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Pico da Bandeira: o clímax do montanhismo nacional!

Cume do Pico da Bandeira
Localizado na divisa dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, próximo à costa leste do Brasil, o Parque Nacional do Caparaó é uma joia do montanhismo brasileiro. Criado na década de 60, e possuindo portarias nas cidades de Alto Caparaó (MG) e Dores do Rio Preto (ES), o Parque atrai visitantes de todo o País, especialmente porque em seus domínios encontra-se o Pico da Bandeira, terceiro ponto culminante do Brasil, com 2892m de altitude. Por tradição, o ponto alto da visita ao Caparaó é subir o Pico da Bandeira e assistir o espetáculo do nascer do sol desde o seu cume. Para isto, aventureiros enfrentam o intenso frio da região, caminhando por algumas horas madrugada adentro, através de trilhas marcadas e repletas de rochas soltas e degraus. O visual desde o cume é um dos mais significativos de todo o Brasil; e em dias completamente limpos e com equipamentos é possível distinguir a tonalidade do mar no horizonte à leste. Foi neste lugar mágico que retornei dias atrás, juntamente com novos e velhos amigos.

Atualização Dez 2015: o Camping Terreirão encontra-se temporariamente fechado para reforma.

► Leia também o nosso relato sobre a Travessia do Caparaó, que além de incluir o trecho Alto Caparaó-Bandeira, inclui passagem pelo Pico do Calçado, ida ao Pico do Cristal e a descida até a Portaria Capixaba, também conhecida como Portaria de Pedra Menina ou Dores do Rio Preto.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc (Incluída em Jan 2016)
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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A rota acima refere à Travessia do Caparaó e inclui o trecho da Portaria Caparaó ao Pico da Bandeira.
Baixando a rota, basta que utilize apenas o trecho desejado.

O Caparaó é um dos lugares bacanas para se visitar com amigos. Não sei se é por causa do foco principal da visita, que é congratular-se ao nascer do sol, mas de fato é um lugar que sempre rende boas experiências em grupo. Assim, éramos 13 amigos para essa empreitada: James, Alexandre Gans, Rodolfo, Fábio, Solimar e Teresinha, que já éramos conhecidos de outras andanças; já o Martin, Federico, Anderson, Jonas, Raquel e Juliana nos conhecemos no dia e poucos minutos antes da viagem. O entrosamento foi rápido e no pouco tempo parecia que todos já se conheciam há anos...

Café no Restaurante Mineiro - Foto: J Amorim
1 Na madrugada de 31 de maio (00h15) deixamos Belo Horizonte rumo a Alto Caparaó, cidade porta de entrada principal do lado mineiro do Parque Nacional. Viagem tranquila pelas BR's 381 e depois 262, por volta de 6h30 da manhã chegamos à Alto Caparaó. A cidade é muito agradável, pequenina e acolhedora. É localizada no Vale do Caparaó, sendo rodeada por imensas plantações de café. Ainda na estrada, antes de chegarmos à cidade, enfrentamos neblina em quase todo o percurso e em algumas janelas, nas proximidades de Manhumirim já foi possível vislumbrar alguns dos belos topos que circundam a região. Assim, ao chegarmos na simpática cidade, fomos direto para o Restaurante Mineiro, que fica na Praça Central de Alto Caparaó. Lá já nos esperava a Dona Elci, proprietária do restaurante, que nos preparou uma boa mesa de café da manhã, pois naquele dia não haveria almoço. O café e as guloseimas estavam apetitosos e foram devorados com fervor!

Portaria do Parque em Alto Caparaó - Foto: J Amorim
Após o café da manhã, enquanto o pessoal curtia a pracinha, juntamente com o motorista Gilberto me dirigi à loja Frutos da Terra para retirar alguns equipamentos que havia alugado para a aventura. Rapidamente voltamos, reencontramos o grupo e embarcamos rumo ao Parque Nacional. Ao deixarmos a praça, erramos a rua de acesso (rs!!!)... Foi quando perguntei ao nosso motorista se Ele conhecia a cidade. Mas era a primeira vez que Ele estava ali. Então o orientei e seguimos para a Portaria, lá chegando em alguns minutos. Enquanto a van manobrava e estacionava a carretinha de cargas em um local apropriado, pois o Parque não autoriza que esse tipo de veículo circule em suas estradas internas, fiz os trâmites burocráticos do grupo. Logo reembarcamos, agora apertados pelas cargueiras e mochilas. Tomamos rumo ao Camping da Tronqueira, ponto máximo dentro do Parque aonde se pode chegar de carro.

