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Lapinha a Tabuleiro via Pico do Breu

Lapinha a Tabuleiro via Breu:
Vista desde o cume do Pico da Lapinha
Sabemos que são várias as rotas da travessia Lapinha a Tabuleiro, que partem da Lapinha da Serra, município de Santana do Riacho; e nos levam ao Distrito do Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro; no Estado de Minas Gerais. Dentre as opções, sobressaem a Rota Tradicional que contorna o Pico do Breu e a Rota Via Pico do Breu.

Seja por qual rota for, a Travessia Lapinha a Tabuleiro é suficientemente capaz de marcar o caminhante, mostrando a essência do que realmente é o Mundo Espinhaço, tendo a monumental Cachoeira do Tabuleiro como ponto de convergência e prêmio ao esforço da caminhada. No feriado de Tiradentes 2016 retornamos à essa clássica Travessia para percorrer a Rota Via Pico do Breu. Foram três dias de curtição e sem atropelos em companhia dos amigos Caveiras da Montanha da cidade do Rio de Janeiro...

Por volta de 3h40 da madrugada do dia 21 de abril cheguei às proximidades da Padaria Florença em Lagoa Santa, ponto combinado para me juntar aos amigos Caveiras, que já estavam na estrada desde às 21h00 do dia anterior, quando partiram da cidade do Rio de Janeiro. Em torno de 4h15 da manhã meus amigos chegaram ao lugar, um pouco antes da hora prevista. Cumprimentos rápidos e me juntei aos amigos na van; onde quase todos dormiam no proveito daquele hotel ambulante!

Seguimos então para a Serra do Cipó, aonde chegamos por volta de 5h30 da manhã. Fizemos uma parada por lá, à espera de um lugar para tomar café, uma vez que isto agilizaria o início da nossa caminhada. Às 6h00 a padaria abriu e corremos pra lá. Panças cheias, pouco depois das 6h40 deixamos o Distrito e seguimos para Santana do Riacho. Na sequência sacolejamos na horrorosa estradinha de terra por 12 km até o arraial da Lapinha da Serra, aonde chegamos pouco depois das 8h00.

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura. Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Recomendável que leia este relato para melhor compreender esta rota.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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A Rota Via Pico do Breu é mais exigente que a Tradicional, que contorna o Pico do Breu.
Se desejar o tracklog da Rota Tracicional, visite esta postagem


Igrejinha da Lapinha
1 O tempo estava parcialmente nublado e com temperatura agradável naquela manhã de feriado no arraial da Lapinha. Àquela altura, o lugar estava incrivelmente vazio, com apenas alguns aventureiros, inclusive alguns amigos de longa data, que se preparavam para fazer a Travessia rumo ao Tabuleiro. Alguns cliques, ajeitamos as tralhas e às 8h40 iniciamos a nossa caminhada. Passamos às margens do lago da Lapinha e logo adiante tomamos à saída à esquerda (direita - reto segue para a Rota Tradicional), chegando ao Posto de Controle de acesso ao Pico da Lapinha.

Preenchemos as fichas, pagamos a taxa de R$20,00 e seguimos às 9h10 pela trilha marcada entre arbustos morro acima. Logo no platô na bifurcação da trilha que leva à Cachoeira Paraíso fizemos uma parada para que alguns dos amigos pudessem ir conhecer a dita cachoeira, que é fonte de abastecimento do arraial e área proibida para banhos. Alguns de nós permanecemos na bifurcação à espera do retorno dos amigos!

O Lago da Lapinha logo sobressai à medida que se sobe...
Retornados por volta de 10h00, caminhamos pelo topo da Cachoeira do Rapel e tocamos trilha acima. O trecho é sinalizado e não há possibilidade de erro. Fomos subindo lentamente pela trilha erodida, com alguns mais ágeis puxando a dianteira. Ao final da subida fizemos uma boa parada para contemplar a linda paisagem que ficava para trás. Retomada a caminhada, às 11h00 cruzamos um quebra corpo na cerca que marca o final da subida do grande morro inicial.

Passávamos agora a contornar um dos ombros do Pico da Lapinha. Adiante cruzamos um rego d'água e seguimos sentido Abrigo Lapinha, lá chegando às 11h15. O Abrigo estava aberto, mas o trabalhador local estava em alguma atividade ali nas redondezas. Fizemos uma parada para descanso, lanche e reabastecimento de água, pois a próxima fonte somente no Rio Parauninha, ou seja, ao final da tarde.

