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Circuito SO no Parque Sempre Vivas

Cachoeira Santa Rita: a maior do Parna Sempre Vivas
O Parque Nacional das Sempre Vivas é um lugar especial. Localizado na porção centro-norte de Minas Gerais, percorrer seus caminhos são sempre experiências únicas, oportunidades interessantes para ampliar conhecimento de uma área ainda pouco visitada por Montanhistas... Foi pra lá que nos mandamos no feriado do Trabalhador 2018, onde completamos o Circuito Sudoeste.

▼ Para facilitar a leitura, clique no índice ▼

1. Relato Dia 1: De Curimataí à Serra Grande
Embarcamos em BH beirando 01h00 de sábado, dia 28 de abril. Pouco antes das 7h00 desembarcamos na rua principal de Curimataí, distrito de Buenópolis, região Centro-Norte de Minas Gerais. Conforme combinado dias antes, corremos para a Hospedaria da Dona Argemira para um café reforçado. Lá encontramos com o Luís Brasília, que estaria conosco e que minutos antes havia nos ultrapassado na estradinha de terra Santa Bárbara - Curimataí. Café bom, prosa vai, prosa vem, às 7h50 despedimos da Dona Argemira e reembarcamos em nosso traslado rumo ao início da nossa pernada.

No riacho abaixo há passagem em nível para veículos
Após percorrer a rua principal do Distrito, próximo da Mercearia entramos à direita na rua-estradinha que leva para o antigo Balneário de Curimataí. Bastaram 5 minutos e chegamos até a ponte do Ribeirão do Quilombo, local do nosso desembarque definitivo. Uns 20 minutos depois nos pusemos em marcha, cruzando a ponte de madeira e seguindo por poucos metros a estradinha que leva ao antigo balneário. O tempo estava parcialmente nublado, indicando um dia de forte calor!

Logo após a ponte o local é um tanto confuso, pois há uma trifurcação. Tomamos o caminho do meio, que após passar a entrada correta tivemos que cruzar uma cerca de arame à direita para facilitar nossa jornada. Trecho sombreado, metros adiante cruzamos um leito seco e tendemos à esquerda; entrando numa alameda de sanção do campo, local bonito apesar da planta invasora. Trata-se do que tempos atrás pareceu ser uma tentativa de instalar um chacreamento nos arredores do Balneário. Seguimos em suave aclive pela antiga alameda contorno, que vai tendendo à direita-leste. Há um primeiro ponto de saída à esquerda, que no calor da prosa deixei passar...

Assim, seguimos um pouco mais adiante até que, metros depois da quinta alameda entramos à esquerda, onde cruzamos uma cerca de arame farpado por volta de 8h40. Deixamos a abandonada área e passamos a percorrer áreas de cerrado. Após um mergulho na capoeira, a discreta trilha quase some em meio à retorcida e arbustiva vegetação; mas em suave aclive vai nos levando para o norte. Seguimos ouvindo o Flávio nos passando oportunos conhecimentos acerca do cerrado... Como é rico!

A famosa Tabatinga, argila boa para 'rebocar' casas
Minutos antes de 9h00 chegamos até uma bifurcação, ponto onde também chegaríamos se eu tivesse tomado a primeira saída lá no início da alameda de sansão do campo. Nesse ponto tomamos o rumo leste, começando ali a subida da Serra da Tabatinga.

A trilha puro cascalho nos leva até o desemboque de uma precária estradinha; uma das vertentes finais daquela que deixamos lá embaixo próximo ao Ribeirão Quilombo; quando do início da pernada. Caminhamos mais alguns metros e cruzamos uma tronqueira, quando desemboca uma outra variante da estradinha.

A partir desse ponto e até meados da Serra teremos à nossa direita a companhia de um cano d'água que abastece uma comunidade próxima a Curimataí. O calorão daquela manhã já se faz presente e aproveitamos uma rara sombra para um primeiro descanso pouco depois das 9h00. Ocasião também para tirar os primeiros carrapatos do dia!

Curimataí lá embaixo
Uns 15 minutos depois retomamos a pernada. Em ritmo mais tranquilo sigo na rabeira. Passamos por um registro no cano e logo à frente por um dos seus vários vazamentos. Na subida, observamos a razão do nome da serra: argila branca nos barrancos da estradinha erodida! Adiante, a trilha apresenta uma curta estabilização, ocasião perfeita para observar as encostas da Tabatinga, bem como Curimataí que encontra-se à Sudoeste.

Continuando a pernada tocamos reto morro acima, ignorando uma trilha à direita que leva até um rancho observado. Trecho com subida mais íngreme e trilha com cascalho, onde a progressão é lenta. Seguimos em grupos, cada um no seu ritmo! Bem mais acima a trilha novamente se estabiliza e a vegetação arbustiva se encorpa. Cruzamos uma tronqueira e chegamos às 9h40 no primeiro ponto de água do dia. Parada para refresco e lanche!

Pouco antes das 10h00 retomamos a caminhada. A trilha com poucos sinais de uso segue marcada, rodeada por vegetação arbustiva típica do cerrado. Oficialmente adentramos em terras do Parque Nacional, tomando o rumo sul. Pouco acima cruzamos novamente o mesmo curso de água. Seguimos agora mais aglutinados e em progressão tranquila; uma vez que o trecho apresenta muitas rochas pelo seu leito, além de trechos mais íngremes.

Sempre subindo e mantendo as características, a velha trilha nos faz ganhar altitude e às 10h40 cruzamos o cano d'água, que até então se mantinha sempre à nossa direita. Já estamos numa espécie de degrau da suave Serra da Tabatinga. A trilha se estabiliza e distancia do cano d'água, uma espécie de pequena barriga; para imediatamente voltar a aproximação. Trata-se apenas de um desvio do presente conjunto de afloramentos.

Paredão após se afastar do Quilombo: grande e  repleto de tocas e recortes
Estamos num curto trecho plano, rodeados por afloramentos. Ignoramos uma discreta saída à direita que leva até uma cachoeirinha no Ribeirão Quilombo (vista da trilha) e iniciamos curto declive, passando por uma água temporária às 11h00. A partir daí deixamos o cano como referência, pois o mesmo se direciona para o Ribeirão do Quilombo.

A trilha se mantém distante do ribeirão e o panorama é o mesmo: antiga e rodeada por vegetação arbustiva. Sombra era algo raríssimo! O calor era forte e precisávamos de uma parada para descanso. Seguimos por um curto trecho em aclive e por volta de 11h15, nos instalamos junto a algumas rochas onde poderíamos melhor nos acomodar. Hora para descanso e lanche mais reforçados, afinal aquela seria a hora do almoço.

A prosa se estendeu e somente às 11h50 voltamos às atividades... Seguimos ainda por um curto trecho em aclive entre afloramentos para logo à frente despontarmos num longo trecho plano, bonito e florido. Cruzamos uma tronqueira em pleno meio dia e a trilha prosseguiu discreta. O isolamento do lugar é grande, sendo rodeado pelas vertentes da Serra da Tabatinga; tendo o Ribeirão Quilombo à nossa direita.

Seguimos pelo vale que vai se afunilando e aproximamos do Ribeirão Quilombo. Muitas flores pelos arredores, com um zum zum de insetos sem igual. Cruzamos um filete d'água temporária e tocamos adiante. Novamente nos afastamos do Quilombo e tendendo à esquerda passamos a nos aproximar de uma face íngreme e rochosa da serra, onde observamos muitos recortes e paredões. Lugar muito bonito e isolado.

Muitas flores e trilha suja pelo trecho. Não é para inexperientes desacompanhados!
A trilha discreta em meio a arbustos entra em aclive suave. Por volta de meio dia e meia aproximamos de um ponto de água à nossa direita, já ao final da face íngreme que vínhamos acompanhando.

Aproveitamos para nos reabastecer e nos refrescar, afinal outro ponto de água estava um pouco distante. Retornamos à trilha e prosseguimos em aclive. Passamos por uma área úmida e às 13h00 chegamos numa tronqueira. Cansados, fizemos nova parada aproveitando uma das escassas sombras do trecho.

Uns 15 minutos depois retomamos a pernada, ainda em aclive suave. A trilha mergulha por um trecho de samambaias e adiante rasga uma capoeira. Sigo na rabeira, aguardando os meninos que ficaram fechando a tronqueira. Em meio à capoeira passamos por uma casa de marimbondo bem ao lado da trilha; um perigo! Despontamos então em nova área plana, marcando a altitude máxima que atingiríamos na subida da Serra.

Apressei o passo para alcançar aqueles da dianteira pois logo à frente há uma discreta bifurcação e teríamos que deixar o rumo Nordeste e passar a caminhar no rumo sudeste. O trecho estava especialmente bonito: parecia um jardim, muito florido! Também foi possível observar os morros de serras para a direção que seguiríamos. Lugar lindo, de verdade!

Seguimos acertados: Necessária atenção pra não passar do ponto!
Às 13h40 chegamos a dita bifurcação. A trilha segue a nordeste galgando novo patamar da Tabatinga. Nós, porém, saímos à sudeste, num ramal de trilha bastante discreta e que nos levará novamente em direção ao Ribeirão do Quilombo.

Logo à frente a trilha torna-se mais marcada e segue em declive por entre afloramentos e vegetação arbustiva em floração. Vamos descendo rapidamente, observando adiante o Vale aonde estão as nascentes do Quilombo; bem como grande variedade de rastros de animais pelo leito arenoso da trilha. Impressionante!

Cruzamos uma água temporária e o panorama seguiu sem alterações. Continuamos em declive aproximando da face do morrote de afloramentos à nossa esquerda. Cruzamos um ponto de água às 14h00; e logo à frente outro ponto, mais volumoso. Beiramos rala matinha ciliar e novamente nos aproximamos do Ribeirão do Quilombo. Uma área plana está à nossa direita, seguida de um bonito morrote de afloramentos.

Seguimos pelo vale e ansiávamos chegar no próximo ponto de água para descanso, afinal o calor era intenso. Na pressa, um dos nossos amigos se atrapalhou com um tronco beira trilha e sofreu uma queda. Sacudimos a poeira e seguimos adiante; agora mais ansiosos  pela fonte de água pra nosso amigo lavar o rosto! Numa curta guinada para o Sul, entramos em rala capoeira e às 14h45 chegamos novamente ao Córrego do Quilombo.

Os planos eram fazer uma boa parada para descanso! Porém, ao chegarmos constatamos que a área estava infestada por carrapatos! Então foi somente o prazo para reabastecermos, nos refrescarmos e tocarmos adiante novamente!

Seguimos pela trilha em meio à capoeira. A vegetação alta era ambiente propício para carrapatos. Seguimos em bom ritmo, agora no rumo leste. Adiante achamos restos de um óculos de grau pendurado em um ramo! Mais alguns metros e cruzamos novamente o Ribeirão Quilombo, para pouco à frente sairmos em área de campos às 15h30. Estávamos aliviados, pois o trecho de capoeira estava infestado por carrapatos!

A discreta trilha em aclive pelo campo e entre morrotes de afloramentos nos levou até um rego d'água. Num lapso mental cruzamos o córrego, mas a trilha logo sumiu. Foi quando observei que deveria ter me mantido do lado direito do rego d'água. Mas cruzamos os afloramentos e retornamos ao ponto correto, logo após uma cerca velha. Aí foi só manter a direção em suave aclive; pois é um trecho em que várias trilhas de vaca correm em paralelo ou se cruzam!

Estávamos todos bem cansados, afinal aquele era o primeiro dia de pernada! Além de mais pesados, juntava a noite anterior mal dormida, mais o batente desde as 8 da manhã. Após cruzarmos uns trechos úmidos e um leito de enxurrada, o terreno muda abruptamente, apresentando uma coloração avermelhada, sem afloramentos, solo típico de cerrado.

Foto de visita em outra época: Ponto em que se avista a Serra do Galho vista pela primeira vez ao Sul
Isso era uma ótima notícia, pois anunciava que estávamos próximos ao ponto de acampamento desejado. Em suave aclive, às 16h15 chegamos até o ponto máximo do trecho, onde avistamos o Rancho do Dé e um pouco antes, a área desejada para acampamento, um vale onde corre o Córrego da Serra Grande. Para o Sul avistamos pela primeira vez na pernada a Serra do Galho, referência importante do Parque Nacional das Sempre Vivas.

Serra Grande vista da área próxima ao acampamento. Distante!
Lentamente vamos descendo rumo ao vale apreciando os últimos raios de sol daquela tarde. Cruzamos uma tronqueira e seguimos pela trilha que ora sumia, ora reaparecia em meio ao vigoroso capim do trecho de terra boa. Já estabilizados, cruzamos um ponto de água e logo à frente e pulando pedras o próprio córrego. Caminhamos mais alguns poucos metros e em torno de 16h30 chegamos à área aonde passaríamos a noite; na encosta suave da margem direita do riacho.

Tratamos logo de armar acampamento, pois a noite não tardaria. Entretanto, logo percebi que estava com a roupa repleta de micuins... Larguei tudo e corri para o córrego, aonde me livrei da invasão. Sem demora os amigos também chegaram para se banhar. Quase todos carregavam um ou outro micuim, mas Thiago estava de parabéns! Impressionante o estrago que esses minúsculos insetos nos causam! Retornado ao acampamento, presenciamos o surgir de uma baita lua entre a vegetação. Com o cansaço dos 18 km daquele dia, sem demora jantamos e curtimos uma noite de sono recuperadora!

2. Relato Dia 2: Da Serra Grande ao Rio Preto
O segundo dia amanheceu parcialmente nublado; aliás, como é comum na porção mais elevada do Espinhaço. Por volta de 7h00 todos já estavam se ajeitando pra caminhada do dia. Em torno de 8h15 fui o último a deixar a área de acampamento. Por trilha marcada seguimos em aclive pela encosta rumo sul.

Como é comum nas terras altas do Espinhaço, as manhãs quase sempre amanhecem parcialmente nubladas
Em 15 minutos chegamos ao Rancho do Dé. Por lá fomos recebidos por sua esposa, que todos os anos passa uma temporada no lugar coletando sempre vivas. Tamanha simpatia, goiabas, laranjas e um café gostoso nos fez ficar um bom tempo por ali...

O fogão a lenha da roça é mágico... Por isso atrasamos!
Somente em torno de 9h15 deixamos o lugar seguindo agora pela estradinha de acesso ao rancho. Cortando os campos em suave aclive, logo despontamos para os amplos campos da região do alojamento do Parque Nacional; observado a uns 4 km em linha reta. Lugar muito bonito!

Na sequência, percorremos suave declive, que nos levou primeiro até a bifurcação do Rio Jequitaí e imediatamente após até a rota da Travessia Curimataí a Inhaí às 10h00. Nesse ponto, tomamos nossa direita. Passamos a percorrer os dois sulcos da antiga estradinha de Curimataí no sentido sudoeste. À essa altura o sol já brilhava forte, anunciando um outro dia de forte calor.

Vista Sul: Serra do Galho e arredores
Em grupos vamos seguindo cada um no seu ritmo, tendo o incrível Oliver à frente, ajudado pela saúde da juventude. Esse é um trecho aberto, sem sombras e sem alterações ou bifurcações que possam induzir a erros. Seguimos avistando a nossa esquerda a Serra do Galho, talvez a mais bonita formação do Parque Sempre Vivas; tendo a nossa direita e bem afastado da rota a região do Rancho do Lamarão. Para o Sul também observamos a Serra do Tigre e da Onça, localizadas na Rota da Trilha do Algodão. Ainda no trecho topamos com uma bonita cobra coral que cruzava a rota; além de muitos sinais da presença de animais silvestres.

Depois de quase 5 km percorrendo a rota sentido Curimataí passamos a percorrer suave declive. Chegamos às 11h30 até um ponto em que deveríamos deixar a rota para Curimataí e tomarmos o rumo sul. Saímos da rota dando alguns passos à esquerda e aproveitamos escassas sombras para descanso e lanche. O sol constantemente nos miolos é um fator que pesa muito quando se caminha no Espinhaço!

Depois de um bom descanso, beirava meio dia quando retomamos a pernada rumo sul através de uma discreta trilha pelo cerrado ralo. Adiante a trilha fica mais marcada e em dez minutos chegamos até o desemboque da trilha à nossa direita que vem de Curimataí.

'Tá pertinho'!!! Incrível formação do Sempre Vivas
Sob calor intenso seguimos pelas áreas de cerrado, alternando suaves aclives e declives. Aproximamos de um conjunto com bonitas formações rochosas ao sul e que faz parte da Serra do Galho. A trilha agora já bem batida adentra por um trecho de cerrado mais encorpado, terra boa como denuncia a presença de grandes árvores nos arredores. Cruzamos uma porteira de ferro e a trilha se alarga, entrando em forte declive, trecho com grande erosões e sinais de queimada em anos anteriores.

A trilha ampla mergulha de vez numa mata encorpada, típica de áreas úmidas e baixas. Por volta de 12h40 aproximamos de um ponto de água à nossa esquerda dentro da mata. Fizemos nova parada para lanche e reabastecimento; aproveitando também as sombras. Uns 15 minutos depois retomamos o batente pela trilha batida que corre pelo vale, sem alterações.

Por volta de 13h20 a trilha ampla e larga toma a direção do Ranchão, caso temporão localizada a pouco mais de 1km à nossa direita. Não era pra lá nossa rota; e sim mantendo a direção rumo às margens do Rio Preto. Nesse momento pudemos admirar entre a vegetação à leste a bonita formação da Serra do Galho. É mesmo uma Serra incrível!

Um dos muitos remansos do Rio Preto: Parece delicioso...
A partir da bifurcação do Ranchão a trilha torna-se discreta, um pouco confusa e com vários ramais  paralelos entre a vegetação de cerrado. Escolhi uma mais evidente e prosseguimos. Logo à frente cruzamos por duas vezes canos que devem levar água para o Ranchão. Mais alguns metros e aproximamos de vez do Rio Preto; que no trecho apresenta bonitos poços e remansos.

O rumo é adiante. Trilha mal marcada. Há cruzamentos e paralelas. Não é para principiante desacompanhado
Na altura do desemboque de outra trilha que vem do Ranchão fizemos uma parada para aguardar um amigo que ficara para trás e que eu mesmo não havia notado! Uns aproveitaram a sombra nos arredores; outros foram se refrescar no Rio Preto. Retornei alguns metros pela trilha para encontrar com nosso amigo. Logo ele chegou e então nos aglutinamos!

Já beirando às 14h00 retomamos a pernada. O panorama segue o mesmo: vegetação de cerrado e trilha discreta com trechos de ausência pela margem direita do Rio Preto; inclusive acompanhando seus meandros. Cruzamos um mirrado rego d'água e pra nosso alívio algumas árvores esparsas passaram a nos proporcionar sombras. A trilha ressurge então mais batida, resultado de algum gado que roda pelo trecho.

Ali, naquele gramado seria nosso acampamento. Perfeito!
Por volta de 14h45 cruzamos um bom ponto de água, para logo à frente aproximarmos do ponto de cruzada do Rio Preto, junto à foz de um riacho afluente que vem do sul. Tiramos as botas e cruzamos o raso Rio Preto às 15h00. Nos arredores do ponto de passagem até é possível se pernoitar, mas havia outra área melhor adiante. Era pra lá que iríamos...

Tomamos o rumo oeste pela margem esquerda do rio beirando uma cerca de arame. Logo à frente a cerca se aproxima do Rio e tivemos que cruzá-la. Mais alguns minutos despontamos então no ponto aonde acamparíamos: um lugar plano, gramado, parcialmente sombreado e próximo ao Rio Preto, uns 300 metros abaixo do ponto de cruzamento; bem na divisa do Parque Nacional.

Nada mal, não é mesmo? O rio está ali, do lado, à esquerda da imagem
Este foi um lugar ideal e o melhor ponto de acampamento de todo o circuito; abençoado pela Serra do Galho à leste! Lados Norte e sul emoldurados por morros de afloramentos que espremem o Vale do Rio Preto.

O restante do dia foi dedicado aos afazeres normais. Como era cedo fizemos armada de acampamento sem pressa, banho de rio, jantar farto. À noite novamente a espetacular lua iluminou o acampamento, sendo possível caminhar sem lanternas. Noite linda e prazerosa depois de quase 19 km de pernada!

3. Relato Dia 3: Do Rio Preto à Santa Rita
O terceiro dia amanheceu lindo e incrivelmente limpo! Corremos pra ver o sol despontar atrás da Serra do Galho. Uma beleza! Após, café da manhã, desarme do acampamento e partida em torno de 8h00. Aquele seria um dia de curta caminhada, pois pretendíamos curtir a Cachoeira de Santa Rita!

Primeiros raios de uma manhã linda: Deu vontade de passar o dia nesse lugar...
A trilha segue pela margem esquerda do Rio Preto; tecnicamente fora do Parque Nacional cujas terras estão a partir da margem direita do rio. Bem marcada e pisoteada pelo gado, cruzamos algumas porteiras e brejinhos. Após uma cerca divisória de pasto, a trilha entra em aclive e passamos a cruzar uma área com capim alto; que em alguns pontos nos cobria por completo. Sinal de que o início do ano foi chuvoso na região.

Cruzamos alguns pontos de brejo e a velha trilha entre o capim viçoso nos levou até o alto de um morrote; onde há um coqueiro solitário. Dali, pudemos observar todo o Vale do Rio Preto à leste emoldurada pela Serra do Galho ao fundo; e à oeste, a região chamada Catraia, finalizada com as serras pras bandas da Santa Rita.

Nossa direção: Viraríamos aquele pasto lá adiante; aonde está o coqueiro solitário...
Agora em declive seguimos pelos rastros da trilha que muitas vezes se perdia em meio ao capim alto. Ainda bem que o sol já brilhava forte e o orvalho já havia ido embora, senão seria muito mais trabalhoso. Terra boa e destoante dos arredores, cruzamos algumas tronqueiras, brejinhos e aproximamos do fundo do vale; pondo fim ao declive. A trilha prossegue distante do Rio Preto, que tomou rumo por trás de um morrote de afloramentos.

Cocho do casebre
O vale vai se ampliando e estabilizados, por volta de 9h30 chegamos até um casebre com curral e alguns pés de fruta, como limão, banana e amora. Fizemos uma boa parada para descanso, lanche e abastecimento de água no cano do casebre. Dia aberto e céu completamente azul, deixando tudo ainda mais bonito!

Beirando às 10h00 retomamos a caminhada, agora cada um no seu ritmo, pois tomamos uma estradinha de dois sulcos que acessa a região. Cada vez mais ampliando o visual, aproximávamos do Ribeirão Paciência. Os topos dos morros na região da Cachoeira de Santa Rita já despontavam aos olhos; agora bem mais próximos que lá atrás...

Incríveis formações rodeiam o Catraia
Cruzamos umas três tronqueiras e tecnicamente adentramos novamente no Parque Nacional, logo após uma divisa-cerca com placa de proibida caça e pesca. A trilha-estrada praticamente plana progride e facilita, de modo que às 10h30 passamos na área de campo defronte uma cachoeirinha escondida no Paciência. Da cachoeira só ouvimos o ruído e em poucos metros chegamos ao Poção do Paciência.

Poção do Paciência: a imagem não transmite a dimensão, mas é bem grande
O Poção do Paciência é um lugar incrível. De profundidade variável e rodeado por viçosa vegetação mais uma prainha arenosa, é um convite à preguiça... Porém tratamos de cruzar o ribeirão. Alguns tiraram as botas, outros passaram de botas sem se molhar, já que a água é espalhada no ponto de cruzamento. Após cruzar o riacho fizemos uma parada pra secar os pés. Alguns não resistiram ao poção com prainha. Lugar divino!

Uns quinze minutos e retomamos a caminhada pela velha estradinha agora bem aberta à margem esquerda do Paciência. Fizemos uma barriga para o sul ignorando um antigo atalho que ora se fechou. Cruzamos uma tronqueira com muro de pedra nas bordas e logo após um ponto de água. Deixamos então a estradinha que segue para Santa Rita em favor de uma trilha à direita, que em poucos metros nos levou até uma casa fechada às 11h00.

Olhar atento do Jônatam nos presenteou com essa pintura
Não resistimos a um pé de laranja e coletamos algumas. Estavam deliciosas; o que nos tomou algum tempo por ali! Retomamos a pernada pela trilha que faz pequena curva e segue para o Norte. Estávamos agora no trecho da Rota Curimataí-Santa Rita-Santa Bárbara. Cruzamos novamente o Ribeirão Paciência e seguimos entre afloramentos. Adiante, uma atenta observação do nosso amigo Jônatam; que identificou uma pintura rupestre em uma rocha às margens da trilha. Incrível e perigosamente ameaçada...

Após, seguimos pela trilha arenosa e chegamos ao Rio Preto próximo ao meio dia. Tiramos as botas, cruzamos o rio e tratamos de armar acampamento na sua margem direita. O local topograficamente não é dos mais propícios a acampamento, mas tem duas grandes vantagens: a localização estratégica e a presença de água farta! Assim, nos espalhamos entre a vegetação cerrada e nos ajeitamos; apesar do calor de matar e que torrava nossos miolos. Isto porém só aumentava a sede pela Cachoeira de Santa Rita...

Uma das várias quedas pelo Rio Preto. Flávio ficou por aí...
Pouco depois de 12h30 deixamos o local do acampamento e de modo leve tomamos a trilha que segue para Curimataí objetivando visitar a Cachoeira. Pouco à frente, deixamos a trilha ampla e larga e nos embrenhamos à esquerda capoeira adentro. Em declive e sem trilha, seguimos brigando com arbustos, rochas e capinzal farto. Por volta de 13h00 e com alguns arranhões; além de 'palavras dóceis' de alguns amigos chegamos às margens do Rio Preto, defronte a cachoeirinha.

É muita água!
Lugar bonito e agradável, logo o Flávio achou um lugar e preferiu permanecer por ali. Nós outros seguimos pelo leito do rio, que se espalha formando ilhotas rochosas rumo à queda da Santa Rita. O lugar é muito bonito e é no estilo 'à cada passo uma descoberta'! Em uma passagem com degrau, a rocha resolveu tomar a câmera do nosso amigo Gabriel... Que pena! Mas tocamos adiante e abaixo, afinal precisávamos chegar até a cachoeira.

E chegamos às 13h20! Lugar único e incrivelmente preservado e belo. Muitas fotos e admiração. Depois de um tempo curto cruzamos o rio e pela sua margem esquerda descemos até a parte baixa da Santa Rita. Como estava bonita e com grande volume de água, formando uma queda principal mais uma cortina à sua direita. Tal volume impossibilitava aproximar ou estar embaixo da queda! Foi a primeira vez que vi a Santa Rita com tal volume de água.

Tempo livre para cada um fazer o que quisesse! Acredite: é um lugar incrível! Depois de curtir o lugar por volta de 15h00 iniciamos nosso retorno. Sem pressa fizemos o mesmo caminho da ida, passando novamente pelo topo da cachoeira, seu leito rochoso e pelo trecho sujo e sem trilha. Chegamos de volta no acampamento do Rio Preto pouco antes de 16h30; com tempo de ainda se banhar nas águas do rio, que forma alguns poços no ponto de cruzamento. Não visitamos os remansos e nem a prainha que há no Rio Preto 1 km acima do ponto de passagem!

Como nos dias anteriores, restante do dia dedicado aos afazeres normais. Noite parcialmente nublada, com a lua clareando o trecho. Foi uma noite tranquila, onde tudo foi possível fazer com calma; de modo que o dia seguinte seria dedicado somente para finalizar o Circuito...

4. Relato Dia 4: Da Santa Rita à Curimataí
Depois de três boas noites de sono levantamos cedo naquela terça feira, dia do trabalhador. Já acostumados com a rotina, em pouco tempo ajeitamos as tralhas. Nosso amigo Luis estava apressado para retornar a Curimataí e dali voltar para Brasília. Apesar da trilha apresentar sentido óbvio e estar bem marcada insisti que nos aguardasse, afinal quinze minutos a mais ou a menos não lhe seria problemático...

Vale do Rio Preto
Por volta de 7h45 deixamos as margens do Rio Preto. Tomamos a trilha ampla e marcada que segue para Curimataí. Em grupos e cada um no seu ritmo, às 8h10 passamos pelo ponto de água no topo do mini cânion que deságua na Santa Rita. Sem delongas iniciamos a subida da cascalheira e já próximo ao seu final fizemos uma parada para descanso às 8h30; quando saboreamos uns torresmos oferecido pelo Elias...

Uns quinze minutos e retomamos a pernada. Após a cascalheira a trilha segue em constante aclive, porém menos acentuado. Seguimos rasgando os campos rupestres, quando demos de cara com uma cobra de duas cabeças! Prosseguimos e às 9h30 cruzamos um ponto de água que incrivelmente estava volumoso, pois o bendito sempre seca na estiagem. Mais um sinal de que chovera bastante por ali no início do ano...

Trecho exemplifica como é caminhar pelo Espinhaço: Raras sombras
Nesse trecho foi o último momento em que avistei o Luis dos Montes... A partir daí ele embalou uma arrancada e desapareceu do nosso alcance visual. Seguimos agora por área de campos. Passamos por uma pequena e nova construção bem no meio da trilha! Tocamos adiante e logo acima numa sombra fizemos uma parada para descanso, pois o calor estava de matar...

Descendo...
Retomada a pernada, pouco depois das 10h00 galgamos o ponto mais elevado daquele dia, despontando de vez para Curimataí. Interceptamos a rota que vem de Inhaí e começamos a descida rumo ao Curral de Pedras. Trecho parcialmente sombreado, com rota larga, pois trata-se de uma antiga estrada. Cada um foi descendo no seu ritmo. Particularmente acho este o trecho mais chato pra qualquer rota que chega ou sai de Curimataí: estradinha, em declive (ou aclive); longa, pouco sombreada e repleta de cascalho. Permaneci na rabeira, juntamente com o Thiago e o Flávio!

Último ponto de água antes de Curimataí. Só reflexo, porque é rasinho. Mas é bonito!
Pouco antes de 11h30 chegamos até o último ponto de água da pernada; no trecho já se aproximando de Curimataí. Aproveitei para um bom descanso, refresco e chupar as últimas laranjas que ainda restaram do dia anterior. Depois prossegui a pernada. Alguns dos amigos a essa altura já estavam colocando os pés dentro do Distrito, pois são ligeiros nos passos. E assim, sob um sol de arrebentar mamona batia o meio dia quando chegamos no Rego de Curimataí, pondo fim a mais uma pernada de sucesso!

Cachoeira Curimataí
Agora era hora de ajeitar as tralhas. Como chegamos cedo, poderíamos fazer tudo com calma. Deixamos as cargueiras próxima à casa do Pedro e seguimos para a Cachoeira de Curimataí para as últimas águas. Talvez pelo cansaço da pernada, nem todos adentraram à cachoeira! Foi quando o Luís apareceu por lá se despedindo, já de roupa nova e banho tomado. Boa viagem Luís; que 'homi' apressado! Nós outros ainda ficamos ali pela Cachoeira curtindo uma preguiça e aliviando os sinais dos carrapatos, não é mesmo Thiago?

Igreja da Conceição em Curimataí
Por volta de 14h00 retornamos ao Rego de Curimataí. Dali fomos almoçar e curtir o barzinho. Fatos engraçados aconteceram por lá... Depois do almoço ficamos aguardando o resgate; pois havíamos antecipado nosso encerramento. Pouco depois do combinado nosso resgate chegou. Por volta de 15h30 embarcamos de retorno à BH, passamos novamente por Santa Bárbara e chegamos na Capital por volta de 22h00...

'Retrato' do Zé Mendes
Teresinha, Zé, Eris, Flávio, Cordeiro, Elias, Oliver, Teixeira.
Thiago, Eu, Montes Belos e Letícia
Agradeço aos novos e velhos amigos a confiança e companhia em mais essa pernada. Foram dias bonitos! Esse é um circuito pouco conhecido; não havendo relatos de realização nesse formato. É mais uma prova de que o Sempre Vivas é mesmo uma terra encantadora e cheia de possibilidades... Muito grato e até uma próxima!

Mais fotos aqui no Álbum do José Mendes

5. Serviço: Informações da Rota, Acessos e Dicas

O Parque Nacional das Sempre Vivas foi criado em dezembro de 2002 e compreende terras nos municípios de Olhos d’Água, Bocaiúva, Buenópolis e Diamantina, na região centro-norte do Estado de Minas Gerais. Seu nome deriva da presença abundante das flores sempre vivas pelos campos da Unidade. Está dentro da cadeia do Espinhaço Mineiro, apresentando relevo movimentado; repleto de afloramentos rochosos. A vegetação constitui-se de cerrado, e variações dos campos de altitude e campos rupestres. Hidrograficamente separa as bacias do Jequitinhonha e São Francisco; sendo importante manancial de nascentes que abastecem esses dois grandes rios. É habitat de muitas espécies animais e vegetais; sendo algumas endêmicas.

Nesses 15 anos desde a criação ainda não foi implantada uma sede própria, centro de visitantes ou portais de acesso-controle dentro da Unidade de Conservação. O escritório do Parque Nacional das Sempre Vivas funciona na cidade de Diamantina. Também é via Diamantina-São João da Chapada-Macacos o acesso por estrada de terra até o alojamento; antiga construção de fazenda; localizado na porção sul do Parque e ao centro da rota Curimataí-Inhaí. É basicamente destinado a dar suporte a brigadistas.

Como uma área extensa e que antigamente era utilizada para criação de gado, assim como garimpagem em alguns pontos, é natural que existam trilhas e caminhos por vários pontos do Parque Nacional das Sempre Vivas. A principal rota da Unidade é aquela que liga Curimataí (distrito de Buenópolis) e Inhaí (distrito de Diamantina). Dentre outras rotas pelo Parque, destacam a Curimataí a Santa Rita; e a Sede-Santa Rita, Via Ranchão. Para o norte a principal vertente é aquela que deságua nos Quartéis; ou então pras bandas do Inhacica.

Quanto a atrativos específicos, destacam-se a Cachoeira de Santa Rita, que é a maior e mais imponente de todo o Parque. Na borda leste próximo ao Jequitinhonha destaque para a região do Inhacica, com várias cachoeiras e remansos. O Rio Jequitaí, afluente do São Francisco é o principal curso d'água com nascentes na Unidade. Também a destacar a Serra do Galho, incrível formação rochosa na porção sul da UC.

Já o circuito realizado é uma junção de trilhas já existentes e que percorrem a porção sudoeste do Parque. Iniciando pela Serra da Tabatinga, sobe margeando o Ribeirão do Quilombo. Aproxima da Serra Grande e toma rumo às cabeceiras do Jequitaí e se aproxima da Sede Brigadista. Adentra na rota normal da Curimataí-Inhaí para adiante direcionar para o Vale do Rio Preto. Na região de Santa Rita passa pela famosa cachoeira e novamente se direciona para Curimataí, passando pelo antigo Curral de Pedras. Incluso eventuais ataques a atrativos totaliza aproximadamente 65 km; sendo um misto aproximado de 80% trilhas e 20% de velhas e erodidas estradinhas onde não transitam automóveis. Circuito bonito, desaconselhado para inexperientes, em especial solo.

Distâncias aproximadas
Cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte a Curimataí: 300 km; sendo 38 km em estrada de terra
Buenópolis a Curimataí: 40 km, sendo 38 km em estrada de terra
Belo Horizonte a Vila de Santa Bárbara: 280 km
Vila de Santa Bárbara a Curimataí: 24 km em estrada de terra
Belo Horizonte a Diamantina: 300 km
Belo Horizonte a Olhos D'Água: 420 km
Belo Horizonte a Bocaiúva: 380 km

Como chegar e voltar - de ônibus
Cidade referência: Belo Horizonte
Ida: Viação Transnorte até Buenópolis → Ônibus rural (seg a sexta) até Curimataí
Volta: Ônibus rural (seg a sexta) até Buenópolis → Viação Transnorte até BH 

► Confira no site da Viação Transnorte (Grupo Saritur) os horários e frequências
► O ônibus de linha rural ligando Buenópolis a Curimataí apresenta horários e frequências escassos. Na dúvida atualize a informação na Prefeitura ou rodoviária de Buenópolis. 

Como chegar e voltar - de carro
Cidade referência: Belo Horizonte
Ida: BR 040 até o Trevão → BR 135 até logo após Buenópolis → Estrada de Terra da BR 135 até Curimataí
Volta: Estrada de Terra de Curimataí até BR 135 → BR 135 até BR 040 Trevão → BR 040 até BH

► Uma outra opção para automóvel é acessar Curimataí pela Vila de Santa Bárbara. Nesse caso o trecho de estrada de terra é um pouco menor.
► Como se trata de um Circuito, início e final se dão no mesmo ponto, facilitando a logística.

Considerações Finais

► Unidade de Conservação - Parque Nacional: Não há sistema de reservas, cobrança de ingresso, pernoite ou uso de trilhas no Parque Nacional das Sempre Vivas; pois não há estrutura e a Unidade não é oficialmente aberta à visitação. Para visitar a Unidade é necessário contatar a Administração e solicitar autorização no Escritório em Diamantina (38-3531.3266). A Unidade exige o preenchimento de formulários, termo de responsabilidade e lista de caminhantes para eventualmente e segundo critérios próprios emitir autorização. É importante que a Unidade tenha ciência de quem está caminhando pelas terras do Parque, pois isto poderá ser orientado; além de gerar estatísticas, estudos e melhorias. Os funcionários são muito gentis, dedicados e solícitos. Então, façam o favor: não visite o Parque Nacional das Sempre Vivas sem obter autorização!

► Trilhas e Trajeto: Trata-se de um circuito na porção Sudoeste do Parque; com aproximadamente 80% trilhas; 20% velhas estradinhas erodidas ou com 'dois sulcos'; e obviamente sem trânsito. Sombreamento em aproximadamente 5% do trajeto. Há subidas mais destacadas (trecho inicial) e descidas mais íngremes (trecho final). Trecho longo por trilha antiga, desgastada e suja até se aproximar da rota Curimataí-Inhaí. Orientação complicada e há trilhas se cruzando em vários pontos. Após as proximidades do Rio Jequitaí percorre por mais de 5 km a rota Inhaí-Curimataí no sentido deste. Após toma rumo sul sentido Ranchão; atingindo o Rio Preto e percorrendo o Vale da Catraia até as proximidades do Bairro Santa Rita. Trecho com trilhas antigas e sujas; com orientação que requer atenção; pois as trilhas por vezes até desaparecem. É o trecho que apresenta maior sombreamento. Já no trecho das proximidades do Bairro Santa Rita até novamente Curimataí a trilha é consolidada, com trecho final a partir do Curral de Pedras em estradinha. Não há trilhas para a Cachoeira.

► Logística de Acesso: Como em todo Circuito, a logística de acesso-regresso costuma ser a parte menos complicada para o caminhante que segue via automóvel. Já que acessa via ônibus, tenha em mete que se trata de pequenas localidades em que transporte público é escasso ou simplesmente não existe. Dependendo do dia e horário, essa situação pode exigir a contratação de serviços de táxi ou então combinado com amigos; ou então restando a alternativa de se fazer longos trechos à pé por estradinhas vicinais. Portanto, avalie bem antes de realizar a travessia para não correr riscos de ter que ficar mais um dia no mato sem ter se programado! Já para quem ir-retornar de automóvel, as estradinhas de terra tanto no trecho Buenópolis-BR 135-Curimataí; quanto Santa Bárbara-Curimataí encontram-se em bom estado.

► Camping: Não há estrutura de camping no Parque Nacional das Sempre Vivas; somente camping natural. Não faça desmatadas ou fogueiras; e traga todo o seu lixo de volta!

► Água: Há pontos de água pela rota, não sendo necessário transportar grandes quantidades enquanto se caminha. Mas no tempo da seca algumas fontes desaparecem; então nesses períodos fique atento e abasteça sempre em carga máxima. Use sempre purificador!

► Exposição ao Sol: Intensa. Use protetor solar.

► Época de realização: O melhor período para realização dessa rota é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. Porém é quando as águas das cachoeiras estão mais geladas e em menor volume. Em períodos chuvosos pode ser impossível realizá-la, pois há muitos córregos a cruzar.

► Tempo e Sentido para realização: Pode ser feito no sentido horário ou anti horário. Particularmente preferimos no sentido horário. Em 4 dias seria o formato ideal; suficientes para se caminhar com calma e curtir os atrativos sem pressa. Mas é possível realização em 3 dias de caminhada mais intensa; ou ainda em apenas 2 dia no formato speed. Importante: Rota não indicada para principiantes; em especial no modo solo. Requer experiência em navegação.

► Segurança: É um circuito que permite rotas de escape. Na parte inicial é possível retornar à Curimataí.. Na região do alojamento é possível sair por Macacos-São João da Chapada-Diamantina ou Curimataí pela rota que vem de Inhaí. Na região do Santa Rita é possível sair por esse bairro; apesar da sua localização pouco estratégica. Mas tenha em mente que em qualquer uma dessas opções as rotas são longas, mesmo que em estrada de terra. Não há estrutura de busca e resgate na Unidade. Não há sinal de telefonia celular pela rota; nem obviamente terminais telefônicos.

► Atenção: Ambientes naturais abrigam insetos e animais selvagens ou peçonhentos. Isto é natural e normal. Portanto ao manusear suas roupas e equipamentos verifique com atenção e rigor se não há presença desses animais ou insetos; evitando acidentes. Use repelentes contra carrapatos. Também fique atento quanto a presença de animais selvagens de grande porte; e evite assustá-los.

► Cash: leve dinheiro trocado e em espécie. Pequenas localidades não aceitam cartões ou cheques.

► Carta Topográfica: Curimataí, Diamantina


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Bons Ventos!!!