segunda-feira, 15 de maio de 2017

Travessia da Serra da Lagoa Dourada

Vale-platô na encosta oeste da Serra da Lagoa Dourada
Lagoa Dourada! Esse nome é amplamente conhecido dos montanhistas e caminhantes mineiros da região central. É o nome de um Vale localizado nos arredores do ParnaCipó; e também nomeia uma bonita cachoeira no próprio Vale. Há vários caminhos para se chegar até o lugar; destacando aquele que parte de São José da Serra; aquele que parte da Portaria Areias do ParnaCipó; ou ainda, a partir do arraial de Altamira para aqueles que apreciam uma caminhada mais esticada. Porém, o que muitos desconhecem é que a serra principal da região também chama-se Lagoa Dourada. E é por ela que há um outro caminho para se chegar ao tão falado Vale. Essa rota vem também do sul, mas percorrendo influências da Serra da Contagem e cruzando a própria Serra da Lagoa Dourada. É tão antiga quanto os outros acessos, mas ao longo do tempo caiu no esquecimento dos montanhistas... Estivemos no trecho em fevereiro de 2017, cumprindo nossos planos de percorrer a região...

1 Deixamos BH pouco depois das 6h00 do dia 18 de fevereiro rumo à região do Córrego Fundo, município de Nova União, distante uns 80 km desde Belo Horizonte. Fizemos uma parada para café às margens da BR 381 e novamente embarcamos rumo ao Córrego Fundo. Esse lugarejo fica no mesmo sentido de Altamira, à margem esquerda da estradinha pouco antes de chegar no badalado arraial. Sem pressa beirava às 8h30 quando chegamos até o ponto de desembarque; pouco depois da Igrejinha do Córrego Fundo. Este é o mesmo ponto de desembarque da nossa caminhada da semana anterior, quando percorremos a Serra da Contagem.

Leia outros relatos dessa região aqui no Blog.
► Bate e volta à Cachoeira da Lagoa Dourada

Pela estradinha na Serra da Prata: Morro do Cruzeiro (E) e
Serra da Lagoa Dourada (D)
O dia anunciava temperatura elevada e tempo firme. Ajeitamos as tralhas sob céu azul e sol nos cocos iniciamos nossa caminhada pela mesma estradinha que havíamos percorrido na semana anterior. A estradinha sobe o prolongamento norte da Serra do Prata; estabiliza no topo e imediatamente entra em acentuado declive. Percorremos o trecho sem pressa; como é natural ao iniciar uma travessia; pois é necessário um tempinho para 'esquentar o corpo'.

Passava das 9h15 quando chegamos à bifurcação da placa da Fazenda do Sete; localizada no Vale do Ribeirão do Prata. Ao contrário do que fizemos na semana anterior, quando fomos para o sul; dessa vez fomos para o norte, no sentido da Fazenda. Seguimos pela estradinha e percorremos um curto trecho em declive pelo fundo do Vale do Prata. Logo deparamos com umas goiabeiras à beira da estrada, pouco antes de uma casa. Aproveitamos para encher os bolsos, pois estavam realmente docinhas!

Mais alguns passos cruzamos um ponto de água e uma porteira; quando percorremos um trecho rodeado por capoeira. Em suave aclive, ignorei uma saída-estradinha à nossa esquerda em favor de uma trilha que antigamente existia logo à frente e que nos levaria no sentido desejado. Ledo engano, tudo estava sujo por lá e tivemos que retornar até a estradinha; que leva até um sítio mais acima. Retornados, às 9h40 entramos nessa estradinha; deixando o rumo norte e tomando o rumo oeste. Trecho sombreado, logo à frente cruzamos o Córrego da Prata através de uma ponte simples. 

