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Lapinha a Tabuleiro: a clássica Rota do Espinhaço Mineiro

Arraial da Lapinha com o Ribeirão Mata Capim e a Lagoa ficando para trás
As terras do Espinhaço Mineiro que ligam o arraial da Lapinha no município de Santana do Ricacho; ao Distrito de Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro permitem várias rotas para Travessias. Dentre as principais rotas, aquela que é considerada original e mãe de todas as outras é a que contorna o famoso Pico do Breu pelo sul.

Essa rota cruza o Vale do Parauninha, apresentando baixa variação de aclives, declives e percorre trechos de rara beleza que convergem para a grandiosa Cachoeira do Tabuleiro. É a chamada Rota Tradicional da badalada Travessia Lapinha a Tabuleiro, que se tornou clássica e indispensável a todo Montanhista. Realizá-la permite uma síntese do que é o Mundo Espinhaço, marcado por afloramentos rochosos, campos rupestres e fartura de água! Estivemos por lá em meados de agosto...

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
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A vantagem da Rota Tradicional da Travessia Lapinha a Tabuleiro é permitir que grupos maiores de aventureiros possam realizá-la em conjunto, pois seu trajeto é marcado por trilha batida e sem dificuldade técnica. Assim, formamos uma turma de velhos e novos amigos do Extremos e kalango e no dia 15 de agosto, feriado da Padroeira de BH partimos de Belo Horizonte rumo a Lapinha da Serra, município de Santana do Riacho.

O formato por nós escolhido consistia em caminhar da Lapinha à casa da D. Maria no primeiro dia (aproximadamente 18 km) ; deixando assim o segundo dia inteiramente dedicado à parte superior da Cachoeira do Tabuleiro (12 km ida e volta aproximadamente), bem como o terceiro dia para a Portaria do Parque Municipal do Tabuleiro e poço inferior da Cachoeira (12 km aproximadamente). 

Vale do Ribeirão Mata Capim, visto desde as proximidades da Capelinha de Pedras
Beirava as 10h00 daquela sexta feira quando adentramos no arraial de Lapinha. Após rápida interação no lugar e despacho de grandes volumes através de um tropeiro, iniciamos a caminhada por volta de 10h30 da manhã percorrendo a rua que segue em direção à Lagoa da Lapinha, contornando-a.

Logo começamos a subir o morro adiante no sentido sul, que é a primeira grande subida da Travessia. Após cruzar a terceira porteira, ignoramos a bifurcação que leva à Cachoeira do Lajeado e pela esquerda fomos ganhando altura. O visual do arraial que ficara para trás emoldurado pelas serras e ladeado pelo lago era de encher os olhos, obrigando-nos a uma primeira parada para descanso e apreciação da vista!

Amplo vale ao sul
Retomada a caminhada, por volta de 11h30 chegamos à Capelinha de Pedras, quase ao final da subida. Parada para fotos! Prosseguimos subindo por entre afloramentos rochosos e chegamos ao grande platô de pedras às 12h00. Esse local marca a abertura visual do vale localizado ao sul do Parauninha, um amplo campo rupestre de rara beleza.

Neste mirante, a trilha cruza um trecho com muitas rochas e toma rumo leste. Em declive, segue em direção a um vale onde corre um fio d'água; as primeiras da Cachoeira do Lajeado. É um lugar propício para um bom descanso, inclusive com algumas árvores nos arredores... Passamos pelo trecho e nesse ponto o James e o Cláudio seguiram na dianteira com o grupo mais acelerado; enquanto eu permaneci fechando a caminhada.

Prainha do Parauninha
Como o tempo estava apertado, não fizemos paradas e seguimos em aclive e às margens do antigo Curral de Pedras, à nossa esquerda; e o Morro do Cruzeiro, à nossa direita. Ao vencermos o trecho fomos contornando o morro à nossa esquerda através de trilha demarcada e definitivamente às 13h00 despontamos para o Vale do Parauninha, já avistando o topo do Pico do Breu à noroeste.

Optamos então pelo atalho à direita/reto e não passamos em frente ao casebre/curral existente no trecho; prosseguindo direto ao fundo do pequeno vale, por onde corre um afluente do Parauninha. Passamos uma cerca de arame e paramos para breve descanso sob a farta sombra. Como estávamos muito próximos da Prainha do Parauninha, logo deixamos o lugar cruzando uma porteira, para logo adiante cruzar outra porteira e adentrar nas terras da Fazenda Azevedo, chegando à Prainha às 13h30.

