quinta-feira, 24 de abril de 2014

Lapinha a Tabuleiro pela Rota Norte: uma imersão no Mundo Espinhaço

Cânion do Peixe Tolo:
um dos atrativos da Rota Norte
Apesar da enorme possibilidade de trekking em várias regiões Brasil afora, não resta dúvida que é a Cadeia do Espinhaço aquela que oferece maiores possibilidades de travessias aos aventureiros. Considerada pelos especialistas a única Cordilheira do País, este conglomerado de "serras gêmeas" rasga no sentido sul - norte os Estados de Minas Gerais e parte do Estado da Bahia. Em especial no Estado de Minas Gerais, onde as travessias são mais populares, a mais conhecida e clássica via de caminhada é a Travessia Lapinha a Tabuleiro. Não obstante existirem dois formatos tradicionais para realizá-la, percorrendo ou contornando o Pico do Breu; outra variante dessa Travessia também é possível: a Rota Norte!


► Leia também nosso relato da Travessia Lapinha a Tabuleiro pela Rota Tradicional
► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor
► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

Foi essa pernada que encarei na Semana Santa e feriado de Tiradentes 2014. Ao finalizá-la, tive a certeza de que se trata de uma variante extraordinária, que recompensa e premia o trekker com paisagens maravilhosas e atrativos pitorescos. Seus inúmeros cursos d'água, cachoeiras, corredeiras, cânions, campos rupestres, filetes de mata atlântica, matas de galerias, afloramentos rochosos e fauna diferenciada permitem uma verdadeira imersão ao Mundo Espinhaço!

Menos conhecida e badalada que sua irmã mais famosa, esta variante da Travessia Lapinha a Tabuleiro efetiva-se mais ao norte da via Tradicional, e passa pela Cachoeira do Bicame, Alto da Serra do Abreu, Cânion do Peixe Tolo, Cachoeira Rabo de Cavalo e se direciona ao Tabuleiro, podendo incluir a Cachoeira de Congonhas, Cânion do Rio Preto; e por fim, a Cachoeira do Tabuleiro. Seu percurso se aproxima dos 65 km (ou um pouco mais caso se vá a todos esses atrativos) e o tempo ideal para fazê-la são 4 dias, garantindo assim tempo de sobra para curtir os atrativos.

1 Planejada e formatada a Travessia, chamei alguns amigos trekkers, de modo que garantimos a alegria para o período de 18 a 21 de abril de 2014. Assim, por volta das 6h00 da manhã do dia 18 de abril Eu, James, Gabriel, Lucas, Fernando, Wesley e Luciano nos encontramos no Terminal JK no centro de Belo Horizonte e partimos via van para a Lapinha da Serra, no município de Santana do Riacho. Conosco também seguiram a Helena, Thayra e seu amigo, que aproveitaram nossa logística para visitar a Cachoeira do Bicame; além do Alexandre, um amigo do Lucas que iria fazer a Tradicional Travessia com outro grupo.

Viagem tranquila, por volta de 9h15 da manhã passamos pelo local conhecido como cotovelo na bifurcação da estradinha de terra que segue para o arraial da Lapinha da Serra, município de Santana do Riacho. Ignorando o sentido do arraial, seguimos reto e nos dirigimos à região da antiga Fazenda Virgulino, ao norte do arraial, até onde é possível se atingir com veículo comum. No lugar há uma casa à esquerda (fechada, sem morador) e adiante uma porteira. Lá desembarcamos e ajeitamos as tralhas para iniciar a caminhada. Conforme combinado anteriormente, nossa amiga Solimar, a única mulher que nos acompanharia nesta Travessia, nos esperaria na Cachoeira do Bicame, pois a mesma já se encontrava em férias no arraial da Lapinha dias antes.

ÀS 9h50 daquela calorenta manhã colocamos os pés na estradinha-trilha. Empolgados, cruzamos a primeira porteira e logo à frente; outra porteira com outra casa à esquerda. Adiante, pulamos um rego d'água e ignoramos a bifurcação à esquerda que leva para o Poço do Soberbo. Enquanto seguia pelo trecho, uma preocupação sempre vinha à minha cabeça. Ocorre que a região aonde se localiza a Cachoeira do Bicame é uma RPPN, com rígido controle de acesso, limitado à 30 visitantes por dia. Como iniciamos a caminhada um pouco tarde, a possibilidade de chegarmos no ponto de controle e darmos com a cara na porteira da RPPN não poderia ser descartada.

Afloramentos rochosos
Por isso, apertamos o passo, pois o trecho até a porteira da RPPN é uma estrada 4x4, ou seja, uma autopista para trekkers. Trata-se de trecho da antiga Estrada Transamante, atualmente interditada para veículos após a RPPN. Essa estradinha segue praticamente em linha reta, tendo à leste o paredão rochoso da Serra da Lapinha; seguindo a contra-fluxo das águas do córrego da Lapinha, portando em sua sua margem direita. Os belos arredores são formados por afloramentos rochosos que em alguns trechos nos remetem à cemitérios, pois as rochas parecem lápides que brotam do chão. Dizem que nesse trecho há algumas pinturas rupestres, mas nunca as vi! Completa a paisagem próxima vários veios de belos campos rupestres.

