sábado, 11 de maio de 2013

Serra do Elefante em Mateus Leme: um jardim nos arredores de Belo Horizonte!

Trecho pela Trilha dos Escravos
No dia primeiro de maio, dia do Trabalhador eu fui trabalhar... no mato! Eu gosto dessa época do ano porque o tempo firme e ensolarado é um convite a sair de casa. E o meu trabalho nesse primeiro de maio foi na Serra do Elefante, em Mateus Leme, a aproximadamente 60 km de Belo Horizonte. Com aproximadamente 1300m de altitude (não comprovada, segundo Carta Topográfica - IBGE) e bastante utilizada para a prática do vôo livre; trata-se de uma serra (ou um morro, como os lemenses a chamam) que de determinada perspectiva assume a posição de um elefante deitado. Esse formato desperta a curiosidade de quem percorre a rodovia MG 050, que liga o centro do Estado à região Sudoeste de Minas Gerais. Ao passar pela cidade de Mateus Leme está lá, no sentido norte, a bela serra! Programei a ida e até convidei alguns amigos, mas no final acabei indo sozinho mesmo. E foi uma caminhada perfeita, rodeado quase sempre por um jardim natural, com um visual incrível de várias cidades, serras e vales que formam a região metropolitana de Belo Horizonte.

Matriz de Santo Antonio de Mateus Leme
Como seria um bate e volta solo, saí de casa mais tarde, por volta de 7h00 da manhã. O tempo estava maravilhoso. Tomei o coletivo na Pampulha com destino à Estação Eldorado do metrô; onde embarquei no ônibus da linha 3957 com destino a Mateus Leme. O coletivo estava lotado e depois de aguentar a falação exagerada de um grupo de adolescentes por mais de 1h00, desembarquei na Praça Central de Mateus Leme às 9h30 da manhã.

Matriz de Santo Antonio
É um praça bem cuidada, emoldurada pela bela Matriz de Santo Antonio, uma obra de Aleijadinho. Após alguns cliques cruzei a praça e fui do outro lado tomar um sorvete. Fiquei por lá mais ou menos meia hora e pontualmente às 10h00 cruzei novamente a Praça da Matriz de Santo Antonio rumo à Serra do Elefante. Curioso que na Carta Topográfica da região (Esmeraldas) o nome Elefante não existe, o que comprova que é um batismo popular. Na Carta, a serra é identificada como Serra de Santo Antonio.

Estação Ferroviária
Deixando Mateus Leme: Serra do Elefante ao fundo
Iniciei a caminhada pelos fundos da praça, tendendo para a esquerda. Cruzei a linha férrea onde ainda está de pé a antiga e pequena Estação Ferroviária de Mateus Leme, de onde é possível ver a Serra. Logo depois cruzei uma ponte e pronto, acabou o asfalto. A caminhada continua por uma rua de terra e passa em frente a alguns exemplares de casas antigas e um pesque pague à esquerda; para alguns metros adiante chegar a uma bifurcação. Tomei a estrada de chão totalmente à direita, pois as outras duas adentram em propriedades particulares. A estradinha da direita leva até o topo da Serra do Elefante. Porém, poucos metros adiante entrei em uma trilha à esquerda. Essa trilha vai margeando a estrada e é utilizada para a prática de downhill; inclusive anualmente por lá acontecem competições da modalidade.

Trilha agradável
Mateus Leme lá embaixo...
A trilha é agradável e sombreada, o que favoreceu a subida, pois o sol era forte. Não apresenta dificuldades, é bem marcada e alterna trechos quase planos e outros um pouco mais íngremes; além dos obstáculos de competição de downhill. Depois de quase uma hora de caminhada interceptei novamente a estradinha, que no trecho possui calçamento. Aos poucos a cidade de Mateus Leme ia ficando lá embaixo e o visual se descortinando. Naquele momento, dois corajosos inciavam um vôo livre desde o topo da Serra... Tentei fotografar, mas minha maquininha sem vergonha falhou eheheh... Então caminhei por poucos metros na estrada, e fui observando sempre à direita na tentativa de identificar a Trilha dos Escravos, que era o meu objetivo. Fui subindo mas não vi sinal algum, até que deixei a estradinha por uma trilha à direita. Para minha surpresa era só um atalho para retornar à estrada logo acima.

