sábado, 31 de dezembro de 2016

Trilha do Ouro na Serra da Bocaina

Cachoeira do Veado: Maior destaque da Trilha do Ouro
O Parque Nacional da Serra da Bocaina está localizado na Serra do Mar, na divisa dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em suas terras predominam a Mata Atlântica, porém suas paisagens são diversificadas; incluindo campos de altitude e restingas litorâneas. Por lá estão atrativos como a Pedra do Frade e os Picos do Gavião e Tira Chapéu na Serra da Bocaina; e a famosa praia do Caixa d'Aço, na região de Trindade, litoral de Parati. Para o caminhante, o principal atrativo é o Caminho de Mambucaba; ou Trilha do Ouro, como é popularmente conhecido. Segundo historiadores esta foi uma rota alternativa à tradicional Rota do Ouro, hoje chamada Estrada Real. Após o período do ouro, o caminho continuou sendo utilizado por tropeiros, que levavam café do Vale do Paraíba para o Porto de Parati. Esse perfil histórico fez com que essa rota se tornasse um clássico do Montanhismo Brasileiro; um feito indispensável a todo caminhante! Estivemos por lá curtindo a chuvarada do feriado da República 2016...


Havia alguns bons anos que não visitava a Serra da Bocaina. Como parte do Projeto Trilhando 2016, me juntei ao grupo de BH e partimos por volta de 21h40 do dia 11 de novembro rumo à região. As previsões do tempo para o período apontavam chuvas; fato que foi se comprovando ao longo da viagem da ida, em especial quando passávamos pelo Sul de Minas. Quando o dia amanheceu já estávamos no Vale do Paraíba paulista, região de Queluz. Depois seguimos para a cidade de Areias. Beirava às 7h30 quando fizemos uma parada em uma Padaria local; ao lado da Matriz. Tempo para tomar um café e esticar as pernas; pois a viagem até então fora bastante cansativa, afinal quase 600 km separam BH da Serra da Bocaina. Em um bom trecho durante a viagem me ajeitei e dormi no assoalho da van, única posição confortável que encontrei.

Bonita Igreja Matriz de Areias - SP
Em Areias fazia uma bonita manhã, com tempo aberto e temperatura agradável. Devido às previsões do tempo, eu desejava que a essa hora já estivéssemos subindo ao Parque. Mas ainda faltava um chão.

Reembarcamos e seguimos para São José do Barreiro, onde passamos non stop; seguindo direto para a Portaria do Parque. Após São José, a estrada é sempre na ascendente, com curvas fechadas, longos trechos encascalhados e curtos trechos asfaltados. De um modo geral em bom estado, e com obras em alguns pontos. O tempo aberto permitiu observar novamente a beleza da região, inclusive os ângulos da vizinha Mantiqueira, algo muito bonito de se ver quando sobe a Serra da Bocaina. Por volta de 8h20 chegamos à "Portada" do Parque Nacional da Serra da Bocaina.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Caso não sinta seguro o suficiente para realizá-la,
é altamente recomendável contratar um guia ou um companheiro de viagem.
Recomendável que leia este relato para melhor compreender esta rota.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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Guarita-Portaria do ParnaBocaina na Serra
1 Depois de visitar a pequena queda à direita e abaixo da estrada de acesso junto à "Portada", ajeitamos as tralhas e às 8h45 iniciamos nossa caminhada. Passamos pelo Muro da Placa do Parque e seguimos pela estradinha que leva até a Portaria-Guarita do Parque Nacional; onde chegamos em 5 minutos.

O solo estava marcado pela forte chuva que assolou a região durante a noite anterior; e de claro quando estávamos em Areias, o tempo àquela altura mudara para nublado. Fizemos os trâmites burocráticos e tentamos nos abastecer de água; mas impossível: estava muito suja. Também tentei arrancar uma importante informação do Guarda sobre a Ponte do Mambucaba próximo à Cachoeira do Veado; mas foi em vão...

Assim, passava das 9h00 quando adentramos pelos Caminhos de Mambucaba; uma trilha-estradinha em grande parte da rota. Logo adiante da Guarita conseguimos coletar água limpa em um rego d'água que cruza a estradinha. Seguimos pelo trecho praticamente plano no sentido sul e rodeados pela vegetação de Mata Atlântica; bem próximos ao Rio Mambucaba.  Uma camionete carregada de mercadorias passou por nós; algo bastante estranho pra se ver em uma Travessia. Até então, o Mambucaba não passa de um riachinho, que é cruzado logo à frente por uma estreita ponte de madeira. Passamos a caminhar pela sua margem direita. Essa pequena ponte é um desvio da estradinha para caminhantes; pois automóveis passam pelo leito logo abaixo.

Cachoeira de Santo Isidro
Reencontramos a estradinha logo à frente e seguimos em suave declive entre mata. Às 9h35 chegamos à bifurcação da Cachoeira de Santo Isidro; à nossa esquerda. Deixamos as cargueiras às margens da trilha pouco abaixo da bifurcação e seguimos leve para a Cachoeira.

O acesso é limpo e pouco adiante se aproxima do riacho, que não tarda a despencar pelas rochas. Chegamos então à parte superior da Santo Isidro; onde há alguns guarda corpos de madeira demarcando acessos com segurança. A Santo Isidro é uma Cachoeira muito bonita que nada fica a dever às Cachoeiras do Espinhaço. Bela queda, belo poço e belos arredores. Após alguns cliques descemos os metros íngremes e chegamos à sua parte inferior; que é rodeada pela mata. A beleza da queda se abriu por completo diante de nós. O poço estava mais cheio que o normal, fruto da chuvarada do dia anterior; fato que também deixou as águas turvas. Assim, ninguém se animou a adentrá-lo!

Por volta de 9h50 começamos a retornar da Santo Isidro. Durante a subida encontramos com um grupo de caminhantes que chegavam ao lugar. Junto às cargueiras, beliscamos algo e pé na trilha. Um calorão abafado já se fazia presente; um indício de que a chuva estava nos rodeando. Na rota principal, a trilha segue entre mata, com variação mínima. Às 10h20 chegamos a um atalho à esquerda; onde uma trilha desce pelo morrote. Há sinalização no lugar e vale a pena utilizá-lo; poupando de caminhar alguns quilômetros na estradinha. Vencemos o trecho sem problemas, apesar da trilha estar bem lisa em alguns pontos.