Placa na Ermos Gerais
Quase 1h de caminhada e nos aproximávamos da porteira da RPPN Ermos das Gerais. Passou por nós uma picape 4x4, aonde seguia nossa aventureira Solimar, juntamente com outras amigas que visitariam a Bicame. Sendo a única mulher da trip, isto foi perdoável eheh... Receoso da possibilidade da lotação do lugar já estar esgotada, ao se aproximar da Casa de Controle da RPPN, me dirigi ao caseiro do lugar e logo veio o alívio: com nosso grupo, estavam fechadas as 30 pessoas que poderiam adentrar à RPPN naquele dia. Assinamos o Livro de Controle e sem paradas retomamos a caminhada. 

Poço do Soberbo visto desde o mirante antes da Bicame
Aproximando da Cachoeira do Bicame
A partir desse ponto e após cruzar um pequeno córrego, deixamos a estradinha Transamante em favor de uma trilha em uma bifurcação à esquerda. Fomos margeando um morro da direita, agora com a companhia de uma simpática cadela guardiã da Ermos Gerais. À nossa esquerda (oeste), abriam-se os morros da região do Soberbo, que fica em um patamar inferior à Bicame. Quase no fim do contorno desse morro à leste / nossa direita, alguns de nós deixamos a trilha e descemos uns 100 metros à oeste para observarmos lá embaixo o Poço do Soberbo. Rapidamente retornamos à trilha e chegamos ao mirante aonde avistamos a Bicame. Algumas fotos e logo descemos o último lance de trilha, chegando à belíssima Cachoeira localizada no Rio das Pedras. Era por volta de 12h20.

Rio das Pedras acima da Bicame
Pausa para refresco e curtição do lugar para renovar as energias; pois dali em diante o trecho seria mais cansativo para todos nós. Por volta de 14h00 e depois de aproveitar ao máximo o belo poção da Bicame, retomamos a caminhada, agora subindo à parte alta da cachoeira pelo seu lado esquerdo. Nenhuma parada, seguimos margeando o lado esquerdo do Rio das Pedras, aonde há sinal, primeiro de antigo desvio de água para mineração; e depois de uma desgastada e antiga trilha em leve e disfarçado aclive. O mato vai tomando conta do trecho e próximo a alguns regos d'água tivemos que abrir os arbustos para passagem. 

Região da Cachoeirinha acima da Bicame.
Há outras quedas maiores abaixo desse ponto
Tranquilamente por volta de 15h00 chegamos à Cachoeirinha, localizada no mesmo Rio das Pedras que vínhamos margeando desde a Bicame. Nova parada para descanso e o Wesley e o Gabriel não resistiram e entraram novamente na água. Há no lugar restos de madeira de alguma antiga construção.

Pouco tempo depois prosseguimos subindo à margem esquerda do Rio das Pedras. Chegamos novamente à Estradinha Transamante. Trata-se da continuação da mesma estradinha que havíamos deixado lá na RPPN Ermos das Gerais. Nesse ponto, a estradinha cruza o Rio das Pedras, porém o volume de água nos obrigaria a retirar as botas. Coletamos água, ignoramos a passagem e seguimos um pouco mais acima à procura de um lugar para transpor o Rio, pois deveríamos então a partir daquele ponto mudarmos de margem e nos distanciarmos do rio. Encontramos um ponto de passagem pelas rochas, mas não adiantou: tivemos mesmo que tirar as botas. Além disso, alguns escorregaram e se molharam; e o James ainda perdeu seu óculos de sol... Melhor seria se tivéssemos cruzado o rio pela estradinha mesmo...

Serra do Breu e Lapinha com chuvia 
Serra do Breu e Lapinha
Cruzado o Rio das Pedras e já fora dos domínios da RPPN Ermos das Gerais, estávamos agora nas terras da Fazenda Gutierrez. Campos e gado nelore tomam conta dessa região. Fomos distanciando do Rio das Pedras através de uma trilha de gado e logo acima interceptamos a estradinha Transamante. Seguimos pela estrada no sentido oeste e em aclive. Ao chegarmos no ponto mais alto do trecho margeamos um morrote pela direita. Desse ponto, todo o vale de campos no sentido sul/sudeste abriu-se à nossa frente. À oeste (nossas costas) víamos a Serra da Lapinha e ao sul destacava o Pico do Breu. É um lugar belíssimo! E naquele momento, uma chuvinha fina caía nestas serras, tornando o lugar ainda mais belo. Um tímido arco-íris beijava o Pico do Breu. Coisa de cinema. Como já beirava as 16h30, já era hora de procuramos um local para acampamento. E tinha que ser por ali, pois se prosseguíssemos teríamos dificuldades em encontrar água. Além disso, o alto dos campos não seria recomendável para acampamento.

Noite - Foto: J. Amorim
Do ponto mais alto da estradinha, avistamos lá no fundo do vale um filete de mata; cortado pela mesma estradinha. E nesta região, aonde há um filete de mata há água. Prosseguimos na apagada estradinha, passamos por uma porteira e um curral de arame, cruzamos um córrego e chegamos à este ponto, que era ideal: plano, com gramíneas e com abundância de água. Foi nosso hotel da primeira noite. Tivemos que montar as barracas rapidamente, pois a fina chuva chegou na região. Sem tirar nosso ânimo, logo o chuvisco passou e o céu começou a se abrir. Após o jantar, ficamos proseando e curtindo o espetáculo proporcionado por aquele belíssimo céu estrelado. Aguardamos o nascer da lua por volta de 22h00! Depois, cama!


