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Curimataí-Inhaí no Parna Sempre Vivas: a Trilha da Onça

Serra do Galho, principal formação ao sul do Parna Sempre Vivas
Um lugar de rara beleza no Espinhaço; ambientalmente significativo e curiosamente ainda pouco conhecido dos caminhantes: Este é o Parque Nacional das Sempre Vivas, localizado no centro-norte de Minas Gerais! Formações rochosas expressivas; campos rupestres a perder de vista; recortes de cerrado! Muitas e importantes nascentes; cachoeiras; algumas espetaculares! Grandes áreas bem preservadas e que abrigam intensa vida silvestre! Foi pra essa região do sertão mineiro que nos mandamos na Páscoa de 2017 para realizar a Travessia Curimataí-Inhaí, uma rota que definitivamente marcou nossas vidas...

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Caso não sinta seguro o suficiente para realizá-la,
é altamente recomendável um experiente companheiro de viagem ou contratar um Condutor.
Recomendável que leia este relato para melhor compreender esta rota.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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Havia um tempo que não botava os pés nas terras do Parna Sempre Vivas. Muitos são os seus caminhos, cravados pelo suor do bravo homem do sertão das Minas Gerais; que girava por aquela vasta região criando gado e garimpando diamantes. Dessa vez não vamos percorrer o sentido Norte-Sul, atualmente mais bravio; mas sim revisitar aquela que é a principal rota do Parque Nacional das Sempre Vivas: a Travessia Curimataí a Inhaí.


Casinha em Curimataí
1 Depois de um atraso considerável e em um misto de mineiros e cariocas, zarpamos de BH depois das 2h00 da madrugada da sexta feira da Paixão. Viagem tranquila sentido Buenópolis, aonde chegamos lá pelas 06h15 da manhã. Com o dia claro, e a rodovia BR 135 cortando a cidade, adentramos umas duas ruas à esquerda e fomos tomar café na padaria BuenoPão; que acabara de abrir. Enrolamos por lá e já beiravam 7h00 quando reembarcamos. Tomamos a BR 135 sentido norte e logo após a cidade entramos à direita numa estrada de terra; rumo ao Distrito de Curimataí; aonde chegamos pouco depois das 8h00.

Cachoeira de Curumataí
Como estávamos atrasados frente aos planos originais, cortamos sem parada o centrinho do Distrito, indo diretamente para a Praça da Cachoeira. Uma parada para visitar a bonita Cachoeira de Curimataí, um atrativo importante grudado ao Distrito. O tempo estava aberto e o sol já brilhava forte!

Ruínas do moinho d'água
Um dedo de prosa com nativos e cruzamos o portãozinho defronte a praça; seguindo pela trilha que em pouco mais de 10 minutos nos levou até à bonita cachoeira. Como curiosidade, às margens da trilha para a cachoeira há um moinho d'água desativado! Apesar de convidativa para um banho, nossa parada por ali foi rápida, suficiente para algumas fotos e para nosso amigo carioca ligar seu drone... A porção superior bastante interessante ficaria pra outra ocasião...

Portão de acesso à Cachoeira de Curimataí
A hora passou rápido e já beirava 9h00 quando retomamos a mesma curta trilha da ida e chegamos novamente na Praça da Cachoeira; aonde estava nosso traslado. Outro dedo de prosa com os nativos e, visando nos agilizar, reembarcamos novamente e seguimos de carro pela estradinha que leva ao Curral de Pedras. Seguimos até um ponto aleatório, pouco antes da altura da Cachoeira do Simão. Por ali, na estrada mesmo, desembarcamos em definitivo! Ajeitamos as tralhas e às 9h30 botamos o pé na trilha, melhor, na estradinha encascalhada. Estávamos atrasados cerca de 2h00 frente aos nossos planos originais... À essa altura o sol já torrava nossos cocos...

Seguimos pela velha estradinha em nível. Logo à frente, às 9h45 chegamos até uma bifurcação, logo após uma casa à nossa direita. Tomamos à esquerda, em aclive; pois reto a estradinha morre numas residências. Entre vegetação típica de cerrado, fomos subindo lentamente. Uns 5 minutos de subida e chegamos a um bom ponto de água. Parada curta apenas para nos refrescar do calorão. Dali pra cima fomos subindo em grupos, pois a estradinha sinuosa e bem marcada não oferecia riscos de extravios. Alguns imprimiram um ritmo acelerado; mas fiquei no intermediário!

Passava das 10h25 e o calorão nos colocava à prova naquela estradinha seca, em aclive e rodeada por alguns postes de energia. Imagino que os cariocas não sentiam o mesmo, pois estavam lá na frente... O sol estava tão quente que uma de nossas amigas não se sentiu bem. Avisado, retornei alguns metros para verificar  a situação. Depois de um tempinho de descanso ela se recuperou e continuamos a subida às 10h40. Enfrentar uma estradinha cascalhenta e com aquele solão logo no início de uma travessia realmente não é fácil! Adiante, a subida amenizou, sinal que aproximávamos do Curral da Contagem. Passava das 10h50 quando então chegamos ao acesso do Curral de Pedras.

O Curral de Pedras e o capinzal
Nosso grupo estava aglutinado próximo à porteira de acesso, disputando uma rara sombra. Enquanto alguns por ali permaneceram, eu, Victor e Sol seguimos até o curral, um marco histórico naquela região. O Curral de Pedras é um cercado como o próprio nome indica. Fica no alto do morro, numa região relativamente plana, a uns 60 metros à esquerda de quem sobe pela estradinha. Construído no século XVIII, possui largas paredes em rocha, com duas entradas e escadas para subida ao topo da murada. Segundo historiadores, era destinado à contagem e fiscalização de gado que vinha do norte e seguia para Diamantina! Algumas fotos e admiração pela construção! Sem delongas, às 11h10 já estávamos de volta à porteira de acesso.

