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Pico da Bandeira: uma viagem inesquecível - Parte 2

Trilha para o Pico da Badeira
Nessa postagem, dou sequência ao relato de uma visita ao Parque Nacional do Caparaó, realizada em julho de 2012 em companhia do meu amigo Renato Vasconcelos. Na primeira parte, abordei a nossa chegada a Alto Caparaó, a subida para o Camping da Troqueira e depois Terreirão, bem como o ataque ao Pico da Bandeira.

Foi uma experiência um pouco sofrida, isto porque a noite que passamos no Terreirão foi uma das mais geladas que já experimentei nas andanças pelo Brasil. Depois de uma noite mal dormida devido a algazarras na Casa de Pedra, atacamos o Bandeira sob forte neblina, chuviscos e muito frio e vento. Infelizmente não tivemos visual algum desde o topo.

Retornamos e pernoitamos no Camping da Tronqueira, uma noite de terrível ventania. A frustração com a ausência de visual era total e programávamos nosso retorno (para ler este relato, clique AQUI). Porém, o terceiro dia da nossa presença no Caparaó amanheceu com tempo firme e o sol deu as caras. Isto mudou completamente os ânimos; e por consequência o destino da aventura! É essa história que relato a partir de agora...

Dia 3 ►quarta feira: Mudança de planos

Depois de contemplar aquele visual do vale onde fica a cidade de Alto Caparaó e tomarmos o então último café da manhã no Parque Nacional do Caparaó, propus ao Renato que voltássemos para o Camping Terreirão e para o Pico da Bandeira. Talvez pudéssemos ir ao Bandeira naquele mesmo dia, aproveitando que fazia sol e o tempo estava aberto. Já estávamos ali, próximos e não saberíamos quando poderíamos voltar!

Infelizmente o Renato me disse que não poderia. E com razão! Tinha compromissos inadiáveis na USP em São Paulo. Além disso, estava muito cansado. Aquela tinha sido a sua primeira grande empreitada por uma trilha mais exigente e cansativa. Me disse estar com os pés doloridos. Realmente a experiência havia sido exigente; então achei prudente não insistir. Realmente não havia sido fácil a nossa caminhada durante aqueles dias. 

Diante da resposta do Renato fiquei com o coração dividido. Não sabia o que fazer. Eu tinha o restante da semana disponível; já estava por lá ... Bem, olhei para o vale e decidi ficar por ali. Iria com o Renato até à portaria e depois voltarei para o Parque. Comida eu tinha por pelo menos mais dois dias de aventuras! Gentilmente o Renato concordou e me apoiou em minha decisão. Também tentou me impedir de acompanhá-lo até à portaria. Mas senti que deveria fazer isso e deixá-lo em um lugar com melhor acesso. Além de tudo ele merecia, havia sido muito gentil durante a estadia e havia compreendido a minha decisão.

Imediatamente o Renato aprontou a sua cargueira e eu ajuntei minhas tralhas, joguei na barraca, fechei-a e deixei-a no deserto Camping da Tronqueira. Partimos rumo à portaria do Parque. Eu estava feliz por minha decisão. Era mais ou menos 10h da manhã. Tomamos a estrada e fomos descendo, devagar, curtindo o visual. Por volta de 11h45 da manhã chegamos à Portaria.

Me despedi do Renato, paguei mais uma estadia no camping e rumei novamente estrada acima. Não sem antes dar o último aceno ao Renato que se dirigia ao centro da cidade de Alto Caparaó, onde tomaria rumo à São Paulo. Era por volta de meio dia.

Apressei o passo estrada acima. Senti um aperto no coração, estava acostumado com a companhia agradável do Renato. Mas a essa altura não tinha mais jeito, então restava caminhar! Eu gosto de caminhar. Se vou pra um lugar prefiro fazer os trajetos à pé. Acho que é assim que se conhece melhor um lugar. O sol esquentou muito, mesmo assim não reduzi o ritmo. Vários carros passaram por mim, indo e vindo! Estava animado por permanecer no Caparaó que nem senti a caminhada; e por volta de 13h40 havia vencido os 6 km estrada acima e botei os pés na Tronqueira novamente.