Antiga e gigantesca erosão às margens da Transamante
2 Acordamos na manhã de sábado por volta das 6h00 e o dia estava carregado. A Serra da Lapinha e o Pico do Breu estavam encobertos pela neblina. Demoramos a ajeitar as tralhas e somente às 8h30 deixamos o acampamento. Começamos a subida pela Estradinha Transamante sentido nordeste e assim cortaríamos todo o trecho de campos desta porção do Espinhaço. Logo acima do acampamento, passamos por uma gigantesca erosão e um pouco adiante cruzamos com dois vaqueiros que recolhiam o gado nelore. 

Vale sentido Sul e Serra do Breu
Fomos subindo... subindo... e tomando a direção nordeste. Nesse trecho vi a maior serpente em toda a Travessia (a terceira) que passou a alguns centímetros dos meus pés e sumiu em meio ao capim! Também no mesmo trecho, o Wesley perdeu a proteção da lente da sua câmera... Já beleza não faltou. O visual foi-se abrindo, até que foi possível ver toda a região de campos que seguem desde os pés do Pico do Breu na região da casa da D. Ana Benta na Via Tradicional da Travessia ao sul; até as proximidades da Fazenda Gutierrez, mais ao norte. Uma belezura só... Estávamos na região mais elevada de toda a Travessia, bem no alto da Serra do Espinhaço, que na região é conhecida como Serra do Abreu. Fizemos uma boa parada para descanso.

Serras da Penha e Gurita acima do povoado de Candeias
Retomamos a caminhada e, uns 400 metros adiante deixamos a estradinha Transamante que segue sentido Congonhas do Norte em favor de uma trilha à direita. Caminhamos por essa trilha por um curto trecho e logo a deixamos também pela direita, seguindo pelo pasto cortando caminho sentido oeste. A partir desse ponto, passaríamos pelo único trecho de toda a travessia em que não há trilhas demarcadas! Ao passarmos por um morrinho, tivemos que circular desviando das rochas; para logo adiante ter que fazer uma barriga à direita para achar passagem segura em um córrego. Cruzamos uma outra estradinha e nesse trecho o Gabriel quis subir um morrote à direita e lá se foi... depois voltou rsrs... Seguimos na mesma direção nordeste pelo trecho sem trilha definida, onde marca-se apenas a direção e cada um escolhe o caminho. Chegamos ao topo de onde foi possível observar toda a região do Bairro Candeias e vale do Ribeirão Peixe Tolo lá embaixo. O visual é muito belo, com a face da Serra da Penha e da Gurita acima do povoado.

Início da descida de trilha com bastante cascalho.
Ao fundo e à direita é possível ver os paredões da Cachoeira do Tabuleiro
Começamos a longa descida sem trilha demarcada e já víamos lá embaixo a continuação de uma trilha. Era pra lá que iríamos! A única dificuldade do trecho é analisar o terreno e observar onde se pode transpor algumas pequenas fendas por onde correm água de chuva; ou há água de modo perene. O trecho é repleto de rochas características do Espinhaço. E assim, em pouco tempo chegamos à trilha pretendida e fizemos uma nova parada para descanso. Pouco tempo depois fomos despencando trilha abaixo. E que descida! Repleta de cascalho, exigiu muito dos joelhos. Beirava o meio dia e o sol saiu de vez, torrando nossa cara. Isto nos obrigou a nova parada mais abaixo, próximo à uma matinha. Aproveitamos pra fazer um lanche e até demoramos um pouco mais no lugar. Pudemos contemplar os topos da Serra do Intendente à sudeste e bem ao longe foi possível identificar os paredões que emolduram a Cachoeira do Tabuleiro.

Vista da entrada do Cânion do Peixe Tolo
Retomada a caminhada, a trilha permanecia a mesma: em forte declive e com muito cascalho. Cruzamos bem abaixo uma porteira e uma capoeira com um brejo, para logo depois pararmos novamente às margens de um córrego com um pequeno, porém belo poço. Como o sol estava castigando, nova parada e alguns (Gabriel, Wesley e Solimar) até adentraram ao poço para se refrescar do calorão de rachar. 

Novamente pé na trilha e praticamente em linha reta continuamos a descida. Chegando ao seu final, adentramos em um trecho com uma mata, aonde a trilha se nivela. Cruzamos uma trilha-estradinha que parece levar a um sítio nas imediações; ignoramos uma bifurcação à esquerda e seguimos reto pelo topo do morrote. À nossa direita já se via a portada de entrada do Cânion do Peixe Tolo. Cruzamos uma outra porteira e demos uma guinada para o sul. Uns 500 metros adiante chegamos à bifurcação que nos levaria ao Cânion do Peixe Tolo. Era pouco mais de 3 horas da tarde.

Paramos na bifurcação e acabamos decidindo que não iríamos ao Cânion do Peixe Tolo. Apesar de ser ainda cedo, a caminhada daquele dia havia nos esgotado. Creio que não pela caminhada em si, mas sobretudo pelo calor: acreditem, o sol estava exageradamente forte! Apenas admiramos o cânion ao longe e seguimos sentido sudeste, passando sobre algumas casas abaixo. Caminhando pela estradinha, tratamos logo de identificar um lugar às margens do Ribeirão Peixe Tolo aonde pudéssemos descansar naquela calorenta tarde e passarmos a noite. Identificamos uma trilha em direção ao rio e seguimos para lá. O lugar era ideal: às margens do ribeirão, sombreado, plano e com presença de areia. Nada de caminhar mais aquele dia! Havíamos caminhado aproximadamente 20 km em um bom ritmo e percorrido o trecho mais desgastante de toda a Travessia.

