Travessia Congonhas do Norte a Fechados

O lugar revela o nome: Cachoeira do Horizonte

Diferente dos ambientes da Mantiqueira e Serra do Mar, o Espinhaço tem a vantagem de permitir múltiplas rotas em curtos espaços. São várias as possíveis combinações, sempre aproveitando trechos de múltiplas rotas que levam a destinos diferentes. Isto possibilita ampliar o conhecimento de uma região, quase sempre recheada por atrativos e descobertas.

Com o surgimento da covid 19 em 2020 muitos planos de trilhas e travessias foram por água abaixo. Chegou 2021 e as coisas demoraram a evoluir. Somente a partir de setembro é que pudemos iniciar o cumprimento de alguns combinados de tempos anteriores à pandemia.

Desse modo, pude acompanhar alguns amigos do RJ na Travessia Congonhas do Norte x Fechados. Esta foi uma opção bem diferente da proposta inicial combinada ainda em 2019, que seria a Lapinha x Tabuleiro ampliada. Percorrer nesta ocasião a região de Congonhas do Norte e Santana de Pirapama foi uma alternativa com regramento favorável e possibilidades divertidas.

Dia 1

Na madrugada do dia 4 de setembro me juntei aos amigos em BH. Viagem tranquila rumo Congonhas do Norte. Conforme combinamos anteriormente, poderíamos realizar a Travessia Extrema x Fechados ou Congonhas x Fechados, a depender do horário que chegássemos à região. Isto porque a segunda opção apresenta alguns quilômetros a menos.

Após cruzar Conceição do Mato Dentro e com o avançar do horário optamos pela Congonhas x Fechados. Ao cruzarmos Santa Cruz dos Alves demos carona para um Senhor até Congonhas, fato que nos divertiu bastante. Já passava bem das 8h00 quando chegamos à cidade. Paramos para um café na padaria no Centrinho.

Bar Beira Rio

Reembarcados, tomamos a estradinha de terra que leva para a BR 259. Cerca de 4 km após a cidade desembarcamos em definitivo, junto ao Bar Beira Rio. Até seria possível seguir embarcado serra acima por mais um trecho, mas as condições da ponte inicial, bem como da estradinha posterior não eram das melhores.

Após ajeitar as tralhas e trocar ideia com o pessoal do Beira Rio (que estava fechado naquele momento) cruzamos a precária ponte de madeira sobre o Ribeirão Congonhas. Iniciamos nossa pernada. Fazia muito calor e o sol era intenso, apesar do relógio marcar em torno de 9h30.

Alguns metros de sombra e já despontamos morro acima no pasto árido e cascalhento. Adiante ignoramos a saída à esquerda. Defronte fui até a caixa d'água averiguar possível abastecimento. Não identifiquei nenhuma possibilidade. Mas isto não seria problema!

Retomamos a pernada sob sol rachando. Trecho estabilizado e logo beiramos um afluente do Congonhas. Lugar agradável, onde paramos para abastecer. Demos meia volta na vegetação e cruzamos uma ponte nova. Seguimos pela margem direita do afluente, trilha morro acima sentido Mariazinha.

Mais acima o cruzamos, quando nos aproximamos de uma residência à nossa esquerda. Trilha ampla pelos restos da velha estradinha que sobe a encosta da porção Norte da Serra do Talhado. Cada um imprimindo o seu ritmo sob aquele sol escaldante; muito embora houvessem nuvens esparsas no céu.

A velha estradinha tomo tino suave e em forma de ferradura, agora adentrando numa matinha; com alguma salvadora sombra aqui e acolá. Papo animado acabamos distanciando um pouco dos amigos que seguiam na rabeira.

Informei aos amigos que percorressem até a porteira que há no topo do morro. Permaneci aguardando aqueles que seguiam mais lentamente. Na demora voltei alguns metros para reencontrá-los. Uma das amigas havia sentido um mal estar, mas agora já seguia recuperada.

Região de Mariazinha

Aglutinados seguimos pelo trecho final da subida, cujo calor nos fazia suar em bicas e dificultava nosso progresso. Beirava meio dia quando chegamos a porteira e nos juntamos aos adiantados. Nesse ponto o visual da porção superior já era amplo, destacando uma fazendinha à nossa direita.

Cruzamos a porteira com mata-burro e fizemos uma boa parada para lanche e descanso, afinal o calor era demais. Posso afirmar que sou bem adaptado ao sol do Espinhaço, mas naquele sábado de setembro a coisa não estava para brincadeira. É sério, em poucas ocasiões senti tanto o calor!