Cobrinha preguiçosa
Em 15 minutos interceptamos novamente a estradinha, que em suave declive nos levou até um riachinho, que foi cruzado sem dificuldades; porém com cautela para não molhar os pés. Sem variações, a não ser na direção, que agora tomou à sudeste, a trilha-estradinha segue serpenteando a mata.

Cruzamos outro ponto de água, onde metros antes uma serpente descansava preguiçosamente numa folha qualquer. Continuando o serpenteio, margeamos um morro de capoeira e a rota segue sem alterações; até que chegamos às 11h30 na bifurcação que leva à Cachoeira das Posses.

Deixamos as cargueiras aos cuidados da Camila e seguimos na trilha plana e rodeada de eucaliptos; pois antigamente essa região era uma fazenda de extração de madeira. As ruínas da fazenda estão, primeiro à direita da trilha de acesso; um casebre em que até se pode abrigar, apesar da sujeira e umidade. Mais adiante um pequeno gramado propício para armada de barracas. Adiante dele e discretamente entre a vegetação uma outra ruína, com cômodos, inclusive uma cozinha com fogão a lenha; porém com paredes caídas. Também é possível se abrigar no espaço. Da área gramada mais à direita segue a trilha para a Cachoeira, que margeia o rio e abruptamente desce à parte inferior das Posses.

Cachoeira das Posses
A Cachoeira das Posses é também uma queda de respeito; dupla aliás; com bom poço para banho e bom volume de água. Os borrifos da queda nos ajudaram a refrescar o calorão da chegada. Porém, devido às águas turvas e ninguém ousar adentrá-las demos por satisfeitos com a pequena estadia.

Retornamos aos poucos à trilha principal junto à bifurcação. Pequeno descanso e belisco de uns mata-fome. Começamos a ouvir vozes e chegaram ao lugar alguns rapazes, que indicaram que por ali permaneceriam naquela tarde. Também encontramos com aquela camionete que havia nos ultrapassado lá no início da pernada!

Interior do Parque
Nós outros botamos as tralhas nas costas e às 12h20 seguimos mata adentro pela larga e úmida trilha-estradinha. Demos uma guinada oeste e passamos pelo Ribeirão da Prata, onde há uma ponte de madeira. Após, em guinada para o leste a rota inicia um aclive e adiante a costumeira mata dá uma raleada, o que permitiu ver um pouco mais dos arredores. Retomando o sentido sul, ignoramos uma discreta trilha-saída à esquerda e o visual se ampliou ainda mais. Apesar do tempo nublado, contemplar o interiorzão do Parque foi um privilégio. Trecho muito bonito!

Adentramos novamente em mata, cruzamos um novo ponto de água e começamos a percorrer um aclive. Estávamos em um bom andamento, com liberdade, onde cada um imprimia o seu ritmo. O calorão apertou e veio junto a intensa umidade; fatos que nos levou a uma parada para descanso às 13h15. Aquela nova onda de calor não era um bom presságio, pois agora era certeza: logo cairia água! Às 13h25 retomamos a caminhada. Logo à frente tomamos à esquerda em uma curva; pois reto-direita segue para a Pousada Vale dos Veados. Há sinalização no local.

Seguimos entre mata numa guinada ao leste; para logo adiante novamente tomarmos o sentido sul. Rodeado por uma mata mais rala, cruzamos uma porteira e a chuva chegou. Colocadas as capas, seguimos cada um no seu ritmo e em aclive suave. De mata os arredores migraram para uma capoeira. A chuva apertou um pouco e foi suficiente para pequenas enxurradas; tornando a trilha-estradinha mais barrenta e lisa. Às 14h00 vencemos esse trecho de suave aclive, com altitude em torno de 1440m. Logo à frente fiz uma paradinha para aglutinação com nossos amigos que seguiam um pouco mais atrás.

Capelinha
Começamos então a longa descida rumo à Pousada Barreirinha. A rota segue sem variação. Por volta de 14h25 passamos pela discreta saída à direita que é um atalho para a Pousada Vale dos Veados. Em serpenteio, tendo à nossa direita campos sujos; e à nossa esquerda mata, tomamos o sentido sudeste, seguindo em declive.

Passamos por uma pequena fonte de água com uma biquinha e logo à frente chegamos à Capelinha de Santa Cruz às 14h45. Trata-se de uma rústica construção similares àquelas típicas do Sul de Minas; com algumas imagens desgastadas. Normalmente tem origem na morte de alguém, que fora encontrado nessa situação em dado ponto. Porém, não perguntei a ninguém se esta é a origem dessa Capelinha.

Estar na Capelinha é sinônimo de fim próximo de jornada. A chuva deu uma trégua; mas o calorão não foi embora. Ainda no sentido sudeste, e sem variações expressivas seguimos a pernada, quando chegamos ao atalho sinalizado que leva a Pousada Barreirinha. Poderíamos seguir pela estradinha em declive, mas é claro que preferimos o atalho. Juntamente com o Marcus descemos pelo pasto, tendo à nossa frente a Pousada. Mais alguns passos, interceptamos a estradinha, passamos por um curral com algumas vacas e chegamos à Pousada Barreirinha pouco depois das 15h00.

Exterior da Barreirinha
A Pousada Barreirinha é um lugar simples. Oferece hospedaria e refeições mediante reserva. Há também uma área gramada em declive nos arredores da casa para armada de barracas. Há energia elétrica; um luxo àquela altura. O Tião, proprietário do lugar possui veículos 4x4 que podem ser contratados para resgates e afins.

Por lá já estavam alguns dos nossos amigos, inclusive já montando as barracas. Foi eu chegar e a chuva novamente apertar. Fiquei juntamente com alguns amigos num casebre aos fundos do gramado aguardando a chuva dar uma trégua; quando aproveitamos o espaço para esticar algumas tralhas molhadas. Como a chuvinha não passou, tratei de armar a barraca assim mesmo; pois queria descansar um pouco!