Fomos aproveitar o ribeirão, aonde ficamos um bom tempo de molho naquelas águas cor de coca-cola. Como já indicava o calorão daquele dia, o tempo começou a se fechar. Começou uma chuva fina e tivemos que correr para montar as barracas. Ocorreram alguns relâmpagos e trovões para os lados do Tabuleiro. Mas chuva forte não veio! De todo modo, a decisão em não ir ao Cânion do Peixe Tolo foi até acertada, pois certamente seria tenso estarmos dentro do cânion com ameaça de chuva! Logo o chuvisco passou e enquanto o Gabriel, Fernando e Wesley foram explorar os arredores. Eu, James, Lucas, Solimar e Luciano preferimos ficar na preguiça. Ficamos proseando e tomando um vinho. Logo eles foram retornando e o papo rendeu. Após o jantar, todos sumiram em suas barracas; exceção do Fernando, que foi para a sua rede. Era por volta de 21h30.


Visual do Parque do Intendente:
Rabo de Cavalo (D) e Peixe Tolo (E)
3 Noite muito tranquila, acordei às 6h30 da manhã. Dormi muito bem e até ficaria mais um tempo na barraca. Mas tinha que desarmar acampamento. Fizemos sem pressa, porém saímos mais cedo do lugar. Às 8h00 já estávamos de volta à estradinha em busca do nosso próximo objetivo, a Cachoeira Rabo de Cavalo. Após cruzar uma porteira e um rio, chegamos a uma residência com um bar. Fizemos uma parada e o Luciano decidiu interromper a caminhada por ali, pois seu joelho não estava bem em decorrência do esforço nos dois dias anteriores. Enquanto partíamos rumo ao posto de controle do IEF no Parque Estadual da Serra do Intendente, Luciano seguiria para Conceição do Mato Dentro.

Cachoeira Rabo de Cavalo
Rabo de Cavalo
Caminhando no sentido sudoeste, o trecho alterna trilha e estradinhas. São ligações das várias casas de moradores locais. Há sinalização no trecho, pois é área do Parque Estadual da Serra do Intendente. Sem dificuldades chegamos ao Posto de Controle do IEF. Fomos muito bem recebidos pelos simpáticos guarda parques. Por lá deixamos nossas cargueiras e apenas com ataque corremos para a Cachoeira Rabo de Cavalo. A trilha de acesso à Cachoeira é sinalizada, limpa e tranquila. Em apenas 20 minutos chegamos à Cachoeira Rabo de Cavalo.
Cachoeira Rabo de Cavalo
Linda e espetacular, a cachoeira Rabo de Cavalo é um conjunto de três grandes quedas d´'agua formadas sobretudo pelas águas do Córrego do Teodoro. Com aproximadamente 150 metros de altura ao total, seus arredores são formados por paredões de rara beleza. Seu poço é bem grande, de uns 50 x 30 metros aproximadamente, com profundidade desconhecida. É possível cruzar o poço a nado e ficar embaixo da queda final. As águas são escuras como todas as das suas irmãs do Espinhaço. É um lugar único e belíssimo!

Depois de todo mundo se refrescar e ficarmos na Rabo de Cavalo por mais de 1h, retornamos ao Posto de Controle do IEF pela mesma trilha da ida. Ao retornarmos avistamos pessoas nos poções da parte superior da Rabo de Cavalo (região da Cachoeira do Altar); bem como um casal que, às margens da trilha estavam à caça e observando cantos de pássaros...

No posto do IEF pegamos nossas cargueiras e despedimos dos simpáticos guarda parques. Era meio dia em ponto quando retomamos a caminhada sentido Tabuleiro. O calor era intenso! Deixamos o posto cortando o pasto no sentido leste e interceptamos a trilha poucos metros acima. Chegamos a uma bifurcação e tentei pegar um atalho. Fomos reto em aclive e beirando uma cerca de arame farpado, porém ao chegar ao topo do morrinho vimos que não seria possível ultrapassar o ribeirão lá embaixo devido aos seus barrancos. Pulamos a cerca e à esquerda fomos em direção a uma porteira nos fundos de uma casa. Cruzamos esta porteira, um córrego logo abaixo e aí veio o sofrimento do dia: uma subida íngreme  por trilha com aproximadamente 1 km. Fomos em ritmo acelerado, modos que rapidamente chegamos à estradinha que nos levaria ao Tabuleiro, aonde há uma porteira.

Gabriel seguia na dianteira e por nossa causa perdeu uma carona eheh... Tomamos a estradinha à direita e fomos subindo... Mais adiante não teve jeito: tivemos que parar para descanso em uma sombra de uma grande árvore à beira da estrada; porque o sol estava judiando e fazia um calor terrível.

