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Travessia Itambé ao Rio Preto

Amanhecer desde o Pico do Itambé, no segundo dia da Travessia
A Travessia entre o Parque Estadual do Pico do Itambé (PESPI) e o Parque Estadual do Rio Preto (PERP) é uma rota já consolidada na comunidade do Montanhismo Mineiro. Trata-se de uma iniciativa louvável entre as duas Unidades de Conservação da porção Centro-Norte do Estado que, trabalhando em conjunto permitem e incentivam a realização da "Travessia EntreParques".

Foi por esta marcante rota do Sertão Mineiro que estivemos durante o feriado prolongado da Padroeira do Brasil em 2017. Realizamos no Modo Tradicional de 4 dias e 3 noites, com início na Portaria do PESPI e final na Área de Serviços do PERP; com pernoites no topo do Pico do Itambé, na Bica D'Água e no Abrigo do Mozart PERP. Ao final nossa caminhada bateria a casa dos 70 km....

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1. Relato Dia 1: Portaria PESPI x Pico do Itambé

Deixamos BH pouco antes de 01h00 do dia 12 de outubro. Viagem tranquila por volta de 6h00 chegamos à cidade de Santo Antonio do Itambé, porta de entrada para a nossa Travessia; altitude de 720m aproximadamente. Àquela altura estávamos em busca de uma padaria pra um rápido café; porém por ser feriado a cidadezinha ainda dormia...  Tempo para admirar o imponente Itambé, à oeste da cidade, nosso destino naquele dia.

Informados por um local, estacionamos em frente à Padaria da Geni e ficamos aguardando a abertura do comércio. Isto não demorou e logo tratamos de encher as panças com pão de queijo quentinho e outras guloseimas...

Pouco antes das 7h00 reembarcamos, cruzamos a pequena cidade e seguimos para a Portaria do Parque Estadual do Pico do Itambé PESPI. Em menos de 15 minutos vencemos os pouco mais de 3 km de estradinha de terra que em aclive separam a Cidade da Portaria; localizada a aproximadamente 870m de altitude. A Portaria do PESPI é simples, apenas uma guarita com serviços básicos.

A primeira queda da Cachoeira da Água Santa
Trâmites burocráticos e ajeitar das cargueiras, às 7h45 despedimos do guarda parque e do nosso serviço de resgate. Iniciamos a pernada pelo que é uma antiga estradinha vicinal no sentido Norte, atualmente utilizada somente pelo Parque.

A despeito dessa facilidade inicial, a missão do dia seria intensa, pois chegaríamos à cota de 2.052m no topo do Pico do Itambé. Assim teríamos quase 1.200m de aclividade a vencer; ou seja, estaríamos quase sempre caminhando por subidas desprovidas de sombras!

Uns 200 metros após a Portaria deixamos nossas tralhas na bifurcação e leves tomamos nossa direita, descendo trilha abaixo para visitarmos a Cachoeira da Água Santa, nosso primeiro atrativo da Travessia. A trilha rasga a vegetação capoeira abaixo, com pontos bastante íngremes e com ações anti-erosão.

Segunda queda e poço da Cachoeira da Água Santa
Às 8h05 chegamos à Cachoeira da Água Santa; um complexo com duas principais quedas no córrego de mesmo nome a aproximadamente 820m de altitude. No desemboque da trilha, a segunda queda é única e singela, porém com um poço maior.

Permanecemos um tempo por ali e depois alguns de nós subimos pela margem esquerda até a primeira e principal queda; que desce pelas rochas formando um pequeno poço ao seu final. Sem dúvidas é mais bonita que a segunda queda. Como era cedo e início de pernada ninguém adentrou aos poços.

O tempo passou rápido e quando me assustei já havia meia hora que estávamos no lugar! Então iniciamos o retorno pela mesma trilha da ida e às 8h50 já estávamos novamente na rota principal. Àquela altura já sentíamos na pele o quão aquele dia seria ensolarado, quente e desgastante!

Cargueiras nas costas retomamos a pernada; seguindo em grupos e em ritmo normal pela ampla trilha-estradinha, uma rota sinalizada e praticamente impossível de se desviar! Às 9h30 cruzamos o córrego da Água Santa, o mesmo que alimenta a Cachoeira que acabávamos de visitar; e que antes também alimenta a Cachoeira do Neném. A vegetação dos arredores é bonita, porém é comum e nota-se o processo de recuperação após anos de uso por pastagens.

Sempre subindo, às 9h50 chegamos à bifurcação à esquerda que leva à Cachoeira do Nenén. Fizemos uma parada para descanso e decidirmos se visitaríamos a Cachoeira do Neném ou a Cachoeira do Rio Vermelho. Nesse ponto passou por nós um guarda parque cumprindo seu trabalho.

A Cachoeira do Neném fica a 1 km à esquerda de quem sobe para o Itambé. É bonita, porém menos significativa que a Rio Vermelho; localizada mais acima e a 3 km à direita da trilha principal. Lembrei a todos sobre a diferença de quilometragem entre elas; mas ao final optamos por deixar a Neném pra outra ocasião e tocamos pra cima visando a Rio Vermelho.

Itambé visto desde a trilha da Cachoeira do Rio Vermelho
Sob sol forte às 10h30 chegamos à bifurcação da Cachoeira do Rio Vermelho, a aproximadamente 1.170m de altitude. Ajeitamos nossas tralhas às margens da trilha e às 10h40 de modo leve tocamos para a Cachoeira.

A trilha é ampla, limpa, sinalizada e bem cuidada. Isto permitiu seguirmos em grupos com cada um imprimindo o seu ritmo. Nesse trajeto fiz algumas paradas para aguardar os amigos que estavam mais lentos e percebi que o calor estava nos desgastando mais que o esperado.

Poção da Rio Vermelho lá embaixo...
Por volta de 11h25 chegamos à parte superior da Cachoeira do Rio Vermelho; altitude aproximada de 1.175m. Esta é uma Cachoeira significativa. A começar pela vegetação dos arredores, campos rupestres com muitos afloramentos rochosos em formatos curiosos. Topamos com o guarda que nos ultrapassou lá na bifurcação da Neném; bem como um casal que deixava o lugar.

O curso d'água da Rio Vermelho vem das encostas a oeste do Pico do Itambé e chega ao trecho formando poços e pequenas quedas acima da trilha da chegada. À leste o curso d'água se estreita e despenca de uma altura considerável, formando lá embaixo um bonito poção! Na sequência, um visual descendente de encher os olhos.

Agradáveis poços na parte superior
Para alcançar o poção da Cachoeira do Rio Vermelho, do ponto de chegada é necessário cruzar o curso d'água por uma antiga ponte, um fato negativo no lugar, fruto do período em que a região ainda não era um Parque.

Após cruzar a ponte é necessário percorrer a trilha pela margem esquerda do córrego. É um trecho íngreme, porém nada diferente de trilhas beira-quedas de cachoeiras. O poção inferior é realmente admirável; com arredores amplos e com grandes rochas. A queda é um charme, única, com fundo rochoso permeado por vegetação!

A queda da Rio Vermelho
Desci até o poção, bem como parte dos amigos. Fiquei pouco tempo lá embaixo, apenas para alguns cliques. Retornei trilha acima, quando encontrei dois rapazes de Sete Lagoas que também caminhavam pelo trecho.

Cheguei até a ponte acima da queda e por ali permaneci; visitando alguns mirantes rochosos. Alguns amigos também haviam permanecido na parte superior, um lugar também adorável da Rio Vermelho; suficiente para bons refrescos. O sol estava castigando e aquilo era um fator preocupante, pois tínhamos ampla e difícil tarefa ainda a cumprir naquele dia...