Vale do Caparaó visto do Mirante a caminho da Tronqueira
A estrada para o Tronqueira é 95% de chão batido. No início é a mesma estrada com calçamento que leva até o Vale Verde, que é um lugar aprazível, bastante arborizado, com um conjunto de riachos, corredeiras e espaço para churrasqueiras dentro do Parque. Esse lugar se assemelha a um parque urbano. Aproximando do Vale, há a bifurcação sinalizada à esquerda que segue para o Camping da Tronqueira. Começa aí o trecho íngreme e praticamente de chão batido por todo o percurso. Carro cheio, fomos subindo lentamente. Aos poucos, o Vale do Caparaó foi se despontando por entre as árvores que ladeiam a estrada. Já na parte final da subida fizemos uma parada no Mirante da Estrada, de onde se tem bonito visual da cidade lá embaixo e das montanhas nos arredores. Novamente embarcamos, passamos pela bifurcação da Cachoeira Bonita e rapidamente chegamos ao Camping da Tronqueira. Era por volta de 9h30 da manhã.

Cachoeira Bonita
Ao desembarcarmos no Camping da Tronqueira e como já havia sido combinado nos dias anteriores, procurei o Fabiano, que é autorizado a fazer transporte de materiais em mulas pelas trilhas do Parque (►►Atualização Abr 2015: não é mais permitida a utilização e circulação de animais de carga pelo Parque Nacional do Caparaó). Encontrei seu parceiro próximo ao depósito local, nas escadarias de acesso à trilha para o Camping Terreirão. Por lá deixamos as nossas poucas tralhas que seguiriam via mulas: umas 5 barracas, alguns sacos de dormir e alguns isolantes. Uns 15 kg no total, mais ou menos. Aproveitamos que a van retornaria para a cidade de Alto Caparaó e pegamos uma carona até 1 km abaixo do Camping da Tronqueira (mesma estrada de chegada), pois iríamos visitar a Cachoeira Bonita.

Em minutos chegamos à bifurcação à direita (de quem desce sentido cidade), despedimos do motorista Gilberto e caminhamos uns 500m em trilha limpa e ampla até a Cachoeira Bonita. Realmente a queda faz juz ao nome. Trata-se das águas do Rio José Pedro, divisor natural dos Estados de Minas e Espírito Santo que nesse ponto escorregam pela rocha inclinada, em duas seções, formando ao seu final um poço de água límpida e transparente, porém gelada. Após a cachoeira, o rio continua seu leito entre pedras, formando pequenos poços. Ficamos por lá um bom tempo e alguns mais corajosos se animaram e adentraram na água; enquanto a maioria preferiu apenas curtir e apreciar o singelo lugar...

Aproximadamente 1h30 depois começamos a deixar o lugar. O retorno para o Camping Tronqueira foi rápido, e a subida pela estrada interna nem pesou. Já no Camping aproveitamos para ir ao Mirante da Tronqueira, de onde se tem belíssima vista de todo o Vale do Caparaó, aonde está a cidade de Alto Caparaó; além das montanhas acima, com seus sopés repletos de plantações de café.

O Vale Encantado visto da trilha para o Terreirão
Passava do meio dia quando iniciamos nossa subida rumo o Camping do Terreirão. Esse camping é base para ataque ao Bandeira e somente pode ser acessado a pé! Cada um foi imprimindo o seu ritmo e tínhamos como objetivo passar pelo Vale Encantado, que é um recanto com poços de água transparente localizado no mesmo Rio José Pedro, à esquerda de quem sobe a trilha em direção ao Terreirão. Como o grupo que ia na ponta se adiantou, acabaram passando da bifurcação de acesso (a placa indicativa estava mal posicionada). Nós que vínhamos na rabeira decidimos então deixar a visita ao Vale Encantado para a volta, no outro dia. Assim, prosseguimos na bem marcada trilha e apenas paramos no mirante acima para observar as águas do Vale lá embaixo.