A famosa araucária solitária na volta ao Terreirão:
o tempo havia mudado novamente e nuvens rodeavam o lugar...
Minha barraca estava intacta. Quando desci havia ficado preocupado com os quatis, que haviam aparecido em grande número pela manhã na Tronqueira. Mas tudo estava como antes. Imediatamente desmontei o acampamento, me hidratei, cargueira nas costas e pé na trilha; novamente rumo ao Terreirão.

Meus planos eram descansar por lá e atacar o cume do Bandeira pela madrugada. Apressei o passo e dessa vez fiz apenas uma paradinha no percurso. A cargueira estava mais leve favorecendo a caminhada. Pela trilha, passei por algumas pessoas e tentei acompanhar um casal que segundo eles, todo ano vão ao Bandeira. Mas não consegui, eles não andavam, eles corriam...

Manerei o ritmo e às 15h00 adentrei solenemente o Camping Terreirão para a surpresa das pessoas que lá estavam. Logo reencontrei o Kaio e a Júlia que surpresos vieram perguntar o que eu fazia ali. Contei a história e ainda demos boas risadas! Só que o tempo havia mudado novamente: a neblina havia voltado, gelada como sempre, e com uns respingos! Fiquei pensativo: será que vou pagar mico de novo?

Armei acampamento, agora do outro lado da casa de guarda. Era uma quarta feira e havia mais pessoas no camping. Aproveitei que ainda estava com o corpo quente e tomei um banho gelado (não há água quente no Terreirão). Era o primeiro banho desde domingo. Voltei renovado e sentei próximo à barraca, à beira da varanda da casa de guarda. Aí bateu o cansaço. Somente naquele dia eu havia caminhado aproximadamente 16 km, feitos em ritmo acelerado. Minhas pernas doíam, por isso, planejei logo ir descansar... 

Fim de tarde no Terreirão:
o tempo estava maluco e o sol fazia presente
Estava preparando um capuccino pra abrir o apetite quando um rapaz veio me procurar. Ele havia chegado a pouco no Terreirão e estava a procura de companhia pra ir até o topo do Bandeira naquele fim de tarde. Era quase cinco horas da tarde e o tempo havia mudado novamente. A neblina havia se dissipado e o sol dava as caras. Ele se apresentou e me convidou pra acompanhá-lo. Infelizmente eu disse não, pois literalmente eu estava um bagaço. Bom, ele saiu à procura de alguém mais animado...

Continuei descansando próximo à barraca quando o vi saindo em direção ao Bandeira: não encontrou companhia e decidiu ir sozinho. Ele já conhecia a região! Desejei boa viagem e ele subiu rapidamente! Combinamos que iríamos juntos ao ataque pela madrugada!

Acabei enrolando ainda mais e somente lá pelas 19h00 preparei meu jantar e por volta de 20h30 mergulhei barraca adentro. O tempo havia mudado novamente: frio e neblina por todo lado! Meus planos estavam de pé: levantaria por volta das 3h00 pra novo ataque ao cume do Bandeira. Adormeci e por volta de 22h30 acordei.

Como não consigo ficar acordado dentro de barraca, logo levantei e ao sair da barraca “topei” com um frio caprichado. Várias pessoas haviam chegado ao acampamento. E várias outras estavam na Casa de Pedra à espera do momento para o ataque. Alguns vieram até mim para pedir informações sobre a trilha e trocar outras idéias.

Circulei pelo camping até por volta de meia noite, quando voltei a dormir. O tempo continuava mal. Acordei por volta de 02h30 e saí da barraca. A neblina tomava conta de tudo! O pessoal já estava no ritmo pra sair em direção ao Bandeira. Como gato escaldado tem medo de água fria, optei por não subir ao Bandeira. Tinha comida de sobra e poderia esperar. Aos poucos, todos foram subindo. Acho que umas 30 ou 40 pessoas subiram e o camping voltou a ficar deserto. 

Até à 04h30 não dormi, fiquei observando o tempo, quando decidi que não daria mesmo para subir! Fui até à barraca do rapaz com quem havia combinado subir e notei que ele não estava lá. Puxa, será que ele teria subido sem me avisar? Voltei pra barraca, pois não se via nada além de uns 20 metros devido à neblina! Adormeci e lá pelas 8h00 acordei e caí fora da barraca.

