segunda-feira, 23 de março de 2015

Pico do Itambé: uma Travessia pelo Sertão Mineiro!

Amanhecer no Pico do Itambé
O Parque Estadual do Pico do Itambé está encravado na Serra do Espinhaço, ao norte de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais. Sua importância é revelada por abrigar ricas flora e fauna; como orquídeas endêmicas e animais raros, como a onça parda e o lobo guará. A vegetação local é caracterizada por campos rupestres e áreas de mata de transição. O relevo é acidentado, como é comum nas áreas do Espinhaço. Em seus domínios estão localizadas nascentes de afluentes que formam os rios Doce e Jequitinhonha, importantes mananciais do Leste do Estado. Porém, o principal marco deste Parque Estadual é o Pico do Itambé, referência histórica dessa região do Estado de Minas Gerais; emergindo a 2.052M de altitude. Do seu topo é possível avistar toda a área do Parque Estadual, além da imensidão das terras nos arredores, recortadas por rochas, morrotes e inúmeros povoados e cidades da região. O modo mais adequado e completo para conhecer este Parque é através da Travessia do Pico do Itambé, com pernoite no topo. A travessia tem início nas proximidades do Arraial de Capivari, município do Serro; e finda-se na cidade de Santo Antonio do Itambé, onde está localizada a sede do Parque. Estivemos por lá em princípio de março...

Grupo no trevo de Capivari
1 Desde novembro de 2014 planejávamos estar por lá, porém em duas ocasiões o tempo chuvoso não nos permitiu; uma vez que sob essas condições não se autorizam visitas com pernoite ao Pico do Itambé. Remarcada nova data junto ao Parque, fomos agraciados por tempo aberto. Assim, deixamos Belo Horizonte por volta de 00h30 de sábado, dia 7 de março, rumo ao Vilarejo de Capivari, município do Serro, escolhido nossa porta de entrada no Parque. Preferimos passar por Curvelo, Gouveia, Datas e finalmente Serro, através das BR's 040, 135 e 259, evitando o trecho de estrada de chão entre Conceição do Mato Dentro e Serro; que é a outra rota possível para acessar o Parque.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.

Powered by Wikiloc
Preferi incluir marcação desde a cidade do Serro para facilitar o deslocamento

Durante a viagem fizemos rápida parada no Trevão de Curvelo e ainda na estrada, logo após passarmos pela bela cidadezinha de Datas e com o dia já clareando, foi possível ver o belíssimo Pico do Itambé, nosso objetivo daquele dia. Foi uma imagem espetacular. Ao chegarmos no trevo do Serro, fomos até a rodoviária da cidade buscar nosso amigo Júlio, que já nos esperava desde às 4h00 da matina. Sem delongas deixamos o Serro e tomamos a estrada asfaltada para Milho Verde; outro distrito da cidade. Porém, antes de chegar à Milho Verde, entramos à direita (há placa de sinalização) rumo ao Arraial de Capivari através de estrada de chão, aonde chegamos por volta de 7h40 da manhã. O tempo estava parcialmente nublado e já fazia calor!

Capivari
Chegados em Capivari fomos direto para a casa do Sr. Gonçalo, que é funcionário do Parque e responsável pelo controle de visitantes via Capivari. Fizemos os trâmites burocráticos e fomos nos esbaldar no farto café da manhã preparado pela sua esposa. Enquanto empanturrávamos com delicioso café, nosso motorista trocava um pneu furado da van, graças a um pequeno compressor cedido gentilmente pelo Sr. Gonçalo. Tudo normalizado e de barriga cheia, passava das 9h00 quando embarcamos rumo ao local conhecido como Poço Preto, que é o ponto até onde é possível ir de carro para iniciar a Travessia do Parque do Itambé. Isto poupou-nos quase 7 km de caminhada por estradinha vicinal. Por volta de 9h45 despedimos do nosso motorista e iniciamos a caminhada; cerca de 600m antes do Poço Preto, pois imaginei que teríamos problemas com a van no trecho de estradinha adiante.

