Cachoeira de Congonhas: um complexo belíssimo do ParnaCipó!

Queda principal da Cachoeira de Congonhas
O Parque Nacional da Serra do Cipó é grandioso sob todos os aspectos. Localizado a aproximadamente 100 km ao norte de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, conta com atrativos naturais espalhados por toda a sua área.

Inúmeras espécies vegetais e animais integram um ambiente extraordinariamente harmonioso e belo, cujos afloramentos rochosos fazem a mente do aventureiro viajar.

Rico em recursos hídricos, em sua parte alta e ocidental, nas proximidades da rodovia MG 10, está localizada a Cachoeira de Congonhas, uma joia do ParnaCipó.

Formada pelas águas do Ribeirão Congonhas, consiste em 3 principais quedas d'água, que despencam em direção ao vale da Bocaina, parte baixa do ParnaCipó. Foi nesse lugar espetacular que estivemos no último dia 12 de abril.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc (incluída em Mar 2016)

A rota contempla ida e volta à Cachoeira de Congonhas via Pousada Duas Pontes. Este é o trajeto mais fácil e acessível a esta cachoeira. Por uma opção de respeito ao ParnaCipó, a rota abaixo não contempla o trecho Congonhas-Restaurante Chapéu do Sol. 
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura. Melhor planejamento: Melhor aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto



Powered by Wikiloc



Relato


Vista para os lados da Rodovia MG 10 e Pousada Duas Pontes
O início da trilha é lá naquelas arvores...
Deixamos Belo Horizonte naquela nublada manhã por volta de 6h30. Éramos um grupo de 15 pessoas. Após rápido 'pit stop' para desejum em Lagoa Santa, seguimos 'non stop' para o início da trilha.

Este início fica na altura da Pousada Duas Pontes, no km 114 da rodovia MG 10 após o Distrito da Serra do Cipó.

Trata-se do mesmo ponto em que se pode acessar o Cânion do Travessão; além de início de algumas travessias locais, como Duas Pontes a Cabeça de Boi; Duas Pontes a Serra dos Alves; Duas Pontes à Lagoa Dourada...

Observação: Em setembro de 2015 e dentro do Projeto Piloto de Travessias, o Parque Nacional abriu oficialmente à visitação a nova rota Alto Palácio a Serra dos Alves

Rapidamente desembarcamos e varamos a cerca de arame à margem direita da rodovia, dando início à nossa pernada beirando às 10h00 da manhã.

Descendo sentido Congonhas:
Visual dos campos e sudoeste do Parque
O início da trilha se parece a uma estradinha e segue em terreno particular sentido Sudeste. Após um pequeno aclive, toda a região de campos rupestres nos arredores se apresentam, emoldurados ao norte pela Serra do Alto Palácio.

À noroeste, e bem distante, o Pico do Breu estava encoberto por aquela 'eterna neblina' das manhãs! À oeste era possível ver as cabeceiras do Cânion do Travessão. Para o Sul aquela imensidão a perder de vista...

Poucos passos adiante cruzamos uma porteira e adentramos em terras do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Continuando pela trilha batida sem alterações. Pouco à frente deixamos a trilha que segue para Leste-Sudeste e entramos à direita em uma bifurcação no sentido sul. Esta é a trilha que nos levaria a Cachoeira de Congonhas. A trilha que deixamos segue para o Cânion do Travessão. 

Nesse local havia uma moradia em época anterior 
à criação do ParnaCipó
Bem marcada, a trilha para a cachoeira despenca para o sul em longo e suave declive. Graças à vegetação de campos é possível observá-la deste início a quase seu final, pouco antes das quedas do Complexo de Congonhas.

Em menos de 1h00 de caminhada percorremos todo o trecho de campos desde a rodovia. Aproximamos do local aonde, à esquerda, há sinais de uma antiga moradia, com ruínas de um rústico muro de pedras.

Logo abaixo, cruzamos um riachinho, cujas águas se juntarão a outro e formarão o Complexo de Congonhas. Como estávamos próximos à Cachoeira, não fizemos parada. Seguimos agora percorrendo um trecho entre afloramentos rochosos e vegetação mediana.

Congonhas de Cima
Após curto declive mais acentuado ignoramos uma bifurcação à esquerda, que desce para as outras quedas do Complexo e seguimos em direção ao Ribeirão, à nossa direita.

