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Circuito Picos da Lapinha: uma rota espetacular!

Arraial e Serra da Lapinha vistos desde o trajeto da
Tradicional Travessia
A região nos arredores de Lapinha da Serra, município de Santana do Riacho esconde uma série de atrativos naturais, especialmente cachoeiras. Os acessos a estes atrativos são simplificados e favorecem a visitação pelo mar de turistas que atualmente chegam ao lugarejo nos fins de semana e feriados. Uma alternativa para aqueles que são mais aventureiros, gostam da região e que desejam um pouco mais de sossego são as aventuras pelas serras que circundam a atualmente badalada vila...

Estas serras possibilitam amplos e belos visuais, além de permitir descobertas interessantes. Uma das possibilidades de fuga é realizar um circuito iniciando e terminando no arraial, interligando o tradicional Pico da Lapinha, Picos Três Irmãos, Pico do Breu e um outro, com altitude similar ao Breu, recentemente apelidado de Brou. É uma rota em que mais de 60% do seu trajeto não possui trilhas definidas, o que torna a aventura um pouco mais exigente, porém muito mais interessante...


Rota realizada e disponibilizada no Wikiloc
Além de possibilitar estudar e visualizar a região, você poderá baixar este tracklog (necessário se cadastrar no Wikiloc); e inclusive utilizá-lo no seu GPS ou smartphone (necessário instalar aplicativo). Recomendamos que utilize esta rota como fonte complementar dos seus estudos. Procure sempre levar consigo croquis, mapas, bússola e outras anotações que possibilitem uma aventura mais segura.
Quanto melhor for o seu planejamento, melhor será o seu aproveitamento.

Powered by Wikiloc

Leo, Lucas e Gugu
No início do mês fui surpreendido por um convite do meu amigo Leo para participar de uma aventura no lugar, intitulada Desafio Guerreiro e organizada pela Liga Rapel, grupo de esportes radicais de Belo Horizonte. A surpresa se justificava, uma vez que já perdi a conta de quantas vezes o chamei para caminhar. Leo faria a sua primeira e maior investida no trekking. Outros dois amigos do Leo, Lucas e Gugu, que são bikers experientes e trekkers também participariam dessa aventura. Apesar de já conhecer grande parte do percurso que realizaria, pois há alguns anos naveguei por ali, alem de já ter feito a clássica Lapinha a Tabuleiro por diversas rotas, aceitei o convite, afinal a região é significativa e muito bonita!

1 Assim, na sexta feira à noite, dia 23 de janeiro, próximo das 19h00 o Leo me buscou em casa, fui apresentado aos dois novos amigos e partimos juntos para a Lapinha, evitando assim pegar estrada na madrugada de sábado, data do início da aventura. Viagem rápida e animada, depois de enfrentar um temporal nas proximidades da Serra do Cipó chegamos à Santana do Riacho em torno de 21h30. Fizemos então uma parada num trailer na praça da Matriz para forrarmos nossas panças... Saciados, imediatamente partimos non stop para a Lapinha, aonde chegamos pouco depois das 22h20. Nos instalamos no Camping das Bromélias e fizemos um giro pelo arraial, primeiro atrás de água, depois relaxando em um barzinho na pracinha da Igreja. Não prolongamos e por volta de 23h30 já estávamos nas barracas...

Lagoa da Lapinha vista no início da pernada
Acordei antes das 6h00 no sábado. O dia ainda estava um pouco escuro e nuvens carregadas cobriam o lugar. Pulei mais cedo porque precisava descolar uns pets pra transportar água na trilha, já que as notícias eram de escassez e eu havia esquecido minhas embalagens. Consegui alguns pelo camping e ao voltar, não demorou e os meus amigos se levantaram. Eu fiz um café, já os outros preferiram fazer o desejum no café da manhã oferecido pelo camping, que é claro, era bem melhor que o meu. Por volta de 7h30 nos apresentamos na Bambu Aventura, ponto de partida da aventura, que se localiza ao lado do camping em que pernoitamos. Por lá conhecemos os outros aventureiros que subiriam a serra. Os organizadores da aventura havia contratado um guia para a empreitada.