Subindo pouco antes de adentrar na mata:
único trecho sombreado dessa Travessia
Cruzamos uma porteira e saímos em pasto aberto. Subida mais forte, a estradinha precária foi nos conduzindo rumo a um sítio localizado na encosta; que é um prolongamento da Serra do Morro Vermelho. Quando avistamos o sítio a uns 200 metros acima, tomamos uma discreta e velha estradinha à esquerda. Passamos por um rego d’água com um velho e mirrado pé de manga por perto. Seguimos em direção à uma mata; trecho em que a estradinha se transformou numa trilha; que sobe beirando uma cerca e a mata. Cruzamos outra porteira, adentramos no trecho de mata e a trilha-estradinha estabilizou. Margeando a estradinha uma antiga rede de postes com fiação de energia elétrica.

Região próxima à antiga casa
Logo à frente cruzamos uma ótima e volumosa fonte de água, quando reabasteci. Pulando as rochas do leito tocamos adiante, agora em suave aclive. A velha estradinha praticamente desapareceu; estando tomada pelo mato; com manchas de braquiária. Em caracol, logo chegamos próximo às ruínas de uma antiga casa; à direita da velha estradinha. Os postes e fiação levavam energia até essa casa; mas nos parece que ora se encontra desligada; pois a rede apresenta danificada.

Devido ao calorão procurávamos um ponto para um descanso, mas os arredores da antiga casa, que fica a alguns metros da trilha-estradinha e escondida no meio do mato não nos parecia propício. Havia muito mato alto por ali. Tocamos acima pela trilha-estradinha, que mais marcada logo se estabilizou. Chegamos então a um outro ponto de água, às 10h30. Por lá nos esparramos nas sombras da mata sobre a estradinha. Parada para descanso e merecido lanche.

Campos ao final da subida do prolongamento da Morro Vermelho
Beirava as 11h00 quando retomamos a caminhada. Mesmo com as sombras das árvores o calor era intenso e aquela subida parecia interminável. Por um trecho, a precária estradinha praticamente desapareceu e a trilha discreta rasgava mata acima com arredores bastante sujos. Passamos por um pequeno descampado e a precária e antiga estradinha reapareceu. Novamente em caracol vamos subindo, até que chegamos a outro ponto de água. Um alívio! Reabastecemos, pois ali seria a última água da subida. Depois bastaram poucos metros; a mata foi raleando e saímos em campo aberto por volta de 11h25.

Seguimos pela trilha rumo oeste alguns metros para interceptar a trilha correta que nos levaria rumo norte. Nesse ponto estivemos a poucos metros da trilha da Serra da Contagem que havíamos realizado na semana anterior. Interceptamos a trilha desejada, tomamos rumo norte e seguimos pelos campos, já sendo possível ver à direita o Morro do Cruzeiro aonde passaríamos dentro de pouco tempo. Ao sul despontavam vistas dos trechos percorridos inicialmente; já um pouco distantes. Começamos a ouvir sons de motocicletas! Seguimos pela trilha discreta em suave declive quando deparamos com um grupo de motociclistas trilheiros. Passaram por nós e seguiram para o sul-oeste.

Vista desde o morrote acima do platô ao final da subida:
Primeiro plano Serra do Morro Vermelho.
Ao fundo destacam Caraça (E) e Piedade (D)
Cruzamos uma área úmida e começamos a subir um trecho de cascalheira bastante íngreme. Subidinha um pouco chata; mas que permite visual marcante e muito bonito. Cruzamos uma tronqueira e às 11h40 chegamos a um platô, quando tomados pelo cansaço novamente nos esparramamos pelo campo. Hora de descanso! Aproveitei para subir com os amigos o morrote à nossa esquerda, de onde se tem bonito visual de todo o trecho percorrido e das amplas áreas para o sul, como a Serra da Piedade e do Caraça.

Pouco depois do meio dia retomamos a caminhada. Em desfavor da trilha mais batida que corre para o oeste e que leva para a Serra da Contagem, tomamos uma discreta trilha no sentido nordeste. Pouco à frente a trilha segue para o norte. Vamos então desviando pelo campo sem trilha definida; porém mantendo o sentido nordeste. Cumeamos um morrote, cruzamos uma cerca de arame farpado; descemos um lance e numa guinada tomamos o rumo sudeste, percorrendo uma velha trilha.