Vista do Pico da Lapinha desde o Abrigo
Às 11h40 deixamos o Abrigo através de trilha que faz o contorno à nordeste em detrimento da antiga passagem que cruzava o mergulho imediatamente à direita do Abrigo. Atualmente esse contorno é obrigatório, uma vez que a área do mergulho está fechada por uma cerca de arame farpado e em recuperação. Às 11h50 interceptamos a trilha que percorre o grande vale da Serra da Lapinha e por lá deixamos nossas mochilas. Aglutinamos e de modo leve partimos para o ataque ao Pico da Lapinha pela íngreme e bem marcada trilha à oeste, chegando ao topo do Pico da Lapinha pouco depois do meio dia.

Vista do Vale na Serra desde o Pico da Lapinha
O Pico da Lapinha é o primeiro grande atrativo da travessia pelo Pico do Breu. Trata-se de um cume irregular, rochoso, altitude em torno de 1580m e que proporciona belíssimo visual em todos os quadrantes, em especial àquele do arraial da Lapinha com o seu marcante lago à oeste. Ao sul à continuação da Serra da Lapinha com o Pico da Ponta rivalizando com o Lapinha. À nordeste sobressai o Pico Brou e à sudeste o famoso Pico do Breu, nosso outro grande atrativo àquele dia, com todo o vale e a crista que percorreríamos. Estando ali no topo do Pico da Lapinha a vontade em deixá-lo é pequena, tamanha é a sua beleza!!!

Às 12h40 deixamos o Pico da Lapinha pela mesma trilha da ida, chegando novamente às nossas mochilas às 12h50. Ajeitamos as tralhas e às 13h00 retomamos nossa caminhada pela trilha marcada, agora pelo campo aberto daquele belíssimo vale. Adiante passamos em meio a afloramentos rochosos e vegetação arbustiva, trecho com algumas saídas variadas, mas que de um modo geral convergem para o sentido leste cortando em diagonal um morrote, com uma matinha ciliar alguns metros abaixo. Seguimos pela trilha batida e às 13h15 chegamos à Pedra Lápide, afloramento rochoso que remete à pedra de cemitério.

Prosseguimos pela trilha, ignoramos algumas saídas à direita e em suave declive chegamos até uma área úmida. Esta área úmida e encharcada são as origens das águas da Cachoeira Paraíso, que abastece o arraial da Lapinha lá no pós serra. Cruzamos o pequeno charco e prosseguimos pela discreta trilha que corta a campina no sentido leste. Após alguns afloramentos à esquerda da trilha, deixamos a trilha batida que segue em frente e tomamos o sentido nordeste, subindo pelo campo rupestre, sem trilha definida, porém sem dificuldade. Fizemos uma parada para aglutinação e descanso, enquanto alguns outros seguiram adiante até a crista acima. Alguns minutos retomamos a caminhada e chegamos às 13h50 à crista que nos direcionaria para o Pico do Breu.

Vista do conjunto dos Três Irmãos desde a crista sentido Breu
Interceptamos uma discreta trilha que corre no sentido sudeste-norte, quando tomamos o sentido sudeste. Inicialmente em aclive, após alguns afloramentos a trilha se estabiliza; ora desaparece; ora ressurge. Fomos mantendo o rumo pelo campo aberto na direção do Breu. Visualizado o Pico, que sobressai abruptamente ao final da crista pela sua face mais inclinada e aparentemente impossível de se ascender sem equipamentos técnicos, percorremos leve declive e novamente suave aclive para chegarmos à base do Pico do Breu às 14h20. Na base do Pico, seguimos mais à esquerda e iniciamos a subida, que é feita em zigue-zagues pelas suas galerias e incrivelmente sem nenhuma dificuldade. Vencida a subida caminhamos mais alguns metros pelo amplo e ovalado topo do Breu e às 14h40 chegamos ao grande totem do cume do Pico do Breu.

Pico da Lapinha e Pico Brou vistos desde o Pico do Breu
Com aproximadamente 1.688m de altitude (medição do meu GPS), o Pico do Breu é o ponto culminante da Travessia Lapinha a Tabuleiro. Possui grande e ovalado topo, coberto por campos rupestres, ausente de sombras e com alguns afloramentos rochosos. Possui também algumas áreas possíveis para se acampar, apesar de um pouco expostas e ausente de fontes de água. Desde o topo se tem visual 360 graus. Ao norte e noroeste, destaque para o conjunto de Picos Três Irmãos e o Pico da Lapinha; ao Sul o grande vale do Parauninha; à leste além do Vale do Parauninha, as terras em direção à Cachoeira do Tabuleiro; à oeste a Serra da Lapinha e o Pico da Ponta se destacando na paisagem. Além é claro de todo um visual de longa distância, com serras fechando o horizonte. Sensacional!

