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Cemitério do Peixe-Fechados

Um dos vários poços e quedinhas no Córrego do Bicho
Como é do conhecimento dos amigos montanhistas, há muitos caminhos pelo Espinhaço Mineiro. Sem dúvidas esta é uma das regiões que concentra o maior número de Travessias de todo o Brasil. Um desses caminhos é a Travessia Cemitério do Peixe-Fechados; uma rota pouco realizada e que percorre o trecho norte da cumeada da Serra do Cipó, localizada na borda oeste do Espinhaço. Foi a Travessia que escolhemos para realização no feriado do Trabalhador 2017. Apesar de ser uma rota que tranquilamente se possa levar a cabo em 2 dias, optamos em realizá-la em 3 dias, um modo de melhor vivenciar os lugares e aproveitar o feriadão prolongado por um lugar tão bonito....


1 Depois de uma tranquila viagem por rodovias asfaltadas durante a madrugada, por volta de 5h40 da manhã entramos na estrada de terra no sentido sul que liga a BR 259 à cidade de Congonhas do Norte. Após passarmos pelos arredores do Distrito de Capitão Felizardo deixamos o sentido sul e seguimos por estradinha secundária no sentido oeste. Enfim, depois de pouco mais de 22 km em estrada de terra, às 6h50 chegamos no Cemitério do Peixe.

Capela de São Miguel Arcanjo no Cemitério do Peixe
O Cemitério do Peixe é uma localidade rural na extremidade noroeste do extenso município de Conceição do Mato Dentro, área de influência do Rio Paraúna. Consiste numa antiga e bela Capelinha dedicada a São Miguel e num Cemitério.

Em seus arredores, um sem número de casinhas fechadas, rodeadas pela típica vegetação do Sertão. Não se pode afirmar que se trata de um lugar fantasma, porque por lá há um único morador: a Dona Lotinha, uma espécie de guardiã do lugarejo.

O Cemitério do Peixe
O pitoresco desse lugar parado no tempo é que tudo gira em torno da existência do antigo cemitério; ainda em uso. Lugar digno para os falecidos; por lá só vê movimento uma vez a cada ano; quando no mês de agosto acontece a tradicional Festa de São Miguel.

É a ocasião em que moradores próximos e distantes se dirigem ao lugar para cuidar do Cemitério e rezar para as almas dos que ali estão sepultados; dando vida às dezenas de casinhas que rodeiam a Capela e o Cemitério! Seja por esse costume, seja pela circunstância, o Cemitério do Peixe é daqueles lugares que precisamos ir pelo menos uma vez na vida! É um lugar simples, com uma atmosfera incrível que nos convida à reflexão... Diria que é um lugar necessário!

Tá avisado!!!
Pairava naquela manhã de 29 de abril um clima meio sombrio. O tempo estava nublado e até carrancudo; mas com temperatura agradável, ou seja, daquele tipo: ideal para caminhadas mas ruim para fotos... Ao chegarmos no Peixe fizemos um lanche e nos espalhamos pelo lugarejo.

Não vimos sinal de ninguém e assim não foi possível visitar a Capelinha. Mas circulamos pelo cemitério, que mantém algumas lápides bem antigas e em rocha única. Muitas flores tomavam conta do lugar... Permanecemos por cerca de 1h00 no Peixe, afinal graças ao feriado não precisávamos ter pressa.

Depois de circular pelos arredores, por volta de 8h00 botamos as cargueiras nas costas e começamos a deixar o lugar. Na saída cruzamos ao longe com a Dona Lotinha; única pessoa que veríamos nos dois próximos dias! Acenamos de longe e seguimos em suave declive por uma "rua" de terra ao fundo do arraial do Peixe. Logo após a última casa, cruzamos uma tronqueira e seguimos em aclive por entre uma capoeira. Metros adiante cruzamos uma porteira azul e a rota permanece larga e bem marcada. Ainda bem distante era possível observar os topos de serra à oeste encobertos por nuvens...