Após o refresco dos amigos, em torno de 12h30 e sob sol escaldante deixamos a Cachoeira do Rio Vermelho de volta à trilha principal. Como na ida viemos em grupos com cada um no seu ritmo. Às 13h10 chegamos novamente na bifurcação da trilha principal, quando fizemos um rápido período para descanso e lanche.

Eram 13h30 quando retomamos a pernada, seguindo os passos do amigo Jyoti que havia partido minutos antes. Agora mudamos a nossa direção: ao invés de seguirmos rumo Norte, passamos a caminhar para o Oeste, visando o cume do Pico do Itambé. Pouco acima da bifurcação da Rio Vermelho tomamos uma trilha atalho à nossa direita que segue em meio a capoeira. Desembocamos juntos na estradinha, próximo ao mirrado ponto de água abaixo da antiga casa do Sr. Joaquim Moacir.

A velha casa de pau-a-pique do Sr. Joaquim Moacir
Seguimos pela rota normal e fizemos o contorno pela esquerda da antiga casa de pau a pique. Defronte a velha construção fizemos nova parada para descanso e abastecimento às 13h50. A água estava pouca pelo antigo cano que ainda existe por ali; mas foi suficiente para nos abastecer.

Durante a parada reparei que alguns dos nossos amigos estavam bem cansados! E era dali pra cima que a aclividade aumentaria e a trilha tornaria mais exigente, pois a estradinha larga finda por ali. Também uma amiga reclamou de uma picada de inseto na canela, que se encontrava desprotegida.

Às 14h05 retomamos a pernada, estando eu e Jônatam na rabeira. Passamos pelo pequeno sumidouro logo acima da casa do Sr. Joaquim Moacir e tocamos pra cima. A vegetação nos arredores são matações, com muitos afloramentos rochosos. A trilha parte para um trecho bastante íngreme. Poucos metros acima passamos pelos nossos amigos e seguimos adiante no curso normal da trilha.

Em poucos minutos distanciamos consideravelmente dos amigos. Observei que subiam com dificuldades e faziam paradas a cada poucas passadas, algo preocupante naquelas condições.  Na dianteira fizemos uma parada para aglutinação. Permaneci um pouco mais abaixo à espera dos amigos...

Às 14h40 desci um lance e os reencontrei mais abaixo bastante cansados. Indaguei sobre a situação e não identificamos nenhum problema de lesão ou similar que viesse impedir o prosseguimento da caminhada. Nos pareceu ser mesmo um cansaço generalizado, em especial devido ao calor e a carga a transportar...

Conversamos um pouco e em torno das 15h05 continuamos a pernada trilha acima. Passei a transportar a cargueira do nosso amigo; além da minha própria. Mais acima, recebi ajuda do Jônatam; quando seguimos alternando no serviço extra do transporte da cargueira!

A Lapa beira trilha
A trilha para o Pico do Itambé segue seu curso normal. A vegetação nos arredores continua marcada pelas matações; e ao longe, o baixio dos vales vai se despontando com beleza singular.

Subindo lentamente, por volta de 15h40 passamos pela Lapa do Morcego, altitude em torno de 1.550m. Sem parada significativa tocamos pra cima. Após mais um trecho de matações despontamos em área de campos. A trilha passa a percorrer um trecho menos íngreme e às 15h50 chegamos até o último ponto de água da rota para o Itambé; altitude aproximada de 1.600m.

A fonte que deságua no Rio Vermelho estava mirrada, o que acentuava sua coloração e sabor. Os 'panelões' estavam convidativos, mas àquela altura e dada as circunstâncias impossível parar para curtir. Fizemos apenas uma parada para abastecer, lanchar e retomar o fôlego.

Pico Dois Irmãos no Rio Preto à esquerda da foto. Tava longe ainda... Possível ver a região da Chapada dos Couto e a Serra do Gavião
Por volta de 16h15 e com mais de 400m de desnível a vencer retomamos a pernada subindo pelos campos do Itambé. Pelo trecho foi possível observar ainda muito distante e ao Norte as terras do Parque Estadual do Rio Preto; nosso destino dois dias adiante.

Continuamos lentamente, sendo que eu e Jônatam continuávamos alternando no transporte da cargueira extra. O horário corria rápido e o fim de tarde chegava com força... Um pouco acima encontramos com o Guarda Parque que dava plantão no Pico que, preocupado com nosso atraso desceu um grande lance de trilha para se informar dos fatos. Conversamos sobre o ocorrido e juntos continuamos subindo!

Somente às 17h10 chegamos ao Rebentão-Ponte Pênsil e o sol baixava rapidamente. Altitude em torno de 1.840 metros! Parada pouca, apenas para constatar que fazia um lindo fim de tarde sobre o Itambé! Já bastante cansados, devolvemos a mochila ao nosso amigo que havia descansado do seu transporte por um longo trecho.

Ponte no Rebentão (greta na rocha)
A partir do Rebentão o aclive se acentuou; nos obrigando a diminuir ainda mais o ritmo da caminhada. Fomos ultrapassados pelos dois caminhantes que havíamos encontrado lá na Cachoeira Vermelha.

Lentamente vamos ganhando altura, caminhando pela trilha sinalizada e galgando pequenos trechos em rochas. Pontualmente às 17h45 e a tempo de ver os últimos raios de sol colocamos nossos pés no topo do Pico do Itambé!

O topo do Pico do Itambé é amplo, porém irregular. Do alto dos seus 2.052m tem-se uma visão em 360º de toda aquela região do Sertão Mineiro. Não é por acaso que o Itambé é referência naquele trecho há mais de 3 séculos. É um lugar realmente expressivo! Pelo topo, além da Cruz, há três construções, sendo que a maior delas tornou-se Abrigo para os Montanhistas.

Registro da hora que chegamos ao topo: últimos raios do dia...
Chegados no topo do Itambé tratamos logo de nos acomodar; pois nem bem o sol se foi a tradicional ventania tomou conta do lugar; com a temperatura caindo rapidamente!

Como o Parque realizou uma mini reforma da casinha-topo, cada qual foi escolhendo seu canto, já que a casa é ampla, com uma sala e três espaços que seriam 'quartos'. Com isso, a área para acampamento não está sendo mais utilizada.

Pela casinha também já estavam instalados os dois rapazes que havíamos encontrado pela trilha, que ocupou um dos cômodos. Nos espalhamos pelos outros, sendo que eu armei minha barraca no corredor de entrada, pois não gosto de dormir em espaço construído sem alguma proteção. Igualmente procedeu o Jônatam.

Ainda fui com os rapazes até o ponto de água abaixo da área do Acampamento coletar água. É um local um pouco escondido; e eles já haviam estado por lá mas não o tinham encontrado. Dessa vez foi sucesso! No retorno tempo para apreciar a noite, com céu parcialmente nublado!

Restante do período dedicado aos afazeres normais, dessa vez abrigados dentro da casinha. Lá fora o vento costumeiro zunia. Tempo pra muito papo e depois um merecido descanso, afinal aquele havia sido um dia cansativo e meus ombros estavam em frangalhos...

2. Relato Dia 2: Pico do Itambé x Seu Santo

Amanheceu no Pico do Itambé: Vista da Serra da Bicha
Depois de uma noite recuperadora o segundo dia da Travessia amanheceu lindo. Suficiente para novamente contemplar toda a beleza do sertão mineiro...

