Altamira a Cabeça de Boi Via Serra das Posses

O Gracioso Mutuca

A ligação entre Altamira e Cabeça de Boi é um dos percursos mais interessantes que rasga as bandas Sul e Leste do ParnaCipó. Pouco realizada, apesar das condições normais de semelhanças do Espinhaço não é uma travessia de grande complexidade. Junta trechos de trilhas consolidadas, sendo alguns amplamente percorridos. Exceção se faz à Serra das Posses, trecho mais isolado de toda a rota. Já o que não falta nessa travessia é beleza...

Relato Dia 1

Visando fugir da folia do Carnaval 2020, girava em torno de 4h00 do dia 22 de fevereiro quando partimos de BH para Altamira-Altamira de Cima, município de Nova União, distante aproximadamente 85 km da Capital. Viagem tranquila por volta de 7h30 da manhã desembarcamos em Altamira de Cima, na vicinal de acesso à Cachoeira da Braúna.

Enquanto ajeitávamos as tralhas chegou até nós dois guarda parques do ParnaCipó. Eles iriam iniciar serviço na Casa de Guardas Sul do Parque. Muito gentis e com bom papo, até se ofereceram para nos ajudar a levar alguma coisa até lá. Agradecemos e eles partiram pouco antes de nós.

Nos enrolamos nos ajustes e somente beirando 8h00 iniciamos nossa jornada. Os primeiros 12 km são bastante conhecidos dos montanhistas, pois leva até a Cachoeira da Braúna, a maior queda do ParnaCipó. Mas também é alternativa inicial para outras pernadas e variantes na região. O tempo estava claro, com algumas nuvens apenas. Mas havia previsão de alguma chuva na parte da tarde.

Vista paraa Serra da Lagoa Dourada
Cachoeira Alta ao centro

Início de travessia o ritmo é sempre devagar; ainda mais quando já se topa com uma subidinha arteira. Seguimos pela vicinal e em 20 minutos estávamos no Estacionamento de acesso à Braúna. A vicinal piora e na próxima bifurcação tomamos à direita. Doravante somente trilha. Linda estava à Oeste a Serra da Lagoa Dourada!

Virando a Serra da Mutuca

Rota conhecida e sem erro, às 9h15 mais ou menos despedimos do Vale do Rio Preto em Altamira. Viramos a Serra da Mutuca e adentrávamos nas terras do ParnaCipó. O sol já esquentava nossas cabeças! Sem dúvidas o sol é fundamental para pernadas bonitas; mas também é um dos fatores mais desgastantes nas caminhadas pelo Espinhaço.

Aproximando da Casa de Guardas Sul do ParnaCipó

Mais uns poucos passos e às 9h25 chegamos à Casa de Guardas Sul do ParnaCipó; aos pés da encosta do Montes Claros. Recebidos pelos guardas fizemos hora no lugar para um lanchinho e nos abastecer. Somente às 9h45 seguimos nosso rumo, cruzando logo a seguir um afluente do Bandeirinhas. A trilha da Braúna é bem marcada e com pouca variação. Nesse trecho inicial algo que incomoda alguns é a presença de areia na trilha. Mas a beleza compensa, sobretudo quando despontamos para o Vale do Bandeirinhas-Garça.

Aproximando do Bandeirinhas

Seguimos o rumo Norte sem alterações. Após o terceiro ponto de água fizemos uma paradinha para aglutinação. Retomamos logo a seguir percorrendo o declive mais acentuado até então, trecho com bastante cascalho na trilha. Estabilizados cruzamos a capoeirinha e próximo das 11h00 desembocamos no Ribeirão Bandeirinhas.

O Riachinho estava com bom volume de água e mesmo analisando o trecho tivemos que tirar as botas pra cruzá-lo. A passagem é estreita e aquilo causou alguns problemas. Na passagem o celular de uma amiga não resistiu resolveu se refrescar naquelas águas cor de coca cola...Aí alguns amigos também se animaram e resolveram se refrescar, afinal o calor era grande.

Rumo Norte do Vale do Bandeirinhas

Demoramos bastante no Bandeirinhas, modos que somente lá pelas 11h40 retomamos a pernada. Seguimos a trilha batida do rumo Norte pelo suave aclive. Cruzamos umas águas temporárias e uns trechos barrentos ao final da subidinha. Adentramos em região de campo aberto e amplo, sem uma sombra sequer. O calor era grande e o sol brilhava bonito!

Zero sombra. Sorte que estava parcialmente nublado

Com cada qual no seu ritmo, cerca de 1h depois chegamos até a Matinha da Braúna. Ali nos aglutinamos e deixamos nossas mochilas encostadas à beira das sombras. Faríamos um ataque à Braúna.

Foto clássica desde o Mirante da Braúna

Despencamos trilha abaixo rumo à Cachoeira. Esse sem dúvidas era o trecho mais amolante da pernada naquele primeiro dia. Forte declive e puro cascalho! Sorte que o trecho é curto! Por volta de 13h20 já estávamos na grande e bela Braúna. Lugar amplamente descrito e conhecido, é uma cachoeira de respeito! E estava grandona, linda como sempre e com muita água.