Após uma saída à direita que ignoramos, a trilha larga entra em declive e aproximamos do primeiro ponto de água às 8h30. Ignorando o ponto de passagem um pouco acima que estava largo e com risco de molhar os pés, cruzamos o rego d'água entre rochas um pouco mais abaixo; e metros à frente uma cerca de arame farpado, voltando à trilha. Tocamos adiante, agora por trilha estreita. Em 10 minutos de pernada adentramos e cruzamos uma capoeira que apresentava alguns pontos úmidos. Saímos então em campo aberto. Às 8h50 cruzamos uma tronqueira e ignoramos uma discreta saída à direita que parece levar ao Rio Paraúna, que corre abaixo; à nossa direita.

Córrego do Quartel
Percorrendo o campo seguimos em suave aclive. Aproximamos de alguns afloramentos às 9h00 e resolvemos fazer uma paradinha estratégica. O tempo continuava nublado, com algumas rápidas aberturas. Às 9h15 retomamos a caminhada. Metros adiante ignoramos discreta saída à esquerda que leva a um antigo curral e seguimos pela trilha velha entre afloramentos.

Ignoramos uma trilha que corta a principal, cruzamos uma outra tronqueira e o suave declive nos levou diretamente ao Córrego do Quartel (IBGE). Com um bom volume de água, aproveitamos para reabastecimento e o suficiente para algumas fotos.

Vista para o Sul
Retomamos a caminhada por um pequeno campo aberto em suave aclive. Logo adentramos em meio a afloramentos rochosos. Às 9h45 cruzamos mais uma tronqueira e metros à frente ignoramos uma outra trilha que corta a principal.

A vegetação muda para um cerradão e o calor aumentou consideravelmente. Pouco antes das 10h00, os primeiros raios do sol dão as caras, levando-nos a abrigar sob uma sombra para descanso. Estávamos na antiga área conhecida como Prata.

Vista para o Norte: tempo carrancudo
Uns 10 minutos depois retomamos a pernada pelo cerrado que logo muda novamente para uma vegetação mais viçosa. Cruzamos outra tronqueira e passamos a margear algumas áreas úmidas e planas. Adiante cruzamos um ponto de água, que parece ser uma das nascentes do Córrego da Saracura (IBGE).

À essa altura, o ponto de passagem da virada da Serra já estava bem próximo. O paredão à nossa esquerda impressionava pela sua beleza. Para o norte observávamos a continuação da Serra com alguns picos dando as caras.

Vista para o Vale do Bicho e Serra do Cipó
Em aclive, vamos desviando de alguns pontos úmidos tendo às nossas margens algumas rochas de bonita formação. A discreta trilha vai nos levando em direção ao ponto da virada, uma espécie de pequena garganta na serra. Margeamos vegetação mais alta e sombreada, com trilha erodida em aclive mais acentuado e sinais de pouco uso.

Cruzamos mais uma tronqueira e praticamente em nível galgamos a pequena garganta às 10h45, despontando logo à frente para o Vale do Córrego do Bicho. Fizemos uma parada para descanso e contemplação. É um lugar muito bonito, de frente à vertente principal da Serra do Cipó, tendo o Córrego do Bicho lá embaixo, formando pequenas cachoeiras.

Após um lanche, retomamos a caminhada às 11h15, agora em forte declive rumo ao Vale do Córrego do Bicho. A velha trilha segue entre os afloramentos, margeando um filete de capoeira. Mas abaixo cruzamos esse filete de capoeira e seguimos descendo. Até pensei em visitar a queda existente no Córrego do Bicho logo abaixo, à nossa direita; mas como teríamos que cruzar afloramentos sem trilha definida e pouco acima teríamos várias quedas à nossa disposição isto ficou para uma próxima oportunidade.

Cruzando a cerca já no Vale do Bicho
Pelo trecho e com tempo mais aberto, foi possível observar a região mais ao norte, pras bandas do Camelinho. Aliás, há por ali um misto de trilhas e estradinhas, que cruzando o Paraúna seguem em direção à BR 259.