Tralhas ajeitadas, passava das 8h15 quando partimos do topo do Pico do Itambé rumo à Bica D'Água, onde seria nosso próximo pernoite. Esse seria o nosso trecho de caminhada mais curta. No momento da despedida a neblina costumeira havia encoberto o rumo Norte, impedindo de observarmos com nitidez o nosso próximo trajeto, bem como o Rio Preto ainda bem distante dali.

Trecho logo após a área de acampamento: A trilha 300m abaixo
A rota da descida do Pico do Itambé é a mesma que segue para Capivari, passando pela antiga área de acampamento. Percorremos o trecho e seguimos trilha abaixo.

A descida do Itambé sentido Capivari é um trecho curto, mas bastante íngreme, literalmente uma ladeira. Inclui erosões e degraus; além de passagens sobre e sob rochas; com trechos em que se deve retirar a mochila das costas e se espremer entre as gretas e pequenas tocas.

Terminando o trecho mais íngreme da descida: Trecho por onde seguiríamos. Ao fundo Dois Irmãos
Os obstáculos naturais prolongaram nossa caminhada e somente às 9h45 nós, os últimos, havíamos vencido a descida do Pico do Itambé. Aglutinamos aos amigos mais ágeis que há um bom tempo já haviam vencido o trecho.

Eles permaneciam ao redor de uma grande rocha aos pés da face Noroeste do Itambé à nossa espera; altitude em torno de 1.700m. Aglutinamos e fizemos uma pausa para descanso e lanche!

Olhando assim é difícil entender como se desce lá do topo...
Passava das 10h10 quando retomamos a pernada. Rapidamente fomos perdendo altura e vencendo o trecho de campos rupestres. Belos visuais pras bandas da rota de Capivari! A trilha sinalizada e em bom estado nos favoreceu, modos que às 10h30 topamos com o Guarda Parque que estava à nossa espera.

Ao aproximarmos ele veio logo perguntando por uma pela Flávia. "Qual Flávia; não temos pessoa com esse nome conosco"! Então Ele explicou que procurava essa pessoa, pois uma dita com esse nome havia cravado sua identificação nalgum lugar do Parque naquele feriado!

Como vemos, o PESPI é extremamente vigiado! Sem delongas despedimos do Guarda Parque e alguns metros abaixo cruzamos uma porteira; deixando as terras do PESPI.

Itambé desde as proximidades da casa do Lindomar
Continuamos descendo e a trilha nos levou por entre uma capoeira. Mais abaixo a trilha se alargou e chegamos até uma bifurcação. Tomamos a saída totalmente à direita e em nível; e após cruzar uma porteira saímos em campo aberto.

Fizemos uma paradinha para algumas fotos tendo o Itambé ao fundo; altitude em torno de 1.450m. Desse ponto a vista do Pico é magnífica e imponente; e naquela manhã de tempo claro e aberto tudo ficava mais bonito!

Seguimos no rumo Noroeste quando começamos a descer suavemente. Algumas casas surgem à nossa esquerda. Seguimos então até a casa do Lindomar, antigo guarda parque do PESPI visando coletar água.

Conversamos com sua esposa e nos abastecemos no cano d'água junto ao pequeno curral. Fazia muito calor e o sol torrava nossos miolos. Em torno de 11h00 retornamos à trilha; que a partir desse ponto se transforma numa estradinha com sinais recentes de patrolagem; tomando rumo Nordeste-Norte. A última vez que havia estado no trecho essa parte da rota era apenas uma trilha!

Seguimos em campo aberto, quando cruzamos uma tronqueira e encontramos com um Senhor e um menino a cavalo. Observo bem ao norte a formação de uma coluna de fumaça; mas não me preocupo, afinal a seca era braba por aquelas bandas. Pouco adiante adentramos em uma capoeira; e logo à frente ignoramos uma saída à esquerda que segue para a casa de um morador em favor da continuação à direita.

Descemos muito, muito mesmo!!!
Não demorou e saímos novamente em campo aberto. Seguimos pela estradinha recentemente aberta. Estamos nos dirigindo ao Vale da Bicha, espremidos pela Serra da Bicha à esquerda e a Serra do Itambé à direita.

A vista da encosta do Pico do Itambé impressiona pela sua grandiosidade. Mesmo com a seca prolongada, uma cachoeirinha despenca da encosta, partida em duas longas quedas, afluente do Córrego da Bicha! Visual indecente!

Seguindo pela estradinha recentemente mexida acabei perdendo por alguns metros a saída correta da continuação da travessia. Com isso fomos seguindo em direção a um curral que há bem abaixo já no vale. Tomado em si, deixamos a estradinha em favor de uma trilha de vaca que segue cortando o pasto à nossa esquerda. Isto nos levou de volta até a trilha correta, junto à capoeira adiante.

Córrego da Serra da Bicha ou Bica D'Água, como é conhecido localmente
Cruzamos uma tronqueira às 11h20 e adentramos na capoeira. Trecho com trilha antiga e em declive mais acentuado, tendo algumas grandes rochas nos arredores. Logo a trilha suavizou e trouxe consigo algumas sombras, um alívio do calorão! Sem alterações às 11h30 chegamos até o Córrego da Serra da Bicha, um excelente ponto de água a aproximadamente 1.250m de altitude.

Fizemos uma parada para descanso e lanche; aproveitando o final do trecho sombreado. Lugar muito agradável e bonito, com alguns pequenos e convidativos poços; além da belíssima vista das encostas norte do Pico do Itambé! Impossível não se impressionar com o quanto havíamos descido desde o topo do Itambé! Foram 800 metros em poucos quilômetros!

Beirava meio dia quando retomamos a caminhada. O sol estava a pino, de verdade! Se deixássemos levar na preguiça ficaríamos por ali até o entardecer; mas pretendíamos ir até a Cachoeira da Cortina antes de seguirmos para a Bica D'Água... Seguimos pela trilha em suave declive e por área aberta, porém rodeada de matações.

Logo à frente passamos e permear samambaias. Esse trecho percorre a encosta pela banda esquerda do Córrego da Serra da Bicha, que corre lá embaixo, no fundo do vale. É região em frente onde se localiza a escondida Cachoeira da Cortina, à leste, no fundo do vale. Até é possível varar mato e seguir até lá, mas isto seria por demais dispendioso para a ocasião!

Passamos a percorrer suave declive com vegetação raleada, para às 12h15 cruzarmos outro ponto de água. Seguimos entre matações e afloramentos rochosos para pouco adiante despontarmos num belo mirante, tendo o Córrego da Serra da Bicha logo abaixo, formando bonitos e convidativos poços.

Pra não molhar as botas desviamos desse brejinho pela esquerda
Percorremos nova área aberta e às 12h30 aproximamos do ponto em que deveríamos deixar a rota principal e seguirmos até às margens do Córrego; para assim dirigirmos até a Cachoeira da Cortina.

Cortava a trilha corria um fio d'água espraiada; formando um brejinho. Do outro lado do rego d'água, no pasto acima uma pequena casa fechada com um curral velho. Altitude em torno de 1.150 metros.

Como estava muito quente e o desgaste entre nós era visível sugeri que ao invés de visitarmos a Cachoeira da Cortina tocássemos direto para a Bica D'Água; pois lá também teríamos pontos para refresco. Sugestão aceita fizemos o desvio do brejinho pela esquerda, varando a cerca de arame. Após, percorremos um aclive e tocamos adiante pela trilha em nível e pelo campo aberto.

Aproximamos bastante do Córrego da Serra da Bicha e passamos defronte algumas quase imperceptíveis ruínas de antigas casas. Em suave aclive adentramos por entre capoeira rala. A trilha acompanha o curso do Córrego com seus meandros e começa a ampliar. Numa virada para o Oeste e em uma rara sombra fizemos uma parada para aglutinação, descanso e lanche às 12h50.

