domingo, 12 de maio de 2013

Adventure Sports Fair 2013: Ficou devendo!

Eu e a Catedral da Sé
Aproveitando que faria uma viagem para a cidade de Baependi, Sul de Minas Gerais no dia 4 de maio para as Festividades de Beatificação de Nhá Chica, resolvi antecipar a data e esticar até São Paulo no dia anterior para visitar a Adventure Sports Fair; além de resolver alguns detalhes ligados a minha atividade profissional. Chegando em São Paulo, aproveitei a parte da manhã para trabalho e afins na região da Paulista e ainda passei pela Catedral da Sé, que há muito tempo não visitava. Aliás, acho bastante curioso o fato de que, a Catedral sempre se parece muito maior nas fotos do que realmente é de fato; coisas no neogótico! Porém é muito bonita! Também achei os arredores da Catedral mais limpos que em anos atrás!

Assim, por volta de 12h30 já estava liberado e corri para o Ibirapuera para visitar a Feira de Aventura, que somente abriria os portões às 14 horas. Fiz uma horinha pelo parque, mas não saí das proximidades do prédio da Bienal, pois o calorão da cidade era intenso! Até deu pra tirar uma soneca embaixo de umas árvores nas imediações do Auditório do Ibirapuera. Depois fui almoçar no restaurante do parque, mas não gostei da comida; coisa de mineiro mesmo! Estava um pouco ansioso, pois apesar de oportunidades em anos anteriores, esta era a primeira vez que voltava à Feira de Aventura depois de umas três edições ausente. Logo, a expectativa era grande!

Obelisco, passando o tempo pra visitar a feira
Antes convém esclarecer dois pontos. O primeiro é que uma feira só pode ser assim chamada se reunir em um mesmo local oportunidade para negócios, difusão de conhecimento, variedade no portfólio e entretenimento, de modo a prender a atenção do público visitante, seja ele específico ou genérico! Além disso, o espaço físico onde se realiza uma feira deve ser capaz de proporcionar segurança, conforto e facilidade de circulação e acesso. Entretanto, em situação digamos, de normalidade, esses aspectos só realmente cumprem sua função se forem efetivados de modo equilibrado. O segundo aspecto a ser considerado é que esse post refere-se ao meu ponto de vista de consumidor, praticante de trekking, uma das muitas modalidades do montanhismo; aliado ao fato de que visitei a feira em uma sexta feira!

Pois bem, portões abertos corri para o prédio da Bienal. Conheço esse lugar há bastante tempo e estruturalmente apresenta-se bastante decadente! Mas isto não vem ao caso! Comecei bem: apresentei o meu convite e não enfrentei fila para entrada no prédio. Mas parou por aí. Pouco adiante algumas moças distribuíam uns papéis. Pensei: deve ser um mapa da Feira ou informações gerais, afinal dizem ser este o maior evento do ramo na América Latina. Mas não eram... Mas tudo bem, prossegui minha saga pelos corredores da Feira. À minha direita estava montado um espaço para praticantes de skate. Não demorou nem dez segundos para meu senso de crítica aumentar: não havia proteções inferiores nas proximidades das bordas da pista, modos que a todo momento skates escapavam da pista e obrigavam os visitantes a se saltarem para não serem atingidos nas canelas... Era até engraçado... Mas, ah nem!!! Decidi circular!

A onda do slackline...
A identidade visual da feira era sofrível, mas fui tentando identificar as seções. Corri para a área onde estavam os expositores que tem maior dedicação ao montanhismo e afins! Eram uma meia dúzia deles apenas. O stand da Curtlo estava abarrotado de produtos. Estava um pouco confuso: muito produto para pouca área! Vi um protótipo de mochila com carregador solar bastante interessante! Mas no primeiro contato com uma moça muito gentil, minha empolgação começou a cair. Talvez ela tenha ficado embasbacada com a minha beleza (hahahaha), modos que ela não soube responder algumas perguntas que fiz... Ah! larguei pra lá...

