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Parque Estadual do Itacolomi: uma jóia natural nas históricas Ouro Preto e Mariana!

Paredões de afloramentos no interior do Parque visto desde o camping
O Parque Estadual do Itacolomi foi criado nos fins dos anos 60 e reúne uma compleição de atrações: história, beleza natural e oportunidade para aventura. Seu ícone principal é o Pico do Itacolomi, que já no século XVII orientava os bandeirantes que circulavam pela região em buscas das minas de ouro. Ainda hoje continua a ser o principal atrativo do lugar, mantendo o seu papel de referência. Do seu topo, a aproximadamente 1.700m de altitude é possível avistar o mar de morros nos arredores, além de pontos mais distantes, como a região do Caraça. Assim, com tamanha expressão natural e histórica, a ida ao PE do Itacolomi tinha tudo para ser um sucesso...

Nos dias 13 e 14 de junho de 2013 tinha um compromisso profissional na cidade histórica de Ouro Preto, Estado de Minas Gerais. Como iria ocupar-me apenas a parte da manhã do primeiro dia; e no segundo dia apenas a parte da tarde, não pensei duas vezes e ajeitei as tralhas para ir ao Parque Estadual do Itacolomi nesse intervalo. Havia mais de 10 anos que não ia ao local e seria a oportunidade para subir o Pico do Itacolomi na manhã do dia 14, pois agora a presença de guias para esse trecho é opcional, porque a trilha que leva ao pico foi sinalizada.

Escritório do Parque onde se pagam as taxas
Acordei atrasado no dia 13 de junho em Belo Horizonte, modos que perdi a minha carona para Ouro Preto. O jeito foi ir para a rodoviária, onde embarquei em um ônibus da Viação Pássaro Verde às 7h00 da manhã com destino àquela cidade. Esse ônibus iria para Manhumirim, passando por Ouro Preto e Mariana. Ainda na estrada a poucos km de Ouro Preto, recebi uma ligação da empresa em que iria trabalhar dizendo que o serviço teria que ser adiado por outros motivos. Sem demora, não desisti da viagem e segui direto para a portaria do Parque Estadual do Itacolomi, aonde cheguei às 9h00 da manhã. 

Estradinha de aprox 5 km vai contornando o Morro do Cachorro
Passei pela portaria e imediatamente fui ao escritório ao lado pagar a estadia no Parque. Tudo certo, às 9h15 iniciei a caminhada pela estrada de terra que liga a portaria à administração do Parque. A estrada vai contornando o Morro do Cachorro pelo seu lado norte em uma subida suavizada. Descortinam desde a estrada as serras ao redor da Cidade de Ouro Preto; além da BR 356 e a parte moderna da cidade lá embaixo. Pelos meandros da estrada pode-se observar as mudanças na vegetação: de uma matinha rala para trechos de mata mais densa. O sol brilhava lindamente e pude observar vários pássaros ao longo da caminhada; além de muitas flores. Fiz algumas rápidas paradas apenas para fotos. A estrada é bem cuidada e no trecho final ornamentada por samambaias, com grama aparada. Nenhum carro passou por mim na subida e às 10h20 da manhã cheguei à bifurcação na entrada da administração do Parque, onde há uma bica d'água com um banquinho à esquerda.

Parei por ali um bom tempo descansando, pois havia subido num só pique! Depois de uns 20 minutos, sem um mapa do local em mãos e não vendo placa alguma indicativa do camping, tomei o rumo da direita à sua procura, pois sinceramente não me lembrava dos contornos internos. Ao chegar em frente à casa de hóspedes tomei a estradinha da esquerda, onde perguntei para um funcionário onde era o camping. Ele me disse que era do outro lado: primeira à direita; depois à esquerda, justamente por onde vagamente me lembrava. Voltei o trecho percorrido e poucos metros adiante vi a placa indicativa do camping. Ao chegar na Lagoa da Curva, tomei o rumo da esquerda e fiz mais uma parada, pois não estava com pressa. Depois de uns 10 minutos voltei a caminhar e adentrei ao camping por volta de 11h00 da manhã. Como tinha bastante tempo, os planos agora eram conhecer as atrações dos arredores da Administração, que incluíam o Centro de Visitantes; a Casa Bandeirista; o Museu do Chá e as trilhas da Capela, Lagoa e do Forno.