Mas prosseguimos no sentido contrário pela velha e pouco usada trilha; numa guinada para o sul. Isto rapidamente nos levou ao vale plano, uma área arenosa e recoberta por campos, rodeada em ambos os lados pelas vertentes do Cipó. Praticamente em nível vamos nos aproximando do Córrego do Bicho. Cruzamos uma cerca velha e sem alterações chegamos às 11h45 às margens do Bicho.

Quedas e poço no Córrego do Bicho
Desviamos um pouco da trilha e deixamos as cargueiras próximas a um belo poço. Enquanto alguns permaneceram por ali, subi margem acima juntamente com meu amigo Webert, onde há corredeiras, vários outros poços e uma bonita queda.

É um ponto ideal para horas de descanso e curtição, pois várias são as possibilidades. A intenção era permanecer um pouco por ali e aproveitar o momento de abertura do tempo, pois um solzinho até ameaçou sair...

Mais quedas...

Porém, os amigos preferiram continuar a pernada até a área de acampamento ali próxima, pois assim poderiam descansar e curtir o trecho sem preocupações. Em grupos foram subindo... Quando dei por mim estava na rabeira e atrasado eheheh...

Retornei à cargueira e cruzei o Córrego do Bicho pulando rochas no ponto da passagem às 12h20. Na margem esquerda do riacho observei sinais de acampamento, inclusive com uma cabaninha sem cobertura e restos de carvão! Imagino que esse carvão seja de algum fogão improvisado, porque é inacreditável que alguém vá até aquele lindo lugar pra fazer churrasco...

Interceptei a trilha que vem do Paraúna-Norte e fui subindo suavemente; enquanto os amigos preferiram um atalho pelo campo, sem trilha definida. A trilha logo fez o contorno na subida e se estabilizou, quando atingimos a altura daqueles que faziam o atalho.

Quedas no Bicho
Aguardamos a aproximação e aglutinados, pouco à frente deixamos a trilha que sobe sentido a cumeada da Serra do Cipó e entramos por restos de velha trilha à esquerda. Na transversal fomos cruzando uma área úmida. Como é de costume no Espinhaço e "pra variar", a trilha logo sumiu em meio ao capim...

Orientados pelo visual aberto, passamos por um brejinho e seguimos em direção a um morrote de afloramentos à margem esquerda do Bicho. A bonita e talvez o principal conjunto de quedas do Córrego do Bicho salta aos olhos pela sua beleza em meio aos campos rupestres...

Por volta de 12h50 cruzamos uma cerca nova, firme e resistente; para rapidamente contornarmos o morrote de afloramentos. Às 13h00 chegamos novamente às margens do Córrego do Bicho, pouco acima da Cachoeira principal da região. Lugar plano, arenoso, ideal para acampamento natural. Por ali nos espalhamos sem pressa, pois teríamos a tarde inteira para curtir o lugar e descansar da viagem da madrugada. Esta é uma das vantagens de caminhar sem atropelos...

Quedas no Bicho

Depois de um bom descanso aproveitei para explorar os arredores e matar saudades, pois havia um tempo não passava por ali. O Córrego do Bicho forma várias corredeiras, panelões, quedas e bons poços para banho e curtição. É mesmo um lugar de paz, longe de amolações!

A diversão só não foi completa porque infelizmente o sol preferiu se esconder; e um chuvisco insistente se fez presente num bom período daquela tarde. Isto nos obrigou a longo descanso, servindo pra botar o sono em dia. Ademais, o tempo foi dedicado aos afazeres normais de um acampamento; regado a bom bate papo e muita diversão. Não fez frio naquela noite nublada!


2 Aquele domingo amanheceu novamente nublado e com temperatura agradável. Como estávamos fazendo o trecho em 3 dias, não nos preocupava o tempo; modos que somente às 9h45 deixamos o acampamento às margens do Córrego do Bicho para a jornada do dia. Sem trilha definida caminhamos para o sul até interceptar uma velha trilha que vem da área úmida que cruzamos no dia anterior.

