Cachoeira das Ostras: doce recanto em Brumadinho

Poço da Cachoeira das Ostras
Em um raio de aproximadamente 30 km nos arredores de Belo Horizonte escondem-se por entre vales e serras alguns recantos interessantes e propícios para umas investidas sem pretensões.

Há mirantes, trilhas, sítios históricos, cachoeiras e outros atrativos naturais.

Dentre estes recantos, o município de Brumadinho, distante 57 km da Capital, guarda em seus domínios vários atrativos ainda bem preservados.

Um deles é a Cachoeira das Ostras, distante 4 km de Casa Branca, e localizada nos sopés das Serra da Calçada e da Moeda.

Com bom poço para refresco, é um lugar aconchegante, um convite à curtição e à preguiça... Foi pra lá que nos mandamos em meados de julho a convite da Sol de Brumadinho...

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura. Melhor planejamento, Melhor aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


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Esta rota inicia logo após deixar a área urbana de Casa Branca


Relato


Por volta das 6h30 da manhã do dia 12 de julho encontrei com o James e a Daniele em BH altura do bairro Padre Eustáquio e de lá, rumamos direto para o Bairro de Casa Branca.

Seguimos pela BR 040, bairro Jardim Canadá e Parque Estadual do Rola Moça. Após o Parque, íngreme descida pelo asfalto e por volta de 7h30 já estávamos na Praça da Igreja de Casa Branca.

O sol anunciava um dia lindo e sem nuvens, propício para uma caminhada com cachoeira. Ficamos papeando e nos aquecendo na praça local à espera da Sol, Mateus, DM, Déia e Luiz que viriam de Brumadinho. E eles somente chegaram em Casa Branca lá pelas 9h00!

Deixando os carros no estacionamento da Igreja, sem delongas cruzamos a Pracinha e a Av. Casa Branca que é a principal do bairro. Descemos a rua em frente (Alameda Canela de Ema) que leva ao Condomínio Cachoeiras da Aldeia. Pela Alameda, ignoramos a primeira rua à esquerda e seguimos direto, passando por uma Pousada.

Adiante, antes da portaria do Condomínio, entramos na próxima rua/saída à esquerda. Essa saída é uma rua/estradinha de terra, em cujo início há umas casas e estabelecimentos comerciais. Em aclive seguimos pela estradinha rodeados por uma mata rala.

Logo aquela estradinha se estabilizou e chegamos a um local onde há uma espécie de descampado ou clareira, que é utilizado como estacionamento pelos visitantes da Cachoeira.

Casa Branca ao fundo vista desde o Mirante
É possível ver a trilha de acesso
Mirante
Serra de Casa Branca ou dos Três Irmãos, segundo carta do IBGE
A partir de então a estradinha vira uma trilha batida e bem marcada entre arbustos. Toma sentido norte mirando em direção a uma subida em um morrote repleto por afloramentos rochosos.

Trata-se do trecho final da Serra do Ouro Fino, segundo a Carta Topográfica de Brumadinho. É uma subida forte, mas é bem curta.

Ao chegarmos ao final da subida, aproximamos de um mirante, de onde se tem belo visual de Casa Branca, da Serra Local e da Serra dos Três Irmãos à Oeste/Noroeste; além do vale abaixo.

Há uma bifurcação no lugar: a trilha que vem do sul é a chegada de outro acesso à Cachoeira das Ostras partindo de outro ponto do Bairro Casa Branca.

Após uma parada para registros desde o Mirante, retomamos a trilha da esquerda na bifurcação, indo em direção ao fundo do vale à leste. Seguindo primeiro em declive por um trecho de campo. 

Em pouco tempo chegamos então em um rego d'água; que apresentava mirrado, quase seco. Cruzamos o rego d'água e tocamos adiante.

A trilha faz uma 'barriga' pela margem esquerda do rego d'água; reencontrando-o logo abaixo.

Passamos então rente ao ponto em que há boas áreas para acampamento, inclusive estavam por lá alguns rapazes acampados.

Desse ponto foi possível ver o Forte de Brumadinho (ou o Forte de Piedade; ou Casa de Pedra de Brumadinho; ou Antiga Senzala como marcado na Carta de Rio Acima) bem ao longe, no alto do morro à sudeste.

Forte visto da trilha
Descendo o lajeado: as cachoeiras ficam naquela matinha à esquerda
A partir desse ponto a trilha segue em declive acentuado percorrendo um trecho de lajeado, por onde também desce o fio d'água cruzado acima.

Em certo ponto e seguindo o pisoteio/trilha, cruzamos o lajeado da direita para a esquerda e passamos por alguns degraus em rocha.

Logo abaixo, por volta de 10h30 a trilha nos levou às margens superiores da Cachoeira da Pedra Furada.

