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Pico do Inficionado: o ponto alto do Caraça!

Pico do Inficionado visto da trilha após a Prainha
Localizada no extremo sul da Cordilheira do Espinhaço, no município de Catas Altas, centro do Estado de Minas Gerais, a região conhecida como Caraça compreende um grande vale rodeado por picos e desfiladeiros rochosos que se elevam a mais de 2.000m, uma altitude considerável para os padrões brasileiros. Em seus domínios encontram-se sete grandes picos, dentre os quais se destaca o Pico do Inficionado, o segundo em altitude na reserva. É de longe o pico de maiores possibilidades e surpresas no Caraça. Foi no topo desse gigantesco e recortado rochoso que fomos passar uma noite em meados do mês de março 2015...

Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça

Um pouco de história

Sítio histórico importante, o Caraça tem seus primeiros registros datando do início dos anos 1700, porém tomou vulto com a chegada ao lugar de um português com passado pouco esclarecido, de nome Lourenço, que membro da Ordem Terceira de São Francisco, migrou do então Tejuco (atual Diamantina) para o Caraça, comprando a sesmaria. Por ali construiu uma capela, uma hospedaria e um colégio, que floresceram. Ao final da sua longa vida de 96 anos doou a sesmaria ao Reino, para que este conseguisse padres para a continuidade da sua obra. Por meandros da história, a região fora confiada aos Padres da Congregação da Missão em princípio do século XIX; que desde então por lá permanecem, fato decisivo para a preservação do lugar; atualmente transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN.

O Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens:
primeira construção neogótica do País
O Caraça abriga o Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens em estilo neogótico, mantendo seu órgão de tubos ainda em funcionamento. Abriga ainda a Capelinha do Sagrado Coração e ruínas anexas; museu, ruínas do antigo seminário, biblioteca, centro de visitantes e mais um sem número de atrativos artísticos, com destaque para a arquitetura das construções, provocando um contraste harmonioso entre o barroco e o neo-gótico. Em tempos áureos abrigou um seminário e um colégio, por onde passaram até ex-presidentes da República. Fato curioso é a conservação de uma rocha que segundo a história, Dom Pedro II teria caído de um cavalo enquanto visitava o Caraça. Está lá sinalizada, bem próxima à Casa das Sampaias nos arredores do Santuário!


Relato

A saga para visitar qualquer pico do Caraça começa bem antes da data desejada. Por ser uma RPPN, para se visitar os picos principais, que são sete no total, exige-se o acompanhamento de um guia local, cuja agenda é bastante concorrida. Mas o desejo de visitar o Inficionado dentro das regras era antigo. Dois anos atrás fizemos uma tentativa, mas devido às chuvas intensas na ocasião acabamos visitando o Pico da Canjerana. Depois de várias tentativas frustradas em 2014, logo no início deste ano consegui uma data em fevereiro para pernoitar no Pico. Porém, depois de um janeiro extremamente seco, veio um fevereiro molhado e a data pretendida foi pelos ares... Remarcada para início de março, tivemos sorte: justamente no sábado e domingo dos dias 14 e 15 de março a chuvarada deu uma trégua...

Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.

Powered by Wikiloc

Não é permitida a visitação do Pico do Inficionado sem acompanhamento de Guia credenciado pela RPPN do Caraça. A disponibilização dessa rota é apenas para informação e não dispensa a presença do Guia. Por favor, não insista em ir sozinho, pois você poderá ter problemas. É sério!
Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça


1 Deixamos BH beirando 7h00 da manhã daquele sábado e às 9h30 já estávamos no Caraça. Em acerto anterior, e dada a dificuldade em conseguir agenda para pernoite fomos em um grupo maior de aventureiros. Porém, chegados no lugar, a administração da RPPN não queria permitir a subida total do nosso grupo. Mas depois de algumas conversas e esclarecimentos conseguimos a autorização para nosso pernoite (►► Atualização Fev 2016: Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça); e com isso somente botamos os pés na trilha quase 11h00 da manhã. Seguimos os passos do Guia Neneco, nosso conhecido de outros carnavais e fomos serpenteando o Vale, através de uma estradinha interna que parte do estacionamento e segue em direção à Cascatinha.