Descendo o Breu: Ana Benta próxima ao paredão e
Prainha do Parauninha mais à direita
Fizemos grande parada no topo do Breu e somente às 15h25 começamos a deixar o cume tomando o rumo sudeste. Mais adiante, quando o declive se acentua tomamos o rumo leste, descendo em campo aberto e sem trilha definida. É uma descida desgastante e bastante íngreme. Mais abaixo interceptamos sinais de pisoteio e fomos descendo em grupos e lentamente. Alguns mais ágeis foram à frente enquanto permaneci na rabeira. Nosso objetivo era descer pelo pisoteio e seguir praticamente em linha reta ao Rio Parauninha.

Aproveitei o tempo para colocar alguns totens ao lado do pisoteio. Adiantei-me e orientei aos amigos da dianteira sobre a rota pretendida; porém eles cruzaram o leito de escoamento de água à nossa direita e seguiram do outro lado em diagonal rumo ao Parauninha. Não me preocupei porque de toda forma iriam desembocar na Prainha...

Nós outros que estávamos na rabeira seguimos a direção pretendida e chegamos ao Rio Parauninha às 16h50, quase 1h30 após deixarmos o cume do Breu. Esse tempo alongado deveu-se à nossa lenta descida e a uma grande parada para descanso. Estávamos bem cansados, tanto pela caminhada quanto pela sobrecarga da viagem para a Lapinha. Àquela altura tudo ficava mais pesado... Cruzamos então o Rio Parauninha pulando pedras e tomamos a trilha em nível que segue no sentido sul pela margem esquerda do riacho. Pouco adiante alcançamos os dianteiros que terminavam de cruzar o Parauninha. Às 17h15 chegávamos à Prainha do Parauninha. Ideal seria ir pernoitar na D. Ana Benta, mas cansados que estávamos era por ali mesmo que passaríamos a noite...

Um dos remansos da Prainha do Parauninha
A Prainha é resultante de uma curva do Rio Parauninha, formando bancos de areia e alguns rasos poços para banho. É um lugar bastante agradável, com rala mata ciliar e margens planas. É também o ponto aonde a Rota Via Pico do Breu se encontra com a Rota Tradicional que contorna o Pico do Breu. Além de nós, algumas dezenas de pessoas por ali já estavam instalados. Assim, armamos nossas barracas abrigadas e em meio à matinha ciliar, bem próximo à primeira curva do riacho. Depois banho rápido e algum trabalho com as formigas cortadeiras que faziam serão noturno... Um pouco mais tarde fizemos o jantar; aliás, os amigos fizeram um super jantar, o cheio invadiu toda a curva do Parauninha... Eu dormi cedo, às 21h00 já estava sonhando...


2 Depois de uma noite recuperadora somente saí da barraca beirando 7h00, a tempo de ver o estrago que as formigas cortadeiras e suspeito, ratos, fizeram com os cadarços da minha bota que pernoitou no avanço da barraca. Em igual estado encontravam uma canga, meias e algumas outras peças dos meus amigos: uma peneira! Até a tela interna de uma barraca de um dos amigos fora picotada pelas formigas! Desarmamos acampamento, tomamos café e às 8h00 fomos dos últimos a deixar a Prainha do Parauninha rumo a casa da Dona Maria. Seria um dia intenso e àquela altura o sol já queimava nossos cocos.

Pico do Breu visto das imediações da Prainha
Fomos subindo em leve aclive pelo campo no vale do Parauninha. Pouco acima ignoramos uma saída à direita que leva à Dona Ana Benta e seguimos rumo a um curral no alto da campina, ultrapassando três caminhantes que faziam a rota. Chegamos às 8h35 a uma estradinha e seguimos à esquerda em direção à duas porteiras instaladas lado a lado. Cruzamos a porteira da direita e caminhamos pela trilha entre uma cerca à direita e uma matinha ciliar à esquerda. Poucos metros adiante entramos na saída à esquerda, que é discreta e um pouco escondida pela vegetação arbustiva; pois a rota mais batida segue beirando a cerca da direita e levará em direção a D. Ana Benta.

Conjunto dos Três Irmãos visto desde o Mirante da Cascalheira
Logo adiante a discreta trilha desemboca em uma outra mais batida na cabeceira da matinha ciliar e tomamos novamente à esquerda. Mais à frente cruzamos uma porteira e prosseguimos pela campina, tendo à nossa esquerda todo o Vale do Parauninha emoldurado pelo conjunto dos Picos do Breu e dos Três Irmãos. Caminhávamos no rumo norte e beirávamos o sopé de uma chapada à nossa direita. Pouco antes das 9h00 cruzamos um ponto de água e logo à frente tomamos a trilha mais à direita, pois a saída à esquerda é mais longa. Passamos por uma curta mancha de árvores com uma sombra gostosa e prosseguimos pela trilha batida. Às 9h10 cruzamos uma tronqueira e começamos a subir a cascalheira, um curto e erodido trecho da trilha, para despontarmos logo acima no Mirante da Cascalheira. Aproveitamos para descansar e contemplar a linda vista, teno o Vale do Parauninha a nossos pés; emoldurado pelo conjunto dos Três Irmãos e Breu...