A araucária solitária, símbolo no trajeto Tronqueira-Terreirão
Importante ressaltar que a trilha é muito bem marcada e não oferece possibilidades de erros. Diferente de dois anos atrás, agora achei a trilha bem mais cuidada que em 2012. Nota-se alguns esforços para conter erosões em determinados pontos, com a colocação de madeira formando degraus. Durante a subida o sol estava forte e fomos subindo sem pressa. Não existem bifurcações neste trecho: a trilha segue sempre à margem esquerda do Rio José Pedro, ou seja, pelo lado mineiro. Ao chegarmos na famosa Araucária solitária, referência desse trajeto, fizemos uma parada num banco de madeira à beira da trilha. Mais uma novidade por lá. Retomamos a caminhada e pouco adiante a trilha fica um pouco mais íngreme, mas sem exageros. Nesse ponto, troquei de cargueira com o James: enquanto a minha estava leve, a do James pesava uns 25 kg... Também pudera, ele estava levando toda a janta e café da manhã de 13 almas eheheh...

Pico do Cristal visto desde o morrote acima do Terreirão
Camping Terreirão visto desde o morrote à sudeste
Duas horas depois de deixarmos o Camping da Tronqueira vencemos os 3,7 km de trilha e chegamos ao Camping Terreirão. Como chegamos cedo, o lugar estava vazio, com apenas algumas barracas. Logo escolhemos o lado direito para armar o acampamento, pois esse lado fica fora da passagem das pessoas que se dirigem ao Bandeira. Armamos acampamento com tempo de sobra para fazer um café, lanchar e depois ir curtir o por do sol. A temperatura começou a cair rapidamente, como é de costume quando se está a quase 2300m de altitude.

O por do sol desde o Terreirão
Fomos para as rochas atrás da Casa de Pedra, que é o melhor ponto para curtir o por do sol quando se está no Terreirão. Enquanto a turma se ajeitou pelo capim, eu saí pelo cume do morrote indo em direção a outro ponto alto ao sul do Terreirão. No trajeto mato adentro reencontrei o Fernando, meu amigo de BH que também estava por lá e que corria com seu aparato fotográfico para registrar o belo entardecer! Segui adiante e quando o sol já se escondia, dei falta das minhas luvas, pois minhas mãos estavam geladas! Dei o assunto como caso perdido, pois como iria reencontrá-las se varei mato? Porém ao retornar pelo meio do mato, deparei com as mesmas caídas em lugares diferentes: sorte grande! Fui então ao encontro do grupo e logo descemos para o acampamento para procedermos o jantar. Antes, alguns corajosos foram tomar banho na gelada água do Terreirão eheheh...

Nem precisa dizer, mas o frio baixou de vez no Terreirão. Minutos sem luvas e os dedos começavam a formigar! Eu e o James fomos preparar a janta de montanha, que seria uma sopa com legumes, massa e carne. Utilizamos uma das mesas fixas de madeira disponíveis e que estava próxima às nossas barracas. Como a mesa era grande, parte dos amigos ficou jogando cartas na outra ponta da mesma mesa. Acho que estavam com calor... Outros mergulharam nas barracas para se abrigar do frio... Como a temperatura caiu bastante, a preparação do jantar demorou um pouco mais que o esperado. Mas quando pronta, rapidamente aqueceu nossas panças...

rastros de geada na barraca
Após jantar não tivemos muito o que fazer. Naquela friaca e após algumas fotos, por volta de 21h00 o pessoal já estava dentro das barracas. É sério, fazia muito frio. Fui dar uma volta pelo imenso camping que estava com poucos "moradores" naquele dia. Esperava que tivesse mais cheio, pois era um sábado. Havia na extremidade sul do camping um grupo grande de belo horizontinos. Na outra extremidade alguns paulistas e mineiros do interior. Próximo à Casa de Guardas também havia barracas, mas bem menos que da última vez que estive por lá. Inclusive a Casa de Pedras estava silenciosa naquela noite... Após ajeitar as tralhas também fui deitar. Foi uma noite tranquila, acordei somente uma vez, apesar da friaca intensa...

2 Por volta de 2h00 da manhã acordei com os passos de parte dos acampados já se dirigindo à trilha de subida ao Pico da Bandeira. Eu havia avisado aos meus amigos que só levantaríamos às 2h30, simplesmente porque não faz sentido levantar antes desse horário! Na hora combinada, me levantei, acho que fui o último. O frio era intenso e uma fina camada de geada cobria as barracas e objetos! Sem delongas e juntamente com o James fomos preparar o café da manhã do grupo. O tempo voou e quando vi já era 3h30 da madrugada. Apressei o pessoal e eles foram se concentrar lá próximo aos sanitários, na direção da trilha do Bandeira. Guardei as tralhas e pontualmente às 3h35 deixamos o Terreirão rumo ao Pico. O Terreirão ficou silencioso, fomos o último grupo a deixar o lugar...