Trecho da trilha atalho e vegetação nos arredores
Cargueiras nas costas, uns 60 metros adiante entramos por uma trilha-atalho que segue reto morro acima, em detrimento da estradinha que segue em curva pela direita. A trilha que separa uma capoeira de um campo à esquerda logo se nivelou e passamos por algumas sombras aliviantes. Por volta de 11h25 chegamos até outra fonte de água à esquerda da trilha, entre árvores. Na verdade é a mesma água que havíamos cruzado lá embaixo, no início da subida da estradinha. Aproveitamos para fazer uma parada, descansar, comer algo, abastecer e nos refrescar; aproveitando o curto trecho sombreado.

Estradinha pelo cerrado
Às 11h40 retomamos a caminhada, seguindo pela trilha-atalho em aclive, entremeando capoeira e campo limpo. Ignoramos uma saída à direita que leva para terras da Fazenda Buriti e Santa Rita. Passamos por uma cerca velha e logo à frente reencontramos a estradinha às 12h10.

A rota se estabilizou de vez; e já havíamos vencido o principal trecho de subida daquele dia! Seguimos pela estradinha que não passa de dois sulcos entre o cerrado; tendo mais distante à nossa esquerda um alongado morrote típico do Espinhaço; è à nossa direita um terreno baixio.

Seguindo pela Vargem Grande
Saindo em campo aberto, tomamos uma trilha que segue reta-direita; um atalho à estradinha que no lugar faz uma curva pela esquerda, fugindo do terreno mais úmido. Uns 5 minutos mais e cruzamos uma tronqueira, tendo à nossa direita e a uns 100 metros um velho rancho; o qual vemos parcialmente. Seguimos beirando uma cerca de arame. Estamos adentrando na região da Vargem Grande. Trechos úmidos pelo campo se fazem presentes; assim como o belo e alongado morrote à nossa esquerda. Trecho muito bonito, colorido e rodeado de paepalantus; que nos tirou um tempinho a fotografar!

Rancho na Vargem Grande
Por volta de 12h40 reencontramos novamente a estradinha, percorrendo matações e cerrado em declive. Às 12h50 chegamos até um Rancho com morador e gado! Estávamos num bom ritmo e uma sombra nos convidou para um descanso do calorão à entrada do rancho. Estatelamos no chão; fomos beliscar algo e bater uma prosa com o morador; enquanto alimentávamos alguns cachorros que nos fazia festa! Aproveitei pra curtir a paisagem daquele vale amplo e isolado, bem longe de tudo... Lugar muito bonito, a Vargem Grande!

Vargem Grande com o Galho ao fundo
Descansados, por volta de 13h15 despedimos do morador e botamos o pé na trilha. Sim, trilha pois a estradinha no trecho é apenas um modo de dizer... Seguimos pelo vale e cruzamos alguns pontos úmidos e até um brejinho! Alguns pequenos lagos e à nossa direita um amplo campo; repleto de flores, emoldurado ao fundo pelos morrotes de afloramentos. Bem ao sul e bem distantes, cumeadas da Serra do Galho. Um lugar que merecia horas de permanência...

Mantendo o sentido oeste, logo somos espremidos por matações, ralas capoeiras e afloramentos rochosos. Fizemos uma paradinha estratégica e mais adiante, às 13h55 chegamos num bom ponto de água. Lugar sombreado; onde paramos por uns 10 minutos para reabastecimento e refresco!

Trechos com calçamento
Sem grande variação, seguimos pela estradinha e às 14h20 chegamos a um primeiro trecho de antigo calçamento. Logo à frente passamos por outro bom ponto de água, com uma madeira para facilitar a passagem. Em grupos, logo fomos alcançados por uma amiga toda molhada; pois ao passar pelo rego d'água levou um tombinho...

Prosseguimos a caminhada em suave aclive; alternando trechos de terra batida com outros em calçamento. Alternam também trechos abertos e outros sombreados. Por volta de 14h40 chegamos a um riachinho e fizemos outra uma parada para descanso. Estávamos um pouco desgastados; seja pela viagem noturna, pelo caminhar e principalmente devido ao calorão!

Uns 15 minutos depois retomamos a caminhada em aclive suave e logo à frente cruzamos uma porteira! Adiante saímos em um estreito campo para depois imergir em outra capoeirinha, com restos de antigo calçamento. Trecho sombreado e logo a seguir saímos novamente em área aberta! Solo de região seca e arenoso, a estradinha torna-se bem marcada e ampla. Região muito bonita, com aberturas para o sul, onde observamos a belíssima Serra do Galho!

Subindo logo após a saída para o Ranchão
Por volta de 15h20 chegamos até a região onde parte a trilha para o Ranchão; um ponto estratégico do Parque localizado mais ao sul. Ignoramos essa discreta saída e em aclive demos uma guinada para o norte. À essa hora estávamos bem cansados e o rendimento da caminhada era lento! Tínhamos o propósito de pernoitar na região do Rio Jequitaí, um lugar lindo, à noroeste do alojamento! Mas à essa altura já imaginava que isto não seria possível...

Uma das belas vistas desde a região do Lamarão
Em grupos, com cada um imprimindo o seu ritmo, vencemos o aclive e chegamos às 15h40 num lindo campo, na região do Lamarão. Jogamos as mochilas ao chão e fomos descansar nas rochas à direita da trilha. Sim, aquele era um lugar que merecia uma parada para admirar a vista para as terras do sul; tendo a Serra do Galho emoldurando o horizonte. Ficamos por ali jogando conversa fora e curtindo o visual! Acertamos e concluímos que não daria mesmo para chegar com tempo e luz na região do Rio Jequitaí. Pernoitaríamos ali mesmo, no Rancho do Lamarão, a poucos quilômetros de onde estávamos!

