segunda-feira, 4 de abril de 2016

BH a Nova Lima: a charmosa travessia nos arredores de BH!

A Serra do Curral e trechos de BH vistos desde a trilha inicial da Travessia
Num raio em torno de 100 km a partir de Belo Horizonte há uma série de atrativos naturais que despertam interesse. São picos, cachoeiras e um sem número de opções de caminhadas. Como é uma área de transição, basta que o aventureiro tenha disposição em estudar e planejar rotas que opções diversas podem surgir. Porém, há uma rota antiga e consolidada que mesmo ao passar do tempo se mantém interessante: trata-se da travessia que liga Belo Horizonte a Nova Lima. Desenvolvida predominantemente na direção norte-sudeste, esta rota apresenta subidas e descidas íngremes, trilhas marcadas porém sujas; e bonitos visuais, mesmo com a intensa interferência humana nos arredores. Além disso, passa pelo ponto culminante da Capital, o Pico Belo Horizonte, com altitude beirando os 1.400m. Estivemos por lá no último dia 19 de março, participando de uma caminhada solidária promovida pelo Grupo Trilhando...

Havia muitos anos que não retornava à essa travessia. Na verdade áreas dos municípios de Caeté, Sabará, Nova Lima, Rio Acima, Barão, entorno do Caraça e seguindo até pras bandas de Ouro Preto foi a primeira região onde fiz várias incursões logo depois de desembarcar em BH ainda na década de 90. Foram bons tempos! Dessa vez fiz questão de voltar à região para fazer a BH - Nova Lima, primeiro porque era um evento solidário; segundo era opção pra matar saudade da rota; e terceiro para testar meu joelho que em fins de janeiro levara uma forte pancada em uma caminhada na Serra da Lapinha-Breu; fato que me deixou com um baita desconforto desde então...


Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.
Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto

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Esta rota inclui um desvio da Mineradora localizada aos pés do Morro das Antenas


BH se despontando ao início da trilha
Em torno de 7h00 daquele sábado cheguei à portaria do Cemitério da Saudade em BH conforme programado. O clima estava aberto e prometia um belo dia de sol e calor. Aos poucos os caminhantes foram chegando e formamos um grupão. Por volta de 8h00 começamos a caminhada; e sugeri que evitássemos o contorno da Mata da Baleia, uma vez que felizmente éramos muitos. Tomamos então a Rua Juramento e seguimos em direção ao Hospital da Baleia. Passamos pela praça do hospital e às 8h25 deixamos o asfalto; chegando ao início da larga trilha da travessia. Curto trecho em nível no sentido leste, ignoramos uma saída à esquerda e após uma curva tomamos em aclive o sentido sudeste. Trecho com trilha marcada e com erosões em vários pontos. Passamos ao lado de uma caixa d'água da Copasa à nossa direita e pelo trecho onde normalmente a rota que vem da Mata da Baleia encontra a trilha da subida tradicional. A cidade foi-se despontando aos poucos e apesar da interferência do concreto proporcionava uma vista muito bonita.

Morro das Antenas e Pico Belo Horizonte vistos desde o início do desvio
Às 9h45 chegamos até uma discreta bifurcação à direita, que tomamos para evitar passagem pela área de mineração aos pés do Morro das Antenas. Isto porque temos tido notícias de que os guardas da mineradora não apreciam que caminhantes transitem pela área de atividades da empresa. Como estávamos em grupo melhor se precaver! Inicialmente em declive, o desvio passa pelo fundo do vale ao sul para subir a encosta seguinte, interceptando logo acima uma estradinha próxima a uns postes de energia. Este desvio levou apenas meia hora e acabamos por despontar na estradinha na dianteira do grupo, juntamente com a Thaís.

A paisagem lunar da mineração. Ao fundo a Serra da Piedade
Prosseguimos pela estradinha sem grande variação e encontramos com um rapaz que tocava alguns cavalos. Adiante passamos pelo portão norte do Parque das Mangabeiras e por um trecho em calçamento seguimos em direção à área da mineradora. Aos pés da subida do Morro das Antenas e imediatamente acima da mineradora fizemos uma parada, pois parte do grupo também parou antes do portão do Mangabeiras para descansar; logo após a subida do atalho/desvio. O único incômodo do lugar era o barulho do vai e vem de máquinas na mineração poucos metros abaixo de onde estávamos. Foi tempo suficiente para relembrar o quanto a área encontra-se modificada pela mineração!