A maior cachoeira do ParnaCipó

Não fomos na parte superior da cachoeira. A passagem estava cheia e o acesso muito sujo. Cerca de 1h00 depois iniciamos nosso retorno até às mochilas. Com aquele calorão foi uma preguiça que só subir aquela piramba. E pra piorar, ao finalizar a subida veio uma pingueira de chuva. O calor estava demais, mas tivemos que nos apressar até às mochilas; onde chegamos em torno de 14h40.

A pingueira de chuva foi só um susto e o tempo já abria novamente. Juntamos as tralhas e pouco antes das 15h00 tomamos rumo leste pela velha e discreta trilha em declive. Seguimos em direção a uma capoeira. Passamos por um trecho barrento e atingimos um riachinho. 

Fizemos a passagem com um pouco de dificuldade para evitar afundar as botas. Imediatamente após a transposição uma de nossas amigas sentiu um mal estar. Fizemos então uma parada para averiguações e procedimentos. Muito gentis, as ações dos amigos foram eficientes; modos que aproximadamente em 1h00 nossa amiga estava recuperada. Tempo necessário para que  tivéssemos segurança para prosseguir.

Pouco após 16h00 reiniciamos nossa pernada. Em aclive adentramos por uma mata cuja antiga trilha está lá, ampla e bem marcada. Em 5 minutos já saíamos da mata, percorrendo campo aberto em suave aclive. Trecho muito bonito!

Vista Norte para o ParnaCipó

Ignoramos uma saída à direita e prosseguimos pela trilha em direção a outro filete de mata. Rapidamente cruzamos e saímos em área aberta, defronte ao Córrego da Mutuca, um afluente do Garça que corre para o Norte em um apertado vale, quase um mini cânion. Fizemos uma paradinha para aglutinação.

Despontando para o Mutuca. Mini cânion

Prosseguimos em suave declive e pontualmente às 16h30 chegamos às margens do Mutuca. Cruzamos o riacho pulando rochas e fizemos uma parada para descanso. O Mutuca estava com bom volume de água, deixando seus poços e corredeiras muito apetitosos. Na sequência do seu curso a cachoeirinha que em tempos normais num passa de um filete fazia barulho no estalar nas rochas. Lindo lugar!
Mutuca Norte

Mutuca Sul

Mutuca lindão naquela tarde de carnaval

Uns 15 minutos retomamos nossa pernada pela margem direita do Mutuca. Seguimos pela trilha velha e discreta pelo campo repleto de afloramentos rochosos. Como estava bonito naquela tarde de sol. Em poucos minutos reaproximamos do Córrego, despontando para seu leito encachoeirado. Que beleza! Aquilo aliviava o cansaço daquele dia!

Que lugar

Já visando botar um fim na pernada prosseguimos pela trilha discreta e logo à frente ignoramos a continuação da trilha pela margem direita. Como manda o juízo em caminhadas no verão, tomamos a saída à direita rumo ao ponto de cruzada do córrego. Cruzamos o córrego num antigo porto, o que facilitou a passagem.

Esse Mutuca...

Cruzado o córrego e cansados da jornada às 17h30 resolvemos nos instalar nos arredores. Poderíamos seguir até a Casa dos Currais, cerca de 2 km adiante, mas ali naquele ponto seria mais interessante. Além do isolamento haviam as cachoeiras e poços próximos à disposição para quem quisesse curtir um banho decente! 

Ê Mutuca

Cada qual ao seu jeito foi se instalando. Rapidamente tudo estava pronto; pois o sol baixava veloz, justo quando mais o queríamos!. Aquele resto de luz foi aproveitado de vários modos, e cada qual à sua maneira. Definitivamente foi um dia proveitosos!

Fim de tarde na região antes da chuvarada

Mais tarde, à noite, procedendo a janta começamos a ouvir trovões. Não demorou a cair uns pingos de chuva! Resultado: tive que terminar a janta na barraca. E dali não saí mais! Naquela noite caiu uma chuva de respeito na região, inclusive com raios! Mas no geral foi uma noite recuperadora para todos!

Relato Dia 2


Aquele domingo amanheceu com tempo fechado, carregado e com muita neblina também! O Córrego Mutuca que havíamos cruzado na tarde anterior estava nervosinho; provando que a regra deve ser sempre seguida! Desmontamos acampamento e às 8h30 iniciamos nossa pernada daquele domingo. Seguimos pela trilha velha da margem esquerda do córrego em suave aclive.

Imagem ilustrativa do dia anterior.
O trecho seguiria o mesmo panorama até os currais.
Mas a neblina nos impediu ver isto...

Logo à frente tivemos trabalho para cruzar um ponto de água. Em dias normais não passa de um rego; cruzado com um passo. Mas naquela manhã estava enjoado devido à forte chuva que caiu durante à noite anterior. Na verdade estávamos evitando meter o pé na água logo cedo! .Apesar do tempo gasto, com jeito e paciência fizemos a transposição e prosseguimos pela trilha no rumo Leste.

Em suave aclive às 9h20 chegamos à casa dos currais. Juntamente conosco chegou um chuvisco enjoado. Adentramos ao velho casebre e fizemos uma horinha por lá. O lugar continua na mesma; bastante sombrio. Estava sem água, talvez arrobada pela chuva da noite anterior.

