Alimentação: o que levar para as trilhas

De encher os olhos... Mas são pesados!
A alimentação em trilhas é um aspecto que preocupa a muitos, especialmente os iniciantes na prática do trekking.

É uma preocupação pertinente, pois naturalmente ninguém quer passar fome enquanto se caminha; em especial se estiver em ambientes mais distantes e isolados.

Além disso, somos resultados do que comemos, já diz a velha máxima!

Entretanto, a preocupação e dúvida sobre o que levar muitas vezes faz com que o caminhante se abasteça de alimentos nem sempre adequados a uma atividade no meio natural; ou ainda, exagere na sua quantidade; comprometendo seriamente o êxito de uma empreitada!

O pulo do gato para minimizar possíveis problemas é não fugir abruptamente do seu hábito alimentar cotidiano, que suponho, seja saudável. Normalmente, nosso organismo já é adaptado aos alimentos que costumeiramente ingerimos, de modo que, mantendo os hábitos, dificilmente teremos complicações.

Igualmente não nos preocupemos em abarrotar a mochila com grande quantidade de alimentos. Quando caminhamos, normalmente comemos bem menos do que quando estamos estáticos nos sofás de nossas casas! Também não fiquemos “inventando moda”, ao contrário, optemos por alimentação básica, simples e acessível!

Ciente de não fugir do costume alimentar, não inventar moda e não exagerar na quantidade; há três regras básicas que regem as escolhas:

1► evitar levar alimentos perecíveis: Os alimentos perecíveis tendem a se estragar em poucas horas; e a ingestão de alimentos deteriorados é algo sério com consequências imprevisíveis;
2► evitar alimentos difíceis de serem preparados: Nem sempre teremos ânimo ou estrutura para ficar horas preparando ingredientes e cozinhando após uma longa caminhada;
3► evitar alimentos com grande peso/volume: Em trilhas, andar leve deve ser um objetivo a ser perseguido.

O que levar para as trilhas bate e volta:


Dê preferência para um simples lanche. Prefira pães, biscoitos, barras de cereais, sementes em geral. Leve algum doce; mas jamais abuse deles; ou passe o dia apenas à base de doces. Se gostar, leve uma fruta dura, como goiaba, maçã, dentre outras; ao invés de levar sucos prontos. Mas não exagere na quantidade, pois são pesadas! Ah, leve água, claro! Se houver água pela trilha, não se esqueça de purificá-la antes da ingestão; a não ser, é claro, que seja proveniente de uma fonte segura.

O que levar para as trilhas com pernoite ou mais dias:


Teremos que dividir os alimentos em dois tipos: café da manhã/lanche (são sempre a mesma coisa) e para o jantar. Almoço? Bom, em trilhas normalmente não há almoço, pois isso demandaria muito tempo e não seria nada prático caminhar com o estômago cheio. Então, o que levar?

► Para o café da manhã e lanches ao longo do dia:
As dicas são as mesmas para as trilhas bate e volta. Você deverá acrescentar café, capuccino, leite em pó, sucos em pó, o que achar melhor e gostar. Também se gostar, leve um pedaço de queijo curado, faz uma grande diferença! Como são vários itens para esses momentos, faça um cálculo e divida sua alimentação por dias que irá caminhar. Racionalize e não exagere! E jamais inicie uma caminhada sem tomar o seu café da manhã. Faça-o sem pressa, com carinho. O café da manhã será o responsável por lhe manter de pé e fornecer energia por longo período do dia. Lembre-se: na maioria das vezes não haverá almoço durante as trilhas!

► Para o Jantar:
Deve sempre ser caprichado. Prefira alimentos de rápido preparo e cozimento. Desde que surgiu o macarrão instantâneo ele se tornou o rei das trilhas. E com razão, afinal prepará-los é fácil e rápido. Mas você pode torná-lo mais atraente, incluindo alguns ingredientes extras, como bacon, seleta de legumes, queijo, passas e outros. Evite colocar todo o envelope de tempero no macarrão, pois normalmente contém muito sal; e dependendo da situação, isso elevará a ingestão de água e em certos circuitos com escassez de água, isto poderá lhe colocar em apuros. As mesmas regras valem para os outros tipos de macarrão, como o talharim ou espagueti, que são amplamente utilizados nas trilhas. Estes são ótimas opções, pois são de fácil preparação, saborosos e são grandes fontes energéticas. 

Além das massas, atualmente os supermercados oferecem ampla gama de alimentos semi-prontos, como seletas de legumes, carnes, feijão, arroz, feijoada etc. Se optar pela variação, prefira aqueles alimentos em embalagem tetrapak, pois são mais leves que aqueles em latas; além de produzir lixo mais fácil de ser transportado.

Há também o arroz semi-preparado, os parbolizados, em embalagens pequenas, que são fáceis de serem preparados e são saborosos! Além das fontes de carboidratos, leve alguma gordura, como bacon e linguiça defumada ou calabresa: são de fácil conservação e melhoram o sabor de qualquer alimento!

Além dessas opções, a alguns anos surgiram os alimentos liofilizados. São saborosos (há quem não agrade) para o paladar; nutritivos para o físico e leves para os ombros. Além disso, basta mais algum ingrediente, como (novamente) linguiça defumada e bacon; ou outro, para se fazer uma refeição nutritiva e com excelente rendimento!