Subindo para entrar nas terras do Parque Municipal do Tabuleiro
Por volta das 9h40 retomamos a caminhada ainda no sentido norte para atingirmos o topo do platô, aonde há uma porteira divisória dos limites do Parque Municipal do Tabuleiro. Por lá havia um grupo de rapazes descansando sob uma tenda de plástico, que suponho, fora colocada pelo Parque visando orientação aos caminhantes. Cruzamos a porteira e fomos no incalço dos rapazes, fazendo uma curva para o leste em suave declive. Pouco depois das 10h00 cruzamos uma outra porteira, para poucos metros adiante cruzarmos um riacho, um dos afluentes do Ribeirão do Campo. Também ultrapassamos os rapazes que pareciam estar em dúvida sobre o ponto exato da passagem do riacho...

Agora em leve aclive pela campina, fomos margeando um morrote à nossa esquerda. Ignoramos uma saída em frente e tomamos uma curva suave em aclive, tendo uma mancha de mato à nossa direita, voltando novamente ao rumo norte. Mais acima e junto a afloramentos rochosos fizemos uma parada para aglutinação. Juntos novamente, percorremos um curto trecho em declive por um lajeado. Logo adiante, cruzamos uma porteira e um ponto de água. A trilha batida segue por uma matinha ciliar e metros adiante, por volta de 10h30 cruzamos uma pinguela natural.

Trecho percorrido
Seguimos margeando uma matinha à nossa direita e despontando adiante cruzamos um mirrado ponto de água com vegetação mais alta nas margens, para logo a seguir ignorar a saída da direita que leva a Cachoeira da Escadinha. Retornei ao encontro de uma amiga que ficou um pouco atrás pois estava com algum problema nos joelhos. Ajuntei sua cargueira à minha e tocamos adiante, pois a tarefa do dia ainda era grande... Passei pelos amigos que descansavam e toquei direto, despontando no morrote, já avistando à nossa frente a algumas centenas de metros a casa da Dona Maria. Em suave declive e pela trilha batida em campo aberto, curiosamente passamos ao lado de uma pickup estacionada, cruzamos um fio d'água, uma porteira e... pronto, chegamos às 11h10 à casa da Dona Maria.

Uma das áreas para armada de barracas na Dona Maria
Cumprimentamos os moradores que estavam em frente à casa e sem delongas nos dirigimos à área de acampamento localizada depois do rego d'água, adiante da casa da Dona Maria, na saída para a parte inferior da Tabuleiro; pois a área próxima à residência já estava ocupada. Afastamos alguns metros à esquerda da trilha e logo tratamos de armar as barracas. Havia algumas barracas no lugar, mas curiosamente menos do que esperava, uma vez que estávamos em um feriadão! Barracas ajeitadas e acabamos nos enrolando nos afazeres, afinal estávamos cansados da pernada e o calor da caminhada era intenso...

Vista das cabeceiras da Tabuleiro
Somente às 12h20 abastecemos de água e deixamos a área de acampamento rumo à parte superior da Cachoeira do Tabuleiro. O Raphael que já conhecia a rota ficou um pouco para trás aguardando uns amigos que ainda se ajeitavam. Na dianteira, percorremos a trilha em suave aclive no sentido sudeste e entre capoeira, passamos por um fio d'água e tocamos em nível pelas campinas.

Em uma curva suave e em declive tomamos o rumo leste chegando até uma porteira às 12h45; um ponto que marca o desembocar da trilha que vem da portaria do Parque rumo à parte superior da Tabuleiro, que agora encontra-se sinalizada. Percorremos a trilha em suave aclive bordejando um morrote à direita e logo à frente despontamos com visual amplo, onde já foi possível ver a amplitude do vale ao norte, bem como as cabeceiras da parte superior da Tabuleiro.

Iniciamos a descida final, que é marcada por muitas rochas e degraus, um zigue e zague bem maior que se deixa parecer... Encontramos com alguns caminhantes que já retornavam da parte superior da Tabuleiro e sofriam com o calorão da subida. Enquanto alguns mais ágeis se adiantaram, permaneci com alguns amigos que precisavam de algum carinho a mais com os joelhos... Porém, não demoramos no trecho e às 13h40 chegamos às margens do Ribeirão do Campo, no acesso ao cânion que leva à garganta da Tabuleiro.