O restante da tarde foi dedicado ao ócio. Nem cogitei convidar os amigos pra subir o Pico o Gavião, pois com aquele clima não compensaria. Alguns amigos foram logo preparar algo pra comer na varanda da Pousada. Momentos de muita prosa e diversão, quando rimos bastante com as proezas de um netinho do Tião. Infelizmente na Pousada não foi possível se alimentar; o que era compreensível, pois não havíamos feito reservas e sabemos que em locais remotos, as disponibilidades são mais escassas. Mas pelo menos à nós salvaram algumas cervejas eheheh...

Também havia o fato de que a Pousada aguardava a chegada de outros aventureiros que haviam feito reserva do "pouso e janta". Aliás, começaram a chegar bem depois de nós. E chegaram animados; apesar daquela chuvinha insistente. Foi quando reconheci que eram aqueles que havíamos encontrado lá na Cachoeira de Santo Isidro.

Tempo depois voltei à barraca, fiz e tomei um café quente-forte e em minutos dormi feito anjo. Só acordei bem mais tarde, já no escuro, quando fui fazer minha janta. Ainda peguei alguns amigos em fim de feira na varanda da Pousada; que naquela noite abrigava um bom número de aventureiros. Encontrei também com o Chicão Romeiro que estava conduzindo um grupo de caminhantes na mesma ocasião. Depois de uma prosa fui dormir beirando às 22 horas. A chuva continuava. Não era forte, mas constante, o que nos indicava que o restante da travessia seria na lama...


Casinha nas proximidades da rota
2 O segundo dia da nossa Travessia amanheceu como terminou o anterior: chuvoso! Porém não fazia frio! Isto atrasou nossa partida, apesar que aquele seria um dia com curta distância. Nessa manhã acabei conhecendo um rapaz com quem havia trocado mensagens dias antes da nossa Travessia. Fiquei feliz em vê-lo animado por lá. Coisas desse pequeno-grande mundo virtual!

Deixamos a Barreirinha por volta de 9h30 da manhã; um pouco depois de um grupo de estrangeiros; e antes do outro grupo de caminhantes conduzido pelo Romeiro. Aliás, devido a chuvarada alguns desses aventureiros desistiram de continuar a pernada, retornando no carro do Tião para SJ do Barreiro. Nós outros seguimos pela trilha-estradinha no rumo sul. Passamos defronte uma antiga construção da Pousada e logo à frente por um curso d'água.

Saída 1: Esquerda para Arapeí - Casa do Sr. Orlando.
A rota da Travessia é a estrada de cima
A estradinha já apresentava as consequências das chuvas; estava lisa e com barreiras em alguns pontos; de modo que aqueles sem bastão de caminhada já procuravam algum pedaço de pau para se amparar. Em declive, fomos margeando a mata à nossa esquerda; e campos sujos à nossa direita.

Cruzamos uma porteira próxima a umas moitas de taquara, quando ajeitamos alguns "bastões". Logo mais à frente, às 9h50 aproximamos de uma saída à nossa esquerda. Permanecemos à direita, pois à esquerda segue para outra vertente do Parque e cidades de Arapeí e Bananal. Há outras duas saídas logo à frente também à esquerda: a primeira conduz para o mesmo destino que a anterior; e a totalmente à esquerda segue para as margens do Mambucaba.

Pousada Camping Dona Palmira - Casa Pintada
Passamos a percorrer um trecho de pasto e a trilha-estradinha havia se transformado em um atoleiro. A argila fazia nossas botas se parecerem a legítimos e pesados tamancos. Por volta de 10h00 avistamos à frente uma casa à esquerda da trilha (foto acima, ao início do dia 3). Fomos aproximando pelo pasto às margens da trilha; evitando assim caminhar pelo atoleiro na estradinha.

Após passar pela casa à esquerda da trilha-estradinha (há também um rego d'água no lugar); seguimos no mesmo modo e ritmo, com os arredores formados por pastagens. Aliás, esse trecho entre a Barreirinha e até essa região dessas casas há várias pastagens nos arredores. Cruzamos outra porteira e em suave declive fomos nos aproximando da Pousada da Dona Palmira (foto acima); que é uma alternativa à Pousada Barreirinha; sendo menos utilizada que a anterior devido a distância desde a Portaria. Por lá alguns espiavam o tempo, tendo muitas motocicletas de trilha estacionadas no terreiro ao lado da casa!

O lago para gado
Após a Pousada da Dona Palmira percorremos um aclive suave, cruzamos uma porteira e viramos um morrote. Ao iniciar a descida surgem os primeiros trechos de calçamentos irregulares. São pontos isolados, mas suficientemente bem conservados; e na ocasião também lisos devido as chuvas.

Os arredores continuam predominando as pastagens; permitindo um pouco mais de visual aberto. Margeamos um pequeno lago para gado às 10h30 e fizemos uma paradinha para beliscar algum alimento e aglutinar o grupo. Como a chuva não dava trégua era impossível permanecer parado. Retornamos a caminhar pelo plano, para logo a seguir percorrer um declive mais acentuado. Trecho bastante liso. Despontamos em uma curva e logo à frente observamos outro sítio.

Entrada do Sítio
Caminhando pelo calçamento vencemos a curta descida e passamos em frente ao sítio avistado, que exalava um convidativo cheirinho de almoço da roça! Havia também alguns bonitos cavalos na estrada; em frente a porteira de entrada. Emendamos curto aclive que vencido nos fez adentrar na mata, agora em declive; tomando direção sudoeste. Calçamento liso, chuva fina insistente, porém nada de desânimo!!!

Casinha fechada
Após a descida cruzamos um curso d'água e a rota se aplainou. Passamos por uma casa fechada à nossa direita com trechos de pastos logo acima. Suave aclive e logo voltamos a descer, quando ignoramos discreta saída à esquerda e nos mantivemos na rota, que alternava lama e trechos com calçamento. Novamente entre mata e sempre em declive encontramos com um grupo de aventureiros que faziam a rota inversa. Alguns deles estavam totalmente molhados e outros enlameados!

Pinguela de troncos
Por volta de 11h45 cruzamos uma porteira no meio da mata e o panorama seguia sem alterações. Pouco depois saímos em um descampado, cruzamos um curso d'água e fizemos rápida parada, pois a fome batia forte. Não se via grandes coisas adiante devido a neblina, mas é sabido que o trecho é muito bonito, com viçosa mata nos arredores. A trilha se nivelou e cruzamos novo ponto de água; para logo à frente chegarmos às 12h30 à porteira de acesso à casa do Sr. Salvador, que fica a uns 150 metros à esquerda da rota. Como havia uma plaquinha informando, alguns queriam ir até lá comprar cerveja; mas acabaram desistindo...