Pouco antes das 12h30 retomamos a pernada, cruzando uma porteira e seguindo pela velha estradinha no sentido Sul. Uns 400 metros após a porteira deixamos a estradinha e seguimos por discreta trilha sudoeste em declive. A referência a atingir era um poste de energia no fundo do vale raso.

Vale do Taquari: Essas grandes valas acumulam muita água
Estavam todas secas

Após o poste a trilha velha tornou-se bem marcada. Prosseguíamos então pela margem esquerda do Taquari, um dos afluentes do Rio do Cedro. Cruzamos um conhecido ponto de água, que estava seco. A trilha se estabilizou! Logo à frente, tradicionais pontos de brejo estavam todos também ressecados.

Próximo das 13h30 cruzamos um filete de água escondido na matinha ciliar. Esse filete logo abaixo se junta ao Taquari. São os formadores da Cachoeira das Virgens, ou Barbado. Despontados em área aberta logo cruzamos mais uma porteira.

Ignoramos o seguimento da trilha que corta a encosta para o Sul e demos guinada Oeste por discretos sinais. Ali começamos descer a encosta de afloramentos que leva ao Vale do Barbado. É um lugar muito bonito, com rochas que possibilitam belos registros devido a janela Oeste.

Prosseguimos e em menos de vinte minutos vencemos o trecho que estava sapecado pelo fogo. Já na parte baixa nem cogitei visitar a Cachoeira das Virgens. Não somente pelo adiantado da hora; mas sobretudo ao volume de água dos seus formadores anteriormente observado. A cachoeira que normalmente já apresenta pouco volume estaria simplesmente 'seca' e com poço sujo.

Seguimos então no rumo Sudoeste, agora percorrendo uma pequena área de brejo. Apesar da seca a área mantinha as características de atolamento. Além disso a vegetação estava toda queimada. Assim fatos engraçados aconteceram ali. Além de vários atolamentos na lama, ao finalizar os poucos metros quase todo mundo estava coberto por carvão...

Muito bonita. E bem grandona

Fizemos então uma parada para limpada básica. Nesse interim, ao movimentar a mochila no solo uma aranha imensa tentou se esconder na mochila de uma das amigas. Era uma das maiores aranhas (que suponho seja caranguejeira) que já vi. Muito bela! Incrível!

Doravante prosseguimos pela trilha rumo às margens do Alto Rio Preto. Trilha discreta em meio à vegetação rala. Próximo das 14h30 chegamos aos velhos pilares do Rio do Cedro. Aproveitamos para nos reabastecer e lavar a cara. O calorão judiava e nem dava sinais de trégua.

Cruzamos o Cedro e seguimos pela trilha à sua margem direita. Poucos metros abaixo dos pilares o Cedro deságua no Rio Preto. Trecho de rara beleza, acredite! Perto das 15h00 chegamos à região das Cascatas do Cedro. Ali fizemos uma parada para aglutinação, contemplação e decisões.

Beleza cênica da região

Aglutinados optamos por tocar direto para a área de acampamento, uma vez que o cansaço era grande. Não pela caminhada em si, mas sim devido ao calorão esgotante e à viagem longa da noite anterior sem dormir. Os reclames que nunca chegávamos ao ponto de pernoite eram grandes. Não duvido que alguns desejaram me moer na pancada hahahaha

Prosseguimos então pela trilha batida em declive. Trecho com muito cascalho, requer olhar certeiro aonde se pisa. Mas é incrivelmente lindo devido à presença do Rio Preto à nossa esquerda, logo abaixo.

Alto Rio Preto
Foto: Dalmar Pereira

Distanciados do Rio Preto adentramos por uma capoeirinha. Trecho confuso, onde várias e discretas trilhas se cruzam. Requer atenção nesse trecho. Fizemos o contorno e perto das 16h00 botamos os pés na área de acampamento, nas imediações do Rio Preto.

Foi então que Bruna notou que uma de nossas amigas estava ainda por chegar. Rapidamente e munido com equipos básicos me juntei ao Ivan e retornamos até a capoeirinha confusa, ponto próximo aonde a havia avistado pela última vez. Lá a encontramos, que na dúvida da trilha a seguir aguardou o reencontro. Seguimos juntos e em poucos minutos já estávamos de volta ao acampamento.