No campo aproximando do Morro do Cruzeiro (D)
Margeamos pequena encosta pela direita e adiante saímos numa ampla e aberta área de campos, quando sem trilha definida tomamos o rumo leste; orientados por um pequeno morrote à nossa frente. Contornamos o morrote pela direita e imediatamente interceptamos uma trilha de vaca; que às 12h40 nos levou até outra, mais batida e justamente no ponto desejado, ao norte do Morro do Cruzeiro. Por lá deixamos nossas cargueiras juntamente com a maioria do grupo. Eu, Hachouche, Raquel e Teresinha seguimos para o Morro do Cruzeiro.

Topo do Morro do Cruzeiro.
À direita da cruz, ao fundo, estradinha na Serra do Prata,
trecho inicial da caminhada
Tomamos a trilha que segue no sentido sul e logo a deixamos, subindo pelo campo sem trilha marcada rumo ao topo; aonde chegamos em 5 minutos de caminhada. Com pouco mais de 1440m de altitude, há no cume uma cruz com algumas inscrições; e um pequeno oratório de pedra aos seus pés.

O visual desde o Morro do Cruzeiro é muito bonito, podendo observar ao sul todo o Vale do Ribeirão da Prata, bem como as serras do Prata e Morro Vermelho ali próximas. Ao fundo o Caraça e a Serra da Piedade se destacam. Para o leste-norte a Serra da Lagoa Dourada; para oeste-noroeste a Serra da Contagem. Lugar bacana para se ficar um bom tempo admirando a paisagem... Porém permanecemos pouco tempo por lá, pois fomos espantados por vespas insistentes... Por volta de 13h05 já estávamos de volta à bifurcação aonde ficaram as mochilas e os amigos à nossa espera!

Vista da Serra da Lagoa Dourada desde a região do Cruzeiro
Imediatamente colocamos as cargueiras nas costas e passamos a percorrer antiga trilha no sentido norte; rasgando um amplo campo aberto e adentrando em definitivo nos domínios da Serra da Lagoa Dourada (IBGE). A trilha praticamente em linha reta avançou em suave declive. Margeamos uma mancha de mato pela esquerda e deparamos com um velho cocho de boi; à nossa direita.

Pouco abaixo, os afloramentos rochosos começaram a fazer parte da paisagem. O visual para o norte se amplia, sendo possível observar as encostas da Serra da Lagoa Dourada e terrenos mais baixos nos arredores da Serra do Cipó. Às 13h30 fizemos nova parada para ajeitar detalhes, aglutinar e hidratação!

O velho curral de arame
Depois de 15 minutos retomamos a caminhada. A trilha segue por entre afloramentos rochosos e trechos úmidos. Cruzamos um ponto de água e uma velha tronqueira, tendo ao lado um curral de arame. Seguimos em declive, alternando trechos úmidos, degraus e arredores sujos. Não notamos nenhum sinal de uso recente da antiga trilha; que mesmo assim continua por lá! Esse trecho nos levou diretamente para a encosta mais íngreme da Serra da Lagoa Dourada; de onde observávamos a Serra da Contagem à oeste.

Por volta de 14h00 percorremos uma área de campos com arbustos esparsos, já se aproximando do nosso desejado ponto de pernoite. Uma discreta trilha nos levou a contornar um morrote pela direita. Percorremos um curto declive e aproximamos de um dos afluentes do Ribeirão Jardim. Sem delongas fui direto no ponto de passagem. Riacho cruzado facilmente e sem molhar os pés saímos em ampla área de campos levemente inclinada; uma espécie de platô na encosta da Serra.