Fazenda Central
Retomamos a caminhada pela trilha enlameada; agora no sentido sul. A essa altura nem precisa dizer que pouca coisa em nós continuava seca, mesmo com as capas e anoraques. A chuva fina não dava trégua um minuto sequer! Escorregões até que não foram muitos, pois caminhávamos com cautela. Aproximamos então de um córrego, que cruzamos pela pinguela de troncos finos. Saímos num descampado plano, em frente à Fazenda Central. Como na Capelinha, isto é sinal de que a região da Cachoeira do Veado não está tão longe. A Fazenda parece estar fechada; mas não fomos até a casa localizada a uns 100 metros à direita da trilha conferir.

Gaiola e Rio Mambucaba. A Pousada do Tião fica do outro lado
Continuamos a pernada e logo à frente cruzamos novo córrego, que estava com muito mais água que o normal. Curto aclive e começamos a descer novamente. Alguns descampados nos arredores e a trilha era lama pura; com erosões e trechos muito lisos. A descida foi lenta! Novamente na mata, cruzamos um ponto de água limpa quando abastecemos, pois eu não garantia que a próxima fonte estaria limpa. Não teria sido necessário, pois ao chegar na outra fonte a água também estava limpinha. Após o curso d'água, bastaram poucos passos para chegarmos às 13h30 defronte à antiga gaiola no Rio Mambucaba, defronte à Pousada do Tião Mambucaba.

Região da Casa Queimada. Pernoitamos nesse gramado
Alguns cliques da antiga gaiola e do rio Mambucaba, que estava bem cheio e nervoso devido a chuvarada. Continuamos pela trilha na margem direita do rio; região plana, com pasto baixo, propícia para acampamento. Seguimos então para a antiga Casa Queimada; aonde chegamos em cinco minutos. Há no lugar ruínas de antiga residência, ora usada pelo gado que circula nos arredores. É um lugar mais elevado e totalmente seguro em relação ao rio. Não pensei duas vezes: era ali que passaríamos a noite, pois havia uma velha cobertura ainda de pé e uma casinha cercada de bambu no antigo terreiro. E com aquela chuvarada não haveria lugar melhor. Além do que seria o ponto ideal de partida no dia seguinte, em frente à nova ponte pênsil do Rio Mambucaba. ´

Após orientar o grupo de estrangeiros que saíram na nossa frente lá da Barreirinha e estavam na margem esquerda do Mambucaba, após a ponte à procura da Pousada do Tião; corremos para debaixo da cobertura da velha casinha, apesar da quantidade de esterco de gado por ali. Tiramos as cargueiras e começamos a ajeitar as tralhas. Armamos as barracas no gramado nos arredores e ainda utilizamos o interior da velha casa para deixar as tralhas encharcadas. Uma prateleira, velha pia, fogão à lenha e alguns objetos haviam por lá. Na ocasião, um verdadeiro 5 estrelas; lugar melhor não precisava! Alguns amigos ainda foram lá no Camping do Tião atrás de notícias e possível o que comer e beber; mas tudo que por lá havia estava reservado... Enfim, normal!!!

Pinguela no Ribeirão do Veado
Por volta de 15h00 partimos de modo leve e debaixo de chuva fina para a Cachoeira do Veado. Percorremos a trilha que segue pela margem direita do rio. Passado o pasto, adentramos na rota batida entre mata. Adiante chegamos à bifurcação: reto pela margem do rio segue para o Rio Garipu e Campos Novos. Nosso objetivo era à direita. Cruzamos a pinguela sobre o nervoso Ribeirão do Veado e do outro lado, à nossa esquerda reparamos uma barraca instalada. Suspeito que eram dois aventureiros que passaram por nós lá na Casa Queimada enquanto ajeitávamos nossas tralhas. Essa pequena área é muito utilizada para acampamento; cabem algumas poucas barracas; mas acho um lugar pouco seguro em dias de chuvarada; por ser muito próximo ao Ribeirão do Veado. Em dias secos e quentes é bastante atraente...

A então agitada e monumental Cachoeira do Veado
Seguimos a trilha para a Cachoeira e já era possível escutar o estrondoso ruído da queda. Escorrega daqui, segura dali e bingo: chegamos às 15h20 às margens do poção da gigantesca Cachoeira do Veado. É uma queda respeitável; dividida em três grandes lances; que naquele dia bufavam água e emitia um ruído dos grandes. Os arredores rodeados por densa Mata Atlântica. Mal era possível ficar alguns segundos na rocha defronte à queda devido ao vento e respingos. Mas tudo era tão belo que qualquer palavra seria insuficiente pra descrever o estar ali, de cara com algo tão significativo!

Como não é possível acessar outras partes da Cachoeira, em especial nas condições de tempo em que estávamos, fizemos alguns cliques e começamos a deixar o lugar às 15h40. Para quem já passou por ali em dias secos era notório o quão cheio estava o Ribeirão do Veado! Encontramos com o grupo de aventureiros que  também pernoitou lá na Barreirinha conosco. Assim como nós, alguns estavam enlameados; mas todos com as caras muito boas e pareciam também estar curtindo a pernada!!! Fazendo o mesmo caminho da ida, às 16h00 já estávamos de volta ao nosso acampamento!

Ainda fui na matinha acima do casebre verificar a fonte de água, que estava limpa. O restante daquela tarde foi dedicado aos afazeres de acampamento, tudo regado a muita prosa e diversão! Pouco depois das 20h30 já estava na barraca dormindo o sono dos justos... Lá fora, chuva, pra variar...


A nova e boa ponte sobre o Rio Mambucaba
3 O terceiro e último dia da Travessia não amanheceu diferente: chuva fina e neblina pelos arredores. Acordamos pouco depois das 6h00 e nos pusemos de pé; após gritos do Oliveira! Combinamos de sairmos bem cedo, pois com aquela chuvarada algumas variáveis deveriam ser consideradas; inclusive a possibilidade do nosso resgate não chegar no ponto combinado; e com isso ter que caminhar além do planejado! Aproveitamos uma trégua na chuva e rapidamente desarmamos o acampamento; criando coragem para mais um dia molhado. Tomamos café, ajeitamos as tralhas e às veja; somente deixamos o lugar às 8h00 da manhã eheheh...