Estava sozinho no lugar e o silêncio só era quebrado pelo canto dos pássaros e por uma algazarra de micos na mata acima. Armei acampamento sem pressa e aproveitei para conhecer o local. O camping fica a aproximadamente 1 km do Centro de Visitantes, não é gigante, mas comporta muitas barracas. É levemente inclinado, o que não deixa acumular água. Também é sombreado e possui um gramado impecável, sem pedrinhas ou toquinhos. Ao seu redor há uma mata muito bonita. O vestiário e a área de serviços fica ao lado, o que é interessante. Tudo muito limpo e há chuveiro com água quente, pois há energia elétrica no local.




Fui ao prédio do restaurante, que aguarda licitação para funcionamento. Na sequência, ao lado do restaurante ficam as churrasqueiras. São 4 no total, com banquinhos e mesas fixas ao redor. Bem ao centro, há um lugar específico para se acender fogueira, mediante a compra da lenha direto com o Parque. Em frente ao restaurante há um deck de madeira, de onde se vê abaixo uma área gramada, plana, boa pra bater uma bolinha. Há também uma quadra de areia para voleibol. Ao lado, há um parquinho infantil com brinquedos lúdicos. Mais abaixo há uma casa de um funcionário do parque, que inclusive mora no local. Ao seu nível, fica o estacionamento do camping. Mais abaixo, escondido entre as árvores está o heliponto do Parque. Estrutura show de bola!

Casa Bandeirista
Esculturas ao fundo da Casa Bandeirista
Depois de conhecer o que chamei de Praça de Serviços e fazer um lanche, deixei o local por volta de 12h30 com destino às outras atrações do Parque. Esses trechos são ligados por uma estradinha. Passei pelo Lago da Curva e tomei à esquerda, chegando ao Lago da Capela. Parada breve, logo segui para a Casa Bandeirista, que fica próximo. A Casa Bandeirista é uma construção grandiosa, imponente e em estilo rural paulista. Construída no início do século XVIII, destinava-se à fiscalização das minas e ao recolhimento de tributos. Após reforma, mantém apenas as paredes principais, com seus janelões e portadas. Atualmente em seu interior, há uma parede de vidro, que permite observar diversos detalhes construtivos, como as janelas e pontos de fixação de paredes. Há também um mezanino, além de uma área para atividades educativas, com mesas, cadeiras e palco. Possui uma exposição permanente, intitulada "os Viajantes Naturalistas", que mostram os resultados das viagens de bandeirantes e pesquisadores pela região. Externamente, a Casa Bandeirista é cercada por belas muradas em pedra. Aos fundos, há uma série de esculturas referentes aos viajantes naturalistas. Adorna a construção um gramado impecável!

Passarela entre a Casa Bandeirista e o Centro de Visitantes
Centro de Visitantes
Museu do Chá
Depois da Casa Bandeirista me dirigi ao Centro de Visitantes. Pela estradinha de ligação há uma série de esculturas em aço que fazem memórias aos personagens que fizeram a história da região. O Centro de Visitantes é moderno, com inúmeras informações sobre o Parque, além de vários apetrechos interativos e tecnológicos. Uma beleza! Ao lado, em anexo, o Centro Administrativo, prédio da antiga Fazenda São José do Manso. No mesmo nível e na sequência, está o Museu do Chá, que conta a história da atividade que dominou o local no princípio do século XX. A produção de chá preto dominava a economia de Ouro Preto no início do século XX. Por lá está todo o conjunto de maquinaria alemã que era utilizada para produzir o chá preto. Uma viagem de informações!!!

Trilha da Capela
Capela de São José construída para espantar almas penadas...
Às 14h00 horas deixei o local e fui fazer as trilhas curtas disponíveis nesta parte do Parque. Comecei pela Trilha da Capela, que tem início ao lado do Centro de Visitantes. Segue subindo pela matinha e logo chega-se à Capela São José, construção do século XX; erguida, segundo dizem, para espantar almas penadas do local. A Trilha da Capela é demarcada, limpa, sem possibilidade de erro.

O interessante é poder observar a vegetação, que vai se regenerando do desmatamento e incêndios ocorridos no passado. Também fica evidente a mudança no tipo de vegetação conforme a variação do tipo de solo. A trilha faz um U invertido: sobe suavemente para depois descer. Como é feita toda entre matas, não há possibilidade de visual. Fiz o trecho lentamente em meia hora, terminando ao lado da Lagoa da Capela.