Às 9h45 eu e a Thaís iniciamos a subida rumo ao Morro das Antenas através de uma trilha íngreme, erodida e com presença de filitos. A subida é acentuada, porém curta e não tem nada de mais para quem já é acostumado a caminhadas no meio natural. Enquanto subíamos observei que todo o grupo optou pela estradinha, atalhando uma curva e evitando este trecho de subida íngreme para o Morro das Antenas. Optaram pelo caminho mais fácil, porém mais longo. Ao mesmo tempo observei que o nosso amigo Gatin já se encontrava no topo do Pico Belo Horizonte; pois ele tem "rodinha nos pés" e havia se descolado do grupo lá embaixo, antes mesmo de executarmos o desvio da mineradora.

BH vista desde o Morro das Antenas
Às 10h00 já estávamos no Morro das Antenas. O lugar oferece bela vista, porém é um pouco ofuscada pelo enorme aparato de comunicação instalado no lugar e que tomou conta de todo o topo. Também como estávamos abastecidos nem procuramos ir tentar coletar água lá no posto da PMMG no lado oposto das antenas. Assim, tocamos direto para o Pico Belo Horizonte, passando pela trilha que o contorna pelo lado leste cortando a forte ribanceira, evitando a subida pelo degrau da cidade. Ao chegarmos ao topo reencontramos Gatin que naquele momento conversava com alguns motociclistas trilheiros. Era 10h10 da manhã e o calor era intenso!

Vista sul: Serra do Curral carcomida pela mineração e antiga cava da MBR
O Pico Belo Horizonte (1.388m segundo meu GPS) é o ponto culminante da Capital, de onde se pode avistar toda a cidade e os arredores, destacando a Serra da Piedade a leste e até o Pico do Itabirito a alguns km ao sul. Possui topo pequeno, desprotegido e de fácil acesso. Um visual marcante é o da encosta sul da Serra do Curral, bem próxima e carcomida pela mineração, com o profundo lago da antiga mina da MBR aos seus pés. Aliás, nota-se o trabalho e sustentação da encosta sul da Serra do Curral desafiando a estabilidade; dando-nos a impressão que a qualquer momento a serra se desmontará para dentro do profundo lago originário da antiga cava... Permanecemos no topo aguardando a aglutinação do grupo, porém uns mosquitos ferozes não davam trégua. Então nos afastamos sentido da continuação da trilha e ficamos esperando os amigos naquele calorão.

Final da descida do Rala Bunda com a estradinha abaixo.
Essa imagem é após a saída da cava da enxurrada.
Ao fundo bairros de Nova Lima às margens da MG 30
Logo chegaram, tiraram umas fotos e levaram umas ferroadas dos mosquitos; fato que os obrigou a saírem ligeiros do lugar. Continuamos então a pernada às 10h50 pela descida do Rala Bunda. Tomamos a trilha marcada em suave declive em direção a uma capoeira. Interceptamos uma cavidade de enxurrada e por esta fomos descendo, com a capoeira aumentando. Com a ajuda do Jonathan identificamos termos passado despercebidamente pela saída da trilha do leito da enxurrada. Enquanto alguns preferiram continuar a descida por ali mesmo, eu retornei ao ponto correto da saída, tomando à direita e fugindo da capoeira mais fechada, saindo em área mais aberta e em declive. A trilha segue marcada em direção à uma antiga estradinha de mineração, aonde chegamos às 11h45. Poucos metros antes da estrada passamos por um rego d'água, onde aproveitei para refrescar a cabeça. Aproveitamos e fizemos uma paradinha na estrada para beliscar alguma coisa.

A Cascatinha em um afluente do Jambreiro
Beirando meio dia retomamos a caminhada tomando a estradinha batida no sentido sul e em nível, entrando à esquerda em uma próxima saída através dos sinais de antiga estrada, porém tomada pelo mato. Passamos sob uma linha de transmissão e fomos descendo na direção de um vale em que corre um afluente do Córrego do Jambreiro. Neste trecho a trilha é discreta e com muito mato beira trilha. Sem bifurcações a trilha nos levou até a Cascatinha no fundo do vale, aonde chegamos às 12h30. Esta cascatinha não é uma queda natural, mas fruto do empilhamento de pedras, o que nos indica ter sido um antigo ponto de captação de água. O calor era intenso e a sombra das árvores foi um alívio. Muitos aproveitaram para se refrescar na Cascatinha e novamente mastigar umas bobeirinhas. Ficamos por ali um bom tempo...

