terça-feira, 29 de abril de 2014

Cachoeira de Congonhas: um complexo belíssimo do ParnaCipó!

Cachoeira de Congonhas
O Parque Nacional da Serra do Cipó é grandioso sob todos os aspectos. Localizado a aproximadamente 100 km ao norte de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, conta com atrativos naturais espalhados por toda a sua área. Inúmeras espécies vegetais e animais integram um ambiente extraordinariamente harmonioso e belo, cujos afloramentos rochosos fazem a mente do aventureiro viajar. Rico em recursos hídricos, em sua parte alta e oriental, nas proximidades da rodovia MG 10, está localizada a Cachoeira de Congonhas, mais uma jóia do ParnaCipó. Formada pelas águas do Ribeirão Congonhas, consiste em 3 principais quedas d'água, que despencam em direção ao vale da Bocaina, parte baixa do ParnaCipó. Foi nesse lugar espetacular que estive em guiada no último dia 12 de abril.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc (incluída em Mar 2016)
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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A rota acima contempla apenas a ida e volta à Cachoeira de Congonhas via Pousada Duas Pontes.
É o trajeto mais fácil e acessível que aquele que inicia na altura do restaurante Chapéu do Sol.

Vista para os lados da Rodovia MG 10 e Pousada Duas Pontes.
O início da trilha é lá naquelas arvores...
Deixamos Belo Horizonte naquela nublada manhã por volta de 6h30. Éramos um grupo de 15 pessoas. Após rápido 'pit stop' para desejum em Lagoa Santa, seguimos 'non stop' para o início da trilha. Este início fica na altura da Pousada Duas Pontes, no km 114 da rodovia MG 10 após o Distrito da Serra do Cipó.

Trata-se do mesmo ponto em que se pode acessar o Cânion do Travessão; além de início de algumas travessias locais, como Duas Pontes a Cabeça de Boi; variante antiga da Duas Pontes a Serra dos Alves (Em setembro de 2015 e dentro do Projeto Piloto de Travessias, o Parque Nacional abriu oficialmente à visitação a nova rota Alto Palácio a Serra dos Alves); Duas Pontes à Lagoa Dourada... Rapidamente pulamos da van e atravessamos a cerca de arame às margens da rodovia, dando início à nossa aventura beirando às 10h00 da manhã.

Descendo sentido Congonhas:
Visual dos campos e sudoeste do Parque
O trecho inicial é muito tranquilo, cuja trilha se parece a uma estradinha e segue em terreno particular sentido Norte - Sudeste. Após um pequeno aclive, toda a região de campos rupestres nos arredores se apresentam, emoldurados ao norte pela Serra do Alto Palácio. À noroeste, e bem distante, o Pico do Breu estava encoberto por aquela eterna neblina! À oeste era possível ver as cabeceiras do Cânion do Travessão. Para o Sul aquela imensidão a perder de vista...

Poucos passos adiante cruzamos uma porteira e adentramos em terras do Parque Nacional da Serra do Cipó. Continuando pela trilha batida e sem erro, demos uma pequena guinada para oeste e logo adiante, entramos à direita em uma bifurcação no sentido sul: era a trilha que nos levaria a Cachoeira de Congonhas. A trilha que deixamos segue para o Cânion do Travessão. 

Nesse local havia uma moradia em época antes da criação do ParnaCipó
Bem marcada, a trilha da cachoeira despenca para o sul em longo declive. É possível observá-la do início a quase seu final, pouco antes das quedas da Congonhas. Vencemos o trecho rapidamente e em cerca de 1h00 de caminhada desde o início aproximamos do local aonde, à esquerda, há sinais de uma antiga moradia, com restos de um muro rústico de pedras.

Logo abaixo, cruzamos um riacho, cujas águas se juntarão a outro e formarão o Complexo de Congonhas. Como estávamos próximos à Cachoeira, não fizemos parada e seguimos agora percorrendo um trecho entre afloramentos rochosos e vegetação mediana.

