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Travessia Altamira - Lagoa Dourada - Serra do Cipó: simplesmente apaixonante!!!

Vale nas proximidades da Serra dos Confins
A região conhecida por Espinhaço oferece inúmeras possibilidades de trilhas e travessias aos aventureiros. Dado ao relevo e vegetação da região, há inclusive a possibilidade de "personalizar" um trajeto, que quase sempre resulta em descobertas maravilhosas. Mas muitas dessas travessias são tradicionais, algumas clássicas, como a famosa Lapinha a Tabuleiro. Dentre essas travessias conhecidas há uma não menos bela em paisagens e que também passa por uma aprazível cachoeira: é a Travessia Altamira-Lagoa Dourada-Serra do Cipó. Começando no município de Nova União (Altamira) e findando no município de Santana do Riacho (Serra do Cipó), essa Travessia permite contemplação inigualável do Vale da Lagoa Dourada e dos trechos mais à leste do vale, nas proximidades da Serra dos Confins; além da descida do Vale do Ribeirão Areias. Sem dúvidas, é um trajeto maravilhoso e presenteia o viajante com visual espetacular...


Matriz de Nova União
1 Após alguns planos irem por água abaixo e perder a sexta feira de feriado, decidi fazer esta Travessia. Deixei Belo Horizonte às 6h45 do dia 16 de novembro, um sábado, e embarquei em um coletivo na rodoviária com destino à cidade de Nova União (Confira atualização, pois o local de embarque do ônibus mudou com a implantação do MOVE em Belo Horizonte); aonde cheguei próximo das 8h00 da manhã. Graças a uma informação equivocada de um infeliz, tive uma surpresa desagradável ao chegar em Nova União: o tal horário de ônibus para Altamira logo cedo não existia! Eu teria que ir para o arraial de Altamira, distante 18 km do centro de Nova União, porém o ônibus para o lugar somente sairia depois das 11h00 da manhã. Enfim, paciência! Comecei a pensar que não conseguiria cumprir meu objetivo para aquele dia, que era pernoitar na Lagoa Dourada... Mas nada de sofrer por antecedência, fé em Deus e pé na tábua é essencial!

Depois de fazer hora em Nova União, pontualmente às 11h15 embarquei na Praça São Cristóvão em um ônibus da Transtatão rumo à Altamira. Após serpentear por uma estrada de terra em boas condições e por entre bananais cheguei em Altamira às 12h15. Após abastecer-me de água na casa do Tatão (dono e motorista da Transtatão) e rejeitar uma dose de cachaça gentilmente oferecida por um morador local iniciei minha caminhada às 12h30. Haja coragem, me disseram, pois era muito mais tarde que eu imaginava e o sol estava de rachar mamona!

Paisagem vista da estradinha rumo ao início da trilha
Mataburro próximo ao início da trilha. Veja à esquerda a porteira
que marca o início da trilha
Fui subindo pela estradinha de terra sentido Altamira de Cima. É a mesma estrada que leva à Cachoeira Alta, que é bastante conhecida no lugar. Levei 40 minutos pra vencer os 3,5 km até o início da trilha, que fica à esquerda da estrada, após um mataburro, pulando uma porteira. Como o sol fritava meus miolos tive que fazer uma parada na sombra de uma grande árvore para descanso. Pouco depois comecei a maior subida dessa Travessia, que não passa de 1 km; ou pouco menos.

Subi inicialmente por uma estradinha que logo alcançou um bananal com uma casa acima e à esquerda. Entrei na trilha margeando a cerca e subindo cheguei até uma porteira. O vale abaixo se descortinou. Vi a serra principal do Espinhaço à leste um pouco sapecada por fogo; bem como resquícios de fumaça mais ao sul, acima de algumas residências. Após a porteira tomei o rumo norte/nordeste, sentido mantido por grande parte da Travessia. Após uma capoeira cheguei em um ponto de água, quando parei para reabastecer, descansar um pouquinho e comer algo, afinal não havia almoçado!

