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Travessia Petrópolis-Teresópolis: clássica, mesmo em meio à neblina!

Visual para os lados do Açu desde a Pedra do Sino no último dia da Travessia
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é um lugar incomparável. Berço do Montanhismo brasileiro, oferece ao aventureiro um sem número de possibilidades. Além dos pontos tradicionais de escalada, talvez o principal atrativo do Parque seja a Travessia Petrópolis a Teresópolis. Apesar de ser uma rota de média distância, percorrê-la pode significar para muitos um "upgrade" no trekking. Além disso, presenteia o caminhante com paisagens de tirar o fôlego, dignas daquelas pinturas mais realistas! Foi para este lugar apaixonante que nos dirigimos em entre os dias 16 a 18 de agosto de 2013 para cumprir a travessia no formato tradicional de três dias e duas noites. Devido ao "ruço" não tivemos visual aberto em grande parte da rota, mas foi uma pernada para deixar saudades...

► Leia também nosso relato da Travessia Petrópolis a Teresópolis  - Modo Tradicional com visual; onde além de belas imagens também poderá ter acesso ao Traclog dessa Travessia
► Leia também nosso relato da Travessia Petrópolis a Teresópolis - Em dois dias


1 Chegada à Petrópolis: Da Portaria Petrópolis ao Castelo do Açu

A famosa placa do Parque
A logística da nossa chegada em Petrópolis foi em etapas. James, Daniele, Alexandre, Sol, Thiago e Fabrícia foram de carro e chegaram à cidade na véspera, pernoitando em um Hotel nas proximidades do Terminal Correias. Myung Lee e sua esposa Choon viriam no dia do início da Travessia, oriundos de São Paulo. Eu embarquei na quinta feira por volta de 23h00 em um ônibus da Viação Útil e desembarquei na rodoviária de Petrópolis na sexta feira por volta de 04h00 da manhã. Ao desembarcar, permaneci na rodoviária até às 05h00, quando tomei o coletivo para o Terminal Correias; e neste, tomei outro da Linha Pinheiral às 06h30, descendo um ponto antes do final e caminhando cerca de 1 km até a portaria do Parnaso, aonde cheguei pouco depois das 7 da manhã. O dia estava parcialmente nublado na Cidade Imperial, o que comprovava a previsão do tempo para o período. Segundo os meteorologistas, as chances de chuva na região eram mínimas para todo aquele final de semana, o que nos deixava tranquilos.

Portaria Petrópolis
Já estando na portaria do Parque fiquei à espera da chegada dos amigos. Fiquei papeando com alguns guarda-parques e montanhistas que haviam pernoitado na própria portaria do Parque. Por volta de 08h00 chegaram o Lee e sua esposa. Continuamos na prosa enquanto um grande número de aventureiros chegava para fazer a Travessia. E nada de nossos amigos que haviam pernoitado a poucos km dali aparecerem... Tamanha foi a demora que após várias tentativas conseguimos falar com os mesmos e obtivemos a informação de que ainda estavam no Terminal Correias. Assim, pouco antes das 09h30 o Lee e sua esposa Choon decidiram iniciar a Travessia sozinhos, enquanto eu permaneci na Portaria à espera do restante do grupo; que só chegou depois das dez horas da manhã... Efetivamos os trâmites legais de acesso e iniciamos a travessia às 10h30 da manhã. um mirante ainda no início da trilha, antes da bifurcação para o Véu da Noiva e Gruta Presidente 

Vista desde o Mirante antes da bifurcação da Véu da Noiva
Gruta Presidente: nada de mais...
Árvore com as "pernas abertas"...
Véu da Noiva de Petrópolis: singela
Iniciamos a caminhada pela trilha bem marcada no sentido sudeste subindo o vale do Rio Bonfim. Permanecendo a esquerda do Rio, o trecho é um misto de mata com algumas aberturas. Em uma delas fizemos uma paradinha e o grupo de dividiu, e eu permaneci na rabeira. Depois de uma hora de caminhada desde a portaria chegamos à discreta bifurcação que leva à cachoeira Véu da Noiva de Petrópolis.

