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Travessia Petrópolis-Teresópolis: aventura com personalidade!

Visual clássico da Esquerda para a direita:
Pedra do Sino, Garrafão, Dedo de Deus;
Dedo de Nossa Senhora e Escalavrado
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é daqueles lugares em que o visual encanta e enche os olhos. Palco da clássica Travessia Petrópolis-Teresópolis, dificilmente encontraremos um montanhista que não a realizou; ou que não planeja um dia realizá-la. Devido à altitude elevada e a localização próxima ao litoral, a região é comumente varrida por neblina (ou ruço, como é conhecida no linguajar local), que muitas vezes prejudica a visibilidade e faz com que o visitante, ao terminá-la sob essas condições, já comece a planejar um eventual retorno. Foi o que ocorreu comigo e acabou me levando a fazer essa Travessia por duas vezes neste ano de 2013. A primeira, feita sob neblina foi em meados de agosto e a outra, em meados de setembro, dessa vez com visual amplo e límpido. O retorno à Serra dos Órgãos foi um prêmio ao esforço duplicado e possibilitou contemplar a região e arredores, comprovando o quanto é bela, justificando o fascínio que esta região provoca nos amantes da natureza. Espetacular!


Atualização Março 2016
Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Powered by Wikiloc
A rota acima não contempla visita ao topo da Pedra do Sino. Porém, o ponto de acesso está marcado; e inclusive recentemente o Parque colocou uma placa no local.

Início da pernada no Vale do Bonfim:
Anderson, Marcelinho, Andréia e Jaques puxando a fila
1 Atendendo um convite do meu amigo Jaques, não pensei duas vezes e dei o meu sim para nova Travessia Petrópolis-Teresópolis. Dessa vez, minha logística de chegada à Petrópolis foi um pouco tumultuada e via Juiz de Fora. Fato é que somente às 9h00 da manhã da sexta feira, dia 13 de setembro, coloquei os pés na rodoviária daquela cidade, aonde o Jaques foi me buscar. No trajeto conheci o Marcelinho, de apenas 14 anos e que também nos acompanharia na Travessia. Deixamos a rodoviária de Petrópolis e passamos na residência do casal Andréia e Anderson, pais do Marcelinho e que também subiriam a serra conosco. Ao chegar na residência do casal, os mesmos já haviam saído em direção à Portaria Petrópolis do Parnaso. Imediatamente partimos para o local, lá chegando por volta de 10h15 da manhã, após serpentearmos as ladeiras da cidade de Petrópolis. Apresentações feitas, às 10h30 iniciamos nossa Travessia. Um pouco tarde é claro, porém mais do que suficiente para chegarmos ao Chapadão do Açu, onde pernoitaríamos.

Visual desde a Pedra do Queijo
Alicate ao centro
O sol estava de arrebentar mamonas e esse início de caminhada por entre as sombras das árvores foi um alívio. O céu estava límpido e o calor nos fazia suar em bicas. Após 1h00 de caminhada fizemos uma parada na bifurcação da Cachoeira véu da Noiva. Aproveitei para ir ao córrego próximo à gruta Presidente abastecer de água, pois já havia ingerido toda a reserva que tinha. Marcelinho foi comigo, porém voltamos rapidamente e não fomos à Cachoeira Véu da Noiva (já tinha visitado na ocasião anterior).

Após descanso, retomamos a caminhada e começamos a Subida do Queijo. O calor judiava e paramos duas vezes durante a subida, modos que somente às 12h30 chegamos à Pedra do Queijo. Mirante espetacular, impossível não parar e registrar o visual completamente limpo: Picos nos arredores e Vale do Bonfim maravilhosos!

Isabeloca vista desde o Morro da Samambaia:
É aquele trecho de capim, no topo, mais à esquerda da foto
Visual desde o Mirante Graças a Deus, ao final da Isabeloca
Vale do Bonfim lá embaixo
Baía da Guanabara desde a região do Mirante Graças a Deus
Pé na trilha, o próximo grande morro era o da Samambaia, que antecede a região do Ajax. Fomos subindo e procurando sombras. Parávamos apenas para contemplar o visual, que era magnífico. Algumas nuvens tomavam conta do céu azul, deixando-o belíssimo! Como o ritmo foi mais lento, somente chegamos ao Ajax pouco antes das 14h00. O local estava repleto de caminhantes, que faziam uma boquinha. Então, apenas nos refrescamos e retomamos a caminhada, agora subindo o Morro da Isabeloca.

