domingo, 9 de março de 2014

Cachoeira da Lagoa Dourada: lugar para se visitar mil vezes...

Cachoeira da Lagoa Dourada
Já escrevi por aqui o quanto é bonita a região da Lagoa Dourada, situada nos arredores do ParnaCipó, região central de Minas Gerais. Não canso de afirmar que é uma das regiões mais belas de todo o Espinhaço. De frágil ecossistema, pelo vale serpenteia o Rio Jaboticatubas, cujas águas formam a Cachoeira da Lagoa Dourada. Abaixo a esta cachoeira, e caindo no Cânion do Jaboticatubas, as águas formam outra cachoeira de aproximadamente 100 metros de queda. Além desta, na lateral do cânion há outra, oriunda de outras águas. O modo de acesso mais fácil ao lugar é através do Distrito de São José da Serra, até onde se pode chegar de automóvel. Chegando à boca da trilha, antes do Distrito, a caminhada direciona-nos à subida da serra e perfaz apenas 7 km, sendo perfeitamente possível efetivar um bate e volta no lugar. Foi através desse acesso a minha última visita por lá, quando estive juntamente aos amigos do Nice Trekking.

Deixamos Belo Horizonte rumo ao Distrito de São José da Serra (município de Jaboticatubas) quase sete da manhã do sábado último. Não demorou a enfrentarmos congestionamento na rodovia MG 10, nos atrasando a viagem em pelo menos 1 hora. Chegamos próximos ao Distrito beirando 10 da manhã. Pensando nessa possibilidade, optei por pegar o atalho que segue rumo à trilha de subida da serra antes de adentrar ao arraial. Uma bobeada e de dentro da van só percebi que havíamos passado o atalho quando senti o declive da estradinha. Já passado, tentamos seguir adiante e eu já pensava em subir pela estrada mesmo. Quase no ponto aonde deveríamos desembarcar, avistamos alguns homens e paramos para nos informar sobre o ponto de acesso. Alguém se identificou como proprietário do terreno e juntamente a outros estavam fincando estacas na estrada de acesso, bloqueando a passagem. O mesmo me disse que por ali nós não passaríamos. Sem discutir com o Senhor (sabe como é, melhor não criar caso), o jeito foi retornar ao local do atalho originalmente pensado pela mesma estradinha da ida, fingindo abandonar a aventura...

►► Com esse episódio, é necessário uma explicação: Embora fora dos limites do Parque, a região da Lagoa Dourada costuma ser monitorada por moradores do Distrito de São José da Serra. Não rara vezes impedem a circulação de aventureiros por lá. Eu não sei sobre a legalidade dessa atitude de alguns moradores. Apenas afirmo que isto é no mínimo contraditório, uma vez que o gado corre solto pelo Vale da Lagoa Dourada, apesar da fragilidade natural do lugar... 

Vista Oeste que mostra o trecho da trilha já percorrida.
Esse é um trecho de cascalho em forte aclive
Voltando à nossa aventura, ao retornarmos em direção à trilha atalho imaginada, logo a identifiquei, desembarcamos e iniciamos a caminhada, beirando uma cerca. Isto nos levou à bifurcação da estrada de acesso em um ponto mais acima, evitando a zona de conflito com o morador local. Não demorou e logo já adentramos na íngreme trilha de cascalho. Cada um foi imprimindo o seu ritmo e surpreendentemente não demoramos a vencer o trecho. A trilha é muito bem marcada, o trajeto da subida é possível ser vista desde o seu início e dificilmente oferece chance de erro! O tempo estava parcialmente nublado e abafado. Pontos de chuva eram identificados para os lados de Santana do Riacho. Não demorou e os primeiros pingos da chuva nos alcançou no final da subida da Serra. E o tempo fechou de vez, com uma forte pancada acompanhada de alguns raios; sendo pelo menos um deles assustador! E nós no alto da serra...

Chuva pelo Vale da Lagoa Dourada
Com a trilha bem marcada iniciamos a longa descida disfarçada pelo cume da serra, passando por uma porteira. Rapidamente chegamos ao ponto mais alto da trilha, bem no alto da serra. À nossa frente descortinava o belíssimo Vale da Lagoa Dourada: visual estonteante! Porém, às nossas costas uma forte neblina vinha a jato e logo fechou de vez o visual. Não se via 40 metros adiante com nitidez... Que maldade, depois de tanto esforço será que não conseguiríamos nem ver a Lagoa Dourada???

Mas foi passageiro; a chuva diminuiu e logo passamos pela cerca de arame e chegamos ao casebre que existe nas proximidades da Cachoeira. Estavam vencidos os 7 km de caminhada da ida. Beirava as 13h00 e aproveitamos para fazer o lanche do dia. O casebre estava com as portas abertas e a maioria do grupo se abrigou em seu interior a despeito da quantidade de esterco que havia no local e nos arredores. Como dito, um grande número de gado vive no local!

