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Lapinha a Tabuleiro: Perguntas e Respostas

A Travessia Lapinha a Tabuleiro é uma rota clássica do montanhismo brasileiro, ligando o arraial da Lapinha, município de Santana do Riacho; ao Distrito do Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro. Percorre o Espinhaço Mineiro no sentido predominante oeste - leste através de algumas rotas distintas, uma vez que o Espinhaço se caracteriza por formações que permitem diversificar os trajetos, quase sempre permitindo navegação visual. O principal atrativo dessa Travessia é a monumental Cachoeira do do Tabuleiro, que com seus 273m é a terceira mais alta do Brasil. Além de terras de particulares, esta rota percorre áreas do Parque Estadual da Serra do Intendente e do Parque Municipal do Tabuleiro, que permitem uma síntese do Espinhaço: visual ao longe; vastos campos rupestres, infinidade de afloramentos rochosos e vários cursos d'água. Em resposta a muitas solicitações de informações, procurarei responder algumas perguntas básicas a respeito dessa Travessia; uma maneira simples para contribuir para que mais aventureiros possam vivenciar a Lapinha a Tabuleiro.

► Leia um relato da Travessia Lapinha a Tabuleiro pela Rota TradicionalVocê poderá inclusive baixar a rota para GPS.
► Leia um relato da Travessia Lapinha a Tabuleiro Via Pico do BreuVocê poderá inclusive baixar a rota para GPS.

Travessia Lapinha a Tabuleiro - FAQ

1 ► O que é e onde se desenvolve a Travessia Lapinha a Tabuleiro?
A Travessia Lapinha a Tabuleiro é uma rota de trekking que corta o Espinhaço Mineiro no sentido oeste - leste; inciando no arraial da Lapinha da Serra, no município de Santana do Riacho; e findando no Distrito do Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro. Sua distância pode variar de 35 a 45 km, dependendo da rota escolhida pelo caminhante; porém certo é que todos os trajetos convergem para a Cachoeira do Tabuleiro, o grande atrativo da Travessia. Importante lembrar que a Travessia percorre áreas particulares, do Parque Municipal do Tabuleiro e do Parque Estadual da Serra do Intendente.

2 ► Quais são os principais atrativos da Travessia Lapinha a Tabuleiro?
► As localidades de Lapinha e Tabuleiro com seu peculiar modo de vida;
► A espetacular Cachoeira do Tabuleiro; com suas partes superior e inferior; 
► O Pico do Breu; ponto culminante na região com aproximadamente 1650m;
► O Pico da Lapinha;
► A Prainha do Parauninha;
► Os vastos campos rupestres que permitem amplos visuais e possuem intensa vida animal e vegetal.


3► Quais as distâncias principais de pontos importantes da Travessia?
Tenha sempre como referência a cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais.
► BH a Santana do Riacho: aproximadamente 120 km
► Santana do Riacho a Lapinha: aproximadamente 12 km de estrada de terra
► Portaria do Parque Municipal do Tabuleiro ao Distrito do Tabuleiro: 3 km de estrada de terra
► Tabuleiro a Conceição do Mato Dentro: aproximadamente 18 km de estrada de terra
► Conceição do Mato Dentro a BH: aproximadamente 168 km
  • Em período de seca, os trechos em estrada de terra podem ser percorridos por veículos de passeio, motocicleta, van e micro-ônibus sem grandes problemas.
  • A estrada entre Santana do Riacho e Lapinha quase sempre se encontra em pior estado, com mato crescido pelas margens e muitos buracos.

