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Transmantiqueira: Conhecendo a Mantiqueira

O Complexo da Mantiqueira
Localizado na região Sudeste do Brasil, o Complexo da Serra da Mantiqueira abrange áreas dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Com várias serras de denominações locais, mais da metade do complexo encontra-se no Estado de Minas Gerais; resultando no conhecido "mar de morros" do Sul de Minas. Tem direção predominante Sudoeste-Nordeste (SW-NE) e separa o Vale do Rio Paraíba paulista e fluminense do Planalto Sul Mineiro, dominado pela Bacia do Rio Grande. Tem como extremidade oeste-sudoeste a região de Atibaia-Extrema, na divisa de São Paulo e Minas Gerais; e leste-nordeste na região de Barbacena e arredores, também em Minas Gerais. De modo ampliado, ramifica-se em direção ao leste de Minas Gerais, atingindo a região da Serra do Brigadeiro.


Confira as postagens da Série Transmantiqueira clicando nos links:
2 ► Transmantiqueira: Conhecendo a Serra da Mantiqueira (Este)
3 ► A Transmantiqueira (em breve)
4 ► A 'nossa' Transmantiqueira (em breve)
5 ► Diário: De Piquete à Passa Quatro: Marins-Itaguaré (em breve)
6 ► Diário: De Passa Quatro à Garganta do Registro: Serra Fina (em breve)
7 ► Diário: Da Garganta do Registro à Itatiaia: Ruy Braga (em breve)
8 ► Considerações Finais


O Quadro Natural

A Pedra do Picu em Itamonte, MG: há 3 séculos referenciando uma região
A Mantiqueira possui relevo movimentado, com encostas escarpadas e grandes desníveis altimétricos. A altitude média situa-se entre 1.000 e 1.600m (IBGE), cujo ponto culminante é a Pedra da Mina, com 2.789m (IBGE). As extremidades sudoeste e nordeste são mais baixas, porém é na sua região central que se encontram as maiores serras e elevações.

Destaque para as regiões da Serra Fina e do Planalto de Itatiaia. Por ali estão além da Pedra da Mina, o Pico dos Marins; o Pico do Itaguaré; o Pico dos Três Estados; o Pico do Itatiaiuçu; o Morro do Couto; a Pedra do Sino de Itatiaia; todos entre os mais elevados do Brasil. Também destacam as Prateleiras; a Pedra do Picu; o Pico do Papagaio; todos curiosos por suas formações rochosas; além do Alto do Capim Amarelo; o Pico do Garrafão e a Mitra do Bispo, formações elevadas e curiosamente discretas. Grande parte desses acidentes geográficos são referências não somente para o Montanhismo; mas são marcos históricos da região e referências desde a época das Bandeiras.

Mata de Araucárias no PE Serra do Papagaio, em Baependi, MG
Quanto a vegetação, predominam na região a mata atlântica e os campos de altitude; com reminescências de matas de araucárias. Já o clima é o tropical de altitude; com duas estações bem definidas: chuvosa de outubro a março; e seca de abril a setembro; sendo comum a ocorrência de geadas no inverno; e tempestades no verão.

Hidrograficamente margeiam ou serpenteiam a Mantiqueira dois grandes rios, o Paraíba do Sul nos lados paulista e fluminense; e o Rio Grande na porção sul mineira. Há porém, uma infinidade de outros cursos d'água menores; fato que segundo historiadores influenciou no batismo da região. Na língua Tupi, os primeiros habitantes da Mantiqueira, a região era chamada de Amantikir; que conforme os linguistas significa a serra que chora!


A ocupação

O processo de ocupação 'recente' da Mantiqueira deu-se à medida que as conhecidas Bandeiras avançavam para o interior do País, sobretudo quando da descoberta do ouro na região das Minas em fins do século XVII e com maior intensidade no século XVIII. É dessa época a origem da maioria das atuais cidades da região. Sendo uma região de passagem e de posição geográfica estratégica, fortaleceram desde então as fazendas de suprimentos; com destaque para a produção leiteira e do café. Essa característica econômica rural persiste até os dias atuais, especialmente em Minas Gerais. Já a partir da segunda metade do século XX desenvolveu-se grandes áreas industriais nos arredores da Mantiqueira, em especial no Estado de São Paulo; fato também observado mais recentemente em alguns pontos do sul de Minas e fluminense.

Nos pontos mais isolados é comum encontrar hábitos peculiares
Estratégica no passado e no presente, atualmente circula na região da Mantiqueira grande percentual do PIB brasileiro, sendo o coração das três maiores regiões metropolitanas do País (SP - RJ - BH). Calcula-se que aproximadamente mais de 1/4 da população brasileira vivam em áreas de influência direta ou indireta da Mantiqueira!

Apesar desse aspecto cosmopolita, a região ainda guarda fortes contrastes, que vão desde a esse frisson desenvolvimentista de médias e grandes cidades com todas as suas problemáticas; até a vida pacata das pequenas localidades; chegando até mesmo ao relativo isolamento nas áreas montanhosas. Fatos pitorescos do cotidiano, modas e modos rurais de períodos mais antigos ainda são rotineiros, especialmente em pequenos municípios de Minas Gerais. 


O Sistema de Proteção

Região de riqueza ambiental incalculável, a Mantiqueira abriga diversas espécies relevantes da fauna e flora brasileira; sendo que algumas áreas são consideradas reservas da biosfera. Devido a essa importância, a região concentra diversas áreas de proteção, dentre APA's; RPPN's; Florestas e Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, totalizando mais de 1 milhão de hectares de áreas protegidas ou com restrições de uso. Destaques para o Parque Nacional do Itatiaia (MG e RJ) e o Parque Estadual da Serra do Papagaio (MG); que são as maiores áreas de proteção permanentes na região; além da Floresta Nacional de Passa Quatro (MG); importante pelo seu significado histórico e de proteção à Floresta de Araucária. Apesar de poucas referências, poderíamos acrescentar como integrantes da Mantiqueira o Parque Estadual do Ibitipoca e o Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, duas importantes unidades de conservação localizadas no extremo norte/nordeste da Mantiqueira, também em Minas Gerais.

Paisagem de Alagoa e Aiuruoca, MG
Mesmo com todas estas áreas protegidas, a região da Mantiqueira ainda sofre intensamente as consequências da sua ocupação desordenada durante mais de três séculos. Isto fez com que se perdessem grandes áreas de cobertura vegetal, reduzindo e isolando populações de animais e vegetais.

Desde fins dos anos 90, alguns estudos vem sendo realizados na intenção de interligar de modo protegido as diversas UC's já existentes. O reconhecimento do Mosaico da Mantiqueira é um dos resultados desses estudos. Há ainda projetos e ações de reflorestamento de sucessos, como aquele atualmente desenvolvido na região de Extrema (MG). Porém, apesar de alguns resultados positivos, estes ainda são pontuais. Na prática há ainda muito que se fazer. Conciliar fatores e interesses econômicos, culturais, históricos e ambientais de uma região tão complexa como a Mantiqueira não é tarefa fácil!

É neste complexo cenário natural, social e econômico que reina absoluta a Mantiqueira. É grandiosa natural e culturalmente! Por tudo isto pode-se considerar natural que a Mantiqueira tenha se tornado o mais importante centro do Montanhismo no Brasil. Num panorama desses, referir-se à existência de um "Mundo Mantiqueira" não soaria nada absurdo...


Bons ventos a todos!

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