Belos cumes vistos desde o acampamento
Tomamos o sentido noroeste através de uma antiga trilha praticamente sumida em meio ao capim que nos levou às 14h25 diretamente ao ponto de acampamento. Lugar bacana; à margem direita do córrego, com água abundante e pontos propícios para banho e armada de barraca. Fica próximo à trilha que desce a Serra da Lagoa Dourada sentido Serra da Contagem. Ao sul um imponente pico da Serra da Lagoa Dourada a nos vigiar! Sem delongas armamos nossas barracas, pois pretendíamos aproveitar o restante da tarde para descer até a Cachoeira da Grota!

Cascavel à margem da trilha
É até engraçado como o tempo passa rápido quando chegamos em áreas de acampamento! Somente às 15h15 deixamos o lugar rumo à Cachoeira da Grota! Alguns amigos preferiram permanecer na área do acampamento. Nós poucos cruzamos o córrego e tomamos a trilha batida rumo oeste. Esse trecho apresentava uso recente por cavalo e gado. Após curto aclive iniciamos a descida. Arredores com muitos afloramentos rochosos e pequenas árvores. Logo abaixo e alertados pelo Ederson deparamos com uma graúda e bonita Cascavel às margens da trilha! Melhor ficar mais atento!!!

Estando leve a caminhada evoluiu e fomos descendo a velha trilha repleta de rochas e alguns degraus. Cruzamos um bom ponto de água, mais volumoso, inclusive com uma pequena queda nos arredores. Logo após o ponto de água a velha trilha passa por uma pequena área de campos, para afunilar entre a encosta sul e um morrote ao norte. Cruzamos uma porteira e continuamos a descida em meio a vegetação alta.

Cachoeira da Grota (ou Tabuleiro; ou Douradinha)
Adentramos numa área bastante úmida já tendo no visual o grande vale da Cachoeira da Grota à nossa frente. Uma discreta trilha segue no sentido oeste e leva para a borda oeste da Serra da Contagem; porém desviamos um pouco mais à noroeste no sentido da Cachoeira. A trilha desaparece em alguns pontos para reaparecer logo adiante. Já estabilizados cruzamos alguns pontos de água, inclusive um mais volumoso. Cruzamos também uma tira de mato; tudo sem dificuldades. Já estávamos no grande vale. Sem demora rasgamos o trecho e chegamos à Cachoeira da Grota às 16h10. Foi quase 1h00 de descida pela enganosa encosta da Serra da Lagoa Dourada!

Enquanto os amigos curtiam a Cachoeira dei umas voltas nos arredores para alguns registros. Depois de curtir o lugar e como a tarde findava, deixamos a Cachoeira às 17h15. Agora enfrentaríamos praticamente somente subida até o ponto de acampamento. Fazendo o mesmo caminho da ida pontualmente às 18h20 botamos os pés na área de acampamento; quando os últimos raios de sol despediam do lugar! Logo a noite chegou e cuidamos dos afazeres normais de um acampamento; inclusive desfrutando de um delicioso espagueti feitos pelo Tuca e Rosângela. Depois de muito papo veio uma ótima noite de sono!

Vale na encosta da Serra da Lagoa Dourada
2 O domingo amanheceu parcialmente nublado, mas logo o céu começou a se inundar de azul... Desarmamos o acampamento um pouco mais cedo, pois naquela noite o horário de verão havia terminado e assim havíamos ganhado um tempo a mais de sono. Já nos detalhes finais para a nossa partida, uma de nossas amigas sofreu na mão uma picada de escorpião que sorrateiramente havia procurado abrigo em sua mochila. No mesmo instante outro amigo também localizou mais um escorpião em sua mochila. Por pouco não fora também picado! Foi um susto grande! Após alguns procedimentos, avisei a todos que caminharíamos em um ritmo mais acelerado naquele dia; pois até então não sabíamos quais seriam as possíveis reações em face do acidente.