Às 7h40 deixamos o arraial e nos dirigimos em direção à trilha da Travessia Lapinha a Tabuleiro. Se não me engano, éramos 16 aventureiros, além de 3 cães agregados no arraial que insistiram em caminhar conosco. Passamos pela lagoa e entramos na trilha à esquerda, indo em direção ao Pico da Lapinha. A rota é conhecida e aos poucos fomos ganhando altura, com o arraial se despontando lá embaixo. As conhecidas e visitadas cachoeiras que descem a serra por ali estavam praticamente secas. Meus amigos seguiam a todo vapor entremeando a fila de aventureiros, enquanto eu preferi me manter na rabeira, torrando no calorão abafado e suando em bicas...

Topo do Pico da Lapinha
Percorrendo trilha marcada, subindo sem pressa e sem possibilidades de erro, por volta de 9h00 tínhamos virado a curva do morro e chegamos ao ponto de água antes do Pico da Lapinha, nas proximidades de conhecido rancho, referência do lugar. Avisados de que outra fonte de água estaria longe, abastecemos os cantis e 20 minutos depois estávamos aos pés do Pico da Lapinha. Deixamos nossas mochilas por lá e de modo leve fizemos o ataque ao Pico, onde chegamos às 9h40. Apesar do tempo nublado, o visual era estonteante. O Pico da Lapinha é um atrativo marcante do lugar, por isso muito visitado. A imagem do arraial, da lagoa, do Mata Capim pros lados da Cachoeira do Lajeado e da vastidão de morros em 360 graus impressionam... Do Pico da Lapinha via-se em destaque e brincando de esconde-esconde com a neblina o nosso próximo objetivo: o Pico Brou! Ficamos pouco tempo no topo do Pico da Lapinha e em minutos descemos até o vale, onde havíamos deixado nossas tralhas.

Cargueiras nas costas, em torno de 10h00 retomamos a caminhada leste seguindo pelo arremedo de trilha utilizada na Travessia Lapinha a Tabuleiro Via Pico do Breu. Poucos metros adiante deixamos o sinal da velha trilha e demos uma guinada à esquerda, sentido norte, indo em direção ao Pico Brou. Doravante faríamos navegação visual e caminharíamos sem trilhas definidas. Este trecho da aventura a mim era inédito! Fomos subindo pelas matações e a neblina era insistente. Alguns aventureiros começaram a apresentar os primeiros sinais de cansaço. Nosso quarteto continuava firme!

Pico da Lapinha visto desde o cume do Brou
Sem correrias e de modo tranquilo, em 50 minutos atingimos o topo do Pico Brou. Com altitude similar ao Pico do Breu, do seu topo a visão de 360 graus é espetacular, mesmo estando um pouco prejudicada pela neblina insistente... Ao norte o Pico Maior dos Três Irmãos; à oeste os Picos Médio e Menor dos Três Irmãos; à Sudeste o Pico do Breu com sua carapuça de nuvens; ao Sul Pico da Lapinha; à Leste um morrote repleto de pedras miúdas cortado mais ao norte por um vale, uma paisagem quase lunar... Com esse visual, nada melhor que uma parada para descanso e reagrupamento no topo, momento de curtição!

Pico Maior dos Três Irmãos visto desde a descida do Pico Brou
Pouco depois das 11h00 começamos a deixar o Pico Brou com destino ao Pico Maior dos Três Irmãos. A descida foi lenta e feita no sentido leste, em direção ao vale. Chegados no vale, tomamos a direção nordeste, objetivando chegar entre os Picos Maior e Médio dos Três Irmãos. O trecho não apresenta dificuldades, a inclinação é pequena e a vegetação de campos rupestres facilitou a caminhada. O calor começou a apertar e pontualmente ao meio dia chegamos no local desejado, tendo o Pico Maior ao norte e o Médio ao Sul. Parada para descanso e lanche. Após, deixamos por ali nossas bagagens para subir o Pico Maior dos Três Irmãos de modo leve. A partir deste ponto, para eu o trajeto novamente deixava de ser inédito!