Debaixo da chuva fina cruzamos a nova ponte pênsil do Rio Mambucaba e na margem esquerda do Rio tomamos a trilha da direita; pois a trilha à nossa esquerda margem acima segue para o Camping Pousada do Tião. Adiante passamos por um cano d'água para gado e adentramos na mata, cruzando um curso d'água. A trilha dava mostra do que enfrentaríamos naquele dia: muita água e lama; tudo feito sabão! Impossível não se enlamear naquelas condições; então o segredo era manter o bom humor e tocar adiante...

Cachoeira do Veado vista desde a trilha da subida do morro
Inicialmente a trilha vai acompanhando o leito do Mambucaba. Depois começamos a nos distanciar e saímos nos curtos "descampados" onde foi possível contemplar a beleza da Cachoeira do Veado lá do outro lado do Mambucaba. Na sequência tomamos trilha morro acima; aliás, a maior e única subida que teríamos naquele dia. Por volta de 9h00 chegamos à virada do morro, aonde há uma porteira em meio à mata. Dali pra frente somente descida...

É nessa hora que o belo e antigo calçamento mostra sua face verdadeira. Realmente é um desafio caminhar naquelas condições. Normalmente a Bocaina já é uma rota mais úmida, mas com chuva e lama tudo ficava mais complicado. Fomos descendo em grupos e escolhendo os melhores lugares a pisar. Uns 15 minutos desde a porteira da virada fiz uma parada à espera dos amigos que estavam mais atrás. Uma parte seguiu caminho. Nesse ponto há uma bifurcação à esquerda, que é apenas um desvio de mula.

Riachinho
Aglutinados fomos descendo ladeira abaixo, escutando o forte "som" do Mambucaba à nossa direita. O rio desce nervoso por ali; porém devido à mata vê-lo não é possível. Às 9h30 a trilha nos levou a aproximação com o Rio. Há uma saída à direita que leva até o leito, onde há uma cachoeirinha e poços para banho. Mas não fomos até lá. Mais alguns metros e chegamos a um riacho mais volumoso. Não teve jeito: tivemos que passar no leito com água bem acima dos joelhos. Em dias secos, e dependendo do período, é possível cruzá-lo até sem molhar os pés... Alguns aproveitaram para tomar um banho, já que estavam molhados mesmo...

Passagem elevada
Pouco antes das 10h00 retomamos a caminhada. Quase tudo sem variação; exceto um suave e curto aclive; que não tarda a descer. De resto, mata nos arredores, calçamento liso; lama nos trechos erodidos; ou então verdadeiros riachos pela trilha; em especial nos afunilamentos. Por volta de 10h40 cruzamos outro ponto de água e mais à frente, outro mais volumoso; no lugar em que o calçamento se assemelha a uma passagem elevada, com as águas correndo pelas rochas formando uma pequena queda. 

Na continuação encontramos com o Tião da Pousada Bandeirinha, que havia levado veículo de cliente da Pousada para o final da Travessia e já subia de volta à sua casa. Continuamos a descida e mais à frente, próximo das 11h00 fizemos uma longa parada para aglutinação, pois havíamos distanciado do restante dos amigos. Aproveitamos também para comer alguma coisinha. Depois combinei com os amigos que deveriam seguir a pernada enquanto eu permanecia à espera de alguns outros amigos que estavam mais atrás. Assim foi feito!

Logo escutei conversas, mas não eram os meus amigos; e sim o grupo de estrangeiros que também caminhavam para o final da Travessia. Perguntei pelos amigos e fui informado que estavam um pouco mais atrás. Como os amigos demoraram a chegar, até subi um trecho de encontro a eles. Somente às 11h35 retomamos a caminhada despencando trilha abaixo. Às 12h00 cruzamos novo riacho e fiz nova paradinha para aglutinação. Retomada a caminhada dez minutos depois; pouco abaixo alcançamos os estrangeiros, nos permanecendo relativamente próximos.

Mambucaba lá embaixo
Após o riacho o declive tornou-se menos acentuado, porém o calçamento cada vez mais irregular e danificado favorecia a presença de lama. O rendimento da caminhada caiu bastante; apesar da chuva ter diminuído; restando apenas chuviscos. Passamos por um roçado com bananeiras e às 12h50 saímos em um ponto aberto à nossa direita; quando foi possível observar o volumoso Mambucaba lá embaixo no fundo do vale; nos separando de algumas casas no morro oposto. Era o prenúncio de que a Travessia caminhava para o seu final. 

Desse ponto em diante imprimimos um ritmo maior, sempre nos cuidando para evitar escorregões. O calçamento praticamente desaparece; restando alguma ou outra rocha aleatória. Às 13h10 alcançamos os amigos da dianteira, que estavam parados na ponte do Rio Santo Antonio à nossa espera. Cheguei e não gostei do que vi: rio volumoso e com correnteza; e ponte pensil torta, com piso liso e sem pega-mãos de um lado; algo absolutamente arriscado. Curioso é que me disseram que haviam construído nova ponte no Santo Antonio...

Ponte sobre o nervoso Rio Santo Antonio
Procura dali e daqui essa nova passagem e nada. Fui até o porto logo abaixo da ponte; mas ali era impossível passar. Só restava a ponte. Diante do espanto de todos, o Robson cruzou a ponte. É certo, me disseram que levou um escorregão fenomenal, mas venceu! Pedimos que ele procurasse na outra margem essa eventual nova passagem... Mas em vão: Não havia isto por ali! Diante disso iniciamos a passagem um a um, praticamente engatinhando sobre a ponte lisa! Robson na margem esquerda e Fábio na direita foram coordenando a passagem da galera... Pouco depois tudo foi confirmado quando um morador local chegou até a ponte: a passagem teria que ser mesmo por ali...