Foram 40 minutos de subida, naquela que muitos consideram como a subida mais forte desse primeiro dia. Porém, ao chegarmos ao seu final no Mirante Graças a Deus o prêmio foi garantido: espetacular vista das montanhas aos arredores. Já foi possível ver parte da Baía da Guanabara. Sensacional!

Morro da Cruz visto da trilha pouco antes do Castelo do Açu
Castelos do Açu visto da trilha de chegada
Retomada a caminhada, poucos passos adiante e após passar por alguns lajeados e subir um morrote já foi possível avistar o Morro da Cruz bem à nossa frente. Logo adiante a primeira visão dos Castelos do Açu, à nossa direita. Foi uma vista marcante e confesso que fiquei impressionado, mesmo não sendo a primeira vez a vê-lo.

Continuando a caminhada, com várias e pequenas paradas para fotos, por volta de 15h30 colocamos os pés nos Castelos do Açu. Passamos pelo Abrigo, comunicamos nossa entrada e fomos direto para o camping próximo, à direita do Abrigo, aonde montamos nossas casas!

Por volta de 17 horas, enquanto o Jaques consertava o seu fogareiro, fui até os Castelos do Açu contemplar o por do sol. Logo eles vieram também aproveitar a belíssima hora do dia e explorar o local. Circular por entre aquelas gigantescas rochas é uma experiência incrível. Ao subir no topo de uma das rochas, o visual amplo, sem nenhuma neblina era encantador! Era possível observar a bela Baía da Guanabara com nitidez; todo o caminho a percorrer no dia seguinte; o complexo do Sino, Garrafão, Dedo de Deus, Dedo de Nossa Senhora; o PE dos Três Picos em Friburgo e até o Morro de São João em Rio das Ostras... e mais um sem número de picos da Serra dos Órgãos. Sinceramente é impossível descrever o charme e a beleza daquele lugar naquele dia. Fiquei maravilhado!

Fez um bonito por do sol desde o Açu
Anoiteceu e esfriou um pouco. Retornamos ao camping, fizemos nossa janta coletiva e até bebericamos um vinho. Após ajeitar as tralhas, novamente fomos ao Castelo do Açu para contemplar o visual noturno. Ficamos por lá um bom tempo conversando. Noite límpida, não fazia muito frio! Observamos inúmeros pontos de luz, destacando o Rio de Janeiro e Niterói na direção Sul.

Amanhecer no Castelo do Açu - Esquerda para Direita:
Papudo, Pedra do Sino, São Pedro, Garrafão, Agulha do Diabo,
Santo Antonio, Cabeça de Peixe, Dedo de Deus.
Ao fundo, Três Picos de Friburgo
Abrigo visto desde o Castelo do Açu
Por volta de 20h30, com o frio aumentado e a presença de um pouco de vento, deixamos o Castelo do Açu e corremos para o camping. Tomei um café e fomos dormir. Foi uma noite tranquila, sem sobressaltos e sem aquele frio esperado. Incrivelmente poucos caminhantes estavam por lá naquele fim de semana se comparado aos dias da minha anterior visita nebular ao Parnaso!


Amanhecer desde o Castelo do Açu
Amanhecer desde o Castelo do Açu: Baia da Guanabara 
Amanhecer desde o Castelo do Açu: Rio de Janeiro
2 Acordei por volta de 5h30 daquele sábado e logo corri ao Castelo do Açu para presenciar o nascer do Sol, que já se anunciava à esquerda dos Três Picos de Friburgo. Parece que o pessoal que estava pelo Açu naquele dia havia dormido bastante e demorou a aparecer outros para contemplar tão bela hora. Novamente impossível descrever a beleza daquela manhã... Só sei que, tanto o entardecer da sexta feira e o amanhecer daquele sábado foram suficientes para que eu confirmasse o que já sabia há muitos anos: o Açu é de longe o mais belo lugar de toda a Travessia Petrópolis-Teresópolis. Mais uma vez renovei minha paixão por aquele lugar...