Trecho após a Cascatinha com mato beira trilha bem alto
Por volta de 13h15, em uma guinada sentido oeste reiniciamos a caminhada pela trilha igualmente suja e com alguns desbarrancados à esquerda. Passamos por um trecho aonde o mato fez uma espécie de túnel sobre a trilha e havia até um formigueiro nos galhos. Após levarmos umas ferroadas das formigas, seguimos caminhando em nível. Por curto trecho tomamos rumo leste até que chegamos a uma bifurcação junto a antiga estradinha que desce da mineração desativada rasgando a capoeira em zigue-zague. Em declive e retornando no sentido predominante sudeste tomamos à esquerda; para logo abaixo entrarmos novamente à esquerda em um atalho dessa mesma estradinha. Percorrido o atalho, novamente interceptamos a estradinha, cruzamos e adentramos em novo trecho de trilha, dessa vez com valas devido ao trânsito de motos. A capoeira virou uma matinha e às 14h15 chegamos novamente ao riacho que havíamos cruzado mais acima lá na Cascatinha. Nesse ponto há o encontro com um outro afluente vindo mais ao norte. Este tem água mais límpida que aquele que vem da Cascatinha. Fizemos uma nova parada para descanso e refresco!

Último trecho de trilha antes de chegar ao asfalto em Nova Lima
Em torno de 14h30 retomamos a caminhada rumo ao final da curta Travessia, percorrendo discreto aclive no sentido sul. Passamos por outro ponto de água e logo à frente caminhamos por um trecho com um rego de captação de água à esquerda da trilha. É um trecho sombreado e isto aliviou um pouco o calorão. Aí foi só uma curva para o leste e já nos aproximamos das casas de Nova Lima, chegando à quentura do asfalto às 14h40. Dali foi só tocar pelas vielas e ruas da cidade em direção à Praça do Mineiro, aonde chegamos minutos após às 15h00.

O Mineiro na Praça do Mineiro em Nova Lima
Na Praça do Mineiro foi hora de saborear um tropeiro fornecido por uma amiga que caminhou conosco. Momento para confraternização, inclusive com algumas cervejinhas, muito papo fiado e risadas. Também foi ocasião para entregar as doações dos participantes da caminhada às entidades em Nova Lima. Foram arrecadados em torno de 400 kg de alimentos, cumprindo assim o principal objetivo do dia! Depois do tropeiro e de barriga cheia, fizemos mais um pouco de hora pela Praça; quando em grupos fomos tomando o ônibus coletivo para retorno à Belo Horizonte. Eu retornei juntamente com o Jonathan e o Léo, desembarcando no centro de BH por volta de 17h30.

Ao finalizar esses registros, expresso meus parabéns aos amigos do Trilhando pela iniciativa solidária e pela oportunidade da pernada! Foi uma ótima ocasião de interação, matando a saudade em grande estilo. Bons ventos a todos!


Serviço

Tradicional travessia ligando Belo Horizonte à cidade de Nova Lima passando pelo Pico Belo Horizonte, que é o ponto culminante da Capital mineira. Há subidas e descidas íngremes em alguns pontos; em especial a subida ao Morro da Antena, que é erodida e repleta de filitos. Após o Morro da Antena ao contornar o Pico Belo Horizonte rumo ao seu topo, há uma forte ladeira à esquerda da estreita trilha. De um modo geral a trilha é bem marcada em toda a sua extensão, porém em vários pontos a vegetação beira trilha encontra-se bem crescida.

Serra da Piedade vista desde o Pico BH
O ponto alto da Travessia é o visual desde o Pico Belo Horizonte. É possível avistar praticamente toda a Capital, cidades vizinhas e acidentes geográficos importantes como a Serra da Piedade à leste; Serra do Curral à sudoeste-nordeste; o Vale da Mata do Jambreiro ao sul/sudeste; além de pontos mais distantes como Pedra Grande de Igarapé; Três Irmãos em Brumadinho; Serra do Rola Moça e Pico do Itabirito, dentre outros. Também é interessante observar a vegetação local, típica de áreas de transição; alternando trechos abertos com outros sombreados; com plantas de cerrado e de mata atlântica.