A famosa Caraça e o Inficionado vistos da Pedra da Paciência
Logo após a Prainha, entramos em uma trilha bem marcada e sinalizada à direita que leva para o Vale da Bocaina. Ao longe observávamos o nosso objetivo, mostrando que teríamos ainda muito a caminhar. Por volta de 11h40 passamos pela Pedra da Paciência de onde se tem bela vista da curiosa formação que segundo alguns dá nome à região. Tocamos adiante em leve declive, ignoramos uma saída à direita e adentramos em meio à uma capoeirinha. Cruzamos um pequeno córrego através de uma ponte de madeira e logo adiante ignoramos a saída à esquerda que leva para a Cachoeira da Bocaina.

Subindo ao Inficionado: Verruguinha ao centro
A partir desse ponto inicia-se propriamente a saga da subida ao Inficionado. Inicialmente em leve aclive e por campo aberto a trilha bem marcada se direciona para a primeira inclinação da base do pico, conhecida como Escadaria. Em poucos metros a trilha adentra em uma capoeirinha e chegamos a um ponto de água por volta de 12h20. Parada para descanso e reidratação porque dali em diante a coisa apertaria. Retomamos a caminhada e a trilha torna-se bastante 'suja'. Adiante passamos pela discreta bifurcação que leva ao Pico Verruguinha e tomamos à esquerda, cuja trilha é mais marcada e íngreme. 

Canjerana (segundo plano) e Três Irmãos (terceiro plano)
Chegamos então ao início da Escadaria, cujo nome não deixa dúvidas. Trata-se de uma subida íngreme e com inúmeros degraus; prejudicada por erosões e pelo mato alto quase fechando a passagem. Impossível não ter que usar as mãos para vencer alguns obstáculos e ganhar altura. Mais pesados para pernoite, esse exercício sugava todas as nossas forças e fez o ritmo da caminhada ir praticamente a zero. Apesar da ausência aberta do sol, o forte calor abafado era um complicador a mais. Nosso guia puxou a dianteira e juntamente aos mais espertos se descolou. Eu fiquei na rabeira, subindo lentamente. Beirava às 14h00 quando vencemos a escadaria, chegando a um pequeno platô, já com vista magnífica do vale abaixo e dos picos à oeste. Fizemos uma boa parada para descanso e lanche.

Retomada a caminhada continuamos subindo, porém agora de modo mais suave; porém não menos exigente, pois a trilha continua suja e com alguns degraus. Entretanto não oferece riscos de erros, uma vez que não há nenhuma bifurcação pelo trecho. É só tocar pra cima. Passamos por algumas canelas de ema gigantes e por algumas rochas onde corre um filete de água à esquerda e uma pirambeira respeitável à direita. Subimos de modo esparso, cada um imprimindo o seu ritmo e sem maiores problemas. Mas à essa altura o calor e a subida anterior da escadaria já havia feito algum estrago em praticamente todo mundo... Mais acima cruzamos o fio d'água que havíamos beirado mais abaixo e a trilha deu uma suavizada, para imediatamente percorrermos novo aclive...

Após vencer mais este aclive emergimos em um grande platô, já bem próximo ao ataque final do Inficionado. O lugar parecia um jardim e a vegetação já era bem diferente, com plantas típicas de altitude, inclusive algumas moitas daqueles famosos bambuzinhos, uma espécie de parente daqueles lá da Mantiqueira do Sul de Minas. Como em todo o Espinhaço, canelas de ema pipocavam por toda parte, porém com raras flores, mostrando que trata-se de uma área de transição... Cruzamos o platô que em tese seria uma boa área para acampamento e por volta de 15h45 chegamos aos pés da última subida rumo ao cume. Fizemos uma parada para descanso e lanche...