Rancho e Curral no Córrego do Bicho
Interceptada a trilha seguimos em nível, com vegetação de campos rupestres e cerrado nos arredores. Às 10h15 cruzamos uma porteira, e em 10 minutos chegamos ao Rancho do Córrego do Bicho, um ponto com curral, uma casinha e uma fonte de água. Alguns amigos até me cobrou dizendo que ali que deveríamos ter acampado. Mas o que importa é que, rancho se encontra em vários locais; já cachoeira ao lado do acampamento é mais raro eheheh...

No Rancho do Bicho há dois caminhos para se chegar em Fechados. Um deles segue margeando o Córrego do Bicho, com visual mais fechado; porém sempre próximo à fonte de água. Justamente pela presença de água é o caminho mais indicado para quem vai percorrer o trecho em 2 dias; apesar de ser um pouco mais longo, pois passará pelo sítio do Adão. O outro caminho se direciona para o oeste, sobe a vertente principal da Serra do Cipó e segue pela cumeada, com visual mais aberto; porém sem a presença de fontes de água. É ideal para quem vai percorrer o trecho em 3 dias. Como era esta a nossa opção, abasteci de água no Rancho do Bicho.

Bonitas canelas de ema na subida para a cumeada da Serra
A partir do rancho, ignoramos a saída para o sul e tomamos velha e quase apagada trilha pelo campo sujo no sentido sudoeste, que nos levou à beirar uma matinha adiante. Contornamos a capoeira e seguimos pelo cerrado, quando fizemos uma paradinha para descanso por volta de 11h00.

Retomamos a caminhada em direção à cumeada, agora por trecho mais íngreme, com trilha bem marcada; algum cascalho e rodeada por afloramentos. Cruzamos uma tronqueira e seguimos subindo, quando mais uma tronqueira foi cruzada. O trecho tornou-se mais íngreme pelo campo aberto e às 11h40 atingimos a trilha que vem do norte, chegando na região da cumeada. É um ponto muito bonito, com lindo visual ao norte...

Vista para o Norte
A trilha em suave aclive por extensa área de campos vai nos ampliando o visual. Ao meio dia cruzamos uma porteira com placa de aviso "Proibido Caça" e logo à frente, margeando alguns afloramentos fizemos uma parada para descanso. Região de amplo visual em todos os quadrantes!

Por volta de 12h25 retomamos a pernada pela trilha marcada; que não apresentava nenhuma dificuldade. À essa altura as baixas terras do lado oeste já eram avistadas, além das serras da região de Caiçara. Passamos a margear uma cerca de arame e a trilha prossegue bem marcada e em aclive quase imperceptível.

Iniciando a descida da Cumeada

A caminhada rende e às 13h10 chegamos ao fim de uma cerca que nos acompanhava a um bom tempo. Nesse ponto deixamos a trilha que segue para o sul e tomamos uma saída em declive à sudoeste. É um caminho-atalho para Fechados.

Fizemos uma paradinha estratégica para aglutinação. Às 13h25 retomamos a caminhada em declive suave e com bonito visual para o sul. Descemos um lance de afloramentos e seguimos rumo a uma capoeira num pequeno vale, quando somos observados por um boi gigante, porém mansinho e muito curioso...

Já na cabeceira da capoeira cruzamos uma porteira e passamos a margear a capoeira pela direita. Pouco antes das 14h00 observamos desde a trilha um rancho do outro lado da capoeira, por onde há uma área úmida com nascentes da Vaca Morta. Pelo campo, a trilha nos levou até o Mirante, de onde é possível observar todo o Vale da Vaca Morta; uma região impressionante e de grande beleza.

Parcial do Vale da Vaca Morta
Cruzamos uma outra porteira e aproveitamos para tirar umas fotos. Inciamos a descida rumo ao vale logo abaixo através de trilha cascalheira. Em poucos minutos já estávamos no Vale. Dali, cruzei o campo e fui verificar a região pretendida para acampamento, local próximo à pequena queda da Vaca Morta, cerca de 150 metros de onde estávamos.

