terça-feira, 16 de abril de 2013

Mochilas: história, tipos e dicas sobre estas fiéis companheiras!

Soldados Voluntários da Pátria,
combatentes na Guerra do Paraguai.
Precursores das Mochilas?
Desenho: Hendrick Jacobus Vinkhuijzen,
publicados pela primeira vez em 1867,
na Alemanha
Devido à sua ergonomia, capacidade variada e enorme resistência, as mochilas tornaram fiéis companheiras dos aventureiros; ou mesmo denunciando as presenças desses intrépidos atores. Surgida há décadas, são constantemente rejuvenescidas graças à incorporação de novas tecnologias e aparatos dos mais variados. Difícil imaginar que no futuro possa surgir algum produto que venha substituir estas inseparáveis companheiras... 


Um pouco de história...

Desde os primórdios, naturalmente o homem se viu obrigado a transportar itens e tralhas diversas de um lugar para outro. Como estes itens e tralhas foram aumentando e se diversificando ao longo do tempo; logo ficou impossível carregá-las somente com as mãos. Passou então a “amarrá-las” ou a “pendurá-las” pelo corpo, de modo a deixar as mãos livres para outros afazeres. Com a domesticação de animais, passou a dividir com estes a tarefa de transportar os variados itens de um lugar para outro...

Adiante, com o surgimento de classes, alguns mais abastados passaram também a se utilizar do trabalho de escravos, que se encarregavam de transportar tudo que ao seu senhor fosse útil. Anos mais tarde surgiram então os veículos de tração animal, depois barcos, os automóveis, navios etc; de modo que transportar produtos e bens tornou-se cada vez mais fácil...

Então, como o homem é um ser naturalmente criativo e progressista, em fins do século XIX surgiu a necessidade de atender os serviços de entrega de encomendas (serviços postais), originando-se assim a confecção padronizada de bolsas específicas. No início do século XX, com a ocorrência de guerras pela Europa, surgiu a necessidade de transportar itens individuais e essenciais para os campos de batalha. Desenvolveram-se então nos países da Europa e América do Norte algumas bolsas para se transportar (nas costas) os itens individuais, onde cada soldado levava os seus suprimentos. Os primeiros exemplares eram nada mais, nada menos que legítimos e rústicos embornais com tampa, apenas com alças duplicadas, para que pudessem ser carregados nas costas. Apesar desse ‘avanço’ no início do século XX, há também registros de utilização de ‘embornais costais’ em guerras anteriores, como as do Paraguai, na América do Sul; e da Secessão, nos Estados Unidos.

Como nós da sociedade civil muito aprendemos com guerras e utilizamos a posteriori grande parte das tecnologias embarcadas quando dos combates, passado os períodos de guerras do início do século XX, descobriu-se um grande filão consumidor para os então “embornais de costas”. Eram aqueles que saíam para as montanhas, por motivos diversos, inclusive para contemplação e aventuras, quase sempre em pequeno número, mas que necessitavam levar consigo todo um aparato para sobrevivência. Intensificava-se então a prática do montanhismo, sobretudo na Europa. Os primeiros exemplares dedicados a estes montanhistas eram bolsas rústicas e simples.

Povos que possuem o empreendedorismo no DNA, alemães e norte-americanos saíram na frente. Primeiramente um tal de Hans Deuter, alemão; e posteriormente, já bem mais tarde, um outro, de nome Dick Kelty, norte-americano. Estes exerceram papéis importantíssimos na criação do que hoje são as nossas queridas e indispensáveis cargueiras e mochilas. Nas décadas que se seguiram após a Primeira e Segunda Guerra, aperfeiçoaram o apetrecho, instalando bolsos adicionais; barras de sustentação (Kelty, inspirado em costumes indígenas); regulagens diversas; sistemas de ventilação; introduziram novos, mais leves e resistentes materiais que permitiram aumentar o tamanho das peças. Em suma, desenvolveram um processo técnico evolutivo até chegar aos tempos atuais, em que uma gama variada de produtos são disponibilizadas aos consumidores. Falando nisso, os produtos dos dois precursores das atuais mochilas (Deuter e Kelty) ainda permanecem no mercado e são respeitadíssimos!