Dia 4 ► quinta feira: visual inesquecível

Pico do Cristal visto desde o Terreirão: lindo por qualquer ângulo
O dia amanheceu e o tempo tendia a melhoras. O camping estava sem neblina. Após o café resolvi explorar os arredores. Indo em direção ao mirante próximo, pude comprovar que o tempo estava limpando e de uma forma muito rápida. Por volta de 09h00 pude ver pela primeira nesta viagem os Picos do Cristal, Calçado e Bandeira. O céu foi-se abrindo e o sol brilhava forte em toda a região. Não poderia mais perder tempo. Corri em direção à barraca, peguei umas tralhas e decidi subir em direção à montanha. 

Pico da Bandeira visto desde o Terreirão: céu de brigadeiro
Ao sair, encontrei com o rapaz que na noite anterior havíamos combinado subir o Bandeira juntos. Ele apresentava roupas rasgadas e arranhões em várias partes do corpo. Achei estranho e fui perguntar. Segundo me contou, ele atingiu o cume do Bandeira no início da noite anterior, a neblina baixou e ao deixar o cume para voltar ao Terreirão, errou o caminho.

Inexplicavelmente ele tomou rumo leste, ao invés de oeste. Modos que ele rolou ladeira abaixo e “caminhou em círculos” até às 23 horas, quando acabou a bateria da sua lanterna. Ele fez isso pra não se congelar no frio. Segundo ele, ao acabar a bateria da lanterna, ele se abrigou em uma moita e ficou esperando o dia raiar. Estava perdido, às 23 horas em uma ladeira no meio da mata ao sopé leste do Bandeira. Confesso que fiquei impressionado com o fato; uma vez que a descida do Bandeira é por trilha muito bem demarcada; e mais ainda pela sua tranquilidade ao saber que estava perdido! 

Subindo para o Bandeira: paisagem ao norte do Pico Cruz do Negro
Ao parar pra conversar com o “perdido da noite” me atrasei um pouco, tanto que logo encontrei com o pessoal que havia feito o ataque ao Bandeira de madrugada. E a pergunta: houve visual? Todos disseram: não; somente depois, com o sol alto é que alguns mais pacientes puderam ver alguma coisa. Infelizmente a história se repetia: ataque de madrugada e nada de assistir o nascer do sol! Assim, às 10h15 deixei o camping do Terreirão rumo ao Pico da Bandeira. 

A cruz do cume
Imprimi um forte ritmo na subida. Na trilha, passando pelo Barro Preto encontrei com o famoso guia Josias, que havia levado um grupo de pessoas ao cume naquela madrugada. Era a segunda vez que o encontrava. A primeira foi quando descia do Terreirão para o Tronqueira na terça feira à tarde. Me apresentei, disse que já o havia visto na TV. Gente boa esse Josias! Trocamos idéias e rapidamente voltei à caminhada, modos que às 11h00 em ponto eu atingi o cume do Bandeira!

Sobre as nuvens
Poderia escrever páginas e páginas que não seria capaz de descrever minha emoção ao chegar novamente naquele lugar! Eu gosto muito dali, é um lugar que me marcou desde há muito tempo! Só posso dizer que caiu umas lágrimas! O visual grandioso sobre as montanhas é fenomenal! Ver ao seu lado o pico do Cristal (minha paixão) foi um espetáculo! Sendo impossível descrever, vou parodiar D. João Rezende Costa, Arcebispo Emérito de BH (já falecido) que se referiu à Serra da Piedade em Caeté na década de 60: “Trata-se de magnífica arquitetura Divina”. Essa classificação também cabe perfeitamente à Serra do Caparaó: “Magnífica arquitetura Divina”!

Picos do Calçado e Cristal ao fundo vistos desde o Bandeira
A Torre e o Cristo
O sol brilhava, mas o frio era intenso no topo do Bandeira. Imagino que a temperatura estava próximo a zero grau. E ventava muito forte e em rajadas. Certo momento estava próximo ao Cruzeiro, explorando a pirambeira do Bandeira, passou uma rajada de vento tão forte que praticamente me vi lá embaixo! Bom, depois disso, procurei me abrigar atrás de umas moitas de bambuzinhos e fiquei contemplando as montanhas à leste do Bandeira. Permaneci por cerca de 1 hora no cume!