Uma das várias quedas existentes no Cânion da Tabuleiro
Muitas pessoas estavam no lugar; mas assim como na dona Maria, bem menos que esperava encontrar... Descemos pelas rochas e adentramos ao cânion, quando fomos abordados por uma funcionária do Parque para que fizéssemos a identificação de acesso. Fizemos mais uma horinha por ali à espera dos nossos amigos, tanto aqueles que estavam na dianteira e haviam ido ao Mirante da Queda, quanto àqueles que sairiam mais tarde lá da Dona Maria. Descemos um pouco e nos instalamos às margens do poção interior, abaixo das quedas iniciais. Pouco tempo depois retornei ao acesso e coincidentemente os amigos chegavam por ali naquele momento...

O último poço antes da queda da Tabuleiro
Descemos então em direção à garganta da Cachoeira, não sem antes alguns se molharem nas várias quedas pelo trajeto. A descida vai alternando as margens do ribeirão, sempre pelos lajeados. Às 14h50 chegamos à garganta. Lugar lindo de se ver e viver!!! É definitivamente um dos lugares mais significativos de todo o Espinhaço e ao meu ver, o clímax da Travessia Lapinha a Tabuleiro. Visualizar a queda com o poção a quase 300 metros abaixo e rodeado por paredões é algo único, necessário vivenciar! Fotos, observação e banho no poço antes da queda, a diversão foi completa por ali... Eu preferi ficar somente descansando! Permanecemos um bom tempo por lá, porque o lugar merece... Fato curioso é que logo que chegamos à garganta estavam por lá alguns corajosos realizando saltos de base jump na queda da Cachoeira...

Queda e poção da Tabuleiro vistos desde o Mirante
Por volta de 16h00 começamos a deixar a garganta da Cachoeira. Por lá ainda ficaram alguns gatos pingados, mas a maioria dos visitantes já haviam deixado o lugar. Retornamos pelo cânion até a entrada principal. Lá o grupo se dividiu: aqueles que foram ao Mirante quando da chegada tocaram diretamente de volta à Dona Maria, juntamente a outros que já se deram por satisfeitos. Eu acompanhei alguns amigos ao Mirante da Queda, saindo à direita da entrada do cânion. A trilha é curta, marcada e segue em suave declive pelos campos rupestres. Às 16h45 chegamos ao local, um lugar à beira do paredão esquerdo da Tabuleiro, com vista privilegiada da queda da Tabuleiro e do seu poção. O Mirante requer cautela nas aproximações devido a total ausência de proteção, mas é um ponto escandalosamente bonito...

Às 17h10 deixamos o Mirante da Queda retornando à Dona Maria pelo mesmo caminho da ida. Fomos retornando de modo tranquilo, sem correrias, pois àquela altura o cansaço era grande. Ao nos aproximarmos da bifurcação que leva à parte inferior da Tabuleiro, a noite caiu e foi necessário fazer uso das lanternas. Pudemos ainda contemplar o nascer da lua cheia, lindona a nos presentear. Com calma percorremos o último trecho do retorno, e somente às 18h35 botamos os pés de volta ao acampamento.

Depois de um período de descanso, difícil foi arrumar ânimo para tomar banho naquela água gelada da Dona Maria. Banho quente nem pensar, pois a fila do banho era quilométrica. Eu me ajeitei no rego d'água mesmo, assim como uma outra amiga corajosa... Depois, volta ao acampamento, janta, uma prosa com os amigos enquanto eles preparavam uma baita ceia sob músicas do Zé e depois... cama! Foi uma noite tranquila e sem frio, uma vez que o céu encobriu-se lá pelas 23h00...


Arredores da Dona Maria - Foto do dia anterior
3 O terceiro e último dia da Travessia amanheceu nublado... Nada daquele bonito nascer do sol, como acontece ali nas alturas da casa da Dona Maria... Tratamos logo de tomar café, desarmar acampamento e botar o pé na trilha. Alguns correram para tomar o famoso café com cravo do Seu Zé... Pouco depois das 7h30 iniciamos em dois grupos a descida rumo à portaria do Parque Municipal do Tabuleiro. Na dianteira, imprimimos um bom ritmo pela trilha que de tão larga e marcada mais se parece a uma avenida. E tome descida... Por volta de 8h00 passamos pela bifurcação da trilha-atalho que leva à parte superior da Tabuleiro sem a necessidade de ir à casa da Dona Maria.

