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Travessia do Caparaó via Picos da Bandeira, Calçado e Cristal

Eu-Francisco-Chico Trekking e o Pico do Cristal - Foto: Myung Lee
O Parque Nacional do Caparaó é daqueles lugares que quando visitamos sempre fica uma vontade imensa em voltar. Não só por abrigar cumes elevados para os padrões brasileiros, mas o "ar do lugar" nos inunda por uma gostosa sensação, algo difícil de ser explicado em palavras.

Quem já esteve no acampamento do Terreirão pode entender do que estou escrevendo... E foi isto que fizemos em maio passado, quando retornamos para realizar a Travessia do Caparaó; iniciando o trekking no lado mineiro e finalizando no lado capixaba. Fomos em um grupo de mineiros e paulistas, a maioria já parceiros de outras aventuras...

► Leia também o nosso relato sobre uma das nossas visitas ao Caparaó, com visita exclusiva ao Pico da Bandeira.

O objetivo era grande para dois dias, pois além de passar pelo Bandeira, Calçado e Cristal, queríamos visitar alguns atrativos no lado capixaba, como algumas cachoeiras nas imediações da Casa Queimada. Já nos diria o velho mestre que o inesperado é o companheiro das emoções e para não fugir à regra, parte dos planos ficou para outra ocasião, pois as condições do tempo no último dia não nos permitiu visitar cachoeira alguma. Mesmo assim, a caminhada foi espetacular, uma completa imersão no mundo Caparaó...

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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De BH ao Camping do Terreirão

► Atualização Nov 2015: Temporariamente o camping do Terreirão encontra-se fechado.

Deixamos Belo Horizonte pouco depois de 00h00 do sábado dia 16 de maio e após uma viagem tranquila chegamos em Alto Caparaó beirando às 07h00. O tempo estava parcialmente nublado e a temperatura amena. Fizemos um pit stop no Restaurante Mineiro, onde nos esbaldamos no farto café da manhã. Ao final, nos encontramos com os amigos Lee e esposa; além do Júlio que pernoitaram na cidade.

Da pracinha principal de Alto Caparaó, seguimos para a portaria do Parque Nacional divididos entre a van e em um jipe abarrotado com as cargueiras. Trâmites burocráticos e às 8h20 iniciamos nossa subida em direção à Tronqueira, ponto máximo aonde se pode chegar em veículos. No trajeto fizemos uma parada no Mirante da Estrada para algumas fotos. Reembarcamos e poucos metros acima chegamos ao Camping da Tronqueira, distante 6 km desde a Portaria, onde despedimos dos nossos motoristas. Doravante os deslocamentos seriam somente a pé!

Cachoeira Bonita
Ajeitamos e deixamos nossas tralhas nas proximidades do quiosque do início da trilha para o Terreirão; pois como faríamos a Travessia seria necessário levar toda a nossa bagagem. À exceção do Lee e da Choon que já conhecendo as redondezas preferiram botar o pé na trilha de imediato, nós outros fizemos um tour pelo camping da Tronqueira.

Depois nos dirigimos à Cachoeira Bonita, voltando na estradinha sentido portaria por cerca de 1 km; onde tomamos uma curta trilha à direita, chegando em minutos à Cachoeira. O lugar é muito bonito, com uma queda que faz juz ao nome e um pocinho de águas transparentes, suficientes para um banho. Como o tempo estava nublado ninguém se animou a adentrar nas águas gélidas da cachoeira. Assim, em pouco tempo retornamos à Tronqueira. Em torno de 10h00 botamos as cargueiras nas costas e iniciamos nossa subida rumo ao Terreirão.

Terreirão
A trilha bem marcada e sinalizada nos leva poucos metros acima à uma bifurcação. Tomamos à esquerda e fomos visitar o Vale Encantado. Antes da descida final, deixamos nossas cargueiras no mato a fim de nos poupar energias. Depois foi só explorar o lugar, aproveitando que o sol ameaçou dar as caras de vez. Êta lugarzinho agradável. Enquanto alguns pularam nuns poços, outros até tiraram uma soneca, somente interrompida com a necessidade da retomada da pernada rumo ao Terreirão.