BH ao fundo (zoom)
Sem delongas às 8h10 tomamos a discreta e velha trilha que sobe a Serra da Lagoa Dourada no rumo norte. Em aclive suave, a velha trilha segue entre afloramentos rochosos e com visual aberto; inclusive sendo possível observar BH e região ao sul; à longa distância. Às 8h30 chegamos em um ponto de água e metros à frente cruzamos uma porteira. Estávamos em um bonito campo; um outro platô na Serra da Lagoa Dourada. Lugar encantador; um dos mais belos da travessia; ponto excelente para acampamento!

Região da porteira, uma das mais bonitas da Travessia
Poucos metros após a porteira demos uma guinada para o leste; porém logo deixamos a trilha mais batida e íngreme nesse sentido em favor de uma saída pelo campo (a trilha desapareceu no trecho) que segue contornado um morrote pela esquerda. Na verdade a outra trilha também nos levaria ao ponto desejado, mas optamos por esse desvio por ser mais curta e menos íngreme. Passamos por uma boa área gramada, quando a trilha reapareceu. Cruzamos uma pequena erosão e começamos a subir no sentido leste pela trilha discreta em cascalho e rochas.

Ponto mais alto da Travessia, na virada da Serra da Lagoa Dourada.
Vista para os lados do ParnaCipó
Ao final da subida cruzamos um leito (seco) de enxurrada e tomamos o rumo norte em um outro grande vale-platô. Seguimos pela trilha batida, tendo variantes no mesmo sentido. Em ritmo mais forte, cruzamos o vale e começamos a subir em direção à virada da serra. A trilha íngreme e com muitas rochas nos levou até a garganta da virada às 9h10; ponto que meu GPS marcou 1.485m de altitude; ponto culminante da Travessia. Esse local é muito bonito, sendo possível observar os dois lados da serra. Para o oeste os vales diversos e a Serra da Contagem; para o leste-norte a encosta leste da Serra da Lagoa Dourada e as áreas do ParnaCipó acima da Cachoeira da Lagoa Dourada. É um lugar privilegiado e de rara beleza!

Por lá fizemos uma parada para aglutinação e descanso; pois estávamos em um ritmo intenso. Checamos a situação da nossa amiga! Obtendo sinal de telefonia, nossa amiga conversou com um médico seu parente; que a tranquilizou a respeito do acidente. Analisei que a situação estava sob controle; pois até então a vítima não apresentava nenhuma outra reação específica; exceto dor no local da picada. Porém avisei nosso resgate, solicitando sua antecipação!

Descendo a Serra da Lagoa Dourada
Aquela depressão para o Norte é o Vale da Lagoa Dourada
Ao fundo Serras da Lapinha e Breu
Às 9h30 retomamos a caminhada. Doravante percorreríamos um longo trecho em declive; alternando os sentidos norte-nordeste. A trilha antiga segue por e entre rochas; alternando trechos em cascalhos. Impossível não se admirar com a beleza da serra e dos vales que se descortinam à nossa frente. Após um trecho com descida mais íngreme adentramos em um vale-platô igualmente bonito. Cruzamos um bom ponto de água às 10h05 e tocamos adiante, agora no sentido norte.

A trilha continua batida, com algumas variantes no mesmo sentido. Avistamos várias cabeças de gado; que curiosas nos observávamos à distância. Cruzamos um ponto de água temporária. Estávamos no platô acima e à esquerda (oeste) do Vale da Lagoa Dourada; porém sem conseguir vê-lo devido à formação do relevo. Às 10h30 aproximamos de alguns afloramentos rochosos à nossa direita. Esse é um ponto em que é possível descer e atingir o Vale da Lagoa Dourada ainda próximo ao seu “fundo”. Nós, porém, continuamos pela trilha que segue pelo platô rumo norte.

Vale da Lagoa Dourada e céu estourado (rsrs)
À esse ponto os grandes campos ficaram para trás e estávamos em meio aos afloramentos rochosos e matas de galerias. A trilha estável nos leva até uma porteira, que cruzamos. Metros adiante; às 10h45 aproveitamos uma escassa sombra de uma árvore para um novo descanso. Voltei a checar o estado da nossa amiga, que continuava como antes! À essa altura, cerca de 3h00 após o acidente tudo indicava que nossa amiga não teria outras reações mais complexas. Admirável a sua resistência! Ainda fui até às rochas próximas observar o Vale da Lagoa Dourada lá embaixo... Lindo visual...