Congonhas de Cima
Percorremos um trecho em declive um pouco mais acentuado com algumas pedras na trilha, ignoramos uma bifurcação à esquerda e seguimos em direção ao Ribeirão. Após pular uma pedra chegamos à primeira queda da cachoeira: é a chamada Congonhas de Cima. Era por volta de 11h30 daquela manhã e o tempo estava parcialmente nublado, mas fazia calor!

A Congonhas de Cima é um conjunto de quedas intercaladas muito bonitas, com aproximadamente 8 metros de altura ao total, com um pequeno poço com profundidade mediana que permite até um mergulho. Fizemos uma parada com tempo para uma boquinha e alguns até adentraram ao poço.

Decidimos descer logo para a Congonhas de Baixo, que fica a aproximadamente 500 metros no mesmo riacho. Assim, deixamos esta primeira queda descendo a trilha que margeia o lado esquerdo do córrego. Vale dizer que, nesse trecho, o Córrego Congonhas é repleto de convidativos pocinhos, formados devido à inclinação do terreno e às inúmeras rochas em seu leito. A trilha da descida é marcada e em alguns pontos apresenta erosões e degraus, mas nada que dificulte o trajeto. Em poucos minutos chegamos a um trecho plano, bem em frente à Chamada Congonhas do Meio.

Congonhas do Meio
Poço da Cachoeira Congonhas de Baixo,
que é a queda principal do complexo
A Congonhas do Meio é uma corredeira espremida na rocha, formando em sua base um pequeno poço. Nesse ponto é também o local para acesso à parte superior da Congonhas de Baixo. Não descemos até a Congonhas do Meio porque nosso objeto de desejo naquele dia estava a poucos metros abaixo: era a queda maior da Congonhas de Baixo.

A curta trilha sai em uma guinada à esquerda por entre as rochas. Para encontrá-la é só observar o solo marcado. Há novamente alguns degraus na descida, mas são simples. Em minutos chegamos à parte baixa da Cachoeira de Congonhas. Era por volta de 12h20!

Congonhas
Abaixo da queda de Congonhas é um lajeado, cujas águas vão formar
a Cachoeira do Gavião lá no Vale da Bocaina
A Congonhas de Baixo é formada por uma queda de aproximadamente 15 metros, com um belo e agradável poço para banho. Rodeado por rochas, após o poço há um grande lajeado, e as águas do ribeirão descem por um mini-cânion e formarão a Cachoeira do Gavião cerca de 1 km abaixo, cujo acesso mais comum é pelo Vale da Bocaina. 

Enquanto o grupo se esbaldava no poção, eu aproveitei para voltar à parte alta da Cachoeira e relembrar ângulos diferentes! É uma vista singela, porém muito bonita! Permanecemos na Cachoeira por quase 2h00, quando iniciamos o retorno. Nosso objetivo era voltar até a rodovia MG 10, mas não em Duas Pontes, aonde iniciamos a caminhada; mas sim nas proximidades do restaurante Chapéu do Sol, aonde tomaríamos nosso resgate.

Assim, deixamos a parte baixa da Congonhas e subimos o lance em direção à Congonhas do Meio (mesmo caminho da descida). Nesse ponto, tomamos uma trilha mais à esquerda e à beira do riacho, em desfavor da trilha que leva à Congonhas de Cima (por onde chegamos).

Cruzamos o ribeirão e passando por um trecho de trilha desgastada fomos margeando uma matinha, agora em aclive no sentido leste. Esta subida é um pouco longa, porém é recompensada pelo visual que vai se abrindo. Além de permitir visual de parte do Vale da Bocaina e do Cânion do Travessão, permite apreciar as cachoeiras Fantasma e Palmital à oeste, bem distante.