Casas. Foto de Dalmar Pereira

Tempo livre para cada um fazer o que quisesse. O Rio Preto ali ao lado oferecia extensa variedade de poços, corredeiras e cascatas, suficientes para horas de diversão. Mas os amigos pareciam tão cansados que acabaram explorando pouco o lugar. Mas creio foi suficientemente adequado para renovar as energias; até porque foi uma noite bem animada até bem tarde!

Dia 2


Pulamos cedinho e em torno de 7h30 do dia 05 de setembro deixamos a área do acampamento rumo a Fechados. As condições do tempo permaneciam as mesmas: indícios de um dia calorento!

O trecho a percorrer era o clássico que atinge geograficamente a Serra do Cipó. Sem pressa, porém com firmeza tocamos adiante. O trecho que segue margeando o Rio preto pela direita é regular, com trilha bem marcada e que favorece a locomoção.

Em torno de 8h00 já deixávamos o Rio Preto para trás, prosseguindo em direção ao Córrego da Samambaia. Trecho igualmente regular e plano. Ao chegar ao córrego deparamos com uma pequena e bonita serpente ao lado da trilha. Esse animal é muito comum pelas margens das trilhas no Espinhaço. Portanto esteja sempre alerta!

Aproveitamos para nos reabastecer no Samambaia. Optamos por não ir até a Cachoeira da Samambaia. Preferimos nos dedicar à pernada no período mais fresco do dia para ter mais tempo de preguiça na hora mais quente, já na descida para Fechados.

Após cruzar o Samambaia
Subidão do Miltinho ao centro da imagem

Então sem delongas tocamos rumo ao Subidão do Miltinho. Caminhamos curto trecho e cruzamos o Andrequicé. A paisagem mudou um pouco no lugar. Parece que grande enchente desceu por ali e arrastou as estreitas margens, abrindo um vão mais alargado.

Cruzado o riachinho logo deixamos a velha área de acamps para trás. Chegamos aos pés do Subidão do Miltinho às 8h30 daquela já calorenta manhã.

Abastecemos no último ponto de água na rota antes do Waltinho e prosseguimos, cada qual no seu ritmo. Logo no início da subida cruzamos uma tronqueira. Esta é uma subida de respeito, que leva aos campos superiores da Serra do Cipó. Mas por sorte não é tão alongada.

Ao nos aproximar do platô intermediário do Subidão do Miltinho às 9h00 fizemos uma parada para aglutinação e descanso. A razão era o calor. De fato àquela hora o sol já estava cruel. É verdade, creia!

Uns vinte minutos e prosseguimos a pernada, continuando morro acima. Caminhando lentamente às 9h50 vencemos o trecho de subida. Ufa, que alívio, pois esta seria nossa única subida naquele dia. Enlouquecidos pelo calorão caçamos escassas sombras nos arredores e fizemos uma longa parada.

Somente às 10h30 prosseguimos, agora em terreno de campo plano e vasto pelo topo da Serra do Cipó. Trecho de grande beleza. Mas juro, dava preguiça até de abrir os olhos tamanho era o calor naquele dia.

Sob sol do meio dia nos campos superiores
da geográfica Serra do Cipó

Seguindo por terreno plano a pernada rendeu. Antes das 11h30 já estávamos no Cocho do Boi. Ali fizemos nova parada para refresco e lanche. Prosseguimos e logo adentramos naquele conhecido atalho confuso entre arbustos.

Após cruzar uma cerca de arame farpado saímos em pasto aberto. Logo abaixo interceptamos a trilha ainda por campo suave. Em grupos seguimos nossos planos sob um sol e calor de rachar. O esgotamento era visível.

Descendo rumo Ribeirão Fechados
Casa do Valtinho ao centro da imagem

Próximo das 13h00 ignoramos a saída à esquerda e tocamos rumo à Casa do Miltinho. A cascalheira branca da trilha refletindo a luz solar intensa doía ao olhar. Em poucos minutos que pareceram eternidade chegamos à margem esquerda do Ribeirão Fechados, tendo a casa do Valtinho a poucos metros; porém na margem direita, escondida pela vegetação.

Orientei os dianteiros sobre o acesso ao lugar - alguns estavam secos por algo gelado! Optei por aguardar aqueles que vinham logo atrás. Chegados, alguns rolaram pela água para baixar o calor do corpo...

A maioria de nós seguiu até o Valtinho e por lá alguns refrescaram a goela. Retornados rumamos sentido Fechados. Poucos metros abaixo e por volta de 14h00 chegamos até a altura da primeira Cachoeira de Fechados. Deixamos as tralhas próximas à trilha e descemos até o leito para um refresco merecido. A pressa e ansiedade chegavam ao fim.