A Cachoeira da Pedra Furada fica abaixo da Cachoeira das Ostras e ao meu ver nem deveria ter outro nome, pois ambas são muito próximas.

Esse trecho é um pouco sombreado e possui um poço pra banho e algumas pequenas quedas. Na ocasião, algumas pessoas estavam por lá se divertindo...

Nem descemos até o poço da Cachoeira da Pedra Furada, pois queríamos ir às Ostras, que é mais bonita, ensolarada e agradável!

Fizemos então uma parada para o lanche em uma rocha acima de um poço; que o DM logo foi entrando para se refrescar...

Pouco tempo depois nos dirigimos às Ostras, que fica a uns 100 metros acima, escondida atrás de um paredão.
Cachoeira da Pedra Furada: Tá aí a razão do nome

Águas cristalinas
Enquanto a Sol e o Mateus foram pelo leito do riacho, nós tomamos a trilha pela direita e acima deste, pois não queríamos molhar as partes ainda vestidos, nem tirar as botas àquela altura.

Então, pulamos um trecho exposto em rocha e atingimos o riacho do outro lado, cruzando-o através de pula pedras.

Logo adiante, passamos em frente a um paredão avermelhado que possui algumas vias de escalada (vi algumas chapeletas instaladas) e chegamos ao singelo e transparente poço da Cachoeira das Ostras.

Poço e queda das Ostras
Vazia naquele sábado, a Cachoeira das Ostras fica no fundo do vale e é bem escondida. Rodeada por uma mata e por várias formações rochosas peculiares, possui uma boa queda d'água e um bom poço, permitindo inclusive saltos.

É um lugar muito agradável para se passar horas e horas... Ficamos um bom tempo por lá, comendo e papeando... Enchendo a pança também apareceu um calango, que se deliciava com os cupins de um galho seco, chamando-nos a atenção pela sua esperteza, gordurinha e mansidão...

Poço e queda das Ostras
Como a água estava gelada, somente alguns corajosos entraram... Depois de um tempo chegaram outras pessoas ao lugar: eram o Bruno, Romário e um casal de amigos. Trocamos boas ideias e até já nos aventuramos juntos depois desse encontro...

Coisa bacana passa rápido, então pouco antes das 14h00 começamos a deixar o lugar.

Na passagem exposta eu, James e Daniele preferimos subir pelas rochas e contornar por cima o obstáculo. O restante se dividiu entre a passagem complicada e o leito do riacho.

Queda vista do topo
Pelo mesmo trajeto da ida, sem grandes paradas mas caminhando tranquilamente vencemos o trecho, chegando novamente no Distrito de Casa Branca por volta de 16h00.

Por compromissos profissionais, Luiz e Déia voltaram imediatamente para Brumadinho...

Nós outros ainda fomos fazer uma boquinha no restaurante em frente a Praça da Igreja.

Depois despedimos da Sol e do Mateus e voltamos para BH em torno de 18h30, a tempo de ver o espetáculo da Super Lua desde o alto do PE do Rola Moça, uma beleza sem igual...

Serviço


Formada pelas águas do Ribeirão Catarina, a Cachoeira das Ostras localiza-se ao sopé das Serras da Calçada e da Moeda, distante 4 km do Distrito de Casa Branca, município de Brumadinho, Estado de Minas Gerais.

Sendo uma cachoeira em área transitória, caracteriza-se por vegetação mediana em seus arredores, encravada no fundo de um vale.

Sua queda é pequena em altura, porém possui um bom volume de água. Seu poço principal na medida aproximada de uns 3 x 10m varia de 30cm a uns 3m de profundidade, permitindo ficar embaixo da queda d'água e mergulhos.

Em sua área de influência, o curso d'água forma outras pequenas corredeiras e poços abaixo, além de uma outra queda cerca de 100m abaixo da Ostra, que muitos chamam de Cachoeira da Pedra Furada.

Calanguinho que nos visitou
O principal acesso à esta Cachoeira tem como ponto de partida o Distrito de Casa Branca. Também é possível acessá-la através do Condomínio Retiro das Pedras; além de uma outra variante mais ao Sul do próprio Distrito de Casa Branca.

A trilha sentido oeste-leste e que fizemos nessa ocasião parte do Distrito através de uma estradinha.

A partir de um ponto que parece ser um estacionamento (clareira no meio da capoeira) inicia a trilha, com a subida curta e íngreme de um morro, chegando a um belo Mirante.

Após, segue leve declive e chega-se a uma descida sobre rochas mais íngreme, além de descida de alguns degraus, já chegando nos arredores da Cachoeira. 

Amigos da pernada
Para o trekker, o único local que pode gerar alguma dificuldade do acesso à Cachoeira das Ostras é um ponto de passagem entre a Pedra Furada (mais abaixo) e as Ostras (mais acima).