Visual parcial do Vale da Bocaina.
Vista da subida do Caramba que leva à Cachoeira Farofa de Cima.
Ao fundo, serras dos Confins e Lagoa Dourada
Margeamos um rastro de um pequeno lajeado por onde escorre um filete de água e cada um foi imprimindo o seu ritmo. Em pouco mais de 45 minutos já estávamos no platô elevado e rodeado por campos rupestres. Desse ponto se tem uma ampla e bela vista de grande parte do Parque, especialmente das Serras da Farofa e da Bandeirinha à sudeste; as Serras da Caetana, Confins e Lagoa Dourada, bem ao longe e ao sul. O Travessão apresenta-se magnífico, possibilitando uma janela lá pros lados do vale do Rio do Peixe... Todo o percurso da trilha que leva à Cachoeira Farofa de Cima também pode ser vista...

Travessão ao fundo
Travessão e terras ao leste pros lados de Itambé do Mato Dentro
Fizemos uma parada para descanso, pois ao contrário do que ocorreu quando estávamos lá no poço da Congonhas, agora o sol se fazia presente, aumentando a sensação de calor. Retomamos a caminhada passando por trechos erodidos e com algumas rochas. A trilha correta segue sentido à direita por entre uma cava. Adiante, em um mergulho, passamos por uma cerca de arame e um ponto de água. Em pequeno aclive, logo despontamos com amplo visual para o oeste. A trilha segue marcada, dando uma guinada para noroeste. Notei que pouca gente passa por ali...

Sentido definitivo para Oeste e Noroeste
Condomínio Bosque do Sol visto do morrote já na parte final da trilha,
após os limites do ParnaCipó
Após o mergulho a trilha segue cruzando campos rupestres no sentido oeste. Começam a despontar os lados da rodovia MG 10 e seguimos margeando um morro à nossa direita. Agora em declive, aproximamos e cruzamos uma cerca de arame, saindo dos limites do Parque Nacional da Serra do Cipó. Adiante, o declive aumenta e por entre uma capoeira rala, cruzamos um rego de água três vezes, pois a descida segue em zigue-zague. Lá embaixo, no terreno plano observa-se várias casas. É o Condomínio Bosque do Sol, que parece estar embargado, pois desde que passei ali anos atrás, tudo se encontra como antes...

Chegamos à pequena planície e fomos margeando a cerca de um lote visando pegar a estradinha logo abaixo. Já na estradinha, seguimos sem pressa. O trecho alterna estrada de chão e há alguns pontos de calçamento em pedras. Cruzamos um riacho cujas águas formam a Véu da Noiva mais abaixo e seguimos em linha reta pela estrada principal do Condomínio. Ignoramos uma grande saída à esquerda (estradinha interna do condomínio) que leva em direção à pequena Trilha dos Escravos e ao topo da Cachoeira Véu da Noiva. Em poucos minutos chegamos à porteira de acesso ao Condomínio. Pulamos a porteira, pois estava trancada e adentramos na rodovia MG 10, caminhando alguns metros até o Restaurante Chapéu do Sol. Lá já nos esperava o nosso resgate. Eram por volta de 15h30 daquela tarde. Rapidamente embarcamos e logo depois fizemos uma parada em Cardeal Mota. Almoçamos por lá. Depois, pé na estrada até BH, aonde chegamos por volta de 18h30.

Porteira do Condomínio Bosque do Sol já na rodovia MG 10,
nas imediações do Restaurante Chapéu do Sol
Foi uma caminhada de aproximadamente 13 km e que me serviu para matar saudades. Há muito tempo não passava por aqueles lugares, em especial o trecho final do trajeto, rodeado pelos campos rupestres e afloramentos rochosos. É uma região belíssima, que possibilita amplos visuais. Além disso, a coesão e companhia dos caminhantes foi sensacional, tornando a aventura uma diversão. Agradeço ao Nice Trekking por mais esta oportunidade!


Serviço

Localizado nos domínios do Parque Nacional da Serra do Cipó, o complexo da Cachoeira de Congonhas é um conjunto de quedas no ribeirão homônimo. Consiste em 3 principais quedas: Congonhas de Cima, do Meio e de Baixo, que são interligadas por inúmeros pequenos poços graças à declividade do terreno e a presença de muitas rochas. Em aproximadamente 500 metros do complexo, vários são os os locais em que se pode parar e ficar curtindo ou relaxando na água cor de coca cola. 