Lagoa Dourada magrinha devido à seca...
Após o lanche o chuvisco diminuiu de vez e fomos então para a cachoeira. Havia várias barracas de aventureiros por lá; contei umas cinco. Fizemos a descida do barranco da cachoeira com cuidado, pois as pedras estavam escorregadias. Chegado ao poço, alguns corajosos não resistiram e pularam na água. Eu não entrei ehehe... Preferi (juntamente com mais dois corajosos) descer o leito do rio e ir até o ponto mais abaixo observar as quedas d'água! Aproveitei para mais uma vez contemplar a beleza daquele lugar...

Como o tempo não dava mostras que abriria, resolvemos iniciar a volta ao Distrito. Porém foi chegar ao topo da cachoeira (poucos metros acima) e o tempo já parecia abrir... e abriu! Mas a essa altura não dava para voltar e entrar na água novamente, pois tínhamos uma caminhada pela frente! Fomos então ao mirante registrar a visita em imagens. Belíssimo visual através do cânion, com o Distrito lá longe e abaixo! Pouco depois das 15h00 iniciamos a descida. Os planos eram ir a pé até o Distrito,o que aumentava a caminhada de retorno em cerca de 3 km, perfazendo um total de 10 km. 

Voltando para São José da Serra: Tempo já aberto...
A descida foi proporcionalmente mais lenta que a subida, também pudera, descer aquela trilha com cascalho úmido forçava por demais os joelhos. Findado o trecho da trilha, chegamos à estrada próximo aonde tínhamos sido barrados no início do dia. Por sugestão de alguns, tentamos manter contato com o motorista da van para solicitar que o mesmo fosse nos resgatar no local. Infelizmente sem sucesso, pois não havia sinal de celular que sustentasse uma ligação no local...

Oba, o jeito foi descer a pé. Adentrando ao Distrito, resolvi serpentear por dentro da vila, pois o trecho é mais curto que a estrada externa. Infelizmente não foi fácil vencer os míseros 3 km desde o final da trilha até o nosso ponto de encontro. Cada um imprimiu o seu ritmo no percurso. Alguns reclamaram da situação, mas isto é mais que natural, pois a atividade havia sido intensa. Ademais, quando caminhamos por estrada temos a esquisita sensação de que andamos muito mais do que na verdade foi percorrido!!!

Amigos no Mirante Oeste
No trecho final já dentro do Distrito, apressei o passo para ir de encontro ao motorista da nossa van. A intenção era solicitar que buscasse alguns de nós mais retardatários para adiantarmos o término da caminhada. Além disso, uma caminhante sentia um pouco mais os joelhos. Porém, levei um susto ao chegar ao ponto final combinado e não ter informações sobre a presença da van/motorista por lá. Retornei ao encontro do grupo para prestar ajuda e encontrei todos de carona em uma picape de um morador local já próximo ao ponto final combinado! Como que naturalmente as coisas se encaixavam...

Quanto a van, o jeito foi manter a calma! Mas logo depois a chefe do grupo acabou descobrindo que o mesmo nos esperava em outro local próximo; fruto daquele velho hábito de todos que vão por lá; que é marcar o ponto de encontro final sempre em um mesmo lugar! Problema resolvido fomos coroar o sucesso da caminhada em uma deliciosa almojanta no Restaurante Mandacaru. Por volta de 19h00 deixamos o local e seguimos direto para Belo Horizonte. Apesar de uma rápida chuva na volta, não tivemos problemas; o trânsito estava bom! Pouco depois das 21h00 já estava na Pampulha! Foi uma bela caminhada, recheada de beleza natural e alguns imprevistos, o que tornou o passeio muito mais emocionante!


Serviço

Trajeto no GE
A Cachoeira da Lagoa Dourada é formada pelas águas do Rio Jaboticatubas e está localizada em um vale de nome homônimo, no município de Jaboticatubas, periferia do ParnaCipó. É uma queda singela, possui um bom poço para banho e permite inclusive duchas sob suas quedas. Abaixo da queda principal, devido à declividade e a presença de muitas rochas, há uma série de quedas menores e variados pocinhos. Com a continuação das águas no trecho pós queda da Lagoa Dourada, ocorre a formação de uma outra Cachoeira de aproximadamente 100 metros. Porém, não é possível se aproximar com segurança e sem equipamentos nem ao topo, nem ao poço dessa queda. Quase de frente à essa última queda, há uma outra, oriunda das águas de um córrego que corre sentido norte-sul pelo vale acima. Abaixo dessas quedas há o cânion do Jaboticatubas, cujo acesso sem equipamentos somente pelo seu profundo leito.