Retomei a caminhada e mantive o sentido pela trilha batida. Passei por uma porteira e a paisagem vai alternando capoeiras ralas e campos limpos. Cheguei a novo ponto de água. Fiz um singelo contorno de um morrote e na descendente passei por outro ponto de água e logo adiante cheguei a uma matinha. Foi quando percebi que havia perdido meu óculos de sol. Voltei pela trilha e o encontrei uns 100 metros atrás. Prossegui em ritmo frenético pela trilha e ao adentrar na matinha preferi passar mais abaixo, cruzando um córrego de águas límpidas, onde havia uma tronqueira.

Ninho de passarinho a poucos cm do chão
Vista para o Sul
Vista para o Norte
Prossegui pela trilha alternando trechos batidos e outros mais discretos, mantendo a direção e praticamente a mesma altitude. Passava das 15h30 quando cheguei a um ponto onde havia vários bezerros, com algumas pedras usadas para se colocar sal para gado. A vegetação estava marcada pelo fogo. Flagrei na trilha um ninho de passarinho a centímetros do chão... Logo abaixo, num veio de mata novo ponto de água e leve subida. Chegando no ponto mais alto, descortinou à minha frente/norte um imenso e belo vale. Ao sul, despedia das cabeceiras da serra sobre a localidade da Mutuca.

O Vale da Lagoa Dourada visto desde o Mirante.
Ao invés de descer ao Vale, segui cortando o morro em diagonal.
Adentrei à direita, passando por trás daquela serra à direita na foto;
fazendo o seu contorno.
Uns 500 metros adiante passei por novo ponto de água e fui aproximando de um grande morro à minha direita, passando aos seus pés. Ao vencê-lo, o show foi completo, pois abriu à minha frente toda a beleza do majestoso Vale da Lagoa Dourada, serpenteado pelo Rio Jaboticatubas. Bem ao fundo, os topos do Cânion do Jaboticatubas. Momentos para contemplação: lugar único e maravilhoso! Até este ponto, percorri o mesmo trajeto da Tradicional Altamira a São José da Serra.

Não pude ficar muito tempo admirando o Vale da Lagoa Dourada, pois já passava das 16h30! Mesmo assim e sob a tentação em descer ao vale, decidi manter o programado. Segui cruzando em diagonal o morrote à direita e adentrei entre dois morrotes no sentido norte, deixando visualmente o Vale da Lagoa Dourada. Segui à leste da Lagoa Dourada, percorrendo áreas do início da Serra dos Confins, segundo a Carta Topográfica de Baldim.

Fui contornando a Serra através de uma velha trilha, ora de enxurrada; ora muito mal marcada. Adentrei então em um belíssimo vale, praticamente das mesmas dimensões do Vale da Lagoa Dourada. Nesse vale ficam as nascentes dos afluentes que formam o Ribeirão dos Confins, que se juntará ao Bandeirinhas lá no Vale dos Mascates, formando o Ribeirão homônimo! E fui contornando a Serra que divide o "Vale dos Confins" à leste (como passei a chamar àquele lugar - foto que ilustra o início desse relato) da Lagoa Dourada, à oeste.

A trilha ora aparecia, ora sumia por completo, sinal de que quase ninguém anda por ali! Certamente o vale só é acessado por alguma variante da Travessia Alto Palácio-Travessão-Lagoa Dourada! A Travessia Altamira a São José da Serra não passa por este ponto, pois no Mirante a trilha desce para o Vale da Lagoa Dourada, margeando o Jaboticatubas. Em certa altura, já caminhando pelo final do Vale dos Confins até vi umas pegadas de gente, mas depois as perdi por completo, pois a trilha se confunde com muitos rastros de enxurradas e capins.