Escondemos nossas cargueiras no mato e optamos por ir até lá; enquanto àqueles apressados já subiam o Queijo. Após cruzar um córrego que vem da Cachoeira das Andorinhas, chegamos à Gruta Presidente, que possui ao lado uma pequena cachoeira de nome homônimo. Na verdade, a Gruta é uma rocha com boa área de abrigo e que infelizmente mantém sinais de antigas pichações. Passamos pela Gruta e sob uma abertura em uma grande árvore, para pouco adiante, pulando pedras chegarmos à Cachoeira, que é discreta e com um poço raso, porém muito bonito. Ficamos pouco tempo por lá e logo voltamos à trilha principal pela mesma rota da ida.

Topos acima da Véu da Noiva
Pedra do Queijo
Vale do Bonfim vista da Pedra do Queijo
Pegamos as cargueiras e de agora em diante a trilha bem marcada torna-se mais íngreme, de onde se descortina todo o Vale do Rio Bonfim. É a famosa subida do Queijo, de onde também se avistam as cabeceiras da Cachoeira Véu da Noiva. Os topos acima da cachoeira ressurgem em meio à neblina. A certa altura, de onde se via por entre árvores a Cachoeira das Andorinhas à nossa esquerda, encontramos o Gans, que retornou dado trecho pois estava preocupado com nossa demora. Caminhamos juntos até o Mirante da Pedra do Queijo, quando o Gans sumiu trilha acima. 

Mirante da Pedra do Queijo é muito bonito. Isto nos obrigou a uma parada para alguns clicks. Apesar dos topos estarem cobertos por neblina, o visual do Vale do Bonfim apresentava lindo... Passava das 12h30 quando voltamos a caminhada, agora menos íngreme, com a trilha bem marcada e rodeada por arbustos. Durante a subida do Queijo nem cogitamos ir ao Alicate... o tempo não permitiria...

Mirante Graças a Deus ao final da Isabeloca: neblinão
Vencido o morrote, seguimos por uma leve descida em direção ao Morro das Samambaias. Foi quando à neblina baixou geral e perdemos o visual. Vencido o morro chegamos ao Ajax por volta das 14h00. Parada para breve descanso, abastecer-se de água. Novamente na trilha, iniciamos a subida da Isabeloca. Infelizmente nada se via além de uns 30 metros devido à neblina. O trecho apresenta trilha bastante erodida e rodeada por arbustos e tufos de capim. Já na parte final da Isabeloca alcançamos o casal Lee. Paramos um pouquinho para descanso e logo adiante alcançamos também o Alexandre Gans.

Era por volta de 15 horas quando deixamos as proximidades do Mirante Graças a Deus ao final da Isabeloca e adentramos nos domínios dos planaltos do Açu. Fazia muito frio e pouca coisa se podia ver. A não ser a boa sinalização das trilhas, com chapas parafusadas nas rochas e totens cimentados. Creio que isto é medida preventiva a perdidos, pois é sabido que quando o "ruço" baixa na região a orientação ficava péssima e muitos se perdiam. Além disso, muitos dizem que totens eram retirados visando "reserva de mercado". O trecho pelo Chapadão percorre curtos aclives e trilhas mais planas, sem grandes variações. A vegetação beira trilha é um misto de capins e alguns bambuzinhos. Percorremos todo o trecho sem nenhum de visual...

As marcações na rocha
Cerca de 1h00 desde o final da Isabeloca e após passarmos por todo o Chapadão nos aproximamos do Castelo do Açu. A neblina era tão densa que somente observamos as gigantescas rochas do Castelo ao nos aproximar a menos de 10 metros do atrativo! Não era possível ver o Abrigo do Açu; ouvíamos apenas vozes que vinham da sua direção. E parecia estar lotado... Além da neblina, ventava forte e fazia muito frio! Adentramos entre as pedras para verificar a área de acampamento, porém as rajadas percorriam o interior das rochas com força. Então decidimos ir para a área de camping ao lado do Abrigo do Açu, pois julgamos que por lá a ventania estaria menor.