Ponte em construção
Cruzamos um mata burro sobre um córrego e fomos seguindo em leve aclive pela estradinha até o Poço Preto. Constatei que foi certeiro o desembarque antecipado, pois a estradinha tinha um trecho ruim para transpor com veículo grande. Adiante, passamos por uma porteira e chegamos ao Poço Preto. Cruzamos o córrego e ainda em estradinha antiga cruzamos à frente outro riacho, onde uma pequena ponte está em construção. Após este córrego, demos uma guinada para a direita, avistando algumas casas a aproximadamente 150 metros à direita da trilha. Trilha marcada, passamos por outro ponto de água e logo adiante, avistamos uma pequena queda d'água à direita da trilha. Fizemos uma parada para descanso e hidratação.

Rochas em formato curioso
Retomada a caminhada, cruzamos outra porteira e em aclive seguimos à esquerda, saindo em campo aberto. Adiante, e caminhando pelo vale entre a Serra da Bicha e o Morro Vermelho, passamos por outra porteira e mais um ponto de água. Aliás, a trilha estava um pouco lamacenta devido às chuvas do dia anterior. Passamos por outra porteira e por uma capoeirinha, com belíssimas formações rochosas à nossa esquerda. Cruzamos um riacho mais volumoso pulando pedras e ao som de uma cachoeira na mata à nossa direita. Trilha marcada, contornamos a mata pela esquerda e em aclive chegamos a outra porteira. Nova parada para descanso. Até então a neblina não nos permitia ver o Pico do Itambé por completo...

Neblina insistente pros lados do Pico
De novo na trilha, tomamos à esquerda na bifurcação logo após a porteira e adiante cruzamos um rego d'água. Após, seguimos novamente à esquerda na bifurcação e em aclive fomos beirando outro rego d'água que desce pelo vale entremeado à uma capoeira. O trecho estava lindo, com canteiros de canelas de ema floridas. Parada para fotos! Chegamos então à uma bifurcação importante e que a sinalização do Parque ajuda decisivamente. A trilha mais marcada segue em frente e antes da instalação da sinalização erros eram comuns naquele ponto. Tomamos então a discreta trilha da direita conforme a sinalização, cruzamos novo ponto de água e adentramos em uma mata mais alta, com trilha ampla e em aclive. Após a matinha emergimos em campo aberto e cruzamos outra porteira. Tomamos à esquerda e já nos aproximávamos do trecho mais íngreme da trilha, que segue "ziguezagueando" entre as inúmeras rochas de formações curiosíssimas.

Trecho com muitas canelas de ema
A belíssima flor
Avistei pouco acima um guarda parque que discretamente nos observava desde uma rocha com vista privilegiada. Fomos nos aproximando e poucos metros acima subimos um lance de rocha, chegando até onde estava o guarda parque, que nos aguardava. Meio dia em ponto, tempo parcialmente nublado, bastante abafado e quente! Nova parada para fotos, curtição e checagem burocrática por parte do guarda parque. Naquele ponto o visual se descortinava com graça e amplitude. Podia-se observar o caminho percorrido, com a imponência dos Picos das Três Pedras bem à nossa frente. Estávamos em meio a um jardim, tamanha era a variedade de flores, com destaque para as flores de canelas de ema! Uma sensação de "valer à pena" já nos invadia e a partir dali o Pico do Itambé deu as caras de vez...

Três Pedras
Depois de meia hora de descanso retomamos a caminhada. Percorríamos agora a íngreme porém bem sinalizada trilha, com setas brancas em vários pontos. Passamos pela famosa placa Leve seu Lixo, cruzamos outra porteira e fomos subindo morro acima entre rochas que fizeram nossas mentes divagar... São formatos incríveis que remetem a animais e cenas cotidianas... A trilha segue sinalizada, porém é discreta entre a vegetação rasteira. Fizemos várias paradas para fotos e contemplação. Ao vencermos o trecho mais íngreme emergimos então no amplo campo aos pés do majestoso Pico do Itambé. A trilha segue praticamente em linha reta para o paredão do Pico, que devido à verticalidade e fendas impõe respeito. Sem dúvidas leva ao forasteiro de primeira viagem a pensar como conseguirá vencê-lo...