Vista do Vale da Lagoa Dourada
Oeste: Sentido do Cânion do Jaboticatubas ao entardecer
O capim alto do vale e as paradas para admiração me atrasou e como o sol já ia embora apertei o passo. Precisava chegar à Lagoa Dourada ainda com luz. O trajeto mais à leste consumiu quase duas horas de caminhada, quando deixando o vale e seguindo por leve aclive, dei uma guinada para oeste sentido Lagoa Dourada, passando pelo colo de dois morros. Trilha marcada por ali não encontrei, nem procurei! Fui caminhando por entre capim e arbustos no sentido oeste quando descortinou o Cânion do Jaboticatubas à minha frente, lá embaixo. Aproximei mais um pouco e o Vale luxuoso apareceu por completo: que vista divina!!! Vi que haviam pessoas acampadas próximas à Cachoeira da Lagoa Dourada.... e ao mesmo tempo percebi um bicho grande correndo pelo mato ralo bem próximo a mim... Saí correndo guiado pelo barulho para ver o que era e acabei levando um belo tombo, após pisar num buraco de mais de 1 metro de profundidade que estava escondido pelo capim alto... Tive sorte em não me machucar...

Recomposto do tombo e tomado pelo juízo, tratei logo de achar um jeito de descer a pirambeira inferior da encosta oeste da Serra da Lagoa Dourada para chegar ao Vale. Não há trilha definida nesta descida. Fui descendo pelo curto e inclinado trecho por entre pedras soltas, canelas de ema pretejadas por fogo e rapidamente cheguei ao vale feito um carvoeiro!!! Ufa, alívio total e o relógio apontava pouco depois de 18h30! Caminhei na diagonal algumas dezenas de metros e cheguei à área de acampamento! Agradeci a Deus por ter passado ileso e completado a missão daquele dia: Havia caminhado em torno de 22 km.

Em minutos cumprimentei o pessoal que ficou me olhando com cara de mistério e logo montei acampamento. Fui até ao riacho, tomei um banho pra tirar o carvão do corpo e voltei pra "casa", quando fui fazer a janta. A lua cheia deu o ar da graça, meio embaçada por nuvens... Melhor coisa não há... Após jantar, passava das 21h00 quando me deitei. Custei a dormir, pois a ventania sul-norte estava forte e fazia muito barulho lá fora, inclusive alguns acampados tiveram problemas. No meu caso nem precisou me levantar para amarrar/ancorar a casa: a barraca cumpriu bem seu papel e nem se mexia... Nessas horas de ventania a gente até dá valor em quase 3 kg de barraca Manaslu eheheh... 


Vale amanheceu bonito como sempre
Cachoeira da Lagoa Dourada com pouca água
Vista oeste pela janela do Cânion do Jaboticatubas
2 Após noite perfeita acordei às 6h30 do domingo, com o espetacular azul do céu... Fui lavar minha camisa, que estava repleta de sal do suor e puro carvão do dia anterior. Logo voltei, tomei meu café e desmontei acampamento. Depois fui curtir a cachoeira! Explorei o lugar e pela direita desci ao poço e pelas corredeiras poço abaixo. Depois fui ao mirante rochoso de frente para o cânion do Jaboticatubas: o oeste da Serra do Espinhaço descortinava em uma janela triangularmente invertida, um espetáculo. Fiquei por lá um tempão... Fiquei sem pressa contemplando as cachoeiras na sequência do rio. Acesso seguro aos seus poços só por baixo, pelo cânion; ou através do uso de equipamentos de ascensão!

Era 9h00 quando deixei o lugar e agora passei a caminhar mais devagar, pois tinha tempo de sobra; ao contrário do dia anterior. Decidi que ao invés de ir para a Serra do Cipó, eu desceria para São José da Serra finalizando a pernada pelo distrito. Tomei então a trilha que leva a São José da Serra, passei por uma cerca e uma tapera e logo depois por um grande grupo de gado, que me rodeou amistosamente... Eram bezerros lindos, pareciam que queriam brincar... Deixei o gado e logo cheguei ao topo do morrote mais ao norte: fiz a última contemplação do Vale da Lagoa Dourada ao sul!