Piramba do Bandeira visto da trilha para o Calçado
Por volta do meio dia iniciei a descida do Bandeira até a bifurcação da trilha de Casa Queimada. Tomei essa trilha rumo aos Picos do Calçado e Cristal. A trilha muito bem demarcada é a mesma utilizada por quem deseja o cume do Bandeira vindo do lado capixaba. Há alguns lances com degraus mais altos, mas muito fácil e seguro transpô-los. Após 15 minutos atingi a marcação do IBGE no topo do Calçado.

Fiquei uns 15 minutos no topo do Calçado quando decidi retomar a trilha rumo ao Pico do Cristal. Tentei ainda pegar um atalho descendo por umas rochas do Calçado, mas acabei levando um escorregão e fiquei preso apenas na vegetação. Recomposto do susto, preferi voltar, contornar o Pico e tomar a trilha segura pela rota normal.

Pico do Cristal visto desde o Calçado
Descendo o Pico do Calçado há um trecho lajeado bastante exposto. Requer apenas cuidado ao descer, não requerendo técnica específica. Por coincidência, nesse momento parece que um furacão atingia o Pico do Calçado, onde era difícil permanecer de pé. Eu me gelava a cada rajada e além disso a rocha estava escorregadia devido a neblina que até pouco tempo esteve por lá. Parece exagero, mas devido à ventania realmente estava bem tenso por lá!

Passado esse perrenguinho caminhei pela trilha por alguns minutos quando a deixei, saindo à direita. Logo identifiquei os totens que leva ao Pico do Cristal. A trilha não é bem clara, nem há demarcação. Mas não corre-se o risco de se perder porque o Cristal está sempre à frente, imponente, majestoso, belo. A navegação é visual.

Passados uns 15 minutos cheguei à base do Pico do Cristal. Não há uma rota clara para atingir o topo. Há sinais de pisoteio pela pouca vegetação em alguns colos sobre pedra. Trata-se de um rochoso magnífico! Comecei a subir e no início é muito fácil e tranquilo. Nesse momento, o vento se intensificou novamente. Eram rajadas que me obrigava a parar a todo momento; já que o Pico do Cristal é totalmente exposto. Além disso, as rochas estavam escorregadias, pois havia garoado no lugar até por volta de 9h00 da manhã. Fiquei um tempo parado esperando o vento diminuir; e nada! Só enxergava porque estava com óculos, do contrário não conseguiria nem manter os olhos abertos. Ciscos, restos de plantas e até pedrinhas rolavam pico abaixo. Nunca havia visto aquilo no Caparaó!

O Pico do Cristal. Pouco depois o tempo mudou novamente e uma densa neblina encobriu o Pico
Me arrastei atrás de uma moita e fiquei observando o caminho a seguir face a rocha escorregadia e a tremenda ventania. Como a ventania não parava, voltei a subir e uns cinco metros acima levei um escorregão na rocha que me fez voltar à moita em segundos. Já havia levado outros escorregões, mas esse foi de levar o coração à boca.

O Problema não era o grau de inclinação na rocha, nem a exposição, perfeitamente vencíveis em condições normais. O problema era a rocha molhada e lisa; e minha bota não ajudava em nada. Pensei em tirá-la, mas após alguns minutos achei que era mais prudente abortar a subida. Não sou escalador e nem tinha equipamento algum comigo ali naquele momento. Além disso, estava sozinho e se ocorresse algum acidente o problema seria grande! Pra piorar, com o tempo maluco que fazia aqueles dias no Caparaó, a neblina roçava o Cristal a todo instante; atrapalhando o visual. Deixei pra lá...

Bandeira visto desde o Calçado antes de nova mudança no tempo
Iniciei a descida e rapidamente cheguei aos pés do Cristal novamente. Fui em direção à trilha tradicional rumo ao sopé do Bandeira. Isto porque os guarda-parques já haviam me dito que a trilha-atalho Cristal-Terreirão  que eu pretendia fazer estava um vara-mato danado. E com aquele clima instável seria ainda pior... Rapidamente fui seguindo os totens e interceptei a trilha que vem do Espírito Santo. Só voltei a admirar o Cristal quando passava novamente pelo Pico do Calçado. Nesse ponto pude observar que a neblina roçava o seu cume numa velocidade impressionante. Pra variar, se tivesse cumeado não teria tido visual! Parecia cena de filme! 