Após fui no stand da Hard Adventure, que estava próximo. Achei bem "clean", se é que me entendem... Fui recebido por uma bela recepcionista, que se esforçou para me mostrar alguns produtos, mas não sabia responder minhas perguntas. A primeira pergunta que fiz ela retransmitiu para um rapaz que conversava animadamente com outro nos arredores; a segunda também e a terceira também... Bom, e o rapaz? Bem, ele continuou lá, em sua animada conversa! Fiquei curioso para saber se ele é membro efetivo da Hard! Será???? Achei mais polido recuar do stand eheheh...

Passei pelos stands da Kailash, Snake, Guepardo... fui bem recebido em todos eles! Nada a reclamar! A Snake até tinha umas novidades... Passei voando no stand da Hi-Tec e sem dúvida era o mais simpático e bonito da Adventure Fair, dando de goleada nos concorrentes diretos. Ficava próximo à área onde estava instalado o slackline. E tinha uma idéia legal (na verdade uma promoção) sobre doação de botas usadas, obtendo desconto para aquisição de outra no site da empresa. Achei bacana a inciativa! Além disso, havia uns lançamentos interessantes: uma bota de couro e uma papete com biqueira! 

O stand da Salomom tinha novidades, inclusive uma jaqueta com forro removível para ser usada em vários tipos de clima. O atendente me disse que ela deve ser vendida na faixa de "mir e poucas pratas" por aqui!!! Havia também alguns tênis novatos, mas achei que pelo tamanho da marca teria outras novidades; ou pelo menos estivesse mais atraente! Fui no stand da GoPro retirar um informe sobre as câmeras. Fui atendido mais ou menos... Eles estavam comercializando câmeras na feira, porém, pelo preço que vendiam, se comprar no exterior e pagar todos os impostos para a Dilma ainda sairia mais barato...

Bem, havia vários outros stands de marcas ou de representantes dedicados a outras modalidades de esportes de aventura, porém passei rápido por elas. Mas o que fiquei impressionado foi a quantidade de agências de turismo de aventura pela Feira. Algumas davam a impressão de que tiveram o espaço ampliado para não ficar buracos pela feira... Também havia muitos stands de estados e localidades Brasil afora; e de empresas promotoras de eventos de aventura. Muitos, muitos mesmo! Não sei se eram o tamanho deles, sempre grandes que passavam essa sensação, mas eram muitos! Claro, havia o stand de slackline e highline (a febre do momento) e de escaladas; lançados como atração pelos organizadores. Legal ver o pessoal se ralando eheheh. Também havia uma pista artificial para prática de esportes de inverno; além de um tanque para caiaque/remo e outro para mergulho! Aliás, acho que era o ponto alto de toda a Feira, havia fila imensa para mergulhar...

Bem, tudo isso me deixou faminto. Fui procurar o que comer. Só havia uma empresa vendendo alimentos na feira. Pelo menos não achei outra. E olha, não agradei em nada: uma coisa sem graça, instalada lá no fundo de um dos andares, com uns petiscos mixurucas, filas imensas e preços astronômicos. Mineiro é pechincheiro, mas não é muquirana; muito menos idiota; mas confesso que me assustei ao saber do preço de uma garrafinha de água comum: 5 reais! Tudo isso confirmava o que uma simpática senhora vendedora do Ibirapuera (pelo sotaque parecia mineira) havia me dito: "meu fio, os preços lá dentro tá pela hora da morte. Minha neta teve lá ontem e vortô horrorizada". Bom, por precaução tratei logo de comprar umas duas garrafinhas de água...