Acamps no topo do Inficionado
Novamente na trilha, fomos subindo por rochas mais à mostra, procurando pelos sinais de pisoteio. Apesar de curta, parecia uma subida interminável, pois estávamos bem desgastados. Mas a ânsia pela chegada falava mais alto e às 16h20 colocamos os pés no topo do Inficionado. O topo é enorme, irregular e com rochas por todos os lados. Pode acreditar, é difícil encontrar uma área de tamanho 2 x 2 sem pontas de rochas. Por isso, as áreas para acampamento são poucas e quase todas desabrigadas. Tratamos logo de montar nossas barracas, que ficaram espalhadas em várias áreas, algumas distantes 50 metros umas das outras (►► Atualização Fev 2016: Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça). 

Pico do Sol ao fundo
O Inficionado é mesmo surpreendente! Montadas as barracas demos um giro pelo topo, de onde foi possível observar os Picos da Canjerana, Três Irmãos e Conceição à sudoeste/oeste; o Pico Carapuça e Pico do Sol ao norte/nordeste; o Pico do Itacolomi e arredores à sudeste/sul. Já a vastidão à leste foi prejudicada devido à presente neblina, mas isto foi apenas um detalhe, na natureza tudo tem a sua beleza! Entretanto, a Garganta do Diabo na mesma direção impressionava com suas pirambeiras... E entre o quadrante formado pelos picos estava o Vale, com uma 'pinta branca' ao norte denunciando o Santuário... Mais ao longe, à noroeste podia-se observar às Serras de Catas Altas e aquelas próximas à Belo Horizonte.

A Garganta do Diabo
Explorando o topo, alguns foram conhecer a pequena Gruta dos Guias, local de pernoite abrigado no topo. Também fomos conferir a fonte de água situada a 30 metros à oeste desde o acampamento. Água puríssima da montanha, gelada, fruto do acúmulo no topo, deslizando sobre raízes aos pés de uma matinha... Ainda deu tempo de curtir o por do sol, que não foi límpido, mas proporcionou momentos de grande beleza...

Após o por do sol a temperatura caiu um pouco, mas sem exageros. Céu parcialmente nublado, e apesar do bailar da neblina foi possível ver um outro grupo que pernoitava no Pico do Sol, com quem trocamos sinalizações (►► Atualização Fev 2016: Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça). Logo preparamos nossas jantas e nos divertimos bastante por lá... Impossível não lembrar dos papos e dar umas risadas. Porém, com o cansaço generalizado logo mergulhamos nas barracas e a noite foi recuperadora...

Interior da Centenário
2 O domingo amanheceu nublado e com neblina. Apesar de acordarmos mais cedo, não foi possível curtir o tradicional nascer do sol límpido. Após café da manhã e desmonte do acampamento (►► Atualização Fev 2016: Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça) fomos explorar mais um pouco o topo. Cada fenda um 'flash'. Juntamente ao guia fomos à Gruta do Centenário, exceção do Zé e do Anderson, que preferiram continuar a curtir o topo... A descida para a gruta parte do ponto mais alto sentido noroeste e adentra por uma fenda nas rochas. Chegamos à entrada da gruta e aí foi só tocar pra baixo. Em alguns pontos existem degraus que exigem um pouco mais de esforço. A fenda vai se aprofundando, possibilitando uma janela de luz que ilumina todo o espaço. Gotículas despencam das alturas formando um ambiente frio. Após cruzarmos com uma serpente e pular alguns degraus chegamos até o primeiro 'salão' da Centenário. Dali pra frente não prosseguimos devido as recentes chuvas que alagam as vias da gruta. Apesar desta gruta não possuir a beleza daquelas cársticas, impressiona pelo tamanho.