Na verdade aquele lugar, em especial o interior do casebre está precisando de uma geral; descartando alguns itens que mais se parece acúmulo de lixo. Uma limpeza já ajudaria bem! Casebres no estilo Casa dos Currais quanto menos itens pequenos tiver, melhor!

Currais envolto à neblina
Foto de um dos amigos. Quem?

Abrigados permanecemos escutando o tempo. Se a chuva apertasse poderíamos aguardar. Até mesmo passar o dia ali, pois tínhamos tempo para isso. Paisagem fechada, quase nada se via adiante. Isto foi uma pena, pois a região é linda sob o brilhar do sol! Imagens do trecho foram raras!

Como ficou só no chuvisco, perto das 10h00 retomamos a pernada. Seguimos pelo trecho da Travessia Palácio x Alves mantendo o rumo. Cruzamos a matinha e logo despontamos na baixada, cruzando os pontos de água que em tempos de seca desaparecem por completo. O chuvisqueiro persistia; aliás até aumentava. Visão prejudicada, fazia frio!

Perto das 10h35 deixamos a rota da Palácio x Alves e tomamos a trilha da direita, beirando a cerca e que leva para o alto da Cachoeira dos Borges. O rumo passa a tender à Nordeste. Em suave aclive a trilha bem marcada nos leva em pouco tempo a deixar as terras do ParnaCipó. Adentrávamos em área da RPPN dos Borges.

Iniciamos um trecho em aclive, atingindo a cota de 1.450m; local onde se tem uma linda vista da banda leste, prejudicada naquele dia. Fizemos uma paradinha para aglutinação, mas logo seguimos devido ao vento frio e chuvisqueiro.

Descendo rumo ao Rio Tanque
Tempo fechado e frio

Imediatamente iniciamos um declive. Logo abaixo em torno de 11h00 cruzamos uma fonte de água. Seguimos contornando a encosta para logo à frente a declividade se acentuar. O chuvisco deu uma trégua e pudemos observar a região superior do Rio Tanque lá embaixo. Mesmo atrapalhados pela neblina observamos o leito despencando da encosta superior da Serra com bom volume de água, mostrando a sua bela cachoeira.

A descida foi lenta, desviando das rochas escorregadias. Arredores muito bonitos, com canelas de ema gigantes. Infelizmente não tivemos vista para Sudeste; que em dias limpos é muito bonita, com o Vale lá embaixo emoldurado pela Serra dos Linhares ao fundo.

O Rio Tanque

Em torno de 11h40 chegamos ao fundo do espremido vale por onde corre o Rio Tanque, formador da Cachoeira dos Borges. Felizmente a passagem estava tranquila e rapidamente cruzamos o leito, apesar de molhar as botas. Aliás, com o chuvisqueiro desde os Currais do joelho pra baixo estávamos todos molhados mesmo...

Após cruzar Tanque fizemos uma parada. Decidimos não ir visitar a Cachoeira no Tanque, já que teríamos que mesclar margens sem trilha e leito, o que não seria recomendável com aquele clima. Aproveitei apenas para um giro ali na parte superior das Posses.

Parcial da Superior das Posses

Com altitude em torno de 1.180m, a parte superior da Cachoeira dos Borges consiste num afunilamento em rocha, com algumas quedas e alguns poços. O acesso ao leito é complicado, feito em certa altura pela margem direita do Tanque. Mesmo assim, sem equipamentos não é recomendável ir além disso. É um lugar muito bonito.

Leito aprofundado.
Acesso melhor pela margem direita

Subindo o leito do Tanque há alguns poços rasos, mas agradáveis. Na sequência em direção à Serra, já mais distante há uma oura queda mais alta, porém seu acesso é mais complicado, sem trilha definida. Apesar de tanta possibilidade, naquele dia chuvoso nós não descemos até o leito do Tanque, afinal o tempo não era lá muito convidativo e seguro...

Porteira
Acima a Serra das Posses com as corcovas

Pouco depois do meio dia seguimos a pernada. Tomamos a trilha ampla e limpa que liga à parte superior e inferior dos Borges. Por volta de 12h30 já estávamos no ponto de escape da descida da trilha, junto a uma porteira. Fizemos uma paradinha para lanche e descanso, afinal o chuvisco havia nos dado uns momentos de paz! O que não sumia era a neblina, que impedia observar as lindas Serras dos Linhares e do Lobo.

Uns dez minutos depois voltamos a caminhar, tomando a trilha velha da esquerda que sobe a encosta da Serra das Posses. Vamos subindo no sentido Nordeste e inicialmente rasgamos uma capoeirinha. A velha trilha nos faz dar uma guinada para Noroeste e passamos a percorrer forte aclive.

Região dos Borges virando pras Posses lá embaixo

Sem vista ao longe vamos tocando non stop, desviando das rochas e afloramentos. A trilha encontra-se bem erodida em alguns pontos, sinal de que continua em uso por meios motorizados. Quando a trilha apresentou uma suavizada fizemos uma paradinha para aglutinação.

Corcovas mais próximas

Rapidamente prosseguimos trilha acima. É uma subida longa, que vencemos em torno de 13h40. Chegamos então a um ombro da encosta que em dias limpos possibilita uma vista espetacular de toda a região. Estando a quase 1.400m de altitude, recuperávamos quase o mesmo nível que estávamos lá das divisas do ParnaCipó. 