Trilha do Lago
Lagoa da Capela
A Lagoa da Capela permite natação, possui uma espécie de deck, além de uma tirolesa, que no momento não está funcionando (junho 2013). Há uma pequena trilha ao seu redor, a Trilha do Lago, que fiz em poucos minutos, pois possui apenas 400 metros. É interessante porque permite observar o zelo do Parque para com as trilhas, além de permitir visual da Lagoa desde o início da tirolesa. Aliás, fiquei um bom tempo nesse local observando a beleza da região.

Como estava muito cedo, fiquei na dúvida do que fazer aquela hora. Era 15h00 e pensei em ir ao Morro do Cachorro, mas como era caminho para o Pico do Itacolomi, deixei para o outro dia. Faltava fazer a Trilha do Forno, mas como ela era pros lados do camping, deixaria para o final.

Casa de Hóspedes
Fundos da Casa do Pesquisador... Inspirador!!!
Fui então novamente em direção à Casa Bandeirista, onde fiquei de bobeira conversando com funcionários que cortavam a grama do local. Depois fui pros lados dos alojamentos, que ficam na direção da saída para Lavras Novas. O interessante foi caminhar por aquelas alamedas bem cuidadas e se esbaldar na grama verdinha da Casa do Pesquisador. Ê beleza!

Depois de ficar um bom tempo curtindo os arredores, retornei em direção à região do Lago da Capela e Lago da Curva. Fui então fazer a Trilha do Forno por volta de 16h00.

A Trilha do Forno também é curta, sinalizada e muito bem cuidada. Segue margeando o Lago da Curva, indo de um solo mais seco para um mais úmido, o que permite observar a variação da vegetação. Em certos pontos formam uma espécie de discreto túnel sobre a trilha. Muito bonito e agradável!

A Trilha do Forno
Restos do antigo forno do século XVIII
Pelo mapa da placa, me parece haver uma quedinha d'água em um ponto desviando da trilha, mas não fui lá. Já na parte final há as ruínas de uma antiga olaria, com um forno, tudo em pedras, o que nomeia a trilha. Especula-se que desse forno saíram tijolos e telhas para as primeiras construções de Ouro Preto. História pura.

Mais alguns metros adiante, a trilha finda-se no heliponto do parque, já nos fundos da Praça de Serviços, onde cheguei por volta de 16h45, fruto das inúmeras paradas que fiz por essa trilha de apenas 1,2 km aproximadamente.

Tanto a Trilha da Capela, Trilha do Lago e Trilha do Forno são muito bem sinalizadas, limpas e podem ser feitas por praticamente qualquer pessoa, inclusive crianças. Não há nenhuma dificuldade nas três pequenas trilhas! Muitas vezes, focados em conquistas maiores, sobretudo à caça de níveis superiores de dificuldades, nós não valorizamos essas pequenas trilhas. Mas incrivelmente essas pequenas trilhas nos ensinam e nos educam. Fazem-nos observar os detalhes, como a variação do solo; a regeneração ou a mudança repentina da vegetação, a ação da umidade, os insetos, as aves, as flores e suas inter-relações. Todo esse conjunto é uma excelente oportunidade para educação e conhecimento prático do meio natural pela maioria de nós, que somos leigos em relação à esses aspectos. Por isso, recomendo que sempre que possa, seja no Itacolomi ou em qualquer outro parque, leve as crianças para percorrerem esse tipo de trilha. São nesses pequenos trajetos que desenvolvemos observações e descobertas que futuramente nos levará a valorizar o meio natural. Portanto, não desmereça estas oportunidades...

Finalizando a caminhada no camping, o restante daquele dia foi dedicado ao ócio: circulação pelos arredores da Praça de Serviços e ao jantar! O camping estava vazio, somente eu estava por lá. Nessas condições, tudo parece ser muito mais amplo do que realmente é... Era possível escutar com perfeição o som da natureza! Foi uma típica tarde e noite de inverno estrelada; com o friozinho apertado! Aliás, o friozinho não me deixou ficar até mais tarde no sereno! Às 21 horas já dormia o sono dos justos e somente acordava para mudar de posição. Enfim, foi um dia e noite perfeitos!


Bifurcação: Reto segue para o Morro do Cachorro. À direita, Itacolomi
2 Acordei às 6h00 da manhã seguinte e pulei fora da barraca. Queria subir logo para o Pico do Itacolomi, mas a neblina tomava conta de tudo, o que me fez erroneamente somente deixar o camping por volta das 7h00 da manhã. Caminhei então até a Lagoa da Capela. De lá, tomei o rumo da esquerda, seguindo por uma estrada que segue para o Morro do Cachorro, onde há várias antenas de comunicação. Segui subindo por aquela estrada por cerca de 2 km, onde há uma bifurcação. Tomei a da direita, onde se inicia a trilha propriamente dita para o Pico do Itacolomi.