Ocorre que o terreno nas proximidades da Cachoeirinha da Vaca Morta costumeiramente apresenta-se um pouco úmido; além do gado que costuma se fazer presente por ali, resultando em muito esterco. Mas estava tudo nos conformes e era por ali mesmo que passaríamos o resto do dia...

Acamps
O Vale da Vaca Morta é muito bonito, comparável a outros existentes pelo Espinhaço. É também o lugar em que, quem opta por fazer a Travessia passando pelo Vale do Bicho e Sítio do Adão também chegará. No período de chuvas, a nascente por ali costuma apresentar bom volume de água, formando uma cachoeirinha no desnível do paredão.

Como já estávamos em fins de abril, o volume d'água já estava bem reduzido; porém suficiente para coleta e tomar um banho. Bem diferente no período de verão... Com isto, até pensei em descer um pouco mais até um afluente abaixo; ou mesmo até a Horizontes, mas como estávamos sem pressa e preferia permanecer isolado nos organizamos por ali mesmo...

Bonito fim de tarde na Vaca Morta
Armamos acampamento e o restante do dia foi dedicado ao descanso; enfim, ócio total. Aproveitei pra subir o paredão à leste e fui até o topo da Cachoeirinha, onde há pequenos poços e se tem belo visual de toda a região. O tempo nublado nem sempre permite observar com clareza a beleza de um lugar; mas mesmo assim a Vaca Morta é um lugar impressionante pela sua vastidão.

Depois de um tempo no topo resolvi descer. Apresentando sinais de abertura, o sol deu as caras por um curto tempo, propiciando um belo entardecer... Foi uma noite tranquila, com muito papo divertido e pra lá de recuperadora!!!

3 No terceiro e último dia o tempo amanheceu mais aberto que os dois anteriores. Desarmamos acampamento e às 8h30 começamos a deixar o Vale da Vaca Morta. Seguimos pela trilha que corta o Vale no sentido oeste. Cruzamos alguns pontos úmidos, uma fonte de água e tocamos rumo ao rancho-curral que há na região. Cruzamos a porteira do curral às 8h45 e em suave declive a trilha torna-se muito mais marcada. Passamos por afloramentos rochosos e logo à frente ignoramos uma saída à esquerda, que é um atalho ao Poço Quadrado e a outras quedas.

Afluente do Vaca Morta-Fechados
Tocamos adiante e chegamos a um afluente do Vaca Morta-Passagem, que cruzamos pulando as rochas. O visual em direção a Fechados vai se ampliando a cada passo! Prosseguimos pela trilha marcada que corta os campos rupestres, para logo abaixo aproximarmos de uma matinha, descermos mais lance, cruzarmos uma porteira e às 9h40 chegarmos a Casa do Valtinho; o morador único do Alto de Fechados.

Casa do Valtinho
Na chegada topamos com um grupo com muitas pessoas que deixavam o lugar. Direcionamos à Casa do Valtinho e fomos convidados a tomar um café; o que abraçamos com louvor. Os biscoitos, broas, bolos e queijo estavam deliciosos, além do bom papo... Fato é que somente deixamos o lugar às 10h40 com alguns queijos na bagagem. Fazia uma manhã linda, com tempo aberto e muito sol...

Cânion. Acima da primeira queda há um enorme poção...
Caminhávamos já para o nosso destino final. Logo saindo da casa do Valtinho cruzamos uma porteira e metros adiante o Ribeirão Fechados pulando rochas. Adiante passamos pela chegada-desemboque da trilha que vem de Extrema-Inhames-Lapinha. Tocamos pra baixo; ou seja, para o oeste.

Metros adiante, em torno de 11h00 saímos alguns metros da trilha e fizemos uma parada na Cachoeira do Cânion. É um lugar muito bonito com várias pequenas quedas e bons poços à direita da trilha da descida. Ficamos um tempinho por lá, suficientes para alguns se refrescarem do calorão. Pouco tempo depois retomamos a descida pela trilha ampla e batida. Passamos pela casa do Chiquinho e logo à frente fiz uma parada para aglutinação, porque alguns amigos que estavam na rabeira ficaram com medo do gado manso eheheh...