Próximo das 14h00 retomamos a pernada. Percorremos suave declive em campo aberto, caminhando por trilha discreta em direção a uma cerca. Ali tínhamos que tomar uma decisão: ou permanecíamos ali naquele colo de serra próximo a uma pequena fonte de água; ou prosseguíamos a pernada subindo a serra; cuja próxima fonte de água estava ainda bem distante.

Como as condições do tempo não eram as melhores e estávamos molhados julgamos ser a melhor decisão permanecer ali naquele colo de serra, mesmo sendo ainda cedo. Se avançássemos entraríamos na crista da Serra, local costumeiramente ventoso. E molhados isto poderia não ser uma boa ideia.

Outro aspecto a se considerar é que estávamos adiantados na nossa pernada. Com tempo firme, àquela hora era para estarmos ainda lá embaixo na região das Cachoeiras, pois tínhamos intenção de visitar a Cachoeira no Rio Tanque. Então poderíamos ficar tranquilos.

Decidido que permaneceríamos ali passamos a escolher os locais. Cruzamos a cerca no campo e seguimos por uma trilha velha no rumo Oeste em suave declive. Chegamos até próximo a um morrote, terreno um pouco mais assentado. Porém muito cascalho.

Foi um bonito lugar

Analisamos outras opções de locais mas concluímos que ali seria mesmo o melhor ponto. Relativamente abrigado, com água cerca de 30 metros abaixo; e não muito distante da rota de partida no dia seguinte. Rapidamente ajeitamos as casas; em pouco tempo tudo estava de pé. Oportunidade para colocar uma roupa seca!

Casario

Para nossa felicidade o chuvisco da manhã deu uma ampla trégua. Pudemos curtir a tarde tranquilamente, inclusive a neblina deu uma afastada, permitindo observar os arredores. Poderíamos ir até o leito do Tanque e ao topo da Cachoeira cerca de 2 km à Oeste. Mas no geral o clima frio da serra não era nada convidativo...

Mais tarde, estando no ócio, começamos a escutar ruido de motos... Para nossa surpresa despontou um grupo de motociclistas lá no alto da Serra. Percorrendo as trilhas velhas chegaram até nosso acampamento. Era um grupo de Itabira que vinham desde Senhora do Carmo. E iriam para a Serra dos Alves.

Bandas da cabeceiras do Rio Tanque

Simpáticos, pararam para um dedo de prosa porque estavam em dúvidas quanto ao trajeto para a Casa dos Currais. Demos algumas informações e eles se foram, tendo antes experimentado uma saída alternativa à Oeste. Sem sucesso devido ao desnível acentuado do terreno retornaram até nós e tomaram o curso normal, ou seja, a trilha que havíamos percorrido à pé!

Nós outros ficamos por ali, curtindo a preguiça. Essas paradas mais longas são ótimas para interação. Permitem que as pessoas se conheçam mais, descubram gostos parecidos, estruturem uma amizade. É ótimo. Mais tarde descanso total, com o chuvisco retornando ao acampamento. Foi bom ter ficado ali. Aliás, aquele chuvisco teimou grande parte da noite. Mas o descanso foi ótimo!

Relato Dia 3

O dia amanheceu carrancudo e frio. Chuviscava forte e a friaca era forte ali na serra. Fizemos hora à espera duma melhora. Mas a certa hora vimos que naquele dia o tempo não iria colaborar tão cedo! Alguns amigos até estavam um pouco desanimados, mas desmontamos acampamento. Perto das 9h00 iniciamos a caminhada; afinal quem pratica trekking sabe que isto é sempre uma possibilidade...

Retornamos em suave aclive até a cerca cruzada no dia anterior. Ali tomamos à esquerda encosta acima. A velha trilha está praticamente desaparecida no trecho, mas vamos mantendo a direção no rumo Norte. 

Em torno de 9h15 atingimos o topo da Serra onde há um velho curral de arame, altitude em torno de 1.450m. É a vertente principal do Espinhaço. Ventava e chuviscava bastante, nos obrigando a seguir sem paradas. Tomamos a trilha rumo Leste em desfavor daquela à Noroeste que segue pela cumeada e vai dar lá pros lados da Palácio-Alves próximo ao Pico do Curral.

Estávamos na cumeada da Serra das Posses nos dirigindo ao característico Pico Cabeça de Boi. Infelizmente visual zero, o que era uma pena porque daquele trecho a vista é simplesmente de cair o queixo, sobretudo da Serra do Lobo à Leste.

Cruzamos uma tronqueira e tocamos pela trilha praticamente em nível. Em torno de 9h40 atingimos a extremidade Leste, ponto em que iríamos visitar o Pico da Cabeça de Boi, ápice da Serra das Posses. Mas como não tínhamos visual algum tomamos a trilha no Rumo Norte. Novamente uma pena, porque a vista é sensacional, sendo possível observar a Serra do Lobo por um ângulo maravilhoso; além do arraial de Cabeça de Boi lá embaixo, distante

Tocamos adiante pela velha e discreta trilha, em declive suave e rodeados por campo sujo. Mudávamos radicalmente de direção, de Leste agora tocávamos para o Norte. E este seria o nosso sentido geral até as proximidades do nosso pernoite.