Por volta de 11h40 retomamos a trilha principal e tocamos pra cima. Nenhuma dificuldade, seja na trilha ou na orientação. Começamos a notar novas placas no Parque e alguns trabalhos de recuperação de trilhas. Sem pressa, às 12h30 fizemos uma parada na Araucária Solitária, onde há um banquinho convidativo. Continuando a subida, a temperatura foi caindo, a neblina começou a baixar e em certos momentos trazia consigo uma fria névoa suficiente pra limpar o suor. Pontualmente às 13h30 botamos os pés no Terreirão sob frio e vento.

Tratamos de armar logo as barracas, aproveitando que ainda estávamos quentes pela caminhada. Lee e Choon já estavam instalados na Casa de Pedra. O restante do dia foi dedicado ao ócio, afinal havíamos viajado à noite e por isso estávamos cansados. Ainda dei um giro pelo lugar, que alternava momentos abertos com outros fechados e gelados. Fui à Cachoeirinha do Terreirão; mas claro, nada de entrar na água. Voltei já noitecendo!

Havia poucas pessoas no Terreirão; inclusive alguns cariocas gente fina... Aí foi só preparar a janta, contar um pouco de papo fiado; conhecer amigos de outros lugares e aguardar a madrugada, quando continuaríamos nossa Travessia. Foi uma noite de sono recuperadora e não fez o frio intenso e costumeiro do lugar. Lee, Choon, Anderson e Juliana bivacaram na Casa de Pedra, que estava vazia na ocasião; os outros todos em barracas.

Picos da Bandeira, Calçado, Cristal e descida para Casa Queimada

O amarelão do nascer do sol no topo do Bandeira
Acordamos às 2h30 da madrugada de domingo. Não fazia frio intenso e o céu estava estrelado, prevendo um dia claro. Como tínhamos que desmontar acampamento e levar toda nossa tralha acabamos por nos enrolar no Terreirão e somente às 3h45 iniciamos nossa subida; sendo o último grupo que deixou o lugar naquele dia.

Em ritmo tranquilo fomos ganhando altura através da trilha bem marcada e sinalizada; porém a já conhecida erosão das trilhas dificultava um pouco a pernada. Mas fomos nos aproximando dos grupos que saíram antes de nós e até ultrapassamos alguns. Aqueles mais ágeis foram na dianteira. Exatamente às 5h45 chegamos no topo do Bandeira, a tempo de ver o belo nascer do sol. O dia estava claro como prometido e nem havia aquele costumeiro mar de nuvens cobrindo o lado capixaba. Momentos únicos ali no topo, mesmo com o frio cortante agravado pelo vento...

Após o belo nascer do sol começamos a deixar o Bandeira por volta de 7h00. Lee e Choon deixou o lugar um pouco antes. Despedimos dos nossos amigos cariocas, descemos até a bifurcação aos pés do Bandeira e tomamos à esquerda, sentido Casa Queimada. O visual era lindo, com o rápido bailar da neblina nos picos da região.

Às 7h30 passamos pelo Calçado e nos juntamos ao Lee que nos esperava. Fizemos a descida do Calçado e às 8h00 estávamos na bifurcação que leva ao Pico do Cristal. Nesse ponto, parte do nosso grupo decidiu não visitar o Cristal e tocar direto para Casa Queimada, pois alguns sentiam os joelhos. Eu, Lee, Raquel, Patrícia, Júlio, Bruno e Anderson escondemos nossas cargueiras no mato e seguimos leves para o Cristal.

Visual desde o topo do Pico do Cristal: Alto Caparaó lá embaixo...
A rota para o Cristal é permeada por totens e por uma discreta trilha, que várias vezes desaparece no lajeado. Mas não tem erro, pois a navegação é visual e curta. Pouco antes das 9h00 estávamos aos pés do Pico. O tempo continuava frio pela ventania, com o bailar de neblina e apesar do brilhar do sol. Fomos ganhando altura pelas rochas do Cristal e pontualmente às 9h10 já estávamos no topo.

Anderson já havia subido rapidamente e por lá fotografava a mil... O topo do Cristal é pequeno e irregular. Permite uma visão impressionante e em 360º da região. Em janelas sem neblina foi possível ver Alto Caparaó lá embaixo, bem como outras cidades da região; além da Macieira. Ficamos cerca de 40 minutos no topo, descansando, fotografando e contando papo fiado. Bruno e Lee deixaram o topo um pouco antes de nós, que descemos mais lentamente...