Lagoa Dourada ficando para trás...
Apressei o passo e com a mente voando e fixa na paisagem de vastidão ao passei pela discreta bifurcação à direita que me levaria para o Arraial do Cipó! Me deu um estalo e decidi novamente cumprir o que havia programado: seguir até a Serra do Cipó. Ao invés de voltar na bifurcação marcada que desce em direção à sede do Parque, voltei alguns metros e desci reto sem trilha definida em direção ao vale do Ribeirão Areias, entre a continuação da ramificação da Serra da Lagoa Dourada à oeste e a Caetana à leste, onde interceptei a trilha marcada logo abaixo!

Trilha ruim, erodida, cheia de pedras, nenhum sinal de uso recente! Por volta de 10h00 cheguei à Gruta inferior e à direita da trilha. Um riachinho corta o interior dessa gruta. Na ocasião estava com pouca água. Fiquei pouco tempo no lugar e retomei a caminhada. Pouco depois passei por uma porteira e uma matinha adiante, aonde enfiei o pé na água... Depois dessa matinha comecei a caminhar por uma trilha dupla, com sinal de uso. Estou em terras do Parnacipó e o caminho é o mesmo utilizado por rondas pelo parque!

Vale do Ribeirão Areias. Ao fundo Serras da Lapinha e Breu
Com declive suave, ao meio dia em ponto cheguei à bifurcação da Cachoeira Capão dos Palmitos. Apesar de já conhecê-la fui até lá, pois tinha tempo! Mas sinceramente não valeu a pena. Na verdade a Cachoeira do Capão dos Palmitos trata-se de uma corredeira singela, e ainda estava com pouca água! Havia várias pessoas por lá e muito pouca água corria pelo leito... Desapontado, nem fui à Cachoeira do S, que fica mais abaixo no mesmo ribeirão, pois também a conheço e é acanhada demais frente às suas irmãs do Parnacipó...

Retornei à trilha-estradinha, encontrei com um grupo que ia para a Capão e passei novamente pela bifurcação, tomando o sentido norte/noroeste. O sol do meio dia estava infernal... À minha frente via a região da Lapinha e do Breu. À nordeste via-se as serras que formam o Cânion do Travessão. Cheguei a um banquinho embaixo de uma árvore e fiz uma parada para descanso. Retomando, agora em descida, 1 km adiante tomei uma bifurcação à esquerda, cruzei uma porteira mais embaixo, deixando as terras do Parnacipó. Poderia ter ido para a Sede do Parque, mas preferi cortar caminho. Não demorou e aquela estradinha erodida foi me levando a uma capoeirinha, que cruzei desviando de uma erosão em seu interior. Despontei na estrada que leva à sede do Parque às 13h00, aonde atravessei a cerca. O atalho valeu a pena!

Uma das muitas flores que vi pelo trajeto
Pé na movimentada estradinha de terra naquele feriado, caminhei o trecho final até o entroncamento com a MG 10 em frente ao Hotel Veraneio, aonde cheguei às 13h30. Fiquei esperando algum ônibus para Belo Horizonte. Havia caminhado naquele dia quase 19 km.

Estando às margens da movimentada rodovia previa que minha volta seria longa. Tratei de sentar e ficar tranquilo! E deu certo, pois um rapaz de Conceição do Mato Dentro passou por ali cerca de 1h00 depois da minha chegada. Perguntou se eu viria para BH e ofereceu a tal "carona paga". Resposta positiva, embarquei. Após um congestionamento monstro na rodovia MG 10 (isto é rotina no trecho), cheguei na Pampulha em BH beirando às 18 horas.

Missão cumprida: apesar do apressar dos passos do primeiro dia devido ao adiantado da hora de início, foi uma caminhada tranquila, sem percalços e por uma região magnífica, provando mais uma vez que as opções do Espinhaço são incontáveis... 