Pé na trilha novamente logo adentramos uma matinha, após um mataburro de madeira. Agora sob sombra, passamos por um mergulho e logo adiante chegamos próximo a uma casa à nossa esquerda. Poucos metros adiante e após uma erosão, chegamos em frente a outra casa, agora à nossa direita. Uma moradia simples mas bem cuidada, com belas laranjeiras. Não resistimos e pedimos algumas laranjas, que nos foi cedida pela gentil proprietária. Muito simpática a Senhora! Durante todo esse percurso, o topo da Serra do Intendente nos vigiava à oeste.

Após a casinha e as laranjas, rapidamente passamos por um pequeno atalho à esquerda e logo adiante entramos novamente à esquerda em uma bifurcação da estradinha. E tome subida. Nova parada para descanso. Nem acreditamos quando vencemos a subida naquele dia. O calor estava demais, o que prenunciava chuva... Começamos então a descer sentido sudeste. Passamos por nova porteira, ignoramos uma bifurcação à esquerda onde há uma casa aparentemente abandonada e descemos reto. Mais abaixo, outra porteira, um ponto de água e seguimos reto sentido sudeste. Cortamos alguns sítios, passamos por uma pequena cruz à beira da trilha-estradinha e logo adiante sobressai à direita em um nível mais acima, a uns 40 metros da trilha, um grande cruzeiro. Gabriel esteve por lá...

Mais adiante paramos para novo descanso. À nossa esquerda e bem acima havia um rancho. Desse ponto já era possível ver para o lado sul um pedacinho da Cachoeira do Tabuleiro, além do seu marcante paredão. Retomamos a caminhada e logo passou por nós um cavaleiro com seus quatro belos cachorros. Logo a trilha-estradinha se aplainou e já foi possível ver lá embaixo e à nossa direita um sítio com muitas bananeiras, bem como a trilha que leva à Cachoeira de Congonhas e margeia o Rio Preto. Gabriel até sugeriu descer por ali, pois já beirava as 16h00 e precisávamos de um lugar para passar a noite.

Cemitério do Tabuleiro
Como é proibido acampar na área do Parque Estadual da Serra do Intendente, preferi seguir pela trilha-estradinha que leva ao Tabuleiro. Agora em declive, nos aproximamos do Cemitério do Tabuleiro. Demos uma guinada à direita (sentido sul) e interceptamos abaixo a trilha que leva para a Cachoeira de Congonhas e para o Cânion do Rio Preto. Nossos olhos já brilhavam atrás de um lugar para passarmos a noite. Seguimos pela trilha até aonde a mesma se encontra e cruza o Rio Preto. Lá tivemos um momento de indecisão, pois ainda era cedo. Também houve uma diferença de marcação da trilha programada e fui explorar o leito do rio para conferir. Era apenas uma dúvida inicial e logo voltei para o ponto anterior.

Enquanto alguns sugeriam subirmos a trilha que cruzava o rio e adentrava pela mata ciliar e tentarmos encontrar um lugar para acampar mais acima, batia o receio de sermos abordados pelos guarda parques, pois eu já havia sido avisado sobre isto lá na Cachoeira Rabo de Cavalo. Estatelados nas pedras ao lado do rio, sugeri ao Gabriel e ao Lucas que fossem até a residência do outro lado do rio se informar sobre a trilha e pesquisar sobre a fiscalização. Pouco tempo depois voltaram com a notícia dada pelo morador que, poderíamos tentar acampar por ali acima em direção à Congonhas. Caso os guarda parques não permitissem, poderíamos voltar que ele nos ajudaria de alguma forma.

Local da nossa última noite
Como havíamos passado por um trecho gramado ao lado da trilha antes do Rio Preto, preferimos voltar ao lugar e acampar por lá. Voltamos e enquanto pesquisávamos melhor os arredores, decidimos ficar por ali mesmo. Esconderíamos nossas cargueiras, iríamos ao rio e voltaríamos para armar acampamento mais tarde. Porém, antes que fizéssemos isto, fomos informados por visitantes locais que a fiscalização ali era rígida. Sem alternativa, corremos para a casa do morador, que franqueou nossa estadia no terreiro de uma casinha simples e até então, fechada. Foi o lugar ideal: por ali nos instalamos e passamos a noite. Foi uma noite divertida, quando aproveitamos para desovar o restante da nossa comida e bebida. Sensacional!!! Dormimos mais cedo, não antes sem ver o nascer da lua...

Cachoeira de Congonhas
A segunda feira amanheceu nublada. Levantamos cedo e quem apareceu? O dono da casinha! Muito simpático, nos tratou super bem! Nem se preocupou com aquela bagunça ao redor da sua casinha! Mas logo desarmamos o acampamento, limpamos os arredores, despedimos do simpático casal e por volta de 8h30 deixamos o lugar. Cruzamos o Rio Preto e pela trilha batida e sinalizada fomos direto à Cachoeira de Congonhas.

Queda e poço da Congonhas
O lugar aonde fica a Cachoeira de Congonhas é muito singelo. Localizado à margem direita do Rio Preto, o acesso se dá através de uma bifurcação natural do Cânion do Rio Preto. É formada graças a paredões de rocha maciça. O volume de água da cachoeira é pequeno, porém forma um conjunto curioso em duas partes. Antes de chegar ao poço, passa por trás de uma grande rocha. O poço é raso, porém é muito belo. É um lugar que vale a pena visitar, que chama à tranquilidade.