Pico do Cristal: ponto culminante de MG
Já na descida a neblina começou a encorpar e trazia consigo chuviscos. Ao término da descida, tudo se embranqueceu. Uma chuvinha fina acompanhada de um vento gelado e cortante tomou conta do Caparaó. A visibilidade caiu a no máximo uns 20 metros. Anderson que seguia na nossa frente desapareceu na neblina. Apressamos o passo e em pouco mais de 20 minutos chegávamos às cargueiras escondidas, que estavam ensopadas pela chuvinha.

Porém não encontramos o Anderson no lugar. Voltei à trilha e o chamei, mas não o vi. Foi quando a Raquel me avisou da sua chegada. Devido à forte neblina, Ele desviou da apagada trilha e acabou fazendo um trajeto bem maior que o necessário. Contou-nos então do seu vara mato e interceptação da trilha capixaba em um ponto bem abaixo que estávamos, onde inclusive se encontrou com o Lee e o Bruno em descida para Casa Queimada.

Refeitos, porém ensopados, iniciamos pouco depois das 11h00 nossa descida rumo à Casa Queimada sob frio e chuva fina. Nenhum visual e a trilha estava lisa e barrenta. Fomos descendo sem paradas e lamentamos a ausência do visual, pois o lado capixaba é de uma beleza cênica sem igual. Mesmo assim, encontramos com três rapazes que pretendiam ascender ao Bandeira naquelas condições, fato irreal sabíamos todos.

Passamos pela bifurcação da Pedra das Duas Irmãs: visual zero! Assim, tocamos pra baixo, chegando no Camping da Casa Queimada em torno de 13h00; onde já nos esperava o pessoal que não havia feito o ataque ao Cristal. Trocamos de roupa, nos alimentamos e permanecemos por ali à espera do nosso resgate.

Enquanto isso a chuvinha fina e o vento frio varriam Casa Queimada. E nós ali, espremidos entre o banheiro e uma varanda estreita. Nenhum funcionário do Parque estava por lá... De novidade, só uma veraneio daqueles três corajosos que tentavam ascender ao Bandeira...

Da Casa Queimada à Macieira... e Portaria Capixaba

Casa Queimada sob intensa neblina e frio
Devido ao adiantado da hora e sabedor das condições da estrada que liga Casa Queimada à Macieira; e em face à chuvinha continuada, comecei a suspeitar que nosso resgate não conseguiria nos atingir. Assim, sugeri aos amigos descermos à pé em direção à Macieira ao invés de ficarmos congelando em Casa Queimada. Sugestão aceita, ajeitamos as cargueiras e botamos o pé na estrada pouco depois das 14h00.

Empregamos um bom ritmo pelas fortes descidas daquela estradinha. Por volta de 15h30 chegávamos à Macieira. E nada do nosso resgate! Além das condições climáticas desfavoráveis, devido ao adiantado da hora e a ausência do nosso resgate no ponto combinado, nem cogitamos visitar a Cachoeira da Farofa; nem a do Aurélio e Sete Pilões nas imediações da Macieira, como pretendíamos. Ficaram para uma próxima oportunidade, infelizmente...

Como nosso resgate também não estava na Macieira, optamos em continuar a caminhada, agora rumo à Portaria do Parque. Cerca de 500 metros após a Macieira topamos com uma caminhonete do ICMBIO. O motorista estava justamente indo ao nosso encontro e nos informou que nosso resgate não conseguiu subir uma das várias ladeiras de calçamento da estrada Portaria-Macieira.

Assim, jogamos nossas cargueiras na caçamba e alguns aproveitaram o resgate improvisado, pegando carona no automóvel; enquanto grande parte de nós continuou a descida a pé, agora leves. Realmente  a minha suspeita lá em Casa Queimada se confirmou, e de forma piorada, infelizmente! Continuávamos a descer e cerca de 2 km antes da Portaria nosso resgate estava à nossa espera, no ponto em que não conseguiu vencer o lodo! Embarcamos e por volta de 16h10 chegamos à Portaria de Pedra Menina.

Pico Sem Nome visto desde a Portaria Caparaó
Na portaria foi só ajeitar as tralhas e embarcar rumo a Alto Caparaó sacolejando por mais de 40 km em estrada de chão que liga as duas localidades, passando por Pedra Menina e Caparaó. Chegamos em Alto Caparaó beirando às 18h20 e deixamos por lá o Lee e a Choon que seguiriam para São Paulo; e o Júlio que iria para Valadares. Non stop, tocamos de volta para Belo Horizonte, aonde chegamos em torno de 01h30 da madrugada.