As "fantasmagóricas" rochas do Castelo do Açu
Chegando defronte ao Abrigo, Lee e esposa se alojaram por lá. Fizemos uma horinha em frente ao abrigo e quando chegamos no camping na saída da trilha para o Sino; já encontramos Thiago e Fabrícia já instalados, pois eles haviam alugado barraca do Parque; além da Sol que montou a barraca a jato! Fazia muito frio e tratei logo de montar a barraca e fazer a janta, pois estava faminto! Por volta das 18h00 o frio diminuiu e às 20h00, mais ou menos fui descansar, pois a noite anterior dentro do ônibus havia sido cansativa. O restante do pessoal no camping também apagou...


2 - Do Castelo do Açu ao Abrigo 4

Sol e Gans: Degraus na subida do Morro do Marco
Cadê o visual heim Gans???
Do jeito que anoiteceu amanheceu, ou seja, nada de visual. Assim, nem voltamos ao Castelo do Açu naquela manhã. Por volta de 8h00 deixamos o camping seguindo pela trilha; que sai aos fundos do pequeno camping onde pernoitamos. Inicialmente uma descida e depois uma subida em direção ao Morro do Marco. Trecho com alguns degraus que foram testes para as pernas, mas nada complicado. Chegamos ao topo do Morro do Marco por volta de 9h00. Nada, nada de visual...

Iniciamos a descida por trilha bem demarcada, com trechos sobre lages (sinalizados) e alguns tufos de capim. Chegamos ao Vale da Luva, onde há vestígios de água e fizemos breve parada, quando vários aventureiros apressados passaram por nós. Retomada a caminhada, seguimos agora por entre árvores e a trilha íngreme estava bastante lisa, o que exigiu algum esforço extra. Às 11h00 chegamos ao topo (modo de dizer, porque na verdade o topo é mais acima e nem cogitamos ir por lá devido a neblina) do Morro da Luva e pra variar, nada de visual... Alcançamos um grupo grande de caminhantes de BH que descansava por lá, mas que logo seguiram a caminhada na nossa frente!

O Elevador
Transposto o Elevador. Pontilhão ao fundo...
Iniciamos a descida do Morro da Luva por trilha sobre lages e através de uma janela (da neblina) via-se um vale repleto de tufos de capim, com sinais de um leito de um riachinho. Fomos margeando pela direita e depois, ao cruzarmos pelo barro e pouca água seguimos à sua esquerda. Continuando a descida chegamos a um novo trecho com lages aderentes.

Novamente em janelas foi possível ver o elevador do outro lado, além de uma ponte de madeira sobre um vale profundo. Nesta descida nosso grupo alcançou e se misturou ao restante do grupo de BH; porém esperamos que os mesmos cruzassem a ponte subissem o elevador antes de nós. Nesse momento pude ver o local em que antes não havia essa ponte de madeira. É um leito profundo, com pedras e vários buracos, que eram bastante perigosos e exigiam atenção!

Após uma parada começamos a subir o elevador. Eu fiquei por último e em alguns minutos subi o aparato. Ao chegar no morro ao final do elevador sinceramente mais uma vez achei aquele apetrecho desnecessário... Pós elevador nova paradinha para descanso. Por volta de 12h30 retomamos a caminhada, dando uma guinada para à esquerda e pouco depois fomos descendo uma grande lage de pedra que estava um pouco escorregadia e perigosa. Agora à direita, passamos pelo fundo do vale e seguindo pelo topo do morrote adiante, fomos contornando o Morro do Dinossauro. A neblina continuava densa! Lembrei da previsão do tempo: Será que havia mudado?

Lampejos do Garrafão
Topo da Pedra do Sino: pessoas no topo
Trecho sem problemas e ao iniciarmos a descida em direção ao Vale das Antas tivemos alguns lampejos do Garrafão, quando a neblina resolveu brincar de esconde-esconde conosco. Mas não durou muito e continuamos a forte descida, com trilha bem demarcada e rodeada por tufos de capins. Vimos lá embaixo na clareira do Vale das Antas o apressado grupo que havia passado por nós horas antes. Seguíamos em direção ao local aonde chegamos por volta de 13h30. Breve parada e logo atravessamos o rego d'água tomando o rumo da esquerda, ignorando as trilhas da direita. Fomos subindo por entre uma floresta bastante úmida, inicialmente barrenta, mas muito bonita, com muitas bromélias e outras flores. Ao chegarmos ao final do morrote, onde há alguns tufos de capim foi possível ver o topo da Pedra do Sino, com algumas pessoas por lá... Mas logo a neblina encobriu tudo...