As mochilas atuais

Confeccionadas em materiais de alta resistência, como o tecido rip-stop, cordura, kevlar, dentre outros, algumas mochilas, especialmente as cargueiras, são revestidas internamente por poliuretano, tornando-as muito mais resistentes à entrada de água. Possuem uma série de regulagens de altura e estabilidade, proporcionando segurança ao utilizá-las; além de barrigueiras, que, ajustadas aliviam o peso dos ombros do condutor. Algumas também possuem regulagem de altura, permitindo que pessoas de estatura variadas possam utilizá-las com conforto. Apresentam ainda uma série de facilidades e “porta trecos”, como bolsos de variados tamanhos e dispostos em vários pontos.


Tipos de mochilas

Em se tratando de atividades outdoor, existem vários tipos de mochilas. Entretanto, poderíamos classificá-las em basicamente três tipos: de ataque, intermediárias ou semi-cargueiras e cargueiras.

► Mochilas de ataque:
Também conhecidas com day-packs são mochilas de tamanhos menores, com capacidade em torno de 20l a 30l; comumente com dois compartimentos e alguns bolsinhos acessórios (sabe-se como é, hoje é comum ir para a trilha levando telefone celular, câmera fotográfica etc etc). Possuem alças com regulagem, além de outra para estabilização (peitoral ou barriga; ou ambas). Estas mochilas são utilizadas para passeios curtos, de no máximo um dia, os famosos “bate e volta”, pois não comportam em seu interior mais que um pequeno lanche, algum agasalho menor e um pouco de água. Possuem normalmente em sua parte frontal uma tira costurada em vários pontos, formando algumas alças. Essas alças são chamadas daisy chain e destinam-se a prender alguma coisa pequena, como mosquetões. Lateralmente possuem tiras, as chamadas loops (laços, em português), que originalmente se destinavam a fixar uma pequena picareta para escalada em gelo (as piquetas). Hoje é possível fixar outros equipamentos menores nestas alças, além de auxiliarem na compressão.

► Mochilas Intermediárias ou semi-cargueiras:
São mochilas maiores que as de ataque, com capacidade variável entre 35 e 50 litros. Possuem uma série de regulagens laterais, frontais e barrigueira; além de uma série de bolsos acessórios. São destinadas a passeios de dois dias em média, em que se necessita levar alimentação completa, muda de roupa; saco de dormir, dentre outras tralhas. Esse grupo de mochila de tamanho intermediário é na verdade uma mini cargueira. De um modo geral e com algumas variações, possuem quase as mesmas possibilidades e facilidades que as suas irmãs maiores. A única grande diferença está na capacidade.

► Mochilas Cargueiras:
Como o nome já diz, são mochilas próprias para ausência de casa por grandes períodos, normalmente acima de três dias. Possuem capacidade acima de 50 litros, sendo que algumas chegam a 90 litros ou mais. São feitas para enfrentar situações mais exigentes e que necessita-se transportar maior quantidade de materiais e equipamentos. As mochilas atuais dessa faixa de capacidade possuem uma série de regulagens, destacando a regulagem de altura (para se adequar à estatura do usuário); regulagem de estabilização, sendo a principal a barrigueira, que é onde deverá ficar centrado o peso (ao contrário que muitos possam pensar, as alças também se destinam à estabilização, e não a suportar a carga); e a regulagem de compressão, que ajudam a reduzir o volume da peça quando a mesma está mais vazia. Possuem ainda sistemas de ventilação costal, que absorvem o suor; acolchoados que proporcionam conforto; fechamento em zíper em vários pontos que facilitam acesso rápido a dado produto sem ter que retirar todos os produtos da cargueira; divisões internas para facilitar a arrumação; compartimento específico para transporte de água e até partes destacáveis, que se transformam em mochilas de ataque; além de capas de chuva, pois somente o material da cargueira nem sempre é suficiente para impedir a entrada de água. Enfim, são quase infinitas as possibilidades de uma peça dessas, pois acabam por incorporar todas as capacidades e utilidades de suas irmãs menores, elevadas ao máximo.