Serviço

A Travessia Altamira - Lagoa Dourada - Serra do Cipó é uma variante ampliada da tradicional Travessia Altamira - Lagoa Dourada - São José da Serra, localizada na Serra do Espinhaço, no Estado de Minas Gerais. Tem início no arraial de Altamira, município de Nova União e final na rodovia MG 10, na Serra do Cipó. Ambas travessias possuem o mesmo trajeto até o Mirante do Vale da Lagoa Dourada. A partir desse ponto, a variante direciona-se para leste, percorrendo áreas nas proximidades da Serra dos Confins; retornando à Cachoeira da Lagoa Dourada à oeste. Da Cachoeira, segue o mesmo trajeto da tradicional até o topo do primeiro morro à norte, quando deve-se sair à direita e percorrer o Vale do Ribeirão Areias, indo findar no distrito da Serra do Cipó, município de Santana do Riacho.

A travessia Altamira à Serra do Cipó totaliza aproximadamente 40 km. Tanto o início e o final da travessia percorrem estradas de terra em bom estado de conservação, sendo possível encurtar seu trajeto em aproximadamente 6 Km; desde que se tenha combinado serviços in/out boca da trilha.

A caminhada é desenvolvida em um vale entre a vertente principal do Espinhaço à leste, onde está o Pico Montes Claros; e a Serra da Lagoa Dourada à oeste; além de outras locais, como Mutuca, Confins e Caetana. Isto resulta em um trajeto com poucas subidas e descidas mais fortes. Exceção se faz somente no trecho inicial da trilha ainda em Altamira; e os trechos finais, já na descida em direção ao vale do Ribeirão Areias. Eventual rota única de escape é a saída pela rota da Travessia Tradicional, se dirigindo para o Distrito de São José da Serra.

É uma travessia típica do Espinhaço, com paisagens a perder de vista, com fauna e flora impressionantes. No verão possui fartura de água em todo o trajeto, o que facilita a vida do aventureiro; já no inverno ou períodos de estiagem muitas das fontes podem secar. O grande destaque é o visual do Vale da Lagoa Dourada, que ao contrário do que se possa imaginar, não há nenhuma lagoa no lugar. O nome deve-se à coloração do capim que cresce no vale, que na maior parte do ano toma cor amarelada, que vista ao longe imitaria uma lagoa dourada. É um lugar frágil e de rara beleza, pode acreditar!

Outra joia da Travessia é a Cachoeira da Lagoa Dourada, no vale homônimo, resultado da queda das águas do Rio Jaboticatubas que, após serpentear o vale da Lagoa Dourada cai vertiginosamente em um apertado cânion chamado de Jaboticatubas. Seu poço permite nadar e ter acesso sob a queda d'água. Porém, ao tomar rumo do cânion, o curso d'água passa inicialmente de corredeiras e pequenos poços acessíveis para formar uma alta cachoeira, de acesso difícil. Acesso ao seu poço somente se daria por chegada inferior através do cânion, possivelmente por entrada no sopé da Serra à oeste; ou através do uso de equipamentos de ascensão. Além de toda essa beleza em tão curto espaço, o próprio cânion forma uma janela com visual marcante das vastidões de terra ao oeste da Cordilheira do Espinhaço, tendo o distrito de São José da Serra lá embaixo!

Distâncias

Belo Horizonte a Nova União: 60 km (BR 381)
Nova União à Altamira: 18 km (estrada de terra)
São José da Serra ao Km 87 da MG 10: 11 km (estrada de terra)
Serra do Cipó a Belo Horizonte: 100 km (rodovia MG 10)

Como chegar - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus

Ida:
Atualização em junho de 2014: Embarcar no centro de BH em coletivo da linha Move 83 (paradora ou direta) e desembarcar no Terminal São Gabriel. Há a opção do metrô, com embarque na Estação Rodoviária ou Estação Central e desembarque na Estação São Gabriel.
No Terminal São Gabriel embarcar no coletivo da linha 4882 que segue para Nova União; desembarcando no Posto São Cristóvão, na Praça São Cristóvão, na cidade de Nova União. No mesmo local, embarcar em ônibus da empresa Transtatão e desembarcar no ponto final do ônibus, no Arraial de Altamira.