No platô do Itambé
Antes da recente sinalização da rota Capivari ao Pico do Itambé, era muito mais comum essa dúvida. Muitos batiam cabeça por lá estudando a melhor rota para ataque ao cume e acabavam se dirigindo mais à esquerda do Pico através de antigas trilhas de gado que não levam a lugar nenhum. Porém, a trilha correta escala o paredão na mesma direção que vem desde o início do planalto. E foi por aí que subimos. E tome subida. São inúmeros degraus. Seguimos lentamente sob o forte calor e fomos ganhando altura. Impossível não parar para contemplar o trecho percorrido ou para descansar. Chegamos então à uma primeira rocha que exige retirada da mochila para transposição. Passagem com louvor, seguimos ganhando altura e admirando as formações rochosas.

Vista desde subida do Pico: trecho da trilha no platô
Poucos metros acima mais uma transposição de rocha, exigindo a retirada das cargueiras. A verticalidade aumenta e a trilha segue na base do trepa pedras. Chegamos então a um ponto de água à direita da trilha, onde parei para me refrescar. Enquanto isso, o grupo seguiu subindo a pirambeira. Reabasteci, retornei à trilha e lentamente venci os últimos degraus em rocha. Sob visual estonteante, às 14h45, após 5 horas de jornada, chegamos à área do acampamento no Pico do Itambé, que se localiza em um platô abaixo do topo. Estávamos bem cansados, e embora tivéssemos feito o trecho lentamente, a subida havia sido exigente!

Acamps no Itambé
Estando na área de camping, imediatamente começamos a montar as barracas. A área de acampamento é pequena e irregular, mas é relativamente abrigada. Após a montagem fomos à busca de água. Desci obedecendo a sinalização e cheguei até as rochas, um espécie de gruta à direita do acampamento. Constatei apenas um filete de água e o abastecimento de todos seria demorado. Retornei ao acampamento e segui com mais alguns até as construções no topo do Pico, onde segundo havia me informado, teria água armazenada em galões para nosso consumo. Porém, não localizamos o bendito galão de água... Retornamos então à gruta, desci as rochas e com a ajuda dos parceiros fiquei por lá cerca de 1 hora coletando água para todos.

De volta ao camping, fizemos um breve lanche e corremos para o topo do Pico para assistir o por do sol. O topo do Pico do Itambé é irregular, com gretas, fendas e pequenos platôs recobertos por vegetação rasteira e arbustiva, com plantas diferentes e típicas de altitudes. Na parte mais alta do Pico há algumas antigas construções que servem às comunicações e abrigo aos guarda parques. Algumas delas estão em reformas, pois se encontram bastante deterioradas. Há também um pequeno Cruzeiro sobre uma rocha, algo bastante comum em topos de picos por Minas Gerais, pois é uma região com forte influência católica-cristã, especialmente no interior do Estado. A água é escassa pelo topo, tendo somente uma mina na gruta nas proximidades da área de camping. Em períodos de longa estiagem costumam secar totalmente.

Entardecer...
Naquela tarde de sábado o tempo estava parcialmente nublado e sem neblina, possibilitando um visual de arrepiar desde o topo do Itambé! Ao norte destaque para as terras do Parque Estadual do Rio Preto. À oeste, áreas a perder de vista... À sudeste Santo Antonio do Itambé e outras lonjuras... Ao Sul regiões do Serro... À sudoeste um pontinho branco denunciava o Arraial de Capivari. À oeste e Noroeste terras próximas à Diamantina, inclusive do PE do Biribiri... Ficamos nas rochas e sob clima agradável despedimos daquele belo por do sol... Porém, como em um passe de mágica, uma neblina foi se formando e logo descemos para o camping, já tomado por ela. A temperatura caiu e o vento leste-oeste passou a soprar insistentemente...Tratei logo de preparar o jantar coletivo com a ajuda do James e antes das 21h00 já estávamos abrigados nas barracas, pois o frio apertou e a neblina não dispersou...