Como tudo tem um fim, deixei o Castelo e fui para o camping tomar meu café. Enquanto isso, os caminhantes que pernoitaram no Abrigo já passavam pela trilha em direção ao Sino. Após o café da manhã, por volta de 8h30 deixamos o Açu com destino ao Camping da Pedra do Sino. Se pudesse ficaria pelo Açu mais um dia... Fomos o penúltimo grupo que deixou o local.

Céu azul, tempo límpido e visibilidade total, modos que em 20 minutos chegamos ao Morro do Marco. Paradinha rápida para contemplação e iniciamos a descida rumo ao Vale da Luva. Sem paradas, começamos a subir o trecho. Logo no início do Morro da Luva passamos um grupo grande de caminhantes que vimos sair bem cedo do Açu.

Castelos do Açu visto desde o Morro da Luva
Sino e Garrafão vistos desde o Morro da Luva
Às 9h50 chegamos ao topo da Luva (na verdade um pouco abaixo, pois a trilha não passa pelo topo geográfico). Parada para descanso com visual indescritível da Pedra do Sino, Garrafão e adjacentes..., inclusive obtida de uma rápida aproximação ao paredão!

Retomamos a caminhada descendo o contraforte da Luva, um misto entre capins e lajeados, mas com trilha marcada pelo pisoteio e totens. Cruzamos a pequena ponte e fomos em direção ao Elevador, aonde chegamos às 10h40. Passagem tranquila e nova paradinha após a subida. Na Petrópolis-Teresópolis cada morro vencido merece uma parada para contemplação!

Retomamos a pernada agora em declive pelo grande lajeado, passamos pelo vale e em aclive fomos aproximando do Morro do Dinossauro. Fizemos o contorno e a descida sem dificuldades. Cerca de 1h00 desde o Elevador e chegamos ao Vale das Antas.

Iríamos comer algo mais reforçado aproveitando que o Vale das Antas oferece algumas sombras graças aos bambuzinhos, mas mudamos de ideia. Como fazia muito calor, descansamos por 20 minutos e coletamos água em um ponto mais alto no filete de água que desce aos pés do Morro da Baleia.

No dorso da Baleia
Trecho percorrido: Descida do Dinossauro e o Dorso da Baleia
Pé na trilha, cruzamos o fio d'água, passamos pelas áreas de brejo e subimos pela trilha capoeira acima. Ás 12h30 percorremos o Dorso da Baleia, já nos aproximando do morro que antecede a Pedra do Sino. Nova parada para contemplar o conjunto belíssimo do Sino e Garrafão.

Explicando a região do Mergulho
Descansados, descemos rumo ao Mergulho, aonde chegamos às 13h00. Jaques achou melhor colocar uma corda no local para facilitar a transposição. Ao contrário da visita nebular, dessa vez descemos rapidamente e percorremos o forte aclive em em direção ao Cavalinho. 

Cavalinho
Cavalinho de perto: nada a temer, ok?
Às 13h20 passamos pelo "temido" lugar sem problemas, todos com louvor, apenas com alguns ufas eheh... Prosseguimos na Canaleta do Sino, galgamos alguns degraus e subimos uma escadinha de metal onde há um outro grande degrau. Mais acima, ignoramos a bifurcação à direita que leva ao topo da Pedra do Sino e fomos direto para o Camping do Sino, aonde chegamos por volta de 14h10. O camping estava vazio e pudemos até escolher o melhor lugar, montando as barracas com tranquilidade!

Descansamos bastante, fizemos uma boquinha e por volta de 16h30 deixamos o camping voltando em direção à Pedra do Sino. Fomos presenciar o imperdível por do Sol no topo da Pedra do Sino. Novamente algo maravilhoso! O visual é impressionante! Contemplar todos aqueles picos nos arredores, os Portais, a Baía de Guanabara; enfim, pontos que fizeram história no Montanhismo Brasileiro é um privilégio!