Uns 10 minutos e atingimos outro velho curral. Passamos reto e seguimos perdendo altitude. O chuvisqueiro que até então vinha incomodando bastante deu uma trégua para alívio geral. Beirando 10h00 deixamos a trilha que segue a Noroeste em favor de uma discreta saída à Nordeste. Trecho curto mas um pouco confuso; em que a velha trilha sumiu em meio à vegetação arbustiva.

Mantendo a direção logo reencontramos o arremedo de trilha que margeia uma mata pela esquerda. Aproximamos do filete de mata e cruzamos um rego d'água. Prosseguindo pela trilha suja pouco a frente num pequeno morrote interceptamos uma trilha bem marcada. 

Ali há duas opções para seguir a jornada. Pode-se seguir reto galgando o morrinho ou no máximo tendendo à esquerda; uma vez que o tempo estava chuvoso. Mas por um descuido passei a saída e tomei a segunda opção. Cruzamos uma água boa e saímos em campo sujo. Tomei ciência de que sob chuva aquele caminho seria mais exigente. Então retornamos e cruzamos de volta o rego d'água. Então tomamos imediatamente a saída à direita; que nos seria menos trabalhosa.

Afluente do Posses

Poucos metros depois ignoramos uma saída à direita e caminhamos rumo ao leito de um córrego. Esse córrego é um afluente do Córrego das Posses que corre lá embaixo no vale aos pés da Serra das Posses. Esse afluente deságua neste nos arredores da Cachoeira do Chiquinho, lá embaixo, no povoado das Posses.

O afluente do Posses ainda no alto da Serra
Normalmente apresenta volume menor

Cruzamos o riacho de rochas escorregadias às 10h20 e fizemos uma parada para descanso. Naquele ponto o curso d'água formava um pocinho bom, antecedido por uma corredeira. Esse seria o ponto que teríamos que atingir no dia anterior caso não tivéssemos acampado lá na subida da Serra das Posses.

Perto das 10h40 retomamos a pernada. A trilha discreta em aclive tende à Nordeste pelo campo acima. Atingimos o topo do campo e mantivemos a direção, ignorando a primeira opcional que desce a encosta à Norte. Trecho igualmente bonito, mas sem possibilidade de vista ao longe...

Descendo a encosta pelo campo
O sinal não é trilha,
mas fruto da nossa passagem

Mas perto das 11h00 descemos a encosta suave no rumo Norte sem trilha definida, visando um corta caminho; uma vez que a trilha normal faz no trecho uma ferradura à Leste. Em poucos minutos interceptamos e cruzamos um pequeno curso d'água no fundo do vale. Este é um trecho úmido e com brejinhos.

Suave aclive e pouco acima interceptamos a volta da ferradura. Mantivemos a direção pela trilha discreta. Passamos a percorrer suave declive, trecho com formações arbustivas e árvores maiores, região ao Sul das partes altas do Rio Preto de Itambé. Trechos das encostas Leste do ParnaCipó na altura da rota Palácio x Alves e Cabeça de Boi são observados em momentos em que a neblina deu uma trégua.

Bandas altas do Rio Preto

Perto de 11h30 fizemos uma parada para algumas decisões. Naquele ritmo seria possível chegar ao fim da tarde em Cabeça de Boi, encerrando nossa Travessia. Mas ainda era segunda feira e não tínhamos certeza se conseguiríamos hospedagens lá no arraial.

Tentei contato com o resgate, visando retorno antecipado, mas sem sucesso! Porém tínhamos outra opção: acampar no último bom ponto de água da rota e seguirmos para Cabeça de Boi somente no dia seguinte; afinal estar no mato longe d folia até então eram os planos. Venceu a segunda opção!

Retomamos a caminhada beirando meio dia, agora seguindo à Leste. Mesmo com a neblina pelos topos tivemos vistas para o Norte-Nordeste, região das cachoeiras de Cabeça de Boi. Seguimos pela velha trilha em declive suave em direção a morrotes de afloramentos. Adiante percorremos um trecho estabilizados, para imediatamente iniciarmos trecho em declive acentuado, com trilha antiga, repleta de erosões e rochas. 

Descendo lentamente, seguimos margeando uma estreita matinha ciliar por onde corre um magro curso d'água afluente do Rio Preto. Estamos espremidos entre duas encostas, com vista limitada. Passava pouco do meio dia quando atingimos o curso d'água, afluente do Rio Preto. Com bom volume de água, ali seria o ponto indicado para passarmos o restante do dia.

A cachoeirinha pela rocha
Em época de seca o volume é muito pequeno

O trecho é singelo; mas estava por demais interessante. Com leito rochoso, a porção abaixo da trilha apresenta leito largo, com pocinhos, sendo possível caminhar pelo leito até atingir a tal janela Norte, um lugar com vista para o Vale do Rio Preto.

Acima da trilha em direção à íngreme encosta há uma pequena cachoeira, que escorrega espremida entre rochas e envolta por uma matinha. De acesso mais complicado através de escorregadio leito rochoso, não apresenta poço grande, mas é um lugar muito singelo.