Amanhecer
2 Foi uma noite de sono recuperadora. Às 5h20 botei a cara fora da barraca e tudo estava coberto por neblina, sem chances daquele magnífico nascer do sol... Como a natureza é mesmo surpreendente, por volta de 6h10 a neblina deu uma dispersada e foi possível curtir o belo visual. Aproveitei e fui ao topo novamente, levando comigo os vasilhames para limpeza. Sim, a Sol havia localizado o bendito galão de água por lá ainda no por do sol do dia anterior... Fiz alguns registros, lavei as tralhas e voltei ao camping. Café da manhã feito e tralhas ajeitadas, por volta de 9h30 começamos a descer rumo a Santo Antonio do Itambé.

A conhecida ponte pênsil
A trilha da descida para Santo Antonio do Itambé inicia no topo, ao lado do pequeno cruzeiro. Apesar de mais longa que o lado por Capivari, a trilha é em declive constante, bem marcada, fartamente sinalizada e não há a menor hipótese de erro! Fomos descendo lentamente sobre as rochas e cruzamos com dois aventureiros que chegavam ao cume. Adiante, passamos pela Pedra do Pato e rapidamente chegamos ao Rebentão, uma enorme greta na rocha onde está a pequena ponte pênsil. Doravante caminhávamos por um campo florido, lindo de viver... Perdendo altura, às 11h00 chegamos aos Panelões, que é o último ponto de água para quem está acessando o Pico do Itambé vindo de Santo Antonio. No lugar há uns "panelões" no leito de um fio d'água que se assemelham a ofurôs, ótimos para refresco. Abaixo dos panelões há uma profunda e estreita greta rochosa por onde a água se escorre... Fizemos uma parada por lá, mas ninguém se molhou...

Na descida permaneci na rabeira, pois como a trilha é sinalizada as chances de problemas eram mínimos. Às 11h30 passamos pela Lapa do Morcego. A partir da Lapa a trilha fica mais marcada e rapidamente chegamos a uma casa abandonada (antiga casa do Sr. Joaquim Moacir), onde aproveitei para me refrescar em um cano de água que havia por ali. Tomamos então um atalho à esquerda, cruzamos um rego d'água e chegamos até a estradinha vicinal que leva à Portaria do Parque. Assim, já havíamos percorrido o trecho de descida mais íngreme e exigente. Era por volta de meio dia e o calor continuava sufocante...

Tomamos então a estradinha e às 12h30 chegamos à bifurcação que segue para a Cachoeira do Rio Vermelho, cerca de 2,8 km à esquerda da estrada vicinal. Como estávamos um pouco mais lentos e havíamos deixado o topo mais tarde, decidimos visitar somente a Cachoeira do Neném. Assim, passamos batido pelo acesso à Rio Vermelho. Cada um veio imprimindo o seu ritmo e às 13h15 chegamos à bifurcação da Cachoeira do Neném, localizada a 1 km à direita da trilha. Parada para aglutinação e rapidamente nos dirigimos à cachoeira. Os aventureiros que encontramos lá no Pico quando deixávamos o topo passou por nós em uma motocicleta, a mesma que vimos estacionada próxima à casa do Sr. Joaquim Moacir!

Cachoeira do Nenén
A cachoeira do Neném possui um bom volume de água, bonita queda e um poção de águas acobreadas. A descida até o poção é feita através de uma escadaria de madeira e os arredores são repletos de rochas menores e vegetação. Dei umas exploradas no lugar, matando saudades. Um chuvisco veio nos visitar, mas logo passou. Pouco depois das 15h00 deixamos o lugar. Retornamos até a estradinha vicinal e continuamos a caminhada rumo à portaria do Parque; aonde chegamos pontualmente às 16h00. Por lá também acabara de chegar o nosso resgate. Infelizmente nem cogitamos a ida à Cachoeira da Água Santa, pois o tempo ameaçava chover e estávamos bem cansados. A maioria de nós preferiu tomar um banho rápido na ducha instalada ao lado da portaria do Parque. Uma chuvinha caiu pra ajudar no refresco...