Por volta de 13h10 retomamos a caminhada. Em declive pela trilha agora bem mais ampla sigo junto ao Jônatam; fato que sempre rende boas histórias, aprendizados e muitas risadas. Adiante cruzamos outro rego d'água. Na sequência aproximamos novamente do Córrego da Serra da Bicha, trecho com capoeira mais encorpada.

Casa do Seu Santo na Bica D'Água
Cruzamos dois pontos de água bem próximos um ao outro às 13h25; para logo à frente,  às 13h35 passarmos por outro ralo ponto de água, com uma casinha fechada de um parente do Seu Santo à esquerda da trilha.

Bastaram alguns passos para em declive sairmos em pasto aberto e avistarmos logo abaixo a casa do Seu Santo. Chegávamos à Bica D'Água pontualmente às 13h45; altitude aproximada de 1.075 m.

Cachoeirinha na Bica D'Água em frente ao Seu Santo: lugarzinho bão!
A casa do Seu Santo é mesmo um lugar divino! Uma casinha de pau-a-pique barreada de terra banca como a neve e coberta por folhas de coqueiro. Nos arredores pasto com alguns animais e uma 'horta' com pés de frutas. Galinhas, cães, gatinhos bonitos!

Em frente à casa, à leste as encostas primeiras do que seria a Serra do Gavião. O Córrego da Bicha passa ali, formando vários poços e uma pequena queda a uns 70 metros em frente à casinha. À oeste elevados morros do que seria a continuação da Serra da Bicha. Para o Norte as bandas do Covão e Chapada do Couto... Lugar lindo de viver!

O restante daquela tarde foi dedicada ao ócio. Rolou um cafezinho da roça! A prosa rendeu ao largo do fogão a lenha do Seu Santo, que habilmente ajudava sua esposa a preparar a comida de mais tarde.

E entre uma conversa e outra com o Seu Santo, gastamos grande parte da tarde na pequena Cachoeira que há em frente a sua casa. No retorno, alguns jantaram a comida da roça; outros prepararam as suas! Só por estar ali naquele lugar já bastaria pra dizer que a pernada valeu a pena...

Já bem ao final da tarde chegaram por lá dois casais que faziam a rota ao contrário. Pareciam bem cansados, conforme conversamos. Haviam pernoitado na Casa do Mozart. Nos deram notícias sobre o incêndio no Parque do Rio Preto, que até então nos era somente uma suspeita devido a fumaça avistada!

À noite caiu e nos dividimos entre as barracas e a casa do Seu Santo, curtindo uma noite reparadora. Fez um céu estrelado de cair o queixo, uma noite maravilhosa, com céu límpido! Pela manhã acordei com o cantar de uma infinidade de pássaros, além de urros de macacos...

3. Relato Dia 3: Seu Santo x PERP Casa Mozart

Bica D'Água: imagem da tarde anterior
O terceiro dia amanheceu bonito, aberto e com prenúncio de sol forte. Ao contrário do dia anterior, aquele seria um dia de longa jornada com pouca sombra; então tratamos de iniciar a pernada mais cedo. Antes, mais uma rodada de histórias com o Seu Santo!

Assim, era pouco antes de 7h30 quando despedimos do Seu Santo, ajeitamos as tralhas e nos pusemos a caminho, percorrendo a precária estradinha que segue no rumo norte; na margem esquerda do Córrego da Serra da Bicha.

Pouco a frente da casa do Seu Santo cruzamos por uma ponte um afluente do Córrego da Bicha. A estradinha segue batida, sem alterações e com trechos arenosos; rodeada por pastos sujos e muitos coqueiros.

Após suave aclive, às 7h40 passamos por um rego d'água com uma casa à esquerda da estrada; tendo ao lado outra, com fachada parecida a uma igrejinha. Logo saímos em área mais limpa, tendo outra casinha à nossa esquerda.

A Chapada dos Couto está acima daquele morro de afloramentos. Subiremos pela grota anterior
Mais adiante iniciamos um trecho em declive, tendo belas vistas ao norte. Também é ponto em que à nossa direita e bem abaixo, longe da nossa visão o Córrego da Bicha se funde com o Córrego do Jequitinhonha Preto.

Também desemboca na estradinha uma rota vinda do leste. Seguimos adiante tendo à nossa esquerda e em nível superior uma Fazenda. A estradinha se nivela e ficamos embasbacados com as formações rochosas à esquerda: a mim pareciam a uma Catedral.

Percorremos um curto e suave declive, cruzamos um rego d'água rodeado por belas árvores e logo à frente no início de uma subida; às 8h20 deixamos a estradinha em favor de uma trilha à direita. Passamos em frente à residência quando confirmamos com o Senhor Morador o atalho para o Covão via Sumidouro. Cruzamos um curral e seguimos pela trilha mal marcada pasto abaixo.

Sumidouro: as águas passam embaixo dessas rochas
A trilha nos levou a aproximar novamente do Córrego da Serra da Bicha. Seguimos pela margem sombreada, agora com trilha bem marcada. Rapidamente a trilha nos levou ao Sumidouro, um ponto em que as água do riacho passam escondidas entre grandes rochas; que pulamos sem dificuldades.

Após cruzar o Sumidouro fizemos uma parada para descanso na margem direita, junto ao barranco sombreado. Era 8h30 da manhã, altitude pouco acima de 1000m. Já fazia bastante calor e o céu completamente sem nuvens...

Após longa parada, às 9h00 retomamos a pernada. Passamos a percorrer antigas trilhas em aclive entre uma mata. É um trecho com várias saídas, tanto à esquerda quanto à direita, mas nos mantivemos naquela que foi nos levando morro acima, distanciando do riacho. Assim, em 10 minutos saímos numa área de pasto, mas com capim alto. Passei despercebido pela saída e após alguns metros notei o erro...

Retornei e vi a saída coberta pelo capim. Aglutinamos e seguimos subindo pela trilha que voltou a ser bem marcada. Desembocou por ela outra trilha, vinda da banda do riacho. Seguimos subindo lentamente, sob um calor de rachar. Cruzamos uma porteira e logo à frente outra, despontando abaixo e à direita de uma casinha. Aproveitamos as sombras das árvores e fizemos outra parada para descanso às 9h30.

O trecho estava infestado por carrapatos, então logo voltamos à caminhar, cruzando logo acima uma tronqueira, tendo o desemboque à esquerda do acesso à casinha que vimos logo atrás. A trilha torna-se uma estradinha batida e seguimos em aclive. Adentramos em meio a uma mata, quando encontramos com um Senhor que nos deu a péssima notícia que o Rio Preto era um "reino muito, muito distante"...

A escola do Bairro Covão
Beirava 10h00 quando cruzamos uma porteira e a estradinha praticamente estabilizou. Logo à frente chegamos numa trifurcação, defronte a Escola do Bairro Covão; altitude pouco acima dos 1.200m.

Com o sol de rachar aproveitamos para um descanso à sombra da construção. O lugar é bastante isolado, apesar do orelhão em funcionamento, quando alguns aproveitaram pra dar notícias às suas famílias!

A paisagem estava seca por todos os lados; mas a água jorrava nos canos da escola; por isso é um excelente ponto para abastecimento e refresco! Aproveitei pra dar uma circulada nos arredores, visitando o velho prédio em ruínas. O Pico do Itambé e a Serra da Bicha já aparecem bem distantes ao sul, constatando o quanto já havíamos caminhado. Passou por ali um rapaz com a esposa à cavalo. Era um ex funcionário do Rio Preto que nos deu algumas informações importantes.