► Vale um comentário importante em relação ao trecho desde o final da Capela de Pedras até o Parauninha: É uma região com várias trilhas de gado que se cruzam em várias direções. Em dias com neblina muitos aventureiros que desconhecem a região se perdem nesse trecho. Então, a recomendação principal é nunca se distanciar do morro à esquerda do caminhante. Como a própria rota diz, deve-se "fazer o contorno" das Serras e do Pico do Breu! Fique atento!

Estando na Prainha do Parauninha fizemos uma longa parada de 30 minutos para descanso e lanche. O local aos pés do Pico do Breu é muito bonito e oferece alguns poços para refresco, com areia branca em suas margens. É uma bela prainha fluvial!

Como estávamos com horário apertado, ninguém se aventurou pelas águas do lugar apesar do calorão. Por volta de 14h00 deixamos a Prainha subindo pelos campos em direção nordeste. Ignoramos o acesso para a casa da D. Ana Benta à direita; e seguimos reto em aclive até nos aproximarmos de um curral e cruzarmos uma porteira. 

Pico do Breu visto desde a carrasqueira
Após cruzar a porteira próxima do curral descemos um pequeno lance, passamos por fontes de água (que estavam secas) e em diagonal fomos cruzando os campos rupestres. À nossa frente e mais ao norte aproximava a subida da carrasqueira que liga o Vale do Parauninha ao platô superior, onde correm as águas e afluentes do Ribeirão da Água Preta.

A carrasqueira é uma subida curta, porém íngreme. Em grupos vencemos o trecho e ao seu final às 15h20 paramos para descanso e contemplação do Vale do Parauninha e do Pico do Breu. É um visual estonteante, amplo e marcante da região que nos roubou quase meia hora de caminhada...

Placa do Parque do Tabuleiro
Retomada a pernada, logo acima da carrasqueira interceptamos a estradinha que vem do sul pelo alto do platô, cruzamos uma porteira e em guinada para o leste adentramos na trilha em área do Parque Estadual da Serra do Intendente, segundo uma placa de madeira afixada no lugar.

A trilha bem marcada segue definitivamente em sentido leste e em leve declive. Cruzamos um ribeirão e prosseguimos pela sua margem esquerda. Como o trecho está sinalizado não houve nenhuma dificuldade na navegação, apesar de estarmos em um grupo grande de caminhantes, o que naturalmente divide o pessoal em subgrupos.

Chegando na Casa da Dona Maria: Ao fundo é possível observar o Pico do Itambé
Ignoramos uma saída à direita para o Pouso do Chico; passamos por um trecho de afloramentos rochosos e após cruzar outra porteira chegamos ao Ribeirão da Água Preta às 16h30. Neste ponto há uma árvore caída que serve como pinguela para transposição.

Trecho vencido sem dificuldades, logo adiante despontamos nos arredores da Cachoeira da Escadinha que não visitamos. Após percorrer em aclive curto trecho entre campos e afloramentos rochosos avistamos de vez a Casa da D. Maria logo adiante, aonde chegamos às 17h20, fechando a caminhada do dia. Por lá, aqueles que chegaram na dianteira já estavam com as barracas quase todas montadas!!!

Incrivelmente, somente duas barracas de outros aventureiros estavam na casa da D. Maria naquele dia, fato que nos surpreendeu! Montado o acampamento, enquanto alguns corajosos enfrentaram o banho frio próximo ao terreiro da casa, outros ficaram na fila à espera do banho quente da D. Maria.

Após, fizemos nossa janta coletiva e ficamos de papo nos arredores, especialmente no terreiro, onde havia uma fogueira. À despeito do calorão que fizera durante o dia, ao chegar a noite a temperatura caiu. Tudo isso conspirou a favor de uma noite animada e regada a um pouco de vinho pra alegrar ainda mais o ambiente... Depois cama!!!

2 O segundo dia da nossa Travessia amanheceu nublado e abafado, nada do belo nascer do sol tradicional do lugar... Por volta de 7h30 já estávamos tomando o café da manhã e revigorados pelo descanso. Porém, somente após às 9h00 e em subgrupos deixamos o lugar em direção à parte superior da Cachoeira do Tabuleiro.