Metros adiante, após pular uma rocha chegamos à primeira queda da cachoeira: é a chamada Congonhas de Cima. Era por volta de 11h30 e o tempo estava parcialmente nublado. Mas fazia calor!

A Congonhas de Cima é um conjunto de quedas intercaladas muito bonitas, com aproximadamente 8 metros de altura ao total, com um pequeno poço com profundidade mediana que permite até um mergulho. Fizemos uma parada com tempo para uma boquinha e alguns até adentraram ao poço.

Mais um tempinho e decidimos descer logo para a Congonhas de Baixo, que fica a aproximadamente 500 metros no mesmo riacho.

Deixamos esta primeira queda descendo a trilha que margeia o lado esquerdo do córrego. Vale dizer que, nesse trecho, o Córrego Congonhas é repleto de convidativos pocinhos, formados devido à inclinação do terreno e às inúmeras rochas em seu leito.

A trilha da descida é marcada e em alguns pontos apresenta erosões e degraus, mas nada que dificulte o trajeto. Em poucos minutos chegamos a um trecho plano, bem em frente à Chamada Congonhas do Meio.

Parte da Congonhas do Meio
Em plano superior há outra queda e agradável poço
Poço da Congonhas de Baixo, a queda principal do complexo
A Congonhas do Meio é uma pequena queda seguida de um bom poço; e mais abaixo uma corredeira espremida na rocha, formando em sua base outro pequeno poço.

Nesse ponto é também o local para acesso à parte superior da Congonhas de Baixo.

Não paramos na Congonhas do Meio porque nosso objeto de desejo estava a poucos metros abaixo: a queda maior da Congonhas de Baixo.

A curta trilha sai em uma guinada à esquerda por entre as rochas. Para encontrá-la é só observar o solo marcado. Há novamente alguns degraus na descida, mas são simples. Em minutos chegamos à parte baixa da Cachoeira de Congonhas. Era por volta de 12h20!

Congonhas
Lajeado abaixo da queda de Congonhas
As águas vão formar a Cachoeira do Gavião lá no Vale da Bocaina
.
A Congonhas de Baixo é formada por uma queda de aproximadamente 15 metros, com um belo e agradável poço para banho.

Rodeado por rochas, abaixo do poço há um grande lajeado. As águas do ribeirão descem por um mini-cânion; que formarão a Cachoeira do Gavião cerca de 1 km abaixo, cujo acesso mais comum é pelo Vale da Bocaina. 

Enquanto o grupo se esbaldava no poção, aproveitei para voltar à parte alta da Cachoeira e relembrar ângulos diferentes! É uma vista singela, porém muito bonita!

Permanecemos na Cachoeira por quase 2h00, quando iniciamos o retorno. Nosso objetivo era voltar até a rodovia MG 10, mas não em Duas Pontes, aonde iniciamos a caminhada; mas sim nas proximidades do restaurante Chapéu do Sol, aonde tomaríamos nosso resgate.

Assim, deixamos a parte baixa da Congonhas e pelo mesma trilha da chegada. Subimos o lance em direção à Congonhas do Meio. Nesse ponto, tomamos uma trilha mais à esquerda e à beira do riacho, em desfavor da trilha que leva à Congonhas de Cima por onde chegamos.

Cruzamos o ribeirão defronte ao poço principal da Congonhas do Meio. Percorremos um trecho de trilha desgastada e seguimos margeando uma matinha, agora em aclive no sentido leste.

Esta subida é um pouco longa, porém é recompensada pelo visual que vai se abrindo.

Além de permitir visual de parte do Vale da Bocaina e do Cânion do Travessão, permite apreciar as cachoeiras e quedas do córrego Palmital à Sudeste, bem distante.

Visual parcial do Vale da Bocaina
Vista da subida do Caramba que leva à Cachoeira Farofa de Cima
Ao fundo, serras dos Confins e Lagoa Dourada
Margeamos um rastro de trilha por um pequeno lajeado por onde escorre um filete de água. Cada um foi imprimindo o seu ritmo por aquele subidão.

Em pouco mais de 45 minutos de subida já estávamos no platô elevado e rodeado por campos rupestres.

Desse ponto se tem uma ampla e bela vista de grande parte do Parque, especialmente das Serras da Farofa e da Bandeirinha à sudeste; as Serras da Caetana, Confins e Lagoa Dourada, bem ao longe e ao sul.

O Travessão apresenta-se magnífico, possibilitando uma janela lá pros lados do vale do Rio do Peixe... Todo o percurso da trilha que leva à Cachoeira Farofa de Cima também pode ser vista...

Travessão ao fundo
Travessão e terras ao leste pros lados de Itambé do Mato Dentro
Fizemos uma parada para descanso, pois ao contrário do que ocorreu quando estávamos lá no poço da Congonhas, agora o sol se fazia presente, aumentando a sensação de calor.

Retomamos a caminhada passando por trechos erodidos e com algumas rochas. A trilha correta segue sentido à direita por entre uma cava.

Adiante, em um mergulho, passamos por uma cerca de arame e um ponto de água; que seca no inverno. Em pequeno aclive, logo despontamos com amplo visual para o oeste.

A trilha segue marcada, dando uma guinada para noroeste. Notei que pouca gente passa por ali...

Sentido definitivo para Oeste e Noroeste
Condomínio Bosque do Sol visto do morrote na parte final da trilha
após os limites do ParnaCipó
Após o mergulho a trilha segue cruzando campos rupestres no sentido oeste. Começam a despontar os lados da rodovia MG 10 e seguimos margeando um morro à nossa direita.

Agora em declive, aproximamos e cruzamos uma cerca de arame, saindo dos limites do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Adiante, o declive aumenta. Por entre uma capoeira rala, cruzamos um rego de água três vezes, pois a descida segue em zigue-zague.

Lá embaixo, no terreno plano observamos várias casas. É o Condomínio Bosque do Sol, que parece estar embargado, pois desde que passei ali anos atrás, tudo se encontra como antes...

Chegamos à pequena planície e fomos margeando a cerca de um lote visando pegar a estradinha logo abaixo. Já na estradinha, seguimos sem pressa.

O trecho alterna estrada de chão e há alguns pontos de calçamento em pedras. Cruzamos um riacho cujas águas formam a Véu da Noiva da ACM lá no Distrito do Cipó. Mais abaixo seguimos em linha reta pela estrada principal do Condomínio.

Porteira do Condomínio Bosque do Sol na rodovia MG 10
Imediações do Restaurante Chapéu do Sol
Ignoramos uma saída à esquerda (estradinha interna do condomínio) que leva em direção à curta Trilha dos Escravos e ao topo da Cachoeira Véu da Noiva. Essa região também é conhecida como Mãe D'Água.

Em poucos minutos chegamos à porteira de acesso ao Condomínio. Pulamos a porteira, pois estava trancada. Adentramos na rodovia MG 10, caminhamos alguns metros à direita e chegamos ao Restaurante Chapéu do Sol às 15h30.

No restaurante já nos esperava o nosso resgate. Rapidamente embarcamos e logo depois fizemos uma parada na Serra do Cipó para almoço tardio. Depois, pé na estrada até BH, aonde chegamos por volta de 18h30.

Foi uma caminhada de aproximadamente 13 km e que serviu para matar saudades. Há muito tempo não passava por aqueles lugares, em especial o trecho final do trajeto, marcado pelos campos rupestres. É uma região belíssima, que possibilita amplos visuais e diversão garantida...

Serviço


Localizado nos domínios do Parque Nacional da Serra do Cipó, o complexo da Cachoeira de Congonhas é um conjunto de quedas no ribeirão homônimo.

Consiste em 3 principais quedas: Congonhas de Cima, do Meio e de Baixo, que são interligadas por inúmeros pequenos poços graças à declividade do terreno e a presença de muitas rochas.

Em aproximadamente 500 metros do complexo, vários são os os locais em que se pode curtir e relaxar nas águas cor de coca cola. 

Rota no GE
A Congonhas de Cima é singela e com um poço para banho. A Congonhas do Meio apresenta ótimo poço para curtição devido a baixa profundidade; além de uma corredeira espremida na rocha, com um pequeno poço ao final. Já a Congonhas de Baixo é aquela que oferece maiores possibilidades: tamanho do poço, nadabilidade e beleza.

Amigos na Congonhas
O trajeto que realizamos foi uma "ferradura" (veja imagem), ligando duas trilhas.

Isto significa que para se ir ao Complexo de Congonhas há basicamente dois acessos:

O primeiro, com início na Pousada Duas Pontes, com aproximadamente 5,5 km de extensão e quase todo em declive (volta: aclive).

O segundo, com início no Restaurante Chapéu do Sol, com aproximadamente 7 km de extensão e um misto de caminhada plana e em declive (volta: aclive).

Mas também é possível acessar a Cachoeira de Congonhas através do Vale da Bocaina. 

Como Chegar e voltar - de ônibus

Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Viação Saritur ou Viação Serro até o km 114 Pousada Duas Pontes
Volta: Viação Saritur ou Viação Serro até Belo Horizonte

► Como a Cachoeira de Congonhas tem dois acessos a partir da MG 10, escolha aquele que preferir. Por Duas Pontes a trilha é mais curta e mais fácil. Pelo Chapéu do Sol a trilha é mais longa e um pouco mais exigente. Em ambos os pontos iniciais passam ônibus de linhas regulares
► Confira horários e frequências nas empresas de ônibus

Como Chegar e voltar - de carro

Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Rodovia MG 10 até o km 114.
Volta: Rodovia MG 10 até Belo Horizonte.

► É possível estacionar o veículo na Pousada Duas Pontes (estacionamento pago)
► Desaconselhável deixar veículos estacionados às margens da rodovia MG 10
► A desvantagem em ir de carro e fazer o mesmo trajeto do relato é que o início e término da caminhada se dão em locais distintos da rodovia MG 10. Apesar da proximidade fica inviável fazer o percurso à pé pelo asfalto. Nesse caso faz-se necessário programar a logística

Considerações finais


► Para visitar o Complexo de Congonhas não é necessário fazer o mesmo trajeto que fizemos neste relato, que começou em um ponto e terminou em outro. Fizemos desse modo porque tínhamos programado a logística fretada. Portanto, seja iniciando em Duas Pontes; seja iniciando no Chapéu do Sol você chegará ao Complexo sem problemas, pois as trilhas são bem marcadas pelo pisoteio. Porém, se não tem experiência em trekking contrate um condutor ou vá com outros mais experientes.

► Vindo de Duas Pontes, primeiro chegará à Congonhas de Cima. Já vindo do Chapéu de Sol você chegará na altura da Congonhas do Meio.

► Importante informar que, seja por Duas Pontes, seja pelo Chapéu do Sol a parte inicial das trilhas cruzam áreas particulares. Não se sabe até quando isto será permitido. Em casos de impossibilidades nesses dois pontos iniciais, a rota mais viável para se atingir a Cachoeira de Congonhas seria aquela oriunda do Vale da Bocaina.

► Em períodos de chuva forte e continuada não é recomendável fazer essa trilha descrita no relato, pois há córregos a cruzar.

► Comunique ao Parque Nacional da Serra do Cipó a sua visita à Cachoeira. Informe-se no telefone 31 3718-7151.

► No restaurante Chapéu do Sol é possível almoçar. No Distrito da Serra do Cipó além de pousadas diversas, há camping, bares, restaurantes, padaria e supermercado.


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons ventos!
Última atualização: Nov 2017

Postar um comentário

2 Comentários

  1. Parabéns pelo Blog e pelas viagens realizadas...
    achei seu site pelo portal do mochileiro.com.br...
    também viajo, mas de bicicleta...
    te adicionei no Google+...

    Cicloabraços
    Joãozinho

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fala Menininho,
      Tudo bem contigo? Estou honrado com a sua visita!

      Pois então, eu prefiro andando (a última vez que subi numa bike ela tinha freio de pé hahaha) e admiro demais os ciclistas, costumeiramente são sempre simpáticos e prontos a dar informações! São fortes pra chuchu...
      Passei a registrar minhas aventuras por aqui porque as mais antigas ficaram somente na memória... E muitos desses trajetos que faço são possíveis de serem feitos de bike. Fica o convite, ok?!

      Grande abraço a vc (Trekkerabraços ??? rsrs), obrigado pela visita e pelo comentário. Some não, tb te adicionei no Google+

      Excluir
Emoji
(y)
:)
:(
hihi
:-)
:D
=D
:-d
;(
;-(
@-)
:P
:o
:>)
(o)
:p
(p)
:-s
(m)
8-)
:-t
:-b
b-(
:-#
=p~
x-)
(k)