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Navegação Manual: Conhecendo a Carta Topográfica - Parte 2/2

Parte da Carta Topográfica de Alagoa, Minas Gerais IBGE, 1974
Esta carta mostra região das origens deste que vos escreve...
Para nós aventureiros, até poucos anos atrás, a Bússola e a Carta Topográfica eram praticamente as únicas fontes seguras de navegação por áreas desconhecidas. Aliás, a dupla Bússola e Carta Topográfica foram e continuam sendo inseparáveis. Entretanto, com o advento e popularização do GPS, ambas tornaram-se pouco usuais, principalmente pelos aventureiros mais novatos. Na postagem anterior conhecemos um pouco da Bússola, bem como os graus e cálculos de azimutes, que permitem uma navegação sem mapa por curtas distâncias. Nesta postagem, a segunda e última da série sobre Navegação Manual, abordaremos a Carta Topográfica, pois juntamente com a Bússola formam um casal perfeito. Veremos também como efetuar alguns cálculos utilizando informações da própria Carta Topográfica; que permitirão utilizar a Bússola auxiliados pela Carta Topográfica.

Esta é a segunda postagem da série de duas em que procurarei oferecer uma noção básica sobre o modelo de Navegação Manual com Carta Topográfica e Bússola. Será uma abordagem simples e os temas serão os seguintes: 

Navegação Manual: Conhecendo a Bússola
► Navegação Manual: Conhecendo a Carta Topográfica
►► Antes de ler esta postagem, procure ler a primeira postagem da série, pois assim melhor poderá compreender esta segunda parte. O link está acima; ou no final desta postagem.

Conhecendo a Carta Topográfica

De um modo simples poderíamos definir a Carta Topográfica como um mapa que retrata os acidentes naturais e artificiais de uma determinada área. Os acidentes naturais são os morros, serras, vegetação, rios e córregos etc. Já os acidentes artificiais são as interferências no ambiente natural oriundas das ações do homem, como as cidades, estradas, barragens etc. Ramificação da Cartografia, a Carta Topográfica é uma ferramenta indispensável quando especialistas vão estudar uma área ou região; e são amplamente utilizadas na área militar e pelos órgãos públicos em tomadas de decisões.

Carta Topográfica Alagoa - Fonte: IBGE, 1974
Para nos ajudar a compreender melhor uma Carta Topográfica, iremos utilizar como exemplo a Carta Topográfica ALAGOA, que é aquela que retrata uma pequena região do Sul do Estado de Minas Gerais.

Esta carta foi elaborada pelo IBGE na década de 70, em parceria com o IGA/MG. Em uma pequena área como esta é possível obter centenas de informações com riqueza de detalhes. Porém, as mais importantes e básicas são auto-explicativas, isto é, encontram-se legendadas ou anotadas conforme marcações e convenções internacionais. Isto torna o aprendizado muito mais fácil, pois de forma sintética e de certo modo, até lúdico, favorece a fixação das informações.

Dentre estas centenas de informações presentes nas Cartas Topográficas, as simbologias e referências básicas mais importantes em termos compreensão e de uso para navegação manual são as seguintes:


Nome da Carta: 
Cabeçalho da Carta Topográfica.
Este é o modo mais usual das cartas brasileiras
Fundamental para identificar qual Carta Topográfica estamos utilizando, em sua maioria os nomes das cartas estão localizadas nos topos dos mapas; porém podem vir nos cantos direito ou esquerdo. Normalmente esses nomes se referem a uma cidade ou a uma localidade mais próxima do ambiente retratado; ou mesmo de algum acidente geográfico importante naquela região. Na Carta de Alagoa, por exemplo, ao verificarmos na Legenda a seção Articulação da Folha, veremos nomes de várias cidades. Curiosamente a carta ao Sul de Alagoa não é o nome de uma cidade e sim de um acidente geográfico, no caso Agulhas Negras, que engloba áreas pertencentes aos municípios de Itamonte, Bocaina de Minas e Itatiaia, dentre outros.

Lembramos que as grafias das localidades nas cartas topográficas estão alinhadas com o NORTE, isto é, ao posicionarmos um pedaço de alguma carta, o topo da grafia das localidades indicam sempre o norte da carta. Portanto, mesmo com um pedacinho de uma carta em mãos, é possível identificar as direções corretamente.


Cores:
O uso de cores é amplamente utilizado no mundo da informação. E não poderia ser diferente quando tratamos de um mapa, como são as Cartas Topográficas. Para cada acidente existente utiliza-se uma cor padrão. Aconselha-se examinar e consultar a legenda da carta, pois isto auxilia de modo mais preciso a compreensão das cores empregadas.