Horizontes: vê-se se num é um paraíso...
Aglutinados, seguimos descendo pela ampla trilha. Por volta de 12h00 passamos pela casa da Léia e entramos na bifurcação em frente, à direita, seguindo para a Cachoeira Horizontes, aonde chegamos em menos de 10 minutos. O espaço estava com alguns visitantes, porém nada cheio.

Aproveitei pra explorar os arredores, seguindo até o topo da última queda cânion abaixo. O sol ajudou bastante, deixando o lugar ainda mais bonito. Por lá permanecemos até por volta de 14h00, tempo suficiente pra curtir merecidamente o lugar.

Amigos Webert e Emiliana curtindo a queda abaixo da piscina Horizontes
De volta à caminhada, em grupos tomamos rumo à Fechados. Retornamos à trilha principal e seguimos ladeira abaixo. Rapidamente vencemos o trecho, que apresenta trilha ampla, porém repleta de rochas; o que exige um pouco mais de atenção (para saber mais detalhes desse trecho da Rota, acesse a postagem da Travessia Extrema-Fechados)

Às 14h42 passamos pela última água da descida, e poucos metros adiante adentramos na estradinha aproximando do arraial. Por descuido quase passei do atalho que leva à Igrejinha. Retornamos alguns metros e seguimos entre capoeira até as casas do arraial, botando os pés na Praça de Fechados pontualmente às 15h00; um pouco à frente de alguns amigos que não passaram pelo atalho!

Capela no Distrito de Fechados
Por lá já nos aguardava nosso resgate. Limpamos a poeira, tomamos um refrigerante e por volta de 15h40 embarcamos rumo à BH. Sacolejamos por 2 horas em estrada de terra até chegar na rodovia MG 238. De lá seguimos até Jequitibá, onde fizemos uma parada para lanche. Depois non stop até BH, aonde chegamos por volta 21h30.

Foi uma pernadinha tranquila, feita sem pressa e com muito tempo para descanso. Mesmo tendo dois dias muito nublados, foi muito bom retornar. Não é difícil concluir que o trecho é muito bonito e faz parte daqueles caminhos pouco percorridos desse interiorzão de Minas; o que torna tudo muito mais interessante. Muito grato aos novos e velhos amigos pela companhia!


Serviço

Rota no GE
A Travessia Cemitério do Peixe-Fechados é uma rota do Espinhaço Mineiro, com início na localidade de Cemitério do Peixe, município de Conceição do Mato Dentro; e final no Distrito de Fechados, município de Santana do Pirapama.

Totaliza aproximadamente 33 km, percorrendo relevo movimentado, recoberto por campos rupestres, campos de altitude e cerrado. Seus atrativos principais são o Córrego do Bicho com suas inúmeras cachoeiras e poços; e o Ribeirão Fechados, igualmente com várias quedas d'água. Destaca-se ainda o Cemitério do Peixe, ponto inicial da Travessia, lugar revestido de grande atmosfera mística e que guarda antigos costumes e tradições do interior de Minas Gerais.

'Nóis' no Peixe. Foto: Lee
Esta Travessia pode ser feita em ambos os sentidos; porém o sentido Norte-Sul é o mais recomendado, pois apresenta menor aclive acumulado. Dessa forma, parte do Peixe, cruza a região da Prata e aproxima da Serra do Cipó, cujo vale à leste é dominado pelo Córrego do Bicho e suas várias quedas d'água. Estando no Vale, o caminho mais indicado para continuidade é aquele que sobe e percorre a cumeada da Serra do Cipó, pois além de um pouco mais curto permite belo visual para o Norte, onde se localiza a região do Camelinho. Deixando a cumeada da Serra, se dirige para o Vale da Vaca Morta, região de grande beleza já na descida para Fechados. A partir do Ribeirão Fechados, passa a percorrer a mesma trilha que vem de Extrema-Inhames-Lapinha; trecho com muitas cachoeiras e excelentes poços para banho.