Estávamos cansados pela jornada sobretudo por ter caminhado quase 8 km a mais que o inicialmente planejado; porém repletos de boas lembranças de mais essa aventura no Caparaó. Como a neblina nos fez companhia em grande parte do domingo, certamente é imprescindível um retorno para contemplar o lado capixaba que caprichosamente dessa vez brincou de esconde-esconde conosco... Estiveram conosco realizando a Travessia o Lee, Choon, Júlio, Juliana, Fred, Camila, Laís, Bruno, Romário, Marina, Anderson, Raquel, Patrícia, Gustavo e Roberto. Obrigado a todos pela companhia!

Serviço

O topo do Pico da Bandeira, terceiro mais alto do Brasil.
Pode-se afirmar que é também o topo mais acessível entre os 10 mais elevados do Brasil
Criado em 1961, o Parque Nacional do Caparaó está localizado na divisa dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, região sudeste do Brasil, próximo à costa leste brasileira. A maior parte da área do Parque está no Estado do Espírito Santo.

Possui dois acessos, um pelo lado Mineiro (portaria Caparaó, na cidade de Alto Caparaó, distante 3 km do centro da cidade), aonde também fica a sede do Parque; e outro pelo lado Capixaba (portaria Pedra Menina, localizada a 10 km do Distrito de Pedra Menina, município de Dores do Rio Preto). Em ambas portarias o acesso se dá por estradas asfaltadas ou com calçamento.

Sendo uma ramificação da Serra da Mantiqueira, a vegetação predominante da região é do tipo Mata Atlântica, com formação de arbustos nas áreas de maior altitude. Já o clima é o tropical de altitude e no outono e inverno são comuns as temperaturas negativas. O relevo é movimentado, com altitudes superiores a 2.000m nos principais topos.

O Parque concentra vários picos dentre os mais elevados do Brasil. Destaque para o Bandeira (2.892m, o terceiro mais alto do Brasil); Pico do Calçado (2.849m, que na verdade é um ombro do Bandeira) e o Pico do Cristal (2.798m), o ponto culminante inteiramente em território do Estado de Minas Gerais. Há outros picos também com altitudes elevadas, como o Cruz do Negro (2.658m); a Pedra Roxa (2.649m); o Tesouro (2.620m) e o Tesourinho (2.584m). Há alguns outros cumes, como a Pedra das Duas Irmãs (2.600m) às margens da trilha capixaba e por isso de fácil acesso.

Além dos atrativos de altitude, o Parque possui outros que poderíamos classificar como um Circuito das Águas. Pelo lado mineiro, destaque para o Vale Verde, local próximo à portaria Caparaó, como pequenas quedas d'água e corredeiras, com infraestrutura de vestiários e área para churrasqueiras; além da trilha de curta distância para a Gruta do Jacu.

Já o Vale Encantado é outro ponto com poços para natação ou mesmo curtição, localizado aproximadamente 500 metros acima do Camping da Tronqueira. A Cachoeira Bonita localiza-se cerca de 1 km antes do Camping Tronqueira, sendo a mais alta do Parque, com cerca de 80 metros. Pelo lado capixaba há também várias cachoeiras, destacando as Cachoeiras dos Sete Pilões, Farofa e a do Aurélio; todas localizadas nas proximidades do Camping da Macieira.

O Parque possui quatro camping. No lado mineiro há os camping da Tronqueira e do Terreirão; já no lado capixaba há os camping da Macieira e da Casa Queimada. Em todos eles há infraestrutura básica, com banhos, sanitários e áreas com pias.

No camping do Terreirão há a Casa de Pedra, um local de passagem aberto a qualquer visitante que esteja sem barraca e necessite de pernoite. Nos camping da Tronqueira e da Macieira há energia elétrica e banho aquecido; porém no lado mineiro é comum isto não funcionar.

A Travessia do Caparaó

Rota da Travessia Tradicional no GE
Consiste na caminhada da Portaria Mineira à Portaria Capixaba (ou vice-versa), passando pelos Picos da Bandeira e do Calçado, perfazendo aproximadamente 26 km, percorrendo trechos em estrada e trilhas. Esta distância pode ser reduzida para 12 km aproximadamente caso opte por ir de automóvel até o Camping da Tronqueira e seja resgatado no Camping Casa Queimada (ou vice-versa) e não visitar nenhum atrativo às margens da trilha; nem atacar o Cristal.