A trilha que liga a casa da D. Maria à parte superior da Cachoeira do Tabuleiro é bem marcada, apesar de existir algumas bifurcações ao longo do trajeto. Inicialmente cruzamos o fio d'água logo abaixo da casa e imediatamente ignoramos a continuação da trilha mais larga que segue para a portaria do Parque Municipal do Tabuleiro; subindo à direita passando entre dois morrotes.

Fomos cruzando os campos rupestres sem grande variação altimétrica até chegarmos em uma bifurcação importante e próxima a uma porteira. Ignoramos à saída à esquerda (que é um atalho que leva à portaria do Parque do Tabuleiro) e seguimos reto. Adiante em aclive, curva tendendo à esquerda e em diagonal pelo morro, atingirmos o ponto mais elevado dessa trilha, de onde já é possível avistar a descida íngreme em direção à Cachoeira do Tabuleiro.

A garganta da Cachoeira
Começamos então a descer pela trilha, que apresenta estado razoável, porém com alguns degraus, mas nada complicada. Caminhando de modo tranquilo e fechando a trilha, às 11h20 chegamos às margens do Ribeirão do Campo cujas águas adentram ao pequeno cânion e formam a famosa queda. Por lá já estavam os mais apressados... Decidimos então seguir pelo cânion até a garganta da cachoeira, onde chegamos em 20 minutos.

Apesar da pouca água devido à estiagem, o local é simplesmente espetacular!!! Sem dúvidas é o clímax dessa travessia e é um local que de modo algum deve-se deixar de visitar... Na ocasião, o vento levava os respingos da cachoeira cânion adentro como se fosse chuva fina... Muito belo!!! Ficamos por lá um bom tempo admirando a paisagem, até que fomos retornando cânion acima, nos estabelecendo às margens do poção intermediário existente dentro do cânion. Tempo livre para curtição do lugar, almoço, lanche e outras bobeirinhas mais...

A famosa queda vista desde o Mirante da Cachoeira
Por volta de 14h30 começamos a deixar o cânion da Tabuleiro voltando até o seu acesso. Nesse ponto tomamos a trilha da direita para irmos ao Mirante da Cachoeira, que fica à esquerda da queda e de onde se tem belo e raro visual da Cachoeira e dos seus paredões. Em pouco mais de 10 minutos chegamos ao lugar! O visual é impressionante...

Em torno de 15h30 e em pequenos grupos deixamos o lugar através da mesma trilha da ida, passando novamente pelo acesso ao cânion. Retornei fechando a trilha, enquanto novamente o James e o Cláudio vieram na dianteira. Caminhada tranquila e sem correria, às 17h00 já estávamos todos novamente em nossa base na casa da D. Maria. Como no dia anterior, banho, jantar, muito papo, descontração, interação e... cama!!! A diferença é que por alguns instantes à noite caiu uma fina garoa no lugar, obrigando a todos se aquietarem!

Nós
3 O domingo do terceiro dia amanheceu fechado: a neblina tomava conta dos arredores. Parecia que ia chover, mas quem conhece serras e áreas altas sabe que isto é bastante comum, em especial no Espinhaço! Desarmamos acampamento, tomamos café e por volta de 9h00 deixamos a casa da D. Maria rumo a portaria do Parque Municipal do Tabuleiro.

A saída é o mesmo trajeto que segue para a parte alta da Tabuleiro, porém, ao cruzar o rego d'água logo abaixo da casa, toma-se à esquerda na primeira bifurcação. Daí em diante, a trilha segue marcada e não oferece possibilidades de erros: é descida o tempo todo!

O tempo que estava fechado lá em cima foi se abrindo à medida que perdemos altura. Assim, era possível ver o Distrito do Tabuleiro lá embaixo e inclusive até a região do Peixe Tolo, passando pelo cânion do Rio Preto e Cachoeira Rabo de Cavalo à oeste... Por volta de 10h30 chegamos ao mirante da Cachoeira do Tabuleiro já nas imediações da sede do Parque. Parada para foto oficial em lugar belíssimo e significativo!

Retomada a caminhada, em poucos minutos chegamos à portaria do Parque às 11h00. Após trâmites burocráticos, deixamos nossas cargueiras na sede do Parque e seguimos para o poção da parte inferior da Cachoeira do Tabuleiro.

Após descida íngreme chegamos ao Ribeirão do Campo. Desse ponto em diante, fomos pulando pedras pelo leito do Ribeirão. Pontualmente às 12h00 chegamos ao poção da Tabueliro. Belíssimo e grandioso lugar! Depois de muita curtição e novamente em subgrupos deixamos o local, retornando pela mesma trilha da ida em direção à portaria do Parque, aonde chegamos por volta de 15h30.

