sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Serra da Piedade em Caeté, MG: "magnífica arquitetura divina"

Visual desde o topo da Serra da Piedade
Atendendo a um convite do meu amigo André, no dia 06 de maio de 2012, um domingo, fomos à Serra da Piedade, no município de Caeté, região metropolitana de Belo Horizonte. Encontramos na rodoviária de Belo Horizonte, onde às 8 da manhã pegamos o ônibus coletivo que liga BH a Caeté. O trajeto do ônibus é feito através da Av. Cristiano Machado, região nordeste de BH, rodovia BR 381 e depois a ligação desta com a cidade de Caeté. Viagem tranqüila, ônibus vazio, confortável, ar refrigerado, enfim; depois de algumas paradas, por volta de 8h50 descemos no trevo de acesso à Serra da Piedade, já na rodovia de ligação à Caeté.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.

Powered by Wikiloc
Esta rota é um atalho emergencial. Preferencialmente suba a serra pela via asfaltada.
Há estações da Via Sacra pela via; além de belos visuais.
Atualizado em Fev 2016

Visual desde o início da estradinha.
Santuário lá no topo
Descemos do ônibus coletivo no demarcado trevo de acesso à Serra e imediatamente iniciamos a nossa caminhada. Início tranqüilo, nas mochilas apenas água e alguns petiscos! Do trevo à direita ao topo da Serra são 6 km aproximadamente. A caminhada é um pouco cansativa, pois é feita em uma estrada estreita e asfaltada. No início, um trecho mais íngreme, margeado por uma mata que lembra a mata atlântica, com árvores maiores, entremeadas por taquaras e bambus. Após 1 km mais ou menos, a estrada faz uma curva no sentido oeste, com uma parte plana. Aí já é possível perceber a mudança na vegetação, agora típica de cerrado, com matas de galerias. É incrível e admirável a rápida mudança da vegetação em curto trecho! Agora, a vegetação é rala, entremeada às pedras, formando em alguns pontos as matas de galerias. 

Ermida de Nossa Senhora da Piedade
Apesar da pouca distância em linha reta, a estradinha vai serpenteando a serra, de modo que a caminhada é um pouco longa. O topo está logo ali, acima das nossas cabeças, mas atingi-lo requer um pouco mais de esforço! A certa altura pensamos em tomar um atalho, mais ou menos em linha reta e subir em meio à vegetação rasteira e as pedras. Mas desistimos, seria muito trabalhoso, especialmente para o André! Além disso, não seria adequado para uma área frágil e de conservação ambiental! Então, pé no asfalto. Interessante que de trecho em trecho da estrada há uma estação da Via Sacra, convite a parada pra descanso e reflexão. A subida é cansativa, mas o visual é compensador. É incrível um lugar tão espetacular ao lado de um aglomerado de mais de 5 milhões de pessoas!

Altar Mor da histórica ermida da Piedade no topo da Serra
A imagem é creditada à Aleijadinho
Após muitas paradas, uma dispensa de carona (pois queríamos caminhar mesmo) chegamos ao topo da serra. Era por volta de 10h40 da manhã. Por incrível que pareça caminhar no asfalto é muito mais cansativo que em trilhas. Parece que não acabaria nunca! Fomos ao centro de apoio, que está novinho em folha. Tomamos um café e percorremos os poucos metros que nos separavam da antiga capela de Nossa Senhora da Piedade, a "Ermida".

Coro da Ermida
Como católico que sou, participei de uma celebração. Após a celebração, circulamos pela capela, que é bastante simples. Passa longe das decoradas e ricas igrejas de Ouro Preto, Tiradentes, Mariana ou Congonhas. Mas impressiona a imagem de N. Sra. Da Piedade, creditada a Aleijadinho. Parece viva!!! Também muito me agrada a arquitetura barroca, porém despojada da pequena Igreja!

Cumprida a parte religiosa, fomos explorar os arredores. Havia uns 10 anos que não ia à Serra da Piedade. A última vez que lá estive fiquei muito triste. O local estava imundo, mal cuidado, lixo por todas as partes. Pessoas suspeitas e com comportamentos inadequados estavam por todos os lados. Ouvi histórias de assaltos a visitantes, pessoas que iam até o local para usar drogas ou transformar o espaço em motel a céu aberto. Uma situação lastimável! 

Dessa vez foi diferente. Já tinha tido notícia da nova situação, mas me surpreendi. O lugar está lindo, muito bem cuidado, sinalizado, limpo. Vigilância por todos os lados! Estruturas antigas recuperadas, outras novas edificadas. Uma estrutura invejável, acessível a visitantes de todas as idades! 