Pouco depois das 11h00 retomamos a caminhada pela trilha batida e sem grandes alterações. Uma outra antiga saída para o vale foi checada; mas praticamente desapareceu. Então continuamos pela encosta da serra. Percorremos um declive mais acentuado, cruzamos um mirrado ponto de água e logo à frente começamos a descer pela trilha que; às 11h35 nos levou diretamente ao Vale da Lagoa Dourada. Havia uma trilha que seguia pela serra até um ponto mais à frente; mas devido aos incêndios e desuso praticamente desapareceu. Também em face da situação deixei para checar isto em outra ocasião.

Já no Vale da Lagoa Dourada
Estando no vale quer dizer que o trecho menos percorrido pela Serra da Lagoa Dourada havia se encerrado. Seguimos então pela conhecida trilha que leva até a Cachoeira da Lagoa Dourada, aonde chegamos às 11h50. Em face da situação sob controle e em comum acordo, aproveitamos para visitar a bela cachoeira e nos refrescar do calorão intenso. Encontrei com alguns amigos de BH por lá; quando aproveitamos para botar o papo em dia!

A Cachoeira da Lagoa Dourada num dia de calor
Por volta de 13h00 deixamos o lugar. O calor estava de rachar e a vontade era permanecer no lugar; mas precisávamos partir... Percorremos a batida e conhecida trilha que nos levou pouco antes das 15h00 até o ponto de resgate abaixo da cascalheira de São José da Serra (Leia mais sobre esse trecho Aqui). Por incrível que pareça foi o trecho mais sofrido e de menor rendimento de toda a nossa travessia. A razão deveu-se ao forte calor; com um sol de rachar os cocos. Havia tempo não caminhava sob um sol tão forte! No lugar combinado já se encontrava nosso resgate. Tempo para ajeitar as tralhas e embarcar de volta à BH. Percorremos os 10 km de estrada de terra até a Rodovia MG 10, quando paramos num restaurante para forrar o estômago. Depois non stop até BH...

Deixando o vale, vista sul da Serra da Lagoa Dourada.
Viemos lá daquele entre dois cumes mais agudos
Foi uma pernada incrível por uma rota que, excetuando o seu trecho final, havia muito tempo não tinha notícias de que fora realizada. Esse resgate de velhas rotas é importante, não só pelo feito e registro; mas para que se tornem opcionais e inspiradoras a novas realizações; em especial para aqueles que desejam evoluir para caminhadas mais longas e com pernoite natural! Juntamente com o nosso relato anterior, quando descrevemos nossa visita à Serra da Contagem, localizada nesta mesma região; nos permite afirmar que atingimos o objetivo de "resgatar" duas rotas e lugares praticamente esquecidos dos montanhistas mineiros! 

Quanto ao acidente com o escorpião, graças à fortaleza da nossa amiga nada de mais grave ocorreu. Claro, a dor de uma picada de escorpião foi intensa e duradoura; mas passado o susto
fica-nos o recado: em ambiente natural ninguém de nós está imune a acidentes!
E o mais importante nestas ocorrências é manter a calma!


Serviço

Percurso no GE - Dia 1

Percurso no GE - Dia 2
Travessia com aproximadamente 35 km, com início no Córrego Fundo, município de Nova União; e término nas proximidades de São José da Serra, município de Jaboticatubas. Porém, essa quilometragem pode ser reduzida em aproximadamente 5,5 km se não incluir visita à Cachoeira da Grota; que localiza no vale entre a encosta da Serra da Lagoa Dourada e a Serra da Contagem. Para quem possui veículo 4x4 também é possível reduzir mais cerca de 4 km no início da caminhada; do ponto logo após a Igrejinha e até as proximidades do Córrego da Prata; percorrendo estradinha em péssimo estado.