A versão feminina de mochilas

Sabemos que Homem e Mulher possuem estrutura corporal diferentes. Entretanto, o fato é que a grande maioria das mochilas fabricadas e comercializadas atualmente leva em consideração o corpo masculino, que naturalmente é mais simples, menos curvilíneo e suporta mais peso. Isto é uma questão mercadológica, pois a maioria dos praticantes de atividades outdoor são homens. Ademais, ainda somos poucos numericamente falando e menos informados e exigentes por produtos específicos.

Com o número cada vez maior de mulheres praticantes de atividades outdoor, alguns fabricantes passaram a oferecer mochilas específicas para as mulheres. Basicamente estas mochilas oferecem alças mais estreitas para não apertar os seios; além de barrigueiras mais afuniladas, que melhor se adaptam à estrutura óssea feminina, distribuindo o peso mais adequadamente. Como esses dois itens são aqueles que provocam maior desconforto no corpo feminino, podemos considerar que já é um avanço significativo!


Então, qual modelo comprar?

Ao adquirir uma mochila o que se deve levar em consideração são os objetivos:
►► Como serão minhas aventuras?
►► Farei apenas caminhadas de um dia?
►► Farei caminhadas mais longas por vários dias?
►► Ou combinarei as duas opções?
Em decorrência das respostas se escolherá a mochila. Entretanto, aconselho a ter os três tipos básicos listados acima: mochila de ataque; mochila semi-cargueira e mochila cargueira. Isto porque com o passar do tempo naturalmente as andanças tenderão a se tornar mais variadas. Para uma caminhada mais longa, somente a ataque não seria suficiente. Já para um bate e volta de um dia, uma cargueira provocaria mais incômodo que facilidades.

Entretanto, se está começando agora, a melhor e mais econômica indicação seria adquirir uma cargueira, preferencialmente uma que forneça um ataque destacável. Isto atenderia tanto em viagens de longa distância (utilizando toda a cargueira) quanto a rápidos bate e volta (utilizando apenas a parte destacável, fazendo as funções de uma pequena mochila).

Mas atenção: não adquira a primeira que encontrar. Não vou me ater a marcas, mas evite aquelas que são vendidas em supermercados e lojas de departamentos. Tá certo, às vezes elas fazem milagres, mas milagres não acontecem todo dia. Muitas destas são imitações de marcas famosas, modos que preocupações como conforto e resistência não estarão na ordem do dia. Vá a uma loja específica, explore o vendedor. “Vista” a mochila para sentir a pegada. Uma boa mochila “veste” o nosso corpo e oferece regulagens para ajustes. Verifique as possibilidades e facilidades! Examine costuras e acabamentos. Aliás, acabamento é sinal de zelo; se estiver mal feito, com costuras tortas, pontas de linhas sobrando... melhor não comprá-las!

E tenha em mente: se você é baixinho, muito provavelmente uma mochila de 90 litros não lhe será confortável, por mais tecnológica que seja. O tamanho se aprende aos poucos. Normalmente, quanto mais experiente o aventureiro for, menos tralhas ele tenderá a carregar! Porque trilhar não é carregar pesos, é carregar o necessário. O necessário que caiba dentro da sua mochila, porque se fosse para carregar as coisas pelo lado de fora, poderíamos pendurá-las pelo nosso corpo, não é mesmo? Se for mulher, pesquise os modelos específicos, vale a pena! Por fim, não hesite em conversar com alguém mais experiente, isto poderá lhe ajudar a economizar uma grana a longo prazo, porque mochila não é item que se compra toda semana; normalmente é um investimento para durar por pelo menos dois anos de uso intenso!


Cuidados com as mochilas
 
►► Jamais guardá-la molhada: vai mofar e ficar com um cheiro horrível. Deixe secar bem antes de guardá-la. 
►► Se precisar lavar, siga as instruções do fabricante. 
►► Não carregue objetos pontudos dentro da mochila; do contrário o óbvio acontecerá! Se tiver que transportar algum, proteja-o muito bem! 
►► Se a mochila apresentar defeitos, contate o fabricante. Este é o mais indicado para lhe orientar quanto aos cuidados e eventuais reparos. 


Bons ventos a todos!

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