Um dos Mirantes da Tabuleiro
Sempre no rumo predominantemente leste, às 8h30 passamos pela discreta bifurcação da esquerda que leva ao Cânion do Rio Preto e Cachoeira de Congonhas. À essa altura o sol já havia vencido as nuvens e já brilhava forte na região do Tabuleiro. A trilha se nivela e seguimos na direção da grande cachoeira. Ignoramos uma saída à esquerda que leva direto à portaria do parque e tocamos reto, pois assim já passaríamos pelos Mirantes da Tabuleiro. Aliás, esta é a rota indicada pela recente sinalização da trilha portaria-parte alta da Tabuleiro.

Por volta de 8h45 chegamos ao primeiro Mirante da Tabuleiro. Visual incrível, mesmo com um sem número de vezes que passei por ali... A cada passagem uma descoberta e a emoção se renova... Aproveitei para aos gritos contatar os amigos que estava mais na rabeira, tendo a notícia que tudo estava bem... Aos poucos fomos nos dirigindo à portaria do Parque, já visível àquela altura. Através de trilha repleta de cascalho passamos pelos outros mirantes da cachoeira.

Aproximando da Tabuleiro
Em torno de 9h15 botamos os pés na portaria do Parque Municipal do Tabuleiro. Havia algum movimento por lá, mas inferior a outros feriadões. Ajeitamos nossas cargueiras no interior da sede do Parque, porém demoramos um pouco para isso. Somente à 9h50 deixamos a portaria sentido parte inferior da Tabuleiro. Tomamos a rota batida sob forte calor. Parte dos amigos dispararam na frente; eu permaneci na rabeira juntamente com uma amiga e fomos descendo aos poucos e lentamente. Somente às 10h40 chegamos ao leito do Ribeirão do Campo, quando minha amiga decidiu por ali permanecer... Continuei agora o frenético pula e trepa pedras e em 10 minutos cheguei ao poção da Tabuleiro. Por ali os amigos já se encontravam desfrutando daquela maravilha...

Bailar ao vento da queda da Tabuleiro
O poção da Tabuleiro é realmente impressionante. De grandes dimensões, permite cruzá-lo a nado e ir até a queda d'água, que conforme o volume e ação do vento se transforma em uma névoa. Os paredões nos arredores da queda talvez impressionem mais que a própria queda vista de baixo. Em alguns pontos são negativos e dão ideia da grandiosidade do lugar. A certa altura o guarda parque nos avisou que alguém saltaria de base jump direto no poção; porém o vento se fortaleceu no mesmo momento; fazendo-nos ficar esperando por um tempo feito bobos: Salto adiado... Volta à pontual vida normal: curtir o lugar! Como tudo que é bom dura pouco, por volta de 12h15 começamos a deixar o poção da Tabuleiro. Refizemos o mesmo caminho da ida sob calor intenso. Depois de encontrar com vários grupos que somente àquela hora desciam ao poção chegamos novamente à portaria do Parque às 13h00. Enquanto retornávamos houve o esperado salto de base jump no poção: eu ouvi apenas gritos...

Caveiras da Montanha no topo do Breu, ponto culminante da Travessia
Já na sede do Parque fizemos o ajeitar das tralhas, banho e pontualmente às 14h00 embarcamos na van rumo ao Distrito do Tabuleiro, lá chegando em poucos minutos. Fizemos uma parada para degustar umas guloseimas e depois non stop até a Serra do Cipó. Por lá paramos para almoçar, afinal o estômago pedia... Depois, por volta de 17h00 reembarque e partida direta para Belo Horizonte, onde desembarquei por volta de 19h30. Os amigos seguiram direto para o Rio de Janeiro e pelas notícias posteriores tudo na mais perfeita ordem... Nesta oportunidade, agradeço imensamente aos amigos do Caveiras na Montanha pela companhia e aprendizado, foi muito bom estar com todos em mais uma pernada inesquecível pelo Espinhaço...

Serviço

Com início no arraial de Lapinha da Serra (município de Santana do Riacho) e término no Distrito de Tabuleiro (município de Conceição do Mato Dentro), esta clássica Travessia corta a Serra do Espinhaço no sentido oeste para leste/nordeste na região central do Estado de Minas Gerais. A vegetação predominante na região são as matas de galerias e campos rupestres, possuindo intenso colorido revelado através de suas flores, que impressionam pela variedade, beleza e delicadeza. O relevo é acidentado e repleto de afloramentos rochosos.

Dentre os vários formatos para a realização dessa Travessia, sobressai a Via Pelo Pico do Breu, que contempla a rota com início na Lapinha - cume do Pico da Lapinha - cume do Pico do Breu - Prainha do Parauninha - residência da D. Maria - Partes Superior e Inferior da Cachoeira do Tabuleiro; findando no Parque Municipal do Tabuleiro. A diferença entre os trajetos Tradicional e Via Pico do Breu se dá apenas no início da Travessia, pois na Prainha do Parauninha as rotas se encontram e passam a percorrer o mesmo trajeto.