O trecho principal e central dessa Travessia é aquele que cruza a Serra da Lagoa Dourada. Na sua parte inicial cruza o prolongamento da Serra do Prata; passa pelo Vale do Córrego da Prata e sobe em direção ao início da Serra da Contagem. É justamente nessa junção que se entra nos domínios da Serra da Lagoa Dourada (IBGE); cuja trilhara levará até o Vale da Lagoa Dourada. Já a parte final é o badalado trecho que vai da Cachoeira da Lagoa Dourada até São José da Serra; tendo também uma variante possível, com término no ParnaCipó.

O trecho pela Serra da Lagoa Dourada consiste em velhas trilhas que só não desapareceram devido a presença de gado na região; além das características do solo; que naturalmente fornece uma proteção para as trilhas do Espinhaço. Esse trecho da Serra da Lagoa Dourada é raramente visitado por caminhantes. Toda a rota oferece boa oferta de água; entretanto, nos períodos mais secos a maioria delas costumam secar. Com relevo movimentado, a vegetação predominante são os campos rupestres; tendo como atrativos específicos a Cachoeira da Grota, a Cachoeira e Vale da Lagoa Dourada; além dos visuais marcantes desde o Morro do Cruzeiro e da Garganta da Serra da Lagoa Dourada.

Distâncias aproximadas - cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte a Nova União: aproximadamente 60 km, via BR 381 norte
Nova União ao acesso de Córrego Fundo: aproximadamente 15 km, estrada de terra em bom estado
Acesso Córrego Fundo até após a Igrejinha: aproximadamente 3 km, estrada de terra em mau estado
Igrejinha ao Ribeirão da Prata: aproximadamente 5 km, estradinha 4x4 
Ponto de Resgate até o centro de São José da Serra: 4 km
Ponto de Resgate até a Rodovia MG 10 sem passar por São José da Serra: 10 km
Rodovia MG 10 (Restaurante Coqueiros) a Belo Horizonte: aproximadamente 95 km

Como chegar e voltar - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus

Ida: Coletivo da Linha 4882 até Nova União (Terminal São Gabriel em BH) → À pé; ou táxi; ou Coletivo Rural da Linha Nova União a Altamira até acesso ao bairro rural do Córrego Fundo → Trecho restante à pé
Volta: Táxi ou à pé do Ponto de Resgate até a Rodovia MG 10 → ônibus das Empresas Saritur ou Serro até Belo Horizonte (leia observações abaixo).

► Consulte no site do DER-MG as frequências e tarifas dos Coletivos Metropolitanos de BH. Faça o mesmo nos sites das Empresas Saritur e Serro; responsáveis pelo trecho Serra do Cipó-BH.
► Informe-se sobre horários e frequências dos coletivos rurais contatando alguma pousada tanto na região de Altamira quanto em São José da Serra; ou mesmo as Prefeituras de Nova União (31 3685-1233) e Jaboticatubas (31 3683-1073). Isto porque como sabemos, coletivos rurais ligam pequenas localidades e costumam mudar de horário e frequência ao sabor do tempo.
►►O coletivo rural que liga Nova União até o acesso para o Córrego Fundo (Transtatão) é o mesmo que liga Nova União ao bairro rural de Altamira. Há duas frequências diárias para cada sentido. O embarque de ida pode ser feito na altura do Posto São Cristóvão, em Nova União.
►► O coletivo rural que liga São José da Serra a Jaboticatubas seja Via Serra do Cipó; seja Via Bom Jardim circula em horários escassos. A linha via Serra do Cipó é diária, inclusive com horário na parte da tarde nos finais de semana. 
► É possível combinar com antecedência e contratar táxi para fazer os acessos; tanto pelo lado de Nova União quanto pelo lado de São José da Serra.