Vista da ponte desde a margem esquerda do Santo Antonio
Gentilmente o morador cruzou a ponte em pé (e não engatinhando) e nos levou novamente ao porto; mas como já havíamos constatado, impossível cruzar o rio por ali. Então voltamos à ponte e o morador gentilmente se prontificou a atravessar as cargueiras de quem cruzava a ponte sem as mochilas; inclusive dos estrangeiros que estavam no mesmo "barco"; e mais três aventureiros que também chegaram ao "congestionamento". Fez o ir e vir umas seis vezes! De mais, a coisa evoluiu bem e todos passamos com louvor; um a um. Realmente foi um processo demorado e cuidadoso, pois naquelas condições eventual queda no rio melhor ir procurar lá no mar de Angra dos Reis... De toda forma, "essa brincadeira" toda nos consumiu preciosos 1h30 minutos. Mas não sem razão, pois ao todo acumulamos ali na ponte do Santo Antonio 27 pessoas...

Ponte de Arame à direita da rota: Final Oficial da Travessia
Cruzado o Rio Santo Antonio às 14h50, agradecemos e recompensamos o morador que gentilmente nos ajudou e tocamos adiante. A rota praticamente se aplainou e estávamos próximos do final oficial da Travessia.

Encontramos com outro morador local e aproximamos às 15h10 das primeiras casas do Sertão de Mambucaba. Dali foram poucos passos pela larga trilha-estradinha quando às 15h20 chegamos à Ponte de Arame, marcando o final da Travessia do Caminho de Mambucaba. A Ponte de Arame não é cruzada por quem faz a Travessia; pois fica à direita da rota, sendo acesso à casas localizadas na margem direita do Rio.

Ali na Ponte de Arame alguns veículos aguardavam aventureiros. Nosso resgate não estava ali; e havia marcado com ele nesse ponto! Sem delongas continuamos a pernada pela agora estrada do Sertão de Mambucaba; que segue pela margem esquerda do Rio. As casas vão se avolumando; os quilômetros percorridos também e nada do nosso resgate! Por volta de 16h00 passamos pelo que marquei como sendo a segunda opção de resgate no caso da van não conseguir chegar até a Ponte de Arame. Nosso resgate também não estava por ali...

O bonito calçamento presente em trechos da Travessia
A essa altura já passei a pensar que caminharíamos até o Bairro do Perequê; ou pelo menos próximo; pois a estradinha do Sertão de Mambucaba é cortada por alguns riachos sem ponte. Como havia chovido muito, talvez em algum desses pontos a passagem pudesse estar interrompida. Naquele momento a chuva havia dado uma trégua, mas o cansaço já começava a bater. Havia sido uma descida dura, que forçou nossas pernas ao máximo. Mas tocamos adiante; outra opção não tínhamos... Mais dez minutos de caminhada e demos graças a Deus por avistar nosso resgate se aproximando...

Uma mostra de trilha enlameada que enfrentamos
Por sorte nosso encontro foi próximo a uma ponte sobre um riachinho, o que favoreceu a higiene da galera. Às 16h50 embarcamos e tocamos para a BR 101, aonde chegamos às 16h30 depois de cruzar o Bairro do Perequê, em Angra dos Reis. Dali seguimos non stop para o trevo de Parati; e depois subimos a Serra de Cunha pela estrada Cunha-Parati. Apesar dos protestos de alguns nós em querer parar e comer alguma coisinha; nosso resgate somente concordou em fazer rápida parada depois de subir a serra, já se aproximando da cidade de Cunha, em SP. Particularmente achei que merecíamos uma parada lá embaixo no litoral; mesmo que de forma rápida; mas enfim, tive que baixar a bola eheheh...

Pelas caras todos pareciam estar gostando muito...
Novamente na estrada, fizemos uma parada em Guaratinguetá para jantar. Após, novamente estrada até Perdões, em MG, com nova parada. Reembarcados, chegamos em BH na madrugada de domingo. Eu estava bastante cansado, mas feliz por ter retornado ao Bocaina rodeado de gente parceira e animada; porque com aquela chuvarada e trilhas enlameadas não fácil. Porém, todos saímos com louvor e cumprimos o planejado! Obrigado aos velhos e novos amigos pela companhia e paciência!

→ Confira mais imagens dessa Travessia sob a ótica de Alexandre Gans. Clique AQUI


Serviço

Criado em 1971, o Parque Nacional da Serra da Bocaina está localizado na divisa dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, Brasil. Abrange áreas dos municípios de São José do Barreiro, Areias, Cunha e Ubatuba no Estado de São Paulo; e Parati e Angra dos Reis no Estado do Rio de Janeiro. É uma região de relevo movimentado, em especial  em sua parte de serra; destacando o Pico Tira Chapéu; a Pedra do Frade e o Pico do Gavião. Abriga uma das maiores áreas de proteção de Mata Atlântica do Brasil; possuindo ainda grande riqueza hídrica; com destaque para o Rio Mambucaba, que é o principal coletor desde o alto da serra e até seu desaguar no Atlântico. Como aspecto cênico e diversão, destacam-se as cachoeiras de Santo Isidro, Posses e do Veado; esta última uma das maiores cachoeiras do Estado de São Paulo.

Marcas registradas do Caminho de Mambucaba:
Calçamento em rocha no estilo pé de moleque
e viçosa Mata Atlântica
Do ponto de vista do Trekking, o principal atrativo da Unidade é o Caminho de Mambucaba, ou simplesmente "Trilha do Ouro" como é popularmente conhecido. Trata-se de uma rota de aproximadamente 43 km com início na Portaria do Parque no alto da Serra da Bocaina; e término na Ponte de Arame no Sertão de Mambucaba; já em influência do litoral. Predominantemente descendente, é uma rota histórica, com origem nos tempos das Minas de Ouro; cujo metal era transportado pelos caminhos até a região de Parati. Por isso, e a fim de se evitar erosões ocasionadas pelo trânsito das antigas tropas possui calçamento estilo "amendoim" em grande parte; e ainda hoje em bom estado de conservação! Esse aspecto histórico aliado à grande riqueza natural tornou a rota um clássico do Montanhismo brasileiro.

Normalmente percorrido em três dias, o Caminho de Mambucaba é capaz de proporcionar o que há de mais expressivo neste Parque Nacional; inclusive com a possibilidade de visita às suas três principais cachoeiras; além do Pico do Gavião no interior da Unidade; de onde é possível observar o Atlântico. É quase todo desenvolvido por uma trilha-estradinha; não oferecendo grandes dificuldades de orientação ao caminhante; com suas importantes bifurcações sinalizadas. Pelas suas características em descenso; e com calçamento irregular, pode se tornar mais exigente sob condições de tempo chuvoso. Em tempo seco não oferece grandes dificuldades; porém vale ressaltar que esse Caminho já é normalmente mais úmido, pois seus arredores são cobertos por densa vegetação.