Tempo para banho e descanso final aguardando nosso resgate. Um dos resgates chegou e com ele veio um lanche de final de trilha, devorado rapidamente. Ficamos aguardando o outro resgate para voltarmos em comboio. Tempo passando e nada do segundo resgate chegar...

Aproximava das 17 horas quando consegui contatar o resgate e ter a notícia de que o mesmo havia tido problemas mecânicos quando se deslocava em direção à Conceição do Mato Dentro. Liberamos então o primeiro resgate para a volta para BH e ficamos aguardando o nosso serviço, que somente chegou ao lugar às 21h00. Cansados embarcamos na viagem de retorno e somente chegamos em BH por volta de 01h00 da madrugada da segunda feira, cerca de 04h00 após o primeiro grupo...

Foi uma intensa convivência durante os três dias de aventura. Mesmo após tantas idas e vindas por essa Travessia, fica sempre a sensação definitiva de que cada volta é única. É uma experiência incrível. Obrigado a todos que pacientemente me tolerou em mais essa pernadinha... Agradeço também à Administração do Parque Municipal do Tabuleiro que permitiu a nossa permanência no local até a chegada do nosso resgate e em especial à Kalangada que compreendeu a situação!

Serviço

Com início no arraial de Lapinha da Serra (município de Santana do Riacho) e término no Distrito de Tabuleiro (município de Conceição do Mato Dentro), esta clássica Travessia corta a Serra do Espinhaço no sentido oeste para leste/nordeste na região central do Estado de Minas Gerais. A vegetação predominante na região são as matas de galerias e campos rupestres, possuindo intenso colorido revelado através de suas flores, que impressionam pela variedade, beleza e delicadeza. O relevo é acidentado e repleto de afloramentos rochosos.

Dentre os vários formatos para a realização dessa Travessia, sobressai o Tradicional, que contempla a rota com início na Lapinha – contorno do Pico do Breu – residência da D. Maria – Partes Superior e Inferior da Cachoeira do Tabuleiro e findando no Parque Municipal do Tabuleiro. Esse trajeto Tradicional possibilita amplo visual de toda a região; além de proporcionar o que há de essencial e mais marcante em todo o percurso da Travessia. Apresenta também trilha bem marcada em todo o seu itinerário.

Sem dúvidas, o principal atrativo desta Travessia é a monumental Cachoeira do Tabuleiro e para onde todos se convergem. Localizada no Parque Natural Municipal do Tabuleiro, trata-se da terceira maior cachoeira do Brasil, com 273 metros de altura. Sempre que possível e com boas condições de tempo e ausência de chuvas fortes, torna-se imperdível visitar tanto a parte superior quanto a parte inferior da Cachoeira. Somente assim pode-se afirmar que realizou a Travessia Lapinha a Tabuleiro de forma completa e pela Rota-Mãe de todas as outras possibilidades.

A parte superior da Cachoeira é formada por um cânion, com um misto de pequenas quedas com vários poços propícios para banho. A garganta da Cachoeira é um lugar único: contemplar a queda d’água pelo seu topo é uma experiência incrível. Já a parte inferior da Cachoeira é emoldurada por gigantescos paredões rochosos e oferece o grandioso e profundo poço da cachoeira, que é propício à natação e à curtição, com suas tradicionais águas acobreadas. Enquanto o acesso à parte alta é feito inicialmente por trilha com leve declive; acentuando-se ao seu final, com a presença de rochas; o acesso à parte inferior é inicialmente com declive acentuado; logo migrando para pula pedras pelo leito do Ribeirão do Campo até o poço da Cachoeira.

Além da beleza natural da Travessia, os arraiais de Lapinha da Serra e Tabuleiro são daqueles lugares típicos do interior de Minas, com população solícita e atenciosa. Seus hábitos são encantadores e certamente são peças fundamentais que transformam a Travessia Lapinha Tabuleiro é uma das mais belas travessias de todo o Brasil.