Cachoeirinha no afluente do Rio Preto

Nos pusemos a espalhar as casas ali no trecho menos inclinado ao lado da trilha. Era um bom lugar, com opcionais. Sem pressa, fizemos tudo lentamente. Após a montagem tempo livre pra cada qual fazer o que desejar.

Visitamos a Cachoeirinha que apresentava bom volume de água. Até lá, subindo o leito rochoso alguns escorregões foram inevitáveis! O bucólico lugar garantiu um bom tempo de diversão! Outros também visitaram a porção inferior do afluente, que permitiu alguns bons avanços, inclusive até a Janela Norte. 

De um modo até surpreendente foi possível curtir bastante aquele lugar, que apesar da singeleza mostrou-se grato à nossa visita. O tempo também colaborou, resultando numa tarde sem chuva, apenas com algumas ameaças esporádicas. Rolou até com certo mormaço! Noite também bastante tranquila e proveitosa!

Relato Dia 4


O último dia da nossa pernada amanheceu parcialmente nublado; com aragem pelo menos. Aquele seria um dia mais curto já previamente pensado, pois pretendíamos fazer uma parada em Cabeça de Boi e retornar para BH em torno de 14h00.

Logo após deixar o acamps

Desmontamos acampamento e partimos beirando 9h00. Cruzamos o riacho, uma porteira velha e tomamos a trilha que logo inicia um declive suave. Formações arbustivas nos arredores, a velha trilha no rumo Nordeste apresentou pequena estabilizada.

Curral de Arame. Naquela matinha corre uma fonte

Perto das 9h15 atingimos um curral velho. É uma boa área para acampamento, pois logo à frente desce um curso d'água cercado por filete de matinha ciliar. Pela trilha velha cruzamos a aguinha com cuidado pois as rochas estavam como sabão. Tivemos alguma vista para o Norte, apesar da neblina e tempo carrancudo.

Vista Norte

Saímos em área arbustiva, com trilha em aclive suave. Trilha ampla e bonita que segue rasgando a capoeira. O mormaço havia chegado pra valer, diminuindo o ritmo da pernada. Observamos no vale à nossa direita ruído de alguma pequena queda. Seguimos subindo e cruzamos uma porteira.

Continuando a subida e atingida a cota de 1.000m saímos da capoeira, passando a margeá-la pela esquerda. O terreno muda, agora observamos um grande trecho de terra vermelha sem afloramentos rochosos. Temos algumas vistas para o Norte, com céu carregado por nuvens densas e baixas.

Alguma vista

Estabilizados, aproximamos de uma área plana, um lindo mirante para Oeste e Sudeste. A trilha em suave declive vai nos levando pela cumeada do morro, possibilitando sempre bonitas vistas à Oeste.  Trecho com trilha erodida e muitas rochas.

Pouco após 10h00 atingimos a região de um outro curral antigo. A velha trilha nos leva a beirá-lo, ao invés de termos tomado o atalho. Mas margeamos uma cerca e interceptamos a saída, desembocando num corguinho. Fizemos então uma boa parada para descanso e lanche.

Ponto de água em que fizemos uma parada


Perto das 10h30 juntamos as tralhas, cruzamos uma porteira e seguimos trilha abaixo. De uma capoeirinha adentramos numa mata, cuja trilha ampla e batida nos guia com facilidade, exceto por um ou outro ponto um pouco escorregadio.

Olha o cano

Definitivamente tomando o rumo Leste, perto das 10h45 saímos em área raleada. Observamos à nossa esquerda alguns restos de cano de água. É um sinal de que a pernada está chegando ao fim. E é o que acontece: a trilha vai se ampliando e migra para uma velha estradinha vicinal; enlameada e escorregadia em alguns pontos. 

Vicinal, na altura do desemboque

Em meio a árvores mais esparsas, pontualmente ás 11h00 desembocamos na estradinha vicinal que leva para Cabeça de Boi; próximo à altura do encontro do Córrego Cabeça de Boi com o Rio Preto. Estava vencido o trecho de serra da Travessia. O desafio agora era caminhar por quase 4 km em vicinal até Cabeça de Boi.

Região do Arraial e Serra do Lobo vistos desde a estrada

Trecho sem problemas em navegação, cada qual no seu ritmo botou o pé na estrada pelo Vale do Ribeirão Cabeça de Boi. Me mantive na rabeira, sem pressa. Pelo caminho ainda enchemos as panças de goiabas, que estavam muito bonitas e deliciosas. Aliás veio a calhar, pois o estoque de comida havia acabado... 

Serra das Posses que percorremos no dia anterior


Ainda na estrada tivemos tempo de observar a Serra das posses e o Pico da Cabeça de Boi desanuviado e lindo à Leste. Este era um ponto em que iríamos visitar. Mas ele se aliou ao tempo e optou por esconder de nós... Paciência, na próxima ele não nos escapará...

Cruzado o Cabeça de Boi, chegando no arraial

Sem grandes paradas, pontualmente às 12h00 botamos os pés no arraial de Cabeça de Boi, comemorando o sucesso da pernada. Paramos no Sô Agostinho e tomamos uns quisucos. Sol quente e queimando, limpamos as sujeiras, enquanto esperava nosso almoço no restaurante do Vicente.