Paredão rochoso visto do início da trilha
Morro do Cachorro ao fundo
Inicialmente por entre uma matinha, a trilha segue limpa, ampla e bem cuidada. Alguns metros adiante torna-se íngreme, se aproximando de um paredão de rochas muito bonito, cuja foto ilustra a capa desta postagem.

Nenhuma grande dificuldade no trecho, ao contrário, muito fácil. Em poucos minutos percorri o trecho mais íngreme e cheguei ao platô no nível acima do paredão rochoso. A vista era impressionante, com aquela mistura de morros, matas e neblinas. Para o lado leste, acima do platô, se iniciava uma vasta área de campos de altitude.

Depois dos paredões, campos de altitude.
À direita, o Pico do Itacolomi já se desponta
Vencido o trecho mais íngreme próximo ao paredão rochoso, a trilha seguia agora quase plana por esse terreno de campos rupestres. Seguia em direção ao ponto mais alto de um morro adiante. Atrás desse morro já era possível ver a pontinha do Pico do Itacolomi. Logo passei por uma pequena lagoa à minha esquerda. Adiante, um trecho de trepa pedras, mas que não apresenta dificuldades. Também não há possibilidade de erros, pois não existem bifurcações ao longo da trilha!

Não demorou muito e me aproximei daquele morro com rochas escarpadas indicadas para o norte. Percorria agora o trecho final da trilha, que após uma pequena subida íngreme direciona-se à leste, de modo quase plano, cortando em diagonal a base do conjunto onde localiza o Pico. E com uma curta e leve subida no final, cheguei então ao Pico do Itacolomi.

Havia caminhado os 7 km que o separa da área da Administração do Parque. O impacto de estar ali, frente a frente com aquele grande bloco de rocha foi extraordinário! Era 8h40 da manhã e o tempo estava mudando rapidamente, com uma espessa camada de neblina se direcionando para o Pico e varrendo toda a área, inclusive o Mirante Principal, que fica a poucos metros do Pico.

O Pico do Itacolomi sendo envolvido por espessa neblina...
Só aí comecei a cair na real que havia cometido um grande erro: eu deveria ter saído bem mais cedo do camping! Se tivesse subido mais cedo teria chegado antes da dispersão da neblina. Receei então que, se quisesse ter visual mais nítido desde o Itacolomi teria que permanecer muito tempo por ali à espera da dispersão da neblina! Naquele momento não era possível ver nada para os lados norte, sul e leste. Apenas para o oeste era possível ver alguma coisa, pois o vento soprava leste-oeste.

Sentei em uma rocha de frente para o Itacolomi. Um pássaro veio me fazer companhia e se aproximou a menos de 1 metro... Tive então a certeza que pelo volume, a neblina não se dispersaria tão cedo do lugar e para piorar começou a ventar forte! Fiquei observando aquela brincadeira de esconde-esconde do Pico do Itacolomi.

O Pico do Itacolomi é uma rocha imensa, interiça, cujo topo só é alcançado mediante escalada. Como não sou escalador, me contento em ficar ali observando. É algo impressionante! Porém, com o aumento do vento, fui em direção ao mirante principal que fica em um ponto mais alto e a poucos metros a sudoeste do Pico do Itacolomi. Fui buscar um lugar abrigado.

Ao chegar no mirante principal o visual era praticamente zero. Olhei para o lado sudeste e vi mais abaixo, abrigado atrás de uma rocha sinais de acampamento. Corri para o lugar, sentei em uma pedra e por lá fiquei abrigado do vento e esperando a neblina se dissipar. Aliás, esse local é mesmo ideal para acampamento! Porém, sabe-se que acampar por lá é proibido... De tempos em tempos me levantava e dava uma espiada no tempo. E nada da neblina sumir de vez!

Já era quase meio dia e já estava desanimado de tanto esperar para ver alguma coisa desde o Pico. Resolvi dar uma volta de despedida quando percebi que os fundos dos vales à leste/abaixo do Pico estavam livres da neblina. Isto me animou...

Deixei então o local abrigado e fui explorar os arredores. Há rochas por todos os lados, de todos os tamanhos e de todos os formatos. Caminhar por lá exige atenção, pois o capim costuma esconder buracos e pequenas fendas. Voltei até a base do Pico, circulei bastante por ali.