Logo no início da trilha o grupo se dividiu: enquanto uns mais apressados foram adiante, eu fiquei na rabeira, subindo calmamente, pois tínhamos tempo de sobra. Aproximadamente 1km acima do Terreirão é a região conhecida por Barro Preto, pois na época das águas fica barrento. Alguns metros antes há um lajeado em aclive e a trilha passa por ele. Lá estavam os adiantados do nosso grupo junto a mais uma fila de aventureiros. Estavam na dúvida quanto ao rumo da trilha. Mostrei a direção e rapidamente voltaram a caminhar. Nós mantivemos nosso ritmo: Eu, Fábio, Solimar, Teresinha e Raquel. Fomos alternando com outro grupo grande: ora adiante, ora atrás. Em certo ponto passamos adiante e assim nos mantivemos, com algumas paradas até o cume.

Ao chegar no topo, o prenúncio do sol
Nós que subimos tranquilos e sem pressa chegamos ao cume do Bandeira às 5h45 da manhã. O pessoal da dianteira já estava por lá a pelo menos meia hora. Quando chegamos, o colorido do céu já anunciava a vinda do sol. Enquanto alguns foram para o cume da Cruz, nós dirigimos para o lado leste, abrigados do vento, próximo à torre de aço, aonde ficamos aguardando o nascer do sol. O topo do Bandeira é irregular. Na parte mais alta do cume há um Cruzeiro. Na parte mais baixa há uma mini estátua do Cristo Redentor; além de uma torre de metal. À oeste, à beira da trilha de descida há ruínas de uma antiga construção. Dizem que no passado ali seria instalado um retransmissor de rádio/TV. Ficamos quietos no lado leste, pois mesmo abrigados, fazia muito frio e o vento oeste era cortante e assobiava sobre nossas cabeças. Mesmo sob essas condições, alguns ficaram fazendo peripécias pelo topo, não é mesmo Sr. Anderson? (rs!!!).

Brilhou forte
Bem abrigados, às 6h15 da manhã despontou ao longe os primeiros raios do sol. Uma salva de palmas nasceu espontaneamente no topo do Bandeira! Foi lindo e é uma cena que se repete sempre que o sol vem dar bom dia aos aventureiros. Cena muito linda! Fotos, vivas e sorrisos se misturavam. Acho esse momento muito bacana, uma particularidade do Bandeira!!! Realmente é um lugar contagiante, basta ver a alegria estampada no rosto das pessoas, mesmo sob temperatura negativa e quilos de roupa de frio!!! Simplesmente sensacional. Experiência única, mesmo para quem aquilo não seja a primeira vez...

O Frade e a Freira
Pedra Rocha, Tesouro, Tesourinho
Calçado e Cristal
De toda forma fomos privilegiados. Na nossa visita o tempo estava totalmente aberto, apenas com alguma neblina em pontos isolados e mais baixos do lado capixaba. Nada daquela nuvem de algodão doce cobrindo a paisagem... Era possível ver o Frade e a Freira à nordeste e aquele mar de morros capixaba à leste. à Sudoeste lá estavam os Picos do Calçado (espécie de ombro do Bandeira) e Cristal, vistos sem nenhum impedimento. Ao norte, os picos da Pedra Rocha, Tesouro e Tesourinho. À Noroeste era possível ver o Cruz do Negro, além do "buraco" aonde localiza-se o Camping do Terreirão e a direção de Minas Gerais a perder de vista... 

Pico Cruz do Negro. O Terreirão localiza-se no vale na sombra do Pico
Passado o furor da chegada do sol, sem pressa nenhuma, ficamos por lá nos aquecendo. Quando a maioria das pessoas já havia deixado o topo, nos dirigimos para o cume da Cruz, que é o ponto mais alto do Bandeira. Agora teríamos mais liberdade para curtir o visual e tirar fotos... Por volta de 8h00 da manhã fomos o último grupo a deixar o cume. Descemos até a bifurcação para Casa Queimada e tomamos a trilha que segue para o Espírito Santo, pois pretendíamos ir ao Pico do Calçado. Ao chegarmos no Calçado Mirim, uma espécie de ombro do Bandeira, a neblina ameaçou cobrir o Pico. Então, decidimos não ir ao Calçado, nos contentamos com o visual do paredão sul do Bandeira desde o Mirim e voltamos para o Terreirão.