Diferente da Rota Tradicional, a Via pelo Pico do Breu apresenta maior dificuldade de realização devido ao aclive da subida à Serra da Lapinha e ao declive na descida do Pico do Breu; além da discrição na trilha pelo alto da serra. Outro aspecto a considerar é a presença de neblina, muito comum no alto da serra e causadora de muitos desvios de rota pelo trecho.

Um dos vários poços existentes na parte superior da Tabuleiro
Sem dúvidas, o principal atrativo desta Travessia é a monumental Cachoeira do Tabuleiro e para onde todos se convergem. Localizada no Parque Natural Municipal do Tabuleiro, trata-se da terceira maior cachoeira do Brasil, com 273 metros de altura. Sempre que possível e com boas condições de tempo e ausência de chuvas fortes, torna-se imperdível visitar tanto a parte superior quanto a parte inferior da Cachoeira. Somente assim pode-se afirmar que realizou a Travessia Lapinha a Tabuleiro de forma completa e pela Rota-Mãe de todas as outras possibilidades.

Parcial do poção inferior da Tabuleiro
A parte superior da Cachoeira é formada por um cânion, com um misto de pequenas quedas com vários poços propícios para banho. A garganta da Cachoeira é um lugar único: contemplar a queda d’água pelo seu topo é uma experiência incrível. Já a parte inferior da Cachoeira é emoldurada por gigantescos paredões rochosos e oferece o grandioso e profundo poço da cachoeira, que é propício à natação e à curtição, com suas tradicionais águas acobreadas. Enquanto o acesso à parte alta é feito inicialmente por trilha com leve declive; acentuando-se ao seu final, com a presença de rochas; o acesso à parte inferior é inicialmente com declive acentuado; logo migrando para pula pedras pelo leito do Ribeirão do Campo até o poço da Cachoeira.

Além da beleza natural da Travessia, os arraiais de Lapinha da Serra e Tabuleiro são daqueles lugares típicos do interior de Minas, com população solícita e atenciosa. Seus hábitos são encantadores e certamente são peças fundamentais que transformam a Travessia Lapinha Tabuleiro é uma das mais belas travessias de todo o Brasil.

Conheça também outras rotas da Travessia Lapinha a Tabuleiro:

Distâncias
BH a Santana do Riacho: aprox. 120 km
Santana do Riacho a Lapinha: aprox. 12 km estrada de chão
Tabuleiro a Conceição do Mato Dentro: aprox. 20 km estrada de chão
Conceição do Mato Dentro a BH: aprox. 168 km

Como chegar e voltar - cidade referência: Belo Horizonte

De carro
Ida:
Sentido norte de BH, seguir pela rodovia MG 10 em direção ao Aeroporto Internacional de Confins, e antes deste entrar e passar pela cidade de Lagoa Santa, sentido Serra do Cipó. Na entrada do Distrito da Serra do Cipó entrar à esquerda, sentido Santana do Riacho; e desta, pegar a estrada de chão batido até o arraial de Lapinha da Serra.
Volta:
Na portaria do Parque Municipal do Tabuleiro. ou do Distrito do Tabuleiro seguir para Conceição do Mato Dentro, via estrada de chão. Desta, pegar a rodovia MG 10 sentido sul, passando pelo Distrito da Serra do Cipó, Lagoa Santa e depois BH.

► Atentar para o fato de que a Travessia inicia-se em um local e finda-se em outro. Portanto, é necessário ter alguém combinado previamente para fazer esse resgate!

De ônibus
Ida:
Via empresa de ônibus Saritur embarcar na rodoviária de BH, descendo no final, em Santana do Riacho. De Santana à Lapinha não há linha regular de ônibus, necessitando então a locação de táxi ou van; ou seguir à pé.
Volta:
Tomar táxi ou similar no Distrito do Tabuleiro (ou na portaria do Parque Municipal de Ribeirão do Campo) para Conceição do Mato Dentro. Desta, embarcar em ônibus da Viação Serro e desembarcar na rodoviária de BH.

► Para horários de ônibus e tarifas, consulte as empresas Viação Saritur e Viação Serro

Hospitalidade

Serra do Cipó
Pousada Vila Cipó → 31 99747-7971 (Júnior)

Lapinha
Camping Bromélias → 31 99135-0101 (Braulio)

Tabuleiro
Camping Valdeir → 31 99607 2187 (Valdeir)
Tabuleiro Eco Hostel → 31 98804-4740 - 99638-9641 - 3654-3288 (Gustavo ou Fernando)

Considerações Finais

► Trilhas: A Rota Via Pico do Breu da Travessia Lapinha a Tabuleiro não apresenta trechos técnicos, porém em alguns pontos no alto da Serra a trilha é discreta, com algumas saídas que podem causar confusões. No início, da Lapinha ao Pico da Lapinha; e à partir da Prainha do Parauninha as trilhas são batidas, porém há um grande número de saídas que podem também confundir os menos experientes em navegação. Estando no alto da Serra com neblina, fato bastante comum na região, redobre sua atenção, pois a neblina é o principal fator que resulta em muitos desvios e 'perdidos' no trecho.