Sentido sudoeste desde o mirante superior
Lavras Novas vista desde o mirante superior
Curiosa forma à sudeste do Pico: uma galinha???
Ouro Preto. Mesmo com neblina, ao fundo os contornos do Caraça
A ladeira no sentido norte do Pico é repleto de grandes rochas, como se tivessem despencadas da rocha maior. O lado leste imediato não dá para se ver, pois fica atrás do Pico. De todo modo, do Mirante Principal tem-se visão 360 de toda a região: ao norte a cidade de Ouro Preto e ao longe a região do Caraça. À leste a cidade de Mariana e várias serras da região. Igualmente para o Sul. À oeste uma pirambeira e um vale profundo imediatamente após mirante, além dos lados de Lavras Novas. É claro, desse lugar é possível ver quase toda a área do Parque Estadual do Itacolomi. Apesar do tempo não ter ficado completamente limpo valeu a pena esperar por 3 horas e enfrentar a neblina e o vento...

Permaneci durante uma hora explorando a região e por volta de 13h15 deixei o Pico do Itacolomi rumo ao camping do parque, pois não estavam nos planos ficar mais uma noite no Parque. Algumas pessoas estavam lá embaixo, sentido norte sentados em uma trilha. É a mesma trilha alternativa que liga Ouro Preto-Pico do Itacolomi sem passar pela portaria do Parque. Na verdade, me esqueci de me informar a respeito dessa trilha com a administração do Parque, inclusive saber se é um acesso legal. 

Iniciei a descida do Itacolomi e apertei o passo pela mesma trilha da ida. Em aproximadamente meia hora de caminhada já estava no platô próximo ao paredão de rochas. Parei uns minutos para algumas fotos e retomei a caminhada, chegando novamente na estrada que agora dava acesso à direita para o Morro do Cachorro e à esquerda para a administração do parque, no km 2. Nem cogitei ir ao Morro do Cachorro, pois lá do Itacolomi vi o quanto estava mais alto... Me dirigi ao camping, onde cheguei por volta de 14h15.

Ainda fiz hora pelo camping, desarmei o acampamento com calma, tomei banho e somente às 16 horas deixei o local. Nesse momento chegou um casal no camping e estavam praticando slackline, a febre do momento. Logo depois chegou outro casal que iria pernoitar; além de dois ciclistas, pai e filho, que estavam em um passeio de fim de tarde. Um pouco de conversa e despedi do pessoal, partindo rumo à portaria.

Desci non stop! No trajeto encontrei com alguns ciclistas que subiam rumo à administração e atrativos do entorno para um passeio de fim de tarde. Pontualmente às 17 horas cheguei à portaria do Parque, ponto final da minha visita. Um gole de água e atravessei a rodovia BR 356 me dirigindo ao ponto de ônibus quase em frente, onde me embarcaria para Belo Horizonte. Antes de passar qualquer ônibus, por volta de 17h30 um veículo parou no ponto e o motorista me ofereceu a tal "carona paga". Sem refutar entrei no veículo e viemos direto para Belo Horizonte, desembarcando na Praça Sete pouco depois das 19 horas. Tá certo, a carona paga pode não ter sido o mais adequado, mas me fez chegar mais cedo em BH! No centro de BH embarquei em um coletivo e cheguei em casa na Pampulha às 20 horas, um pouco cansado, porém feliz da vida e impressionado com o Itacolomi! Ficaram alguns pontos do Parque que não visitei na ocasião; espero voltar em breve...

Mirante e Itacolomi

Importante:
Minha memória não é muito boa para guardar datas; porém ao escrever este relato tomei conhecimento que o Parque Estadual do Itacolomi foi criado no dia 14 de junho de 1967. Curiosamente, no dia 14 de junho eu estava lá, visitando o Pico do Itacolomi, visitando o aniversariante... 


Serviço

Localizado a aproximadamente 100 km de Belo Horizonte, o Parque Estadual do Itacolomi foi criado em 14 de junho de 1967. A vegetação do parque constitui de matas nas regiões mais baixas e campos de altitude nos lugares mais altos. Em seus domínios há a presença de muitos animais, como lobo-guará, antas e até onças pardas; além de várias espécies de aves. O relevo é acidentado, com muitos afloramentos rochosos, destacando o Pico do Itacolomi, com 1772 metros de altitude. É um sítio histórico, pois foi caminho dos bandeirantes e de muitos outros pesquisadores em Minas Gerais. Sua área estende-se pelos municípios de Ouro Preto e Mariana, cidades históricas da região central do Estado de Minas Gerais. sede do Parque vista desde o platô das rochas

A sede do Parque lá embaixo vista desde o platô das rochas
As atrações do parque podem ser divididas em históricas e naturais.

As históricas constituem a Casa Bandeirista, o Museu do Chá, ruínas da Olaria do século XVII e as construções da Fazenda São José do Manso (sede administrativa e Museu do Chá); além da Capela de São José.

As atrações naturais são o Pico do Itacolomi; trilhas demarcadas e curtas ao redor da área da administração; diversos mirantes e lagos; além da riqueza da fauna e flora. Outras atrações também estão nos domínios do Parque, como a Cachoeira dos Prazeres, grutas e outros lagos, localizados em sua maioria na região chamada Serrinha, localizada a aproximadamente 20 km da sede e que ainda não são abertas ao público.

O Parque disponibiliza boa infraestrutura para o visitante, composta por alojamentos, casa de hóspedes, camping, vestiários com água quente, energia elétrica, churrasqueiras, parque infantil e heliponto.

► Horário de funcionamento da portaria: terça a domingo, das 8h00 às 17h
► Telefone: 55 31 3551-6193 

Distâncias principais

Belo Horizonte a Ouro Preto: 100 km (asfalto)
Portaria à Sede do Parque: 5 km (estrada de chão)
Sede do Parque ao Pico do Itacolomi: 7 km (trilha)

Como chegar - Cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:

Embarcar preferencialmente em ônibus da Empresa Pássaro Verde com destino às cidades de Mariana, Ponte Nova ou Manhumirim; comprando passagem para a localidade de Saramenha, pois esses ônibus param na rodovia BR 356, em frente à portaria do Parque. A portaria fica em frente à Santa Casa de Ouro Preto.
Da portaria à Sede Administrativa seguir à pé; são 5 km de suave subida.

► O retorno é pelo mesmo trajeto, através de ônibus da mesma linha. Há um ponto na rodovia em frente à portaria do Parque.

De carro:

Seguir pela BR 040 até o trevo de Ouro Preto, na região do Alphaville. Seguir pela BR 356, passando pela cidade de Itabirito e pelo distrito de Cachoeira do Campo, chegando até Ouro Preto, sentido cidade de Mariana.
Em Ouro Preto, próximo à Santa Casa da cidade, entrar à direita pela Portaria do Parque, prosseguindo até Sede Administrativa da Unidade.

► O retorno é pelo mesmo trajeto.

Considerações finais

►  No há mais a obrigatoriedade de subir o Pico do Itacolomi com guia. Isto é opcional, pois a trilha foi toda demarcada e sinalizada recentemente.
 
►  Para aqueles que irão acampar no Parque e não irão cozinhar, como o restaurante não está funcionando, pode-se conversar e negociar com a administração do Parque a autorização para se descer até a cidade de Ouro Preto para jantar. Mas há limite de horário para isto e cada caso é um caso e somente é factível se estiver de carro! 

►  Há energia elétrica no camping. Além de chuveiros com água quente, é possível recarregar baterias! Há sinal de telefonia móvel (no meu caso, TIM) em várias áreas do Parque. 

►  Em finais de semana e feriados prolongados recomenda-se ligar no Parque e efetuar reserva do camping, se for o caso. 

►  Alguns funcionários residem dentro do Parque. Achei isto interessante! 

► O zelo pelo parque é impressionante. A grama é tão bem cuidada para um Parque que ao vê-la dá até vontade de pastar... 

► Senti falta da distribuição de um mapa do Parque. Fui informado de que é para se evitar lixo. Faz sentido, mas poderia-se haver exceções, não é mesmo? Ou então disponibilizar um Mapa Oficial em algum site para que possa ser baixado. 

► Antes de visitar o Parque, mantenha contato com a Administração e confirme todas as informações, como valores de entrada, camping e outros. São sempre muito educados e gentis! 

►  Lembre-se que o local onde está o Pico do Itacolomi merece toda atenção e cuidado, pois há muitas rochas irregulares, fendas, paredões e abismos. Todo cuidado é pouco para se evitar acidentes. Se não se sentir seguro para ir só, o Parque disponibiliza a visita guiada, com custo acessível, que sai todos os dias pela manhã da sede, obviamente havendo procura e se o tempo estiver firme!
 
► Cartas topográficas da região: Ouro Preto e Mariana

► Confira algumas Dicas Básicas para a prática de atividades outdoor

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Bons ventos a todos!!!
Última Atualização: Mar 2016

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