Curtimos o lugar com folga, maravilhados por mais um dia de belíssimo por do sol. Ao dar sinais de que o friozinho chegaria, deixamos o topo da Pedra do Sino por volta de 18 horas retornando ao camping, onde chegamos em poucos minutos.

Ao retornar, o camping da Pedra do Sino estava repleto de barracas. Na verdade não havia lugar vazio! Isto porque muitos aventureiros visitam somente a Pedra do Sino via Teresópolis para ver o por/nascer do sol. Alheios à lotação, fizemos nosso jantar coletivo, bebericamos novamente um vinhozinho e ficamos papeando. Passava das 21h30 quando fomos dormir.

Inicialmente eu dormi bem, mas a partir de 3 da manhã o sono foi embora! Bem ao lado da minha barraca havia um pessoal que, sem equipamentos adequados não conseguiram dormir e chiaram de frio a noite inteira...

Entardecer desde a Pedra do Sino
Quando acordei, até pensei ser loucura de casal em camping lotado; e acho que meio camping também jurou que era este o caso! Mas, como eu estava do lado e ao ouvir a conversa conclui que era gemer de frio mesmo! Confesso que fiquei com pena; e até ofereci algo quente para eles tomarem, mas eles recusaram...


Amanhecer desde a Pedra do Sino: Portais
3 Às 5h00 da matina do domingo me levantei para ir ao topo da Pedra do Sino presenciar o nascer do sol. Na verdade, estava acordado desde às 3h00 e pude observar todo o movimento dos aventureiros que se ajeitavam para subir a Pedra do Sino no escuro. Nessas horas é que constatamos o quanto o aventureiro brasileiro é despreparado para enfrentar situações adversas, como o frio. Falta-nos tradição nesse tipo de atividade!

Assim, esperei o movimento cessar e fui o último a deixar o camping e rumar para a Pedra do Sino. Marcelinho que havia combinado ir comigo desanimou na hora H devido ao frio. Na verdade, não estava tão frio. Segundo me informei fazia em torno de 7 graus, com uma sensação um pouco mais baixa, algo dentro dos padrões para uma serra brasileira no período do inverno.

Baía da Guanabara desde a Pedra do Sino
Em pouco tempo caí fora da barraca e subi pela trilha até a Pedra do Sino. Subi rapidamente e às 5h15 já estava no topo. Foram momentos únicos e maravilhosos. Havia muitas pessoas pelo topo, porém em menor número que quando estive por lá sob neblina 1 mês antes. Assim como fora a tarde anterior, toda a beleza do lugar se despiu naquela manhã. Circulei pelo topo, conversei com alguns e tratei de retornar. Deixei o topo às 6h30, descendo direto para o camping. Ao chegar, meus amigos já estavam preparando o café. Fizemos o desjejum e logo desmontamos as barracas. Até fizemos um pouco de hora, porque precisava secar as tralhas para a viagem; papel que o solão que brilhava forte fez muito bem.


Castelo do Açu (E) visto desde o amanhecer na Pedra do Sino
Pouco antes das 9h00 deixamos o Camping do Sino rumo à Portaria Teresópolis. Enquanto esperávamos as tralhas secar, grande parte do pessoal que fora vistar a Pedra do Sino já havia deixado o camping do Sino. Cargueiras nas costas descemos numa batida só, pois pretendíamos chegar à portaria Teresópolis no máximo às 11h30, com tempo para tomar um táxi e ir pra rodoviária de Teresópolis, de onde partiria um ônibus às 12h00 para Petrópolis.

Centro de Visitantes do Parnaso
A certa altura, enquanto Jaques, Anderson e Marcelinho fizeram uma parada para observar algo na mata densa, eu continuei na descida. Logo alcancei a Andréia que estava adiante. Viemos direto, num ritmo mais forte e nem paramos na Véu da Noiva, onde um pessoal descansava. Pouco depois das 11h00 chegamos à Barragem e por volta de 11h45 chegamos ao Centro de Visitantes do Parque Nacional.