Paredão do Bandeira visto da trilha para o ES
Uma das últimas vistas abertas do Bandeira na volta ao Terreirão
A descida foi tranquila e rápida. Às 10h00 botamos os pés de volta ao Terreirão e desarmamos o acampamento rapidamente. Eu e o Rodolfo fomos os últimos a deixar o lugar. Igualmente foi rápida a descida em direção ao Camping da Tronqueira. Meio dia estávamos na bifurcação de acesso ao Vale Encantado. O tempo mostrava sinais de mudança e nuvens escondiam o sol. Enquanto alguns preferiram descer direto para o Tronqueira, outros foram para o Vale. Claro, eu fui para o Vale e juntamente com o Anderson e o Jonas ficamos mais tempo por lá. Eles tiveram coragem de enfrentar as águas geladas (!!!) do rio... Eu não!!! Por volta de 13h15 retomamos a caminhada e às 13h30 chegamos ao nosso destino, o Camping Tronqueira.

Ficamos por lá de bobeira, esperando o nosso resgate. Pela programação, nossa chegada foi antecipada. Havia combinado o resgate após 14h00 e às 14h20 nossa van chegou. Embarcamos e descemos direto à portaria do Parque, aonde ajeitamos nossas bagagens no compartimento de carga. Fiz os trâmites burocráticos de despedida e partimos para o centro de Alto Caparaó. Nova parada no Restaurante Mineiro, dessa vez para almoçar.

Após o almoço, fiz a devolução dos materiais locados na Frutos da Terra e pé na estrada: às 16h20 deixamos Alto Caparaó com destino à Belo Horizonte. Foi a viagem de retorno mais silenciosa que já vi: todo mundo dormiu feito anjos eheh... Viemos non stop até João Monlevade, aonde paramos para esticar as pernas. Novamente na estrada, por volta de 22h30 já estávamos de volta na barulhenta Belo Horizonte.

Sem dúvidas foi uma aventura sensacional e marcante, com o nascimento de novas e renascimento de velhas amizades; aliás, como sempre são as viagens ao Caparaó. Por mais que existam outros lugares belíssimos no Brasil, acho o Caparaó diferenciado. Tudo por lá gira em torno do Parque. As pessoas falam com satisfação do lugar. Se sentem donos daquele espaço. E têm orgulho disso. É um lugar democrático, que certamente já despertou e despertará muitos para o montanhismo. Não cansarei jamais daquele lugar e já posso dizer que estou morto de saudades de lá... Pelo clima de satisfação demonstrado nos variados rostos dos visitantes que vi mais uma vez naqueles dias, ouso dizer novamente que o Bandeira é mesmo o clímax do montanhismo brasileiro!

Galera curtindo por do sol no Terreirão - Foto: J Amorim
Ao finalizar, registro meu agradecimento a todos os aventureiros que nesta ocasião foram conosco ao Caparaó. Como sempre, as aventuras pelo Parque Nacional do Caparaó resultam em excelentes experiências de grupo e grande oportunidade para aprendizagens. Até nesse aspecto o Caparaó é genial! Obrigado pela confiança!


Serviço

Criado em 1961, o Parque Nacional do Caparaó está localizado na divisa dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, região sudeste do Brasil, próximo à costa leste brasileira. A maior parte da área do Parque está no Estado do Espírito Santo. Como está na divisa de Estados, o Parque possui dois acessos, um pelo lado Mineiro (portaria Caparaó, na cidade de Alto Caparaó, distante 3 km do centro da cidade), aonde também fica a sede do Parque; e outro pelo lado Capixaba (portaria Pedra Menina, localizada a 10 km do Distrito de Pedra Menina, município de Dores do Rio Preto). Em ambas portarias o acesso se dá por estradas asfaltadas ou com calçamento.

Limites do Parque (ICMBIO) e nosso trajeto no GE
Sendo uma ramificação da Serra da Mantiqueira, a vegetação predominante da região é do tipo Mata Atlântica, com formação de arbustos nas áreas de maior altitude. Já o clima é o tropical de altitude e no outono e inverno são comuns as temperaturas negativas. O relevo é movimentado, com altitudes superiores a 2000m nos topos. O Parque concentra vários picos dentre os mais elevados do Brasil. Destaque para o Bandeira (2892m, o terceiro do Brasil); Pico do Calçado (2849m) e o Pico do Cristal, o ponto culminante inteiramente em território do Estado de Minas Gerais (2798m). Há outros picos no Parque, como o Cruz do Negro (2658m); da Pedra Roxa (2649m); do Tesouro (2620m) e do Tesourinho (2584m).