Dorso da Baleia
O Grotão do Eco
Poucos metros de caminhada e chegamos ao dorso da Baleia pouco depois das 14h00. Alguns clicks e seguimos rumo ao topo do morro e imediatamente começamos a descê-lo. Mais uma vez chamou-nos atenção a Pedra do Equilíbrio, à nossa direita. Alguns metros abaixo e chegamos a um trecho onde ficamos por um longo tempo: o Mergulho. Trata-se de um trecho relativamente simples em que há algumas lages sobrepostas. Para transposição exige certo equilíbrio e de preferência a retirada das cargueiras. Primeiro aguardamos o grupo de BH que estava à nossa frente terminar a transposição. Achamos por bem amarrar uma corda para facilitar a transposição, que ao meu ver isso mais atrapalhou que ajudou eheh... E com isso ficamos um bom tempo por lá: cerca de 45 minutos! Todos passaram e eu fiquei por último, desamarrei a corda e desci.

Pedra do Sino
Cavalinho
Trilha sem erro e batida no trecho, seguimos agora em direção à canaleta da Pedra do Sino. O início da aproximação à canaleta é bastante íngreme, com muitos degraus e pedras. Vencido o trecho, logo beiramos a Pedra do Sino e chegamos ao famoso Cavalinho. Novamente o grupo de BH estava terminando a passagem e acabou por nos ajudar no trecho. Como eles já estavam com a corda preparada, dois deles ajudaram a todos nós a pular o cavalo e içar nossas cargueiras. Assim, rapidamente todos nós ultrapassamos o local que mais provoca terror nessa Travessia. E o famoso precipício ao lado do Cavalinho? Bom, pouco se dava pra ver, afinal a neblina encobria tudo mesmo...

Passado o Cavalinho, a trilha continua pela canaleta do Sino e não apresenta grandes dificuldades; apenas alguns degraus e rochas que se transpõe por impulsão e força. Há uma matinha pelo lado esquerdo e a presença de uma escada de metal em um degrau maior que auxilia a subida. Uma meia hora de caminhada desde o Cavalinho e passamos pela bifurcação que leva ao topo da Pedra do Sino. Nem cogitamos a subida ao seu topo naquela tarde, pois estava tudo encoberto pela neblina. Continuamos na trilha bem demarcada e sem erro, tocando direto para o Abrigo 4, aonde chegamos por volta de 17h00.

Thiago, Fabrícia, Lee e sua esposa ficaram nas barracas alugadas e armadas em frente ao Abrigo 4. Nós outros fomos para o camping abaixo do Abrigo, onde armamos nossas casas. Tudo estava envolto em densa neblina e quando preparávamos para fazer a janta e conversávamos com outros dois aventureiros começou a chover. Achamos que logo passaria, mas não foi bem assim. Fiz a janta na barraca e dela não saí mais. Sol e James também nem apareceram eheh. Após escutar a peleja de alguns campistas com a chuva, notei também que meu isolante estava todo encharcado. Infelizmente no trajeto daquele dia não o protegi corretamente e minha barraca molhou uma parte do bendito. Além disso, no ponto que acampei recebi toda a água que escorria pelo camping... Mas apesar disso a noite foi tranquila e sem maiores problemas!


Dia 3 - Ida à Pedra do Sino. Do Abrigo 4 à Portaria Teresópolis. Volta pra casa!

Castelos do Açu visto desde a Pedra do Sino
Tô vendo muita coisa eheheh
Nossas barracas no Abrigo 4 (ou do Sino)
O último dia amanheceu como antes, com neblina por todos os lados! Levantamos com aquelas caras... Tomamos café e começamos a ver alguns aventureiros irem embora decepcionados com o tempo. Estávamos um pouco tristes, afinal viajar quase 400 km e não ver praticamente nada não é fácil. Porém, algum tempo depois o tempo abriu um pouco e resolvemos ir ao topo da Pedra do Sino. Deixamos o Abrigo 4 às 8h30 e em cerca de 20 minutos chegávamos ao topo do Sino. Foi possível ver alguma coisa, mas insignificantes perante as possibilidades daquele lugar. Só mesmo aquela vastidão de nuvens e o Castelo do Açu lá adiante, bem como alguns morros nos arredores... Mesmo assim ficamos por lá até às 10h00. Independente do clima, realmente a Pedra do Sino é um lugar muito belo com seus 2.275m de altitude (IBGE)!

De volta ao camping do Abrigo 4 desmontamos as barracas com vistas ao término da Travessia. Fizemos um pouco de hora e até um delicioso cural rolou por lá... Lee e a esposa iniciaram a descida antes de nós. Thiago e Fabrícia também. James ainda comentou que, em conversa com outro montanhista que estava por lá, soube que a previsão do tempo para o período havia mudado...

Véu da Noiva de Teresópolis
Mesmo com o tempo voltando a se fechar, somente deixamos o Camping às 11h00 da manhã, iniciando a descida. E tome descida. A trilha é praticamente uma avenida e desce entre a mata o tempo todo. Há algumas poucas janelas ao longo da trilha. Cada um desceu no seu ritmo. Às 14h00 chegamos à Cachoeira Véu da Noiva onde alcançamos o Lee e a esposa. Antes havíamos alcançado Thiago e Fabrícia. Eu e a Sol passamos adiante, descemos juntos e às 15h00 chegamos à Barragem, onde o Alexandre Gans já estava à nossa espera. O restante do pessoal chegou logo em seguida!

Na Barragem passamos a procurar transporte para a portaria do Parque ou mesmo para a rodoviária de Teresópolis. Sem sucesso, eu e o Alexandre Gans iniciamos a descida visando contatar táxi para buscar o pessoal; pois havia perdido minhas anotações. Na descida encontramos uma van e pra nossa surpresa, pouco tempo depois a mesma van nos alcançou de volta, trazendo nossos amigos, uma vez que eles negociaram com o motorista quando este chegou lá na Barragem.

Embarcamos na van e assim, seguimos até à Rodoviária de Teresópolis. O Lee e sua esposa Choon logo embarcaram para o Rio de Janeiro e de lá iriam para São Paulo. Nós embarcamos às 17h00 para Petrópolis, aonde chegamos por volta das 18h00. Descemos no Terminal Itaipava e ficamos aguardando o James e o Thiago irem no Hotel na região dos Correias buscar os carros.

Por volta de 19h30 eles retornaram e deixamos Petrópolis rumo a Belo Horizonte. Logo a chuva nos fez companhia. Após Juiz de Fora paramos em um Restaurante às margens da BR 040, aonde jantamos. Lá despedimos de Thiago, Fabrícia, Sol e Alexandre, pois o Thiago passaria por BH e ainda iria para Patos de Minas naquela noite. Eu prossegui com o James e a Daniele, que me deixou em casa na região da Pampulha por volta de 1h30 da madrugada!

► Ao final dessa postagem algumas flores para alegrar essa travessia nebulosa!


Serviço

Criado em 1939, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos está localizado na região serrana do Estado do Rio de Janeiro e abrange áreas dos municípios de Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e Magé. Um dos principais atrativos do Parque é a Travessia Petrópolis - Teresópolis. O formato tradicional da Travessia é realizá-la em três dias, percorrendo os cerca de 30 km divididos entre Portaria Petrópolis ao Castelos do Açu no primeiro dia; no segundo dia realizar o percurso Castelos do Açu ao Abrigo 4; e no terceiro e último dia percorrer o trecho de aproximadamente 9 km do Abrigo à Barragem; ou prosseguir por mais 4 km à Portaria Teresópolis (distâncias aproximadas). 

É considerada uma Travessia clássica no Brasil e proporciona amplo e belíssimo visual das serras aos arredores, inclusive da Baía de Guanabara. Além disso possibilita a ida ao topo da Pedra do Sino, com seus 2.275m de altitude, de onde pode-se observar grande parte do trajeto desta Travessia. Com boa infraestrutura, o Parque oferece ao visitante que realiza a Travessia a possibilidade de permanência em abrigos ou a locação de barracas; além da venda antecipada de entradas via internet, permitindo assim o acesso do visitante em horários diferenciados.