Nessa gama dos liofilizados há uma série de combinados, que são mais caros, mas igualmente muito bons. Para prepará-los basta colocar água quente na própria embalagem, mexer, esperar alguns minutos e servir; ou mesmo prepará-los diretamente em panelas.

Também há a opção de desidratar alimentos. É um processo que pode ser feito em casa utilizando desidratadoras comerciais ou mesmo caseiras. Praticamente qualquer alimento pode ser desidratado. Porém requer técnicas e conhecimento dos processos.

Alimentos desidratados apresentam uma série de ventagens, como durabilidade, baixo volume, baixo peso e fidelidade no sabor; além de manter os nutrientes.

Lembretes:

► Alguns nutricionistas afirmam que o queijo não seria recomendável nas trilhas porque é de difícil digestão. Não seria radical quanto a isto. Sugiro que siga seus hábitos normais. Se costumeiramente come queijo no café da manhã, certamente não será no dia que for fazer uma trilha que haverá problemas. 
► Durante o dia de caminhada, o segredo é alimentar-se periodicamente de algum petisco a cada duas horas por exemplo. Comer sempre e em quantidades menores. Evite permanecer por 4 ou 5 horas sem se alimentar! 
► Nunca inicie uma caminhada sem tomar o café da manhã. 
► E não espere sentir sede para se hidratar. Sede é sinal de que seu corpo já está consumindo rapidamente sua reserva de água! 
► A maçã realmente provoca fome, pois é adstringente. Então, se levar, deixe-a para comer na volta, ou na parte final da trilha, pois logo estará em casa.; ou ao final do dia, próximo ao jantar.
► A banana é um ótimo alimento, mas de transporte mais complicado. Se optar por levá-la, procure protegê-la; mas saiba que em travessias, durará no máximo dois dias. 
► Evite lanches que contenham molhos em suas composições, pois se deterioram rapidamente. 
► Embale seus alimentos em sacos-estanque ou sacos plásticos. Assim ficarão protegidos em caso de chuvas. 
► Se optar por levar algum alimento cuja embalagem seja de vidro, se possível transfira o conteúdo para uma embalagem plástica. Isto evitará eventual quebra da embalagem e perda do alimento, além de diminuir o peso da bagagem. 
►Não se esqueça de levar sal e açúcar para as trilhas, mesmo àqueles bate e volta. Além dos seus fins normais, costumam ser muito úteis, inclusive para fins medicinais, como o preparo do soro caseiro ou simplesmente para se hidratar! 

Evite as invencionices

Atualmente na internet encontramos uma série de elaboradas receitas de alimentação para as trilhas. São as receitas dos "chefs trilheiros". Se justificam na máxima de que "no mato não se precisa comer mal"...

Porém, há um argumento de peso contrário aos "chefs trilheiros": a praticidade. Ocorre que a maioria das receitas gourmet irão aumentar consideravelmente a lista de ingredientes a transportar para a trilha. E como sabemos, nem sempre as condições das trilhas ou do aventureiro permitirão colocar em prática tais receitas. 

Então sugerimos esquecer as receitinhas dos "chefs"! Ou então primeiro praticá-las em ambientes amistosos; de modo a validar os processos. Mas lembre-se que ser prático não quer dizer alimentar-se inadequadamente nas trilhas!

Também sugerimos que esqueçam os pratos mais elaborados, como a bacalhoada, lasanhas, bolos de panela e outros tantos similares...

A não ser que estejas caminhando em grupo e venha dividir com este o transporte dos ingredientes, bem como a mão de obra; além de possuir um potente fogareiro e estar em ambiente estruturado. Estes pratos são deliciosos, entretanto não são práticos para trilhas.

O mesmo vale para churrascos. Nesse caso, além de obrigar a transportar perecíveis, há o imperativo da fogueira de carvão. E na natureza e em condições normais, fogueiras não são recomendáveis em hipótese alguma. É um risco desnecessário. Melhor deixar o churrasco para fazer em casa... 

E igualmente sugerimos esquecer bebidas alcoólicas, especialmente se estiver realizando travessias. Além do complicador para transportá-las, o álcool pode provocar reações físicas indesejáveis; ou até mesmo acidentes, comprometendo o rendimento. Se não abrir mão de alguma bebida, tenha o cuidado de consumir com moderação!

Resumo


Para as trilhas, não se esqueça das regras básicas:
(1) evitar levar alimentos perecíveis;
(2) evitar alimentos de difícil preparo; e
(3) evitar alimentos com grande peso.

Também esqueça as invencionices. Use sempre o bom senso, ele é um termômetro quanto à quantidade e tipos de alimentos que consumimos. Também nos impõe regras particulares, que sempre devem se submeter a regras coletivas e naturais. Seja criativo: a criatividade é um diferencial importante quando o assunto é alimentação!

E não se esqueça de se hidratar sempre, antes, durante e após as trilhas. A água também é um alimento e sua falta pode comprometer a sua aventura.

E por fim, traga o seu lixo de volta: jamais deixe restos de alimentos ou embalagens pelos lugares em que se aventurou...

Quer saber mais sobre o assunto? Visite o post: A cozinha nas trilhas: fogareiros e utensílios

Bons ventos!
Última atualização: Nov 2017

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