4► Como chegar ao início da Travessia usando carro particular? Como voltar ao final da Travessia usando carro particular?
► Ida:
Em Belo Horizonte tomar a rodovia MG 10 em direção ao Aeroporto Internacional de Confins. Antes de chegar ao aeroporto, entrar e passar pela cidade de Lagoa Santa, sentido o Distrito da Serra do Cipó. Na entrada do Distrito da Serra do Cipó tomar à esquerda, sentido cidade de Santana do Riacho. Em Santana do Riacho tomar a estrada de terra até o arraial de Lapinha da Serra.
► Volta:
No Distrito do Tabuleiro ou na portaria do Parque Municipal do Tabuleiro seguir para a cidade de Conceição do Mato Dentro, via estrada de terra. Em Conceição do Mato Dentro tomar a rodovia MG 10 sentido sul, passando pelo Distrito da Serra do Cipó, Lagoa Santa e chegando em Belo Horizonte.
  • Atentar para o fato de que a Travessia inicia-se em um local e finda-se em outro totalmente diferente, distantes entre si; e que não possuem ligação direta via estrada de terra ou asfaltada. Portanto, é necessário ter alguém que não esteja participando da Travessia para fazer o serviço in/out boca da trilha.
  • É possível contratar táxi, serviço de van ou de particulares para fazer esses traslados. Se precisar, solicite via e-mail ou nos comentários desta postagem.

5► Como chegar ao início da Travessia utilizando ônibus? Como voltar ao final da Travessia utilizando ônibus?
► Ida:
Em Belo Horizonte embarcar em ônibus da Empresa Saritur, descendo no final, em Santana do Riacho. De Santana do Riacho à Lapinha não há linha regular de ônibus, necessitando então a locação de táxi; ou seguir à pé.
► Volta:
Tomar táxi no Distrito do Tabuleiro ou na portaria do Parque Municipal do Tabuleiro para Conceição do Mato Dentro (neste trecho até existe uma linha de ônibus rural, mas com frequência durante a semana e em apenas 1 horário). Em Conceição do Mato Dentro embarcar em ônibus da Viação Serro e desembarcar ao final em Belo Horizonte.
  • Atentar para o fato de que a ida via ônibus pode fazê-lo chegar em Lapinha da Serra beirando o meio dia. Isto deve ser pensado de modo a não atrapalhar seus objetivos.
  • Em época de feriados é recomendável adquirir as passagens com antecedência.
  • É possível contratar táxi, serviço de van ou de particulares para fazer os traslados nos trechos de estrada de chão e que não possuem transporte regular via ônibus. Se precisar, solicite via e-mail ou nos comentários desta postagem.

6 ► É preciso autorização de algum órgão público ou privado para realizar a Travessia Lapinha a Tabuleiro?
Não. Pelo menos por enquanto.
Apesar da rota percorrer áreas do Parque Estadual da Serra do Intendente, pelo menos por enquanto ainda não há nenhuma restrição ao caminhante; ou necessidade de se efetuar reservas. Porém, baseado na existência do Parque Estadual que encontra-se em estruturação, é possível afirmar que no futuro alguma forma de regulamentação dessa Travessia seja implantada.



7 ► Há alguma cobrança para realização da Travessia; ou mesmo acesso a algum atrativo específico?

Não há pagamento de uso de trilha para a realização da Travessia.
Porém, em dois pontos há cobrança de acesso:
► No Parque Municipal do Tabuleiro, ao final da Travessia, somente para quem desejar acessar a parte inferior da Cachoeira do Tabuleiro;
► No início da trilha na Lapinha, somente para quem vai realizar a Travessia Via Pico do Breu. Esse início é o mesmo que leva a algumas cachoeiras locais e ao Pico da Lapinha, que é uma área particular. 


8 ► Qual o tempo ideal para realizar a Travessia Lapinha a Tabuleiro?
O tempo ideal são 3 dias.
Dessa forma o caminhante pode aproveitar com calma todos os atrativos sem correrias.
Porém, aos mais experientes e ágeis na caminhada é possível realizá-la em dois dias; ou mesmo em apenas 1 dia no formato speed; em especial para aqueles que praticam corridas de montanha. Ao "trekker" comum é bastante estafante realizá-la em apenas 1 dia visitando todos os atrativos.


9 ► Quais são as principais rotas da Travessia Lapinha a Tabuleiro?
São duas rotas, a saber:

Essa imagem mostra a diferença das rotas: somente no início.
O trajeto em vermelho é a Rota Tradicional
O trajeto em Azul é a Rota Via Pico do Breu
Esta é a parte final da Travessia, quando as duas rotas
percorrem os mesmos caminhos
► Rota Tradicional:
É a rota que contorna o Pico do Breu pelos vales do Ribeirão Parauninha e seus afluentes. É uma rota mais fácil e recomendada para aqueles que estão iniciando no trekking; ou mesmo aqueles que dispõem de menos tempo para realizar a Travessia.
Esta rota totaliza aproximadamente 38 km, incluindo visita à parte superior e inferior da Cachoeira do Tabuleiro.