Conheça também os outros roteiros da Travessia Lapinha a Tabuleiro:
► Rota Norte 

Distâncias

BH a Santana do Riacho: aprox. 120 km
Santana do Riacho a Lapinha: aprox. 12 km estrada de chão
Tabuleiro a Conceição do Mato Dentro: aprox. 20 km estrada de chão
Conceição do Mato Dentro a BH: aprox. 168 km

Como chegar e voltar - De ônibus
Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Viação Saritur até Santana do Riacho → Táxi ou à pé até Lapinha
Volta: Táxi ou à pé da Portaria do Parque Municipal do Tabuleiro até Conceição do Mato Dentro → Viação Serro até BH

► Para horários e frequências, consulte as empresas de ônibus.
► Não há linha de ônibus entre Santana do Riacho e Lapinha.
► Há linha rural de ônibus entre Tabuleiro e Conceição do Mato Dentro, porém com circulação restrita. 

Como chegar e voltar - De carro
Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Rodovia MG 10 até Distrito da Serra do Cipó → Acesso asfaltado até Santana do Riacho → Estrada de Terra até Lapinha
Volta: Estrada de Terra até Conceição do Mato Dentro → Rodovia MG 10 até Belo Horizonte 

► Atentar que a Travessia tem início e final em locais distintos e distantes. Portanto, programe sua logística in/out boca da trilha.

Considerações finais

► A Rota Tradicional da Travessia Lapinha a Tabuleiro é bem marcada e não apresenta trechos técnicos, o que favorece a sua realização inclusive por grupos maiores de aventureiros.

► A grande dificuldade para a realização dessa Travessia é a logística de ida e volta. Os horários de ônibus são escassos; preços de táxi bastante elevados; pouco trânsito de veículos nas estradas vicinais o que dificultam caronas; além da característica básica de toda travessia, que é começar em um ponto, e terminar em outro totalmente diferente e distante. Por isso, se programe antecipadamente!

► O tempo ideal para fazê-la são três dias, pois dessa forma não precisará apressar o passo e poderá curtir os trajetos em detalhes. Mas também é possível fazê-la em dois dias. Em apenas 1 dia recomendaria apenas para experientes e em modo speed.

► Em três dias, a vantagem de caminhar até a casa da D. Maria já no primeiro dia é por lá montar base para dois pernoites. Assim, terá o segundo dia totalmente dedicado à parte superior da Cachoeira do Tabuleiro de modo leve; e deixar o terceiro dia para a parte final e visita ao poço inferior da Cachoeira. 

► Em dois dias, caso queira visitar as partes superior e inferior da Cachoeira do Tabuleiro, recomendamos iniciar a caminhada bem cedo no primeiro dia.

► O acampamento na casa da D. Ana Benta próximo à Prainha do Parauninha somente recomendamos para quem fizer a Travessia passando pelo topo do Pico do Breu; ou então que tenha começado a caminhada na parte da tarde. Vale lembrar que a D. Ana Benta tem se ausentado da região com frequência. 
►► Atualização em Nov 2015: A Dona Ana Benta faleceu, mas seu sobrinho Lucas continua atendendo no lugar; oferecendo os mesmos serviços

► Na casa da D. Maria pode-se encontrar jantar e banho quente. Em dias comuns basta reservar ao chegar no lugar. Em feriados é recomendável reservar antecipadamente via telefone. Ideal gratificá-los também pelo uso da área de acampamento.
►► Atualização em Dez 2016: O acampamento na Dona Maria passou a ser cobrado valor fixo. Oferece banho simples e frio.

► A entrada no Parque Municipal do Tabuleiro é paga. Porém o aventureiro poderá tomar banho grátis (inclusive quente) no lugar! Os funcionários são muito gentis e atenciosos! Também há área para acampamento nos arredores da portaria; dentro do Parque.

► A região da parte superior da Tabuleiro oferece perigo aos visitantes, como pedras lisas e precipícios na garganta e mirante. Fique atento! 

► Sombras são raras por todo o trajeto da Travessia. 

► Há fontes de água em diversos pontos; porém algumas delas secam no inverno. Fique atento!

► Em dias chuvosos a administração do Parque Municipal do Tabuleiro não permite acesso à parte superior ou inferior da Cachoeira do Tabuleiro. 

► Leve dinheiro em espécie, pois recebimentos em cartões ou cheques na região são raros ou inexistem! 

► Sinal de telefonia móvel é instável pelo trajeto da travessia. Nas proximidades do Mirante da Tabuleiro; bem como na sede do Parque Municipal do Tabuleiro consegui sinal da TIM e Vivo. 

► Caso queira os contatos da D. Maria e Seu Zé basta solicitar via e-mail: chicotrekking@gmail.com; ou através dos comentários.

► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons ventos!

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