De um modo geral, as cores principais utilizadas em uma carta são as seguintes:
 
Sépia ou Castanho (claro ou escuro): representam as curvas de nível, bem como as altitudes. 

Azul: referem-se à Hidrografia e retratam riachos, rios, brejos, represas, barragens etc. 

Verde: referem-se à vegetação. Normalmente usado em gradações; quando simples são os parques, bosques; quando duplo são as florestas, matas e cerrados. Quando padronizadas referem-se à culturas, temporárias ou não. 

Vermelho: são as rodovias, marcadas até o terceiro gênero. 

Preto: usado para as nomeclaturas em geral. Identificam cidades, vilas, localidades, serras e outros. Se estão em formato de pequenos pontos aleatórios, representam ocupações humanas; em traços menores representam estradas vicinais, caminhos e trilhas; em traços maiores referem-se a limites de municípios ou estados. 


Legendas e Convenções: 
Legenda da Carta Alagoa: informações adicionais
Localizada no pé da folha da Carta Topográfica, tem o objetivo de esclarecer as ilustrações, símbolos e marcações utilizadas no mapa. Referem-se aos meios de transportes, locomoção, aspectos do Relevo, Hidrografia, portes de cidades, vilas, povoados e até sítios e fazendas. Além desses destas, trazem as informações sobre a Articulação da Folha, Escala e Diagrama das Direções. 


Articulação e Localização da Carta Alagoa
______________________________________
Articulação e Localização da Folha: 
Juntamente com o nome, torna-se importante porque referencia em mapa de qual região do País é a Carta Topográfica. A articulação da folha também orienta o navegador sobre quais cartas estão nos limites daquela que é objeto de uso, facilitando a pesquisa. No caso do Brasil, em conjunto com a Localização da Folha no Estado e a Divisão Administrativa apresentam uma dimensão ainda mais didática dessa localização.


Escala: 
É definida pela proporção entre o terreno real e o que está desenhado na Carta. As escalas mais comuns são 1:25.000; 1:50.000 ou 1:100.000. Nesta representação fracionária, o numeral 1 quer dizer “uma porção” de 50 mil centímetros. A grande maioria das cartas brasileiras são na proporção 1:50.000, que diríamos, é uma marcação média.

As escalas são medidas em centímetros e há uma fórmula simples para se descobrir as distâncias e tamanhos de áreas: basta dividir o denominador por 100 e assim acharemos a proporção em centímetros. Veja o exemplo:
Emparelhando uma régua na escala é possível calcular
as distâncias com boa margem de acerto. Na ausência de
uma régua, um simples pedaço de linha poderá substituí-la
Dada a escala 1:50.000
Distância em cm= 50.000 : 100 = 50 mil centímetros.
Os 50 mil centímetros obtidos no cálculo se equivalem a 500 metros no terreno mapeado. 

De todo modo, quanto menor o denominador de uma escala, maior será o detalhamento de uma área mapeada em Carta Topográfica. Por isso, navegar com uma carta em escala 1:100.000 é mais difícil que uma escala 1:25.000. Portanto, compreender uma escala é fundamental para se deslocar em um terreno; pois locais que se parecem próximos em um mapa, na realidade podem estar a dias de caminhada.


Curvas de Nível:
São linhas imaginárias e equidistantes que ligam pontos de uma mesma altitude em determinada região. Simplificando, trata-se do desenho do relevo de uma localidade, indicando elevações, depressões, superfícies planas e outros acidentes naturais. Gravadas na cor castanho, as curvas de nível são aqueles conjuntos de “riscos ondulados dispostos por toda a carta”. A distância de uma curva para outra é variável conforme a escala utilizada em cada carta.

Nas escalas 1:50.000, que é a carta exemplo que estamos utilizando, as curvas de nível são lançadas de 20 em 20 metros em altitude (e não em distância, atente-se para isto). Nesta escala, a cada quatro linhas de curvas, a próxima linha possui um tom marrom mais escuro. São as chamadas curvas-índice e constam altitudes múltiplas de 100. Normalmente a informação da eqüidistância das curvas vem junto à escala de cada carta. E quanto menor a eqüidistância, mais detalhada é a carta.