Vale de afluente do Rio das Pedras visto desde o cume do Pico Maior
Caminhamos sentido norte e atacamos o Pico Maior pelo seu lado leste, cuja inclinação é mais suave, ao contrário do oeste que é um desfiladeiro. A subida praticamente em linha reta foi desgastante e levou aproximadamente 40 minutos para que todos chegassem ao topo, por volta de 13h00. Lucas e Augusto com motorzinho nas pernas estavam entre os primeiros a pisar no 'topo' do Pico Maior. Aliás, somente eu e o Gugu fomos ao cume verdadeiro do Pico, no lado norte, de onde se tem belíssimo visual do Vale do Rio das Pedras, sentido Cachoeira do Bicame, além de trechos da travessia Lapinha a Tabuleiro pela Rota Norte! Na verdade, o Pico maior possui topo alongado no sentido noroeste sudeste e é completamente desabrigado. Permite também visual incrível do vale à leste, desde o Parauninha até o Rio das Pedras. Na direção Sudeste, destaque para o Pico do Breu e claro, do Pico Médio ao lado; além do Pico Brou à sudoeste.

Pico do Breu visto desde o cume do Pico Médio
Como tínhamos muito chão pela frente naquele dia, iniciamos a descida do Pico Maior não pelo mesmo caminho da subida, mas por um trecho mais curto, porém mais inclinado na ponta sudeste. Esse trecho exigiu bastante dos joelhos, além de corroer os solados das botas do meu amigo Leo... Estando novamente junto às nossas tralhas, fizemos nova parada para descanso, momento em que o Lucas fez uma "cirurgia recuperadora" nas botas do meu amigo. Sem dúvidas, o ataque ao Pico Maior foi exigente e alguns aventureiros sentiram bastante. Desse modo, foram orientados a prosseguir a caminhada pelos 'pés' à oeste dos Picos Médio e Menor, uma caminhada que evitaria os pesados sobe e desce pelos terrenos irregulares!

Picos Três Irmãos vistos desde a rota da Travessia Lapinha a Tabuleiro
Recuperados pelo estrago do Pico Maior dos Três Irmãos, beirava as 13h40 quando botamos as cargueiras nas costas e subimos o Pico Médio dos Três Irmãos. Foi uma subida rápida e menos exigente, e pontualmente às 14h00 colocamos os pés em seu topo. O visual não é menos belo, porém ficamos pouco tempo por lá, apenas para reagrupamento. Logo fizemos uma descida rápida pela sua face sudeste, chegando ao vale que o separa do Pico Menor. Cruzamos um pequeno trecho de brejo e mais alguns aventureiros foram orientados a evitar o desgaste de nova subida e descida. Enquanto foram contornar o Pico, fizemos non stop o ataque ao Pico Menor dos Três Irmãos. Sendo o mais baixo dos três, a subida foi rápida e cumeamos próximo das 14h40. Sem delongas, descemos o Pico Menor pela sua face oeste e logo abaixo encontramos com aqueles que o contornaram.

Percorremos então em declive um curto trecho de campos rupestres, chegando às 15h00 à um córrego (afluente do Parauninha) que estava quase seco. Houve um desencontro nesse ponto, pois os aventureiros que vieram pelo vale desde o Pico Maior havia passado desse córrego e estavam rumando sentido leste, quando deveriam permanecer sentido sudeste. Mas logo eles foram avisados e retornaram ao ponto onde estávamos. Até aquele momento já havíamos cumeados 5 dos 6 picos pretendidos. Isto porque todos ficam muito próximos entre si, favorecendo a caminhada. Nosso objetivo agora seria o Pico do Breu, que estava a aproximadamente 3 km de onde nos encontrávamos e até lá teríamos uma boa subida por um terreno pedregoso. Fizemos então uma boa parada para descanso, lanche e hidratação, afinal aquela era a primeira água encontrada desde o início da manhã e o calor abafado estava judiando!