► Rota Via Pico do Breu:
É a rota que passa pelo topo do Pico do Breu, que é um pico referência e mais alto da região. É uma rota mais exigente que a Tradicional, pois inclui acentuados aclives e declives; além de escassez de água pelo alto da serra, bem como trilhas mal marcadas pelo pisoteio; por isso é recomendada àqueles caminhantes mais experientes.
Esta rota totaliza aproximadamente 43 km, incluindo visita à parte superior e inferior da Cachoeira do Tabuleiro.

Portanto, a diferença entre as duas rotas estão apenas no início da Travessia. Ambas se encontrarão no Vale do Parauninha, na região da Prainha, próxima à casa da Dona Ana Benta. A partir desse ponto, as rotas se unem em direção à casa da Dona Maria e Cachoeira do Tabuleiro.

Há também outras rotas, como a Rota Norte via sede do PE do Intendente; ou passando pelo Niquinho, que é um outro ponto de apoio nas proximidades da Cachoeira do Tabuleiro. Mas estas rotas são menos utilizadas.


10 ► Qual o melhor formato para realização da Travessia pela Rota Tradicional? 
Quais suas vantagens e desvantagens?
► Dia 1 – Caminha-se aprox. 18 km, iniciando na Lapinha e chegando até a Dona Maria. É instalada uma base na Dona Maria, por lá pernoitando duas noites. 
► Dia 2 – Caminha-se aprox. 10 km, saindo da Dona Maria somente com mochila de ataque em direção parte alta da Cachoeira do Tabuleiro. À tarde, retorna à Dona Maria. É um dia inteiramente dedicado a ida e volta à parte alta da Cachoeira do Tabuleiro. 
► Dia 3 – Caminha-se aprox. 10 km, deixando a Dona Maria e descendo para a portaria do Parque Municipal do Tabuleiro, indo e voltando à parte inferior da Cachoeira do Tabuleiro.
  • Em condições normais, este formato leva em consideração iniciar a Travessia no máximo em torno de 10h00 da manhã, visando um caminhar tranquilo e sem correrias.
  • Se for de ônibus para a Lapinha, lembre-se que somente chegará ao arraial beirando o meio dia. Se começar a caminhada imediatamente e for ágil conseguirá chegar à Dona Maria ainda com o dia claro. Se perceber que não chegará à Dona Maria neste primeiro dia, faça o pernoite na Ana Benta; e no segundo dia siga para a Dona Maria, fazendo o trajeto descrito na Rota Via Pico do Breu a partir do segundo dia.
► Vantagens:
  • Estabelecer uma base na Travessia, isto é, montar barraca apenas uma vez na Dona Maria.
  • Ter um dia inteiro para explorar e curtir a parte superior da Cachoeira do Tabuleiro.
  • Permite que caminhantes em fase inicial possam realizar a Travessia sem grandes dificuldades.
► Desvantagens:
  • Perder o visual desde a Serra do Breu.
  • Não pernoitar na Ana Benta.