Bem, até procurei, mas no momento que estive por lá não fui a nenhuma palestra. Senti falta de um programa nas mãos... Havia visto na net que várias palestras estavam programadas, porém mais concentradas no sábado e domingo; ou então mais tarde naquela sexta feira. Aí não dava né? Obviamente havia também o espaço reservado e exclusivo para negócios entre os grandes (o famoso TRADE), mas como sou pequenino e um mero consumidor, obviamente não tinha acesso. Espero que tenham feitos bons negócios; assim, quem sabe nos oferecem bons produtos a preços justos, não é mesmo? Porque os fabricantes simplesmente não comercializavam grandes coisas na feira! Compreensível, porque haveriam problemas logísticos para se efetivar isto; aliás, creio que se tivesse um grande varejista expositor por lá iria deitar e rolar... 

Bem, a essa altura do campeonato o que eu queria ver já tinha visto. E infelizmente, de um modo geral não havia me agradado! Estava um pouco decepcionado. Então já fui dando adeus ao espaço. Era por volta de 16h30 quando desci para a região onde estava instalada a pista de skate, próximo à saída principal. Achei umas cadeiras vazias por lá, comprei uns chopinhos pra aliviar (copinho de plástico, similar aos famosos lagoinha, a 6 contos cada, suficiente para apenas uma golada) e fiquei de bobeira. Alguns promotores observaram minha cara de mineiro sentado naquelas cadeiras e vieram me oferecer umas revistas velhas, de priscas eras e pedindo dinheiro em troca... Ah, pára né? Tenha paciência; tempos de piadas já foram...

Continuei por ali fazendo hora. Conversei com algumas pessoas e a sensação era um pouco parecida com a minha: de que a Feira não estava lá essas coisas. Reclamavam sobretudo da ausência de várias marcas do mercado adventure; da falta de uma praça de alimentação mais estruturada; das condições de informações e do estacionamento. Quem parecia não estar nem aí para isso eram os skatistas, que se esbaldavam na pista ao lado. Tanto é que naquele momento um skate escapuliu da pista, atravessou pelo nosso meio e foi direto no vidro da fachada. Resultado: um buraco imenso e os cacos de vidro por lá ficaram... Com esse episódio final, não me restou levantar, sacudir a poeira e caçar outros rumos, com três perguntas que não queriam se calar:
►► Por que grandes marcas do mercado adventure não participaram da Feira? 
►► Por que apenas um fornecedor de alimentação monopolizou a Feira, cobrando preços claramente exploratórios? 
►► Por que diabos um fabricante vai expor em um grande evento e seus promotores não conhecem o próprio produto que fabricam, muito menos os dos seus concorrentes? 

Ao sair da Feira observei um urubu na fachada da Bienal;
uma ave linda, cujo prato preferido é a famosa 'carniça'!
Seria uma síntese do que foi a Adventure Sports Fair 2013???
Pois bem, já foi anunciada a edição do ano que vem da Adventure Sports Fair: será de 22 a 25 de maio, novamente na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Terá um dia a menos que esta edição de 2013. Então, o jeito é ficar na torcida de que o próximo evento seja melhor, porque a imagem que tive desta edição de 2013 não foi bacana.
Por outro lado, produtos de algumas marcas que vi por lá pensarei duas vezes para adquirir; não que sejam ruins, mas devido ao péssimo atendimento que recebi dos seus promotores nos stands visitados! Impressionante como atendimento é o principal fator capaz de arranhar ou privilegiar uma marca. E parece que os gestores de algumas delas não estão nem aí para isso; ou pior, nem aí para nós. E depois ficam fazendo propaganda em rede social com aventureiro famoso tentando nos influenciar... Lamentável!

Por fim, claro, não sou o rei da bala chita, mas voltei da Adventure Sports Fair com uma sensação de que houve por lá um grande problema de gestão. Da parte dos organizadores notei que a diversão foi a grande privilegiada e para eu, isto não basta! E da parte dos expositores, principalmente aqueles ligados a equipamentos e afins utilizados por montanhistas, no frigir dos ovos se esqueceram de nós, o consumidor final... Enfim, não é espaço para Montanhista! Tomara que eu esteja equivocado...

Bons ventos a todos!


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