Pico do Breu se aproximando... A subida é por aquela parte mais inclinada
Como o tempo estava nublado não nos importamos em ficar descansando por um tempo maior ali naquele lugar despido de árvores, às margens do mirrado córrego repleto de poços . Somente por volta de 15h40 deixamos o lugar rumo ao último pico do dia, tomando a direção sudoeste e morro acima. Claro, não há trilha definida e o capim baixo ajuda, mas a quantidade de pedras e cascalho deixou a progressão bastante lenta. Passava das 16h20 quando chegamos à crista, interceptando um dos arremedos de trilha da rota Travessia Lapinha a Tabuleiro via Pico do Breu. Nova parada para reagrupamento, pois alguns aventureiros estavam realmente desgastados.

Picos Três Irmãos vistos desde o cume do Breu
Retomada a caminhada, seguimos pela 'crista' agora no sentido sudeste e por leve aclive, para logo a seguir descer em direção ao pequeno vale defronte ao paredão oeste/noroeste do Pico do Breu. Deixamos por ali nossas tralhas e, enquanto alguns aventureiros ficaram por ali descansando, fizemos o ataque ao cume do Breu, altitude máxima da nossa aventura. Subimos a face rochosa e em minutos chegamos ao totem do Breu próximo das 17h20. O cume do Pico do Breu é abaulado, totalmente desprotegido e permite um visual incrível dos arredores. Ficamos por lá apenas o suficiente para algumas fotos, pois além da noite se aproximar, o lado oeste anunciava uma chuva e clarões de raios eram possíveis de serem vistos à longa distância. Descemos o Breu e rapidamente botamos as cargueiras para continuação da caminhada.

Tomamos o sentido sul e fomos perdendo altitude. Em uma guinada para o oeste vencemos um trecho de lajes em forte declive e atingimos o córrego no fundo do vale. Trecho também a mim inédito, cruzamos o córrego e voltamos para o sentido sul, contornando um morrote pela esquerda e seguindo os sinais de uma antiga trilha. Fizemos uma parada forçada à espera do Bruno que ficara para trás após o córrego fazendo companhia a alguns aventureiros que estavam mais desgastados. O esperamos para nos indicar a rota mais curta para o acampamento, cuja região já se via lá em baixo; às margens do riacho que havíamos cruzado pouco acima e à direita da trilha tradicional da Lapinha a Tabuleiro. Porém havia um último morrote que não sabíamos se vencíamos pela esquerda ou pela direita, afinal àquela altura ninguém estava a fim de prolongar a pernada..

Vista do Vale do acampamento, próximo àquela mancha de mato
É possível ver parte da cerca de pedras, antigo mangueiro na região
Reagrupados e orientados, continuamos mantendo a direção sul pela antiga trilha à esquerda do morrote, mais próxima ao cânion por onde desce o córrego. Após os sinais da antiga trilha desaparecerem, chegamos ao topo da encosta, vendo mais à nossa esquerda e lá embaixo a famosa cerca de pedras, com a trilha da Rota Tradicional da Travessia Lapinha a Tabuleiro oeste-leste e a área para acampamento à sua direita. Os chuviscos chegaram para gelar o fim de tarde e mesmo sem trilhas definidas rapidamente vencemos a encosta, apesar das pedras estarem lisas devido aos chuviscos. Eu levei um espetacular e perigoso escorregão no trecho, mas sem maiores consequências. Percorremos então poucos metros pelo trecho plano e interceptamos a famosa trilha da travessia, chegando na mata ciliar às margens do afluente do Mata Capim, onde pernoitaríamos! O relógio marcava 19h00!