Naquela manhã de segunda feira (nem no dia anterior) não vimos guarda parques na região. Poucas pessoas estavam na Congonhas. E dentre os poucos, encontrei o Fábio da Cimo Adventure, de quem já havia ouvido falar e acabei conhecendo pessoalmente no lugar... Que mundo pequeno! Fábio foi embora com seus amigos e nós ainda permanecemos um bom tempo por lá pois todos queriam aproveitar o lugar. Por volta de 10h30 deixamos a Congonhas através da mesma trilha da ida. Passamos pela bifurcação natural do Cânion do Rio Preto e prosseguimos a volta margeando pela direita o Rio Preto. A exploração do Cânion do Rio Preto ficaria para outra ocasião...

Cânion do Rio Preto vista da apagada trilha de ligação
com a rota tradicional da Lapinha a Tabuleiro
Ao nos aproximarmos do final da trilha e um pouco antes de cruzarmos o Rio Preto, tomamos uma bifurcação à direita e seguimos morro acima em direção ao mirante da Cachoeira do Tabuleiro. Foram aproximadamente 2 km de subida íngreme, com trilha antiga, porém pisoteada, e repleta de cascalho; que exigiu pelo menos três paradas para descanso. À essa hora o sol se fazia presente e estava castigando. Ao final dessa trilha de ligação interceptamos a trilha mestra que desce da casa da D. Maria e faz parte da rota Tradicional da Lapinha a Tabuleiro. Seguimos à esquerda e logo adiante, tomamos a trilha da direita em uma bifurcação em Y. Essa variante nos levou diretamente ao mirante da Cachoeira do Tabuleiro, aonde chegamos às 12h30 aproximadamente.

Cachoeira do Tabuleiro
Visual da Serra do Abreu (IBGE) desde o mirante da Tabuleiro (zoom).
Aquele pontinho branco é na região de cascalho, na descida para o
Cânion do Peixe Tolo! Longe, muito longe... (zoom)
Nosso grupo havia se dividido na subidona da trilha de ligação, modos que cheguei na rabeira ao Mirante. Após rápido lanche, o Wesley, Gabriel e Fernando decidiram ir ao Poço da Cachoeira do Tabuleiro. Assim, eu os apressei e eles seguiram à nossa frente em direção à portaria do Parque Municipal do Tabuleiro. Nós viemos depois com muita calma. Aproveitamos para avisar o nosso resgate para nos encontrar lá no Parque. Ficamos ainda um tempo observando o trajeto que percorremos nos dias anteriores, pois lá do Mirante era possível ver a descida da Serra do Abreu, aonde penamos na cascalheira no segundo dia. E assim, tranquilamente às 13h20 estávamos na sede do Parque. Tomamos um banho e fizemos um belo almoço. Ficamos à espera dos aventureiros que foram à Cachoeira.

Por volta das 15h00 nosso resgate chegou. Às 16h00 os malucos chegaram da Cachoeira. Imediatamente embarcamos e rumamos para a Vila de Tabuleiro, aonde tomamos um guaraná. De lá, passamos por Conceição do Mato Dentro e seguimos direto para o Distrito da Serra do Cipo, lá chegando por volta de 18h30. Aproveitamos para jantar em um restaurante, pois fomos avisados que o trânsito na rodovia MG 10 na chegada de BH estava infernal. Aproximadamente 19h30 deixamos a Serra do Cipó rumo a BH, aonde chegamos por volta de 22h30, depois de enfrentar um congestionamento gigante nas proximidades de Lagoa Santa.

Personagens da rota
Sem dúvidas, a Rota Norte da Travessia Lapinha a Tabuleiro mostrou-se grandiosa. O cardápio de atrativos naturais foi impressionante. De fácil navegação, fizemos uma caminhada tranquila, sem corre corre e ficou a certeza de que valeu a pena. Creio que será muito difícil esquecê-la, tanto pelos atrativos quanto pela companhia dos velhos e novos amigos! Realmente o Espinhaço é um Mundo cheio de graça! Que venham outras! Faço um agradecimento especial aos meus velhos/novos amigos James, Lucas, Gabriel e Luciano, Fernando, Wesley e Solimar pela confiança e paciência durante esta aventura.


Serviço

Menos conhecida que a rota Tradicional, esta variante da Travessia Lapinha a Tabuleiro se inicia ou no Arraial da Lapinha da Serra ou na altura da Fazenda Virgulino, cerca de 5 km ao norte do arraial, no município de Santana do Riacho e finda-se ou no Parque Municipal do Tabuleiro; ou no Distrito de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro. Percorre áreas de preservação particular (RPPN Ermos das Gerais) e pública (Parque Estadual da Serra do Intendente).

Comparativo entre a Rota Norte (vermelha) e a Rota Tradicional (laranja)
Adaptação: Chico Trekking
Inicialmente percorre a antiga Estrada Transamante, passa pela sede da RPPN Ermos das Gerais e prossegue no sentido de Congonhas do Norte. Poderíamos ter nos mantido na Transamante, porém optamos por fazer um desvio opcional através de trilha e passamos pela Cachoeira do Bicame. Após a Bicame, segue margeando o Rio das Pedras, para interceptar a Estrada Transamante nos limites da RPPN Ermos das Gerais com a Fazenda Gutierrez.

Prossegue pelos descampados elevados do Espinhaço até a Serra do Abreu (IBGE). Nessa altura, desvia-se à direita da Estrada Transamante (que leva à Congonhas do Norte) e após cruzar a Serra do Abreu por trecho sem trilha definida, alcança nova trilha na descida da serra em direção à entrada do Cânion do Peixe Tolo, em terras do Parque Estadual da Serra do Intendente.