A ida ao Pico do Cristal é opcional e feita sob ataque, aumentando a caminhada em aproximadamente 3 km; bem como também é opcional subir a Pedra das Duas Irmãs no lado capixaba ou visitar outros atrativos do Parque.

O diferencial em realizar a Travessia ao invés de apenas ir ao Bandeira é conhecer os dois lados do Parque: enquanto o lado mineiro apresenta trilha mais leve e suave; o lado capixaba apresenta trechos mais íngremes e escarpas mais bonitas. 

Muito embora a Travessia possa ser realizada em apenas um só dia, o formato com pernoite possibilita participar do tradicional nascer do sol no Pico da Bandeira. Entretanto, caso faça a Travessia de Minas para o Espírito Santo é necessário levar todo o equipamento por todo o trajeto como fizemos, pois não é possível chegar de automóvel ao Terreirão para eventual resgate de equipamentos. A não ser que opte em "pernoitar" no Tronqueira e iniciar a pernada mais cedo na madrugada, pois o trajeto diário aumentaria em quase 4 km.

Iniciando pelo lado capixaba é possível adequar a logística e subir leve sem aumentar o percurso diário; uma vez que é possível chegar por automóvel até Casa Queimada. Porém nesse caso, uma outra escolha terá que ser feita: para assistir ao nascer do sol desde o Bandeira a ida ao Cristal ficaria fora de rota.

As trilhas da Travessia são as mesmas utilizadas para ataque ao Bandeira em ambos os lados. Encontra-se batida e muito bem sinalizada, não oferecendo dificuldades ao caminhante; a não ser pelas erosões na trilha.

O ataque ao Pico do Cristal que é opcional é feito sob trilha discreta e sinalizada por totens. No sentido MG-ES a bifurcação mais adequada para o ataque é na trilha capixaba logo após a descida do Pico do Calçado, pouco abaixo de uma grande rocha. Já o trajeto contrário é justamente pouco abaixo dessa mesma rocha, antes de subir para o Pico do Calçado.

A subida final ao Pico do Cristal é feita por aderência em rocha, não exigindo equipamentos técnicos específicos. Porém, somente recomendo a subida se a rocha estiver seca, pois a inclinação é considerável em alguns pontos.

Distâncias

Lado Mineiro

► Belo Horizonte a Alto Caparaó: 330 km (asfalto)
► Alto Caparaó à Portaria do Parque: 3 km (trecho urbano, com calçamento)
► Portaria Mineira ao Camping Tronqueira: 6 km (5,5 km estrada de terra)
► Camping Tronqueira ao Camping Terreirão: 3,7 km (somente trilha)
► Camping Terreirão ao Pico da Bandeira: 3,2 km (somente trilha)

Lado Capixaba

► Belo Horizonte à Dores do Rio Preto: 360 km (asfalto)
► Dores do Rio Preto ao Distrito de Pedra Menina: 27 km (asfalto)
► Pedra Menina à Portaria do Parque: 8 km (asfalto)
► Portaria Capixaba ao Camping da Macieira: 3 km (calçamento e trechos de chão)
► Camping da Macieira ao Camping da Casa Queimada: 5 km (somente trilha)
► Camping da Casa Queimada ao Pico da Bandeira: 4,5 km (somente trilha)

Como chegar e voltar - de ônibus
Cidade referência: Belo Horizonte

Portaria Mineira
Viação Pássaro Verde até Manhumirim →  Viação Rio Doce (33 3341-3994) até Alto Caparaó → De Alto Caparaó à Portaria ou ao Camping da Tronqueira seguir à pé ou de táxi.

Portaria Capixaba
Viação Pássaro Verde até Carangola → Ônibus Urbano/Circular da Viação Real (32 3746-1144) ou Paraibuna (32 3746-1135) de Carangola para Espera Feliz → Ônibus Urbano/Circular da Viação Nossa Senhora de Fátima (32 3746-1144) de Espera Feliz para Pedra Menina → De Pedra Menina à Portaria ou ao Camping da Macieira ou Casa Queimada seguir à pé ou de táxi.

►Confira nos sites ou ligue nas empresas para se informar sobre os horários e frequências. Não os apresento porque esses horários costumam sofrer modificações. Além disso atente-se que de Espera Feliz para Dores do Rio Preto os ônibus não circulam em feriados.