Seguindo pelo Lamarão
Em torno de 16h00 retomamos a caminhada praticamente em nível pela estradinha batida. Fui caminhando e de olho nas saídas que levam ao rancho. A primeira deixei passar; mas a segunda não! Às 16h25 deixamos a estradinha e entramos à esquerda na discreta trilha que leva ao rancho desejado. Em tese poderíamos ter entrado a esquerda em qualquer ponto porque é uma área aberta; mas como sabemos é sempre mais fácil caminhar por trilhas...

O Rancho do Lamarão
A trilha em suave declive no sentido noroeste vai nos levando em direção a um vale, onde se localiza o Rancho do Lamarão. Logo observamos ainda um pouco distante o enorme eucalipto que marca o lugar. Sem erro, às 16h40 botamos os pés no Rancho! Bastaram poucos minutos para ter certeza que a decisão de acampar por ali havia sido a mais acertada. Capim macio nos arredores, água farta no cano do lavabo improvisado e até um quartinho externo com chuveiro! Não precisávamos de mais nada...

Rancho
Rancho do Lamarão ainda é utilizado por alguns ex moradores da região; que ainda mantém algum gado por ali. É uma casinha fechada e relativamente bem cuidada; com água encanada e até uma caixa d'água elevada, que abastece o chuveiro rudimentar; além de um curral de arame! É um lugar isolado e por isso mesmo, lindo!

Acamps no dia seguinte: Amanheceu nublado
Logo tratamos de armar as barracas sob os últimos raios do sol. Alguns escolheram ficar embaixo de uma mangueira, fugindo do orvalho da madrugada. Outros se espalharam defronte ao rancho. Logo a noite caiu e cuidamos dos afazeres normais de um acampamento; sempre regado à muita prosa; com assuntos engraçados e animados... Fez uma noite agradável e com céu estrelado!


Rancho do Lamarão ficando para trás...
2 O dia de sábado amanheceu parcialmente nublado! Acordamos cedo e logo tratamos de desmontar acampamento e botar o pé na trilha. Ainda dei uma voltinha pelos arredores do Rancho do Lamarão; quando observei muitos sinais da presença de gado. Beirava às 8h00 quando deixamos o lugar, não sem antes uma seção de fotos! Fizemos o mesmo caminho da ida até interceptar a estradinha principal às 08h15. 

A Serra do Galho encoberta quando deixamos o rancho..
Na estradinha em declive suave e no sentido leste, rodeamos um conjunto de afloramentos e matações pela direita; tomando rumo nordeste. Rodeados por campos floridos, passamos por uma área úmida e por uma cerca velha. Mais à frente, em suave aclive cruzamos uma porteira. Seguimos em nível pela estradinha ampla que rasga o vasto campo. Pouco antes das 9h00 passamos pela saída à esquerda que leva ao Rio Jequitaí, distante uns 3 km ao norte; onde estava planejado o nosso acampamento. Analisando o tempo percorrido, realmente não chegaríamos por ali com luz do dia na tarde anterior...

... e logo depois já dando sinais de mais um dia quente!
Ao chegarmos nesse ponto, optamos por passar pelo alojamento do Parque em detrimento do desvio pelo Rio Jequitaí e Morro Redondo. Uns 10 minutos adiante deixamos a estradinha em favor de uma trilha-atalho. Beiramos uns afloramentos, com visual muito bonito da região do Rio Jequitaí e Morro Redondo. O atalho apresentava trilha bem gasta, que por vezes se perde no capim e matações para reaparecer adiante. Com faro, seguimos a direção correta; cruzando uma capoeirinha rala. Às 09h30 interceptamos a estradinha, que larga e em nível não apresenta dificuldades; exceto a presença da areia fofa. A essa altura o sol já brilhava forte e o visual do campo nos arredores do alojamento era espetacular!

Caminhamos uns 100 metros pela estradinha e chegamos até uma bifurcação à esquerda, que leva direto ao alojamento do Parque Nacional. Tomamos então à esquerda e sem dificuldade progredimos rapidamente. Como um dos amigos havia ficado um pouco atrás, enquanto todos seguiam para o alojamento eu retornei até à bifurcação para aguardá-lo. Chegado, tocamos juntos rumo ao alojamento, aonde botamos os pés minutos antes das 10h00. Aproveitamos para um lanche e descanso, fazendo uma longa parada!

Alojamento do Parque Nacional das Sempre Vivas
alojamento do Parque Nacional das Sempre Vivas é uma construção simples e rústica. Possui cozinha, alojamento, banho e outros cômodos. Parte do piso em xadrez havia sido reparado naqueles dias! Naquela manhã ensolarada o lugar estava deserto e aberto. Creio que o sentinela deveria estar em algum ponto nos arredores, porque haviam sinais de uso recente do lugar. Nos arredores, alguns equipamentos básicos para uso de brigadistas e funcionários; parte infelizmente precária, como não é novidade nos Parques Nacionais do Brasil. Os arredores ao sul um amplo campo; e para o norte a região baixia do Lameiro.

Lameiro. Alojamento ao fundo
Permanecemos no lugar até às 10h40, quando retomamos a caminhada. Nosso objetivo era percorrer a trilha do Lameiro, que segue no sentido nordeste! Na saída, ao invés de tomar a esquerda do alojamento, saí pela direita, o que nos fez atolar nuns brejinhos. Mas logo abaixo interceptamos a trilha batida e seguimos vale adentro. Cruzamos uma vala e tocamos trilha adiante. Às 11h10 chegamos até um bom ponto de água, as primeiras do Rio Jequitaí; de onde observamos o alojamento já relativamente distante e ao sul. 

Cruzamos o riachinho e seguimos pela trilha batida que permeia uma capoeira e faz a subida e descida de um suave morrinho. Em dado ponto em declive, às 11h20, deixamos a trilha que segue sentido nordeste para a estradinha de Inhaí ou acessar o Morro Redondo pelo leste. Demos uma guinada para o sudeste e passamos a caminhar pelos campos rupestres sem trilha definida. Inicialmente em nível, vamos contornando afloramentos. Em aclive, percorremos um curto trecho para o sul, encontrando curtos restos de trilha de vaca e carreiros de água. Visando interceptar a estradinha de Inhaí, ainda sem trilha definida e pelos campos rupestres e matações vamos caminhando para o oeste; até que ao meio dia chegamos à larga estradinha!

Já no início da trilha que desce pelo Vale do Ribeirão Inhaí
Caminhamos pela estradinha uns 200 metros no sentido sul e passamos a procurar a saída à nossa esquerda que leva a Inhaí passando pela Cachoeira do Filipe, aonde seria o nosso pernoite. Achamos alguns rastros e logo o nosso amigo Victor identificou o carreiro mais forte. Sem delongas passamos a percorrê-lo; margeando um afloramento pela sua direita. Logo a vista pelo oeste se amplia e a trilha discreta começa a entrar em declive.

Cerca velha e os amigos adiante descansando os cambitos
Apagada em alguns pontos, seguimos sempre em declive! Às 12h30 chegamos e cruzamos uma água temporária e o terreno se estabiliza um pouco mais. Percorremos uma área de campos e a seguir passamos espremidos na trilha entre dois morrotes de afloramentos rochosos. Continuamos a percorrer uma área baixa e relativamente plana.

Por volta de 12h50 passamos por uma cerca velha e a paisagem nos arredores permanece inalterada; exceto pela direção; que passamos a tomar o sentido nordeste. Poucos metros adiante fizemos uma parada, aproveitando para fotografar paepalantus, que à esquerda da trilha estavam lindos! Retomamos a caminhada às 13h00 e pouco à frente cruzamos um ponto de água fraca! Na sequência o declive vai se acentuando e continuamos a margear afloramentos.

Jhonatam e o Vale do Inhaí à frente
Ladeira de Paepalantus
Retornando para o leste, seguimos por declive mais acentuado e nosso visual se amplia. Resolvemos fazer uma parada para contemplar a bela ladeira de paepalantus; à direita da trilha; que mereceu um sobrevoo do drone carioca. É um ponto realmente muito bonito, com amplo visual para o leste. Uns 15 minutos depois retomamos a pernada, continuando a descida.

Em grupos, fiquei na rabeira. Os adiantados tiveram sorte: puderam apreciar um tamanduá mirim que caminhava pela trilha! Agora em suave declive, às 14h00 chegamos ao Ribeirão Inhaí, que àquel altura não passa de um bom rego d'água espremido pelas pequenas rochas. Fizemos uma paradinha apenas para nos reabastecer!

Aproximando da Cachoeira do Felipe
De volta à trilha, passamos a caminhar pelo campo sujo à margem esquerda do Ribeirão Inhaí, entre morrotes de afloramentos. Estávamos nos aproximando da Cachoeira do Felipe. Por volta de 14h30 cruzamos outro ponto de água, um afluente do Inhaí e demos uma guinada sudeste, ignorando a trilha discreta que segue reto em aclive pela encosta no sentido nordeste.

Aproximando da Cachoeira do Felipe. Logo à frente demos de cara com a onça
Seguimos por baixo, nos aproximando ainda mais do Ribeirão Inhaí através da trilha que rasga o campo sujo e que se transforma em dois sulcos, sob rastros de veículo 4x4 do Parque. Adentramos então em meio a mais afloramentos rochosos permeados por matações. Foi quando aconteceu o fato mais inesperado, lindo e marcante em todos os meus anos de caminhada; um sonho de todo caminhante...

Estávamos chegando à Cachoeira do Felipe, aonde seria nosso pernoite. Chegar ali mais cedo era programado, pois desejávamos curtir o lugar um pouco mais. Caminhávamos pela trilha estreita em fila indiana e em dois grupos; com alguns amigos cerca de 50 metros adiante. Pela nossa esquerda o aclive suave da encosta; pela direita campo sujo!

Já bem próximo à cachoeira os amigos que estavam mais à frente desapareceram na trilha em meio aos afloramentos. Foi quando um amigo que puxava nossa fila de retardatários deu um forte grito num tom um pouco agoniante: "Meu Deus"!!! Eu que estava ao final da fila me atinei logo pensei que poderia ter sido acidente com alguma cobra... Mas antes de checar ele gritou novamente: "Uma onçaaaa"!!!

Foi quando olhando adiante vi uma onça parda muito graúda correndo em direção contrária à nossa fila! Foi apenas o tempo de nós todos darmos um passo à esquerda e abrir caminho para a onça; que em desabalada carreira passou a pouco mais de 1 metro ao nosso lado... Seu trotar emitia um som como se fosse um cavalo a correr! Correu ano nosso lado, agitada, rosnando e urinando; com aquele belo focinho cor de cenoura... Continuou a correr pela trilha que havíamos percorrido instantes atrás; quando observei ser um macho; seguramente acima dos 50 quilos... Uns 70 metros adiante, o "gatinho" reduziu a carreira e ainda deu uma olhadinha para trás... E depois desapareceu pelo campo sujo, mais calmo! Ainda bem, pois ele se assustou com nossa presença!

Por alguns instantes ficamos incrédulos com a cena! Foi tudo inesperado e tão rápido que ninguém conseguiu registrar o fato: ou admirava a onça a correr ou mexia em equipamentos! Após a passagem da onça um sentimento difícil de explicar tomou conta de todos nós! Uns gritavam de alegria; outros riam; outros estavam assustados... Nunca ninguém de nós havíamos estado tão próximos de uma onça livre, em seu habitat! É muito diferente por exemplo, de ver uma onça no Pantanal ou na Amazônia, pois por lá exceção é não vê-las; mas aqui, em pleno Espinhaço isto não é comum... Amigos, é um animal admirável; de uma beleza tão grande que emociona... Discretamente uma gota de lágrima saiu dos meus olhos!!!

Acamps no Felipe
Caminhamos mais alguns passos e chegamos na área do pernoite às 14h45, embasbacados com o que acabávamos de presenciar! Contamos aos amigos que estavam adiante e num primeiro instante eles nem acreditaram... Foi uma pena que aqueles amigos que estavam mais à frente não presenciaram o ocorrido...

Entusiasmados, armamos acampamento ainda contaminados por imensa alegria e felicidade! O ponto escolhido não é dos melhores e o Parque até sugestiona uma área acima, cerca de 100 metros de onde estávamos. Mas achamos por bem ficar por ali mesmo, mais próximos à fonte de água. Armadas as barracas e mais calmos, fomos curtir a Cachoeira do Felipe!

Vista parcial do Complexo do Felipe
Cachoeira do Felipe é um conjunto de quedas e corredeiras no Ribeirão Inhaí. Espremida entre rochas e afloramentos, todo o sistema rola por uma grota por uns 100 metros. Possui vários poços, sendo o principal logo em seu início, abaixo de uma corredeira maior. Abaixo, há outras pequenas quedas, até formar um poção no fundo da grota, local de acesso mais difícil e rodeado por densa matinha. Acima da quedinha principal; o Inhaí é espremido pelas rochas; precedido de um remanso! Pelos arredores, muitos afloramentos; em especial na margem direita, com um morrote repleto de gretas! É um lugar bastante isolado e preservado. Talvez por isso uma onça circulando por ali...

Queda-corredeira principal do Felipe
Explorei um pouco a região da Felipe para matar saudades; indo até quase o poção final. Os amigos preferiram permanecer no poço principal, curtindo o sol que ainda inundava o lugar.

Ao cair da tarde, juntamente com os amigos retornamos ao acampamento para as práticas costumeiras. Não fez frio e ao escurecer a lua deu as caras! Ficamos até bem tarde nas rodas de conversas. Como não poderia ser diferente, entre discussões e ideias, a onça quase sempre se fez presente! Teve gente que ficou receosa em um retorno da onça para averiguações... Bem que isto poderia ter ocorrido, mas a onça seguiu o seu rumo e destino de liberdade...


Trecho de trilha antiga, já após a variante. Manhã nublada
3 Nosso último dia no Sempre Vivas amanheceu como os demais: parcialmente nublado! Sob a euforia do encontro com a onça no dia anterior, desmontamos o acampamento e às 8h00 iniciamos nossa jornada. Tocamos sentido norte entre afloramentos rochosos seguindo restos de antigas trilhas. Varando matações, interceptamos uma trilha batida vindo do oeste, uma variante para quem não deseja passar pela Cachoeira do Felipe. Em declive tomamos à direita e no sentido nordeste, seguindo pela trilha rodeada por campo sujo e manchas de mato.

Região da Jacuba
Seguindo sinais de caminhantes e restos de antigas trilhas que estão se perdendo em meio ao capim, às 08h35 interceptamos a variante que vem lá da água do afluente do Inhaí. Trilha mais marcada, em declive seguimos entre cerrado, matações e campos sujos.

A trilha; ou o que restou dela em vários pontos pelas margens do Inhaí...
Margeamos pela esquerda um ponto com alguns coqueiros, que parece ter sido local de moradia em tempos passados. Estávamos na região da Jacuba. Por volta de 9h00 cruzamos um ponto de água e logo à frente, novamente; quando tivemos que mudar a passagem, pois no ponto mais abaixo teríamos que tirar as botas ou molhar os pés! 

Água em meio à mata
Seguimos pelos campos sujos e logo adentramos em uma matinha, com a trilha por vezes invadida por árvores caídas, galhos diversos e cipós. Por volta de 9h20 chegamos em um outro ponto de água, com rochas nos arredores. Fizemos uma paradinha! Prosseguimos pela trilha entre a mata, também muito suja e com várias árvores caídas; algumas interceptando a trilha. Em nível, às 9h35 aproximamos bastante do Ribeirão Inhaí, de onde foi possível ver alguns remansos. 

Logo à frente saímos da mata e passamos por um trecho de campo sujo, uma fonte de água mirrada e mergulhamos novamente na mata. Cruzamos outro merejo e poucos metros adiante fizemos uma parada para descanso e lanche. Retomamos a caminhada pouco depois das 10h00. Passamos por uma cerca velha e percorremos outro trecho bem próximo ao Ribeirão Inhaí, onde há alguns remansos e rochas, lugar bom para um refresco e explorações.

Chegando na  Fazenda Gavião
Adentramos numa curta capoeira e em aclive vamos nos afastando do Ribeirão Inhaí. Passamos pela discreta e quase invisível saída à direita que leva à Quedinha do Gavião e tocamos pra cima. Não fomos até a Gavião; porque certamente teríamos que varar mato e isto nos tomaria um bom tempo.

Percorremos um trecho aberto em aclive, com trilha em bom estado. Após um curto declive, cruzamos um ponto de água em uma curva sombreada; adentrando novamente numa matinha. A trilha foi se tornando mais marcada e ampla, com sinais de uso recente e rotineiro. Por volta das 10h35 deparamos com um cano de abastecimento d'água à esquerda da trilha. Metros adiante chegamos a uma bifurcação com uma velha estradinha. Em declive acentuado tomamos à direita e pontualmente às 10h40 chegamos na Fazenda Gavião!

Ribeirão Inhaí. A trilha do Brogodó sai à direita, após o riacho
O sítio na encosta estava sem ninguém, porém com muitas galinhas num fechado e um cão agitado. Cruzamos uma cerca numa rocha acima do sítio e dali em diante a caminhada seria pela estradinha batida. Logo interceptamos a outra estradinha que vem de Curimataí mais ao norte. Seguimos e adiante passamos à esquerda de um casebre à beira da estrada; para logo à frente tomarmos um atalho no cotovelo da estradinha.

Em forte declive, às 11h00 cruzamos por baixo uma tronqueira trancada; para pouco adiante cruzar outra tronqueira, às 11h10. Ignoramos uma saída à oeste que vai até uma antiga serraria às margens do Ribeirão Inhaí e prosseguimos para mais uma vez cruzar outra tronqueira às 11h20. Mais 5 minutos de caminhada e chegamos novamente ao Ribeirão Inhaí; raso porém mais volumoso.

Pinguelas no Ribeirão Inhaí
Cruzamos o riacho por uma pinguela acima da passagem de carro e chegamos à boca da trilha que leva à Cachoeira do Brogodó. Por ali alguns preferiram permanecer à beira do riacho; enquanto outros começaram a seguir para o Brogodó. Deixando a cargueira, de modo leve segui pela trilha da Cachoeira às 11h40. Caminho batido que vai margeando primeiro o Inhaí; e depois o Brogodó pela direita. Trilha sombreada e curta em meio à matinha ciliar, relativamente em nível; de modo que às 11h50 já estávamos na Cachoeira do Brogodó.

Primeira vista da Brogodó
A Cachoeira do Brogodó é um complexo de quedas e corredeiras, com vários poços para banho nos vários níveis do complexo. Não há poço de grande dimensão e livre, mas pelo menos o poço principal é mais profundo e suficiente para se divertir. Todo o complexo pode ser atingido subindo rochas sem dificuldades.

Topamos com uma barraca de caçador na margem esquerda das corredeiras; mais ou menos na metade do complexo. Permanecemos na Brogodó um bom tempo, nos refrescando do calor! O tempo estava abafado e parcialmente nublado, com aberturas. Por volta das 13h00 começamos a retornar até à estradinha junto ao Ribeirão Inhaí.

Vista contrária da Brogodó
Às 13h20 botamos as cargueiras nas costas e partimos rumo ao nosso resgate. Dali até Inhaí é uma estrada, que vai se ampliando à medida que se avança em direção ao Distrito. Havíamos combinado nosso resgate na estradinha mesmo; e sem saber ao certo o estado daquela estradinha, pedi que o resgate seguisse até onde isto fosse possível.

Na pernada, inicialmente seguimos margeando o Inhaí pela direita, tendo um paredão bonito logo acima da estrada. Cruzamos uma porteira e começamos a subir. Passamos por outra porteira com uns pés de manga por perto. O sol agora brilhava com força, forçando-nos a uma parada! 

ÀS 13h50 passamos por um sítio na encosta à nossa direita e a seguir por um nivelamento da estradinha. Em grupos, fiquei na rabeira. Às 14h30 passamos por uma Fazenda e alguns sítios, quando aproveitamos pra filar goiabas à margem da estrada. Já bem cansado torcia para logo topar com o nosso resgate. Apesar do visual bonito, caminhar em estradinha que roda carro é um pouco monótono! Depois de mais um tempo de pernada avistamos o nosso resgate; às 15h00, justamente na hora marcada! Aí foi sacudir a poeira, trocar de roupa e comemorar a proveitosa pernada!

Encaminhando para a partida, chegaram até nós dois caminhantes: eram os donos da agência TBR de Tiradentes. Estavam no trecho realizando reconhecimento. Em conversas e pelo que entendi, eles não passaram pelo segundo trecho que realizamos. Demos uma caroninha pro casal  e embarcamos rumo à Inhaí; aonde chegamos às 15h40.

Inhaí em festa. Tinha pau de sebo sim... Foto: Zé Mendes
Inhaí estava em festa naqueles dias. Demos uma volta pela Praça da Matriz, tomamos uma cervejinha pra comemorar e ficamos de papo por ali. As ruas estavam cheias de gente; e na Pracinha rolava até pau de sebo com prêmio em dinheiro no topo; como naqueles tempos de antigamente! É tradição no lugar! Os pais da Bia chegaram para resgatá-la, levando farofa de carne e pé de moleque pra turma! Uma festa!!! Permanecemos em Inhaí até por volta de 17h00, quando embarcamos rumo à BH. 

Igreja Matriz de Inhaí
A estradinha de terra esburacada que liga Inhaí à Mendanha fez com que chegássemos à Mendanha-BR 367 por volta de 18h45. De lá, partimos non stop até Diamantina, quando fizemos uma parada para jantar. Após encher as panças, reembarcamos e seguimos até Curvelo, quando tivemos um problema mecânico. Na estrada, os amigos cariocas conseguiram uma carona em uma van que seguia vazia para BH. Nós mineiros aguardamos nosso resgate! Até que não demorou muito e embarcados, chegamos em BH lá pelas 2h00 da madrugada... Já os amigos do RJ somente chegaram ao destino no meio do dia da segunda feira, culpa de um bloqueio no pedágio da BR 040; segundo disseram...

As estrelas da vez... Tem anos de bagagem por aí...
Foi uma pernada marcante. Essa é a palavra que melhor define essa nossa Travessia pelo Parque Nacional das Sempre Vivas. Não porque o parque possua algum atrativo natural espetacular, único e fora de série! Também não é pela estrutura oferecida ao visitante; pois isto não há por lá!

O bonito e representativo do Parque Nacional das Sempre Vivas é o seu conjunto de paisagens e a presença intensa de vida selvagem! E isto nos basta! O encontro com a onça, em plena luz do dia ilustra perfeitamente o que é o Parna Sempre Vivas. Certamente esse episódio jamais será apagado das nossas mentes! Já curtia o lugar e depois desse encontro magnífico, o amor só aumentou!!!

Aos amigos parceiros dessa caminhada de sucesso; bem como aos funcionários do ICMBIO Bruno e Rosângela dedico esse relato; agradecendo pela ajuda, companhia e confiança! Inté!

Serviço

O Parque Nacional das Sempre Vivas foi criado em dezembro de 2002 e compreende terras nos municípios de Olhos d’Água, Bocaiúva, Buenópolis e Diamantina, na região centro-norte do Estado de Minas Gerais. Seu nome deriva da presença abundante das sempre vivas pelos campos da Unidade. Está dentro da cadeia do Espinhaço Mineiro, apresentando relevo movimentado; o assim chamado mar de morros. A vegetação constitui-se de cerrado, campos de altitude e predominantemente campos rupestres. Hidrograficamente separa as bacias do Jequitinhonha e São Francisco; sendo importante manancial de nascentes que abastecem esses dois grandes rios. É habitat de muitas espécies animais e vegetais; sendo algumas endêmicas.

Nesses 15 anos desde a criação ainda não foi implantada uma sede própria, centro de visitantes ou portais de acesso-controle dentro da Unidade de Conservação. O escritório do Parque Nacional das Sempre Vivas funciona na cidade de Diamantina. Também é via Diamantina-São João da Chapada-Macacos o acesso por estrada de terra até o alojamento; antiga construção de fazenda; localizado na porção sul do Parque e ao centro da rota Curimataí-Inhaí. É basicamente destinado a dar suporte a brigadistas.

Como uma área bastante extensa e que antigamente era utilizada para criação de gado, assim como garimpagem em alguns pontos, é natural que existam trilhas e caminhos por vários pontos do Parque Nacional das Sempre Vivas. A principal rota da Unidade é entre Curimataí (distrito de Buenópolis) e Inhaí (distrito de Diamantina). Essa rota pode ser dividida em duas partes: de Curimataí até o Alojamento da UC; e do Alojamento a Inhaí.

A primeira parte de Curimataí até o Alojamento consiste em uma antiga estradinha ora bastante deteriorada. Ao subir a face oeste do Espinhaço, chega-se ao Curral de Pedras, uma construção histórica que foi destinada a contar e fiscalizar gado no séc. XVIII. Após o Curral de Pedras a rota se estabiliza, passando pela região da Vargem Grande e Lamarão; com fragmentos de antigo calçamento. Aproxima do Rio Jequitaí e deságua no atual alojamento.

A partir do Alojamento há duas variantes para a rota Curimataí a Inhaí. Há uma estradinha mais ao norte; que é a continuação da ligação desde Curimataí. Há pelo trajeto algumas pontes atualmente em péssimo estado; além de trechos em que o mato praticamente tomou conta da rota. 

Mais ao Sul há uma desgastada trilha, que segue margeando o curso do Ribeirão Inhaí. Essa variante é mais interessante que aquela mais ao norte. Parte do Alojamento, cruza o Lameiro e as primeiras águas do Rio Jequitaí. A partir desse ponto galga um morrote e inicia longo declive pelo Vale do Inhaí. Passa pela região da Jacuba e vai se encontrar com estradinha que vem do norte na região da Fazenda do Gavião. Na sequência, ambas seguem pela região do Brogodó e depois para Inhaí.

► Importante informar que essa rota pode ser realizada tanto de Curimataí para Inhaí; quanto de Inhaí para Curimataí.
► Há uma opção de variante no trecho inicial da Rota Curimataí a Inhaí. Pouco antes de chegar no alojamento da Unidade, a variante se desloca ao norte; atingindo o Rio Jequitaí. Na sequência, segue pelo Morro Redondo e retoma o sentido sul pela estradinha de Inhaí; interceptando a trilha que desce pelo Vale do Inhaí logo acima do Lameiro.

Há outras rotas pelo Parque, como aquelas que liga Curimataí a Santa Rita; e a Sede-Santa Rita, Via Ranchão. Para o norte a principal vertente é aquela que deságua nos Quartéis; ou então pras bandas do Inhacica. Quanto a atrativos específicos, destacam-se a Cachoeira de Santa Rita e o Rio Preto, ao Sul; a região do Inhacica, na borda leste próximo ao Jequitinhonha; e o Ribeirão Curimataí, na borda oeste. Também a destacar a Serra do Galho, formação rochosa muito bonita na porção sul da UC.

Distâncias aproximadas
Cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte a Curimataí: 300 km; sendo 38 km em estrada de terra
Buenópolis a Curimataí: 40 km, sendo 38 km em estrada de terra
Belo Horizonte a Inhaí: 345 km, sendo 30 km em estrada de terra
Inhaí a Mendanha-BR 367: 30 km em estrada de terra
Belo Horizonte a São João da Chapada: 315 km
Belo Horizonte a Diamantina: 300 km
Diamantina a São João da Chapada: 35 km, sendo 25 km em estrada de terra
Belo Horizonte a Olhos D'Água: 420 km
Belo Horizonte a Bocaiúva: 380 km

Como chegar e voltar - de ônibus
Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Viação Transnorte até Buenópolis → Táxi até Curimataí
Volta: Táxi até o Distrito de Mendanha → Viação Gontijo até BH

► Confira no site da Viação Transnorte e da Viação Gontijo os horários e frequências
►► Há ônibus de linha rural ligando Buenópolis a Curimataí; bem como de Inhaí para Mendanha e Diamantina. Porém os horários e frequências são escassos. Informe-se nas Prefeituras ou rodoviárias dessas cidades. Seguir até Diamantina pode-se encontrar mais opções de ônibus para BH. A empresa de ônibus que liga Diamantina a BH é a Pássaro Verde.

Como chegar e voltar - de carro
Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: BR 040 até o Trevão → BR 135 até logo após Buenópolis → Estrada de Terra da BR 135 até Curimataí
Volta: Estrada de Terra de Inhaí até o Distrito de Mendanha → BR 367 até Diamantina → BR 259 até Curvelo → BR 135 até o Trevão → BR 040 até BH

► Início e final se dão em pontos distintos e distantes. Fique atento.

Considerações Finais

► Unidade de Conservação - Parque Nacional: Não há sistema de reservas, cobrança de ingresso, pernoite ou uso de trilhas no Parque Nacional das Sempre Vivas; pois não há estrutura e a Unidade não é oficialmente aberta à visitação. Para visitar a Unidade é necessário contatar a Administração e solicitar autorização no Escritório em Diamantina (38-3531.3266). A Unidade exige o preenchimento de formulários, termo de responsabilidade e lista de caminhantes para eventualmente e segundo critérios próprios emitir autorização. É importante que a Unidade tenha ciência de quem está caminhando pelas terras do Parque, pois isto poderá ser orientado; além de gerar estatísticas, estudos e melhorias. Os funcionários são muito gentis, dedicados e solícitos. Então, façam o favor: não visite o Parque Nacional das Sempre Vivas sem obter autorização!

► Trilhas e Trajeto: Predomina o sentido Oeste-Leste. Sombreamento em aproximadamente 15% do trajeto. Há subidas (trecho inicial) e descidas (trecho final). Trecho longo até o alojamento por estradinha desgastada; e alguns trechos de atalhos em trilhas. Fácil orientação apesar de existir trilhas se cruzando em alguns pontos. Após o alojamento predominam trilhas, que não são sinalizadas e muito pouco utilizadas. Essas trilhas são antigas e encontram desgastadas; e por vezes até desaparecem. Nos trechos sob a mata há árvores e galhos caídos sobre a trilha. Há pontos em que várias trilhas se cruzam. Requer experiência e faro para percorrê-la! Aproximando e após a Fazenda Gavião a trilha dá lugar à estradinha ampla e batida, que segue até Inhaí.
►► Há uma opção de variante no trecho inicial; que antes de chegar no alojamento se desloca ao norte atingindo o Rio Jequitaí. Na sequência, segue pelo Morro Redondo e retorna no sentido sul pela estradinha; interceptando a trilha que desce pelo Vale do Inhaí acima do Lameiro.

► Logística de Acesso: Como em toda Travessia, a logística de acesso-regresso costuma ser a parte mais complicada para o caminhante; pois quase sempre se tratam de pequenas localidades em que transporte público é escasso ou simplesmente não existe. Dependendo do dia e horário, essa situação pode exigir a contratação de serviços de táxi ou então combinado com amigos; ou então restando a alternativa de se fazer longos trechos à pé por estradinhas vicinais. Portanto, avalie bem antes de realizar a travessia para não correr riscos de ter que ficar mais um dia no mato sem ter se programado! Já para quem ir-retornar de automóvel, as estradinhas de terra tanto no trecho Buenópolis-BR 135-Curimataí; quanto entre Inhaí-Mendanha-BR 367 encontram-se em bom estado.

► Camping: Não há estrutura de camping no Parque Nacional das Sempre Vivas. Para quem está realizando a Travessia no estilo normal de 3 dias; os pernoites são recomendados na região do Rio Jequitaí e na Cachoeira do Felipe. Não faça fogueiras e traga todo o seu lixo de volta!

► Água: Há pontos de água pela rota, não sendo necessário transportar grandes quantidades enquanto se caminha. Mas no tempo da seca algumas fontes desaparecem; então nesses períodos fique atento e abasteça sempre em carga máxima. Além é claro dos Distritos de Curimataí e Inhaí; aonde se deve abastecer; fontes perenes estão no (1) Subida do Curral de Pedras; (2) Região da Vargem Grande e subida da Calçada; (3) Rio Jequitaí, seja na variante norte; seja pela Trilha do Lameiro; (4) na descida do vale do Ribeirão Inhaí em pelo menos 3 pontos; além do trecho em que a trilha se aproxima do ribeirão; (5) Ribeirão Inhaí abaixo da junção do Brogodó.
Fique atento e use sempre purificador!

► Exposição ao Sol: Intensa. Use protetor solar.

► Época de realização: O melhor período para realização dessa travessia é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. Porém é quando as águas das cachoeiras estão mais geladas e em menor volume.

► Tempo e Sentido para realização: Em 3 dias seria o formato ideal; suficientes para se caminhar com calma e curtir os atrativos sem pressa. Mas é possível realização em 2 dias de caminhada intensa; ou ainda em apenas 1 dia no formato speed; para corredores.
Quanto ao sentido da Travessia, nossa opinião é que Curimataí-Inhaí é mais proveitosa.

► Segurança: É uma travessia que permite duas principais rotas de escape. Na parte inicial é possível retornar à Curimataí (ou Inhaí, se estiver realizando no sentido Inhaí-Curimataí). Na região do alojamento é possível sair por Macacos-São João da Chapada-Diamantina. Porém, tenha em mente que em qualquer uma dessas opções as rotas são longas, mesmo que em estrada de terra. Não há estrutura de busca e resgate na Unidade.
Não há sinal de telefonia celular pela rota; nem obviamente terminais telefônicos.

► Atenção: Ambientes naturais abrigam insetos e animais selvagens ou peçonhentos. Isto é natural e normal. Portanto ao manusear suas roupas e equipamentos verifique com atenção e rigor se não há presença desses animais ou insetos; evitando acidentes. Também fique atento quanto a presença de animais selvagens de grande porte; e evite assustá-los.

► Cash: leve dinheiro trocado e em espécie. Pequenas localidades não aceitam cartões ou cheques.

► Carta Topográfica: Curimataí, Diamantina


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons Ventos!

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