Essas placas salvam...
Recuperados, às 10h30 nos pusemos a caminhar. Seguimos pela estradinha em aclive no rumo norte, tendo um rego d'água próximo. Ás 10h40 chegamos até uma rotatória, quando tomamos a arenosa estradinha da direita.

Imediatamente após ignoramos uma saída à esquerda e logo à frente uma à direita, que leva para o Bairro rural de Santa Cruz. Topamos com uma caminhonete e seguimos adiante pela empoeirada estradinha.

Era quase 11h00 quando cruzamos o rego d'água que abastece a escola do Covão lá atrás. Nos refrescamos e tocamos adiante, em grupos. O calor era absurdo embaixo daquele sol implacável! Pouco à frente chegamos até uma bifurcação onde há um cruzeiro e indicação da Fazenda Capadócia à direita. Seguimos reto em direção À Chapada dos Couto, tendo o rego d'água à nossa esquerda, após a cerca de arame.

Seguindo em suave aclive, que parece nunca terminar... Distanciamos do rego d'água e a estradinha vai ficando cada vez mais precária. Num trecho em nível, encontramos algumas árvores esparsas e fizemos nova parada para descanso às 11h20.

Itambé e Serra da Bicha já bem distantes...
A sombra não era grandes coisas, mas era o suspiro final que tínhamos já que daquele ponto em diante não haveria mais sombra pelo caminho durante um longo trecho. Pelos arredores a vegetação rasteira estava muito seca; revelando o longo período de estiagem na região.

Perto de 11h40 retomamos a caminhada, quando nos aproximamos novamente do rego d'água da escola do Covão, que continua a correr à nossa esquerda, um pouco mais distante. Estávamos abastecidos e por isso seguimos sem parada e em aclive!

Chapada
Com o sol forte seguimos cada um no seu ritmo. Forte como Ele só, o Jyoti seguiu na dianteira, com seu sábio ritmo. Ignoramos uma saída à direita em favor do atalho que segue reto campo acima. Por volta de 12h15 cruzamos uma porteira no campo.

Algumas nuvens vieram aplacar a fúria do sol, porém o calor continuava intenso. Mais um curto trecho e o terreno já nivelado, na altura do desemboque da rota da direita, fizemos uma parada para aglutinação e descanso às 12h20. Adentrávamos em definitivo na Chapada dos Couto; altitude em torno de 1.550m.

Por volta de 12h45 retomamos a caminhada pela longa e suave Chapada dos Couto. O visual que ficava para trás ao Sul era espetacular, emoldurado pela Serra do Itambé e da Bicha. À frente já despontavam os cumes do Dois Irmãos, sinal de que o Rio Preto estava cada vez mais próximo. As vistas se ampliam também para o leste-oeste! Observávamos vários focos de incêndio, em especial ao norte, das bandas do Rio Preto.

Vista Nordeste (Felício). Poder observar ao longe é um privilégio do Espinhaço
Seguimos pela trilha-estradinha que na verdade não percorrem veículos. É apenas o sinal ou dois sulcos pelo solo! Ignoramos uma saída à esquerda e às 13h00 passamos por uma porteira caída.

Adiante uma rota sudeste-noroeste discretamente cruza nosso caminho. Mas demos uma guinada à nordeste; tendo as terras do Rio Preto já emergindo em definitivo aos nossos olhos. Trecho muito bonito e vasto, apesar da secura dos arredores...

A caminhada por aquela ampla trilha ausente de sombras tornou-se implacável. Enquanto alguns dos amigos mais resistentes e acostumados tomaram a dianteira parecendo não sentir eventual cansaço; outros de nós seguiam na rabeira e o desgaste era visual... Seguimos na intermediária, como manda o figurino...

Em meio a essas rochas há alguma sombra boa
Já bem próximos ao Parque do Rio Preto observamos que um grande incêndio consumia as terras do Parque; além de vários focos na região limítrofe. Bem havia nos dito os caminhantes na noite anterior lá na Bica D'Água. Mas também haviam dito que a situação estava sobre controle; o que naquele momento não nos parecia verdadeiro devido ao vai e vem de aeronaves...

Pouco antes das 14h00 eu, Jônatam e Janice desviamos à direita da trilha para nos abrigar nas primeiras e verdadeiras sombras desde o Covão. Um alívio! Luciano e Daniela acharam um cantinho escondido à esquerda da trilha! Enquanto isso vimos O Jyoti, a Cláudia e a Vanja já chegando na garagem da divisa do Parque do Rio Preto.

Porteira do Rio Preto, Garagem e observatório acima. E o Brigadista de moto! Ao fundo o Dois Irmãos
Permanecemos na sombra acolhedora quando os outros amigos chegaram. Aglutinamos no descanso. Somente às 14h20 retomamos a caminhada, para às 14h30 cruzarmos as cancelas do Parque do Rio Preto; altitude em torno de 1.650m.

Há uma garagem à direita de quem chega; bem como um posto de observação na encosta acima. Encontramos com dois brigadistas numa moto. Eles iriam acudir focos de incêndio nas imediações. Nos deram notícias de que o incêndio havia retomado com força naquele sábado; após praticamente ter sido debelado no dia anterior!

Cabeceiras da Nascente do Rio Preto. Incêndio ao fundo
Despedimos dos brigadistas, nos juntamos aos adiantados e seguimos o curso. A trilha-estradinha margeia as encostas do Pico Dois Irmãos, deixando-nos boquiabertos com a amplitude visual para o norte.

Praticamente daquele ponto observamos a área do Parque do Rio Preto por inteiro! Às 14h35 passamos pelas cabeceiras das nascentes do Rio Preto, um ponto significativo naquela Unidade, coletor de todas as águas do Parque. Do mesmo ponto foi possível observar que o incêndio nas terras do Parque era bem maior que o imaginado. A fumaça negra era vigorosa e impressionante! Aeronaves faziam sobrevoos despejando água nos focos; um trabalho extraordinário!

A Casa de Guardas da Chapada
O declive se acentua e seguimos sem alterações pelas áreas de campo aberto. Perto de 14h50 desviamos da rota principal para nos dirigir até a Casa de Guarda ou Casa da Chapada, aonde encontramos com o Guarda Parque de plantão que já sabia da nossa chegada.

Tomamos ciência da situação de emergência em que o Parque se encontrava naqueles dias devido aos incêndios. Educadamente, o simpático Guarda Parque lamentou não ter água gelada para nos servir, pois acabara de colocar água pra gelar naquele instante... Imagina a gentileza!

Esta é a vista do Dois Irmãos antes de começar a descida da Casa de Guardas
Após os trâmites tocamos adiante pela trilha marcada rumo a Casa do Mozart. Logo à frente cruzamos um ponto de água e belas formações rochosas nas imediações; quando os amigos aproveitaram para alguns registros.

Cruzado mais um ponto de água, dessa vez mirrado, seguimos trilha abaixo. Logo observei à nossa direita o desemboque de uma trilha secundária e bem discreta que vem do Pico Dois Irmãos. Estando juntamente da Vanja e da Cláudia passou por nós um conjunto de cavaleiros tocando gado e outros animais.

Em grupos tocamos adiante, tomando na bifurcação a seguir a trilha da direita. Erodida e entre capoeira, a trilha margeou o morrote pela direita e nos levou às 16h10 diretamente à Casa do Mozart; altitude aproximada de 1.350m. A pernada daquele dia estava encerrada após 22 km embaixo de sol e muito calor!

Casa do Mozart
A Casa do Mozart é uma construção pequena, porém grande pelo que foi um dia. Era moradia de um Senhor de nome Mozart, que em tempos anteriores ao Parque recebia tropas para pouso naquelas bandas.