Além dos atrativos de altitude, o Parque possui outros que poderíamos classificar como um Circuito das Águas. Pelo lado mineiro, destaque para o Vale Verde, local próximo à portaria Caparaó, como pequenas quedas d'água, corredeiras, vestiários e área para churrasqueiras; além da trilha de curta distância para a Gruta do Jacu. Já o Vale Encantado é outro ponto com poços para natação ou mesmo curtição, localizado aproximadamente 500 metros acima do Camping Tronqueira. Já a Cachoeira Bonita localiza-se cerca de 1 km antes do Camping Tronqueira, sendo a mais alta do Parque, com cerca de 80 metros. Pelo lado capixaba há também várias cachoeiras, destacando as Cachoeiras dos Sete Pilões, Farofa e a do Aurélio.

Camping - lado mineiro

Camping do Terreirão
Casa de Pedra no Terreirão
Camping da Tronqueira: localizado a 1970m de altitude, a 6 km acima da portaria Caparaó. É um camping intermediário próximo ao Vale Encantado e Cachoeira Bonita, por isso amplamente utilizado por quem deseja apenas curtir esse atrativo do Parque. Também pode ser utilizado como base para vista ao Pico da Bandeira, em especial por aqueles que não desejam transportar equipamentos (peso) para o Terreirão. Pode ser alcançado à pé ou de automóvel.

Camping do Terreirão: localizado a 2370m de altitude, a 3,7 km acima do Camping da Tronqueira. O Terreirão é o camping base do Bandeira; e somente pode ser alcançado a pé mediante caminhada em trilha definida e demarcada. É onde fica a curiosa Casa de Pedras, espaço utilizado para caminhantes em trânsito rumo ao Bandeira ou mesmo durante Travessia para o Espírito Santo.

► Atualização Dez 2015: o Camping Terreirão encontra-se temporariamente fechado para reforma; restando ao visitante pelo lado mineiro apenas o Camping da Tronqueira. 

Infraestrutura

Em todos os camping há estrutura de sanitários, chuveiros, pias para lava pratos, algumas mesas fixas e casas de apoio do Parque. No Terreirão há ainda o antigo abrigo de visitantes (atual casa de apoio aos guias locais); além da Casa de Pedra, um local destinado a abrigar àqueles que desejam ir ao Bandeira e estejam sem barracas. Ambos os camping possuem área superior a 1000m² disponíveis para acampamentos. Enquanto na Tronqueira há um banho com água aquecida, no Terreirão todos os chuveiros são abastecidos com água fria; pois o sistema de aquecimento foi vandalizado.

O acesso/trilha para o Pico da Bandeira - lado mineiro

Trajeto Alto Caparaó-Bandeira no GE
O lado mineiro é o mais visitado do Parque, cuja portaria fica a cerca de 3km do centro de Alto Caparaó via estrada com calçamento. É também em Minas Gerais que fica a sede do Parque. Após a portaria, prossegue a estrada com calçamento por cerca de 500m, quando se deve deixá-la e tomar a bifurcação sinalizada à esquerda, entrando na estrada de chão batido. Essa estrada é íngreme e levará até o Camping da Tronqueira, ponto máximo que se pode chegar de carro. 

Vale do Rio José Pedro, rota do trecho Tronqueira-Terreirão
Do Camping da Tronqueira deve-se dirigir para o Camping Terreirão a pé. A trilha é batida, sinalizada e não oferece possibilidade de erros. O estado da trilha é razoável, com alguns trechos com rochas e erosões, que atualmente vem sendo combatida. O ganho de altitude é pequeno: 400m em 3,7 km, portando, não há subidas íngremes no trecho. Há água do Rio José Pedro bem próxima à trilha em alguns pontos. Trecho com sombra em apenas alguns pontos.

Trecho da trilha na rota Terreirão-Bandeira (ao fundo)
Do Camping Terreirão para o Bandeira a trilha é um pouco mais íngreme: ganha-se 520m de altitude em 3,2 km. A quantidade de pequenas rochas no trajeto, além de degraus torna a subida um pouco mais exigente que o trecho anterior Tronqueira ao Terreirão, especialmente nos metros finais após a bifurcação da trilha para Casa Queimada, já aos pés do Bandeira. Nesse ponto, deve-se tomar a trilha da esquerda. Não há água no trecho Terreirão ao Bandeira, portanto abasteça. Trecho totalmente ausente de sombras.