Receoso que a chuvinha pudesse aumentar tratei logo de montar a barraca. Leo foi correndo tomar um "banho" no riacho. Lucas e Gugu também chegaram e montaram sua casa, assim como os outros aventureiros, alguns em barracas; outros em redes. Em minutos o Leo retornou do banho e mergulhou na barraca. Doravante não mais sairia da bendita. Eu ainda fui tomar banho e retornando, fiz a janta no avanço da barraca. Fizemos uma feijoada com arroz, enriquecida com umas calabresas. Ainda me levantei e fui oferecer janta pros meus amigos, mas eles apenas beliscaram, pois tinham preparado e saboreado um spaghetti de primeira, um luxo em ostentação... O resto da minha comida foi para os três cães que nos acompanhou o dia inteiro! Como a chuvinha nem aumentou, nem cessou, não demorou muito pra galera mergulhar nas barracas e o silêncio invadir o lugar...

Manhã ensolarada e retorno à Lapinha
2 A manhã de domingo nasceu parcialmente nublada e sem chuvas. Acordei cedo, assim como a maioria dos aventureiros. Café rápido e desmontamos acampamento. Fizemos hora por lá e somente beirando às 9h00 deixamos o lugar rumo à Lapinha da Serra. O trecho a percorrer era o mesmo da Travessia Tradicional, com trilha muito bem marcada. Em minutos vencemos a pequena subida e já deparamos com o arraial da Lapinha à nordeste, emoldurado pela Lagoa e pelo Pico da Lapinha. Passamos pela Capelinha de Pedra e rapidamente descemos os zig-zag que estamos acostumados a fazer no sentido inverso. Fomos nos aproximando do arraial e sem dificuldades, às 10h30 da manhã finalizamos com sucesso o Circuito, vigiados e acompanhados pelo intrépido trio de cachorros...

Belíssimo visual
Momento para descontração e entrega de troféus aos participantes da aventura, uma iniciativa bacana dos organizadores, um incentivo interessante em especial aos iniciantes. Após, pé na estrada de volta para Belo Horizonte. Pouco antes do trecho de calçamento na estradinha da Lapinha, Leo deu carona a um motorista que estava com problemas em seu veículo, com pneus e rodas estouradas. Paramos em Santana do Riacho para desembarque do caroneiro e depois viemos non stop até a Serra do Cipó, onde paramos para almoço. Foi quando o Lucas descobriu que havia esquecido o telefone celular lá na Lapinha... Após almoço só paramos em Lagoa Santa, aguardando o Raphael e o Rodolfo que traziam o celular do Lucas. Depois, direto pra casa, onde cheguei por volta de 16h00 graças à carona do Léo, que ainda retornaria para Santa Luzia juntamente com o Lucas e o Gugu. Foi uma pernada espetacular e com personalidade, como é no Mundo Espinhaço!

Agradeço aos meus amigos Leo, Lucas e Augusto pelo convite, gentileza, paciência e companhia nessa aventura! E parabéns por completarem o Circuito com louvor; certamente com vocês foi muito melhor! E agradeço também aos organizadores da Liga Rapel, bem como a todos os outros aventureiros, foi muito bom estar com vocês!


Serviço

Rota no GE
Localizado nas proximidades do Arraial de Lapinha da Serra, município de Santana do Riacho, Estado de Minas Gerais, o Circuito Picos da Lapinha tem início no arraial da Lapinha, interligando na sequência o Pico da Lapinha (1590m), Pico Brou (1687m), Picos Maior (1686m), Médio (1602m) e Menor (1522m) dos Três Irmãos e pelo conhecido Pico do Breu (1700m), finalizando novamente no vilarejo da Lapinha. Totaliza aproximadamente 26 km, sendo que os primeiros 5 km, bem como os últimos 6 km há trilhas definidas. O trecho inicial é o mesmo do percurso Arraial-Pico da Lapinha; já o trecho final é o mesmo percurso da Travessia Lapinha a Tabuleiro - Rota Tradicional no sentido inverso. Os outros 15 km são rotas sem trilhas definidas, percorrendo matações e campos rupestres.