É importante dizer que, essa Travessia é apenas um trecho dos vários caminhos e rotas do Espinhaço, que une desde a região do Parna Sempre Vivas até a Região Metropolitana de Belo Horizonte; sendo ainda um trecho bastante conservado e pouco percorrido por montanhistas.

► Há outra variante para se dirigir à Fechados vindo do Cemitério do Peixe. É aquele que, chegado ao Vale do Córrego do Bicho ao invés de se dirigir à cumeada da Serra do Cipó permanece subindo o Vale do Bicho no sentido Sul até a região do Sítio do Adão. Nesse ponto segue para o Oeste; reencontrando a rota oriunda da cumeada da Serra do Cipó na região do Vale da Vaca Morta.

Distâncias aproximadas - Cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte ao Cemitério do Peixe Via BR 259 → 270 km; sendo 22 km em estrada de terra
Fechados à Belo Horizonte → 185 km, sendo 40 km em estrada de terra

► É também possível chegar ao Cemitério do Peixe via Congonhas do Norte

Como chegar e voltar - Cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus
Ida: Viação Pássaro Verde até Gouveia → Táxi até o Cemitério do Peixe
Volta: Táxi até Santana do Pirapama → Viação Setelagoano até Sete Lagoas e depois até BH

► Confira nos sites da Viação Pássaro Verde e da Viação Setelagoano os horários e frequências
► Há ônibus de linha rural ligando o Distrito de Fechados a Santana do Pirapama, porém circula somente de segunda à sexta feira.

De carro
Ida: BR 040 até o Trevão → BR 135 até Curvelo → BR 259 até o acesso para Congonhas do Norte →  Estrada de Terra até Cemitério do Peixe
Volta: Estrada de Terra de Fechados até a MG 238 → MG 238 até Sete Lagoas → BR 040 até BH

► Início e final se dão em pontos distintos e distantes. Fique atento.

Hospitalidade

► No Cemitério do Peixe não há nenhum serviço receptivo.
► No Alto de Fechados há a Casa do Valtinho, um receptivo familiar que oferece quartos para pouso, café da manhã, almoço e jantar. Fabricam doces, queijos e outros produtos, que vendem aos visitantes. É um lugar pitoresco e de muita beleza. Necessário fazer reserva antecipada para visita e uso dos serviços. Desejando o contato solicite-nos através de e-mail (chicotrekking@gmail.com)
► No Distrito-Vila de Fechados há a Pousada Águas do Cipó, com chalés, piscina e área de camping.


Considerações Finais - Rota Peixe-Fechados

► Trilhas e Trajeto: Predomina o sentido Norte-Sul. Sombreamento praticamente inexiste. Há subidas; mais discreta na região da Prata (trecho inicial, antes do Córrego do Bicho) e um pouco mais intensa, do Córrego do Bicho para a cumeada da Serra do Cipó. Descidas na região da Prata para o Vale do Bicho e do Vale da Vaca Morta para Fechados (trecho final). Trilhas antigas e sujas em alguns pontos no interior da Travessia. Extremidades com trilhas batidas, em especial descendo para Fechados. Há pontos em que várias trilhas se cruzam; requer atenção e senso de orientação. 

► Logística de Acesso: Como em toda Travessia, a logística de acesso-regresso costuma ser a parte mais complicada para o caminhante; pois quase sempre se tratam de pequenas localidades em que transporte público é escasso ou simplesmente não existe. Dependendo do dia e horário, essa situação pode exigir a contratação de serviços de táxi ou então combinado com amigos; ou então restando a alternativa de se fazer longos trechos à pé por estradinhas vicinais. Portanto, avalie bem antes de realizar a travessia para não correr riscos de ter que ficar mais um dia no mato sem ter se programado! Já para quem ir-retornar de automóvel, as estradinhas de terra tanto no trecho inicial quanto no trecho final encontram-se em bom estado.

