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Travessia Serra Fina: exigente, porém extraordinariamente bela!

Vista sudeste: sombra da Pedra da Mina sobre o Tartarugão. À esquerda, o Capim Amarelo. Ao fundo Marins
Desde os anos 80 quando ainda residia em Alagoa, no Sul de Minas Gerais já ouvia falar de uma Travessia pelos cumes de parte da Serra da Mantiqueira, iniciando na cidade de Passa Quatro e findando na cidade de Itamonte; ambas cidades bem próximas de minha residência. Naquela época poucos se aventuravam por lá e para complicar, as informações disponíveis eram restritas, internet não exisitia... GPS - o que era isto?

Ouvia dizer e por residir na região, sabia que era uma Travessia exigente, com altitude elevada para padrões brasileiros, restrição de oferta de água, muitos e variados desníveis e trilhas pouco marcadas, muito embora não fosse longa. Além disso, as condições do clima e vegetação bastante peculiares tornavam a caminhada ainda mais penosa. Todos esses fatores fez com que muitos na época (e até hoje para alguns) classificassem a Travessia da Serra Fina como uma das mais difíceis do Brasil...

►► Leia também outro relato da Travessia da Serra Fina, de 2014

Passados mais de vinte anos das primeiras notícias dessa Travessia, em 2013 em companhia de alguns amigos voltamos à 'temida' Serra Fina. Pelo que percebi, o panorama natural continua o mesmo, porém hoje há uma boa marcação de trilhas, fruto do grande público que ora se aventura naquelas bandas. De todo modo, continua sendo uma Travessia exigente, prova é a quantidade de interrupções de caminhadas que anualmente temos notícias, muitas delas advindas de pessoas experientes.

Independente de classificações e polêmicas, a Travessia da Serra Fina é obrigatória para os amantes de trekking, uma vivência incrível por um microclima diferente, vegetação rica e bela; além de horizontes magníficos, possibilitados pela elevada altitude pouco comum no Brasil. É daqueles lugares que sugam do caminhante todas as suas forças, mas o premia com uma extraordinária beleza e experiência ímpar: É um lugar magnífico que vale a visita!

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Powered by Wikiloc
Atualização Mar 2016: Esta gravação é de visita à Serra Fina em 2015

Os planos para essa Travessia 2013 foram nos moldes tradicionais, feita em quatro dias, com pernoites nos cumes do Capim Amarelo, Pedra da Mina e Três Estados. Isto se justificava porque queríamos aproveitar cada centímetro daquele lugar. Inicialmente previsto para o feriadão de Corpus Christi, foi adiada para os dias 27 a 30 de junho devido às condições climáticas daquele período. Esta decisão foi a mais acertada, pois além do clima chuvoso daqueles dias, evitamos a "superpopulação" no alto da serra comuns em feriadões.

Cumprindo a programação, a noite do dia 26 de junho era o dia da viagem rumo a Serra Fina. Como sabemos, acontecia naqueles dias no Brasil a Copa das Confederações. As cidades brasileiras estavam efervescentes, com ruas abarrotadas de gente a manifestar por variados motivos, a grande maioria pacificamente. No dia do embarque, previ que minha ida pra rodoviária de BH não seria fácil, pois a importante avenida que liga a Pampulha ao Centro de BH estava fechada. Cerca de 60 mil pessoas assistiam a vitória do Brasil sobre o Uruguai no Mineirão; enquanto outros 60 mil transformavam as redondezas do estádio em praça de guerra.

Saí de casa às 17 horas para embarcar às 20h45 na rodoviária, receoso por algum problema. Porém, o único imprevisto que tive foi esquecer em casa minhas passagens, fato que me obrigou a voltar para pegá-las, modos que somente às 18h30 adentrei na rodoviária. Cedo demais, pois não tive problema algum para chegar até lá. Após algum tempo encontrei com a Sol, James e o Rodrigo; outros parceiros da pernada. 

Embarcamos no horário previsto em um ônibus da empresa Atual (que iria para Aparecida - SP) e às 3h30 da madrugada, após uma noite de sono mais ou menos, desembarcamos no Km 14 da rodovia MG 158, no Posto Pilão na cidade de Passa Quatro. Não demorou e nosso resgate chegou conforme combinado, trazendo consigo o Jaques que havia chegado por lá na noite anterior. Apresentações devidas, fomos direto para a rodoviária da cidade, aonde ficamos esperando o Rodolfo, que chegou às 4h30 vindo de Curitiba e São Paulo, após um atraso devido a um acidente na Via Dutra. Não fazia frio!

Entrada de sítio até onde é possível se chegar de automóvel
Imediatamente embarcamos em nosso resgate, que tomou a rodovia MG 158 sentido divisa dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Poucos quilômetros adiante, ao chegar no bairro Pinheirinho, em frente ao Armazém da Cibrazem, entramos à esquerda por uma estrada de terra. Fomos sacolejando na carroceria da picape morro acima.

Madrugada parcialmente nublada, mesmo assim a discreta claridade da lua possibilitava ver os topos das serras com carapuças; além de várias casas, sítios e algumas pirambeiras pelo trajeto. Por volta de 5h45 chegamos até o ponto onde é possível se chegar em automóvel, nas redondezas do Refúgio Serra Fina, precisamente em frente à entrada de um sítio de um morador local, por onde à esquerda corre um pequeno riacho. Aproveitamos para fazer e tomar um café, esperando o dia clarear para iniciar a caminhada.

Dia 1 - Do Sítio ao Capim Amarelo

Na verdade, a Toca do Lobo não passa de um buraco
riacho em frente à Toca do Lobo
Era pontualmente 7h00 da manhã quando iniciamos nossa caminhada. Seguimos por uma estradinha em péssimo estado, porém sem pontos confusos. Inicialmente em subida, fomos contornando o morro coberto por uma mata. Em dado ponto, torna-se plana e há uma bifurcação, quando nos mantivemos à esquerda, na estrada mais batida, seguindo por uma leve descida. Caminhada tranquila e sem pressa, às 7h30 chegamos à Toca do Lobo, ponto inicial da trilha.

A Toca do Lobo não passa de um buraco pouco profundo formado por rochas e encravado em um barranco à esquerda da chegada. Ao lado direito corre um riacho com águas límpidas. Nos arredores há uma mata viçosa. Apesar da neblina foi possível ver parte dos morros acima por onde caminharíamos.