Pois bem demos meia volta pelo pátio da Igreja, de onde se tem uma visão 360 graus de toda a região e decidimos que iríamos almoçar. Sim, lá há um bom e barato restaurante, poucos metros abaixo da Igrejinha. Bastante espaçoso, da sua janela envidraçada tem-se um visual completo da estradinha que subimos horas atrás. É um visual maravilhoso, que abre o apetite! Esbaldei com a comida mineira. O excesso foi sentido logo depois; cansaço nas pernas e barriga cheia: deu um sono imenso...

Cacto, planta de altitude comum no Espinhaço
Relutei ao sono e fomos explorar o topo da Serra. Visitamos os arredores da Igreja Nova das Romarias, de onde se tem bela vista pros lados de Caeté e até do Caraça. Sim, a Serra tem duas Igrejas: a Ermida, histórica; e outra, em estilo moderno e bem harmonioso com o lugar!
Depois seguimos pela trilha demarcada sentido mais a oeste do cume, passando próximo ao observatório da UFMG, que estava fechado. Sem dúvida, o lado oeste é a parte mais interessante para quem prioriza o visual natural. As formações do relevo e vegetação são semelhantes àquelas encontradas na Serra do Espinhaço. Muitas pedras pontiagudas, de tamanhos e formatos variados. Vegetação bastante rica, com muitas bromélias, cactus, orquídeas e “lírios”. Arbustos pequenos e retorcidos! Há também muitos pássaros na Serra. E como a área do cume é relativamente pequena, o objetivo maior mesmo é curtir o visual do entorno de BH, que convida à contemplação. E mirantes não faltam: são naturais e por todos os lados!

Veja aond brota essa Hippeastrum Damazianum
Seguimos a trilha demarcada e passamos por um grupo de bombeiros civis que treinavam rapel em uma rocha. Nos acomodamos logo mais abaixo. Ficamos por lá mais de 1 hora, sentados numa pedra, batendo papo e contemplando a paisagem. Não fazia frio! O visual é de fazer qualquer um feliz! O tempo não estava totalmente limpo, o que prejudicou a observação. Mesmo assim foi possível observar várias cidades da região de BH. 

Colorido intenso no topo
Depois dessa longa parada, circulamos sentido leste, um pouco mais abaixo do cume, local sem trilhas. Fizemos várias paradas para observação, tanto da paisagem quanto da vegetação. Fomos retornando em direção à estrada de acesso ao cume, tomando-a e voltando ao adro da ermida de Nossa Senhora da Piedade.

Caeté visto do topo da Serra da Piedade
Ficamos por lá mais de uma hora também. Observamos as serras aos arredores, sobretudo ao leste. Parecem bons lugares para exploração. O lado leste do cume está com o acesso fechado e constitui de uma pirambeira bastante perigosa. Talvez seja esse o motivo do seu fechamento. Observamos se havia algum ponto para acessar esse lado, mas o portão estava fechado e como o local é vigiado, melhor não inventar moda! Fomos então ao sentido da Igreja Nova das Romarias, uma construção em estilo moderno, sobre a qual o André fez muitos comentários, uma vez que ele é arquiteto. Desse ponto é possível observar com nitidez a cidade de Caeté, a cerca de 10 km a sudeste da Serra.

Assim, por volta de 17 horas resolvemos descer a serra. Foi uma descida tranqüila, com algumas paradas para descanso. Observamos ainda do lado esquerdo, à oeste, o que parece ser uma mineração desativada. Ufa, ainda bem! Continuamos lentamente, de modo que começou a escurecer. Chegamos à parte da mata já no escuro. A descida realmente é mais cansativa que a subida, modos que chegamos ao trevo de acesso por volta de 18:30 horas, onde ficamos esperando o ônibus, que não demorou a passar. 

Bem, cansados pela caminhada que somou 16 km no dia; e depois de uma espera de mais ou menos meia hora, embarcamos no coletivo da linha Caeté-Belo Horizonte. Fizemos tranqüila viagem de retorno, tirei até um bom cochilo. Desembarcamos na Av. Cristiano Machado, região nordeste de BH por volta de 19h30, quando rapidamente o André tomou rumo de casa. Eu não fiz diferente, estava bem cansado, mas muito feliz por ter retornado depois de tanto tempo a esse belo e místico lugar, “verdadeira arquitetura divina” (D. João Resende Costa): a Serra da Piedade!

Ao finalizar este, vale um comentário a cerca da intervenção humana na Serra. Já ouvi muitas pessoas dizendo muitas coisas a respeito de intervenções humanas, não só na Serra da Piedade, mas em cumes de serras em geral. Há os contrários e os favoráveis!