Matriz no centrinho de St Antonio do Itambé
Estávamos alegres pelo sucesso da pernada e a ducha ajudou a refrescar o calorão. Por volta de 16h30 embarcamos para Santo Antonio do Itambé. Enquanto alguns foram se banhar em uma Pousada na Rua da Matriz, nós fomos almojantar no restaurante quase em frente. Aglutinados, barriga cheia e com alguns queijos na bagagem, por volta de 18h00 deixamos a cidade. Passamos pelo Serro para deixar o Júlio que viajaria para Valadares. Depois, pé na estrada. Ainda paramos em Curvelo para esticar as pernas, depois non stop até Belo Horizonte, aonde chegamos beirando 1h00 da madrugada de segunda feira...

Registro aqui meus agradecimentos a toda a diretoria e funcionários do PE do Pico do Itambé, em especial aos guarda parques que nos trataram com gentileza ímpar. Apesar do Parque ainda não ter uma estrutura completa, todos fazem um trabalho digno de reconhecimento. Agradeço também aos amigos aventureiros que dedicaram um tempinho para essa nossa aventura. Sem dúvidas foi um privilégio percorrer aquelas terras, que mais parecia um jardim daqueles extremamente cuidados. Certamente nos cansamos fisicamente, mas nossas mentes voltaram muito mais leves e tomadas por recordações difíceis de serem esquecidas. Foi uma pernada feliz!


Serviço

Criado em 1998, o Parque Estadual do Pico do Itambé abrange áreas dos municípios do Serro, Santo Antonio do Itambé (sede) e Serra Azul de Minas. Está a aproximadamente 250 km ao norte de Belo Horizonte, região do Alto Jequitinhonha. Tem em sua vizinhança outros Parques, como o Parque Estadual do Rio Preto e Parque Estadual do Biri Biri, que juntos formam um grande cinturão de proteção nesta área da Serra do Espinhaço. Suas terras, além de plantas endêmicas, abrigam algumas espécies animais em extinção, como a onça parda e o lobo guará. Possui acesso tanto pela cidade de Santo Antonio do Itambé quanto pelo Arraial de Capivari, município do Serro. Sua sede encontra-se na Fazenda São João, localizada cerca de 2 km da cidade de Santo Antonio do Itambé.

O ícone principal do Parque é o Pico do Itambé. Desde a época dos bandeirantes este acidente geográfico é referência para o chamado Sertão Mineiro. Chegou a ser considerado o ponto culminante nos primórdios do Estado, recebendo o nome carinhoso de "Teto do Sertão Mineiro", graças aos seus 2052 metros de altitude. Hoje sabe-se que é um dos pontos mais elevados de toda a Cordilheira do Espinhaço, atrás apenas dos Picos do Sol (2072m) e Inficcionado (2068m), ambos no Caraça. Além do Pico do Itambé, há outros atrativos pelo Parque, com destaque para as Cachoeiras do Rio Vermelho, Neném e Água Santa, todas na rota da Travessia do Pico do Itambé. Na rota da Travessia-Trilha dos Tropeiros há ainda a famosa Cachoeira da Fumaça. Inúmeros outros atrativos naturais complementam os arredores da região, com destaque para as diversas cachoeiras nas proximidades de Capivari, além de pinturas rupestres.

Este Parque Estadual encontra-se em fase de implantação, por isso ainda não há centro de visitantes ou outras estruturas para visitação, como banheiros ou camping estruturado. Mesmo assim, o Parque é exemplo no que diz respeito ao visitante, possuindo duas rotas de Travessias: a do Pico do Itambé e a Trilha dos Tropeiros, que são sinalizadas e com trabalhos anti-erosão em vários pontos. Os guarda parques são antigos moradores locais e é impressionante notar o carinho e atenção que eles tem para com o Parque e visitantes.