Visto que não teríamos tempo para irmos de táxi/ônibus como planejávamos, prevaleceram os planos iniciais do Jaques, que havia combinado o resgate com seu Pai. Assim, fomos até um local acima do Centro de Visitantes e ao lado da piscina, aonde preparamos um almoço à espera do resgate! Marcelinho, Anderson e Jaques ainda se esbaldaram na piscina do parque...

As crianças fazendo pose com o Castelo ao fundo
Ao final do almoço, o Pai do Jaques chegou. Localizado, fomos para a portaria Teresópolis e lá embarcamos com destino à Petrópolis, aonde ficaram Anderson, Andréia e Marcelinho. De lá, vim de carona com o Jaques até Juiz de Fora, onde chegamos na rodoviária da cidade pouco antes das 17h00, a tempo de embarcar imediatamente para Belo Horizonte. Cheguei em casa próximo das 23h00 fruto da viagem cegonha que o ônibus Juiz de Fora-Belo Horizonte desenvolveu. Foi o prazo de tomar um banho e cair na cama, cansado mas feliz pela exitosa aventura, que tem gosto e personalidade únicos...

Ao finalizar este relato deixo meu agradecimento aos amigos pela companhia nessa Travessia. Os dias em que estivemos juntos foram alegres e proveitosos, capazes de faxinar nossas cabeças e renovar as energias para a caminhada cotidiana. Além disso, ótima oportunidade para aprender um pouco mais com vocês. 


Serviço

Mapa de atrativos
Criado em 1939, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos está localizado na região serrana do Estado do Rio de Janeiro e abrange áreas dos municípios de Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e Magé. É um dos Parques Nacionais mais visitados do País; e dentre estes, é aquele que proporciona maior infraestrutura e facilidades em serviços aos visitantes. A sede principal do Parque fica em Teresópolis, mas há também as sedes de Petrópolis e Guapimirim. Uma curiosidade do lugar é que o nome Serra dos Órgãos não se deve a alguma semelhança com algum órgão de algum corpo, mas sim às suas formações rochosas, que aos olhares dos primeiros exploradores se pareciam aos tubos dos grandes órgãos (de tubos) das catedrais da Europa.

Um dos principais atrativos do Parque é a Travessia Petrópolis a Teresópolis; ou Petrô-Terê; ou ainda Terê-Petrô como é carinhosamente conhecida. É considerada uma Travessia clássica no Brasil e proporciona amplo e belíssimo visual das serras e picos na região serrana do Estado do Rio de Janeiro; além de outros pontos mais distantes, como a Baía de Guanabara. Ademais, possibilita a ida ao topo da Pedra do Sino com seus 2.275m de altitude, de onde pode-se observar grande parte do trajeto desta Travessia.

O formato tradicional da Travessia Petrópolis a Teresópolis é realizá-la em três dias; percorrendo os cerca de 30 km divididos entre Portaria Petrópolis ao Castelos do Açu no primeiro dia (aproximadamente 8 km); no segundo dia realizar o percurso Castelos do Açu ao Abrigo da Pedra do Sino (aproximadamente 9 km); e no terceiro e último dia percorrer o trecho do Abrigo do Sino à Barragem (aproximadamente 10 km); ou prosseguir por mais 3 km até à Portaria Teresópolis. Também é possível realizar a Travessia no formato inverso, ou seja, iniciando em Teresópolis e findando em Petrópolis.
Além do formato tradicional em 3 dias; também é possível realizá-la em 2 dias com um pernoite no Castelo do Açu; ou ainda, em formato speed, em apenas 1 dia.

Infraestrutura

Com boa infraestrutura, o Parque oferece ao visitante que realiza a Travessia; ou mesmo hiking no Açu ou na Pedra do Sino, a possibilidade de pernoites em abrigos (beliches ou bivaque) ou a locação de barracas; além da venda antecipada de entradas via internet, permitindo assim o acesso do visitante em horários diferenciados.
► Há cozinha e banheiros nos abrigos.
► Há serviço de banho quente (pago) ou banho frio (gratuito).
► Na sede Teresópolis há banheiros com banho.