Após coletar um pouco de água, cruzamos o riacho pulando sobre pedras e entramos na trilha pelo barranco acima. Inicialmente caminhando por entre uma matinha, logo atingimos um pequeno platô em campo aberto, de onde foi possível ver melhor a trilha morro acima, bem como o lado oeste, coberto parcialmente por neblina. A temperatura estava agradável, porém não fazia sol!

Crista da Serra Fina: neblina cobrindo o Capim Amarelo
A trilha é bem marcada, óbvia e não há possibilidade de erro neste trecho. Seguimos em ritmo bastante lento, modos que somente por volta de 9h00 chegamos ao ponto de coleta de água, que fica à direita da trilha, descendo por um degrau. Nesse ponto é onde se deve armazenar água para o restante do dia e parte do dia seguinte. Abastecidos e mais pesados, a lentidão continuou  pela subida do Quartzito. Por volta de 9h50 chegamos àquele ponto clássico da Travessia da Serra Fina, onde se caminha por uma bela crista e que todo mundo tira fotos. Alguns chamam o lugar de Passo de Anjo. Rodrigo havia disparado adiante e estava à nossa espera ao final desse trecho. Pausa para fotos e logo prosseguimos. Quase ao final do trecho, James se lembrou que havia deixado o bastão lá no início. Teve que voltar...

Camelo: a hora do descanso
Camelo: a hora do descanso
Fiquei esperando o retorno do James juntamente com Rodolfo, enquanto o restante do pessoal foi subindo... subindo... Até este momento, e assim seria por todo o dia, não conseguíamos ver o topo do Pico do Capim Amarelo devido à neblina. Apressamos o passo e alcançamos os dianteiros, quando paramos para descanso. O capim navalha, que forma tufos que confundem a trilha e teimam em 'acariciar' nosso rosto já se fazia presente.

Daí para cima entramos na área de domínio da neblina. Não se via grandes coisas nem para cima, nem para baixo. A trilha estava úmida e o terreno formado por uma terra preta tornou-se liso, forçando-nos por várias vezes a nos segurar no capim para não irmos ao chão. Por volta de 12h30 chegamos ao acampamento do Camelo. Pausa para descanso.

Cada vez mais íngreme, retomamos a caminhada pela trilha que parecia não ter fim. Adentramos por trechos dos temidos carafás, que são bambuzinhos, uns finos; outros nem tanto; sendo todos eles muito 'rebeldes'. Começou aí o amor e ódio à espécie vegetal. Ao mesmo tempo em que eles espetavam nossos corpos e nossas cargueiras, eles serviam de alavancas para subirmos trilha acima.

Quartzito visto desde o Capim Amarelo. Esta foto é do dia seguinte, quando foi possível ver o trecho percorrido no dia anterior.
Passamos por trechos de escalaminhada (ou trepa-pedras), sendo um deles bem próximo à uma pirambeira à direita, onde qualquer erro resultaria em sérios problemas; além de outro, onde o degrau era alto demais. Com a trilha lisa feito sabão, transpô-los com as cargueiras beirando em torno de 15 kg não foi brincadeira, modos que o nosso progresso foi lento. Quanto mais próximos do topo, mais lisa estava a trilha. Assim, bastante cansados, por volta de 13h40 pisamos o topo do Capim Amarelo.

Ficamos até surpresos, pois até então a neblina não nos havia permitido ver o topo do Capim Amarelo para calcularmos distâncias. O topo do Capim Amarelo é um pouco ovalado, repleto de tufos de capim navalha, que formam proteções seguras para se acampar. Cabem várias barracas por lá. Naquela tarde não havia visual...

Reconhecido o terreno, paramos para descansar. Estava ventando bastante e fazia frio. Como ainda era cedo, sugeri esticarmos a caminhada até o Maracanã. Fui vencido, pois o restante do pessoal não queria nem saber em caminhar mais naquele dia. Não havíamos tido boa noite de sono e como acho, o primeiro dia de uma travessia é sempre o mais cansativo. Então partimos logo para armar acampamento. Depois fizemos nosso almoço, ficamos proseando e explorando o topo. Por volta de 16h30 uma chuva fina com um vento mediano começou a varrer o Capim Amarelo. Mergulhamos nas barracas e ficamos apreensivos!

Aquela chuva ora aumentava, ora diminuía, e tornou-se insistente. Começamos a pensar na possibilidade de abortar a travessia; já que caminhar sob neblina e chuva seria cansativo demais. Escureceu e eu não aguentava mais ficar na barraca. Aproveitamos uma trégua  da chuva e fomos fazer um café ao lado da barraca do Jaques. Não deu tempo nem de apreciar o capuccino e a chuva voltou mais forte. Já dentro da barraca, o James manteve contato com sua esposa para se informar sobre as previsões do tempo. E não eram animadoras... Assim, combinamos que ao amanhecer tomaríamos as decisões. Adormeci e por volta de 3h00 da madrugada acordei e constatei que a chuva ainda continuava...

Considerações do Primeiro dia:

► De Passa Quatro (cidade) à Toca do Lobo são aproximadamente 18 km por estrada vicinal. Pode-se fazer à pé, mas creio que vale a pena contratar um transporte, pois ganha-se no mínimo meio dia. 

► Os veículos não estão chegando à Toca do Lobo, indo até uns 2 km (mais ou menos) antes nos arredores do Refúgio Serra Fina, pois a estradinha dali em diante apresenta muitos e grandes buracos. 

► Da Toca do Lobo ao topo do Capim Amarelo é praticamente só subida, tendo apenas alguns pequenos trechos planos. O desnível vai de 1.570m a 2.490m (medições extra-oficiais). 

► Não é necessário abastecer-se de toda a água para o consumo do dia e seguinte no riacho da Toca do Lobo, pois cerca de 1,5 km acima da Toca há água à direita da trilha. Porém vale lembrar que, enquanto a água do riacho é límpida e transparente, a água acima é um pouco amarelada devido à vegetação de bambuzinhos próxima ao rego d'água. Eu coletei somente nesta! 

► Há no trecho 5 pontos em que se poderia acampar, porém cabem poucas barracas, de 2 a 4 no máximo, dependendo do tamanho/formato; e não são locais bem abrigados. O melhor é o Camelo, mas ele já está bem próximo ao topo do Capim Amarelo...

► Não há a menor possibilidade de erro de trilha nesse primeiro dia. Mesmo que você esteja com um GPS, só irá se lembrar disso se precisar conferir outros dados. A navegação é puramente visual e não se preocupe, é só seguir a trilha que é muito bem marcada! 

