quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Cânion das Bandeirinhas: o charme do ParnaCipó!

Cânion das Bandeirinhas, ParnaCipó
Atendendo ao chamado do Nice Trekking fiz um retorno ao Cânion das Bandeirinhas, localizado no Parque Nacional da Serra do Cipó; distante cerca de 12 km da sua Portaria Areias, que é a portaria principal do Parque. Trata-se de uma formação típica e até comum nessa região da Serra do Espinhaço, porém de uma beleza impressionante! Em seu interior repleto por pedras de variados formatos e tamanhos correm as águas cor de "coca-cola" do ribeirão homônimo, formando grandes poços propícios para umas braçadas. Apesar da distância ida e volta de cerca de 24 km, a beleza do lugar compensa a visita e o esforço. É daqueles recantos em que passaríamos horas e horas nos integrando à natureza: um charme puro!


Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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Ribeirão Mascates
Passava das 7h30 da manhã do dia 26 de outubro quando embarquei em uma van na Pampulha com destino ao ParnaCipó. Éramos um grupo com 15 pessoas, capitaneados pela Eunice, fundadora do Grupo Nice Trekking e organizadora da aventura. Outras três pessoas ocupavam um carro de passeio e assim fomos em comboio. Viagem rápida e descontraída, aproveitamos para nos interagir no trecho. Fizemos uma parada em Lagoa Santa para forrar o estômago e pouco antes das 10h00 adentramos ao ParnaCipó. Preenchemos nossas fichas de identificação; fizemos as devidas apresentações e logo iniciamos a caminhada às 10h15 da manhã. Ao contrário de Belo Horizonte, onde o tempo estava um pouco fechado, o sol já se fazia presente por aquelas bandas, fazendo-nos prever um dia maravilhosamente quente!

Início da caminhada: Travessão ao fundo
Lagoa Comprida
Tomamos a trilha que segue bem marcada sentido Sudeste, subindo o Vale dos Mascates. Esta trilha é praticamente uma estradinha, uma vez que é usada pelo Parque para circulação interna. Fomos ignorando as bifurcações agora sinalizadas e mantendo-nos na trilha principal. Logo no início da caminhada chama a atenção a vista ao longe e à leste do Travessão, outro cânion existente no ParnaCipó. Passamos pelas bifurcações para as trilhas cincunvizinhas à sede e da cachoeira Capão dos Palmitos. Uma hora de caminhada e fizemos o primeiro pit stop no Córrego das Pedras, que cruza a trilha-estradinha; é sombreado e possui até banquinhos para descanso. 

Cachoeira da Taioba - zoom
Cachoeira da Farofa
Pouco tempo depois retomamos a caminhada e aproximadamente 2 km adiante ignoramos a bifurcação à esquerda, que segue para a Cachoeira da Farofa/Taioba. A trilha-estradinha permanece praticamente plana e nessa altura foi possível avistar a Cachoeira da Farofa despencando no paredão à leste. Logo adiante era a vez da Cachoeira da Taioba em situação semelhante à Farofa. Ambas apresentavam pouco volume de água, já que as chuvas desse ano estão apenas se iniciando. Como o grupo deu uma dispersada, fizemos uma parada técnica para aglutinar a galera e aí prosseguimos. O sol castigava um pouco, pois sombras eram poucas no trajeto.

Passava das 12h00 quando cruzamos o Ribeirão Mascates, localizado à 10 km desde a portaria Areias. Trata-se do ribeirão coletor do Vale de mesmo nome. É raso e com o leito repleto por pequenas e acobreadas pedras, formando um colorido muito bonito. Adiante, já era possível ver o topo dos paredões do Cânion das Bandeirinhas.

Mascates
Fizemos breve parada e seguimos agora por sob grandes árvores, conhecidas por Monjolos ou Sucupira Branca, o que aliviou o calorão. Ignoramos a quase imperceptível bifurcação que sobe o morro para a região da Braúnas e seguimos pela trilha bem marcada, quando por volta de 12h30 colocamos os pés no Cânion das Bandeirinhas.

Foto de 2013: trecho após o cânion. Serra dos Confins
O cânion
O lugar é muito belo! Um mar de pedras pelo leito do córrego abaixo dos paredões. Bem na entrada do Cânion há um belo poço para curtição. Inúmeras são as outras pedras pelas bordas, muitas delas permitindo curtir uma espécie de "bar-molhado" natural. Momento de descontração total, uns foram nadar, outros comer, outros apenas curtir o ambiente. Devido a um problema no ouvido, eu praticamente não entrei na água, a não ser quando levei um belo escorregão em uma pedra lisa eheh. Alguns mais ousados adentraram cânion acima e segundo os mesmos foram até o quarto poção existente na formação.

Como tínhamos que voltar, nossa parada por lá foi curta, de pouco mais de 2 horas. Por isso adentrei ao cânion escalaminhando a borda direita do paredão (Atenção: evite fazer isto, prefira sempre ir nadando, pois o lugar requer esforço extra e em caso de queda pode-se machucar,) e indo até o segundo poço, pois precisava verificar se aqueles que tinham ido mais adiante estavam de volta. Aproveitei para encorajar a Sol a ir até lá também. Fizemos uma horinha por lá até quando vimos o pessoal voltando do interior do cânion. Retornamos para o primeiro poço e parte do pessoal já estava iniciando a volta, afinal tínhamos pela frente mais 12 km de pernada!