► Camping: Não há estrutura de camping pelo trajeto da Travessia. Para quem está realizando a Travessia em 3 dias; os pernoites são recomendados na região do Córrego do Bicho e depois no Vale da Vaca Morta; ou mesmo na residência do Valtinho no Alto de Fechados. No Valtinho, o pernoite se dá em quartos, uma espécie de Receptivo Familiar. Independente de qual for a opção, fundamental trazer todo o lixo de volta!

► Água: Há pontos de água pela rota, não sendo necessário transportar grandes quantidades enquanto se caminha. Mas no tempo da seca algumas fontes desaparecem; então nesses períodos fique atento e abasteça sempre em carga máxima. Além dos pontos inicial e final; fontes perenes estão no (1) Córrego do Quartel; (2) Córrego do Bicho; (3) Afluente do Ribeirão Fechados acima da Casa do Valtinho; (4) no Ribeirão Fechados, descendo para Fechados e por fim (5) aproximando de Fechados, no barranco à beira da trilha.
Fique atento e use sempre purificador!

► Exposição ao Sol: Intensa. Use protetor solar.

► Época de realização: O melhor período para realização dessa travessia é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. Porém é quando as águas das cachoeiras estão mais geladas e em menor volume.

► Tempo e Sentido para realização: Em 3 dias seria o formato ideal; suficientes para se caminhar com calma e curtir os atrativos sem pressa. Mas é possível realização em 2 dias de caminhada intensa; ou ainda em apenas 1 dia no formato speed. Em 2 dias de caminhada, fique atento a água. Pela variante da cumeada da Serra do Cipó não há fonte de água no alto da Serra. Quanto ao sentido da Travessia, Peixe-Fechados é opção mais proveitosa.

► Segurança: É uma travessia que permite apenas duas principais opções para interrupção. Se estiver até o Vale do Córrego do Bicho, retorne para Cemitério do Peixe; (2) Se estiver a partir da cumeada da Serra do Cipó, prossiga até Fechados. Tenha em mente que em qualquer uma dessas opções as rotas são longas, e serviços de táxi ou mesmo carros particulares nas localidades são escassos. Não há sinal de telefone celular pelo interior da rota. Nas extremidades há sinal, porém podem apresentar-se inconstantes. 

► Atenção: Ambientes naturais abrigam insetos e animais selvagens ou peçonhentos. Isto é natural e normal. Portanto ao manusear suas roupas e equipamentos verifique com atenção e rigor se não há presença desses animais ou insetos; evitando acidentes. Também fique atento quanto a presença de animais selvagens de grande porte; e evite assustá-los.

► Cash: leve dinheiro trocado e em espécie. Pequenas localidades não aceitam cartões ou cheques.

► Carta Topográfica: Presidente Juscelino


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons Ventos a todos!

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Localizada no município de Parati, litoral Sul do Estado do Rio de Janeiro, a Ponta da Joatinga é uma península conhecida pela sua expressiva beleza natural. Região habitada pelos descendentes Caiçaras, caracteriza-se por vegetação de mata atlântica, relevo acidentado e clima quente e úmido; além de inúmeras praias em sua maioria desertas. A importância e beleza da região são tão expressivas que a península está protegida pela Área de Proteção Ambiental do Cairuçu e a pela Reserva Ecológica da Joatinga, limitando-se com áreas do Parque Nacional da Serra da Bocaina...

Cachoeira dos Marques: refresco na Serra dos Alves

No Carnaval de 2016 realizamos a Travessia Alto Palácio a Serra dos Alves, a nova rota oficial do Parque Nacional da Serra do Cipó. Como tínhamos mais um dia à nossa disposição; e estando no Arraial da Serra dos Alves, aproveitamos para visitar a Cachoeira dos Marques. Esta é uma volumosa cachoeira, resultada das águas do Rio Tanque e dos seus afluentes. Bem próxima ao arraial, é um porto seguro para um refresco de última hora, mesmo para aqueles mais apressados. Indispensável para quem visita as redondezas...