Detalhe da Primeira Cachoeira de Fechados
Arredores inferiores e superiores
oferecem um mundo de atrativos

A primeira Cachoeira é um lugar diverso. Há cascatas e poços de variados tamanhos e profundidade, tanto acima quanto leito abaixo. A localização é privilegiada, recebendo sol grande parte do dia. Cada qual tomou seu jeito e por ali permanecemos por longo período.

Bonita mesmo com pouca água
Foto: Dalmar Pereira

Beirava 16h30 quando fui dos últimos a deixar o lugar. Prosseguimos pela ampla trilha em direção a Fechados. Buscávamos as proximidades da Horizontes e Cobu. Esse é um trecho relativamente curto, mas com muitos degraus ou cascalho; com lances de descida suficiente para amolecer as pernas.

Próximo de 17h15 nos aglutinamos no acesso da Horizonte-Cobu. Seguimos para a área próximo à Cobu e por lá nos instalamos. O lugar estava tranquilo que só! Restante do tempo dedicado aos afazeres e pelejas normais de uma travessia autônoma. Fatos engraçados e muito papo rolou por ali, mas não demorou muito e só restava o ruído da cachoeira...

Dia 3


Este seria um dia light, dedicado à pouca pressa, seja na trilha seja na longa viagem de retorno dos amigos para o Rio de Janeiro. Assim, às 8h00 deixamos a área próxima à Cobu e descemos para a Cachoeira do Horizonte. O lugar estava vazio, com apenas um casal que havia pernoitado pelos arredores.

Quedas após a borda infinita da Horizonte

A Cachoeira do Horizonte é um lugar magnífico, mesmo com pouca água no Ribeirão Fechados. Com poço misto, destaque para a borda infinita (primeira foto nessa postagem) que batiza o lugar, ponto para fotos "em tudo que é posição"... Perfeito para nós que estávamos com tempo longo e livre para compromisso apenas com o bem estar...

Depois de "enjoar" do lugar, próximo das 11h30 deixamos a Cachoeira do Horizonte rumo arraial de Fechados. A trilha ampla, porém em declive e com muitos degraus em rocha, somada ao calorão de matar fazia os poucos quilômetros parecerem léguas.

Mas como recompensa ao bom planejamento, ao nos aproximar do último ponto de água na descida já visualizamos nosso resgate na área do estacionamento ao final da trilha. Foram poucos metros mais de descida para em torno de 12h30 botarmos fim a mais uma pernada de sucesso e alegria.

Esse retorno ao final da descida de Alto Fechados é recente

Chegados ao final da Travessia fomos recepcionados por refrescante geladinha, tradicional cortesia oferecida por Suprema Rios Tur, uma ação deveras exemplar a todos. Dali embarcamos direto para o restaurante Águas do Cipó. Lá nos fartamos em bom almoço; bem como procedemos os ajustes finais.

Por volta de 14h00 iniciamos viagem de retorno. Sacolejamos na estrada de terra por quase 2 horas. Trecho longo e cansativo; mas nada estranho a quem pratica Trekking. Após cruzar Jequitibá, onde fizemos uma paradinha pra café; desembocamos adiante Sete Lagoas. Dali tomamos a estrada velha para BH. Com louvor desembarquei por volta de 18h30. Já os amigos seguiram rumo ao Rio de Janeiro, onde chegaram sãos e salvos na madrugada do dia da Pátria!

A despeito do sol intenso e do calor infernal que de fato esgotou a todos, esta foi mais uma pernada exitosa pelo Espinhaço. Trata-se de uma região de grande beleza e muitas possibilidades. De fato um lugar perfeito para quem tem coragem e aprecia explorar e se divertir longe de qualquer badalação. Obrigado aos novos e velhos amigos cariocas por mais esse reencontro e conhecimento! É sempre bom contar com a marca da alegria de vocês!

Serviço


Travessia com aproximadamente 40 km, ligando região de Congonhas do Norte a Fechados, arraial pertencente a Santana de Pirapama. Trata-se de uma variação inicial à rota Extrema x Fechados. Torna-se opção interessante pois permite acesso facilitado ao Vale do Barbado onde se localiza a Cachoeira das Virgens; bem como permite acesso às corredeiras diversas da parte superior do Rio Preto. Embora existam opções, a continuação da Travessia até Fechados segue pela mesma rota da clássica travessia.