11 ► Qual o melhor formato para realização da Travessia pela Rota Via Pico do Breu?
Quais suas vantagens e desvantagens?
► Dia 1 – Caminha-se aprox. 13 km, iniciando na Lapinha, subindo e passando pelo Pico da Lapinha, Pico do Breu e descendo em direção à Dona Ana Benta. Caminhada intensa. Pernoite na Ana Benta.
► Dia 2 – Caminha-se aprox. 9 km até Dona Maria, local de pernoite. Imediatamente caminha-se 10 km (ida e volta), saindo da Dona Maria somente com mochila de ataque em direção parte alta da Cachoeira do Tabuleiro. Retorna à Dona Maria para pernoite.
► Dia 3 – Caminha-se aprox. 10 km, deixando a Dona Maria e descendo para a portaria do Parque Municipal do Tabuleiro, indo e voltando à parte inferior da Cachoeira do Tabuleiro. 
  • Em condições normais, este formato leva em consideração iniciar a Travessia no máximo em torno de 8h00 da manhã, visando um caminhar tranquilo e sem correrias.
  • Se for de ônibus para a Lapinha, lembre-se que somente chegará ao arraial beirando o meio dia. Neste caso, se optar pela rota Via Pico do Breu pode ser que tenha que realizar eventual pernoite selvagem pela Serra; ou mesmo caminhada noturna para se chegar à Ana Benta; em especial no inverno quando a noite chega mais cedo. Se não conseguir chegar à Ana Benta, saiba que terá que iniciar a caminhada no segundo dia bem cedo e esteja ciente que será um dia cansativo.
► Vantagens:
  • Curtir o visual desde o topo da Serra do Breu;
  • Contato direto com um ambiente mais bruto;
  • Pernoite nos dois pontos tradicionais da Travessia.
► Desvantagens:
  • A presença de neblina na serra é comum; e com isso há possibilidade de perder o visual ao longe.
  • Tornar o segundo dia de caminhada mais extenso e intenso.
  • Não é recomendada para inciantes em caminhada.

12 ► Qual o estado das trilhas de ambas as rotas da Travessia Lapinha a Tabuleiro? Há presença de água pelas rotas?

► Rota Tradicional:
  • A trilha encontra-se bem marcada pelo uso em todo o trajeto, com presença de cascalho e erosões em alguns pontos. Há várias bifurcações por todo o trajeto.
  • Há riachos a serem cruzados. Há água pela rota, porém sugerimos usar purificador. Em tempos de estiagem, algumas fontes podem secar. Mesmo assim, em condições normais, não há necessidade de se transportar grande quantidade de água.
  • Há pouquíssima sombra por todo o trajeto. Se proteja.
  • Não há nenhum trecho técnico que exija uso de cordas ou escalada.
► Rota pelo Pico do Breu:
  • Até o Pico da Lapinha a rota é bem marcada, com cascalho e erosões em vários pontos. A partir do Pico da Lapinha, a trilha é menos marcada, com trechos em que praticamente desaparece. Na descida do Pico do Breu há um leve pisoteio. Após a descida do Pico do Breu, a rota encontra com aquela que circunda o Pico do Breu, tornando-se bem marcada.
  • Pelo alto da serra só há água em um ponto, nas proximidades do Pico da Lapinha. Abasteça, pois a próxima água somente no Rio Parauninha, após a descida do Pico do Breu. Se iniciar a caminhada muito tarde, inviabilizando chegar no Parauninha; ou mesmo na Dona Ana Benta, recomendável se abastecer inclusive para passar a noite.
  • Há pouquíssima sombra por todo o trajeto. Se proteja.
  • Não há nenhum trecho técnico que exija uso de cordas ou escalada; mesmo na subida ao Pico do Breu, que é feita pelas galerias de uma face inclinada, porém de fácil transposição e sem necessidade do uso de algum equipamento técnico. Esteja com seus joelhos e pernas preparados, pois há aclives e declives acentuados.

13 ► Há pontos perigosos ou de difícil transposição pelas duas rotas principais da Travessia?
Há pontos perigosos; mas não há pontos técnicos para transposição, que exija uso de cordas ou escalada, por exemplo.
Pontos perigosos (ribanceiras, despenhadeiros, precipícios; pedras escorregadias; poços profundos) existem sobretudo na região da Cachoeira do Tabuleiro, tanto na parte superior quanto na parte inferior. Na parte superior há o paredão da garganta por onde despenca a queda d'água; bem como o mirante da queda; além de rochas escorregadias pelo cânion que leva à garganta. Na parte inferior há um intenso trepa e pula pedras para chegar ao poção da Cachoeira. Além é claro do próprio poção, que possui grande dimensão e profundidade.


14 ► Há camping pelas rotas da Travessia Lapinha a Tabuleiro?
Não há camping estruturado pelas rotas da Travessia.
O que existem são dois pontos de pernoite em arredores de casas de antigos moradores ao longo da rota, que passaram a oferecer serviços aos caminhantes; tornando-se tradicionais ao longo do tempo. Não são espaços estruturados com vários banheiros, cozinhas ou mesmo eletricidade. São casas simples do interior de Minas, em que algumas estruturas foram edificadas e são disponibilizadas aos caminhantes.