Igualmente sinalizada em todo o percurso, dessa vez com estacas de madeira e pinturas amarelas nas rochas lindeiras, esse trecho não oferece dificuldades nem risco de erros, a exceção de um trecho lajeado metros antes do local conhecido como Barro Preto, cerca de 1 km acima do Terreirão. Apesar da sinalização, muitos se direcionam para à esquerda, sentido do Pico Cruz do Negro, quando na verdade deve-se permanecer mais à direita. Mas esse erro somente acontece com novatos e em períodos noturnos ou sob neblina. 

Distâncias - Lado Mineiro - cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte a Alto Caparaó: 330 km (asfalto)
Centro de Alto Caparaó à Portaria do Parque: 3 km (trecho urbano, com calçamento)
Portaria do Parque em Alto Caparaó ao Camping Tronqueira: 6 km (5,5 km estrada de terra)
Camping Tronqueira ao Camping Terreirão: 3,7 km (somente trilha)
Camping Terreirão ao Pico da Bandeira: 3,2 km (somente trilha)

Como chegar - Lado Mineiro - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:
Embarcar em ônibus da Viação Pássaro Verde com destino à cidade de Manhumirim.
Em Manhumirim embarcar em ônibus da Viação Rio Doce e desembarcar na cidade de Alto Caparaó.
Do centro da cidade seguir à pé ou te táxi para a Portaria do Parque.
É possível alugar veículo jipe ou 4 x 4 para chegar até o Camping da Tronqueira.

► Confira nos sites da Viação Pássaro Verde e da Viação Rio Doce os horários e frequências.
► O retorno se dá nos mesmos moldes da ida.

De carro:
Belo Horizonte → Manhuaçu → Manhumirim → Alto Jequitibá → Alto Caparaó

► Confira o Mapa Rodoviário de Minas Gerais, que poderá orientar o seu deslocamento.  
► O retorno se dá nos mesmos moldes da ida.

Considerações Finais

Atualização Dez 2015: o Camping Terreirão encontra-se temporariamente fechado para reforma.

► Agendamento: Para se visitar o Parque Nacional do Caparaó é necessário agendar a visita. Faça sua reserva diretamente no Site do ICMBIO, preenchendo o formulário. Aguarde e o Parque Nacional responderá confirmando a sua reserva. Entre 10 e 5 dias antes da sua visita você deverá reconfirmar sua ida respondendo ao e-mail enviado pelo Parque. Se não fizer esta reconfirmação, a sua reserva será automaticamente cancelada. As taxas de ingresso e camping são pagas em espécie no dia do início da visita, diretamente na Portaria; e não antecipadamente.
  
► Contato: telefone de contato do Parque Nacional do Caparaó  32 3747 2086. Ao ligar, confirme também os valores de entrada e pernoite no Parque.

► Horário de funcionamento: de domingo a sábado, das 07h00 às 18h00. Portanto, acabou aquela "mamata" de entrar mais tarde no Parque (antes funcionava até às 22h00) e ir em um tiro só Portaria-Bandeira.

► Restrições: Fique atento às seguintes restrições:
►► Proibida a entrada de bebidas alcoólicas.
►► Proibida a entrada de motocicletas.
►► Proibida a entrada de veículos tipo ônibus, microônibus e vans acima de 15 lugares.
►► Não é permitido armar barracas na Casa de Pedra ou nos arredores do banheiro no Camping Terreirão; ou nos topos dos picos.
►► Não é permitida realizar a antiga trilha direto Terreirão-Cristal.
►► Não é permitida realizar a antiga trilha do Lehugo.
►► Não é permitida visitação em outros Picos do Caparaó, exceto para fins de estudos ou pesquisas.  

► Locais de Visita: Os únicos picos liberados para visitação pública no Caparaó são o Bandeira e o Calçado, que é passagem obrigatória para quem vem do Espírito Santo.
► Abrigo de Visitantes do Camping Terreirão: não está mais disponível para locação. O espaço agora é ponto de apoio dedicado aos Condutores Locais credenciados no Parque. 

► Temperatura: se irá visitar o Caparaó no outono/inverno prepare-se para enfrentar o frio. É sério, apesar das temperaturas não caírem a níveis absurdos, a região é elevada, então há a presença de vento, que aumenta a sensação de frio. Já presenciei 6 graus negativos no Camping Terreirão sob vento e chuviscos. É algo que o brasileiro não está acostumado. Vista-se adequadamente.
► Vestimenta para ataque ao Bandeira: Ao subir o Bandeira pela madrugada, deixe o Terreirão vestido apenas com um corta vento ou outra blusa fina. Leve blusas grossas e afins para vestir somente quando chegar ao cume.