De carro

Ida: BR 381 até Nova União → Estrada rural para Altamira → Estrada rural para Córrego Fundo
Volta: Estrada Rural de São José da Serra até a Rodovia MG 10 → MG 10 até Belo Horizonte

► Atente-se que início e fim da Travessia se dão em locais distintos e distantes. Necessário programar resgate. Em caso de chuvas intensas as estradinhas rurais podem estar danificadas.

Considerações Finais

► Trilhas e Trajeto: Predomina o sentido Sul-Norte. Sombreamento em aproximadamente 5% do trajeto. Há subidas e descidas em especial no trecho inicial e final. Trecho inicial por estradinha precária; que desce ao Vale do Prata e sobe em direção ao início da Serra de Contagem e vai desaparecendo à medida que se caminha para o Norte. Pela Serra da Lagoa Dourada a trilha é antiga, porém os sinais se mantém por lá. A partir do Vale da Lagoa Dourada a trilha é batida e simples, levando em direção à São José da Serra; ou então, ao ParnaCipó (requer comunicação antecipada com a UC).

► Logística de Acesso: Como em toda Travessia, a logística de acesso-regresso costuma ser a parte mais complicada para o caminhante; pois quase sempre se tratam de pequenas localidades em que transporte público é escasso ou simplesmente não existe. Dependendo do dia e horário, essa situação muitas vezes exige a contratação de serviços de táxi ou então combinado com amigos; ou então restando a alternativa de se fazer longos trechos à pé por estradinhas vicinais. Portanto, avalie bem antes de realizar a travessia para não correr riscos de ter que ficar mais um dia no mato sem ter se programado para isto! Já para quem ir-retornar de automóvel, as estradinhas de terra encontram em bom estado; exceto no trecho inicial entre a Igrejinha do Córrego Fundo e o Ribeirão da Prata. Nesse trecho recomendável somente veículos 4 x 4.

► Reserva para Travessia: Não é necessário reserva; nem há cobranças de acessos.

► Camping: não há camping pela rota. O que há são áreas para acampamento no estilo natural. Há vários pontos para isto!

► Água: Há vários pontos de água por toda a rota, não sendo necessário transportar grandes quantidades. Mas no tempo da seca algumas fontes desaparecem; então nesses períodos fique atento e abasteça sempre em carga máxima. Fontes perenes estão no (1) Ribeirão da Prata, antes de iniciar subida da Serra do Morro Vermelho; (2) No início da mata na subida da Serra do Morro Vermelho; (3) nos afluentes do Córrego Jardim na encosta oeste da Serra da Lagoa Dourada; no (4) No platô da descida da Serra da Lagoa Dourada; acima do Vale; (5) No Rio Jaboticatubas no Vale e Cachoeira da Lagoa Dourada. Fique atento e use sempre purificador!

► Exposição ao Sol: Intensa, pois há pouca sombra pela rota. Use protetor solar.

► Tempo de realização: O melhor período para realização dessa travessia é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. Em dois dias seria o formato para se caminhar com calma e curtir os atrativos; como a Cachoeira da Grota e da Lagoa Dourada. Para realização em apenas 1 dia recomendável somente para o estilo speed.

► Segurança: É uma travessia que permite rotas de escape, seja retorno se estiver até no Morro do Cruzeiro; ou então descendo sentido Estrada do Bom Jardim se estiver na encosta oeste da Serra da Lagoa Dourada. Há sinal de telefonia celular em alguns pontos da rota.
Muito embora encontremos escorpiões por todo o Espinhaço, a presença desses animais é mais facilmente encontrada na Serra da Lagoa Dourada. Na própria Cachoeira da Lagoa Dourada é comum encontrá-los em meio às pequenas rochas. Portanto verifique com atenção e rigor suas roupas e equipamentos ao manuseá-los!

► Cash: leve dinheiro trocado e em espécie. Pequenas localidades não aceitam cartões ou cheques.

► Carta Topográfica: Jaboticatubas

► Leia outros relatos dessa região aqui no Blog.
►► Bate e volta à Cachoeira da Lagoa Dourada


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!

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