► Ponto 1:
Dona Ana Benta, localizado a aproximadamente 9 km à leste do arraial da Lapinha.
Atualização Mar 2016: Dona Ana Benta faleceu em fins de 2014; mas um familiar, Lucas - sobrinho da Ana Benta continua cuidando do lugar e oferecendo serviços aos caminhantes.

► Ponto 2:
Dona Maria ou Sr. Zé da Olinta: localizado a aproximadamente 18 km do arraial da Lapinha e a 10 km do Distrito do Tabuleiro. É um ponto estratégico para se visitar a parte superior da Cachoeira do Tabuleiro; ou mesmo para a descida final da Travessia.


15 ► Quais os serviços oferecidos aos caminhantes nos Pontos de Apoio ao longo da Travessia? São gratuitos? É possível reservá-los?
O serviços não são gratuitos e consistem basicamente nos seguintes:
► Jantar: comida mineira simples; servida na própria cozinha dos moradores.
► Café da manhã: simples, típico do interior; servido na própria cozinha dos moradores.
► Banho quente: utilizando o próprio banheiro das residências.
► Área para armada de barraca: utilizam os pastos e quintais nos arredores das casas.
  • Em feriados prolongados é recomendável não se afiançar exclusivamente no jantar ou café servido nos Pontos de Apoio. Isto porque nem sempre é possível fazer a reserva com antecedência; e então chegando ao local, pode ser que não tenha comida disponível para todos; ou mesmo os moradores locais não estejam presentes. Em feriados, a quantidade de caminhantes pela rota costuma ser elevado; e os Pontos de Apoio não possuem estrutura suficiente para atender a todos.
  • Os moradores locais são receptivos e atenciosos. Mas evite aglomerar no interior das casas do moradores locais. Já presenciei essas residências lotadas, com frenético entra e sai e muitas vezes incomodando os moradores. Lembre-se: seja discreto, fale baixo e somente entre de modo educado e autorizado. Evite atos agressivos, imorais ou transgressores. Eles estão fazendo um favor, não são camping estruturado ou espaços onde tudo é permitido! São casas de família!
  • Mesmo que os moradores locais autorizem, jamais deixe por lá o seu lixo. Em conversas com a administração do Parque Estadual da Serra do Intendente, já foi externado grande preocupação quanto ao lixo deixado pelos caminhantes nos pontos de apoio. Então, leve o seu lixo pelo menos até à portaria do Parque Municipal do Tabuleiro.
  • Faça as necessidades fisiológicas longe dos pontos de apoio, trilhas ou nascentes. Enterre as fezes.
  • Se precisar dos contatos dos pontos de apoio, solicite via e-mail ou nos comentários desta postagem.

16 ► Qual é a infraestrutura do Parque Municipal do Tabuleiro?
Este Parque pertence ao município de Conceição do Mato Dentro e engloba áreas onde se encontra a Cachoeira do Tabuleiro e seus arredores; ou seja, a parte final da Travessia Lapinha a Tabuleiro. Possui uma sede de onde parte a trilha de acesso ao poço inferior da Cachoeira do Tabuleiro. Há ainda um pequeno centro de visitantes, guarita de controle, energia elétrica, pias e banheiros, inclusive com banho quente. É um ponto ideal para limpar o corpo e as tralhas ao final da Travessia. Além disso oferece uma pequena área de camping. Mantém guarda parques em sua área, sobretudo na parte inferior e superior da Cachoeira do Tabuleiro.


17 ► Qual é a infraestrutura encontrada no arraial da Lapinha e no Distrito do Tabuleiro?
Em ambos locais há pousadas, restaurantes, camping e bares. Há também pequenas mercearias. A Lapinha possui maior e melhor infraestrutura receptiva. Não há hospitais ou farmácias.
  • Lembre-se que ambos os locais são pequenos e afastados, e muitas vezes o preço de serviços e produtos podem ser mais caros que aqueles que estamos acostumados.
  • Leve dinheiro em espécie, pois nesses locais não há bancos, caixas eletrônicos e não se aceitam cartões de crédito ou débito; muito menos cheques.