Carapuça (D) e Santuário (C)
Sem poder ir adiante, fizemos o frio caminho de retorno com rapidez e por volta de 11h00 emergimos novamente ao topo do Inficionado. Como o horário estava apertando, não fomos ao chamado Avião, que é um ponto à leste onde na década de setenta uma aeronave chocou-se com o Pico, cujos restos ainda estão por lá... Assim, o jeito foi colocar as cargueiras nas costas e tocar pra baixo. Cada qual no seu ritmo fomos refazendo o mesmo caminho da ida. Foi a hora de botar os joelhos à prova; alguns arrastar os traseiros pelas rochas e perder altura. Mas isto foi de menos porque o visual compensava qualquer sofrimento. Após algumas paradas para descanso, por volta de 14h20 já estávamos novamente aos pés da escadaria na bifurcação do Verruguinha, vencido assim o trecho mais difícil da volta. Abaixo, fizemos uma boa parada para descanso no ponto de água.

Prainha
Dali em diante melhor não pensar que teria que cruzar todo o vale de volta ao Santuário. Alguns mais ágeis foram na dianteira, mas eu permaneci na rabeira. Às 15h20 passamos novamente pela Pedra da Paciência. Liberei o Guia e em grupos estabelecemos o nosso ritmo. Por volta de 16h30 chegamos próximos à Prainha. Alguns mais ágeis ainda foram à Cascatinha se refrescar, corajosos Solimar, Anderson e Raquel. Eu, Romário, Marina, Vanessa, Léo, Cláudia, Fernando e mais alguns preferimos nos refrescar na própria Prainha. Impossível não lembrar das brincadeiras do Welbert que ainda tinha pernas para dar pulos acrobáticos no lugar... Outros tocaram direto para o Santuário, como a Sol, Mateus e Bruno que apenas foram "olhar" a Prainha, mas estavam ávidos por umas coxinhas da lanchonete local que fecha pontualmente às 17h00...

O grupão reunido no pátio da lanchonete - Foto: José Mendes
Após refresco na Prainha fui o último que deixei o lugar e de modo solo botei os pés no Santuário às 16h50, a tempo de tomar o último gole do aguado café que restava na lanchonete. Meus amigos já tinham feito a "limpeza" do lugar e tive que me contentar com o pão de queijo dormido que havia comprado em BH na manhã de sábado antes da viagem... Um dos nossos amigos, o Júlio já havia feito rastro, pois seguiria para Governador Valadares... Logo chegaram àqueles que se refrescaram na Cascatinha com um sorrisão enorme, nem pareciam que havia caminhado tanto... Ainda houve tempo para fotografia oficial e um giro rápido pelo sítio histórico. Ainda fui na Igreja Santuário Mãe dos Homens agradecer pelo êxito da pernada... Pouco depois das 17h30 embarcamos no nosso resgate e partimos non stop para Belo Horizonte, aonde chegamos beirando às 20h00, graças à surpreendente ausência de congestionamento na escangalhada e vergonhosa rodovia BR 381...


Serviço

O Pico do Inficionado está localizado na região conhecida como Caraça, que é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN administrada pelos Padres da Congregação da Missão, abrangendo áreas nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, Estado de Minas Gerais, Brasil. Com uma área de pouco mais de 10 mil hectares, a RPPN guarda rico acervos histórico, cultural e natural.

Cascatinha vista da trilha para o Inficionado
No âmbito natural, destaque para os atrativos Cascatona, Cascatinha, Taboões, Prainha e Cachoeira da Bocaina, todas localizadas no vale, além de algumas outras corredeiras e represas. Nos arredores, além dos chamados Campos de Fora à sudoeste do Santuário, sobressaem os seus sete picos principais, que são o Carapuça (1955m), Sol (2072m), Inficionado (2068m), Verrruguinha (1650m), Canjerana (1890), Três Irmãos (1675m) e Conceição (1800m), que abrigam raras espécies vegetais e animais, dentre eles o lobo guará, considerado o símbolo do Caraça.