► Logística de Acesso: A grande dificuldade para a realização dessa Travessia é a logística de ida e volta. Os horários de ônibus são escassos; preços de táxi bastante elevados; pouco trânsito de veículos nas estradas vicinais dificultando eventuais caronas; além da característica básica de toda travessia, que é começar em um ponto, e terminar em outro totalmente diferente. Por isso, se programe antecipadamente!

► Pontos de Acampamento: Em três dias, os pontos para acampamento recomendados são na Casa da Dona Ana Benta no primeiro dia; e a Casa da Dona Maria no segundo dia. Esses pontos de apoio pela rota não são camping estruturados, portanto esteja preparado para eventual banho frio e fazer a própria comida. É comum os moradores dos pontos de apoio oferecer algum serviço ao caminhante, como banho quente, refeições e café da amanhã. Porém, em dias de movimento pela rota esteja preparado para não conseguir usufruir desses serviços, pois não são pontos estruturados. Há área de camping na Portaria do Parque Municipal do Tabuleiro.

►► A Dona Ana Benta faleceu há alguns anos, mas um parente continua atendendo no lugar.
►► Em casos de necessidade é possível acampar em vários pontos da Rota. Mas lembre-se que isto deve ser sempre emergencial e não rotina; pois é recomendável não entrar em atrito com locais, muito menos danificar áreas naturais.

► Água pela Rota: Há fontes de água em diversos pontos; porém algumas delas secam no inverno. No trecho do Abrigo de Montanha e o Rio Parauninha não há fonte de água perene. Então, abasteça no Abrigo.

► Tempo de Realização: O tempo ideal para fazê-la são três dias, pois dessa forma não precisará apressar o passo e poderá curtir os trajetos em detalhes. Mas também é possível fazê-la em dois dias. Em apenas 1 dia recomendável somente para experientes e em modo speed.

► Segurança: A região da parte superior da Tabuleiro oferece perigo aos visitantes, como pedras lisas e precipícios na garganta e no mirante. Fique atento! Em dias chuvosos a administração do Parque Municipal do Tabuleiro não permite acesso à parte superior ou inferior da Cachoeira do Tabuleiro.

► Exposição ao Sol: Há pouca sombra pelo trajeto da Travessia. Use protetor solar.

► Tarifas de Acesso: A entrada no Parque Municipal do Tabuleiro é paga (R$10,00 - abril 2016). Porém o aventureiro poderá tomar banho grátis (inclusive quente) no lugar! Os funcionários são muito gentis e atenciosos! O acesso ao Pico da Lapinha no início da Travessia é pago (R$20,00 - abril de 2016).

► Comunicações: Sinal de telefonia móvel somente nas proximidades do Mirante da Tabuleiro; bem como na sede do Parque Municipal do Tabuleiro (TIM e Vivo).

► Cash: Leve dinheiro em espécie, pois recebimentos em cartões ou cheques na região são raros ou inexistem! Não há caixa eletrônico ou agência bancária seja na Lapinha ou no Tabuleiro.

► Localidades importantes: Santana do Riacho é uma pequena cidade, com básico comércio e serviço. Serra do Cipó é um Distrito de Santana do Riacho, localizado às margens da rodovia MG 10, ponto de passagem na ida para a Lapinha, e quanto da volta do Tabuleiro e Conceição do Mato Dentro. É mais desenvolvido que a sede Santana do Riacho, contando com comércio e serviços mais variados; sendo que em vários pontos aceitam-se cartões. Lapinha da Serra é uma comunidade rural, um arraial de Santana do Riacho, com comércio básico e algumas opções em hospitalidade. Conceição do Mato Dentro é uma cidade mais estruturada, com razoável comércio e agências dos principais bancos. Tabuleiro é um Distrito de Conceição do Mato Dentro, porém com comércio e serviços básicos; bem menos estruturado que o Distrito da Serra do Cipó.

► Carta Topográfica da Região: Baldim


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

► Se desejar contatos dos Pontos de Apoio da Travessia; ou mesmo táxi na região; ou de particulares que fazem o traslado in/out boca da trilha, mantenha contato ou solicite nos comentários, informando o seu e-mail para a resposta.

Bons ventos a todos!!!

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