Perto das 13h00 corremos pro Restaurante do Vicente aonde enchemos as panças; tendo a Serra das Posses como pano de fundo. Por volta de 14h30 deixávamos Cabeça de Boi, retornando para BH, aonde chegamos em torno de 20h00, a tempo de ainda observar a intensa movimentação de carnaval na cidade. 

"Nóis"

Apesar do clima ter interferido na nossa pernada, nos obrigando a encurtar a pernada e abandonar alguns ataques interessantes, a Travessia Altamira x Cabeça de Boi mostrou-se novamente muito feliz. É uma rota riquíssima; e bastante segura! Além disso é opcional desafogo àquelas rotas clássicas, quase sempre lotadas nos feriadões. Seus atrativos e visuais são imperdíveis e marcantes, modos que realizá-la será sempre um feito especial. Agradecido aos amigos pela confiança e alegria da companhia. Inté!

Serviço


Travessia com aproximadamente 45 km ligando Altamira de Cima, município de Nova União ao arraial de Cabeça de Boi, município de Itambé do Mato Dentro. Essa quilometragem pode aumentar em aproximadamente 13 km se incluir visitas aos atrativos na Serra das Posses, Cachoeira da Serra e Pico da Cabeça de Boi; além de 5 km de vicinal na parte final.

Percorre áreas do Parque Nacional da Serra do Cipó e da RPPN dos Borges na sua primeira metade; e de particulares na segunda metade. Corta o Bioma do Espinhaço, destacando os atrativos Cachoeiras da Braúna, Cachoeira dos Currais e topo da Cachoeira dos Borges; dentre outros cursos menores. Além da Serra da Mutuca, margeia pela base leste o Pico Montes Claros e percorre a Serra das Posses na sua totalidade. É um conjunto muito bonito!

Suas trilhas são mistas, indo de vicinais e trechos amplos a outros com trilhas antigas e mal marcadas. Percorre na parte inicial a conhecida Trilha da Braúna. A seguir percorre a Trilha Braúna x Currais. Na sequência percorre curto trecho da Palácio x Alves, para derivar até a parte alta da Cachoeira dos Borges. A partir desse ponto sobe a Serra das Posses e percorre parte das suas cumeadas e interior de campos, desembocando no Vale do Rio Preto de Itambé; nas imediações do final da Palácio x Cabeça de Boi.

Distâncias

Belo Horizonte a Nova União: aprox 60 km (asfalto)
Nova União à Altamira: aprox 18 km (estrada de terra)
Altamira a Altamira de Cima: aprox 5 km
Cabeça de Boi a Itambé do Mato Dentro: aprox 12 km (estrada de chão)
Itambé do Mato Dentro a Belo Horizonte: aprox. 120 km via Sra do Carmo e Ipoema


Como chegar e voltar - de ônibus

Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Coletivo da linha 4882 no Terminal São Gabriel até Nova União; desembarcando no Posto São Cristóvão, na Praça São Cristóvão → Coletivo Rural Transtatão até o Arraial de Altamira.
Volta: A pé ou táxi de Cabeça de Boi a Itambé do Mato Dentro → Viação Saritur de Itambé do Mato Dentro até Belo Horizonte.

► Em Nova União há apenas dois horários diários para Altamira: o primeiro saindo após 11 horas da manhã; e o segundo ao final da tarde, após 16 horas.
► Em Cabeça de Boi não há ônibus regular para Itambé do Mato Dentro.
► Em Itambé do Mato Dentro há opcional da Viação Santos (telefone 31 3831-4537) até Itabira
► Para frequências e tarifas, consulte as empresas de ônibus.
► Para frequências e tarifas de ônibus metropolitano em Belo Horizonte, consulte o DER-MG


Como chegar e voltar - de carro

Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: BR 381 até cidade de Nova União → Na Praça São Cristóvão seguir pela estrada de terra até Altamira → Continuar pela estrada sentido Altamira de Cima, seguindo até o ponto de início da Trilha da Braúna, conforme descrito no relato. 
Volta: Estrada de terra de Cabeça de Boi até Itambé do Mato Dentro → asfalto até Sra do Carmo → estrada de chão até Ipoema → asfalto até Belo Horizonte Via BR 381

► Há opção de trajeto todo asfaltado desde Itambé do Mato Dentro, passando por Itabira
► Atente-se que início e final se dão em pontos distintos e distantes. Programe o seu traslado in/out boca da trilha.


Considerações finais

► Unidade de Conservação - Parque Nacional da Serra do Cipó. O Parque não oferece sistema de reservas, cobrança de ingresso, pernoite ou cobrança de uso de trilhas; pois não há infraestrutura implantada. Quando visitamos unidades que se encontram nessas condições é recomendável que mantenhamos contato com a Unidade e avisemos das nossas intenções. É importante que a Unidade tenha ciência de quem está caminhando pelas terras do Parque, pois isto poderá ser orientado; além de gerar estatísticas, estudos e melhorias.
Contatos do ParnaCipó: 31 3718-7469 | E-mail parna.serradocipo@icmbio.gov.br

► Unidade de Conservação - RPPN dos Borges. São recomendáveis os mesmos procedimentos dispensados ao Parque Nacional da Serra do Cipó.
Contato RPPN dos Borges: 31 98787 6222 | E-mail contato@rppn.com.br

► Áreas particulares: Não há cobrança de ingresso, acesso, pernoite ou uso de trilhas pelo trajeto. Manter discrição em todas as ações; com postura responsável, ordeira e respeitosa. Sempre que possível buscar autorizações antecipadas para passagens. Na impossibilidade, aproximando de sítios, fazendas e similares informar sempre sobre suas intenções. Manter fechadas todas as porteiras e tronqueiras. Jamais romper cercas. Nunca provocar ou assustar animais e criações. Não abrir áreas para acampamento. Jamais realizar fogueiras. Manter consigo todo e qualquer lixo gerado. 