Nesse ponto, pode-se ir (e voltar) ao Cânion, para depois margear e cruzar o Ribeirão Peixe Tolo e seguir em direção à Cachoeira Rabo de Cavalo, que é feita através de ataque (ida e volta) pela mesma trilha. Deixando a Cachoeira Rabo de Cavalo segue-se em direção a Vila de Tabuleiro localizada à leste do vale do Peixe Tolo/Parauninha, margeando o topo do Cânion do Rio Preto.

Ao se aproximar do cemitério do Tabuleiro, dá-se uma guinada no sentido oeste e adentra-se pelo vale do Rio Preto. Segue até a bifurcação da Cachoeira de Congonhas. Faz-se o seu ataque, para na volta adentrar-se à esquerda no Cânion do Rio Preto (ou vice e versa). Faz-se o retorno pelo mesmo caminho da ida; voltando em direção à Vila de Tabuleiro pelo Vale do Rio Preto.

Antes de cruzar o Rio Preto, sobe-se o morro à direita visando interceptar a trilha da Rota Tradicional da Travessia Lapinha a Tabuleiro. Passa-se pelo Mirante da Cachoeira do Tabuleiro e chega-se à sede do Parque Municipal do Tabuleiro. Desse ponto, faz-se o ataque à Cachoeira do Tabuleiro. O ponto final pode ser na portaria do Parque ou mesmo na Vila de Tabuleiro.

► O trajeto desde a Fazenda Virgulino até a sede do Parque Municipal do Tabuleiro, incluindo todos os atrativos de ataque perfaz aproximadamente 73 km.
►► Como nesta ocasião não fizemos o ataque ao Peixe Tolo; nem ao Cânion do Rio Preto, percorremos aproximadamente 63 km.

Atrativos

Esta rota é marcada por atrativos especiais. O primeiro é a Cachoeira do Bicame. Depois o visual do Vale do Rio das Pedras e o próprio Rio das Pedras. Ao transpor a Serra do Abreu, ponto mais elevado da trilha e de onde se tem belíssimo visual leste-oeste, há o Cânion do Peixe Tolo. A sudeste deste e próxima ao Peixe Tolo está a Cachoeira Rabo de Cavalo. Já na parte final há a Cachoeira de Congonhas e o Cânion do Rio Preto. Para coroar o cardápio, impossível não admirar a belíssima Cachoeira do Tabuleiro.

Além desses atrativos específicos, a vegetação da região é formada por campos rupestres, filetes de mata atlântica e matas de galerias. As formações rochosas são inúmeras e seus afloramentos povoam a imaginação do aventureiro.

O Parque Estadual da Serra do Intendente

Localizado nos Distritos de Tabuleiro e Itacolomi, ambos no município de Conceição do Mato Dentro, o Parque foi criado em 2007 e ainda não está totalmente implantado. A regularização fundiária dos seus pouco mais de 13.500 hectares encontra-se na fase inicial de levantamentos. Portanto, os moradores das terras do Parque ainda residem na região, em seus sítios e fazendas. Com isso, ainda é possível percorrer as áreas do Parque praticamente em todas as suas direções e sem impedimentos.

Apesar da fase incipiente do PE da Serra do Intendente, as trilhas de acesso aos atrativos do Peixe Tolo, Rabo de Cavalo e Congonhas estão sinalizadas e limpas. Há guarda parques nesses locais e como normalmente ocorre em todos os parques estaduais de Minas Gerais, eles são sempre muito gentis e prestativos. Não há ainda sede construída e o posto de controle resume a um trailer localizado na entrada da trilha de acesso à Cachoeira Rabo de Cavalo.

Como chegar/voltar - Cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:
Ida:
Embarcar na rodoviária de BH via ônibus da Empresa Saritur e desembarcar no final em Santana do Riacho. De Santana do Riacho à Lapinha não há linha regular de ônibus, necessitando então a locação de táxi ou van.

Volta:
Alugar táxi ou van no arraial do Tabuleiro (ou na portaria do Parque Municipal do Tabuleiro) para Conceição do Mato Dentro.
Embarcar em ônibus da Viação Serro e desembarcar na rodoviária de BH.

► Para frequências e tarifas, consulte as empresas Viação Saritur e Viação Serro.

De carro:
Ida:
Seguir pela rodovia MG 10 até o Distrito da Serra do Cipó. No trevo entrar à esquerda sentido Santana do Riacho. Em Santana do Riacho seguir por estrada de terra até o Cotovelo antes do arraial da Lapinha; quando seguirá no sentido norte até a Fazenda Virgulino; que é até onde se pode chegar com carro comum.

Volta:
Do arraial do Tabuleiro (ou na portaria do Parque Municipal de Ribeirão do Campo) seguir para Conceição do Mato Dentro, via estrada de chão. Em Conceição do Mato Dentro seguir pela rodovia MG 10, passando pela Serra do Cipó, Lagoa Santa e chegando em BH.

► Atentar para o fato de que a Travessia inicia-se em um local e finda-se em outro. Portanto, é necessário programar a logística in/out boca da trilha.