► Infelizmente essa logística não é tão simples quanto parece, pois de ônibus há apenas dois horários diários de Nova União para Altamira: o primeiro saindo após 11 horas da manhã; e o segundo ao final da tarde, após 16 horas.

Volta:
Ao finalizar a Travessia na rodovia MG 10 na Serra do Cipó, basta permanecer na rodovia em frente ao Hotel Veraneio, pois lá passam linhas das empresas Saritur e Serro, que vem das cidades de Conceição do Mato Dentro, Santana do Riacho, Morro do Pilar e outras com destino à Belo Horizonte.

► Para frequências e tarifas de ônibus, consulte as empresas Viação Saritur e Viação Serro.
► Para frequências e tarifas de ônibus metropolitano em Belo Horizonte, consulte o DER-MG

De carro

Ida:
Deixar Belo Horizonte pela BR 381 sentido Vale do Aço, entrando à direita no trevo da cidade de Nova União, que fica poucos km adiante. Na praça São Cristóvão seguir reto à esquerda, entrando adiante na estrada de terra com destino ao distrito de Carmo da União e depois ao arraial de Altamira. É só se manter na estrada mais batida que não há erro. Há também algumas placas pelo trajeto.

Volta: 
Ao finalizar a Travessia nas imediações da Sede do Parque Nacional da Serra do Cipó, basta retornar primeiro pelo acesso Parque-Rodovia; para entrar à esquerda na rodovia MG 10 rumo à Belo Horizonte.

► Como se trata de uma Travessia, com início e final em pontos distintos, programe o seu serviço de traslado in/out boca da trilha.

Considerações finais

► Apesar de percorrer longos trechos da travessia tradicional de Altamira a São José da Serra, a variação na trilha evitando entrar no Vale da Lagoa Dourada ao seu início sul, tomando assim rumo mais a leste, passando pelo início da Serra dos Confins e retornando apenas na cachoeira, vindo do leste, não possui trilha larga e marcada; e em alguns pontos não há trilha alguma. Portanto, não recomendo o trecho para quem não tem o hábito de caminhar pelo Espinhaço; ou ainda, se o aventureiro tem dúvidas em navegação/orientação. Sendo mais experiente, é uma excelente opção mais aventureira!

► No verão há muitas fontes de água pelo trajeto. Porém, nos períodos de estiagem, a maioria desses pontos secam. Portanto, esteja preparado.

► Há muito pouca sombra pelo trajeto; sombra somente em alguns pequenos pontos. Proteja-se!

► Ao chegar em Nova União mais cedo, e não querendo permanecer por ali no aguardo do ônibus que somente sairá por volta de 11h00, uma opção é a contratação de mototaxistas para levar até o arraial de Altamira. É uma opção mais barata se comparado com táxi comum.

► Do meio da Travessia em diante, a única opção de rota de escape é se deslocar para o Distrito de São José da Serra.

► A estrada de terra de acesso à Altamira encontra-se em bom estado.

► Não há sinal constante de telefonia móvel pelo trajeto.

► No arraial de Altamira há pousada simples. Próximo à Cachoeira Alta há camping. No Distrito da Serra do Cipó há muitos hotéis e pousadas; além de camping, bares, restaurantes, supermercados, padarias e lotérica. Em São José da Serra, que pode ser um ponto de eventual rota de escape, há vários bares, restaurantes, pousadas e camping.

► Em fins de 2014 foi inaugurada a nova ponte do Rio das Velhas em Lagoa Santa, fato que diminuiu um pouco os congestionamentos na região. Porém, a grande concentração de quebra molas no trecho urbano do rodovia MG 10 em Lagoa Santa continua tumultuando a vida dos viajantes. É uma situação vergonhosa!!!

► Como a variante percorre terras do Parnacipó, avise a Unidade sobre as suas intenções.

► Leia também nosso relato da Travessia Altamira a São José da Serra pela Rota Tradicional

► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!
Última Atualização: Mar 2016

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