A bonita Serra da Bandeirinha quando da volta
Enquanto a Eunice foi na dianteira, eu permaneci na retaguarda e assim, nós retardatários deixamos o local por volta de 15h00. Deu até uma dorzinha no coração, pois a vontade de ficar um pouco mais por ali era imensa. Pé na trilha, cada um foi imprimindo o seu ritmo e em grupos, em torno de 17h30 colocamos os pés de volta na sede do ParnaCipó.

Após os trâmites finais, demos baixa em nossa saída na portaria e nos dirigimos à Vila da Serra do Cipó, aonde almojantamos, comemorando o sucesso do passeio. Alegria total! Aproximadamente às 19h00 deixamos a Vila e embarcamos de volta na van com destino à Belo Horizonte, aonde cheguei próximo das 21h00 em casa na Pampulha.

Agradeço aos novos e velhos amigos a oportunidade em caminhar e aprender um pouco mais com vocês. Foram momentos descontraídos, alegres e de perfeita sintonia!


Serviço

Vale dos Mascates, com serras da Bandeirinhas, Confins e Lagoa Dourada
O Cânion das Bandeirinhas é um dos principais atrativos do Parque Nacional da Serra do Cipó. Está localizado a 12 km da Portaria Areias, que é a principal do Parque. Aberto à visitação pública, a trilha de acesso é praticamente plana, bem demarcada e segue pelo Vale dos Mascates no seu sentido Sudeste.

Nos seus 6 km iniciais é a mesma trilha que leva à Cachoeira da Farofa. Na altura do km 4 cruza o Córrego das Pedras e no km 10 cruza o Ribeirão Mascates. 

Enquanto no primeiro passa-se sem molhar os pés, pulando pedras; no segundo nem sempre isto é possível. Ambos possuem baixa profundidade em condições normais. A ida e a volta normalmente são feitos pelo mesmo trajeto.

O cânion propriamente dito é formado por um corte entre a Serra dos Confins ao Sul; e a Serra das Bandeirinhas ao Norte. Possui aproximadamente 4 km de extensão, com paredões que alcançam algumas dezenas de metros de altura. Em seu interior corre o Ribeirão Bandeirinha, que abaixo do cânion se encontra com as águas do Ribeirão Confins e formam o Ribeirão Mascates (e não Mascotes, como denomina a Carta Topográfica de Baldim).

A presença do Ribeirão em seu interior proporciona a formação de inúmeros e belos poços. Isto obriga o explorador a nadar em vários deles caso queira percorrer o cânion por completo, pois seus paredões nem sempre permitem avanço por caminhada. Trata-se de um dos recantos mais belos de todo o Parque.


Como chegar ►cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:
Embarcar em Belo Horizonte em ônibus da Viação Saritur (que segue para Santana do Riacho) ou da Viação Serro (que segue para Conceição do Mato Dentro) e descer na altura do Hotel Veraneio, próximo à ponte estreita na entrada do distrito da Serra do Cipó (antigo Cardeal Mota).
Nesse ponto, entrar à direita em uma estradinha de terra entre o Hotel e a ponte. Caminhar por cerca de 3 km até a portaria Areias do ParnaCipó.

► A volta é através do mesmo trajeto e pelas mesmas empresas de ônibus. 
► Lembre-se que descerá em rodovia, e não em rodoviária, portanto, confira condições, horários, valores e trajetos nos sites das empresas de ônibus acima. 

De carro:
Tomar a Rodovia MG 10 sentido aeroporto Internacional de Confins. Entrar à direita no trevo de Lagoa Santa passando por esta e prosseguir até a Vila da Serra do Cipó; entrando à direita ao lado do Hotel Veraneio; prosseguindo pela estrada de chão até a portaria Areias do ParnaCipó.

► A volta é pelo mesmo trajeto. 
► Fique tranquilo: você poderá estacionar o seu veículo na Sede do Parque.


Distâncias aproximadas

Belo Horizonte - Vila Serra do Cipó: 100 km
MG 10 - Portaria Areias: 3 km
Portaria Areias - Cânion: 12 km (ida e volta: 24 km)


Considerações finais

► O horário de funcionamento do Parque é diário, das 8h00 às 18h00. 

► Atualmente (outubro de 2013) a entrada no Parque é gratuita (continua gratuita - fev 2016). 

► É proibido acampar ou pernoitar no interior de todo o ParnaCipó, salvo sob autorizações especiais. Nem tente fazer isto, mesmo sob forte tentação. Eles possuem rígido sistema de controle dos visitantes na portaria. 

► É possível acessar o Cânion através de bicicleta, pois a trilha é regular. Caso o visitante queira poderá alugar alguma que fica na Portaria do Parque (serviço de terceiros). 

► Se for ao cânion à pé e devido à distância de ida e volta, é fundamental que saia cedo da portaria, senão terá que ficar pouco tempo por lá. 

► Caso o visitante seja bom de perna; ou vá de bicicleta, compensa uma esticada à Cachoeira da Farofa, cujo acesso se dá aproximadamente no km 6 da trilha-estradinha. Da bifurcação à Farofa são aproximadamente 2 km (ida e volta são 4 km). 

► Se estiver chovendo mais forte nem tente ir ao cânion, pois tanto o Córrego das Pedras (km 4) quanto o Ribeirão Mascates (km 10) transbordam e impossibilitam transposições. Além disso, o Ribeirão Bandeirinha que corre pelo interior do cânion também transborda.

► Há poucas sombras pelo trajeto. Proteja-se!

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Bons ventos a todos!

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