A sede principal do Parque fica em Teresópolis, mas há também as sedes de Petrópolis e Guapimirim. E uma curiosidade do lugar é que o nome Serra dos Órgãos não se deve a alguma semelhança com algum órgão de algum corpo, mas sim às suas formações rochosas, que aos olhares dos exploradores se pareciam aos tubos dos grandes órgãos das catedrais da Europa.

Como chegar e outras informações visite o site do Parque ou visite outras postagens sobre a Travessia aqui no Blog
Para comprar entradas, clique aqui ou acesse www.parnaso.tur.br


Considerações finais

► A Travessia Petrópolis - Teresópolis não apresenta grandes dificuldades em sua realização. Há a presença de água em vários pontos e a sinalização atual das trilhas está muito boa. A sinalização consta de setas de metal fixadas nas grandes lages (que eram os pontos complicadores) e totens cimentados! 

► O trecho sempre referido como de maior dificuldade nesta Travessia é o Cavalinho, na subida da canaleta da Pedra do Sino. Porém a rocha está estrategicamente posicionada e possui alta aderência, o que facilita a transposição. Para ultrapassá-lo basta um pouco de calma e posicionamento! É um trecho que oferece riscos, mas com cuidado passa-se sem problemas. 

► O elevador é simplório e não apresenta dificuldades em transposição/subida. Na verdade, creio que ele está lá a fim de se evitar erosões no morro em caso de mudança da trilha, porque me pareceu que o solo é pouco profundo no lugar (direita e esquerda). O local que antecede o elevador possui uma ponte que facilita a passagem. 

► A área de camping mais próxima ao Abrigo do Açu onde ficamos é ruim, com piso muito irregular. Ao questionar isto quando estava no Abrigo 4, um funcionário apenas me disse que aquele não é o camping oficial do Açu (o oficial fica ao lado das pedras do Castelo). 

► O Parque oferece a possibilidade de pernoite nos abrigos. Porém, caso você goste de um pouco de privacidade este poderá não ser o melhor lugar para se ficar, especialmente em feriados e fins de semana. O barulho é grande por lá. Para quem quer ir mais leve, eu aconselharia alugar barracas, serviço oferecido pelo Parque! 

► A distância da Travessia é curta: cerca de 30 km aproximadamente. Desse modo e se feita em três dias, há tempo de sobra para curtir cada trecho! 

► Procure fazer suas reservas (especialmente para a travessia) com antecedência, pois do contrário corre-se o risco de não se encontrar entradas disponíveis! 

► E nem pense em acampar fora dos locais oficiais. No Parque há somente dois locais: Castelos do Açu e Sino. Já foi a época em que cada um acampava onde queria por lá... 

► Mesmo sem ter visual amplo devido a neblina, o último e terceiro dia é um pouco monótono. A trilha é toda por entre uma mata; que é bonita, porém bastante fechada. E sobretudo nos trechos finais há uma espécie de calçamento com pedras irregulares (para se evitar erosões), que cumprem seu objetivo, porém são ótimas para causar dores nos pés. A sorte é que é descida e pode ser feita em poucas horas! 

► Algo necessário, mas também chato é caminhar por paralelepípedos na parte final do Parque, da Barragem à Portaria Teresópolis. Como a estrada é por entre matas, há a formação de lodos em alguns pontos, tornando a caminhada perigosa. Eu caminhei por um curto trecho e levei vários escorregões. 

► Para quem chega a Petrópolis de ônibus e queira acessar o Parque, há linha de coletivo da Rodoviária de Petrópolis (também conhecida como Terminal do Bingen) para o Terminal Correias (linha número 150); e deste para o Bairro Pinheiral (linha número 616), deixando o visitante a 1 km da portaria Petrópolis; porém esta linha tem horários mais escassos. A linha 611 (Corrêas - Bonfim) também pode ser uma opção e oferece mais horários, porém não chega muito próxima à portaria, forçando o aventureiro a caminhar uns 3 km a mais. Informações sobre os horários dos ônibus no site da Prefeitura de Petrópolis

► Leia também nosso relato da Travessia Petrópolis a Teresópolis  - Modo Tradicional com visual

► Leia também nosso relato da Travessia Petrópolis a Teresópolis - Em dois dias


► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto







Bons ventos a todos!
Última Atualização: Mar 2016

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