Trata-se de uma rocha com um degrau elevado que força o visitante a se curvar ou a se escorregar por entre estreita passagem.

Há até uma chapeleta de argola instalada no local, que possibilita eventual uso de cordas em descida/subida, facilitando o acesso.

Entretanto, para se evitar passar no local basta que suba o leito do córrego que liga as duas cachoeiras, porém com água pela cintura; ou ainda, pela trilha ao se aproximar do obstáculo suba a rocha anterior e desça pelo outro lado se equilibrando nas fendas.

Como chegar e voltar - de ônibus

Cidade referência: Belo Horizonte

Linha 3942 (Casa Branca-Via Serra do Rola Moça-BH) → desembarcar nas proximidades da Praça da Igreja Católica em Casa Branca.

► Linha de ônibus com horários escassos. Antes de ir, confira horários e frequências no site do DER-MG.

Como chegar e voltar - de carro

Cidade referência: Belo Horizonte

BR 040 indo até o Bairro Jardim Canadá → Entrar à esquerda pela Avenida Montreal → Seguir em direção ao Parque Estadual da Serra do Rola Moça → Tomar a estrada para o Distrito de Casa Branca → Chegando no Distrito, siga até a Igreja Católica, na Avenida Casa Branca.

► Por segurança, recomendo deixar o veículo no estacionamento ao lado da Igreja de Casa Branca e jamais no estacionamento no meio da capoeira já na trilha de acesso à cachoeira. 

Considerações Finais


► Ida e volta à cachoeira se dão pelo mesmo caminho. Mas há outras opções para chegar ao local; como partindo do Riacho das Pedras ou vindo do Forte de Brumadinho. Porém, é importante avisar que estes acessos são mais brutos e somente recomendáveis para caminhantes mais experientes.

► Como toda caminhada em meio à natureza exige um mínimo de preparo. Há aclives, declives e degraus em rocha no acesso às Ostras. Fique atento. 

► Leve água e não confie no ponto de água do alto do morro. Pode estar seco ou contaminado. Porém, 1 litro de água é suficiente. Se coletar água da cachoeira, use purificador! 

► Se for de carro para Casa Branca, por segurança prefira deixá-lo no estacionamento próximo à Igreja Católica e nunca na clareira no meio da capoeira de acesso à trilha. 

► O entorno da Cachoeira das Ostras tem sido constantemente alvo de depredações, lixo, fogueiras e até pichações nas rochas. Então, se visitar a cachoeira, não deixe lixo no lugar e evite fazer fogueiras. Se possível, traga consigo algum lixo que encontrar. Colabore!

► Cachoeiras exigem cuidado e atenção. Cautela ao caminhar por rochas é imprescindível. Na dúvida não abuse da sorte! 

► Evidente que, para quem conhece a região do Espinhaço, berço de cachoeiras espetaculares até poderá achar as Ostras sem graça. Mas isso não é verdade! Ela é diferente, situada em uma região de transição, rodeada por um lugar que transmite paz e sossego incríveis. E por isso mesmo vale a visita.

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Bons ventos!

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4 Comentários

  1. Olá! Tudo bem? Primeiro, obrigado pelo relato! Você acha que cachorro consegue acompanhar nessa trilha?

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    1. Olá Pedro, aqui tudo bem... E contigo? Sim, do ponto de vista físico é possível um cachorro de maior porte acompanhá-lo, pois trata-se de um percurso curto. Porém Pedro, cabe a mim recomendar: De um modo geral ambientes naturais não são adequados para levarmos cães; por mais interessante que isto possa ser. Ocorre que esses ambientes são os abrigos naturais de inúmeros animais silvestres. E a presença de cães pode estressar e espantar esses animais; a começar pelo cheiro, pois os animais silvestres em sua maioria tem o olfato muito apurado. Esta é a razão principal porque Unidades de Conservação não permitem a entrada com cães. Por isso, se for possível, eu recomendaria que evitasse levar o seu animal nesse local. Muito obrigado pela visita e comentário, abraços!

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    2. Obrigado Chico! Vou bem também. Vou levar em consideração seu comentário. Melhor deixar pra levar nossos pets quando for um passeio em trilhas mais "urbanas". Vou conhecer esta cachoeira neste mês de junho e seu relato foi essencial. Um abraço!

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    3. Ei Pedro, que bom que compreendeu nosso comentário. Sou amante dos cães, por aqui são 4 eheheh... São sempre adoráveis companhias; mas sem dúvidas levá-los em trilhas mais simples e "urbanizadas" será sempre a melhor escolha. Fico feliz que o relato possa ter lhe ajudado. Estou à disposição, precisando de alguma informação outra estamos aí... Abração

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