Dia 2 - Do Capim Amarelo à Pedra da Mina

Prenúncio do sol sobre a Pedra da Mina
Marins e Itaguaré e o mar de nuvens
Como sabemos, para cada dia já bastam as suas preocupações! E não é que, por volta de 5h45 da manhã, ao colocar a cabeça fora da barraca vi a lua iluminando o Capim Amarelo? Os primeiros sinais de sol vinham das bandas da Pedra da Mina, à leste do Capim Amarelo. Gritei os amigos e todos levantaram para ver o nascer do sol. Nem lembramos mais em abortar a Travessia...

Agora com tempo aberto, impactante ver o caminho a seguir naquele dia e a imponência da Pedra da Mina à leste. À oeste, os irmãos Marins e Itaguaré reinavam em absoluto adiante daquele mar de nuvens feito algodão doce. Também somente com o dia belo e claro foi possível ver o trajeto percorrido no dia anterior e justificar porque demoramos tanto para subir: era uma ladeira do início ao fim! Mas tudo muito escandalosamente bonito!

Enquanto apreciávamos aquela manhã e já ajeitávamos as tralhas para seguir viagem chegaram dois paranaenses que iriam fazer a Travessia, mas que já haviam decidido abortar, pois um deles estava com problemas no joelho. Muito simpáticos, eles haviam passado a noite no Camelo! 

Deixamos o Capim Amarelo em torno de 9h00 da manhã. Tomamos a direção da extrema esquerda e localizamos a trilha sem dificuldades. Despencamos ladeira abaixo, inicialmente por entre capim e depois por entre bambus. Estava tudo muito liso e escorregões foram vários. Alguns se sentaram forçadamente por algumas vezes...

Trinta minutos depois havíamos vencido a descida do Capim Amarelo e chegado ao Avançado, um lugar que cabem algumas barracas. Os paranaenses que haviam esticado conosco até ali resolveram voltar, conforme seus planos. Nos despedimos e prosseguimos uma pequena escalaminhada, chegando em um área de capim alto.

Maracanã: cabem muitas barracas
A trilha segue à leste margeando um morro. Fomos tendendo em linha reta e logo percebemos que havíamos perdido a trilha nos tufos de capim. Não demoramos a encontrar a rota certa e logo adentramos em uma matinha rala, com trilha bem marcada. Pouco adiante, novo erro, quando o Jaques que puxava a dianteira percebeu que a trilha se fechou.

Voltamos alguns metros e localizamos a bifurcação sentido da direita, bastante discreta em meio à vegetação. Rota resolvida pouco tempo depois passamos por uma pequena área de acampamento, para logo depois chegarmos ao Maracanã. Excetuando os topos do Capim Amarelo, Mina e Três Estados, além do Ruah, o Maracanã é o maior acampamento disponível pela trilha. É uma área abrigada, um pouco inclinada e que cabem muitas barracas. Fizemos uma horinha e uma boquinha por lá.

Capim Amarelo encoberto pela neblina visto desde o início da crista rumo ao Melano
Voltando a caminhar, adentramos novamente por entre uma matinha, sempre em aclive, alternando trechos mais fechados e outros mais abertos; tufos de capim e bambus. Passamos pela bifurcação do Maracanãzinho e tocamos pela esquerda. Entre bambus chegamos à base de uma área rochosa; já em área aberta. Subimos pelas arestas, que estavam muito lisas. Chegamos então ao ponto inicial da crista, que nos levará até a região do Melano.

Seguimos pela crista através de trilha rodeada por bambuzinhos, observando adiante um nível bem mais alto da própria crista. Indo neste sentido, passamos por degraus e algumas escalaminhadinhas básicas e vamos ganhando altura. Alternam-se vários pula-pedras, capins e bambus, porém a trilha segue bem marcada, até que chegamos a um ponto mais alto, nas proximidades do Pico do Melano.

Após, seguimos por um trecho entre tufos de capim, varando um morrote em diagonal. Adiante, demos uma guinada para sudeste. Passamos por alguns lajeados e chegamos em uma área de charco; com trilha bastante enlameada e puro barro preto. A área é plana, onde em emergência é até possível se acampar. Sentamos em alguns lajeados para um longo descanso e lanche. O Melano está então bem à nossa direita.

Morro do Tartarugão
Depois de cerca de meia hora retomamos a caminhada. A trilha seguiu marcada, com uma breve subida. Passamos por um trecho plano com sinais de acampamento. Adiante, uma descida mais forte por lajeado e entre capins; que nos levou até o fundo de um vale, onde também é possível acampar. Após o vale, prosseguimos pela subida mais íngreme começamos a nos aproximar da Pedra da Mina. Estávamos próximos à área das nascentes, onde à nossa direita surge imponente o Morro do Tartarugão, nas proximidades da Cachoeira Vermelha.

À nossa frente encontra-se a Pedra da Mina: bela e impressionante como vista ao longe. Não fomos até a Cachoeira Vermelha. Seguimos pela trilha em aclive suave, passando por algumas lajes e capim mediano, até que, demos uma guinada para a esquerda, indo em direção a um grande totem no topo de um morrote.

Eu e a Sol ficamos na rabeira tirando fotos enquanto os outros seguiram adiante. Quando voltei a caminhar, passei pela trilha que discretamente segue à direita. Observei os da dianteira parados bem abaixo, à minha esquerda. Eles falaram comigo, mas não ouvi devido ao vento. Apressei o passo, fui em direção a eles e imaginei que até tinham "inventado um atalho" à base da Mina. Mas ao alcançá-los, constatamos que havíamos deslocado da trilha. À essa altura tínhamos duas opções: varar o capim e interceptar a trilha do outro lado da água; ou voltar até encontrar onde havíamos desviado, voltando alguns metros morro acima.

Preguiça em subir, decidimos que seguiríamos em frente! Fomos lutando contra aquele capim alto, tendendo para a direita em direção à trilha e fugindo de um brejo. Não foi fácil e levei um bom tombo no trecho!!! Mas progredimos bem e interceptamos a trilha um pouco acima do ponto de água do Rio Claro. Assim, eu e Jaques ficamos sentados por ali enquanto o restante do pessoal voltou uns 30 metros trilha abaixo para captar a água para aquele restante do dia.