Distâncias aproximadas

BH a Santana do Riacho: 120 km asfalto
Santana do Riacho à Fazenda Virgulino/Lapinha: 12 km estrada de chão
Tabuleiro a Conceição do Mato Dentro: 20 km estrada de chão
Conceição do Mato Dentro a BH: 168 km asfalto

Considerações Finais

► A primeira situação que o aventureiro deve se atentar ao realizar a variante Norte da Travessia Lapinha a Tabuleiro é quanto a RPPN Ermos das Gerais. Localizada na parte inicial da Travessia, em suas terras localiza-se a Cachoeira do Bicame. A RPPN limita a visitação ao lugar a 30 pessoas por dia. E para conseguir entrar, sobretudo em fins de semana e feriados, é preciso chegar cedo ao lugar. Além disso, adentrar com cargueiras é embaraçoso, pois os administradores temem que aventureiros acampem nas terras da RPPN, o que é totalmente proibido. E não adentrar à RPPN Ermos das Gerais inviabiliza esta Travessia, pois exigiria nova e longa rota.

► Justamente devido à situação descrita acima não aconselho ir de ônibus de BH para Santana do Riacho; e depois para a Lapinha (Táxi) visando começar esta Travessia no mesmo dia, especialmente em feriados ou fins de semana, pois você chegará tarde à Santana/Lapinha ou ao ponto de início da caminhada. Se for o caso, ao se chegar à Lapinha da Serra pode-se alugar um veículo 4x4 e assim seguir até a porteira de entrada da RPPN Ermos das Gerais. Mas se for mais de meio dia, esqueça, pois a chance da lotação do lugar estar completa é muito grande. Melhor esperar o dia seguinte para começar a pernada.

► Também é possível fazer a rota excluindo a ida à Cachoeira do Bicame. Nesse caso, basta se manter na Estrada Transamante.

► A rota dessa Travessia também percorre áreas de fazendas particulares, com criação de bois. Cuidado para não assustar os animais. Respeite os trabalhadores locais e seja sempre amigável. 

► Ao chegar nas terras do Parque Estadual da Serra do Intendente fique atento, pois não é permitido acampar em nenhum lugar. Há nas proximidades do Ribeirão do Peixe Tolo, próximo a uma residência uma área particular para acampamento. Informe-se no bar após cruzar o ribeirão.

► Na região próxima ao Tabuleiro também não há área para acampamento e proprietários de terras no lugar costumam ser rígidos na negativa. Dentro da vila do Distrito do Tabuleiro há pelo menos 3 camping particulares; além de pousadas.

► Caso seja necessário acampar pela rota, como foi o nosso caso, procure por uma área abrigada e reservada. Nunca faça fogueiras ou algazarras e leve sempre consigo o seu lixo.

► Outro aspecto importante é quanto ao tempo para realizar esta travessia. Em condições normais, os número de dias pode variar de 3 a 4 dias; dependendo do ritmo do aventureiro.

► Visitar os Cânion do Peixe Tolo, do Rio Preto, Cachoeira de Congonhas ou mesmo a Cachoeira Rabo de Cavalo é totalmente desaconselhável em dias de chuva forte devido a possíveis acidentes. Os guarda parques do Parque Estadual da Serra do Intendente monitoram constantemente as condições do tempo e são orientados a recuar ou impedir entrada de visitantes nestes locais em casos de chuva forte. O mesmo se aplica para a visita a Cachoeira do Tabuleiro, que fica em terras do Parque Municipal do Tabuleiro. 

► Em casos de tempestades na área de campos no alto da serra fique atento e se cuide. Certamente raios te procurará. Não há uma única árvore sequer naqueles campos; nem para remédio!

► Durante todo o trajeto de campo após a Fazenda Gutierrez e até o alto da Serra do Abreu (trecho em aclive) não há água pelo caminho. Fora esse trecho, é possível encontrar água por todo o trajeto.

► A vantagem de finalizar esta Travessia no Parque Municipal do Tabuleiro é que o mesmo possui banheiros limpos e duchas para se tomar banho, inclusive aquecidas. Os funcionários também são muito gentis!

► Para se ir à parte inferior Cachoeira do Tabuleiro é cobrada uma taxa de R$10,00 (mar 2016). Pela Rota Norte, não é prevista visita à parte superior da Cachoeira do Tabuleiro.

► As Cachoeiras Rabo de Cavalo e Congonhas são muito visitadas, especialmente em finais de semana e feriados, pois veículos chegam bem próximo a cada uma delas. Ideal é visitá-las bem cedo, logo no início da manhã!

► Para os ligados em tecnologia, lamento informar que, sinal de telefonia móvel somente constatei nas proximidades da Cachoeira do Tabuleiro, na área do Parque Municipal do Tabuleiro.

► Segundo informações dos guarda parques, a área do Parque Estadual da Serra do Intendente começa ao norte na região de Extrema, desce pela Serra do Abreu, abrange a região das residências da D. Ana Benta, D. Maria, além é claro da própria Serra do Intendente. Assim, fica aquela pergunta: quando o Parque for totalmente instalado, como ficarão as variantes da Travessia Lapinha a Tabuleiro? Torcemos para que sejam regularizadas, é claro!

► Leia também nosso relato da Travessia Lapinha a Tabuleiro pela Rota Tradicional

► Confira algumas Dicas Básicas de Segurança para a prática de Atividades Outdoor.

► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!!!
Última Atualização: Mar 2016

Navegação Manual

FAQ