A Travessia do Pico do Itambé

Rota no GE
Esta Travessia possui aproximadamente 25 km de extensão, sem contar os ataques aos atrativos das cachoeiras. Tem início nas proximidades do arraial de Capivari, município do Serro; e seu final em Santo Antonio do Itambé (ou vice-versa). Entretanto, esse percurso pode ser diminuído em até 13 km através do uso de automóvel. Iniciando por Capivari, pode-se ir de automóvel até o Poço Preto (7 km após Capivari) e ao final, da casa do Sr. Joaquim Moacir à portaria do Parque através de veículos 4 x 4 (6 km). O mesmo se aplica para realização em sentido inverso. As distâncias ida e volta para ataque aos atrativos cachoeiras são 5,6 km para a Cachoeira do Rio Vermelho; 2 km para a Cachoeira do Neném e 1,3 km para a Cachoeira da Água Santa. Da portaria do Parque à cidade de Santo Antonio do Itambé são 2,7 km em estrada de terra em bom estado.

Contatos

► Sede do Parque em Santo Antonio do Itambé: 33 3428-1372
► Sr. Gonçalo, em Capivari: 38 8821-6892
► e-MAIL: peitambe@meioambiente.mg.gov.b

Importante:

►► Antes de visitar o Parque para fazer a Travessia ou mesmo bate e volta no Pico do Itambé (isto vale também para a Trilha dos Tropeiros) é necessário agendar a visita. Eu fiz diretamente na sede do Parque, através de contato telefônico. O Sr. Gonçalo também pode efetuar o agendamento, caso o início da atividade seja no Arraial de Capivari.

►►Nem sonhe em visitar as áreas do Parque às escondidas. Há monitoramento constante e diário em pontos estratégicos do Parque. Além disso, desde o topo do Pico do Itambé é possível monitorar todo o parque e nem "moscas" passam despercebidas. Se teimar, saiba que terá aborrecimentos!

Como chegar ► cidade referência: Belo Horizonte

De carro:
Há duas rotas principais para se chegar ao Parque Estadual do Pico do Itambé.

A primeira rota é através da rodovia MG 10, passando pela Serra do Cipó, Conceição do Mato Dentro e Serro. Chegando no Serro, o visitante poderá optar por acessar o Parque via Arraial de Capivari (Distrito do Serro) ou Santo Antonio do Itambé.
Se optar por Capivari, tomará no trevo do Serro a rodovia asfaltada para Milho Verde. Cerca de 2 km antes de Milho Verde, entrará à direita, percorrendo cerca de 12 km de estrada de terra até Capivari. Se optar por Santo Antonio do Itambé, basta se manter na rodovia asfaltada MG 10 por mais 21 km.
► Distância total: aproximadamente 258 km iniciando por Capivari ou 250 km iniciando por Santo Antonio do Itambé
► Apesar de mais curta, o grande inconveniente desta rota é o trecho de aproximadamente 50 km em estrada de terra entre Conceição do Mato Dentro e Serro.

A segunda rota é através das BR's 040, 135 e 259, passando por Curvelo, Gouveia, Datas, Serro. Chegando no Serro, o visitante poderá optar por acessar o Parque via Arraial de Capivari (Distrito do Serro) ou Santo Atonio do Itambé. Se optar por Capivari, tomará no trevo do Serro a rodovia asfaltada para Milho Verde. Cerca de 2 km antes de Milho Verde, entrará à direita, percorrendo cerca de 12 km de estrada de terra até Capivari. Se optar por Santo Antonio do Itambé, basta se manter na rodovia asfaltada MG 10 por mais 21 km.
► Distância total: aproximadamente 340 km iniciando por Capivari ou 332 km iniciando por Santo Antonio do Itambé
► Apesar de mais longa, a vantagem é seguir por estrada asfaltada e só enfrentar estrada de terra nos quilômetros finais, caso opte por acessar o Parque via Capivari.