Rota no GE
A Congonhas de Cima é singela e com um poço para banho. A Congonhas do Meio está mais próxima a uma corredeira única, espremida na rocha, com um pequeno poço ao final da queda. Já a Congonhas de Baixo é aquela que oferece maiores possibilidades: tamanho do poço, nadabilidade e beleza.

Amigos na Congonhas
O trajeto que fizemos foi uma "ferradura" (veja imagem acima), ligando duas trilhas. Isto significa que para se ir ao Complexo de Congonhas há basicamente dois acessos: o primeiro, com início na Pousada Duas Pontes, com aproximadamente 5,5 km de extensão e quase todo em declive (volta: aclive); e o segundo, com início no Restaurante Chapéu do Sol, com aproximadamente 7 km de extensão e um misto de caminhada plana e em declive (volta: aclive). Também é possível acessar a cachoeira passando antes pela Cachoeira do Gavião, na parede oeste do Vale da Bocaina, porém é um trajeto mais exigente e somente recomendado para experientes.

Como Chegar/voltar - Para fazer o mesmo trajeto do relato
Cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus
Ida:
Na rodoviária de BH embarcar em ônibus da Viação Serro (que segue para Conceição do Mato Dentro) ou Saritur (que segue para o Morro do Pilar); através de passagem trajeto Belo Horizonte – Fazenda Alto Palácio. Descer no km 114 da rodovia MG 10, em frente a Pousada Duas Pontes. Esse local é após o Distrito da Serra do Cipó, logo depois de subir a serra, um pouco antes da estátua do Juquinha. 

Volta:
Embarcar em ônibus das mesmas empresas na rodovia MG 10 nas imediações do Restaurante Chapéu de Sol.

► Consulte os horários e tarifas no site da Viação Serro
► Consulte os horários e tarifas no site da Viação Saritur

De carro
Ida:
Rodovia MG 10 até o km 114.

Volta:
Rodovia MG 10 até Belo Horizonte.

► É possível estacionar o veículo na Pousada Duas Pontes (estacionamento pago).
► Desaconselho deixar veículos estacionados às margens da rodovia.
► A desvantagem em ir de carro e fazer o mesmo trajeto do relato é que o início e término da caminhada se dão em locais distintos da rodovia MG 10. Apesar da proximidade fica inviável fazer o percurso à pé pelo asfalto. Então, é necessário programar a logística e providenciar alguém para o resgate. Mas é possível conseguir algum transporte na região; ou mesmo carona para fazer esse curto deslocamento.

Considerações finais

► Para visitar o Complexo de Congonhas não é necessário fazer o mesmo trajeto que fizemos, que começou em um ponto e terminou em outro. Fizemos desse modo porque tínhamos programado a logística via van. Portanto, seja iniciando em Duas Pontes; seja iniciando no Chapéu do Sol você chegará ao Complexo sem problemas, pois as trilhas são bem marcadas pelo  pisoteio. Porém, se não tem experiência em trekking contrate um guia ou vá com outros mais experientes.

► Vindo de Duas Pontes, primeiro chegará à Congonhas de Cima. Já vindo do Chapéu de Sol você chegará na altura da Congonhas do Meio.
► Em períodos de chuva forte não é recomendável fazer essa aventura, pois os córregos na Serra enchem rapidamente e as chances de isolamento são grandes.
► Comunique ao Parque Nacional da Serra do Cipó a sua visita à Cachoeira. Informe-se no telefone 31 3718-7151. 

► No restaurante Chapéu do Sol é possível almoçar. No Distrito da Serra do Cipó além de pousadas diversas, há camping, bares, restaurantes, padaria e supermercado.

► Confira algumas Dicas Básicas para a prática de atividades outdoor

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto



Bons ventos a todos!!!
Última atualização: Mar 2016

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