Descida do Pico BH para Nova Lima
Esta Travessia possui trechos em asfalto tanto no seu início quanto ao seu final. A tradição manda iniciar nas imediações do Hospital da Baleia em Belo Horizonte e encerrar na Praça do Mineiro em Nova Lima. Porém fica a critério do caminhante escolher o ponto a iniciar a caminhada; seja no Cemitério da Saudade ou no Hospital da Baleia; ou ainda o ponto a encerrar a caminhada; que pode ser ao início do asfalto ou outro ponto qualquer em Nova Lima. Se excluir os trechos de asfalto, bem como eventual passagem pela Mata da Baleia; a Travessia BH a Nova Lima possui aproximadamente 10 km, predominando trilhas; porém com algumas curtas ligações por estradinhas.

Há água pelo trajeto, mas somente no trecho após o Pico Belo Horizonte, na descida para Nova Lima. Porém recomendamos sempre purificá-la; ou mesmo evitar ingestão, em especial aquela do primeiro ponto após a descida do Pico Belo Horizonte (Rala Bunda), bem próxima à estradinha. Ocorre que parte da região foi área de mineração até alguns anos atrás. Exceção seria a água do riacho já na parte final da travessia, quando há um encontro de afluentes do Jambreiro. Há ainda uma cascatinha artificial em meio à matinha periférica do Jambreiro, já na descida para Nova Lima que permite um refresco rápido.

Dado aos aclives, declives e trilhas sujas por grande parte da rota, esta Travessia torna-se excelente opção de treinamento para outras aventuras mais longas.

Importante:
Há uma opção estendida para esta Travessia. É a variante com passagem pela Mata da Baleia, com início nas imediações do Cemitério da Saudade e interceptando esta Rota Tradicional poucos metros acima do Hospital da Baleia - Caixa d'água da Copasa. Esta variante aumenta o trajeto em pelo menos 3,5 km.


Como chegar - cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus

Ida:
Linhas urbanas 9201 (Baleia - Nova Granada); 9031 (Nossa Senhora de Fátima - Centro) ou 901 (Circular Leste), desembarcando no Hospital da Baleia.
Ou Linha urbana 9801 (Santa Cruz - Saudade) desembarcando no Cemitério da Saudade.

Volta:
Linha metropolitana 3832 ou 3831 (Nova Lima a BH), embarcando no ponto próximo à Praça do Mineiro e desembarcando no centro de BH.

► Confira frequência, itinerário e tarifas de ônibus em BH no site da BHTrans
► Confira frequência, itinerário e tarifas de ônibus metropolitano no site do DER-MG

De carro

Ida:
Tenha como referência o Hospital da Baleia ou o Cemitério da Saudade em Belo Horizonte.

Volta:
Tenha como referência a Praça do Mineiro em Nova Lima; porém é possível ser resgatado logo no início do asfalto em Nova Lima.

Considerações finais

► Se possível procure realizar a Travessia abastecido com água; ou então use purificador. Para os casos de emergência, caso chegar ao Morro das Antenas e estiver sem água procure o Posto da Polícia Militar no lado oposto das antenas. Porém não faça dessa possibilidade um costume. 

► O desvio da mineradora apresentado neste relato/rota é interessante porque evita alguma eventual indisposição com os guardas da mineradora aos pés do Morro das Antenas, fato que temos tido notícias ultimamente. 

► Esta travessia predomina trilhas, porém há trechos curtos com estradinhas.  As trilhas estão sujas com vegetação beira trilha; por isso ao realizá-la utilize calças compridas e camisas com mangas longas. 

► Após a descida do Pico Belo Horizonte ao adentrar na capoeira há uma cavidade de enxurrada junto à trilha que pode confundir. Foi o que aconteceu conosco. Porém, retornamos ao ponto em que a trilha deixa a cavidade e sai pela direita; marcando a saída correta. 

► Carta Topográfica IBGE: Belo Horizonte


► Pratique a atividade aplicando os Princípios de Mínimo Impacto


Bons ventos a todos!

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