De ônibus:

A cidade porta de entrada para o Parque Estadual do Pico do Itambé é o Serro, que é a maior e mais estruturada cidade do entorno do Parque. A empresa de ônibus que liga BH à região é a Viação Serro, inclusive chegando até a cidade de Santo Antonio do Itambé.
Programe a sua viagem e confira sempre os horários e tarifas diretamente no site da Viação Serro.

► Vale ressaltar que, caso vá de ônibus para a região, saiba que os horários para as localidades menores são escassos. Além disso, prepare suas pernas, pois a rota da travessia será mais longa.

Do Serro para Capivari há ônibus de seg a sex às 12h30
De Capivari para Serro há ônibus de seg a sex às 05h45 da manhã.
Não há ônibus aos sábados, domingos e feriados.

Hospedagem e Alimentação 

No arraial de Capivari há o conhecido Turismo Solidário, em que moradores locais abrem as portas das suas casas para os visitantes. Oferecem pernoites, café da manhã, almoço e jantar, mediante demanda e a preços baixos. É mais uma oportunidade para se inteirar da simpática rotina dos moradores locais. Mas fique atento que são comuns modificações nestes serviços; com novos entrantes e saídas de outros. O Sr. Gonçalo é um dos participantes do Projeto e pode dar mais informações. Saiba mais visitando o site Turismo Solidário, clique AQUI

Em Santo Antonio do Itambé há a Pousada Pé de Serra (33 3428-1226), localizada no centro da cidade.
Outra opção é a Pousada Moinho Santo Antonio (33 3428-1405 ou 33 8835-3988), um pouco mais afastada do centro, no sítio Farinha Seca. 
Em Santo Antonio do Itambé há o Camping e Pousada da Terezinha (33 8819-0712), localizado nas proximidades da Cachoeira da Fumaça, cerca de 2 km da cidade.
Há também o Restaurante e Camping Rancho do Vale, nas proximidades do Lajeado, início da Trilha dos Tropeiros. 
Em Santo Antonio do Itambé recomendo o restaurante da Sônia (33 8740-3568), localizado na Rua da Matriz, no Centro. 

Considerações finais

► Como escrito acima, nem cogite realizar esta Travessia (ou a Trilha dos Tropeiros); ou mesmo fazer bate e volta no Pico do Itambé sem agendamento no Parque. O monitoramento é constante e estratégico. Respeite as regras do Parque! 

► Em dias de chuvas fortes normalmente o Parque não autoriza a realização dessa Travessia; nem pernoite ou ataque ao Pico do Itambé.

► Há limitação de visitantes para realização desta Travessia (12 pessoas, incluso eventuais guias). 

► Há limitação de visitantes para pernoite no topo do Pico do Itambé (15 pessoas, incluso eventuais guias e carregadores). 

► Há limitação de visitantes para bate e volta no Pico do Itambé (20 pessoas, incluso eventuais guias). 

► O Parque não funciona às terças feiras. 

► O acampamento no topo do Pico do Itambé é no estilo 'selvagem'; com área pequena e com terreno irregular. 

► Há água no topo do Pico do Itambé, localizada em uma espécie de gruta em meio às rochas à direita da área de acampamento. Mas em época de estiagem esta fonte seca. 
Os funcionários do Parque gentilmente costumam disponibilizar um galão de água para os visitantes que irão pernoitar no topo do Pico do Itambé. 

► As passagens sob rocha na subida final do Pico pelo lado de Capivari são tranquilas e não exigem equipamentos técnicos para transpô-las. 

► A rota Capivari ao Pico do Itambé está sinalizada em seus pontos mais críticos. 

► A rota Pico do Itambé a Santo Antonio do Itambé é muito bem sinalizada. 

► Há na portaria de Santo Antonio do Itambé uma ducha de água fria em um cercado de bambu, que é suficiente para um bom banho/refresco ao final da caminhada. Há sanitário no local. 

► Dessa vez visitamos apenas a Cachoeira do Neném, mas recomendo também a visita às Cachoeiras do Rio Vermelho e Água Santa, pois são lindas. Igualmente recomendo a realização da Travessia da Trilha dos Tropeiros. 


Bons ventos a todos!!!

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