Mesmo com tempo aberto fazia um frio absurdo. Logo depois o tempo fechou novamente nos topos
Pois bem, isto beirava 14h30 e rapidamente fui descendo. O tempo maluco daqueles dias no Caparaó mudou novamente. Agora tudo estava aberto novamente, que me fez parar várias vezes para contemplar os Picos! Passei por alguns grupos, inclusive um grupo de gaúchos muito simpáticos. Já próximo ao Terreirão pensei em ir ao Cruz do Negro, que fica logo acima do Camping, mas novamente a ameaçadora neblina que circundava o Pico me tirou o ânimo; fora o cansaço! Por volta das 15h30 cheguei ao Terreirão. 

Estirei-me no gramado e agradeci a oportunidade. Matei a saudade imensa do lugar! O Terreirão estava vazio e a galera que fez o ataque pela madrugada já havia ido embora. Chegavam novos aventureiros e meus amigos Kaio e Júlia permaneciam por lá também! Inclusive nesse dia eles haviam ido a Alto Caparaó comprar comida, pois decidiram ficar mais um dia por lá! Eu havia encomendado uns pães, que muito gentilmente eles trouxeram. Fizemos café, capuccino e comemos feito doidos!

Por do sol desde o Terreirão
Ainda houve um episódio engraçado, quando os guarda parques que vistoriavam o camping tiveram e com razão, um entrevero com um pessoal que estava hospedado no Abrigo de Visitantes. Eles fizeram fogueira no abrigo e isto é proibido nas dependências do parque. Foi uma novela e deu trabalho para os simpáticos e solícitos guardas. No final, revoltados o grupo deixou o Camping! Por fim, exploramos as redondezas e contemplamos um belo por de sol sentados nas pedras logo acima da Casa de Pedra!

Bem, eu iria ficar mais aquela noite no Terreirão e combinei com o Kaio e Júlia que iríamos pela madrugada ver o famoso nascer do sol no cume do Bandeira. Seria a minha terceira ida ao cume naquela semana. A noite foi um espetáculo, com o céu repleto de estrelas. Lindo, indescritível. E fez um frio digamos tolerável. Novamente muitas pessoas chegaram ao camping. Dormi muito bem aquela noite!

Dia 5 ► sexta feira: Enfim, o sol nascer desde o cume do Bandeira!

Por volta de 03h00 da madrugada levantei e o tempo estava perfeito, completamente limpo e estrelado. Fazia bastante frio, mas suportável! Juntamente com o Kaio e Júlia tomamos café. Por volta de 03h45 mais ou menos deixamos o Terreirão rumo ao Bandeira. Fomos os últimos a deixar o camping. Nossa subida foi tranquila, exceção da Júlia que perdeu o cachecol hahaha... Logo acima, novamente próximo ao Barro Preto havia muita gente perdida, inclusive pessoas que haviam saído por volta de 2h00 e pouco da madrugada do Terreirão. Orientamos o pessoal e acabei puxando a fila. Fomos num ritmo forte e um grupo de rapazes do Rio de Janeiro nos acompanhou.

O amarelão invade o céu
Por volta de 5h00 da manhã chegamos ao cume do Bandeira. Sendo os primeiros a chegar pudemos observar a procissão de pessoas que se dirigiam ao cume. Chamou-nos atenção uma fila enorme que vinha da trilha do Espírito Santo. Uns trinta minutos depois chegaram ao cume: era um grupo de bombeiros do Espírito Santo que faziam a travessia do lado capixaba para o lado mineiro. Era parte do treinamento dos alunos. Eles até hastearam a Bandeira do Brasil no mastro do cume.  

Apesar da câmera e fotógrafo vagabundos, valeu!
Aí foi só aguardar o nascer do sol. Logo começou a dar as caras... Bem, não dá pra descrever o visual desde o topo do Bandeira com o nascer do sol... Só mesmo presenciando para sentir a emoção desse momento. É um espetáculo grandioso! Impossível ficar indiferente a tanta beleza! Pode-se perceber o êxtase no rosto das pessoas! É uma louvação. Por instantes, parece que estamos num ambiente perfeito, onde tudo é perfeito e belo; em perfeita sintonia! Senti-me novamente privilegiado por estar lá! Acredite,o Caparaó é um lugar mágico!