Já os pontos de pernoite recomendados pelo Parque quando da realização dessa Travessia são a Pousada Camping Barreirinha ou na Casa Pintada (Dona Palmira) na primeira noite; e Pousada Camping Mambucaba; ou arredores do Rio Mambucaba ou do Ribeirão do Veado na segunda noite. Importante ainda saber que, para chegar até o ponto inicial da Rota é preciso vencer 26 km de estrada mista (cascalho-asfalto) serra acima, partindo da cidade de São José do Barreiro. Já ao final, há 13 km de estrada (10 km em terra) da Ponte de Arame até a BR 101 em Angra dos Reis, passando pelo Bairro de Perequê. Ideal que ambos os trechos sejam feitos de automóvel; mas é claro isto é a gosto do caminhante.

Também é sabido que há outras rotas e trilhas pelo interior da Unidade, como a Rota de Campos Novos de Cunha; ou ainda a Pedra do Frade; dentre outras. Porém, oficialmente não são rotas autorizadas e abertas ao público pelo Parque Nacional. Há ainda a porção litorânea do Parque, com vários atrativos na região de Trindade, município de Parati; que são amplamente visitadas durante todo o ano, como a bonita Praia do Caxadaço. 

Para mais informações sobre o Parque Nacional da Serra da Bocaina, visite a página do ICMBIO.

Distâncias aproximadas - cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte a São José do Barreiro: aproximadamente 525 km, via Fernão Dias
Belo Horizonte a Perequê-Angra dos Reis: aproximadamente 650 km, via Fernão Dias
Belo Horizonte a Perequê-Angra dos Reis: aproximadamente 610 km, via BR 040
São José do Barreiro à Portaria do Parque: 26 km, estrada mista cascalho-asfalto
Final da Travessia (Ponte de Arame) à BR 101: 13 km, sendo 10 km de estrada de terra

Como chegar e voltar - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus
Ida: Viação Útil até Cruzeiro → Viação Pássaro Marrom até Areias → Viação Pássaro Marrom até São José do Barreiro → Táxi ou à pé até a portaria do PN da Serra da Bocaina (26 km - estrada mista terra-asfalto)

Volta: Táxi ou à pé da Ponte de Arame até o Bairro de Perequê → Coletivo T20 Mambucaba a Angra dos Reis → Viação Costa Verde até o Rio de Janeiro → Viação Útil ou Viação Cometa até Belo Horizonte

► Faça consultas virtuais ou telefônicas às empresas de ônibus confirmando horários e frequências.
► Há outras opções para ida, como via Resende ou mesmo Guaratinguetá.
► Há outras opções para volta, como Angra dos Reis X BH; ou via Resende (RJ); ou via São José dos Campos (SP); porém os horários de ônibus são mais escassos que via RJ. Procure pesquisar e escolher aquela que melhor se adequar à sua realidade.

De carro
Ida: BR 381 até Campanha → BR 267 até Caxambu → BR 354 até Via Dutra → Via Dutra até Queluz  → Estrada Queluz-Areias → SP 68 até São José do Barreiro → SP 221 até a portaria do PN da Serra da Bocaina (26 km - estrada mista terra-asfalto)

Volta: Estrada de terra Sertão de Mambucaba da Ponte de Arame até o Bairro de Perequê → BR 101 até trevo de Parati → BR 459 de Parati até Guaratinguetá/Via Dutra → Via Dutra até Cruzeiro → SP 52 até Alto da Mantiqueira → MG 158 até Capivari → BR 354 até Caxambu → BR 267 até Campanha → BR 381 até Belo Horizonte

► Atente-se que início e fim da Travessia se dão em locais distintos e distantes. Necessário programar resgate.
► Uma ótima notícia para mineiros foi o término das obras da estrada Cunha a Parati. Apesar de estreita e repleta de curvas evita contorno via Ubatuba, encurtando a viagem até o litoral. Há restrição de tráfego na rodovia durante à noite. Fique atento!
► Há outra opção para retorno, via Volta Redonda e BR 040, que inclusive é mais perto que via Fernão Dias. Porém, na prática, o tempo de viagem é semelhante.

Serviços de Traslados

► Região de São José do Barreiro
Eliezer → 12 3117-2123 ou 99737-1787 
Flavio → 12 3117-2149 
Gordo Kombi → 12 99166-5289 ou 99112-2598 
Jeferson → 12 3117-2240 
Lucas → 12 3117-2123 ou 98142-1917 

► Região de Angra dos Reis
Claudio → 24 99972-7055 
Daniel → 24 99261-4629 
Valdo → 24 99949-1701

Hospitalidade e Alimentação

► São José do Barreiro - Dicas do Augusto do Blog Trilhas e Trips
Pousada Dona Maria → 12 3117-1281
Pousada do Regis → 12 3117-1184 ou 3117-1227

► Dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina
Pousada e Camping Barreirinha → 12 3117-2205
Pousada e Camping Dona Palmira (Casa Pintada) → 12 99792-3477
Pousada e Camping Tião Mambucaba → 12 99760-4607 ou 99174-5625

► Em Angra dos Reis ou Parati há ampla rede de hospitalidade. 