Quando as curvas estão mais espaçadas, indicam que um terreno é mais plano, sem variações significativas de altitude. Ao contrário, quando estão aglomeradas, indicam forte inclinação do terreno; ou ainda, depressão significativa (grandes áreas similares a buracos). Referenciar pelas curvas índice é também um modo prático, pois se pode comprovar se a altitude é ascendente ou descendente! Outro método seguro é observar a direção dos cursos d’água (traços em azul, muitos deles identificados pelo nome), pois eles sempre correm pelos fundos de vales e indicam queda de altitude!

Algo também interessante é observar em alguma carta se há um curso d’água cruzando várias curvas de nível próximas ou quase emparelhadas. Isto denota-se que no lugar é bem possível que exista uma cachoeira, pois saiba que nem todas as cachoeiras são referenciadas em uma Carta Topográfica! Enfim, reconhecer todos esses detalhes em uma carta é fundamental para se traçar caminhos alternativos e mais fáceis de serem percorridos, conforme o destino; ou ainda, conhecer atrativos especiais pela rota traçada.
Viu como é simples e interessante? 


Latitude e Longitude Carta Alagoa
Latitude e Longitude:
A latitude é a distância ao Equador medida em graus ao longo do meridiano de Greenwich, sendo marcada nas quinas verticais do mapa. A longitude é a distância ao meridiano de Greenwich medida em graus ao longo do Equador e está marcada nas extremas direita e esquerda horizontais do mapa.

Estas informações são importantes porque permitem localizar a Carta Topográfica no Globo. Além disso, sabendo as coordenadas de uma localidade (existem cálculos específicos para isto, similares à Triangulação), permite-se buscar a declinação magnética sem a necessidade de se realizar cálculos manuais, pois alguns sites institucionais oferecem esse serviço automático.


► Importante:
Até aqui, abordamos apenas aspectos que visam a compreensão da Carta Topográfica. Porém, os itens abaixo além de visarem este aspecto, necessitam de cálculos específicos com o auxílio da Bússola


Entendendo e Fazendo Cálculos baseado em Cartas Topográficas


Diagrama das Direções, Variação Anual e Data da Carta

O Diagrama das Direções nos informa as indicações do Norte Magnético, Norte Verdadeiro e Norte das Quadrículas. O mais importante é sabermos que as diferenças em graus entre Norte Magnético e Norte Verdadeiro formam a chamada declinação magnética, que é fator decisivo para uma navegação exata. Isto pode parecer complicado, mas na verdade é bem mais simples que se parece.

Norte Magnético e Norte Geográfico
A imagem apresenta uma declinação negativa,
que é o caso do Brasil
Fonte: heliodon.com.br
O Planeta possui dois nortes: o Norte Magnético e o Norte Geográfico. Enquanto o Norte Magnético é para onde aponta a agulha da Bússola; o Norte Geográfico como o próprio nome diz, é o Norte real do Planeta. Este é a referência usada em mapas e na navegação, principalmente naquelas em longas distâncias. Isto quer dizer que, ao vermos o Norte pela agulha da Bússola aqui no Brasil, o Real Norte do Planeta está um pouco mais à direita, porque a declinação magnética por aqui é sempre à oeste (W), isto é, negativa. Como curiosidade, atualmente (2013) o norte magnético está a algumas centenas de km do norte verdadeiro!

A variação da declinação magnética muda constantemente e não é a mesma em todos os lugares do planeta. Reservas de minerais no subsolo de algumas regiões são exemplos que interferem nesta variação. Isto explica em parte porque regiões relativamente próximas possuem variações totalmente diferentes. Apesar da declinação magnética no Brasil não ser grande, em determinados casos mundo afora ela é bem maior, e se navegar sem se realizar o cálculo da declinação poderia nos levar a lugares completamente diferentes daqueles pretendidos.


Calculando a Declinação Magnética

Então, para não corrermos risco de errar lugares em uma navegação, como podemos descobrir a declinação magnética de um lugar ou de uma Carta Topográfica?

Pois bem, ao analisarmos a imagem do Diagrama das Direções da Carta Topográfica Alagoa, que é a carta referência desta postagem, podemos constatar três dados importantíssimos, a saber:

► A data da carta: 1974 

► O valor da declinação: 17º20' 

► O quanto a declinação cresce por ano: 8 minutos

Tendo esses dados na Carta torna-se possível e fácil calcular a declinação magnética. Existem algumas fórmulas e cálculos para isto. Uma das mais fáceis e precisas é a seguinte:

► Declinação Magnética = (Ano Atual – Ano da Carta) x Declinação Anual : 60
Declinação Magnética = (2013 - 1974) x 8 : 60 = 5,200º