Dentre os sete picos principais, um deles se destaca: é o Pico do Inficionado. Trata-se de uma formação rochosa gigantesca, cujo topo é irregular e recortado por fendas, algumas delas bastante profundas. Abriga sobre suas rochas a imensa Gruta Centenário, considerada a maior do mundo em quartzito, que consiste em um labirinto com acesso desde o topo do Pico e exige algumas horas de aventura para ser explorada. Outro acidente marcante no topo é a Garganta do Diabo no lado leste, que possibilita amplo e belo visual do Vale da Bocaina. Apesar do Inficionado não ser o pico mais elevado do Caraça, seus 2068m de altitude permitem um desfrute visual impressionante de toda a região, inclusive do seu irmão maior, o Pico do Sol (2072m), que é o ponto mais elevado de todo o Espinhaço. 

Rota Santuário à bifurcação da Bocaina no GE
A a trilha de acesso ao Pico é bem marcada e totaliza aproximadamente 9 km. Nos primeiros 5 km possui sinalização com placas informativas e percorre o vale sentido sudoeste até as proximidades da base do Pico. É o mesmo caminho para as conhecidas Pedra da Paciência (um bom point para fotos com a "Caraça" ao fundo); e a Cachoeira da Bocaina. Não apresenta trechos técnicos, é praticamente plana, aberta; não sendo necessário o acompanhamento de guia local para se realizar esse trecho. Porém, a partir desse ponto e conforme regra do lugar é obrigatória a presença de Guia Local. 

Rota da bifurcação Bocaina ao topo do Inficionado
Após a bifurcação da Cachoeira da Bocaina é que a trilha apresenta-se mais exigente. Seguirá quase sempre em aclive até o topo. São mais 4 km de trilha íngreme e rochosa, sem sinalização em placas e marcada apenas pelo pisoteio; em meio à teimosa vegetação. Logo no início da subida, o trecho conhecido como Escadaria exige esforço extra para ser vencido, pois a erosão e degraus são constantes (daí o nome). Após a Escadaria a trilha se suaviza; porém continuam os aclives; que acentua na chegada final ao topo. Desde o topo do Inficionado é possível observar todos os outros picos do Caraça e arredores; além do amplo vale onde se localiza o Santuário; além de pontos mais distantes em todas as direções; inclusive a Serra do Curral em BH.


Infraestrutura

Podendo ser acessado por estradas asfaltadas, há algum tempo as instalações do antigo colégio foram transformadas em uma charmosa pousada com infra-estrutura básica ao visitante. Há também a opção de locação de uma casa para grupos; dentre outras instalações específicas, como um Centro de Convenções. Há restaurante aberto ao público para almoço. Nos arredores do Santuário há lanchonete, loja de souvenir e sanitários. Quanto às comunicações carece de sinal de telefonia celular de melhor qualidade. Não há camping dentro da RPPN do Caraça; mas há amplo estacionamento no lugar.

Horários de visitação e ingresso:
Segunda a segunda, das 08h00 às 17h00.
► A entrada só é liberada entre 08h00 e até às 15h30. A saída deve ocorrer até às 17h00.
► Para hospedagem a entrada é permitida até às 21h00. Após esse horário a portaria é fechada e não se permite acesso em hipótese alguma. Há a pousada e algumas casas para grupos específicos.
► É cobrada uma taxa de visitação, atualmente no valor de R$10,00 por pessoa (abril 2015).

Telefones importantes:
Caraça: 31 3837-1939 - 31 8978-3179 - 31 9617-3533
Ponto de táxi em Barão de Cocais: 31 3837-1812
Ponto de táxi em Santa Bárbara: 31 3832-2210

Distância - Belo Horizonte ao Caraça:
Aproximadamente 120 km através de estradas asfaltadas.


Como chegar ► cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:
Embarcar na rodoviária de Belo Horizonte em ônibus da Viação Pássaro Verde e desembarcar na cidade de Barão de Cocais. Outra opção é seguir até a cidade de Santa Bárbara, também pela Pássaro Verde. De ambas localidades até o Caraça a única opção é o uso do serviço de táxi, pois não há linha regular de ônibus entre estas localidades.