18 ► É possível realizar a Travessia Lapinha a Tabuleiro sob chuva?
Sim, é possível.
Mas fique atento: se ocorrem chuvas fortes ou intermitentes, não é recomendável realizar a Travessia; isto porque cruzar o Rio Parauninha nas proximidades da casa da Dona Ana Benta pode não ser possível. Em dias secos cruza-se o riacho com água pelas canelas; e em casos de seca forte, até mesmo sem molhar os pés, pulando pedras. Mas o riacho pode se tornar nervoso sob chuva forte.
Além disso, é importante afirmar que, sob chuva forte; ou nas cabeceiras do Ribeirão do Campo, normalmente o Parque Municipal do Tabuleiro não permite visitar a parte superior e inferior da Cachoeira do Tabuleiro, pois não há rota de escape nesses locais.

Em geral a região onde se desenvolve a travessia possui as seguintes características, que vão se acentuando ao final de cada ciclo:
  • De novembro a março: período chuvoso; com riachos, poços e cachoeiras com grande volume de água;
  • De abril a junho: período seco, com tempo aberto e firme. O volume de água dos atrativos vão diminuindo aos poucos. Tempo muito bonito;
  • De julho a outubro: período muito seco, com tempo firme, muita poeira e aumento da presença de vento. O volume de água dos atrativos diminuem consideravelmente. Muitas fontes de água secam.

19 ► Há sinal de telefonia pelo trajeto da Travessia?
Não há sinal constante de telefonia móvel pelo trajeto; nem nas localidades. Nas proximidades do Mirante da Cachoeira do Tabuleiro e portaria do Parque Municipal do Tabuleiro há fraco sinal.


20 ► Já ouvi dizer que muitos aventureiros se perdem pelas duas rotas da Travessia Lapinha a Tabuleiro. Isto é verdade? É possível errar as rotas?
Sim, é verdade, é possível se perder pelas rotas!
O Espinhaço é caracterizado por vastos campos rupestres e muitos afloramentos rochosos. Isto faz com que as referências físicas sejam de difícil memorização. Além disso, estas áreas foram e continuam sendo usadas para criação de gado e rotas de passagens diversas. É comum existirem muitas trilhas se cruzando ou com muitas bifurcações, muitas sendo conhecidas como as famosas "trilhas de vaca". Quando esta paisagem natural é coberta por densa neblina, a situação se agrava. A maioria dos "perdidos" acontecem sob essa condição. Por isso, estude bem as direções e sob neblina reforce a atenção; e somente partir para a trilha se conhecer pelo menos um pouco de navegação; ou ainda, esteja acompanhado de outros mais experientes ou conhecedores da rota.


21 ► Como proceder em casos de emergência? Há alguma rota de escape em casos de emergência?
Primeiro mantenha a calma. Depois, tentar estabelecer contato com o Corpo de Bombeiros, seja via telefone ou mesmo se deslocando até um dos vilarejos para solicitar ajuda. Não há serviços de resgates estabelecidos na região.
E não há rotas de escape pelo trajeto da Travessia. A tomada de decisão em abortar a Travessia vai depender do ponto da ocorrência. Se ocorrer alguma emergência até a região dos limites do Intendente, retorne à Lapinha. A partir desse ponto, mais adequado seguir em direção à Portaria do Parque Municipal do Tabuleiro.


Considerações Finais

► Leia um relato da Travessia Lapinha a Tabuleiro pela Rota Tradicional. Você poderá inclusive baixar a rota para GPS.
► Leia um relato da Travessia Lapinha a Tabuleiro Via Pico do BreuVocê poderá inclusive baixar a rota para GPS.
► Carta Topográfica da região: Baldim
► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto
► Se desejar contatos dos Pontos de Apoio da Travessia; ou mesmo contatos de táxi na região; ou de particulares que fazem o traslado in/out boca da trilha, mantenha contato ou solicite nos comentários, informando o seu e-mail para a resposta.
Bons ventos a todos!
Última Atualização: Jun 2016

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