► Após o cálculo, multiplica-se os números obtidos após a vírgula (no exemplo 0,200) por 60 para identificar com precisão em minutos a variação ocorrida entre os anos de 1974 a 2013. Faz-se o arredondamento, se for o caso. 
0,200 x 60 = 12' (doze minutos)

► Soma-se o resultado obtido em minutos ao número encontrado antes da vírgula (que são os graus), na primeira operação. 
5,200' = 5º12' (cinco graus e doze minutos)

► Por fim, soma-se o resultado obtido com a Declinação Magnética constante na Carta Topográfica:
5º12' + 17º20' = 22º32' Oeste (22º32'W) 

Foi-se então obtida a declinação que deverá orientar eventual navegação. Este valor obtido deverá ser acrescido aos azimutes eventualmente obtidos através da bússola para se executar uma navegação precisa baseada em mapas.

Ressaltamos que para grande parte do território do Brasil a variação em graus é insignificante para uma navegação genérica, inclusive para esta baseada na carta exemplo. Porém, como descrito acima, há lugares do planeta em que esta declinação é acentuada. Importante nesse caso é pelo menos saber de uma das formas de se obter a declinação magnética atualizada.Vale ainda lembrar que existem no mercado bússolas que permitem fazer o ajuste da Declinação Magnética com antecedência, evitando assim que, em plena trilha tenhamos que parar para realizar todos esses cálculos.

►► O site do Observatório Nacional fornece o cálculo da Declinação Magnética segundo o IGRF (International Geomagnetic Reference Field), inclusive com a possibilidade de pesquisa automática das coordenadas via Localidade. Basta inserir os dados solicitados.
►►A despeito de existirem cálculos mais simplificados, vale lembrar que o modelo de cálculo manual apresentado acima é aquele cujos resultados mais se aproximam dos valores fornecidos pelo Observatório Nacional. 


UTM - Universal Transversa de Mercator: Saiba se localizar

UTM é a sigla correspondente a Universal Transversa de Mercator, que é o sistema adotado no Brasil para projeção do mapeamento do País. As marcações UTM podem ser encontradas nas Cartas Topográficas e se referem às quadrículas marcadas de 2 em 2 nas extremidades dos mapas nas cartas escala 1:50.000 (nas cartas 1.100.000 são marcações de 4 em 4). Estas marcações são utilizadas para se identificar com maior precisão determinado ponto; ou onde se está; ou onde se deseja atingir; ou ainda, como é mais comum, são amplamente utilizadas para situações em que são necessários serviços de resgates. Para nós leigos, o mais importante é aprendermos a calcular dada localização segundo as regras UTM quando estamos navegando apenas com a Carta Topográfica.


Na prática:
Para descobrir as coordenadas UTM de um lugar temos duas situações: a primeira é se sabemos onde estamos; já a segunda é se desconhecemos esse lugar.

Se SABEMOS aonde estamos, observamos os seguintes passos:
Fração do canto superior direito da Carta Topográfica Alagoa
É possível identificar a Latitude, longitude e as marcações UTM
As inscrições em vermelho e verde foram inseridas para
exemplificar o cálculo das coordenadas UTM

Suponhamos que estejamos no Morro da Ponte Alta (veja a imagem ao lado) e precisamos passar as coordenadas para um Resgate. 
► Com uma régua (ou outro objeto plano) traçamos uma linha horizontal e outra vertical de modo que estas cruzem onde estamos (é a linha vermelha traçada na imagem ao lado); 
► Identificamos as quadrículas da Carta Topográfica da região onde estamos, que são numeradas pelo padrão UTM e são marcadas de 2 em 2 graus; que no caso da figura ao lado (linha vermelha por nós traçada) ficou entre 48 e 50; e entre 64 e 66. 
► Pegamos novamente a régua e fazemos as marcações intermediárias entre as marcações já existentes na Carta; no caso da figura acima marquei 49 oeste e 65 sul. 
► Agora fazemos as marcações menores entre estas intermediárias, marcando de 1 a 9, porque a quadrícula é dividida em 10 partes iguais; 
►►Pronto: encontramos as coordenadas UTM, que são os pontos onde o risco inicial se coincidiu com as marcações menores; a saber: 492 Oeste - Leste e 643 Sul - Norte. 

►►►Ao passá-la para o resgate (ou para quem quer que seja) primeiro informamos a coordenada OESTE-LESTE; depois a SUL-NORTE, e sempre nesta ORDEM. Se informarmos a sequência trocada, o sistema de resgate nos procurará em outro local totalmente diferente!