Entardecer na Sera
Evidente que construções em topos interferem na paisagem natural. Mas há casos e casos. Em todas as regiões do mundo, cumes variados possuem intervenção do homem. Veja o morro do Cristo Redentor no RJ. O exemplo da Serra da Piedade prova que, a intervenção quando feita de modo adequado pode ser interessante! Um aspecto relevante é o histórico. Veja bem, a Serra da Piedade possui demarcação desde os anos 1700. E foi uma demarcação com origem religiosa. E é claro que hoje essas intervenções (ou outras com qualquer intuito) estão fora de cogitação, sobretudo por questões logísticas e ambientais. Mas eu respeito e gosto da intervenção na Serra da Piedade. É harmônico, não exagerado. Não porque sou católico, mas pelo trabalho que lá desenvolvem, não só voltado para a formação humana e espiritual, mas pela conservação do ambiente natural! A Serra da Piedade é um exemplo de intervenção humana: simples, bela, eficiente e eficaz!

Importante:

► Nessa semana, preparando esse simples post após seis meses da realização da visita, fui surpreendido com a notícia de um incêndio na Serra da Piedade. Fiquei muito triste. Aliás, toda a comunidade ficou apreensiva; inclusive o artigo semanal do Arcebispo de Belo Horizonte tratou do assunto. Hoje, dia 02 de novembro, a informação é de que o foco foi controlado. Ainda bem!

► Algumas fotos saíram com datas grafadas, e pior, com data errada, culpa minha que esqueceu de ajustar a velha câmera fotográfica.


Serviço

Localização: Município de Caeté, região metropolitana de Belo Horizonte.

Distante cerca de 50 km de BH, a região da Serra da Piedade começou a ser visitada no século XVIII, quando portugueses construíram no topo uma capela dedicada a Nossa Senhora. A devoção propagou e na década de 50 o Papa João XXIII proclamou Nossa Senhora da Piedade Padroeira do Estado de Minas Gerais. Em 1960 o local foi elevado a Santuário Estadual. No aspecto natural, a região da Serra da Piedade é Unidade de Conservação Estadual na categoria Monumento Natural pela Constituição do Estado de Minas Gerais. 

Em 2010, o Governo do Estado de MG assinou um ofício que torna o Santuário um atrativo turístico de especial relevância no Estado. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan aprovou em dezembro de 2010, a extensão de tombamento do conjunto arquitetônico e urbanístico da Serra da Piedade em Minas Gerais. Assim, abrange a antiga área tombada pelo Iphan, os tombamentos estadual e municipal, além de garantir a visibilidade do bem, incluindo sua linha de perfil, os recursos hídricos, a biodiversidade e os aspectos cênicos (fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte).

Ermida da Piedade em 2012
Todas as informações sobre a Serra da Piedade onde está localizado o Santuário Nossa Senhora da Piedade poderão ser acessadas através do Site Oficial do Santuário. Lá você encontrará de forma sempre atualizada as notícias, informações básicas, atrativos e como chegar até à Serra.

Conheça também a Arquidiocese de Belo Horizonte, uma das maiores do Brasil, que é a Entidade que administra a Serra da Piedade. É governada pelo Arcebispo Dom Walmor de Oliveira Azevedo, a quem credito a exemplar administração da Serra da Piedade. Sem o seu empenho pessoal certamente aquele espaço extraordinariamente belo estaria em completa decadência. Merece aplausos!

Como chegar cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:
Embarcar em coletivo da linha 4810 no Terminal São Gabriel com destino à cidade de Caeté.
Desembarcar no trevo da Serra da Piedade, antes da cidade de Caeté.
Subir a serra à pé.
► A volta é pelo mesmo caminho da ida.
► Há também um ônibus executivo (linha 4800) que liga BH a Caeté, partindo do Terminal Rodoviário de BH, porém seus horários são mais escassos.
► Confira os horários de ônibus direto no site do DER

De carro:
Tomar a BR 381 até o trevo de Caeté, quando entrará à direita na rodovia de acesso à cidade.
No trevo da Serra, antes da cidade, entrar à direita e subir até o topo. Há estacionamento no topo.
► A volta é pelo mesmo caminho da ida.
► Paga-se taxa de estacionamento.

Considerações finais

► O acesso à Serra é todo asfaltado.

► O horário de visitação é das 07h00 às 18h00. Não é permitido acampar na serra; ou pernoitar dentro de veículos.

► Há um atalho pouco utilizado que corta caminho para quem esteja subindo a serra à pé. É a rota apresentada acima. Porém, somente a utilize em casos emergenciais. Dê preferência à estradinha. É longa mas permite belos visuais.

► Além de templos religiosos, há na serra toda a infra estrutura de recebimento de visitantes, como lanchonete e restaurante.

► É um lugar que venta bastante, por isso, leve blusa de frio.

► As sombras são poucas, como é comum no Espinhaço.

► Há no topo o Observatório Astronômico da UFMG.

► Esteja ciente que este lugar é marcado fortemente pela fé católica. Por isso, há regras especiais de visitação. Recomenda-se respeito!


Bons ventos!

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