Considerações Finais

► Trilhas e Trajeto: Predominam o sentido Norte-Sul; trilha-estradinha e declividades; bem como sombreamento em aproximadamente 90% do trajeto. As subidas são escassas, curtas e suaves. Sob chuva forte ou intensa pode não ser possível realizar a rota, pois há alguns riachos a serem cruzados. O trecho entre a Portaria do Parque e até a Pousada Barreirinha totaliza aproximadamente 18,5 km, incluindo os curtos ataques às Cachoeiras Santo Isidro e das Posses. Não há calçamento irregular pelo trajeto. Na região da Barreirinha é o ponto de acesso ao Pico do Gavião. O trecho entre a Pousada Barreirinha e a Cachoeira do Veado totaliza aproximadamente 13 km, incluindo ataque a Cachoeira do Veado. É um trecho com descampados na sua parte inicial. Após a Pousada da Casa Pintada (Dona Palmira) surgem os primeiros trechos em calçamento; bem como declives mais acentuados. O trecho entre a região da Casa Queimada-Rio Mambucaba até a Ponte de Arame totaliza aproximadamente 12 km. Há longos trechos em calçamento; sobretudo na descida em direção ao Sertão de Mambucaba. A falada Ponte de Arame não é cruzada durante a Travessia, pois está à direita da estradinha do Sertão, sendo acesso à residências da margem direita do Mambucaba. Trata-se tão somente de ponto referencial.
►► A grande novidade constatada na Travessia foi a nova ponte pênsil no Rio Mambucaba antes da Cachoeira do Veado; em frente e abaixo das ruínas da Casa Queimada; em local que outrora já existiu uma pinguela. Essa nova e boa ponte facilita a transposição do Rio, evitando a dependência daquela antiga e conhecida gaiola de ferro da Pousada Camping Mambucaba. Também evita a necessidade de transposição do Rio depois da bifurcação da Cachoeira do Veado no sentido do Rio Guaripu-Campos Novos. 
►► O ponto em que se pode encontrar maior dificuldade pela rota é a travessia do Rio Santo Antonio, a poucos quilômetros do final da Travessia na Ponte de Arame. Isto porque a ponte pênsil encontra-se em péssimo estado; inclinada para a direita e com "pega-mãos" bambos; um deles arrebentado. Em caso de chuva forte ou intermitente (como foi o nosso caso) isto se complica bastante, pois as tábuas ficam lisas feito sabão; e a conhecida passagem do rio (o "porto") abaixo da ponte apresenta forte correnteza. Já com tempo firme, apesar da mesma atenção ser necessária, tem-se a vantagem das tábuas estarem menos escorregadias; ou mesmo o "porto" abaixo da ponte estar raso e tranquilo, favorecendo a transposição.
►►Para quem deseja visitar o Pico Tira Chapéu (2.088m), que é o ponto culminante do ParnaBocaina, seu acesso se dá antes da Portaria; não sendo necessário efetivar reserva. É um lugar bonito; em especial para visualizar o Atlântico e o interior do Parque; porém trata-se de um pico discreto!

► Logística de Acesso: Como em toda Travessia mais remota, a logística de acesso e regresso são complicadas. Ou exigem a contratação de serviços de táxi ou então combinado com amigos; restando a alternativa de se fazer longos trechos à pé. Não há linha regular de SJBarreiro para a Portaria do Parque; nem da Ponte de Arame para o Bairro de Perequê.

► Reserva para Travessia: É necessário realizar junto ao Parque Nacional da Serra da Bocaina a reserva de data para a realização da Travessia Caminho de Mambucaba; inclusive enviando nome, endereço, RG, CPF e telefone de contato do(s) interessado(s). Isto pode ser feito através do e-mail pnsb.rj@icmbio.gov.br

► Camping: não há camping Oficial do Parque pela rota. O que há são áreas para acampamento em antigas residências de moradores; ora transformadas em Pousadas. São áreas e estruturas simples. Nessas Residências-Pousadas é possível reservar pernoite em quartos; bem como alimentação. Há também a opção de acampamento natural nas proximidades do Rio Mambucaba-Casa Queimada (grande área); ou após o Ribeirão do Veado (pequena área). Também é possível acampar nas proximidades da Cachoeira das Posses (pequena área); porém isto pode complicar e alongar a caminhada no segundo dia; sendo mais indicado para quem começar a caminhar mais tarde desde a portaria.

► Água: Há vários pontos de água por toda a rota, não sendo necessário transportar grandes quantidades. Mas no tempo da seca algumas fontes desaparecem. Fique atento e use sempre purificador!

► Tempo de realização: O melhor período para realização dessa travessia é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. O tempo ideal e tradicional para a realização com bom proveito dos atrativos são três dias e duas noites, pernoitando a primeira noite na Pousada Camping Barreirinha; e a segunda noite ou de modo natural nas proximidades da Cachoeira do Veado; ou na Pousada Camping Tião Mambucaba. A Portaria do Parque abre às 6h00; então recomendável começar a pernada bem cedo, dessa forma poderá curtir com calma as cachoeiras Santo Isidro e Posses.
►► Não recomendo pernoite nos arredores da Cachoeira das Posses (apenas 8,5 km após a portaria, incluindo ataque à Santo Isidro); a não ser que comece a pernada bem mais tarde. Isto porque o lugar para armada de barracas é muito reduzido; e as ruínas do lugar que poderiam auxiliar estão em péssimo estado. Além disso, e o que é mais relevante, pernoitando na Barreirinha, além de proporcionar maior equivalência diária nos três dias da caminhada, há a possibilidade de ir curtir o amanhecer no Pico do Gavião, uma vez que a jornada do segundo dia será menor (apenas 12/13 km, dependendo do ponto escolhido a se pernoitar ao fim do dia). Acrescente que, se pernoitar na Cachoeira das Posses, além de obrigatoriamente elevar a jornada do segundo dia para mais de 22 km; ir ao Pico do Gavião seria bem mais complicado; senão impossível.
►► Para aqueles mais experientes e ágeis é possível percorrer a rota em dois dias, com pernoite na Pousada Camping da Casa Pintada Dona Palmira, localizada a 22 km desde a portaria, incluindo ataque às duas cachoeiras. Já para apenas 1 dia somente no modo speed; começando bem cedo.

► Segurança: É uma travessia que permite rotas de escape, mas tenha em mente que mesmo nesses casos as distâncias a percorrer podem ser consideráveis. Excluindo a parte inicial, quando se pode retornar, o ponto intermediário para escape é a região da Barreirinha. Mas isto somente será interessante se contratar os serviços de transporte 4x4 do Tião da Pousada Barreirinha.

► Exposição ao Sol: Mínima, pois há muita sombra pela rota. Mas use protetor solar.

► Tarifas: não há cobrança para uso de trilha, pernoite ou ingresso no ParnaBocaina. Os camping das Pousadas Barreirinha, Casa Pintada e Mambucaba são pagos diretamente aos seus proprietários.

► Cash: leve dinheiro trocado e em espécie. Pequenas localidades não aceitam cartões ou cheques.

► Cartas Topográficas: São José do Barreiro e Rio Mambucaba

► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos!!!

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