Como chegar e voltar - de carro
Cidade referência: Belo Horizonte

Portaria Mineira
Belo Horizonte → Manhuaçu → Manhumirim → Alto Jequitibá → Alto Caparaó → Portaria

Portaria Capixaba
► Opção 1: Belo Horizonte → Espera Feliz → Distrito do Paraíso → Portaria
► Opção 2: Belo Horizonte → Espera Feliz → Dores do Rio Preto → Pedra Menina → Portaria

Clique AQUI e veja o Mapa Rodoviário de Minas Gerais, que poderá orientar o seu deslocamento. Ou acesse o Menu Links aqui do Blog, buscando pelo Mapa Rodoviário de Minas Gerais elaborado pelo DER-MG.

Considerações Finais

Atualização Nov 2017: o Camping Terreirão encontra-se temporariamente fechado.

► Agendamento: Para se visitar o Parque Nacional do Caparaó é necessário agendar a visita. Faça sua reserva diretamente no Site do ICMBIO, preenchendo o formulário. Aguarde e o Parque Nacional responderá confirmando a sua reserva. Entre 10 e 5 dias antes da sua visita você deverá reconfirmar sua ida respondendo ao e-mail enviado pelo Parque. Se não fizer esta reconfirmação, a sua reserva será automaticamente cancelada. As taxas de ingresso e camping são pagas em espécie no dia do início da visita, diretamente na Portaria; e não antecipadamente.
  
► Contato: telefone de contato do Parque Nacional do Caparaó  32 3747 2086. Ao ligar, confirme também os valores de entrada e pernoite no Parque.

► Horário de funcionamento: de domingo a sábado, das 07h00 às 18h00. Portanto, acabou aquela "mamata" de entrar mais tarde no Parque (antes funcionava até às 22h00) e ir em um tiro só Portaria-Bandeira.

► Restrições: Fique atento às seguintes restrições:
►► Não é permitida a entrada de bebidas alcoólicas;
►► Não é permitida a entrada de motocicletas.
►► Não é permitida a entrada de veículos tipo ônibus, microônibus e vans acima de 15 lugares.
►► Não é permitido armar barracas na Casa de Pedra; nos arredores do banheiro no Camping Terreirão ou mesmo nos topos dos Picos.
►► Não é permitida realizar a antiga trilha direto Terreirão-Cristal.
►► Não é permitida realizar a antiga trilha do Lehugo.
►► Não é permitida visitação em outros Picos do Caparaó, exceto para fins de estudos ou pesquisas. Se desejar, contate a Gerência do Parque.
  
► Locais de Visita: Os únicos picos liberados para visitação pública no Caparaó são o Bandeira e o Calçado, que é passagem obrigatória para quem vem do Espírito Santo.

► Abrigo de Visitantes do Camping Terreirão: não está mais disponível para locação. O espaço agora é ponto de apoio dedicado aos Condutores Locais credenciados no Parque. 

► Temperatura e Vestuário: se irá visitar o Caparaó no outono/inverno prepare-se para enfrentar o frio. É sério, apesar das temperaturas não caírem a níveis absurdos, a região é elevada, então há a presença de vento, que aumenta a sensação de frio. Já presenciei 6 graus negativos no Camping Terreirão sob vento e chuviscos. É algo que o brasileiro não está acostumado. Vista-se adequadamente. Ao subir o Bandeira pela madrugada, deixe o Terreirão vestido apenas com um corta vento ou outra blusa fina. Leve blusas grossas e afins para vestir somente quando chegar ao cume.

► Horário para início do ataque ao Bandeira: Se vai curtir o nascer do sol no Pico da Bandeira no outono ou inverno, períodos em que o sol nasce após às 6h00 e és um trekker experiente, somente deixe o Terreirão por volta das 4h00 da manhã. Se subir antes desse horário fique claro que você enfrentará por mais tempo o frio e o vento gelado do Bandeira antes do nascer do sol. Se você é iniciante em caminhadas, em especial caminhadas noturnas, saia por volta de 3h30. Você poderá subir com tranquilidade a tempo de ver o sol nascer! Mas lembre-se, esse tempo leva em consideração que você não irá se perder, nem fazer grandes paradas no trajeto.

Água na Travessia: Entre Tronqueira e Terreirão há água no Rio José Pedro. Após o Terreirão, a próxima fonte de água será somente após a bifurcação do Pico do Cristal, já na descida para Casa Queimada. Se abasteça! Entre a Casa Queimada e Macieira há pontos de água. Outros eventuais pontos são temporários. Esteja atento!