É um circuito caracterizado pelo sobe e desce em grande parte do trajeto, o que o torna um pouco mais exigente e cansativo. Além disso, em períodos de seca há escassez de água. O relevo da região é o característico do Espinhaço, que apesar de parecer ser de fácil transposição, na verdade não o é, pois é repleto de rochas de variados tamanhos, exigindo atenção e esforço constante do aventureiro, tamanhas são suas irregularidades. A vegetação é um show à parte, rica, variada e detalhista, apresentando um colorido intenso, inclusive com algumas espécies ameaçadas de extinção. Este conjunto torna o Circuito interessantíssimo, em especial para aqueles que desejam fugir do intenso movimento dos atrativos mais conhecidos nos arredores do vilarejo da Lapinha. Seu grande charme é o visual desimpedido nas quatro direções desde os topos dos principais picos.

Como chegar ► cidade referência: Belo Horizonte

De ônibus:
Ida: Via empresa de ônibus SARITUR, embarcar na rodoviária de BH, descendo no ponto final, em Santana do Riacho. De Santana do Riacho à Lapinha não há linha regular de ônibus, necessitando então a locação de táxi, van ou outro; ou mesmo ir à pé. A volta é o trajeto inverso.

► Confira os horários e tarifas no site da empresa de ônibus SARITUR.

De carro:
Ida: Sentido norte da Capital, pegar a rodovia MG 10 sentido Aeroporto Internacional de Confins, entrando e passando pela cidade de Lagoa Santa, sentido Serra do Cipó. No Distrito da da Serra do Cipó, logo após a ponte estreita da Cachoeira Grande entrar à esquerda na rotatória, sentido Santana do Riacho. Em Santana do Riacho passar pela rua principal da cidade e na continuação seguir pela estrada de chão batido sentido ao arraial de Lapinha da Serra. A volta é o trajeto inverso.

Distâncias

BH a Santana do Riacho: aproximadamente 120 km por estrada asfaltada.
Santana do Riacho à Lapinha da Serra: aproximadamente 12 km por estrada de chão.

Hospedagem e Alimentação

Há camping em Lapinha da Serra. O Camping das Bromélias é o melhor deles, oferecendo boa infraestrutura ao visitante.
Há algumas pousadas, bares e restaurantes no arraial. Várias também são as casas disponibilizadas para locação temporária.

Considerações Finais

► As altitudes lançadas neste relato não são oficiais e são superiores em alguns metros a outras obtidas em ocasiões anteriores; bem como se comparadas a outras marcações de amigos ou àqueles lançados na Carta Topográfica. 

► A Carta Topográfica da região é a de Baldim (IBGE). 

► O Pico Brou foi nomeado recentemente, fruto de um episódio em que corredores de montanha se perderam na região durante uma competição organizada por empresa homônima. 

► Não há cachoeiras pelo circuito realizado, pois percorre uma área elevada e com nascentes menores. Exceto aquelas nos arredores de Lapinha.

► Há escassez de água no circuito no período da seca. 

► Eventuais acampamentos durante o circuito são selvagens. 

► Não há sinal de telefonia celular na região. 

► A realização desse circuito sob neblina, que é comum na região, requer atenção redobrada, experiência e instrumentos de navegação. Aos menos experientes em trekking e navegação, aconselho contratação de guias. 

► Nos moldes e condições realizados, o Circuito poderia ser considerado moderado para experientes e pesado para iniciantes. 

► O circuito realizado pode ser adaptado ou modificado, conforme estudos do aventureiro, podendo acrescentar visita à Prainha do Parauninha, à leste do Pico do Breu; ou mesmo ao chamado Pico da Ponta; à oeste do Pico do Breu, tornando-o ainda mais interessante; porém ainda mais exigente. 
Sendo ágil, é possível fazer o circuito em apenas um dia. 

► A estrada de acesso à Lapinha é de chão e encontra-se muito esburacada; além de ser estreita. Apesar disso, alguns visitantes inexperientes em guiar por estradas de chão insistem em acelerar. Redobre sua atenção. 

► De alguns anos para cá o arraial da Lapinha da Serra vem se tornando um "point" nos finais de semana e feriados, recebendo grande número de visitantes. Por isso é bom que o aventureiro esteja preparado para não se surpreender, inclusive nos preços de produtos e serviços! 


Bons ventos!

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