Cânion do Jaboticatubas
O acesso principal a Cachoeira da Lagoa Dourada é através do Distrito de São José da Serra, localizado a 10 km da rodovia MG 10, em sua margem direita. O acesso até o distrito se dá a partir da MG 10 antes de Cardeal Mota, altura do km 87, após o Condomínio Estância do Cipó. Não há trevo no lugar, fique atento! A estradinha de acesso é de terra, porém em boas condições. Ao se aproximar do Distrito, fique atento à placa que indica a Lagoa Dourada ao lado esquerdo, em uma bifurcação, ainda na estrada. Ao adentrar nesta estrada sentido à esquerda/reto, você terá duas opções: a primeira é ir até um mata burro, desembarcar e tomar o atalho à esquerda beirando uma cerca de arame (foi o que fizemos). A trilha encontra-se pouco utilizada. A outra opção é seguir até mais adiante, aonde há uma bifurcação à esquerda na estrada. Desembarcar e por ali seguir sentido da serra (esquerda). Ambos os trajetos se encontrarão um pouco acima. A vantagem de utilizar o atalho é escapar de eventuais impedimentos, como o ocorrido conosco.

A partir desse ponto a trilha é bem marcada e sobe a serra. Há a presença de cascalho na trilha, porém não apresenta outras e maiores dificuldades. Não há água pelo trecho. Ao atingir o topo da serra, basta permanecer no sentido da trilha (sul), passar por uma porteira e pelo ponto mais alto da serra. Logo despontará à frente o Vale da Lagoa Dourada. A Cachoeira ficará na parte mais baixa do vale.

Como chegar ► Cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:

► Ida:
Viação Saritur ou Serro na rodoviária de BH.
Confira horários e tarifas nos sites das empresas. Estas empresas ligam BH à região.
Desembarcar no acesso/trevinho à São José da Serra (SJS) na rodovia MG 10, km 87, após Condomínio Estância do Cipó. Se informe com o motorista ou cobrador.
Fique atento em relação à bagagem. Há empresas que não abrem bagageiro em rodovia!

Há um ônibus que liga Jaboticatubas a São José da Serra; e faz o trajeto Jaboticatubas - São José de Almeida - Cipó Veraneio - Volta ao Trevinho de SJS e entra/segue para o Distrito. 
► De seg a sex passa no trevinho por volta de 16h45/17h00. 
► Aos sábados passa por volta de 17h30 e aos domingos por volta de 12h00.
► Além do trevinho, pode-se pegar esse ônibus em algum desses lugares: São José de Almeida ou Cipó Veraneio. Como esse ônibus circula por estradas de terra em grande parte do percurso, deve-se ficar atento, pois poderá adiantar ou atrasar.

► A outra opção é tomar o ônibus coletivo de BH para Jaboticatubas e de lá embarcar nesse coletivo que segue para SJS. De BH para Jaboticatubas há ônibus coletivo em vários horários: linha 5582. Há uma outra linha executiva (1038), mas os horários são mais escassos.
Consulte frequência e tarifa no site do DER

► Volta:
De seg a sex há um único horário: 7h00 da manhã.
Sab às 11h00 e 17h00; aos domingos somente às 17h00.

Esse ônibus vai para Jaboticatubas, porém antes ele passa no Cipó Veraneio e São José de Almeida. Em Jaboticatubas, embarcar no coletivo para BH (5582).
Há a opção de descer no Cipó Veraneio ou São José de Almeida e de lá pegar os ônibus da Saritur ou Serro, que via MG 10 seguem direto para Belo Horizonte.
Há uma outra opção (microônibus) ligando Jaboticatubas à São José da Serra, via bairro rural de Bom Jardim. Mas circulam somente às terças e quintas feiras.

De carro:

Rodovia MG 10. No km 87 após o Condomínio Estância do Cipó entrar à direita. Estrada de terra, ignorar entrada para Jaboticatubas. Ficar atento à placa indicativa de Lagoa Dourada.

► O inconveniente em ir de carro é lugar para estacionar o veículo.
Eu recomendaria seguir até o Distrito e deixá-lo por lá; evitando deixá-lo na estrada de acesso à Cachoeira, despertando a curiosidade das pessoas. Isto aumentaria a caminhada, mas seria mais seguro!
O caminha da volta é o trajeto inverso.

►► Além do acesso citado neste relato, há outras opções para chegar à Lagoa Dourada através de Trilhas: uma através da Travessia Altamira - Lagoa Dourada; a ou outra, através do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Distâncias aproximadas

BH até a Entrada do Distrito de São José da Serra na rodovia MG 10: 90 km (asfalto)
MG 10 ao início da Trilha: 8 km (estrada de terra)
Início da trilha até a Cachoeira: 7 km

Considerações Finais

► Evite atrito com moradores locais caso aconteça alguma tentativa de impedimento ao acesso à Lagoa Dourada; 

► Se estiver com tempo, aproveite para conhecer as cachoeiras do Sr. Dimas e a do Rala Bunda. Ambas localizam praticamente dentro do Distrito de São José da Serra. O acesso à esses locais é pago; 

► Cuidado ao se aproximar de mirantes nos arredores da Cachoeira Dourada; 

► A área para acampamento nos arredores da Cachoeira da lagoa Dourada é imensa! 

► Em São José da Serra há boa infraestrutura ao visitante, com pousadas, camping, bares, mercearia e restaurante.

► Jamais deixe seu lixo pelas trilhas; e evite fazer fogueiras. Mantenha as porteiras fechadas.

Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!

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