► Horário para ataque ao Bandeira: Se vai curtir o nascer do sol no Pico da Bandeira no outono ou inverno, períodos em que o sol nasce após às 6h00 e és um trekker experiente, somente deixe o Terreirão por volta das 4h00 da manhã. Se subir antes desse horário fique claro que você enfrentará por mais tempo o frio e o vento gelado do Bandeira antes do nascer do sol. Se você é iniciante em caminhadas, em especial caminhadas noturnas, saia por volta de 3h30. Você poderá subir com tranquilidade a tempo de ver o sol nascer! Mas lembre-se, esse tempo leva em consideração que você não irá se perder, nem fazer grandes paradas no trajeto.
► Água para ataque ao Bandeira: não se esqueça de levar água, pois não há fontes seguras no trajeto. 

► Lanternas: Teste suas lanternas antes das subida, pois necessitará dela em funcionamento. E prefira as de cabeça.
► Cuidado com animais nos camping: Ao deixar barracas em algum camping para uma caminhada, embale seus alimentos e coloque dentro de mochilas para evitar atrair os Quatis, animais muito comuns na região. Atrás de alimentos eles podem até furar sua barraca.

► Alimentação, Transporte e Camping dentro da cidade de Alto Caparaó: O Restaurante Mineiro (telefone 32 3747-2604, Dona Elci, proprietária) localizado na Praça Central de Alto Caparaó fornece café da manhã e almoço (muito bons e a preços justos). Também disponibilizam aluguel de jipes, veículo muito utilizado para transportar aventureiros Alto Caparaó-Tronqueira. Também possuem área de camping em pleno centro de Alto Caparaó.

► Hospedagem: há diversas pousadas e hotéis em Alto Caparaó, quase todos localizados na cidade ou nas imediações, atendendo a diversos públicos ou bolsos.

► Locação de Equipamentos: A Loja Frutos da Terra (32 3747-2676, Dalmes, proprietário) possui barracas, isolantes e sacos de dormir para locação; além de outros itens. 

► Aluguel de Mulas: amplamente utilizado no lado mineiro. Sob protesto de alguns, eu não sou rígido a esse ponto. O uso de animais para transporte de equipamentos em trilhas é usado no mundo todo. Além disso, gera emprego e renda. Só não vale abusar! Contato com Fabiano: 32 8445-9903
►►Atualização Abr 2015: não é mais permitida a utilização e circulação de animais de carga pelo Parque Nacional do Caparaó. 

► Comunicações: Há sinal de telefonia móvel Oi no Camping da Tronqueira; e Oi e TIM no Camping Terreirão. Já no centro da cidade de Alto Caparaó no fundo do Vale só funcionam celulares da Claro; ou TIM 4G. 

► Apesar de estar com algumas informações desatualizadas, o Guia do Visitante elaborado pelo ICMBIO contém várias informações adicionais sobre o Parque Nacional do Caparaó. 
Atualização em abril de 2015: Não é mais permitida a utilização e circulação de animais de carga pelo Parque Nacional do Caparaó.

► Leia também o nosso relato sobre a Travessia do Caparaó, que além de incluir o trecho dessa viagem, inclui ida ao Pico do Cristal e descida até a Portaria Capixaba, também conhecida como Portaria de Pedra Menina ou Dores do Rio Preto.


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!!!
Última Atualização: Mar 2016

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Navegação Manual: Conhecendo a Carta Topográfica - Parte 2/2

Para nós aventureiros, até poucos anos atrás, a Bússola e a Carta Topográfica eram praticamente as únicas fontes seguras de navegação por áreas desconhecidas. Aliás, a dupla Bússola e Carta Topográfica foram e continuam sendo inseparáveis. Entretanto, com o advento e popularização do GPS, ambas tornaram-se pouco usuais, principalmente pelos aventureiros mais novatos. Na postagem anterior conhecemos um pouco da Bússola, bem como os graus e cálculos de azimutes, que permitem uma navegação sem mapa por curtas distâncias. Nesta postagem, a segunda e última da série sobre Navegação Manual, abordaremos a Carta Topográfica, pois juntamente com a Bússola formam um casal perfeito. Veremos também como efetuar alguns cálculos utilizando informações da própria Carta Topográfica; que permitirão utilizar a Bússola auxiliados pela Carta Topográfica.