► Trilhas e Trajeto: Trajeto misto, contendo trechos com trilhas amplas e batidas; trechos com trilhas discretas e trecho ausente de trilha. Também poderá incluir vicinais, dependendo da logística utilizada e condições de acesso. Não há sinalização, exceto na divisa do ParnaCipó e Base de Apoio Sul do ParnaCipó. Há pontos com trilhas se cruzando e muitas bifurcações, requerendo atenção na navegação. Há aclives e declives, alguns íngremes e alongados. Há pequenos regos e córregos de porte variáveis a cruzar; podem se tornar volumosos sob chuva.

► Experiência em Trekking: Não vá solo realizar essa trilha, em especial se apresentar pouca experiência em Trekking. O trajeto a partir da Serra dos Borges pode se tornar complicado; apresentando surpresas. Paisagens pelo Espinhaço são muito parecidas e podem confundir.

► Logística de Acesso 1: Início no Acesso da Trilha da Braúna, em Altamira de Cima. Final no arraial de Cabeça de Boi. É possível chegar ao local inicial de automóvel ou de ônibus; nesse caso complementando à pé a partir de Altamira. Na parte final é possível também acessar de automóvel. Para acesso por ônibus necessário complementar de táxi ou à pé. Acessos mistos, com asfalto e chão batido. Também é possível a realização ao inverso.

► Logística de Acesso 2: Atente-se para o horário do início da caminhada. Para realizar uma caminhada tranquila no sentido Sul-Norte é recomendável que inicie a travessia em Altamira de Cima no máximo em torno das 10h00. Igualmente se fizer ao contrário.

► Logística de Acesso 3: Caso dependa exclusivamente do ônibus para chegar à Altamira, saiba que somente chegará ao arraial por volta de 12h00. Terá que encarar mais de 7 km de estradinha vicinal até chegar no ponto do início da Travessia em Altamira de Cima. Neste caso, é recomendável que o caminhante seja ágil e faça somente paradas curtas durante a travessia. Calcula-se sua chegada à região dos Currais a partir de 18h00, desde que em grupo reduzido e ágil caminhada, sem parada nos atrativos.

► Camping: modo natural. Há possibilidade de pernoite na Casa dos Currais, um casebre em péssimo estado que serve de ponto de apoio à rota Palácio x Alves. Para tanto é necessário contatar e reservar junto ao Parque Nacional, que pode atender ou não à solicitação, pois a variante não é oficial daquela Unidade.

► Água: Há pontos de água pela rota, porém em época de seca muitos deles desaparecem. A partir da subida da Serra das Posses há longo trecho sem fontes. Iniciar caminhada sempre abastecido; ou o faça sempre que encontrar uma fonte. Use purificador!

► Exposição ao Sol: Intensa. Use protetor solar.

► Época de realização: O melhor período para realização é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. No verão também é possível, mas esteja atento: Sob chuvas simples regos d'água ou mesmo naturais valas de drenagem podem se transformar em ribeirões volumosos pelo Espinhaço. Sob chuva forte a travessia se inviabiliza

► Segurança - Escape: Até região da Braúna retorne para o início em Altamira de Cima. Na região dos Currais siga para Serra dos Alves. Na região do topo da Cachoeira dos Borges siga para Serra dos Alves ou Cabeça de Boi via Vicinais. A partir do Alto da Serra das Posses siga para o final da Travessia em Cabeça de Boi. Tenha em mente que em circunstâncias adversas os deslocamentos podem ser longos. Não há estrutura de busca e resgate na região. Não há sinal de telefonia celular constante pela rota; apenas em alguns raros pontos específicos. Não há obviamente terminais telefônicos.

►Segurança - Vestuário: Ao praticar Trekking prefira utilizar calças compridas e camisetas com mangas longas. Isto oferece maior proteção frente à vegetação e eventuais insetos; além de minorar a ação do sol.

► Atenção: Ambientes naturais abrigam insetos e animais selvagens ou peçonhentos. Isto é natural; é normal. Portanto, seja ao caminhar ou ao assentar esteja sempre atento. Ao manusear vestuário e equipamentos verifique com atenção se não há presença desses animais ou insetos. Também esteja atento quanto a presença de animais selvagens de grande porte; evitando assustá-los.

► Cash: em pequenas localidades aceita-se apenas dinheiro. Em Altamira e Altamira de Cima há bar e restaurante. Há também pousada. Em Cabeça de Boi há bar, restaurante e várias pousadas. Recomendamos a Pousada Recanto da Morena e o Restaurante do Vicente.

► Carta Topográfica: Jaboticatubas e Conceição do Mato Dentro


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos!

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