►► Não aconselho desembarcar do ônibus na rodovia na altura do trevo que segue para o Caraça, pois deste ponto até o Santuário são 20 km, distância considerável para se ir à pé pelo asfalto!
Confira no site da empresa Pássaro Verde os horários e tarifas do ônibus.
Ligue nos pontos de táxi e confira o valor da viagem.

De Trem:
Embarcar na Estação Ferroviária no Trem Vitória-Minas e desembarcar na Estação Dois Irmãos em Barão de Cocais. Desta, tomar táxi até o Caraça.

►► Confira o Site Oficial da Estrada de Ferro Vitória Minas

De carro:
Seguir pela BR 381 até o trevo de Barão de Cocais, entrando à direita pela MG 436. Passar pela cidade de Barão de Cocais e seguir sentido Santa Bárbara. Antes de Santa Bárbara entrar à direita sentido Caraça. Há farta sinalização no trecho.



Considerações Finais

► Para visita ou pernoite nos picos do Caraça; ou para caminhadas em atrativos com distância acima de 6 km é obrigatória a contratação de guia local.
►► Atualização Fev 2016: Por tempo indeterminado estão suspensos pernoites de caminhantes nos picos do Caraça.

► A agenda dos guias locais é bastante concorrida, portanto planeje sua aventura. Se quiser os contatos do Guia Neneco, solicite nos comentários abaixo ou via e-mail que os enviarei. 

► A visita ou pernoite de grupos nos picos é limitada a 11 pessoas, incluso o guia local. 
►► Atualização Fev 2016: segundo Comunicado recente, a limitação baixou para 10 pessoas.

► Para visitas em grupos maiores, mesmo que não se utilize guia local (distâncias até 6 km) é necessário agendamento prévio. 

► Não é permitido acampar, fazer churrasco ou fogueira no Caraça. 

► A RPPN é extremamente vigiada e prima pela limpeza. Traga de volta o seu lixo. 

► A trilha para o Pico do Inficionado é exigente, sendo ideal visitá-lo mediante pernoite, pois assim terá mais tempo para explorar o lugar, que é grandioso. Mas é possível fazer bate e volta. 

► A área de acampamento no topo do Inficionado é pequena e pouco abrigada, consistindo em pequenos pontos entre rochas. Há uma pequena gruta bem abrigada que é utilizada para bivaque pelos guias nos casos de pernoite.
►► Atualização Fev 2016: não estão mais sendo permitidos pernoites nos picos do Caraça.

► Não se permite pernoitar no interior da Gruta Centenário.
►► Atualização Fev 2016: não estão mais sendo permitidos pernoites nos picos do Caraça.

► A Gruta Centenário pode ser percorrida até a janela para o Vale da Bocaina através de estreitas passagens e degraus. Esta aventura leva algumas horas. Mas em período chuvoso não se recomenda fazê-la; bem como no início da primavera, quando andorinhões oriundos do norte do continente americano migram para o lugar, deixando-o infestado por fezes. 

► Há água pelo trajeto até o topo do Inficionado. A partir da escadaria há três pontos, sendo um no topo. Mas em tempos de estiagem, em especial àquele do topo tende a secar. 

► No período de inverno a temperatura é baixa no Caraça. Fique atento! 

► O Caraça é muito visitado por estrangeiros. Dificilmente se vai por lá e não cruza com alguns deles. 

►► O Caraça é administrado pelos Padres da Congregação da Missão, portanto o lugar é marcado pela religiosidade e por regras rígidas e específicas. Tome ciência disso e evite transgredi-las, pois poderá ser 'convidado' a se retirar do lugar. Também é uma RPPN cujas regras podem mudar conforme avaliação da administração. Por isso, antes de visitar o lugar, ligue e se informe sobre alguma atualização.

►►►Saiba tudo sobre o Caraça no seu Site Oficial


Bons ventos a todos!!!




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