Se NÃO SABEMOS aonde estamos:

A princípio não teríamos como fazer o cálculo acima.
Então, teremos que antes fazer um novo cálculo, chamado de TRIANGULAÇÃO, que possibilitará informar onde nós estamos de modo aproximado.

► Tomamos a Carta Topográfica, calculamos a declinação magnética; ajustamos a Bússola; e alinhamos a bússola com o Norte do mapa, posicionando-o; 
► Escolhemos dois pontos visíveis e significativos no terreno à nossa volta de modo que estes possam ser identificados na Carta Topográfica e o marcamos no mapa. Esses pontos devem estar a pelo menos 20 graus distante um do outro; 
► Calculamos o azimute do primeiro ponto; ou da primeira referência; 
► Sem tocar no limbo da bússola, encostamos a régua no primeiro ponto marcado; 
► Alinhamos o norte da bússola com o norte do mapa; 
► Traçamos um risco nesta direção; 
► Repetimos o mesmo procedimento para a outra referência; 
► No ponto onde há o cruzamento das linhas é aproximadamente o ponto onde estamos. 

Após estes cálculos da TRIANGULAÇÃO, e já sabendo aproximadamente onde estamos em relação à Carta Topográfica e dependendo da situação ou objetivo, podemos fazer os cálculos UTM visando indicar com maior precisão aonde estamos. Isto seria fundamental para casos em que necessitássemos de resgate, por exemplo.

Para acessar a primeira parte da Navegação Manual em que abordamos o conhecimento da Bússola, clique no link abaixo:



Considerações Finais

► Com este post encerramos a temática sobre a Navegação Manual. Obviamente que este assunto é longo e seria impossível esgotá-lo em duas postagens. Sabemos ainda que existem algumas outras formas de Navegação Manual e Orientação em geral. Porém, não temos dúvidas de que a principal delas seja a praticada através da Carta e Bússola. Com as informações aqui apresentadas é possível praticá-las em campo; introduzindo o interessado no mundo da Navegação Manual.

► Para começar, esqueça a Carta Topográfica. Foque apenas na Bússola. Use e abuse. Exercite em terrenos que você já conhece, fingindo não os conhecer. Após praticar bem em áreas conhecidas, procure outras desconhecidas, porém de fácil localização. Não se embrenhe por matas e terrenos complicados para praticar. Só faça isto quando estiver tarimbado no manuseio da Bússola + Carta. 

► Depois de conhecer e praticar bem os exercícios com a Bússola, procure as Cartas Topográficas. Escolha uma do seu interesse, preferência aquela que englobe os terrenos em que você praticou apenas com a Bússola. Estude bem a carta. Identifique pontos de interesse, faça cálculos. Esclareça dúvidas.

► Volte então a campo e pratique agora com a Carta Topográfica e a Bússola. Faça e refaça. Experimente novas possibilidades. Mas lembre-se: no início, faça somente em áreas que você já conheça. Repita quantas vezes julgar necessário. Pode ser cansativo, sabemos disso; porém, não tenha preguiça.

Somente depois que praticar muito e estiver seguro vá se aventurar em terrenos desconhecidos! De preferência, e se tiver condições, leve outros equipamentos, como o GPS para caso emergenciais. Nunca vá sozinho no início, preferencialmente vá com alguém já experiente!

Pelo amor de Deus, esta série não é um convite para sair por aí "a torto e a direito"! Esta série visa apenas ampliar conhecimentos. Procure também estudar outras fontes e consultar pessoas experientes antes de sair navegando por aí, combinado?

► Nestas duas postagens, apresentamos o básico para essa modalidade de navegação, tais como: Identificar os Pontos Cardeais e Colaterais; Conhecer a Bússola; Calcular Azimutes; Navegar sem Mapa; Conhecer a Carta Topográfica; Posicionar a Bússola no Mapa; Cálculo da Declinação Magnética; Se localizar visando navegar ou solicitar um resgate (UTM). A princípio pode parecer difícil e complicado, mas à medida que se pratica tudo fica mais fácil; e torna-se até uma diversão!

► Aos interessados no assunto, o IBGE possui uma Cartilha Técnica on line a respeito da Cartografia Básica. Para acessá-la, clique aqui

► O IBGE também disponibiliza Cartas Topográficas Digitalizadas. Para acessar clique aqui

►► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor

►► Pratique atividades no Meio Natural aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!
Última Atualização: Mar 2016 (lay-out e considerações)

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