Você pode encontrar todas as informações dessa rota, como acessos, descritivo detalhado, imagens e afins acompanhando aqui no Blog dois relatos:



Considerações Finais


► Áreas Particulares: Embora até o momento não existam cobranças de acesso e realização, esta rota percorre inteiramente áreas particulares. Não há infraestrutura de hospitalidade pelo trecho. É necessário que o praticante tenha responsabilidade e zelo com o bem alheio. Fundamental manter porteiras e tronqueiras fechadas. Nunca acender fogueiras. Trazer todo o lixo de volta. Ser cortês com moradores e trabalhadores da região. Ser sempre discreto nas suas ações.

Na Fazenda Pinhões da Serra é possível alguma hospitalidade, como pernoite simples e espaço para preparar refeições. Localiza-se cerca de 4 km do Rio Preto, no sentido Sul; portanto em área afastada dos atrativos naturais especiais. É um ponto mais adequado para quem esteja realizando a Fechados x Extrema; ou Congonhas x Extrema; embora dependendo do tempo de realização possa exigir tiros alongados; ou então complementos no modo natural.

► Trilhas e Trajeto: Predomina o sentido Leste- Oeste. Sombreamento em aproximadamente 2% do trajeto; ou seja, praticamente inexiste. Trecho com estradinhas vicinais em estado precário entre o início e o topo da porção Norte do Talhado. É um trecho alongado e em aclive. A partir do topo da Talhado e até a região do Valtinho as trilhas são discretas e irregulares. Em muitos pontos trilhas se cruzam. Há pontos confusos. Há subidas e descidas, algumas intensas, como o Subidão do Miltinho. A partir do Alto de Fechados a trilha torna-se ampla, porém em declive, com degraus. É um trecho batido, pois é região de moradores locais. Não há sinalização no trecho. Há córregos importantes a cruzar.

► Experiência em Trekking: Recomendável não ir solo realizar essa trilha, em especial se apresentar pouca experiência em Trekking. O trajeto aparentemente óbvio esconde principalmente no seu trecho interior uma série de armadilhas e pontos confusos; como saídas e entradas múltiplas; mato alto e pequenos desvios. Além disso é uma região longe de tudo e todos!

► Logística de Acesso: Início na estrada de terra que leva à BR 259, a 4 km ao Norte da sede de Congonhas do Norte. Final no arraial de Fechados, distante 40 km da rodovia de acesso à Santana do Pirapama. Portanto, início e final em pontos distintos e distantes. Necessário logística especial; seja particular ou terceirizada.

► Camping - Estrutura: Não há estrutura de camping pelo trecho. Não há estabelecimentos comerciais. Exceto na porção final da rota no Alto de Fechados; onde está a Casa do Valtinho, local com hospitalidade familiar.

► Água: Há pontos de água pela rota. Fique atento: Entre o início do Subidão do Miltinho e até o Córrego de Fechados não há fontes de água perene. Inicie abastecido e use purificador!

► Exposição ao Sol: Intensa. Use protetor solar.

► Época de realização: O melhor período para realização é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. Porém é quando as águas das cachoeiras estão mais geladas e em menor volume; bem como as fontes de água escasseiam. Mas é mais seguro, uma vez que sob chuva forte a rota se inviabiliza, pois há córregos e rios importantes a serem cruzados.

► Segurança: Até a região do Rio Preto/Samambaia o recomendável é retornar ao início da Travessia. Alternativa seria buscar saída para Inhames ou Extrema, caso esteja na região das cascatas do Rio Preto. A partir do Subidão do Miltinho recomendável seguir para o final da Travessia em Fechados. Tenha em mente que em circunstâncias adversas os deslocamentos podem ser longos. Não há estrutura de busca e resgate na região. Não há sinal de telefonia celular pela rota; nem obviamente terminais telefônicos.

►Segurança: Ao praticar Trekking prefira utilizar calças compridas e camisetas com mangas longas. Isto oferece maior proteção frente à vegetação e eventuais insetos; além de minorar a ação do sol.

► Atenção: Ambientes naturais abrigam insetos e animais selvagens ou peçonhentos. Isto é natural. Portanto, seja ao caminhar ou ao assentar esteja sempre atento. Ao manusear vestuário e equipamentos verifique com atenção se não há presença desses animais ou insetos. Também esteja atento quanto a presença de animais selvagens de grande porte; evitando assustá-los.

► Cash: recomendável em espécie; exceto para uso em Congonhas do Norte.

► Carta Topográfica: Presidente Kubitschek


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos!

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