Poças de gelo no topo do Bandeira
Estava muito frio no topo e havia poças congeladas em vários pontos. Permanecemos no cume do Bandeira (eu, kaio e Júlia) até por volta das 08h00 da manhã quando iniciamos a descida. Grande parte das pessoas já haviam deixado o cume. Não exploramos os outros picos, pois pretendíamos retornar para nossas cidades.

Sabia que esta era a última descida do Bandeira na ocasião, modos que a fizemos com calma, tranquilos. Mesmo assim alcançamos muita gente na trilha, inclusive os bombeiros capixabas que faziam a travessia ES-MG. Um deles havia sofrido uma torção ao descer e comandante ainda foi “gentil” (se é que me entendem!) com ele. Coitado do rapaz! Chegamos todos juntos ao Terreirão por volta de 9h30, mais ou menos.

Chegando de volta ao Terreirão
Eu até poderia ficar mais um dia por lá, mas decidi retornar, uma vez que no domingo iria viajar para o Sul de Minas. O Kaio e a Júlia também decidiram descer. Assim, desmontamos acampamento e tomamos a trilha. Era por volta de 10h30 da manhã. Fazia um dia lindo, bem diferente daqueles anteriores. Como pretendia voltar para BH ainda naquele mesmo dia, não parei em nenhum poço à beira da trilha, apesar de ter sido uma tentação...

Camping Terreirão quando da descida
Chegamos de volta na Tronqueira por volta de meio dia. O sol estava queimando os miolos. Pretendíamos arrumar carona ou alugar jipe para nos deixar em Alto Caparaó. Como não conseguimos, os rapazes do RJ já tinham feito pedido de um jipe e havia dois lugares sobrando. Assim, Kaio e Júlia ficaram e viriam com eles. Eu peguei a cargueira e caminhei estrada abaixo. No meio do caminho, me alcançaram e até me deram carona. Me deixaram no Vale Verde, onde descansei um pouco. Depois tomei rumo à portaria, paguei minha diária excedente e segui para o centro de Alto Caparaó, lá chegando às 15h45. Às 16h00 tomei o ônibus para Manhuaçu (é o mesmo que passa em Manhumirim) , aonde cheguei às 18 horas.

Legítimo Pico da Bandeira
Fui direto ao guichê da Pássaro Verde comprar passagem para BH, pois o ônibus sairia às 18h30, se não me falha a memória. Mas aí uma decepção: não aceitavam cartão de débito (nem de crédito) e por uns instantes fiquei em apuros. Teria que aventurar na cidade atrás de uma agência bancária, pois na rodoviária não havia caixa eletrônico. Aliás, a rodoviária de Manhuaçu estava bem descuidada em todos os aspectos...

Quando já havia decidido que iria atrás de um banco, passei em frente a outro guichê e vi a placa da Viação São Geraldo. Aproximei e perguntei se lá passava algum ônibus com destino à BH. Gentilmente a atendente disse que sim, mas somente por volta de meia noite. Estava tão cansado que preferi comprar a passagem ali que sair à procura de banco, até porque não haveria tempo pra pegar o ônibus de 18h30 da Pássaro Verde. E assim foi feito.

A Araucária solitária
Fiquei no aguardo do ônibus em uma praça em frente, onde inclusive rolou um cineminha (nem sei o filme, não sou cinéfilo rs). Ocorreu que o ônibus da São Geraldo atrasou e saímos da triste rodoviária de Manhuaçu quando já passava da 1h30 da madrugada. Mas tudo bem, dormi a viagem inteira, só acordando já na BR 381 depois de João Monlevade, quando ficamos parados na estrada por cerca de 1 hora devido a um acidente. Somente desembarquei na rodoviária de BH por volta de 08h30.

Matriz de Alto Caparaó
Assim, às 09h00 da manhã botei os pés dentro de casa: cansado, mas muito feliz! E já iniciando contagem de tempo para a volta ao Caparaó: lá é um dos poucos lugares que eu sempre vou fácil-fácil: é simplesmente mágico!



Parque Nacional do Caparaó ► Serviço

Confira na página do ICMBIO as informações gerais sobre o Parque Nacional do Caparaó. Confira também o Mapa Interativo do ParnaCaparaó.

Bons ventos a todos!

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