► Lanternas: Teste suas lanternas antes das subida, pois necessitará dela em funcionamento. E prefira as de cabeça. Verifique também a barraca, saco de dormir e cozinha; além do vestuário e calçado; evitando improvisos.

► Cuidado com animais nos camping: Ao deixar barracas em algum camping para uma caminhada, embale seus alimentos e coloque dentro de mochilas para evitar atrair os Quatis, animais muito comuns na região. Atrás de alimentos eles podem até furar sua barraca.

► Alimentação, Transporte e Camping dentro da cidade de Alto Caparaó: O Restaurante Mineiro (telefone 32 3747-2604, Dona Elci, proprietária) localizado na Praça Central de Alto Caparaó fornece café da manhã e almoço (muito bons e a preços justos). Também disponibilizam aluguel de jipes, veículo muito utilizado para transportar aventureiros Alto Caparaó-Tronqueira. Também possuem área de camping em pleno centro de Alto Caparaó.

► Hospedagem: há diversas pousadas e hotéis em Alto Caparaó, quase todos localizados na cidade ou nas imediações, atendendo a diversos públicos ou bolsos.

► Locação de Equipamentos: A Loja Fruto da Terra (32 3747-2676) possui barracas, isolantes e sacos de dormir para locação; além de outros itens. 

► Aluguel de Mulas: não é mais permitida a utilização e circulação de animais de carga pelo Parque Nacional do Caparaó. 

► Comunicações: Há sinal de telefonia móvel Oi no Camping da Tronqueira; e Oi e TIM no Camping Terreirão; e em alguns outros pontos isolados. Já no centro da cidade de Alto Caparaó no fundo do Vale só funcionam celulares da Claro; ou TIM 4G.

Lado Capixaba: A região de Pedra Menina possui infra-estrutura básica e inferior àquela disponível em Alto Caparaó.

Táxi e/ou serviços de traslados: Os preços em especial de táxi na região costumam ser elevados. Vá preparado e não se assuste!

Trajeto após a Travessia: No caso dessa nossa travessia não seria necessário passar por Alto Caparaó quando do término da pernada. Apenas passamos por lá para deixar alguns amigos que caminharam conosco, facilitando suas logísticas.

Direção da Travessia: Esta Travessia pode ser realizada tanto no sentido Minas-Espírito Santo quanto Espírito Santo-Minas.

► Apesar de estar com algumas informações desatualizadas, o Guia do Visitante elaborado pelo ICMBIO contém várias informações adicionais sobre o Parque Nacional do Caparaó. 

► Leia também o nosso relato sobre uma das nossas visitas ao Caparaó, com visita exclusiva ao Pico da Bandeira.


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons ventos!
Última atualização: Nov 2017

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Atendendo à essa conquista sentimental, na semana santa de 2015 retornamos ao lugar. Fizemos a rota tradicional, com início na Praia do Pouso da Cajaíba e término em Laranjeiras. Porém dessa vez, não fizemos à pé o trecho Martin de Sá a Ponta Negra; optamos por barcos; e com isto ganhando tempo para visitar a Cachoeira do Saco Bravo sem correrias, um dos pontos inusitados e mais espetaculares da famosa Juatinga...…

Pedra Grande em Igarapé: beleza e resistência!

Diferentemente do agito do carnaval de 2012, esse ano de 2013 decidi que era tempo para o sossego. Por outras circunstâncias também não programei trilha nenhuma. Mas depois de três dias em casa comecei a ficar incomodado... Recebi um convite pra dar um pulo em Ipoema, masjá saído de casa a coisa mudou...

Assim decidi no estalo que iria à Pedra Grande, na cidade de Igarapé, um lugar próximo à Belo Horizonte que há muito não visitava! Localizada na divisa dos municípios de Igarapé e Itatiaiuçu, a Pedra Grande é o ponto culminante dos municípios, com aproximadamente 1.400m de altitude. Do seu cume é possível ver grande parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte...
► Leia também nosso relato de outra visita à Pedra Grande pela Rota Sul
A pequena cidade de Igarapé está situada às margens da BR 381, sentido Sul (para São Paulo), distante aproximadamente 60 km de Belo Horizonte.  A Pedra Grande fica logo após a cidade, no alto da Serra de Igarapé. Além de permitir ascensão ao seu cume,…