► Para comprar entradas, clique AQUI ou acesse www.parnaso.tur.br

Distâncias

Belo Horizonte a Petrópolis: 375 km
São Paulo a Petrópolis: 450 km
Rio de Janeiro a Petrópolis: 68 km

Como chegar - cidade referência Petrópolis

De ônibus:
Desde as principais capitais do sudeste há linhas regulares de ônibus para Petrópolis e região.
Da cidade de Petrópolis há vários horários de ônibus para Teresópolis.

► Estando na rodoviária de Petrópolis (também conhecida como Terminal Bingen) embarque em coletivo da linha 150 para o Terminal de Corrêas. De lá existem duas linhas que atendem ao Bonfim: a linha 611 (Bonfim) que tem ponto final a cerca de 1 Km da portaria; e a linha 616 (Pinheiral) que chega mais perto, até a Escola Rural do Bonfim.
► Informações sobre os horários dos ônibus no site da Prefeitura de Petrópolis

De carro:
Desde BH, seguir pela BR 040 até a cidade de Petrópolis.
Desde o RJ, seguir pela BR 040 até a cidade de Petrópolis.
Desde SP, seguir pela BR 116 até o Rio; quando deverá seguir pela BR 040 até a cidade de Petrópolis.

► Estando em Petrópolis, siga para o Bairro do Bonfim; bairro muito conhecido na cidade.

Considerações finais

► Visite a seção Perguntas & Respostas sobre a Travessia Petrópolis a Teresópolis e esclareça mais algumas eventuais dúvidas sobre esta Travessia.

► Leia também o relato de nossa outra visita à Serra dos Órgãos, quando fizemos a Travessia Petrópolis a Teresópolis em 2 dias.

► Várias pessoas me perguntam se é possível realizar essa Travessia em dois dias, pois muitos não tem tempo disponível para três dias. Muito embora possa se fazer esta Travessia em até algumas horas (atletas em treinamento fazem isto), a realização dessa Travessia em dois dias é perfeitamente possível para nós, que somos simples mortais. Neste esquema, normalmente no primeiro dia caminha-se da Portaria Petrópolis até o Açu; e no segundo dia do Açu à Portaria Teresópolis.

► Para exemplificar o que escrevi acima, e referindo-se ao segundo dia da nossa caminhada descrita neste relato; deixamos o Açu pouco antes das 9h00 da manhã e chegamos ao Camping do Sino minutos após às 14h00. Fizemos uma caminhada tranquila, sem corre-corre, com paradas para descanso em praticamente todos os topos principais; além de inúmeras paradinhas para fotos. Já no terceiro dia fizemos o trecho final Sino-Portaria em menos de 3 horas, mediante uma caminhada sem paradas, mas sem exageros ou corridas! Se somarmos os tempos dos 2 dias, teremos 8h00 de caminhada. Como vemos, é perfeitamente possível!

► Caso o visitante esteja em caminhada de dois dias e queira ir ao topo da Pedra do Sino (da bifurcação acima do Cavalinho até o topo da Pedra do Sino são 10 minutos de subidinha relax), recomendo que saia mais cedo do Açu, no máximo 7h30 da manhã. Evidente que em dois dias não presenciará o por ou nascer do sol no topo da Pedra do Sino, mas isto seria compensado pelos fatos do Açu, que acho o mais belo de toda a Travessia.

► Evidente que, havendo tempo, o ideal é fazer a Travessia em três dias, ao estilo tradicional, aproveitando ao máximo todas as possibilidades, inclusive algumas que não fizemos dessa vez, como ir à Cachoeira Véu da Noiva de Petrópolis, Alicate, Portal de Hércules etc.

► Excetuando o início da trilha no Vale do Bonfim e todo o trecho final, todo o restante da caminhada é feita em trechos abertos, com pouquíssimas sombras. Proteja-se do sol! 

► Há água em vários pontos da Travessia, modos que não é necessário carregar mais do que meio litro de água nas mochilas. Procure conhecer o seu consumo médio!

