, com seu paredão Oeste é impressionante. E o Pico da Cabeça de Boi, referência da região, dividindo as localidades de Borges e Posses, visto por outro ângulo pouco comum é realmente muito bonito. Fora as pinturas rupestres, as flores, plantas diferenciadas e pedras em formatos curiosos.

Quanto a Cabeça de Boi, trata-se de um arraial singelo, ruas com calçamento e pessoas prestativas. É aquele lugar típico do interior de Minas, onde o principal destaque são as pessoas. A aproximadamente 6 km do arraial fica o complexo do Encantado (ou Intancado, como é conhecido) e a cachoeira das Maçãs (por onde passa a Travessia Tradicional).  Já Itambé do Mato Dentro é uma pequenina e agradável cidade. Nos arredores encontram-se várias cachoeiras, como o Complexo do Lúcio, a Baixada das Crioulas, a Cachoeira da Vitória e a do Funil.

O recomendável para se realizar esta rota são 4 dias. Isso permitiria aproveitar as cachoeiras. No caso de se realizar em três dias, além de se iniciar a caminhada bem cedo em Duas Pontes, seria necessário combinar um resgate por veículo 4 x 4 pelo menos na região das Posses. Do contrário, haja pernas!

► Distância da Travessia Duas Pontes a Cabeça de Boi Via Borges: aproximadamente 50 km
► Eventual rota de fuga através da Serra dos Alves
► Leia também nosso relato da Travessia Duas Pontes a Cabeça de Boi pela Rota Tradicional

Distâncias aproximadas

Belo Horizonte a Pousada Duas Pontes: 114 km (asfalto)
Itambé do Mato Dentro a Belo Horizonte: 122 km (estrada de chão entre Senhora do Carmo e Ipoema)
Cabeça de Boi a Itambé do Mato Dentro: 12 km (estrada de chão, bem conservada)
Itambé do Mato Dentro a São Paulo: 740 km
Itambé do Mato Dentro ao Rio de Janeiro: 600 km

Como chegar - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus: 

Ida:
Embarcar em ônibus da Viação Serro ou da Viação Saritur e desembarcar no km 114 da rodovia MG 10, em frente a Pousada Duas Pontes. Esse local é após a Serra do Cipó e antes da estátua do Juquinha.

Volta:
Opção 1: Embarcar no ônibus da Viação Saritur em Itambé do Mato Dentro direto para Belo Horizonte.
Opção 2: Embarcar em ônibus da Empresa Santos com destino à Itabira. Em Itabira embarcar em ônibus da Viação Saritur com destino à Belo Horizonte.

► Há dois horários por dia, ligando Itambé a Belo Horizonte.
► Há um horário por dia ligando Itambé a Itabira. Se informe na Empresa Santos (31 3831-4537).
► Entre Cabeça de Boi e Itambé não há linha regular de ônibus. Opções são táxi, carona ou a pé.
► Consulte os frequências e tarifas nos sites da Viação Serro e Viação Saritur

De carro: 

Ida:
Deixar BH através da MG 10, passando pela Serra do Cipó e prosseguindo até o km 114 da mesma rodovia. É possível deixar o veículo estacionado na Pousada Duas Pontes.

Volta:
Opção 1: Deixar Cabeça de Boi e seguir para Itambé (estrada de chão); seguir para Senhora do Carmo e Ipoema (estrada de chão). Em Ipoema seguir para Belo Horizonte (asfalto).
Opção 2: Deixar Cabeça de Boi e seguir para Itambé (estrada de chão); seguir para Senhora do Carmo e depois Itabira. De Itabira seguir para Belo Horizonte (trechos mais longo, porém totalmente asfaltados)

► Atentar que início e fim da Travessia se dão em locais distintos e distantes. Recomendável programar a logística.

Transporte Cabeça de Boi – Itambé do Mato Dentro

Ao contrário de que afirmam alguns, não é difícil conseguir táxi para fazer este percurso. E em se tratando de custos, os preços são justos. Vale contratar porque o trajeto entre as localidades são 12 km por estrada de terra. Ao chegar em Cabeça de Boi, vá até a Pousada Recanto da Morena, eles são muito gentis, precisos nas informações e possuem vários contatos de pessoas que fazem esse serviço!

Alimentação e Hospedagem

Cabeça de Boi
Pousada Recanto da Morena (Marilene e Marcos) - Só conhecendo para se ter ideia da gentileza dos proprietários.
Telefones: 31 3838-1130 – 99738-6683 (Pousada); 99909-6683 (Belo Horizonte)

Itambé do Mato Dentro
Pousada da Ruth (Ruth e Glauber) - atendimento familiar e preços honestos.
Telefones: 31 3836-5109 – 98374-7797

Considerações finais

► Esta Travessia nos ensinou novas e velhas lições. Primeiro quanto ao planejamento de uma Travessia. Não poupemos tempo nos estudos de uma rota; considerando todas as variáveis e possibilidades. Segundo em condições de tempo adversas e agudas, muitas vezes interromper uma caminhada não pode ser considerado uma derrota. Terceiro, a tecnologia deve ser um aliado, mas jamais poderá ser o único suporte em uma travessia de longo curso. Quarto, o valor de parcerias e respeito entre grupos. Em condições normais nem sempre valorizamos esse aspecto; porém em condições desfavoráveis isto faz uma grande diferença.

► Vale a pena fazer esta Travessia utilizando esta variável Queixada-Borges-Posses? Sim, vale a pena. É claro que se trata de um nível mais longo e exigente que a Rota Tradicional, porém as belezas do interior do ParnaCipó impressionam.

► Não se esqueça de solicitar autorização do Parque Nacional da Serra do Cipó para realizar travessias pela região.

Este relato não serve como única fonte de informações para a realização dessa Travessia. Pesquise e estude muito bem antes de se aventurar pelo Espinhaço. Trata-se de uma região bastante isolada, de difícil acesso e com paisagens muito parecidas e de difícil referências, que podem confundir os menos experientes; em especial sob neblina, fato comum nesta serra.

►► Segundo informações, o alto barulho / estampido que ouvimos no acampamento na noite do primeiro dia foi devida a explosão de um cartucho de gás que estava com o Grupo do Centro Excursionista Mineiro CEM, iguais a esses utilizados nos fogareiros portáteis. Ficamos sabendo que, aliado às más condições do tempo, este foi um dos motivos que fez o grupo abortar a realização da Travessia naqueles dias.

► Leia também nosso relato da Travessia Duas Pontes a Cabeça de Boi pela Rota Tradicional

► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons ventos a todos!

Última Atualização: Mar 2016

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