Bem conservada, inclusive as paredes internas originais em pau-a-pique, o PERP a transformou em Abrigo para Montanhistas, com banheiro e fogão a gás; além de algumas camas e energia elétrica. Os arredores são gramados, planos e bem cuidados, ótimos para armada de barracas.

A antiga Casa de Guardas
Distante uns 300 metros da Casa do Mozart há um Heliponto e outra construção destinada aos Guarda Parques. Ali era ponto oficial de estadia dos Guardas antes de ser construída a outra casa mais próxima da divisa sul do Parque.

Esta casinha, dependendo das circunstâncias também pode ser utilizada por Montanhistas. Possui banheiro e algumas camas; além de pia e alguma mobília.

Fato inusitado era acompanhar o vai e vem das aeronaves que combatiam as chamas nas terras do Parque. O incêndio era grande e no dia anterior havia queimado da margem esquerda do Rio Preto em frente ao Mozart até o Vale do Alecrim por completo. Naquele dia teimava em se espalhar para o sudoeste; além de outros focos ao norte; todas áreas de difícil acesso. Segundo relatos que ouvimos tratava-se de incêndio criminoso!

Restante daquele dia e noite foi dedicado aos afazeres normais de acampamento. Apesar dos incêndios em áreas próximas estávamos em ambiente seguro! Os amigos Jyoti, Claudia e Vanja se estabeleceram na antiga Casa de Guarda. Nós outros permanecemos na Mozart. Armei minha barraca, pois se estou com ela evito utilizar espaços fechados! Jônatam também armou a dele do outro lado da casa... A novidade foi o banho de chuveiro, pois ninguém se interessou em ir até o córrego próximo...

4. Relato Dia 4: PERP Casa Mozart x PERP Sede

A noite caiu e junto veio uma menor temperatura. Fez uma bonita noite, apesar dos focos de incêndio que avistei nos momentos em que me levantei. Foi também uma noite mais curta, pois naquele dia teve início o inconveniente horário de verão! 

Vista sul do Parque. O ponto escuro é um helicóptero que transportava pessoal combate incêndio
Nosso trato era sair cedinho da Casa do Mozart pra encerrar a pernada mais cedo! Assim, lá pelas 5h30 eu acordei, já ouvindo ao longe o barulho das aeronaves que planejavam reiniciar o combate aos incêndios. Como nos dias anteriores, tempo claro e prevendo mais um dia de intenso calor!

Após ajeitar das tralhas em torno de 7h30 iniciamos nossa pernada. Iríamos seguir a trilha rumo a Cachoeira do Crioulo e não a rota das Corredeiras. Normalmente as trilhas mais distantes do Rio Preto são sempre realizadas acompanhadas por Guarda Parques. Mas devido ao incêndio no Parque e conforme combinamos com o Guarda, seguiríamos a trilha sozinhos. Porém isto não era problema, pois conheço bem aquelas rotas...

Deixamos a Casa do Mozart e seguimos para a Casa dos Guardas, aonde nos juntamos à Cláudia, Vanja e Jyoti. Cruzamos o Rio Preto e em suave aclive passamos a percorrer áreas queimadas dois dias antes. Era de dar dó, porque a região é extremamente bonita e rica em vidas!

Morro do Alecrim e Mata dos Crioulos. Arredores sapecados. É possível observar o sentido da caminhada
Às 7h50 vencemos o aclive e despontamos no alto do Morro com vista para o Vale e Morro do Alecrim. Também toda a vertente do Córrego das Éguas pode ser observado, destacando a Serra da Mata dos Crioulos. Lindo visual!

Prosseguimos em declive acentuado rumo ao vale, percorrendo a trilha de cascalho por entre terreno totalmente em cinzas! Impressionante o que o fogo é capaz! O trabalho das aeronaves continuava intenso no combate aos focos de incêndio!

Córrego das Éguas e Morro do Alecrim ao fundo
Por volta de 8h20 vencemos o declive e chegamos até o Corrégo das Éguas, o grande formador da Cachoeira do Crioulo lá embaixo. Altitude próxima de 1.260m. Passamos direto e seguimos em nível margeando pela esquerda o Morro do Alecrim.

A caminhada rende e nem dá vontade de parar devido às queimadas. Após o Morro do Alecrim a área queimada vai ficando para trás e iniciamos trecho em suave declive...

Cruzamos uma tronqueira e a vegetação de cerrado desponta nos arredores da trilha; em detrimento aos campos rupestres. Alcançada uma sombra rala fizemos uma boa parada para descanso e lanche às 9h00. Quinze minutos depois retomamos a caminhada, seguindo no sentido Norte e em declive.

A vegetação vai mudando aos poucos quando ignoramos uma saída à noroeste e aproximamos da região do Lajeado às 9h35. Vamos perdendo altitude rapidamente e o visual do interior do Parque se mantém sem alterações. Cruzando algumas minas d'água e às 10h00 passamos pela Lapa do Zé Baiano. A trilha segue marcada pelas lajes, sendo necessário atenção para não desviar da rota!

As rochas sempre em formatos curiosos...
Às 9h15 cruzamos um afluente do Córrego das Éguas quando fizemos uma paradinha para reabastecimento e refresco. Retomamos a pernada minutos depois, com a trilha melhor marcada e com declive mais suave.

Nem cogitei irmos num poço à nossa direita, pois teríamos boa tarefa adiante. Pelos arredores curiosas formações rochosas que nos remetem a espécies várias...

Por volta de 10h50 aproximamos e cruzamos o Córrego das Éguas por duas vezes. Sem paradas seguimos pela trilha que torna-se mais ampla e se estabiliza. Com a presença mais abundante de água, a vegetação nos arredores torna-se uma capoeira mais encorpada.

Parcial do Poção da Cachoeira do Crioulo vista do topo
Na altura da Velha Serraria a trilha torna-se limpa e ampla. Ignoramos uma saída Norte e depois outra; que levam diretamente à Administração do PERP por uma rota mais à oeste. Seguimos a trilha da direita, pois iríamos para a Cachoeira do Crioulo.

Sem alterações e cada vez mais larga a trilha nos levou diretamente à Rota Normal do Circuito da Crioulo-Sempre Vivas do PERP. Caminhamos por alguns metros e pontualmente às 11h10 chegamos à parte alta da Cachoeira do Crioulo; altitude próxima a 900m.

Crioulo - Foto de outra ocasião que estivemos por lá
A Cachoeira do Crioulo é uma joia do Parque Estadual do Rio Preto. Não pela queda em si, que é até pequena; mas sim pelo conjunto vegetação, rochas, areia e poção! Lugar extraordinariamente belo, com poço variável e propício a boas braçadas!

Com o calor de rachar eu preferi ficar ali na parte superior da Crioulo juntamente com o Jyoti, Cláudia e Vanja. Os outros amigos fizeram o contorno da trilha e desceram para o poço inferior da Crioulo, lá permanecendo por umas 2 horas...

Trecho superior da Crioulo
Devido a ocorrência de incêndio no Parque naqueles dias, a Cachoeira do Crioulo estava totalmente vazia; pois a visitação no lugar somente é realizada com a presença de guarda parques.

Exceção por três gatos pingados que lá estavam; sendo dois deles o Fernando e Estefânia, dois amigos de pernadas de longa data! Mundo pequeno!!! Sem movimento, aproveitei pra fazer uma boquinha e me abrigar do sol na ponte da Crioulo!