► A trilha encontra-se com ótima sinalização, tanto em totens quanto em ferragens fixadas nos trechos de lajeados, que sempre foram os mais problemáticos da Travessia.

► Os dois trechos da Travessia que podem apresentar maior dificuldade de transposição são o Mergulho e o Cavalinho, na parte final do trecho Açu-Sino. Um antecede o outro e estão muito próximos. O primeiro é uma passagem estreita na rocha com um degrau um pouco elevado. Já o segundo é a subida em uma pedra transversal na trilha da canaleta na Pedra do Sino. Em ambos há pontos para fixação de cordas, caso haja necessidade. Para quem tem experiência em caminhadas são passagens comuns, apenas exigem um pouco mais de atenção e cuidado. Assim, caso não tenha experiência em caminhadas, seria recomendável ou contratar um guia ou ir com caminhantes mais experientes. Vale lembrar que toda e qualquer precaução não faz mal a ninguém...

► Quanto ao Elevador, trata-se de algo simplório e realizável por praticamente qualquer pessoa em bom estado físico.

► Um ponto que poucas pessoas se referem e que, em caso de dias úmidos ou chuvosos requer um pouco mais de atenção para se evitar quedas ou escorregões seria a descida do lajeado logo após o Elevador e antes do Dinossauro. A trilha segue por uma laje de pedra um pouco mais longa e inclinada; inclusive há alguns pontos fixados na rocha para colocação de cordas. Com tempo seco não se preocupe, pois a rocha possui ótima aderência; mas sob tempo molhado redobre a atenção.

► Procure fazer suas reservas (especialmente para a travessia) com antecedência, pois do contrário corre-se o risco de não se encontrar entradas disponíveis!

► Nem pense em acampar fora dos locais oficiais. No Parque há somente dois locais: Castelos do Açu e Sino. Já foi a época em que cada um acampava onde queria por lá... 

► O trecho entre o Abrigo do Sino e a Portaria Teresópolis é um pouco monótono. A trilha é toda por entre uma mata; que é bonita, porém bastante fechada. E sobretudo nos trechos finais há uma espécie de calçamento antigo com pedras irregulares para se evitar erosões, que cumprem seu objetivo, porém são ótimas para causar dores nos pés.

► Algo muitas vezes necessário, mas também chato é caminhar por paralelepípedos na parte final do Parque, da Barragem à Portaria Teresópolis. Como a estrada é por entre matas, há a formação de lodos em alguns pontos, tornando a caminhada propícia a escorregões.

► O acesso à Portaria Petrópolis é uma lástima. A estradinha mal cabe um veículo. Além disso, a área de estacionamento e manobra de veículos é ridícula. Situações lamentáveis para um Parque Nacional.

► Um fato negativo e até triste observado durante a Travessia é sobre o comportamento de algumas pessoas pelas trilhas e acampamentos. O primeiro episódio foi o "migué" que alguns iriam praticando, quando no acampamento do Açu iriam deixando o lixo para trás. Foi preciso chamarmos a atenção do cidadão. O outro é a insistência de alguns em fazer suas necessidades fisiológicas próximas às trilhas. Eu vi vários resultados. Inclusive no Vale das Antas, que tradicionalmente é lugar onde se acha isto. Nós até coletamos água no local, porém procuramos um ponto bem acima da trilha. Não recomendo coletar água no lugar, a não ser em caso de extrema necessidade. Um terceiro caso é o comportamento das pessoas nos acampamentos. Ninguém exige que se comporte como um monge, mas também não se pode tolerar farras e gritarias, afinal, descansar à noite é o mínimo que se espera quando se realiza uma Travessia... Precisamos ainda aprender muito a conviver em grupos!!!

► Outro episódio preocupante foi o que presenciamos enquanto estávamos no Açu: a passagem de um balão sobre a área do Parque. Tal fato deixou o guarda parque em alerta e estavam monitorando o objeto. Realmente há coisas nesses mundo que não entendo: Por que cargas d'água alguém fabrica e solta balões? 

► Lembre-se: Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Boas 'trips', bons ventos!
Última atualização: Março 2016

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