Nesse ponto dá-se para acampar e cabem algumas barracas. O tempo naquele momento alternava neblina e sol fraco. Abastecidos retomamos a caminhada, agora já bem próximos à base da Pedra da Mina. Através das lages fomos ganhando altura sem dificuldades. Apenas o cansaço que estava batendo, pois já passava das 16h00 e tínhamos pela frente a trilha que sobe a Pedra da Mina literalmente em linha reta!!!

Subida da Mina: em linha reta sobre terreno pedregoso
Compare com a foto anterior: na base, o tempo estava aberto. E veja como estava o tempo quando chegávamos ao topo da Mina.
O tempo muda muito rápido no topo da Mantiqueira
A subida da Pedra da Mina não é feita diretamente sobre lajes de pedra. Trata-se de um terreno raso e  pedregoso; e naquela tarde estava liso e barrento devido à chuva do dia anterior. A vegetação é rasteira e típica de altitude, com uma espécie de "carafá anão". Pacientemente vamos ganhando altura até que chegamos a um ombro da Pedra da Mina. Daí em diante a presença de rochas à mostra é maior. Totens vão marcando a direção e poucos metros acima chegamos no topo da Pedra da Mina.

Alegria pela chegada, porém o visual estava prejudicado pela neblina. Ventava bastante, chuviscava e fazia muito frio. Apenas umas poucas fotos, registros no livro cume e tratamos de armar acampamento por ali mesmo. O Jaques até queria descer para o Vale do Ruah, mas ponderei que não poderíamos perder a chance de passar uma noite no topo da Mantiqueira e ver o nascer do sol no dia seguinte. E assim foi feito. A Sol, Rodrigo e Rodolfo ficaram na parte mais alta, próximo ao marco. Eu, James e Jaques ficamos na parte mais baixa, mais à leste.

O topo da Pedra da Mina é amplo, porém irregular. Não há árvores ou capim alto, apenas vegetação rasteira por entre pedras, muitas delas soltas. Há alguns pontos para acampamento, alguns deles sobre rocha e abrigados por paredes de pedras construídas pelos visitantes. Mas não são muitos. Em períodos de grande visitação certamente faltam locais para os aventureiros no topo. No momento da nossa chegada não tivemos visual à distância: havia neblina, garoava e fazia muito frio!

Armadas as barracas, nos ajeitamos e enquanto isso o tempo mudou novamente. Assim que escureceu pudemos contemplar o belíssimo visual desde o topo enquanto preparávamos o jantar, pois a neblina havia se dissipado. Aglomerados de luzes de vilas e cidades perdiam às nossas vistas. Dezenas delas podiam ser observadas. O céu estrelado era outro espetáculo. A temperatura caiu rapidamente.

Apesar disso, eu, James e Jaques ficamos conversando por um longo período, até que o frio apertou de vez nos obrigando a mergulhar em nossas barracas. Pela madrugada saí para dar uma volta: nem precisou acender a lanterna, pois a lua iluminava todo o topo da Mina. Incrivelmente não fazia frio exagerado e a beleza era impressionante: lua, estrelas, luzes das cidades... o silêncio total e absoluto daquele lugar! Como aquilo estava lindo...

Considerações do Segundo dia: 

► É um trecho de muito sobe e desce. Prepare suas pernas! Há algumas escalaminhadas, porém nada que exija cordas ou conhecimentos técnicos. A vegetação continua exigente, com bambus e capim que dificultam a caminhada. 

► Há no trecho entre o Capim Amarelo e a Pedra da Mina pelo menos uma meia dúzia de lugares em que se poderia acampar. Excluindo o Maracanã, que é bem grande e está mais próximo ao Capim Amarelo; todos os outros são para uma, duas ou três pequenas barracas no máximo. Inclusive há um local próximo ao Rio Claro, bem mais abrigado.

► Em caso de superlotação da Pedra da Mina, o recomendável seria seguir adiante e descer até o Vale do Rhuá, acampando por lá. Do topo da Mina até o Ruah são no máximo 30 minutos de lenta descida. Os mais espertos o fazem em cerca de 10 minutos sem problemas! Então, mesmo pernoitando no Rhuá é possível subir e curtir o nascer do sol no topo da Mina no melhor estilo Pico da Bandeira!

► Água nesse dia somente é encontrada no Rio Claro, já nas nascentes da Pedra da Mina, quando a trilha cruza o dito cujo e é normalmente atingido ao final do dia. Há registro de água nas proximidades do acampamento do Dourado-Maracanãnzinho (próxima área depois do Maracanã), mas não fui conferir isto. Faz sentido porque a região onde está o Maracanã e o Dourado seria um ponto mais baixo e a trilha tem trechos mais úmidos. Indo pernoitar no topo da Pedra da Mina, não há a necessidade de exagerar na captação de água, pois no início do próximo dia há água no Vale do Rhuá, nas nascentes do Rio Verde logo após descer a Pedra da Mina.

► Os erros que tivemos no trecho foram insignificantes e ocorreram mais em função de nossa desatenção do que a dificuldades das trilhas propriamente ditas. Não fique preocupado com isto. As trilhas pelo trecho são bem marcadas pelo pisoteio e são facilmente identificadas. Certamente no verão estarão mais fechadas, mas principalmente tendendo para o meio/final de temporada da montanha a vegetação fica bem menos rebelde! 

Dia 3 - Da Pedra da Mina ao acampamento Bandeirante (aos pés e após o Pico Três Estados)

Lá vem o sol sobre o Planalto do Itatiaia
Chegou
Topo com sol pra secar o orvalho da noite fria
Passava das 6h00 da manhã quando nos levantamos no topo da Pedra da Mina. O dia estava magnífico e o sol já anunciava sua chegada pelas bandas do Agulhas Negras. Nuvens cobriam parcialmente os vales paulista e mineiro; além de parte do leste/nordeste, o que não nos permitia ver o pico Três Estados. Fazia frio, mas não intenso. O visual do amanhecer foi belíssimo. Só mesmo presenciando tamanha beleza para sentir o significado daquilo...

Enquanto preparávamos o café apareceu por lá um aventureiro de São Paulo, que disse estar nas redondezas desde o dia anterior. Logo ele seguiu e não o vimos mais naquele dia. Fizemos mais uma horinha pelo topo, momento para muitas fotos, contemplação, conversas e risadas.

Descendo a Pedra da Mina
Vale do Rhuá visto da descida da Pedra da Mina
Por volta de 9h00 iniciamos a descida da Mina. A trilha seguiu por entre pequenas rochas, alternando trechos mais íngremes com outros mais simples; que não apresentaram dificuldades. Eu, Jaques e Rodrigo seguimos um pouco mais à frente. Da descida vê-se o majestoso Vale do Rhuá logo abaixo. Incrível mas do início da descida da Mina, o Rhuá se parece a um vale de gramíneas, com algumas áreas abertas no início, bem como o Rio Verde correndo à nordeste, que é a rota que seguiríamos.

Rapidamente a neblina começou a baixar e o visual foi ficando prejudicado. Nem o Pico do Avião foi possível ver direito. Meia hora desde o topo e caminhando lentamente, passamos pelo trecho onde se vai ao Pico do Avião e chegamos ao acampamento no início do Vale do Ruah. Esse acampamento é bem abrigado, plano e cabem muitas barracas. Agora, aquilo que parecia uma gramínea desde a Minas eram tufos de capim de quase dois metros de altura. Essas moitas de capim eram autênticos sofás para descanso. Aproveitamos e fizemos uma horinha...

Pé na trilha, fomos rasgando aquele capim, que por sorte estava seco. Na Mantiqueira é assim: pode chover num ponto e não chover em outro a poucos metros! Porém em vários trechos o solo estava pantanoso! Após cruzar o rego d'água do Rio Verde seguimos pelos sinais de passagem entre as moitas de capim. Permanecemos sempre ao lado direito do Rio Verde e pela trilha às suas margens. Mais ou menos no meio do vale paramos para captar água suficiente para aquele dia e para grande parte do outro dia. Ao voltarmos a caminhar deparamos com o capim mais fechado e por vezes sumíamos completamente em meio à vegetação.

Aproximamos ainda mais do Rio Verde seguindo os sinais entre os capins. A passagem apresentava buracos, círculos e barro. Alguns pisaram em poças, outros levaram tombos! Foi aí que observamos que poderíamos ter deixado para captar água nesse ponto mais abaixo. O Rio desce formando algumas pequenas corredeiras e quedas. Muito bonito, mas nem pensamos em tomar banho ali, pois naquele momento fazia muito frio... O curioso do trecho é que bem antigamente a rota passava bem mais à direita do riacho...

Cupim do Boi (E) e Cabeça de Touro (D). Ao centro, Itatiaia
Por volta de 11h00 começamos a deixar o Vale do Ruah. Fomos contornando o morrote final, tendendo para à direita. Houve uma divergência de marcação e tomamos uma saída menos usual, modos que tivemos que subir algumas pedras e lajes para interceptar a trilha mais acima. Passamos por um pequeno acampamento e daí em diante iniciou o intenso sobe e desce rumo ao Três Estados; passando por alguns cumes menores e vales suaves. É um longo trecho que alterna mata de bambus e capinzais. O visual é quase sempre aberto!

Por volta de 12h30 chegamos ao um mirante, onde já se via adiante e bem próximo o Cupim de Boi à esquerda; e o Cabeça de Touro à direita. Na janela, ao meio, via-se a região de Itatiaia. Bem à leste via-se o Vale das Cruzes em direção ao Estado do Rio de Janeiro, com belíssimos despenhadeiros em rochas. O Três Estados, mais à nossa esquerda adiante ora aparecia, ora sumia envolto pela neblina. Fizemos uma boa parada para descanso e contemplação!

Três Estados visto da trilha antes do Cupim do Boi
Retomamos a caminhada subindo pela trilha entre pedras e vegetação de bambus, seguindo pela crista em direção ao Cupim de Boi. Paramos novamente para descanso, pois estávamos pesados. Ao retomarmos a caminhada, como estávamos próximos aos pés do Três Estados, o Jaques preferiu varar mato e pegar um atalho aos pés do Cupim de Boi, evitando fazer a subida final. Nós preferimos fazer o tradicional, indo até o final do Cupim, de onde se tem bela vista adiante, inclusive do Cabeça de Touro.

NO Cupim do Boi rápida parada apenas para fotos. Logo descemos pela encosta íngreme em direção à matinha aos pés do Três Estados, onde o Jaques já estava à nossa espera. É a região conhecida por Bambuzal; onde chegamos por volta de 14h15. Nesse trecho de mata e bambus há alguns locais excelentes para acampamento, mas não são grandes como o Maracanã ou o Rhuá!

Subindo o Três Estados
Breve descanso e iniciamos o ataque ao Três Estados. Neste momento, a neblina não deixava ver o seu topo. Cruzamos a mata e fomos ganhando altura, passando por trechos de escalaminhadas. Começou a ventar forte! Prosseguimos e após passar por um platô, uma espécie de ombro do Três Estados, fizemos o ataque final. A trilha estava lisa, bastante fechada pelo capim com quase dois metros de altura. Novos trechos de escalaminhada. Visual distante quase zero, apenas algumas rápidas janelas. Jaques, James, Rodrigo e Rodolfo deixaram eu e Sol para trás. Fomos subindo lentamente e as paradas foram várias.

Topo dos Três Estados
Às 15h30 nós, retardatários colocamos os pés no topo do Três Estados. O lugar é parecido com o topo do Capim Amarelo, repleto de tufos de capim, com várias áreas abrigadas para acampamento. Cabem muitas barracas por lá. Explorei o topo rapidamente e voltei àquele escrito de ferro que identifica os Três Estados. Não havia visual contínuo devido à neblina, apenas algumas janelas rápidas. O pessoal da dianteira decidiu seguir adiante e caminhar até onde fosse possível naquele dia, de modo a diminuir a caminhada do último dia. Assim, permanecemos apenas 15 minutos no topo do Pico Três Estados, o décimo mais alto do Brasil.

Iniciamos a descida do Três Estados por trilha bem marcada no sentido norte. É uma pirambeira, com trechos bastante íngremes e vários degraus. Mas não tem erro e há alguns totens marcando a trilha. Não demoramos e em meia hora havíamos vencido a descida. Tomamos à direita numa discreta bifurcação, percorremos novo trecho de capim alto e chegamos ao acampamento Bandeirante por volta de 17h00.

O acampamento Bandeirante é pequeno e irregular. Aí estávamos com um problema. Para seguirmos até o próximo, maior e melhor acampamento ao pés do Alto do Ivos com luz do dia parecia pouco provável. Voltar ao Três Estados nem pensar... O jeito foi apertar as barracas e o Rodolfo dividir a casa com o Rodrigo. No final deu tudo certo! Logo depois, a neblina começou a dissipar e era possível ver a pirambeira do Três Estados que havíamos acabado de descer. Via-se também e já bem próxima a região do Itatiaia à leste. Ao norte via-se o caminho a prosseguir no outro dia: era a última grande subida para o Alto dos Ivos. Jantamos e ficamos proseando até tarde. Foi uma noite tranquila: um sono só!

Considerações do Terceiro dia: 

► Deixe para captar água quando for distanciar do Rio Verde e subir a encosta à direita, já na saída do Rhuá: assim anda-se menos tempo com maior peso! 

► O sobe e desce também está presente nesse terceiro dia; mas os desníveis são menores. O único lugar em que se pode dizer ser plano é o Vale do Rhuá. Mas por lá o capim é um complicador. A trilha segue por entre os tufos e na maioria das vezes não se vê onde pisa. O capim roça o rosto a todo momento! É conveniente proteger braços e mãos. E se o capim estiver molhado você sairá do Ruah ensopado. 

► O acampamento do Vale do Rhuá é grande, abrigado, plano e cabem muitas barracas. Já os outros no decorrer da trilha são pequenos.

► Entre acampar no topo do Três Estados ou descer para o próximo, como fizemos, prefira ficar no topo do Três Estados; pois este é maior e mais bem abrigado. E você poderá contemplar a vista desde o alto. O ganho de tempo pode ser compensado por uma saída mais cedo do acampamento.

► Ao passar pelo Rhuá, passado pelo Rio Verde, mantenha-se sempre à sua direita. E não se preocupe com a navegação: a trilha continua marcada pelo pisoteio e alguns totens durante todo o trecho! 

Dia 4 - Do acampamento Bandeirante à BR 354: Final da Travessia

Nascer do sol no quarto e último dia da Travessia, no Bandeirante
Acordamos por volta de 6h30 com os gritos do Jaques dizendo que iria chover... Saímos às pressas das barracas e comprovamos que era só uma bravata para nos obrigar a levantar mais cedo! Mas valeu a pena, pois o sol nascia bonitão sobre a região do Itatiaia. Havia pouca neblina e só não víamos mais longe porque estávamos em um ponto baixo. Muitas fotos, poses... Já sentindo o final de travessia a rondar, após o rápido café da manhã deixamos o acampamento mais cedo, por volta de 8h30 da manhã.

Adentramos pela trilha em meio ao capim e seguimos em direção ao morrote do Bandeirante. Ao nos aproximarmos, fomos beirando a sua base conforme o pisoteio da trilha. Adiante, Jaques percebeu e avisou que a trilha havia se fechado. Rota errada, Jaques preferiu tentar varar o mato sem passar pela crista do morro. Nós voltamos e localizamos a subida pelas rochas poucos metros atrás.

Trata-se de uma escalaminhada curta, porém mais exposta, porém nada técnico. Atingimos a crista e prosseguimos. Nova descida e novo morro adiante. Ao chegarmos no morrote gritamos pelo Jaques e nada. Apressei imaginando que ele já tivesse transposto o trecho de mata abaixo. Porém, do morro adiante, o vimos retomando à trilha por onde havíamos passado. Realmente aquela mata de capim e bambus à base do Bandeirante é uma barreira quase intransponível...

Vista do topo do Alto dos Ivos: Três Estados e Pedra da Mina ao fundo
Vista ao norte: Serra e Pico do Papagaio. Camuflado, a Pedra do Picu
Serras do Tamanduá, Verde, Ouro Fala e Mitra do Bispo
Planalto do Itatiaia ao alcance "das mãos"...
Ficamos aguardando a chegada do Jaques e chegado, prosseguimos a caminhada. Passamos por outras áreas de acampamento à base do Alto dos Ivos. Sem paradas partimos para o ataque final ao Alto do Ivos. Novamente aquele velho problema: trilha praticamente em linha reta, íngreme, lisa, alguns degraus, trechos com bambus e capins. Tudo isso junto fez com que a subida tenha sido lenta. Somente às 10h00 da manhã colocamos os pés no Alto do Ivos. Grande parada para fotos. O topo é pequeno, porém plano. Até dá-se para acampar, mas é totalmente exposto e o solo é pedregoso!

Por outro lado, o visual é bastante interessante: excluindo o amanhecer na Pedra de Mina e no Capim Amarelo, este fora o lugar que tivemos maior e melhor visual ao longo dos dias: Ao Sul, Pico Três Estados; à Sudoeste a Pedra da Mina; à leste o complexo do Itatiaia; ao Norte a Serra do Garrafão em Alagoa e Pico do Papagaio em Aiuruoca. À nordeste Mitra do Bispo e Serra do Ouro Fala em Alagoa. À noroeste aquela vastidão do território mineiro: um mar de morros menores, com a cidade de Itamonte em primeiro plano...

Mas não paramos muito tempo por lá e logo começamos a descida, no sentido nordeste. Descida mesmo: do Alto dos Ivos até a BR 354 é praticamente só descida. Inicialmente por rochas na crista, a descida é forte. Na sequência alterna trechos entre bambus e matas com muitas bromélias. Passamos por restos de uma cerca de arame farpado, que ora ressurge ao lado da trilha; que a essa altura é muito bem marcada. Vamos perdendo altitude rapidamente e ladeira abaixo tudo ajuda.

Por volta de 11h30 havíamos vencido a descida mais forte. Passamos a percorrer áreas abertas alternadas com capoeiras e tufos de capim. Após curto aclive chegamos a uma pequena área propícia para acampamento, rodeada por tufos de capim. Estávamos mortos de fome e praticamente só tínhamos biscoitos e alguns pães. Nossa água também já estava no final. Fizemos um lanche rápido e loucos por algo salgado o salaminho do Jaques fez sucesso por lá...

Aliás, nosso amigo estava um pouco apressado, pois ainda enfrentaria 300 km de estrada em motocicleta logo após o final da travessia. E o tempo não estava ajudando, com claros sinais que cairia uma chuva, pois o calor abafado era intenso. Então retomamos a caminhada. Logo mergulhamos no trecho de mata atlântica logo acima do Sítio do Pierre.

Nós na bifurcação para a Garganta do Registro
Trilha comum, sombreada, regular e batida, já com desnível pequeno. E a mata é belíssima, pena que passamos muito rápido por esse trecho! A mata começa a ralear e observamos sinais do leito de uma antiga estrada. A trilha segue por ela, em suave declive...

Não demorou e chegamos a um ponto de água à direita da trilha. Parada para abastecermos e poucos metros abaixo chegamos à uma bifurcação: à direita segue para a Garganta do Registro. Tomamos à esquerda, que nos levaria em direção ao Pierre. A partir daí a trilha vira uma estradinha vicinal, inclusive com marcação de 100 em 100 metros até o sítio.

Pedra do Picu referenciando passagens a mais de três séculos
Meio km adiante chegamos defronte o Sítio do Pierre, um conjunto de imóveis aparentemente em desuso, porém com área externa bem cuidada. Lá encontramos o paulista que havíamos visto na manhã do dia anterior lá na Pedra da Mina. Continuamos descendo pela estrada ampla. Passamos por uma porteira, depois outra, já próxima à casa de alguns moradores. Não tem erro no trecho e nessa altura já era possível escutar o barulho dos automóveis na rodovia logo abaixo.

Em frente, no topo do morro e agora bem próximo a nós estava a Pedra do Picú, imponente como sempre. Cruzamos com o pessoal do resgate do paulista, que estavam preocupados... E após uma curva na descida chegamos ao asfalto da BR 354, onde lá já estava o nosso resgate. Era pouco mais de 14h00, e até ameaçamos uma comemoração, pois tudo havia dado certo na Travessia...

BR 354: final da Travessia
Mas rapidamente embarcamos na van, pois como havíamos percebido na descida, começava a chuviscar. Seguimos para Itamonte, depois Capivari e Itanhandu. Pouco depois das 15h00 chegamos à Passa Quatro. Jaques logo se ajeitou e despediu-se rumo à Juiz de Fora. Nós tínhamos tempo de sobra, e nos ajeitamos lentamente.

Por volta de 17h30 saímos à procura de um restaurante, pois estávamos secos por um arroz e feijão... Fomos em direção ao Parque de Exposições, porém o restaurante estava fechando. Voltamos e fomos bebemorar em um barzinho; depois mais tarde em um restaurante quase em frente! Teve gente que quase se perdeu em meio à tanta comida... E ainda deu tempo de assistir a vitória do Brasil frente à Espanha pela Copa das Confederações...

Renovados, voltamos à casa do nosso resgate, que mais ou menos lá pelas 21h30 nos levou até o km 14 da rodovia MG, onde próximo às 23 horas embarcamos de volta para Belo Horizonte; onde chegamos na rodoviária às 5h30 da manhã. De lá, como a vida voltava ao normal, cada um aprontou o seu corre corre, porque ainda iríamos trabalhar. Eu cheguei em casa às 6h30 da manhã, cansado mas muito feliz e animado para encarar mais um dia no batente: Valeu a aventura pela Serra Fina!


Considerações do quarto dia:


► Apesar de ser o mais longo trecho, este é o dia mais tranquilo da Travessia. Subida mesmo só para atingir o Alto dos Ivos.

► O único ponto é que se pode gerar alguma dúvida pela trilha é na bifurcação na estrada, já na parte final da travessia: à direita vai para a Garganta do Registro; à esquerda segue para o Sítio do Pierre (atenção, já li isto com direções trocadas em alguns relatos; então fique atento e pode confiar no escrito acima).

► Tire um tempinho para curtir a mata atlântica na parte final: é um espetáculo! 

► Os resgates estão proibidos de buscar aventureiros no Sítio do Pierre, então somente na BR 354 mesmo! Porém do Pierre à rodovia é só descida em zigue-zague e pouco mais de 3 km.

Serviço

Rota no GE
Travessia localizada na Serra da Mantiqueira na divisa dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a Serra Fina caracteriza-se por caminhada pelas cristas, várias delas a mais de 2.000m de altitude, originando-se dessa característica o seu nome. Por isso, é comum os desníveis no terreno, bem como o clima frio e vegetação peculiar, com predomínio de carafás (bambus) e capim navalha, que tornam a trilha um pouco mais difícil.

Embora esteja localizada na divisa de três estados brasileiros, a Travessia tem como base de acesso a cidade de Passa Quatro; sendo Itamonte a cidade final; ambas no montanhoso Estado de Minas Gerais. Apesar da conquista da Pedra da Mina ter ocorrido na década de 50, via bairro Paiolinho, em Passa Quatro, somente na década de 70 esta travessia começou a ser realizada, se popularizando a partir dos anos 90!

Não obstante a curta extensão (pouco mais de 30 km desde Toca do Lobo em Passa Quatro à BR 354 em Itamonte), esta Travessia torna-se um pouco mais complicada por se desenvolver quase na totalidade por cristas de serras, onde a presença de água é menos comum.

Por toda a trilha, há 5 pontos de água confiáveis, a saber: córrego da Toca do Lobo; Quartzito (40 minutos após a Toca do Lobo); Rio Claro (aos pés da Pedra da Mina); Rio Verde (no Vale do Ruah, após a Pedra da Mina) e depois do Alto dos Ivos, já na região do Sítio do Pierre. Assim, saber-se utilizar da água pode fazer a diferença nesta Travessia, decidindo o seu êxito ou seu fracasso. Cada um tem seu o seu biotipo e deve-se saber o seu consumo médio diário de água, modos que fica difícil dizer quantos litros de água deve-se carregar. Há inclusive outros fatores que interferem nesse quesito, como temperatura e tipo de alimento consumido na trilha. Mas não resta dúvidas de que o aventureiro carregará um pouco mais de água que em outras travessias.

O modo tradicional desta Travessia é fazê-la em 4 dias, com acampamentos e pernoites nos topos do Capim Amarelo, Pedra da Mina e Três Estados. Esse modelo permite ao aventureiro curtir o trajeto, fotografar e investigar redondezas, além de possibilitar um grande descanso aos fins das tardes.

Evidente que há outras possibilidades, como realizá-la em apenas 24 horas (12 hs + 12 hs), com um pernoite apenas, normalmente realizado na Pedra da Mina. Entretanto, esta opção somente é recomendável para aqueles experientes em aventuras. Uma alternativa é realizá-la em três dias, porém para haver uma equivalência em distâncias diárias, possivelmente os locais de acampamento deverão ser modificados. Para as realizações em dois dias, o ponto de pernoite recomendado é na Pedra da Mina. Em dois dias é uma excelente alternativa de realização, porém recomendável apenas a quem já possui suficiente experiência.