Sob sol forte às 13h20 ajeitamos nossas tralhas e iniciamos nossa decida rumo a Praça de Serviços do Parque. Atendendo às solicitações da UC devido às circunstâncias da ocasião utilizamos a trilha normal e não aquela que segue margeando o curso do Ribeirão das Éguas. Pra variar o calor estava de matar e seguimos cada qual no seu ritmo, uma vez que o trecho é bem sinalizado!

Descendo pra Sede. Em primeiro plano o Vale das Éguas. Ao fundo o ponto mais alto é o Dois Irmãos
Por volta de 13h45 passamos pela discreta bifurcação da esquerda que leva à Gerência e me arrependi por não ter solicitado o resgate por lá, pois seria mais perto. Mas também ninguém imaginava que o Parque estria pegando fogo aqueles dias...

Assim seguimos ladeira abaixo, observando à nossa direita o belíssimo Vale das Éguas, bem como os Picos ao Norte; destacando a Serra Menina. À Sudeste destaque para o Dois Irmãos, que discretamente surge atrás das elevações do entorno do Alecrim.

Serra Menina bem ao fundo
Em torno de 14h30 passamos pela bifurcação da Forquilha-Poço da Areia e seguimos em grupos pela estradinha. O trecho é curto mas devido ao sol e calor parecia uma eternidade. Suei litros para acompanhar os passos ligeiros da Vanja...

Pontualmente às 14h00 colocamos os pés na área do restaurante, altitude aproximada de 800m; 1 hora antes do combinado, mas aliviados por fugir do sol implacável daquele primeiro domingo do horroroso horário de verão... Alguns amigos já haviam chegado ao lugar e já ajeitavam suas tralhas...

Parte de nós na Cachoeira da Água Santa:
Fernanda, Vanja (de costas), Gustavo, Vanessa, Paula, Valdney, Jyoti, Luciano, Daniela e Cláudia. Faltam Jônatam e Janice
Nosso resgate também já se encontrava no lugar. Alguns amigos mais animados ainda foram na área de camping tomar banho. Eu não, afinal seria 1 km a mais de caminhada naquele solão. De resto, nos esbaldamos no almoço no restaurante, que estava uma delícia!

Às 16h30 embarcamos e deixamos o Parque do Rio Preto. Sacolejamos na estradinha de terra e passamos por São Gonçalo às 17h30. Dali seguimos non stop rumo Belo Horizonte, onde chegamos ao final daquela noite de domingo...

Os encantos dessa Travessia foram muitos, e para mim suficientes para aliviar o sofrimento embaixo de sol escaldante. Não se iluda, estar sob o sol do Espinhaço por horas seguidas é tão desgastante quanto um vara mato; ou como a intensa umidade da mata atlântica.

Por isso, essa Travessia é um experiência destinada somente aos mais fortes e dispostos, sendo suficientemente capaz de nos propor lições de vida. E isto não é clichê... Obrigado aos velhos e novos amigos pela companhia! Ao PESPI e ao PERP nosso agradecimento especial por incentivar e propiciar aos montanhistas a realização dessa maravilhosa pernada!


5. Serviço: Infos, Tracklog, Como Chegar e Dicas

Travessia com aproximadamente 70 km ligando o Parque Estadual do Pico do Itambé PESPI em Santo Antonio do Itambé, ao Parque Estadual do Rio Preto PERP; em São Gonçalo do Rio Preto. Rasga o sertão mineiro no sentido Sul-Norte, microrregião de Diamantina; região de rica história, tradições e incrível beleza natural. É um clássico do Montanhismo Mineiro.

A Travessia Tradicional tem início na Portaria do PESPI e final na Sede do PERP (ou vice-versa); percorrendo o topo do Pico do Itambé, o Vale do Córrego da Bicha e a região da Bica D'Água, o Covão, a Chapada dos Couto (ou dos Coito) e o Rio Preto. O formato Tradicional de realização são em 4 dias e 3 noites; com pernoites no Pico do Itambé, na Bica D'Água e na Casa do Mozart PERP. A Travessia pode ser realizada em ambos os sentidos.

Abaixo a rota dividida em duas partes:
De Santo Antonio do Itambé à Bica D'Água Powered by Wikiloc

Da Bica D'Água à Portaria do PERP Powered by Wikiloc

A vegetação predominante na região são os campos rupestres; mas é possível observar reminescências de campos de altitude, cerrado e até mata atlântica em fundo de vales mais úmidos; em especial na região do PESPI. O relevo é movimentado, com altitude variando entre 800 e 2.052 metros aproximadamente.

Vários são os pontos significativos dessa Travessia, porém são destaques o Pico do Itambé, altitude máxima da Travessia com 2.052 metros e a nascente do Rio Preto no PERP, importante curso d'água daquela Unidade e região.

Além do visual ao longe, os outros atrativos naturais da Travessia a destacar são as Cachoeiras da Água Santa, Neném e Rio Vermelho no PESPI; a Cachoeira da Cortina na região do Córrego da Serra da Bicha; e o próprio Córrego da Bicha com seus vários poços. Já no PERPI, destaque para as Cachoeiras do Crioulo e Sempre Viva, além de todo o curso do Córrego das Éguas com seus vários poços. Outro destaque no PERPI é o Pico dos Dois Irmãos.

Para realizar esta Travessia é necessária reserva prévia junto às duas Unidades de Conservação. Há regras rígidas e limitação no número de caminhantes por vez. Nem pense em ir por lá sem as reservas e autorizações: ambas as unidades são minuciosamente vigiadas, tornando-se impossível qualquer realização fora das regras.

Leia mais sobre o Parque Estadual do Pico do Itambéque oferece outras possibilidades de travessias, como a Capivari x Santo Antonio do Itambé Via Pico do Itambé e a Trilha dos Tropeiros, que margeia o Pico do Itambé até Capivari.

Leia mais sobre o Parque Estadual do Rio Pretoque oferece uma série de atrativos aos visitantes. Há o Circuito da Cachoeira do Crioulo; o Circuito das Corredeiras e Circuito Trilhas do Cerrado, além de vários outros pontos de grande interesse natural. Possui uma das melhores infra estrutura de Parques em Minas Gerais.

Distâncias aproximadas
Cidade referência: Belo Horizonte

Belo Horizonte a Santo Antonio do Itambé: aproximadamente 352 km, via BR 040/459
Santo Antonio do Itambé à Portaria Parque Estadual do Pico do Itambé: 3 km estrada de terra
Santo Antonio do Itambé à Serro: 28 km
São Gonçalo do Rio Preto a Belo Horizonte: aproximadamente 350 km
São Gonçalo do rio Preto à Portaria do Parque Estadual do Rio Preto: 15 km estrada de terra
Portaria do Parque Estadual do Rio Preto à Praça de Serviços: 5 km estrada de terra
São Gonçalo do Rio Preto a Diamantina: 55 km

Como chegar e voltar - de ônibus
Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: Viação Serro até Serro → Viação Serro até Santo Antonio do Itambé → Táxi ou à pé até Portaria do Parque
Volta: Táxi ou à pé até São Gonçalo do Rio Preto → Viação Pássaro Verde até Diamantina → Viação Pássaro Verde até BH

► Consulte no site das empresas de ônibus os horários e frequências.

Como chegar e voltar - de carro
Cidade referência: Belo Horizonte

Ida: BR 040 até Trevão de Curvelo → BR 135 até curvelo → BR 259 até Serro → MG 10 até santo Antonio do Itambé → Estrada rural para Portaria do PESPI
Volta: Estrada Rural do PERP até São Gonçalo do Rio Preto → MG 214 até BR 367 → BR 367 até BR 259 → BR 259 até Curvelo → BR 135 até Trevão → BR 040 até Belo Horizonte

► Atente-se que início e fim da Travessia se dão em locais distintos e distantes. Necessário programar resgate. Em caso de chuvas intensas as estradinhas rurais podem estar danificadas.