Ao observar a serra, vi a Trilha dos Escravos cerca de 50 metros abaixo. Retornei pelo atalho e fui tentando identificar uma saída, até que a encontrei bem na altura onde os fios da rede elétrica cruzam a estradinha. A saída é pouco marcada e escondida entre arbustos. Caminhei uns dez metros e interceptei a Trilha dos Escravos. Essa trilha era utilizada pelos escravos na época áurea da mineração, tendo no trajeto alguns túneis (ou buracos) onde cavavam a procura de ouro. Vale dizer que, graças a luta de moradores locais a serra não foi tomada pela mineração. Ademais, a trilha não permite erros, uma vez que trata-se de um corte que serpenteia a Serra do Elefante, fazendo com que seja plana e se direcione ao sentido nordeste da Serra. Em grande parte do trajeto, caminha-se ao lado de uma cerca de arame, acima um barranco e um precipício do outro lado, abaixo. Nesse trecho é possível ver na direção Sul/Sudeste a cidade de Mateus Leme e Juatuba; além da Serra de Igarapé, com destaque para a Pedra Grande de Igarapé

A Trilha dos Escravos é aquele corte na serra
Boca do túnel, que mais se parece a um buraco
Iniciei a caminhada pela trilha e logo adiante encontrei um ponto mais úmido, que tem um merejo de água. Fiz uma parada breve. O trecho seguinte requereu um pouco de atenção, pois havia algumas pedras lisas pela trilha. Qualquer vacilo poderia resultar em uma queda ladeira abaixo. Além disso, o mato tomava conta da trilha, o que sinaliza que pouca gente passa por lá! Logo adiante encontrei o primeiro túnel de mineração, à minha esquerda, no barranco entre pedras e árvores. Pausa apenas para uma olha básica. Prossegui na caminhada e a trilha melhorou um pouco, pois a pirambeira diminuiu.

Pedra Grande de Igarapé
Pico dos Três Irmãos ao centro
Muitas, muitas flores transformavam a caminhada como se fosse por entre um jardim. Novamente outro túnel, em que parei mais um pouco para examinar. Na verdade, tanto esse, como o anterior não passam de buracos cavados nos barrancos. Ouro não há por lá, apenas morcegos! Nesse ponto, na direção leste era possível observar trechos da cidade de Betim em primeiro plano; mais ao fundo via-se o Pico Três Irmãos em Brumadinho, além da Serra do Rola Moça para os lados de Belo Horizonte.

Trecho mais fechado da trilha
Voltei a caminhar e o mato "abraçava" a trilha, sinal de que após os túneis, menos gente passa por lá. Mas observei pelo sentido do capim que, algumas pessoas haviam passado por ali recentemente. A certa altura, aquela cerca de arame que vinha acompanhando a trilha segue para o vale; porém a trilha segue o seu corte pela serra, sempre de modo plano! A essa altura eu já havia percorrido grande parte da trilha e o contorno da serra já era sentido. Passei então por algumas pedras que formam um pequeno paredão. Depois cruzei um buraco (ravina) na trilha e adiante o mato fechava-se ainda mais. O contorno estava chegando ao fim! Era possível ver na direção norte o morro secundário que prossegue a continuação da Serra do Elefante, em direção à BR 262.

Caminhei por um curto trecho e cheguei a uma cerca de arame farpado, no meio da matinha rala. Ao cruzá-la, interceptei uma trilha bem marcada que descia do topo da serra para o vale ao norte. Ouvi barulho de água e vozes que vinham desde o fundo do vale, que é coberto por uma mata mais densa. Desci então aquela trilha bem marcada, caminhei por poucos metros e pronto: era por volta de meio dia e então havia chegado à Cachoeirinha, que fica no Córrego Boa Vista. Mas levei um susto: havia umas 15 pessoas por lá! Conversei rapidamente com alguns deles e me disseram ser de Belo Horizonte e que chegaram até lá vindo pela Trilha dos Escravos. Deixei o pessoal por ali e fui adiante, à esquerda margeando um pequeno córrego pela mata. Parei para descansar e fazer um lanche rápido. Escutei o pessoal deixando o local. Permaneci mais um pouco descansando, quando subi um pouco pela mata para explorar o local.

Cachoeirinha
restos de acampamento
A água da cachoeira desce por entre pedras em um apertado sulco de uns 4 metros de profundidade; não permitindo acesso fácil. Voltei e fui em direção à cachoeira. Para minha surpresa havia no local um rapaz se banhando, que levou um tremendo susto com a minha presença. Conversamos bastante; ele é morador da cidade e me disse que logo abaixo dessa cachoeira existe uma lagoa e outra queda, porém o acesso não é permitido, pois é propriedade particular. A cachoeira visitada é pequena, mas sua única queda permite ficar de pé e banhar-se. O poço também é pequeno em dimensão, porém de uns 2,5 a 3 metros de profundidade, o que permite umas braçadas; porém a área é toda sombreada. À esquerda da queda há uma área plana, ideal para acampamento em tempos de seca e sem chuvas.

Vista Sul: Mateus Leme e Serra de Igarapé ao fundo
Capelinha de Nossa Senhora Aparecida no topo
Por volta das 13h00 deixei o local, juntamente com o rapaz. Fomos subindo pela trilha bem marcada, passei pela bifurcação por onde cheguei, porém agora tomei o sentido sul (morro acima), onde após sair da mata já foi possível ver as antenas de comunicação no topo da Serra do Elefante e do outro lado, no morro vizinho o Radar Meterológico da CEMIG. Fomos subindo sem pressa e cerca de 20 minutos depois cruzamos um quebra corpo e chegamos ao topo da Serra do Elefante. Despedi do rapaz que desceu para a cidade e me assentei nas escadas da capelinha azul dedicada à Nossa Senhora Aparecida. O topo não é plano, mas é bastante grande. Permite visual espetacular para o Sul, onde ficam as cidades de Mateus Leme e Juatuba, além da Serra de Igarapé e Pedra Grande de Igarapé como moldura. Mais a sudoeste, é possível ver o distrito de Azurita e mais ao longe a cidade de Itaúna. Enquanto descansava, conversei bastante com um ciclista que apareceu por lá, que me deu algumas dicas de atrativos pela região. 

Noroeste: radar meteorológico
O tempo passou rápido e quando olhei no relógio já era 15h00. O ciclista deixou o local e eu fui explorar o outro lado do topo da serra. Fui em direção às antenas de comunicação: sim no topo da Serra do Elefante há algumas delas. São necessárias, mas enfeiam a paisagem. Coisas da modernidade. Foi possível então ver novamente o radar metereológico operado pela CEMIG no morro ao lado, no sentido Noroeste e da BR 262. Esse radar é o mais moderno do Brasil, capaz de prever chuvas e tempestades a 400 km de distância com precisão milimétrica e com antecedência razoável! Observei também a estradinha que dá acesso ao radar, que é a mesma que leva à Serra do Elefante, partindo de um 'trevo' um pouco abaixo do topo.

Jardim
Jardim
Jardim
Fala sério: a Serra estava um jardim...
Sem mais delongas, por volta de 15h30 deixei o topo de volta à cidade atravessando o pasto e cortando caminho em direção à estrada. Fui perdendo altitude rapidamente, parando apenas para alguns clicks. Passei pelo trecho onde iniciei a trilha dos escravos e continuei descendo. Muitos carros subiam e desciam a serra. Outros de bicicleta. A pé não vi ninguém!! Peguei novamente a trilha de downhill e ao passar por um cano de água próximo à trilha, observei que o mesmo estava cortado. Aproveitei para abastecer minha garrafinha na pouca água que descia por ele, emendei o cano e continuei a descer. Não demorou e encontrei dois senhores que subiam a trilha. Me perguntaram sobre o cano. Contei do ocorrido e recomendei que fossem consertá-lo de modo mais adequado. Eles disseram que é comum pessoas passarem pela trilha e cortar o cano de água para se reabastecerem, o que é lamentável!!

Despedi dos dois Senhores, continuei descendo e rapidamente cheguei na estrada, ao final da trilha de downhill. Igualmente não demorei para chegar ao centro de Mateus Leme, pois é muito próximo. Foram 35 minutos de descida. Aproveitei para visitar a Matriz de Santo Antonio. Apenas a Capela lateral estava aberta, de onde foi possível ver parte do Altar Mor e teto. Muito bonita. Depois fui tomar outro sorvete. Após, corri para o ponto de ônibus na esquina atrás da Igreja e tomei um coletivo direto para o centro de Belo Horizonte; depois outro para a Pampulha, chegando em casa por volta de 18h30; um pouco cansado, mas bastante feliz pelos 12 km de caminhada!


Serviço

Localizada a 60 km de Belo Horizonte, a Serra do Elefante emoldura a cidade de Mateus Leme, que fica aos seus pés. Tem esse nome porque se assemelha a um elefante deitado ao ser vista pelo seu lado Sul. Possibilita amplo e belo visual especialmente do sentido Sul da região; além de várias cidades e localidades. De fácil acesso, inclusive de carro, que pode ir até o seu topo, revela-se mais interessante se conquistada através da Trilha dos Escravos, que de modo plano, serpenteia a Serra e permite acesso ao topo pelo lado Norte.

O porquê do nome
O topo não é plano, mas é bastante grande. Há uma Capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, além de antenas de comunicação. No lado norte, ao fundo do vale, correm vários riachos, tendo inclusive uma bela e agradável cachoeira, que, apesar de sobreada, permite-se nadar e banhar-se! É sem dúvida um agradável lugar para um típico bate e volta, cuja ida pela Trilha dos Escravos, visita a Cachoeirinha e volta pela estrada totaliza aproximadamente 12 km.


Como chegar - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus

A melhor opção é tomar um coletivo que leve até a Estação Eldorado do Metrô na cidade de Contagem (ou tomar o próprio metrô no centro de BH, sentido Estação Eldorado). Lá, embarcar no ônibus da linha 3957 (aos domingos e feriados há ônibus de meia em meia hora), descendo na Praça da Matriz de Mateus Leme. Da Praça, seguir a pé até o topo.

► Há outras opções de coletivos, inclusive alguns que partem diretamente da cidade de Belo Horizonte, porém os horários são menos frequentes, o que pode inviabilizar a ida.
► Consulte linhas, tarifas e trajetos de ônibus metropolitano no site do DER - MG

De carro

Deixar Belo Horizonte indo em direção à BR 381 sentido São Paulo, passando pelas cidades de Contagem e Betim. Logo após Betim, seguir à direita pela BR 262, indo até a cidade de Juatuba, onde deve-se pegar a MG 050 sentido de Itaúna/Divinópolis. Entrar à direita na primeira cidade, que é Mateus Leme. Dirigir até a Praça Central e por lá estacionar o carro. Seguir a pé até o topo da serra.

► Caso queira, é possível ir de carro até o topo da Serra do Elefante, pois a estradinha é razoavelmente bem conservada. Entretanto, em tempos de chuva isto não é recomendado, pois há trechos com subidas íngremes.

Considerações finais

► Leve água, pois no topo não há fontes. A opção pode ser abastecer na cachoeira, após o topo, no lado norte e no fundo do vale. Leve também seu lanche! 

► Não vá de calças curtas pela Trilha dos Escravos, pois o mato pode arranhar bastante. 

► Traga o lixo de volta, pelo amor de Deus. No topo da serra muitas pessoas deixam por lá rastros indesejáveis. Não faça como eles! Pela estrada há tambores instalados para coleta de lixo, porém estão deteriorados. Então, não os utilize! 

► Não destrua eventuais canos de água de abastecimento de moradores locais! 

► Não adentre dentro dos cercados das antenas de comunicação. 

► Carta Topográfica IBGE: Esmeraldas

► Confira algumas Dicas Básicas para a prática de atividades outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!
Última Atualização: Mar 2016

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