Para os casos de interrupção da travessia, excetuando os casos em que a travessia está se iniciando ou finalizando, a única rota de escape é Pedra da Mina - Bairro Paiolinho, em Passa Quatro; onde é possível chegar por automóvel.


Altitudes Principais (IBGE, 2013)


Capim Amarelo: 2.392m (Vigésimo sétimo do País)
Morro do Tartarugão: 2.595m (Décimo nono do País - não se passa por ele, mas fica ao sul/sudeste da Pedra da Mina)
Pedra da Mina: 2.798,4m (Quarto Pico do País)
Pico Três Estados: 2.665m (Décimo pico do País)
Cabeça de Touro: 2.600m (Décimo sétimo do País - não se passa por ele, mas fica à leste do Pico Três Estados)


Distâncias aproximadas


Belo Horizonte a Passa Quatro: 435 km
São Paulo a Passa Quatro: 248 km
Rio de Janeiro a Passa Quatro: 253 km

Se preferir, consulte aqui o Mapa Rodoviário de Minas Gerais publicado pelo DER-MG


Como chegar e voltar - De ônibus


Cidade referência: Belo Horizonte
Viação Útil até Passa Quatro

► Adquirir passagem para Cruzeiro-SP e descer no Km 14 da rodovia MG 158, Posto Pilão, em Passa Quatro. No local é um rápido ponto de parada da Empresa, mas avise o motorista. A volta/embarque se dá no mesmo local.
► Para o retorno, comprar a passagem antecipadamente, pois não se vendem passagens nos ônibus.
► Também é possível ir para a região através da empresa Expresso Gardênia até São Lourenço; e depois Viação Cidade do Aço até Passa Quatro.

Cidade referência: São Paulo
Viação Cometa até Passa Quatro

► O ônibus passa na rodoviária de Passa Quatro. Normalmente são ônibus que tem como destino final as cidades mineiras de São Lourenço, Caxambu ou Cruzília.

Cidade referência: Rio de Janeiro
Viação Cidade do Aço até Cruzeiro  Viação Cidade do Aço até Passa Quatro 

► Outra opção é fazer o trecho Rio de Janeiro a Itamonte (Viação Útil); e de Itamonte seguir para Passa Quatro (via Cidade do Aço).

► Confira os horários, frequências e tarifas nas empresas de ônibus

Como chegar e voltar - De carro

Cidade referência: Belo Horizonte
Rodovia BR 381 até Campanha → BR 267 até Caxambu →  BR 354 até o Distrito de Capivari → MG 158 até Passa Quatro.

Cidade referência: São Paulo
Rodovia Pres. Dutra até Cruzeiro → SP 52 e MG 158 até  Passa Quatro.

Cidade referência: Rio de Janeiro
Rodovia Pres. Dutra até Cruzeiro → SP 52 e MG 158 até  Passa Quatro.


Considerações finais

► O GPS é importante, mas não é indispensável para se realizar essa Travessia. A trilha encontra-se bem marcada pelo pisoteio e em condições normais e de visibilidade, pode-se observar o caminho percorrido e a percorrer. Mas nesse caso, requer estudo antes de realizá-la! Também há sinais de telefonia móvel pelas cristas! 

► Nunca e jamais realize essa Travessia utilizando tênis. Além dos desníveis, buracos e pedras pelo caminho, há lugares em que se praticamente não se vê onde pisa, devido ao capim. E sabidamente, tênis não protege em trilhas, nem fornece estabilidade! 

► Utilize calças e blusas com mangas compridas. Luvas do tipo de malha (ou de pedreiro) também evitam cortes do capim naqueles mais sensíveis. 

► Há escalaminhada em vários trechos da travessia, porém nada que requer técnica de conhecimento em escalada e os pontos podem ser transpostos sem dificuldades. Requer apenas cuidado e atenção. 

► Há ratos em alguns acampamentos. Então proteja sua comida, panelas e o seu lixo. 

► Leve o mínimo necessário. O fator peso interfere sobremaneira nessa travessia. 

► Se possível, evite fazer esta Travessia nos feriadões: normalmente a trilha está lotada e há disputa por vagas nos acampamentos. 

► Evite carregar isolantes ou outras tralhas pelo lado de fora das cargueiras: além de atrapalhar a caminhada, pois ficam enroscando nos bambus, o produto ficará danificado. 

► Não seria recomendável fazer esta Travessia em grupos com mais de 10 aventureiros, pois em casos de mudanças na programação in loco, grupos maiores teriam grandes dificuldades em se encontrar lugares para acampamentos, em especial em feriados prolongados.

► A Serra Fina é indicada para ser realizada no período mais seco do ano. Períodos chuvosos, além das trilhas se fecharem um pouco mais, são comuns tempestades nos altos da Serra da Mantiqueira. É algo bonito, mas ao mesmo tempo metem medo... 

► Não recomendo fazer essa travessia no sentido inverso. Pelo que observei, o aventureiro teria uma luta árdua e constante com os carafás (bambus) que ficam 'acostumados' com o trajeto tradicional. Mas não seria impossível não... seria mais trabalhoso... 

► Na nossa opinião é que, se vai pela primeira vez à Serra Fina; não é competidor; ou não está em algum programa específico de treinamento, vale a pena fazer a Travessia em 4 dias. O lugar é muito belo, correr para que? Pra dizer depois que fez a Travessia em X horas? Saiba aproveitar os momentos, curta o visual e ângulos diferentes, observe as plantas, os insetos... Por exemplo, chegando com tempo na Mina, você poderá ir ao Morro do Tartarugão; ou ao Morro do Avião... Ou ainda, saindo cedo da Pedra da Mina e sendo um pouco mais ágil, que tal subir o Cabeça de Touro já próximo ao Três Estados? Deixe o corre corre realmente para quem precisa; ou para aqueles que "vivem de currículos"... 

► De um modo geral, a Travessia da Serra Fina não é esse bicho de sete cabeças que muitos pregaram ou pregam por aí; podem se desencanar disso! Mas também não é uma trilha mamão com açúcar, que se faz com os pés nas costas! Trata-se de uma aventura exigente e que certamente não se destina a iniciantes; ou àqueles mais 'urbanóides' e acostumados com trilhas leves em parques urbanos ou àqueles bate e volta aleatórios. Estejam certos disso!

► Leia também nosso relato da Travessia Serra Fina 2015


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons ventos!
Última Atualização: Nov 2017

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