Hospitalidade

Tanto Santo Antonio do Itambé quanto São Gonçalo do Rio Preto são cidades pequeninas e apresentam apenas infraestrutura básica.

Considerações Finais

► Trilhas e Trajeto: Predomina o sentido Sul-Norte (A Travessia pode ser feita no sentido inverso também). Sombreamento em aproximadamente 5% do trajeto. Há subidas e descidas.
Na área do Parque Estadual do Pico do Itambé há forte aclive e declive; variando em mais de 1000 metros. Trecho inicial por estradinha precária. Trilha para o Pico do Itambé e sua descida bem sinalizada. Acessos aos atrativos também sinalizados.
Na área do Parque Estadual do Rio Preto não há sinalização entre a Casa do Mozart e a Cachoeira do Crioulo; um trecho de antigas trilhas; aliás, os trechos de trilhas de montanha no Parque do Rio Preto são sempre realizadas acompanhadas por algum guarda parque da Unidade. Da Cachoeira do Crioulo até a área de serviços a trilha é sinalizada.
Já o trecho fora dos Parques é misto, com estradinha vicinal e trilhas. Não há sinalização e há muitas bifurcações que podem confundir os menos atentos. Pela rota da Travessia não há nenhum obstáculo natural que em situação normal exija uso de equipamentos específicos.

►►Atenção: A primeira vista esta parece ser uma Travessia simples e fácil. Não se engane!
Não é uma Travessia simples. Primeiro pela distância; segundo pela variação altimétrica no Pico do Itambé; terceiro pela forte insolação da rota.
Para realizá-la no modo Tradicional e com cargueiras é fundamental que o caminhante esteja adaptado às caminhadas mais longas e suas peculiaridades; do contrário o sofrimento será certo!

►► Há variantes possíveis para a Rota Tradicional. Isto influenciará tanto na duração quanto na quilometragem final, bem como diversidade de atrativos.
Pode-se iniciar ou finalizar em Capivari, ao invés de Santo Antonio do Itambé. Desse modo pode-se subir o Pico do Itambé mediante ataque e de modo leve.
Por outro lado, iniciando em Santo Antonio, é possível também fazê-la sem ascender ao Pico do Itambé; porém perde-se bastante no visual e carece de autorização específica.
No Parque do Rio Preto é possível subir o Pico dos Dois Irmãos, ponto culminante daquela Unidade, localizado na divisa Sul e acima da Casa do Mozart. Também no PERP é possível percorrer a rota mais à leste (rota das Corredeiras); mas nesse caso perde-se a belíssima Cachoeira do Crioulo e Córrego das Éguas.
Há também outras variantes na região da Chapada dos Couto, em especial desviando para Felício dos Santos, porém descaracterizaria um pouco mais o sentido da Travessia.

► Logística de Acesso: Como em toda Travessia, a logística de acesso-regresso costuma ser a parte mais complicada para o caminhante; pois quase sempre se tratam de pequenas localidades em que transporte público é escasso ou simplesmente não existe. Dependendo do dia e horário, essa situação muitas vezes exige a contratação de serviços de táxi ou então combinado com amigos; ou então restando a alternativa de se fazer longos trechos à pé por estradinhas vicinais. Portanto, avalie bem antes de realizar a travessia para não correr riscos de ter que ficar mais um dia no mato sem ter se programado para isto! Já para quem ir-retornar de automóvel, as estradinhas de terra encontram em bom estado.

► Reserva para Travessia: É necessária reserva e autorização para realização da Travessia. Esta solicitação é feita ao PESPI (peitambe@meioambiente.mg.gov.br) e ao PERP (antonio.almeida@meioambiente.mg.gov.br). As autorizações são sempre limitadas; pois há número máximo de presentes tanto no Pico do Itambé quanto na Casa do Mozart.

► Acesso e Tarifas: No Parque Estadual do Pico do Itambé não é cobrado acesso ou pernoite.
No Parque Estadual do Rio Preto é cobrado acesso e pernoite. Consulte as Unidades para ter sempre valores atualizados.

► Camping e Pernoites: No Parque Estadual do Pico do Itambé o local para pernoite é no topo do Pico do Itambé. Há uma construção básica destinada a abrigar montanhistas. A área de camping não está sendo utilizada atualmente (2017).
No Parque Estadual do Rio Preto o local para pernoite é a Casa do Mozart. Há fogão a gás e à lenha, banho frio e algumas camas com colchão. Há energia elétrica.
A região da Bica D'Água é particular. A Casa do Seu Santo é o ponto tradicional para pernoite e acampamento. No local se oferece janta, café da manhã e pernoite dentro de casa a interessados. Há limitação nesses serviços, pois é uma residência de morador. Os valores são pagos diretamente ao morador e nada tem a ver com as Unidades de Conservação do trecho inicial e final.
Assim, dependendo da reserva do caminhante na Bica D'Água - Casa do Seu Santo é até possível realizar essa travessia sem necessidade de barracas.
Apesar de julgarmos incrível e imperdível pernoitar na Casa do Seu Santo, é claro que isto não é obrigatório. O caminhante poderá escolher outros pontos, mesmo que naturais, desde que tenha ciência das suas responsabilidades.

► Água: Há vários pontos de água por toda a rota, não sendo necessário transportar grandes quantidades. Mas no tempo da seca algumas fontes desaparecem; então nesses períodos fique atento e abasteça sempre em carga máxima; e se possível utilizar purificador. O trecho mais longo sem água é a Chapada dos Couto.
Além obviamente das cachoeiras, fontes perenes estão no (1) Portaria do PESPI; (2) Córrego da Água Santa; (3) Acima da Lapa do Morcego; (4) No topo do Itambé (secas severas não há); (5) Residência do Lindomar; (6) Córrego da Serra da Bicha e em vários pontos até a Casa do Seu Santo; (7) Sumidouro; (8) Escola do Covão, bem como no rego de abastecimento até a subida para a Chapada dos Couto (9) Abaixo da Casa de Guardas do PERPI; (10) Casa do Mozart e Rio Preto; (11) Córrego das Éguas em três pontos até a Cachoeira do Crioulo; (12) Na descida entre Crioulo e Sede pela trilha normal há pelo menos dois pontos; (13) Na sede do PERP.

► Exposição ao Sol: Intensa, pois há pouca sombra pela rota. É sério, use protetor solar.

► Tempo de realização: O melhor período para realização dessa travessia é de abril a setembro; que é a época mais seca na região. Em 4 dias e 3 noites é o Formato Tradicional; possibilitando caminhar com calma e curtir os atrativos. É possível a realização razoável em 3 dias e 2 noites. Para realização em apenas 2 dias recomendável somente para o estilo speed e restringindo eventuais ataques a atrativos.

► Segurança: É uma travessia que permite rotas de escape. Até a subida do Itambé pode-se retornar à Santo Antonio do Itambé. Na descida do Pico do Itambé pode-se desviar para Capivari. Até a região da Bica D'Água e Sumidouro também é possível retornar para Capivari. A partir da região do Covão melhor seguir par o PERP.  Há uma saída da região do Covão para Diamantina Via Extração, mas são algumas dezenas de quilômetros em estrada de terra.
Há sinal de telefonia celular em alguns pontos da rota; em especial no PESPI. No PERPI há sinal de wi-fi no Centro de Visitantes.

► Cash: leve dinheiro trocado e em espécie. Pequenas localidades não aceitam cartões ou cheques.

► Carta Topográfica: Rio Vermelho


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos!